RECOMEÇAR
CAPÍTULO 7
Era domingo de manhã. Inu Yasha estava com Key no parque, a espera de Kagome e Shippou. Ele não voltara mais lá aos domingos desde sua "pequena disputa" com Kouga. Inu Yasha esperou, mas a secretária não apareceu. Já era tarde e ele decidiu ir para casa, mas ficou preocupado. Afinal, algo poderia ter acontecido com Kagome, então, resolveu ligar para ela.
Pegou o celular no bolso da bermuda que usava, e discou o número da casa da secretária, enquanto andava com Key ao seu lado, em direção ao carro.
Depois de alguns toques, Kagome atendeu.
- Alô? - Inu Yasha sorriu largamente ao ouvir a voz de Kagome do outro lado da linha.
- Kagome? Sou eu, Inu Yasha.
- Oh! Ahn... Oi! - ela parecia estar um pouco receosa. Inu Yasha julgou que era pela confissão que ele havia feito durante a festa de casamento.
- Como... Como você está? Não deu mais notícias, nem apareceu no parque hoje. - ele falava pausadamente, enquanto abria a porta do carro para Key.
- Está tudo bem. Tudo muito bem! - era estranho, parecia que Kagome estava escolhendo minuciosamente as palavras que dirigia a Inu Yasha.
- "Droga! Eu não devia ter me precipitado! Agora ela vai querer se afastar de mim!" - pensou frustrado – Kagome, - disse por fim, depois de um suspiro encostando-se no carro – Olha, sobre aquilo que eu falei na festa... enquanto dançávamos... - ele novamente suspirou – Me desculpe se eu fui precipitado, mas eu precisava dizer o que eu estava sentindo... O que eu sinto!
Do outro lado da linha, Kagome estava muda. Parecia não conseguir formular uma única frase que fizesse sentido.
- Será que... - Inu Yasha continuou diante do silêncio dela – Será que nós podíamos... nos encontrar e... conversar sobre isso? Um almoço, ou jantar, quem sabe?
- Bom, ahn... - ela parecia muito nervosa do outro lado da linha.
- Kagome! Quem é? - Inu Yasha pode ouvir uma voz familiar ao fundo.
- Droga! - Kagome falou em um sussurro quase inaldível.
- Kagome, está acontecendo alguma coisa? - Inu Yasha perguntou preocupado, desencostando-se do carro.
- NÃO! - apressou-se em dizer – Não está acontecendo nada. Olha, ahn... eu... eu te ligo mais tarde, aí agente conversa, tá bom? - completou.
- Tem certeza que está tudo bem? - Inu Yasha perguntou.
- Kagome, com quem você está falando? - Inu Yasha pode ouvir a raivosa voz masculina de antes, mas Kagome tentou ignorá-la e continuou dizendo.
- Então, está combinado. Eu te ligo! Tchau... - a voz de Kagome foi se distanciando e Inu Yasha pode ouvir os protestos dela – Kouga, me devolve já esse telefone!
- "Fedido? O que ele está fazendo na casa dela?" - Inu Yasha pensou.
- Alô? Quem é? - a voz que agora Inu Yasha sabia pertencer ao rival soou irritada.
- Você devia ser mais educado ao atender o telefone, Fedido. - Inu Yasha provocou.
- ORA SEU CARA DE CACHORRO! O QUE QUER LIGANDO PARA A KAGOME? - Kouga agora gritava como um louco.
- Bom, eu não sei se você se lembra, mas a Kagome e minha secretária. - Inu Yasha falava pausadamente, embora estivesse furioso estar com a Kagome e ele não.
- ISSO NÃO LHE DÁ O DIREITO DE LIGAR PARA ELA EM PLENO DOMINGO DE MANHÃ! - parecia que ele ia explodir.
- O FATO DE ELA TER ME DADO O NÚMERO DO TELEFONE DELA ME DÁ O DIREITO DE LIGAR A HORA QUE EU QUISER! - Inu Yasha também parecia que ia explodir. Não conseguia pensar que Kouga estava com Kagome sem se perguntar se eles tinham ou não um caso.
- Ora, seu... - Kouga agora sussurrava, como falando entre os dentes – EI ME DEVOLVE, KAGOME, EU AINDA NÃO TERMINEI! - Inu Yasha ouvia agora os protestos de Kouga. Ao que parecia, agora Kagome havia tirado o telefone das mãos dele.
- Inu Yasha, me desculpe por isso, por favor! Eu falo com você amanhã. Tchal. - Kagome falou tão rapidamente, que não deu tempo nem de Inu Yasha dizer algo.
- ... - Inu Yasha suspirou pesadamente olhando para o aparelho em suas mãos – Não tenho como separá-los. Mas isso não quer dizer que eu não posso tentar!
E dizendo isso, entrou no carro e deu a partido, indo pra casa.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Era domingo de manhã. Kagome havia acordado em seu horário habitual, e estava se vestindo para ir ao parque com Shippou. Não deixara de ir lá mesmo depois do "encontro" entre Inu Yasha e Kouga, porém seu chefe não havia mais aparecido por lá. Por falar em Inu Yasha, ela não conseguira parar de pensar no que ele havia dito um minuto sequer desde a noite anterior.
- "O que eu faço?" - pensava - "Eu sinto o mesmo em relação à ele, mas será que começar um relacionamento com ele é uma boa idéia? Preciso conversar com a Sangô, pedir alguns conselhos!"
Kagome estava agora com Shippou na cozinha, terminando o café da manhã, quando a campainha tocou ruidosamente.
Kagome apressou-se em atender a porta, afinal, poderia ser Sangô, querendo conversar sobre a festa, o que seria ótimo, pois precisava mesmo conversar com a amiga. Porém, qual não sua surpresa ao ver Kouga parado em sua porta, com cara de poucos amigos?
- Pode me dizer i que é isso? - perguntou não muito amigávelmente, estendendo-lhe um jornal.
- O caderno social? - Kagome respondeu sarcástica ao ler o título do caderno.
- Falo da notícia, engraçadinha! - Kouga devolveu rude.
Kagome só agora prestou atenção na linda foto de Rin e Sesshoumaru, que ocupava quase metade da página. Ela então, segurou o jornal, que estava dobrado ao meio, nas mãos e sorriu ao ler a manchete: "A mulher que fez Sesshoumaru Taisho sorrir", se afastando da porta, de costas para Kouga.
- O que tem de mais na notícia do casamento de alguém? - perguntou, virando-se para o recém-chegado, que fechava a porta depois de entrar.
- Nada. - respondeu calmo. Calmo de mais – Desde que A MINHA MULHER NÃO USE A FESTA DE CASAMENTO DE ALGUÉM PARA SE AGARRAR COM O "PATRÃO" - em meio a gritaria, Kagome notou o desprezo com o qual Kouga proferiu a última palavra.
- Do que você está falando? - Kagome perguntou calmamente, na esperança de que ele se acalmasse.
Mas, Kouga nada disse, apenas se aproximou dela e, bruscamente, tirou o jornal de suas mãos, o desdobrou, e lhe mostrou a parte inferior da mesma página, onde havia uma bela foto dela dançando com Inu Yasha. Abaixo da foto, havia uma legenda onde se lia: "Será que o outro irmão Taisho também se cadará em breve?"
- "Essa não!" - pensou Kagome.
- Pode me dizer o que significa isso? - peguntou, aproximando-se de Kagome por trás.
- E por que eu deveria lhe dar satisfações? - Kagome falou se afastando dele.
- Não me desafie, Kagome! - o tom de voz dele estava novamente alterado, mas não chegou a gritar dessa vez. Não era muito bom ter uma briga com Shippou por perto.
- Não estou te desafiando. Apenas estou me reservando o direto de não fazer comentários sobre a minha vida particular!
- ... - Kouga deu um demorado suspiro antes de continuar com o tom de voz mais calmo que pode – Kagome, pelo amor de Deus, só me diga que você não está tendo um caso com esse Cara de Cachorro!
Apesar do tom de voz calmo, Kagome sabia que ele estava prestes a explodir. Portanto, discutir com ele seria, no mínimo, perigoso. Como não sabia o que ele faria se descobrisse sobre os sentimentos tanto dela quanto de Inu Yasha, resolveu apaziguar as coisas e adiar o máximo possível aquele confronto. De preferência, pra sempre.
- Não, Kouga. Eu não tenho um caso com o Inu Yasha. - viu então ele suspirar, aliviado – Mas isso não quer dizer que eu não posso ter um relacionamento com alguém no futuro! - Kouga fez menção de protestar, mas Kagome foi mais rápida – Kouga, por favor entenda, nós não temos nada um com o outro! Eu sou uma mulher livre e desimpedida, posso namorar quem eu quiser! E você não pode impedir!
- Kagome, eu te amo! - Kouga falou pausadamente – Não vou permitir que nenhum imbecil toque num fio sequer do seu cabelo. Você é minha!
- Kouga, que direito você acha que tem pra vir na minha casa me dizer essas coisas? Você some sem dar notícias por semanas, só aparece quando quer, vive aparecendo nas colunas sociais dos maiores jornais do país, sempre com uma mulher diferente e ainda diz que me ama? Sinceramente, eu não entendo o sue amor. E não faço a mínima questão de entender.
- Eu sou homem. Tenho desejos. Desejos que eu gostaria de satisfazer com você. Mas infelizmente não posso. Afinal, você sempre me despreza. - Kouga tinha agora um tom de voz baixo, triste e magoado - Por isso procuro outras mulheres. Mas acha que não trocaria tudo isso por você? Kagome, eu daria tudo que eu tenho, só por um minuto da sua atenção, por um pouco do seu carinho, do seu amor... Será que pra você é tão difícil assim pensar em me amar, em viver ao meu lado?
- Kouga, eu sinto muito, mas não posso me forçar a sentir alguma coisa! Você sempre soube que eu nunca te amei! - agora era Kagome que mantinha um tom baixo na voz. Por mais que costumassem brigar, sabia que os sentimentos de Kouga, embora muitas vezes fossem doentios, eram verdadeiros.
- Mas vai amar! - falou convicto – Um dia você vai me amar! E eu não vou desistir de você.
Os dois ficaram olhando nos olhos em do outro por mais algum instante sem proferir uma única palavra, apenas sentindo o peso das últimas declarações ali feitas.
Shippou havia escutado a voz do pai, mas preferiu permanecer na cozinha até que julgasse ser seguro. Já havia presenciado muitas das brigas dos pais, por isso preferia ficar longe até tudo se resolver. Quando percebeu que o silêncio perdurava mais que o normal no outro cômodo, sabia que era "seguro" ir até lá, afinal estava com saudades do pai, a quem não via a três semanas. Foi andando de mansinho e ficou a observar os dois ali parados, então, saiu correndo na direção de Kouga, gritando:
- Papai, que saudades!
Este o segurou nos braços e o ergueu, abraçando-o no alto.
- Oi, garotão! - deu-lhe um beijo na bochecha - O que andou fazendo enquanto o papai esteve fora?
- O de sempre. Veio pra irmos ao parque? - perguntou todo contente.
- Na verdade, eu estava pensando em fazermos outra coisa hoje.
- O que, papai?
Kouga sentou-se no sofá, com o garoto no colo, enquanto Kagome apenas observava em silêncio.
- Eu estava pensando em passar uma divertida manhã jogando vídeo-games! O que acha? - perguntou enquanto fazia cócegas no filho.
- É claro que eu quero! - na verdade, Shippou sempre preferiu jogar futebol na prática, mas fazia qualquer coisa para ficar perto do pai o máximo que conseguisse.
- Mas é claro, só se a mamãe deixar. - disse olhando para Kagome.
- Você deixa, mamãe? - perguntou o garoto olhando diretamente para a mãe.
- Claro, meu amor! - respondeu com um sorriso.
Na verdade, ela tinha a esperança de encontrar Inu Yasha quando chegasse ao parque, queria conversar com ele. Mas ainda não tinha conversado com Sangô e estava meio perdida, sem saber como agir, além disso Kouga não iria deixá-la ter uma conversa civilizada com Inu Yasha, muito menos se soubesse o assunto da conversa que pretendia ter com o chefe.
Kouga e Shippou passaram a manhã inteira jogando vídeo-game. Kouga e Kagome mal trocaram duas palavras durante toda a manhã.
Já era quase hora do almoço quando o telefone começou a tocar. Kagome apressou em atendê-lo.
- Alô? - Kagome disse normalmente.
- Kagome? Sou eu, Inu Yasha.
Kagome foi estão se distanciando o máximo que pode da sala, levando consigo o telefone sem fio, mas tendo cuidado para não chamar a atenção de Kouga.
- Oh! - essa não! Inu Yasha estava ligando na hora mais inadequada que poderia. Se Kouga descobrisse, iria voltar ao assunto do jornal! - Ahn... Oi! - tinha que escolher muito bem as palavras que usaria, e não podia nem pensar em pronunciar o nome do chefe.
- Como... Como você está? Não deu notícias, nem apareceu no parque hoje.
Droga! Então ele tinha mesmo ido ao parque! Kagome havia perdido uma ótima oportunidade de conversar com Inu Yasha.
- Está tudo bem. Tudo muito bem! - "Droga! Eu preciso formular melhor as minhas frases!"
Inu Yasha passou alguns segundos em silêncio do outro lado da linha.
- Olha, sobre aquilo que eu falei na festa... enquanto dançávamos... - Kagome pode ouvir um suspiro dado por ele – Me desculpe se eu fui precipitado, mas eu precisava dizer o que eu estava sentindo... O que eu sinto!
- "Eu gostaria tanto de poder dizer o mesmo. Por que você tinha que ligar logo agora que o Kouga está aqui e eu não posso conversar?"
- "Será que..." - só agora Kagome notou que não falara nada - "Será que nós poderíamos... nos encontrar e... conversar sobre isso? Um almoço, ou jantar, quem sabe?
- "Mas é claro q eu quero. Mas como vou dizer isso?" - ela pensava, mas não conseguia expressar-se com palavras - Bom, ahn...
- Kagome, quem é? - ela pode ouvir a voz de Kouga, vinda da sala, e notou que ele se aproximava.
- Droga! - sussurrou, estapeando a própria testa. O que faria agora?
- Kagome, está acontecendo alguma coisa?
- NÂO! - Kagome falou rapidamente – Não está acontecendo nada. - ela tinha que pensar rápido, pois Kouga já estava muito próximo – Olha, ahn... eu... eu te ligo mais tarde, aí agente conversa, tá bom?
- Tem certeza de que está tudo bem?
- Kagome, com quem você está falando?
Kagome tentou ignorar Kouga e encerrar a conversa o mais rápido possível.
- Então está combinado. Eu te ligo! Tchal... - mas ela não pode terminar a conversa, pois Kouga tirou o aparelho de suas mãos – Kouga, me devolve já esse telefone!
- Alô? Quem é? - Kouga perguntou com uma voz extremamente irritada, ignorando o "pedido" de Kagome.
- Você deveria ser mais educado ao atender o telefone, Fedido.
Quando Kouga identificou a voz que estava do outro lado da linha, fez uma cara de ódio extremo e olhou Kagome de forma acusadora.
- "Mais que droga!" - Kagome pensou inconformada.
- ORA SEU CARA DE CACHORRO! O QUE QUER LIGANDO PARA A KAGOME? - Kouga gritava e gesticulava como um louco.
Kagome tentava a todo custo tirar o aparelho das mãos de Kouga, mas como ele era muito mais forte que ela, a tarefa estava se tornando não só difícil como impossível.
- Bom, eu não sei se você se lembra, mas a Kagome é minha secretária. - a forma pausada e aparentemente calma e superior como Inu Yasha falava estava irritando mais ainda Kouga.
- ISSO NÃO LHE DÁ O DIREITO DE LIGAR PARA ELA EM PLENO DOMINGO DE MANHÃ!
Kagome estava começando a entrar em desespero. Afinal de contas, o que Inu Yasha estava falando pra irritar tanto o Kouga? Será que ele não tem noção de perigo?
- O FATO DE ELA TER ME DADO O NÚMERO DO TELEFONE DELA ME DÁ O DIREITO DE LIGAR A HORA QUE EU QUISER!
- Ora seu... - o som que Kouga emitiu mais parecia um rosnado.
Kouga estava tão irritado que pareceu esquecer que Kagome estava tentando tirar o telefone de suas mãos. Ela então, aproveitou-se dessa ocasião e tirou o telefone das mãos dele, indo pra longe o mais rápido que pode, enquanto ouvia os protestos de Kouga, que a perseguia de perto:
- EI ME DEVOLVE, KAGOME! EU AINDA NÃO TERMINEI! - ele parecia incontrolável.
- Inu Yasha, me desculpe por isso, por favor! Eu falo com você amanhã. Tchal. – Kagome falou o mais rápido que pode, antes que Kouga conseguisse pegar o aparelho de volta.
Com toda a correria e a luta pelo telefone, os dois acabaram chegando até a sala de TV, onde Shippou estava. Ele olhava em um misto de surpresa e susto toda aquela cena. Primeiro os gritos de seu pai, e agora essa correria toda e dois adultos brigando por um telefone. O que estaria acontecendo afinal?
- O QUE VOCÊ ESTAVA FALANDO COM ELE, KAGOME? - Kouga esbravejava ao perceber que ela havia encerrado a conversa e desligado o telefone.
Mas, por estar preocupada com o filho, Kagome se manteve o mais calma que pode, respirando fundo antes de se virar para o Shippou e dizer calmamente:
- Meu amor, o papai e a mamãe precisam conversar. - ela agora acariciava os cabelos do garoto – Será que você poderia ir para o seu quarto, só um pouquinho?
Quando percebeu que a intenção de Kagome era tirar o garoto de perto deles para que pudessem conversar em paz, Kouga procurou se acalmar. Afinal, não queria magoar o filho.
Quando Shippou saiu da sala, Kagome foi até a mesinha do telefone e o colocou no lugar. Fez-se um silêncio perturbador. A calmaria antes da tempestade.
Kagome estava de costas para Kouga. Sabia que teria que ouvir um sermão daqueles. Foi quando o ouviu falar, com um tom de voz calmo e pausado:
- Por que ele te ligou?
- Isso importa tanto assim? - perguntou virando-se para encará-lo.
- Apenas responda, por favor. - pediu ainda mantendo o tom suave.
- Kouga, ele é meu chefe e...
- E o que o seu chefe teria para resolver com a secretária em pleno domingo de manhã? - cortou-a fechando os olhos.
Kagome tinha que pensar rápido. Sabia que quando ele parecia nervoso era uma coisa ruim, mas quando parecia calmo era pior ainda.
- Ele... Ele queria saber se eu já tinha resolvido os detalhes para... uma viagem de negócios que ele vai ter que fazer na quarta.
- Tem certeza? - Kouga perguntou olhando nos olhos de Kagome.
- Por que não teria teria? - respondeu com uma pergunta, mantendo o olhar fixado no dele.
Kouga nada respondeu. Apenas se dirigiu até o quarto de Shippou, provavelmente para se despedir do filho, como sempre fazia quando brigava com Kagome na frente dele. Ao voltar para a sala ignorou Kagome, até que chegou na porta, e quando ia abri-la para sair, disse sem virar para ela:
- Eu só espero que se lembre do que eu disse, Kagome: se estiver tendo alguma coisa com esse imbecil, eu tomo o Shippou de você. - dizendo isso, abriu a porta e saiu.
Kagome sabia que esse era um péssimo sinal. Nenhum grito, nenhum xingamento, somente uma ameaça. E ela sabia que ele sempre cumpria as ameaças que fazia.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoO
No dia seguinte, segunda-feira, Kagome estava meio desligada. A discussão do dia anterior com Kouga a tinha deixado com uma bela enxaqueca, além de ter entristecido Shippou de forma assombros.
O menino quase não falava, andava triste pelos cantos e passou o resto da tarde trancado no quarto. Kagome estava preocupada, principalmente por que ia ter que viajar e deixá-lo com Sangô durante três dias. Não que Shippou não gostasse da madrinha, mas Kagome tinha medo de que ele se sentisse sozinho pela ausência da mãe.
E o pior, se Kouga fosse visitá-lo durante sua ausência, (coisa que era muito improvável de acontecer, mas mesmo assim a preocupava) ficaria uma fera em descobrir que ela "omitira" o fato de que viajaria com Inu Yasha, o que ocasionaria mais um briga.
Inu Yasha ainda não havia chegado, e ela agora pensava no que fazer. Na tarde do dia anterior, tinha ido até o apartamento ao lado conversar com Sangô, e essa lhe deu alguns conselhos.
OoOoOoOoO Flash Back OoOoOoOoO
- Nossa Kagome, - disse a morena sentada ao lado de Kagome no sofá de seu apartamento – eu... não sei o que dizer. Que barra!
- Nem me fale! - Kagome estava em sua habitual posição de inércia: sentada no sofá, abraçada as próprias pernas, com o rosto escondido entre os joelhos.
Shippou estava em casa, dormindo. Certamente havia chorado até adormecer, e Kagome não quis acordá-lo.
- O que pretende fazer? - Sangô perguntou olhando-a.
- Eu vim aqui na esperança que você me dissesse. - respondeu olhando para a amiga. Lágrimas rolavam copiosamente pelo seu rosto o que cortou ainda mais o coração de Sangô.
- Kagome, eu sinto muito, - apesar de estar triste pela amiga, Sangô precisava mostrar-lhe a realidade dos faltos – mas é você que tem que tomar uma decisão. Você tem que escolher se vai passar o resto da sua vida com medo do Kouga, se recusando a ser feliz, ou se vai aceitar o amor do Inu Yasha e passar a viver por você mesma, pelo menos uma vez!
Kagome agora fitava um ponto muito interessante no tapete da amiga, apenas processando aquelas palavras.
- Você sabe muito bem que está nessa situação pura e simplesmente por não ter tido a coragem necessária para enfrentar o Kouga! - Sangô continuou – Se você realmente quiser sair dessa situação, tem que dar o primeiro passo! Se você gosta do Inu Yasha de verdade, não o deixe escapar! - Sangô colocou sua mão no ombro da amiga, que passou a encará-la – eu sei que vão vir muitos obstáculo se você decidir aceitá-lo, mas essa é a única forma de encontrar a felicidade.
Mais lágrimas rolaram pelo rosto de Kagome, que voltou a escondê-lo nos joelhos.
- K-chan, - Sangô a chamou carinhosamente – eu vou sempre estar aqui pra te ajudar a superar qualquer obstáculo. E... tenho certeza que o Inu Yasha também vai estar!
Pela primeira vez naquele dia, Kagome abriu um sorriso verdadeiro. As duas se abraçaram e Kagome chorou por muito tempo antes de voltar para o seu apartamento.
OoOoOoOoO Fim do Flash Back OoOoOoOoO
Sangô estava certa: somente a própria Kagome poderia dar o primeiro passo em busca da felicidade. Depois de pensar muito a respeito, Kagome decidiu que lutaria para ser livre e feliz. Afinal, não devia nada a ninguém!
- "E se o Inu Yasha ainda me quiser, vou lutar pra ficar com ele!" - pensava uma agora determinada Kagome.
Algum tempo depois, Inu Yasha chegou para mais um dia de trabalho. Estava um pouco apreensivo, queria conversar com Kagome o mais rápido possível, pois já não aguentava mais estar perto dela sem poder tocá-la e dizer-lhe tudo o que queria.
Estava decidido: falaria com ela e, se ela o aceitasse, não haveria nenhum obstáculo que pudesse impedi-lo de viver esse amor. Nem mesmo o Fedido!
Saiu do elevador e viu a secretária digitando algo no computador. Respirou fundo e caminhou até a mesa de Kagome. Parou em frente a esta, mas Kagome parecia tão desligada que nem percebeu sua presença. Então Inu Yasha falou:
- Bom dia, Kagome.
A secretária teve um sobressalto, mas depois se recompôs e respondeu:
- Oh... Bom dia, Inu Yasha.
- Me desculpe. Eu não queria te assustar.
- Não... Tudo bem, é que eu estou um pouco aérea hoje.
Por alguns instantes, os dois focaram em silêncio, apenas se encarando enquanto pensavam em uma forma de dar início a conversa que tanto queriam ter.
- Kagome... - Inu Yasha começou, mas foi interrompido pelo telefone – É melhor você atender.
Kagome fez o que o chefe mandara enquanto o via entrar na própria sala.
Inu Yasha sentou-se em sua poltrona e suspirou. Porque era tão difícil conversar sobre isso? Talvez por que ela ainda não tenha dado nenhuma resposta e ele tivesse medo de ser rejeitado? É era exatamente por isso!
- "Droga, eu tenho que parar de conversar comigo mesmo!"
Porém, seus pensamentos foram cortados por algumas batidas na porta.
- Pode entrar!
- Inu Yasha, era a secretária das empresas Shichinintai. Ela acaba de me repassar por fax a agenda das reuniões que teremos com os sócios. - Kagome disse, entrando na sala de Inu Yasha, lutando para manter a compostura.
- Sim, claro. Sente-se Kagome.
E assim a secretária o fez. Sentou-se e passou a agenda para Inu Yasha.
- Eu já reservei as passagens de avião. Sairemos daqui na quarta-feira, às 8 da manhã. A viagem dura cerca de 5 horas, então nossa chegada está prevista para às 13 horas. Às 16 horas, teremos o primeiro contato com os sócios acionistas. - Kagome repassava a agenda para Inu Yasha da forma mais profissional que conseguia. Não era a melhor hora nem o melhor lugar para tratar de assuntos pessoais.
Enquanto Kagome repassava a agenda de compromissos para os três dias de viagem, ele tentava manter-se concentrado. Era muito difícil separar o profissional do pessoal quando estavam tão próximos. Ele esperaria até que pudessem ter um momento em particular para poder tocar no assunto.
Kagome estava terminando de ler a agenda:
- E por fim, o vôo de volta sairá às 9 da manhã do sábado. E é essa a agenda. Vou deixar uma cópia com você, qualquer dúvida, ou alteração, é só me comunicar que eu entro em contato com a secretária deles.
- Ahn, não. Não, está tudo bem. Eu estou de acordo com tudo. - disse calmamente.
- Tudo bem, então... Eu vou ligar para a secretária, pra confirmar tudo. Com licença. - Kagome disse levantando-se par sair da sala.
- Espera, ahn... Kagome, eu... - Inu Yasha também se levantou, indo até ela – Eu queria conversar... sobre o telefonema de ontem. Não causei nenhum problema, causei? - perguntou devagar, enquanto se aproximava.
- Não, não. Imagina! - Kagome disfarçou – inclusive, Inu Yasha, eu queria te pedir desculpas pelo Kouga. Ele estava brincando com o Shippou e...
- Kagome, tudo bem. Não... Não precisa se desculpar. - os dois ficaram em silêncio por alguns momentos, até que Inu Yasha recomeçou a conversa – Err... Kagome, sobre o que falávamos ao telefone...
- Sim? - a respiração de Kagome acelerou devido ao nervosismo.
- Bom, será que nós poderíamos conver...
TOC, TOC, TOC... (N/A:eu sei, é estúpido, porém necessário)
As batidas na porta interrompendo Inu Yasha e fazendo com que os dois se sobressaltassem.
- Quem é? - Inu Yasha perguntou.
- Sou eu! - disse Mirok já entrando na sala do amigo. - Estou interrompendo algo? - perguntou com um leve tom de malícia ao vê-los tão próximos.
Os dois imediatamente coraram.
- Não, Mirok. - Kagome respondeu afastando-se discretamente de Inu Yasha – Nós estávamos apenas repassando a agenda de reuniões.
- O que faz aqui? - Inu Yasha perguntou ríspido, lançando um olhar mortal, encostando-se em sua mesa.
- Eu só dei uma passada pra ver a Sangô, e decidi ver o meu melhor amigo!
Inu Yasha apenas continuou a olhá-lo daquela forma que demonstrava toda sua raiva, enquanto Kagome andava em direção à Mirok, dizendo:
- A propósito, Mirok, meus parabéns! A Sangô me disse que vocês estão namorando.
Ela o abraçou, o que só fez o olhar de Inu Yasha se tornar ainda mais assassino, ao se lembra que seu amigo quase passou a mão onde não devia enquanto dançava com Kagome na festa de casamento do seu irmão.
- "Se aquele imbecil tocar nela, vai se arrepender." - pensou, já se afastando da mesa em direção aos dois.
Mas, para sorte de Mirok, nada aconteceu.
- Obrigada Kagome! Eu estou muito feliz porque a Sangô resolveu me dar uma chance. - respondeu o médico depois de se desvencilhar do abraço de Kagome.
- Fico muito feliz por vocês. Bom, se me dão licença, eu preciso fazer uma ligação. Querem que eu traga algo? Um suco, ou café? - Kagome perguntou educadamente.
- Não se preocupe com isso, Kagome. - disse Mirok com um sorriso – Eu não pretendo demorar.
- Com licença, então. - Kagome, então saiu da sala deixando os dois amigos a sós.
Quando a secretária saiu, Mirok apenas sentou-se em uma das poltronas que ficavam na frente da mesa de Inu Yasha e, olhando em seus olhos disse:
- Me desculpe. Não era minha intenção atrapalhar.
- Mas atrapalhou. - respondeu mal-educado.
- Quer dizer que você vai mesmo lutar por ela, não é?
- Claro que sim. Só que eu ainda não consegui encontrar um momento adequado, e quando eu encontro esse momento, tem sempre alguém para atrapalhar. - ele disse a última frase olhando diretamente nos olhos do amigo, fazendo-o engolir em seco.
- Mas veja pelo lado bom: - Mirok falava tentando amenizar a situação – vocês vão passar três dias juntinhos em uma outra cidade. Lá, certeza vocês vão poder se acertar!
- Você tem razão! - disse Inu Yasha com ar pensativo – Se eu não conseguir falar com ela aqui, posso falar com ela lá! Afinal, nós estaremos no mesmo vôo, no mesmo hotel, no mesmo carro... (N/A: v6 acharam msm q eu ia colocá-los no msm quarto?)
- É isso aí, Inu Yasha! Só espero que você não faça nenhuma besteira!
- E que tipo de besteira eu poderia fazer? - perguntou novamente com olhar irritado.
- Correr atrás de outras garotas, por exemplo.
- Eu não sou você, Mirok!
OoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Kagome e Inu Yasha passaram o restante da manhã ocupados com os preparativos para a viagem. Kagome fazendo ligações par a reserva do hotel, confirmação das passagens aéreas, aluguel de um carro, entre outros detalhes. Já Inu Yasha estava delegando tarefas para os diretores da empresa, para que o funcionamento da empresa se desse na mais perfeita ordem durante a sua ausência.
Havia tanto a ser feito antes da viagem, que os dois acabaram perdendo a hora do almoço. Quando Inu Yasha se deu conta do horário, resolveu convidar Kagome para almoçar. Afinal, não seria necessário esperar até a viagem para conversarem, talvez já viajassem como um casal!
- Kagome. - chamou-a saindo de sua sala.
- Sim, Inu Yasha. Precisa de algo? - Kagome perguntou, olhando-o.
- Na verdade, preciso sim. - ele fez uma cara séria – Estou saindo para almoçar, e preciso de companhia. Quer vir comigo?
- Que horas são? - perguntou olhando em seu relógio de pulso – Meu Deus, não imaginei que fosse tão tarde! Ainda bem que pedi à Sangô pra pegar o Shippou na escola e levá-lo para a casa da Senhora Kaede.
- E então, aceita almoçar comigo?
Kagome se viu sem saída diante daquele sorriso lindo do seu chefe.
- Tudo bem, eu estou mesmo com fome. - disse levantando-se e pegando a bolsa.
Quando os dois estavam se dirigindo ao elevador, este se abre, revelando a única pessoa que nenhum dos dois gostaria de ver agora: Kouga.
- Olá, Kagome, Cara de Cachorro. - disse ele educadamente e com um sorriso polido.
Os dois pararam imediatamente de andar ao vê-lo, mas nenhum dos dois proferiu uma única palavra.
- Vão a algum lugar? - perguntou Kouga, alargando o sorriso ao perceber a expressão frustrada e surpresa estampada no rosto de Inu Yasha.
- O que está fazendo aqui, Kouga? - Kagome perguntou, preocupada com um possível escândalo que Kouga pudesse fazer.
- Vim conhecer o lugar onde a mãe do meu filho trabalha! - ele respondeu enquanto se aproximava.
- Nossa, que honra! - disse Inu Yasha recuperando-se do choque – Quer dizer que você deixou suas tantas obrigações somente para vir visitar a minha humilde empresa?
- Na verdade, Cachorrinho, minha intenção ao vir aqui é convidar a Kagome para almoçar comigo. - agora Kouga olhava fixamente nos olhos da garota, seu olhar era sério, o que para Kagome significava perigo.
- Kouga... - ela tentou argumentar, mas Kouga a interrompeu.
- Por favor, K-chan. Eu... Eu quero me desculpar pela nossa discussão de ontem! - ele agora segurava delicadamente as mãos de Kagome entre as suas, fazendo o sangue de Inu Yasha ferver.
- "Como assim, K-chan?" - pensou Inu Yasha tentando conter a vontade que tinha de soca-lo.
Por algum tempo, fez-se um silêncio perturbador, e o que deveriam ter sido segundos, pareceram ser horas.
Kagome usou esse pouco tempo para pesar as conseqüências de sua decisão naquele momento: se aceitasse sair com Kouga, perderia a oportunidade que procurara durante todo o dia de conversar com Inu Yasha; se negasse o convite de Kouga, o deixaria nervoso e com certeza ele teria uma crise de ciúmes, causando um grande escândalo. De todo jeito, sairia perdendo.
- Tudo bem, Kagome. - Inu Yasha falou, surpreendendo-a – É melhor vocês dois conversarem e se entenderem. Nós podemos conversar uma outra hora.
Kagome não sabia o que dizer e até o Próprio Kouga parecia surpreso.
- Vejo você depois do almoço! - Inu Yasha completou, entrando em sua sala.
- Então, - Kouga chamou a atenção da moça – vamos, Kagome?
Sem ter opção, Kagome segui o jovem. Será que essa atitude de Inu Yasha significava que ele não estava mais interessado nela?
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Inu Yasha entrou no escritório e fechou a porta atrás de si, deixando-se cair no chão.
- Feh... Se ela realmente se acertar com o Fedido, é porque eu nunca tive uma chance com ela.
Inu Yasha permaneceu em sua sala, esperando a volta da secretária com ansiedade.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Sangô estava em sua sala, trabalhando normalmente, até que uma insistente e frenética batida na porta tira toda a sua concentração.
- Pode entrar! - disse.
Inu Yasha entrou apressado fechando a porta atrás de si.
- Preciso da sua ajuda, Sangô.
- O que aconteceu pra você entrar na minha sala dessa forma? Alguém morreu por acaso? - Sangô perguntou, em tom de brincadeira.
- Não. Ninguém morreu. Pelo menos não até agora!
- Credo, Inu Yasha! O que aconteceu? - Sangô perguntou, ainda com um tom divertido.
- É a Kagome! - ele andava de um lado para o outro na sala de Sangô.
- Você quer matar a Kagmoe? - ela o olhava séria.
- Não! Eu quero matar aquele fedido!
- Quem?
- O Kouga! - Inu Yasha estava ficando cada vez mais nervoso.
- Eu não entendi. A Kagome te deixou irritado, mas você quer minha ajuda pra matar o Kouga? - Sangô tentava a todo custo segurar a vontade de rir da cara de raiva do amigo.
Inu Yasha finalmente parou de andar e encarou Sangô, com toda a irritação que podia demonstrar. Mas Sangô não notou apenas irritação, havia algo mais, angústia, desespero...
- O que aconteceu? - perguntou, realmente preocupada dessa vez.
- Eu... - parou de falar passando a mão nervosamente pelos cabelos – Eu acho que a Kagome e o Fed... e o Kouga se acertaram.
Inu Yasha desabou em uma das cadeiras que ficavam à frente da mesa de Sangô. Ele tinha o semblante abatido e uma tristeza profunda no olhar, que fitava um ponto qualquer no chão.
- E porque você acha isso? - Sangô se manteve calma, pois sabia que não havia a menor possibilidade de Kagmoe ceder as constantes investidas de Kouga.
- É que... - ele começou, mas parou de falar, respirando fundo antes de continuar – Eu a convidei para almoçar comigo. Queria conversar com ela sobre... ahn...
- Sobre a declaração que você fez pra ela na festa de casamento? - Sangô completou.
- Como você sabe? - Inu Yasha perguntou envergonhado.
- Fala sério, Inu Yasha! A Kagome é a minha melhor amiga!
- Tem razão, me desculpe. Bom, eu queria saber qual era a resposta dela, por isso a convidei para almoçar, mas quando estávamos indo para o elevador, o Fedido apareceu e a convidou para almoçar também ele disse que era uma forma de se desculpar por uma briga que tiveram ontem, ou coisa assim. Pra evitar um escândalo que a deixaria ainda mais constrangida, eu disse pra ela aceitar o convite dele, disse que nós conversaríamos depois.
- E... - ela o incitou a continuar quando ele se calou por alguns momentos.
- E ela foi com ele. - disse com uma expressão triste.
- Mas foi você que falou pra ela ir!
- Eu sei. - ele voltou a encará-la – Eu sabia que se eles se acertassem, era porque eu não teria nenhuma chance com ela. E... - houve mais uma pausa – quando ela voltou no início da tarde, estava diferente. Até agora ela ainda não falou comigo direito, e está tentando me evitar a todo custo! - Sangô fez menção se questioná-lo, mas ele foi mais rápido - Eu sei o que pensei, masd tinha esperança que eles não ficassem juntos!
- Certo. Então você quer minha ajuda para...
- Quero que você descubra se eles realmente voltaram.
- Inu Yasha, quantas vezes eu vou precisar te dizer que não existe a menor possibilidade da Kagome ter algo com o Kouga?
- Eu preciso ter certeza, Sangô!
Inu Yasha olhava tão profunda e suplicantemente para Sangô, que esta se sentiu desarmada, e acabou cedendo.
- Tudo bem, Inu Yasha. - ela disse depois de um curto suspiro – Eu falo com ela hoje à noite.
- Obrigada, Sangô!
Inu Yasha saiu, deixando-a sozinha a pensar:
- Esses dois vivem me dando trabalho. Seria tão mais fácil se eles se entendessem logo de uma vez. Acho melhor falar com a Rin.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Kagome estava muito confusa. Em um minuto, Inu Yasha está convidando-a para almoçar com ele, e no minuto seguinte, está dizendo para ela almoçar com Kouga e "se entender com ele"? O que estava acontecendo, afinal? Inu Yasha realmente sente algo por ela, ou não? Será que ele se arrependeu por ter dito que gostava dela? Será que o Kouga tinha razão quando dizia que seu chefe só queria se aproveitar dela?
Kagome passou o restante da tarde com uma tremenda dor de cabeça. O almoço com Kouga não havia sido nada agradável. Discutiram de novo. Kouga nunca havia se conformado com o fato de Kagome não o querer. Menos ainda com a possibilidade de ela estar interessada em uma outra pessoa. Kouga quase fez um escândalo dentro do restaurante quando Kagome voltou a afirmar que não devia nenhuma satisfação para ele, que voltou a ameaçá-la:
OoOoOoOoO Flash Back OoOoOoOoO
- Kagome, eu não estou brincado! - Kouga tentava se controlar – Se eu souber que você está com o Cara de Cachorrinho, eu tomo a guarda do Shippou de você!
Sua voz era carregada de amargura.
- Nunca, - continuou – nunca vou permitir que você seja de outro!
OoOoOoOoO Fim do Flash Back OoOoOoOoO
Kagome sabia que não era saudável discutir com Kouga. Ficava preocupada com as ameaças dele. Mesmo com Sangô lhe dizendo que ele nunca iria deixar a boa vida que levava pra cuidar do garoto, e mesmo que tentasse conseguir a guarda, nenhum juiz a concederia, ela sabia que Kouga sempre dava um jeito de ter o que queria. E sinceramente, tinha medo de tentar descobrir se o rapaz iria realmente cumprir suas ameaças.
Porém, mesmo com medo, a secretária estava disposta a enfrentar o pai de seu filho, para buscar a tão almejada felicidade ao lado de Inu Yasha, mas depois do que ele disse antes de sair com Kouga:
- "Tudo bem, Kagmoe. - Inu Yasha falou, surpreendendo-a – É melhor vocês dois conversarem e se entenderem. Nós podemos conversar uma outra hora."
- Droga! - Kagome falou.
- O que é uma droga? - Sangô perguntou , sem tirar os olhos da estrada.
As duas ia a caminho de casa no carro de Sangô. As duas estavam em um completo silêncio.
- Não é nada, Sangô. - Kagome respondeu, tentando parecer natural e falhando miserávelmente.
- E eu sou a chapeuzinho vermelho. - Sangô rebateu, ainda sem desviar os olhos do caminho – Não tem nada que que queira me dizer?
- Não. - Kagome foi enfática.
- "Eu vou ter que apelar pra conseguir algo dela dessa vez" - Sangô pensou, dizendo logo depois – Eu fiquei sabendo que você saiu acompanhada no horário do almoço. Quem era? O Inu Yasha?
Kagome ficou em silêncio por alguns minutos, pensou em ignorar o comentário, mas pensou bem e achou melhor desabafar.
- Era o Kouga.
- O Kouga? - Sangô finalmente a olhara fingindo surpresa – Quer dizer que o Kouga esteve na empresa? O que aconteceu?
- O Inu Yasha tinha me convidado para almoçar, disse que queria conversar. Mas quando estávamos saindo, o Kouga apareceu e também me convidou para almoçar. Disse que queria me pedir desculpas pela discussão que tivemos ontem.
- E o que você fez? - Sangô passou a olhá-la diretamente, quando parou em um sinal fechado.
- Eu não sabia o que fazer. Se eu ignorasse o Kouga, ele faria um escândalo, mas se eu fosse com ele, o Inu Yasha poderia pensar que havia algo entre nós. - Kagome agora gesticulava e falava de forma exasperada.
- E...
- E aconteceu o que eu não esperava. O Inu Yasha me disse que era melhor eu ir com o Kouga pra que nós pudéssemos "conversar e nos entender". Ele disse que nós conversaríamos depois.
- E conversaram?
- Não. Eu fiquei muito confusa, Sangô! Se ele realmente gosta de mim, por que me mandaria sair com outro homem? Principalmente se ele sabe que o homem em questão gosta de mim?
- Kagome, - Sangô voltou a dirigir quando o sinal abriu – você não acha que ele pode ter feito isso para evitar um escândalo? Talvez ele tenha pensado que se ele tentasse reagir o Kouga poderia começar uma briga, que com certeza ele aceitaria entrar?
- Eu não sei. - disse Kagome depois de um suspiro – Sinceramente, não sei o que pensar.
- Kagome, eu vou te dar um conselho de amiga: Se você gosta do Inu Yasha, dê a ele uma chance de se explicar.
- Eu acho que já ouvi essa frase antes. - Kagome concluiu com um riso fraco.
- Era o que você vivia me dizendo pra mim quando descobriu que eu gostava do Mirok. E hoje eu estou com ele. E muito feliz, diga-se de passagem. Mas se eu tivesse dado ouvidos a isso, poderia estar com ele a mais tempo.
Kagome apenas suspirou.
- Mas me diz, - Sangô continuou – como foi o almoço com o Kouga?
- Totalmente desagradável! - Kagome respondeu com cara de nojo – Ele queria por que queria que eu aceitasse casar com ele.
- De novo essa história?
- De novo! Eu falei pra ele que não adiantava insistir por que um relacionamento entre nós nunca daria certo.
- E ele, o que disse?
- Que se eu não fosse dele não seria de ninguém! E voltou a dizer que se eu tivesse algum relacionamento com outra pessoa, principalmente com o Inu Yasha, ele tomaria a guarda do Shippou de mim.
- Ai, Kagome, desencana! - Sangô disse quase em um grito – Ele não vai fazer isso! E mesmo que faça, você não pode deixar de viver por qualquer coisa que ele ameace fazer!
Kagome novamente ficou em silêncio, apenas pensando sobre o que devia fazer.
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No dia seguinte, Kagome continuava sem saber o que fazer. Continuou o se manter o mais distante possível do chefe. Ainda não sabia qual atitude era correta diante daquela situação. Falava com Inu Yasha apenas o indispensável, e passou o dia cuidando dos preparativos para a viagem do dia seguinte.
Já Inu Yasha estava desesperado com a atitude de Kagome. Tentava conversar com ela, mas a secretária parecia fazer o impossível para evitá-lo.
Resolveu então, ir conversar com Sangô, para saber o que ela havia descoberto.
- Ela só está um pouco estressada com o Kouga, Inu Yasha. Não tem com o que se preocupar. Eles não estão juntos! - Sangô dizia.
- Então porque ela está me evitando? - perguntou preocupado.
- Por que você não deixa pra conversar com ela no avião? Lá ela não vai ter como te evitar! - disse Sangô.
- Tem razão! É isso que eu vou fazer. Obrigada, Sangô. - Inu Yasha parecia mais animado e rumou para sua casa, já que estavam no fim do expediente.
No dia seguinte, falaria com Kagome enquanto viajavam, e resolveria tudo.
CONTINUA
Oi povo! Desculpa a demora pra postar, e tbm pra responder as reviews, ms é q eu tava mto ocupada!
Bom aqui está o sétimo capítulo de RECOMEÇAR. Espero que vocês tenham curtido.
Aliás, eu gostaria de fazer uma pergunta: os cap estão ficando compreensíveis? Será que tá mto confuso? Bom espero que me respondam pra eu poder sempre melhorar.
Outra coisa, estou fazendo uma enquete, vocês acham que eu deco colocar um hentai na fic? Estou meio na dúvida, não sei se v6 iriam gostar. Espero que me digam se preferem com ou sem hentai.
Gostaria de agradecer imensamente a vc q perde seu precioso tempo lendo essa humilde fic. Msm v6 q lêem ms ñ deixam review, mto obrigada pelo carinho!
Gostaria de agradecer principalmente à: Aline (enilacm), Aline (aebdp), littledarkAyazinhaah-chan (ñ tenho certeza se vc recebeu minha resposta, se ñ me desculpe e arigatou pela sua review!)Gheisinha Kinomoto, manu higurashi e Thata chan, pelas reviews q me deixaram.
Kissus gente vlw msm.
Como vcs já sabem, as resp das reviews estão sendo enviadas individualmente, e qlquer dúvida, eu respondo aqui.
Bom gente só posso esperar q tenham curtido esse cap e diz\er q essa viagem do Inu e da K-chan vai dar mto pano p manga!
Onegai, continuem lendo e mandando reviews.
Kissus, kissus, e mais kissus.
Pyta-chan .
