Capítulo 7.
Draco passou seus olhos pela sala bem iluminada. Nenhum dos presentes parecia acreditar na história que acabaram de ouvir, talvez fosse realmente fantasiosa demais. Quem sabe? Passando os braços pela cadeira a qual sentara ao contrário, tendo o encosto a sua frente, dirigiu-se aos bruxos em um tom provocativo.
- Será que é tão difícil assim acreditar que eu seja um bom rapaz? Cara... Eu devo ter feito coisas muito ruins para vocês... – Jogando os cabelos loiros para traz, deu um sorriso cínico. – Incrivelmente não me lembro de nenhuma.
Harry pode ouvir um murmúrio de desaprovação da parte de Hermione, bem como de tantos outros aurores. Se Draco continuasse arrogante dessa forma, ia ficar difícil defende-lo. Lançou um olhar repreensivo para o amigo que, finalmente parecia decidido a baixar a bola.
- Eu fui a única pessoa que ficou com o Draco esses anos todos. Com o Draco e a Gina. Não façam essas caras, vocês se lembram da Gina. Ela sempre ajudou vocês não é mesmo? Um amor de pessoa... E quando ela precisou o que aconteceu? Viraram-lhe as costas. Ele é muito melhor do que vocês se lembram. Basta uma chance.
Hermione se remexeu descontente na cadeira. Nenhum dos aurores parecia disposto a acreditar na bondade do Sonserino. Por fim uma pergunta se fez escutar.
- E porque então, todos esses anos, você não nos contou que ia vê-los?
Harry respirou fundo antes de responder.
-Eu até pensei nisso, mas vocês acreditariam na inocência dele? Iriam me chamar de traidor, bater as portas na minha cara. Mas nada ia mudar. E eu ainda ia perder meu emprego. É muito mais cômodo acreditar no mesmo que os outros... Poupa-nos do trabalho de analisar a questão.
Um burburinho de desaprovação correu o salão. Os aurores pareciam não ter gostado de serem chamados de preguiçosos. Mas, no final das contas, não se nega uma chance a quem a pede... Muito menos quando esse pedido vem reforçado pelas palavras do chefe. Apesar de muito mau humor e pouca força de vontade, os aurores haveriam de ceder uma hora ou outra.
- Agora com licença que vou providenciar acomodações decentes para Draco. – Harry levantou-se de súbito, puxando Malfoy pelo braço. Parou a porta do corredor, virando-se para os outros. – Assumo responsabilidade por qualquer coisa que ele fizer. Se sair um pouquinho da linha, podem manda-lo embora. Fora disso, tem a minha permissão para andar livre aqui dentro... E quem contrariar minha ordem sofre as conseqüências. Fui claro?
Sem esperar a resposta entraram pelo corredor seguindo-o até o final, e depois por uma passagem mais estreita, até chegar a um amplo quarto com duas grandes janelas. Uma cama de dossel e uma mesa bem cuidada, com sua respectiva cadeira, eram a única mobília do lugar. Mesmo assim era aconchegante. O lugar mais aconchegante em que Draco estivera desde a internação de Gina.
- Você enfrentou todos eles por mim... Obrigado. – O Malfoy sentou-se na cama passando a mão por sobre o lençol de seda. – Mesmo que fosse seu escravo o resto da vida ainda te deveria uma.
- Não se preocupe. Não será necessário. – O moreno deu uma risada, sentando-se ao lado do amigo na cama. Com uma expressão apreensiva passou os olhos por sobre o loiro. - Se bem que não seria má idéia.
Rindo divertido, Draco abraçou forte o outro. Era a única pessoa em quem ele confiava de olhos fechados. E agora ainda mais.
- Que bom que você está bem no final das contas. – Harry se levantou, andando até a porta. - A terceira porta daquele armário dá para um banheiro. Pode tomar banho, há roupas nas outras portas. Depois eu venho aqui para vermos esses machucados. Definitivamente, você não está acostumado com brigas.
Novamente Draco se viu deixado sozinho contra a vontade. Não queria que Harry fosse embora, nem mesmo queria estar ali. Mas Potter tinha razão, precisava de um banho. Desenrolou a faixa de pano que lhe cobria a mão machucada quando perdera a varinha. Não estava tão mal agora, parara de sangrar.
Com um suspiro curto, abriu uma das portas, escolhendo a roupa que lhe estava mais próxima. O banheiro era revestido de ladrilhos azul turquesa, e cheirava quase completamente a chocolate. Despindo-se enquanto a água escorria para dentro da banheira, Draco fez as contas de todos os machucados que conseguira naquela batalha. Nunca estivera tão arranhado, quebrado, picado e sujo assim... Definitivamente, não nascera para aquilo.
Mergulhou completamente na banheira, prendendo a respiração numa tentativa fútil de livrar sua cabeça de todos aqueles pensamentos. Tudo que acontecera desde a morte de Gina... A entrada como comensal... A captura... Os membros da ordem.
Olhares... Falas... Granger... Potter... Narcisos... Alfazema... Lucius.
A primeira estrela...
"Que bom que você está bem no final das contas" "Foi abandonado pelos seus comparsas, Malfoy?" "É um desprazer imenso vê-lo".
Precisava de ar. Correu a esponja pelo corpo, tentando se livrar de toda aquela poeira. Precisava ficar ali e pensar em outras coisas. Deitou a cabeça na borda da banheira, perdendo completamente a noção do tempo que se passava.
Foi trazido de volta à realidade por uma batida leve na porta.
- Drac... Você já acabou? Eu trouxe as coisas para cuidar desses machucados.
Será que tinha ficado tempo demais ali? Talvez tivesse até dormido. Enrolando uma toalha em volta da cintura, abriu a porta dando de cara com o amigo.
- Desculpa Harry... Eu... Acho que esqueci do tempo.
Com um sorriso consolador, o moreno empurrou-o até a cadeira, sentando-se na cama e abrindo uma maleta com todos os tipos de ataduras e pomadas.
Draco fingia ouvir a musica que Harry cantarolava enquanto fazia curativos e limpava ferimentos. Mesmo não escutando a canção, o loiro percebeu quando essa foi cortada bruscamente, o Potter havia percebido o estado em que ficara a sua mão direita.
- Droga... Isso está feio. – Examinando com cuidado os dedos, levantou-se correndo porta afora, deixando-a aberta de modo que uma corrente de ar frio passou pelo pescoço do loiro. – Eu vou precisar de mais coisas!
- Mas... – Antes que se pudesse argumentar Harry já estava longe, deixando um Draco inconformado e de toalha. Distraído, olhou por uma das janelas a procura de um canteiro de flores no imenso quintal. Não havia nenhum.
Um vulto se aproximou da porta aberta, fazendo com que o Malfoy virasse instantaneamente. Granger.
- Você veio aqui me tirar do sério? – Balançou os cabelos molhados, fazendo com que algumas gotas respingassem na garota. – Perdeu seu tempo... Eu estou muito bem e nada muda isso.
- Eu não vim te encher, Malfoy... Eu estava passando pelo corredor... Por que? Agora também é proibido? – Hermione olhou com desgosto o corpo bem modelado do rapaz. – Vista uma roupa. Não é educado ficar andando de toalha na casa dos outros.
- Eu visto o que eu quiser e você não vai dizer nada por que não se arriscaria a brigar com o seu amado Harry. – Draco saboreou o poder que aquelas palavras tinham de enrubescer a jovem bruxa. – Sua testa diz "Eu te amo" cada vez que você o vê Granger... Só vocês que não perceberam isso.
- Quem não percebeu o que? – Parado a porta, Harry tentava carregar uma maleta de remédios particularmente grande.
Um sorriso divertido invadiu o rosto do Malfoy enquanto via Hermione tentar explicar tudo. Ia se enrolando cada vez mais e qualquer hora haveria por confessar.
- Não é nada de mais... Só a Granger que não havia percebido o machucado na minha mão. – Falou-lhe o loiro para a surpresa da bruxa que com um olhar confuso no rosto, saiu correndo porta afora, deixando um Harry atônito.
- Ah... Deixa para lá. – Harry sentou-se na cama, abrindo a caixa e tirando algumas ataduras. – Agora estenda essa mão. Vamos cuidar disso antes que fique pior.
N/a: Estamos chegando perto do meio da fic. Devagar e sempre... Gosto desse capítulo, foi divertido escreve-lo. Trabalhoso e divertido, se é que isso é possível.
Vamos aos Reviews?
Estrelinha: Você acha? Ele podia ter morrido dessa vez... Mas ainda bem que não morreu, né? Santo Harry...
Dodis: Eu acho que o Harry deve ter confiado na Gina e não no Draco. Com o tempo a Ginny mostrou pra ele que o Malfoy não era tão ruim assim. Isso não aconteceu com os outros, porque eles preferiram deserdar a Weasley a ter que aceita-la com o Drac. O Harry é um cara legal, não acha?
Obrigada pelos Reviews, fiquei super feliz.
Quem puder me deixar outros para esse capítulo, eu agradeceria muito mesmo. Mas não vou forçar ninguém.
E no próximo capítulo, vamos descobrir como o Draco vai ser virar vivendo junto aos aurores. até lá.
