Elliot e Olívia tinham acabado de entrar no elevador. Ele tinha um      espelho na parede, botões antigos, e uma grande grade preta. No geral, cultivava um ar de antiguidade que fugia aos padrões do resto do prédio.

Elliot estava mudo, parecia estranho. Ainda não tinha se recuperado do baque que sofrera no dia anterior.     
Olívia não me quer em sua vida, essa frase rondava sua mente todas as horas, ele não conseguia esquecê-la.
  Parou do lado dos botões, de costas para o espelho, com as mãos no bolso da calça. Olhava para os próprios pés e estava se equilibrando somente nos calcanhares.

Olívia o olhava intrigada, o quê estava acontecendo?
Ela parou do seu lado, e ficou um tempo o examinando. Depois de alguns breves minutos, ela foi obrigada a se manifestar.     
      - Elliot, você não vai apertar o botão? - ela o olhava com uma cara estranha, meio torta.
- Ahn? Botões?
- agora era a vez dele de fazer uma careta. - Ah, sim, o botão. - tirou a mão do bolso e apertou apressadamente o botão do quinto andar. - Pronto - e voltou a posição inicial.
  Olívia continuava com a mesma cara, olhando para ele, ainda sem     entender o que estava acontecendo. Queria puxar algum assunto, mas não sabia o quê. Ela sentia falta de Elliot, e queria a amizade de volta. Queria ele de volta.
      - Eu não sou cego, Olívia. Não precisa ficar me olhando desse jeito. - Elliot falou, ainda se apoiando nos calcanhares, sem nem ao menos dirigiu um olhar a Olívia. Seus olhos estavam em transe, hipnotizados por seus próprios sapatos.
- Hum...
- Olívia ficou hesitante - bem...Desculpe. - e resolveu imitá-lo. COlocou as mãos nos bolsos e começou a olhar fixamente para os seus sapatos. Nenhum tipo de interação.

Quando finalmente as grades do elevador se abriram, Olívia se sentiu como se tivesse acabado de ser libertada de uma jaula. Pronto, estava livre.
  Aquele silêncio constrangedor quase a matara. Era tão estranho, esses silêncios normalmente só aconteciam com desconhecidos...Depois que se tem uma certa intimidade, eles costumas cesar.
     'o quê aconteceu com a gente?', essa pergunta ainda a incomodava. Olívia estava acostumada a respostas concretas, um fato concreto com algum motivo concreto. Mas essa pergunta não estava apta a ter esse tipo de resposta. Ela requeria uma resposa mais complexa.
Vamos dizer que fazia parte das 'respostas humanas', e não das 'respostas exatas', como ela mesma gostava de se referir.     
Quando Elliot a perguntou isso, ela não soube o que responder. Secretamente, isso também a atormentava, principalmente por ela nã saber o motivo.
Não houve uma coisa definida, um divisor de águas - não, tudo fora se rompendo lentamente.