Disclaimer: personagens e lugares pertencem a JK Rowling e à Warner Brothers, excepto aqueles criados por mim. Fanfiction escrita sem fins lucrativos.

Baseada no filme de 1991 O Pai da Noiva, com Steve Martin e Diane Keaton. Quaisquer semelhanças com o argumento são mais que meras coincidências.

Produção: Agosto 2010 – Abril 2011

Avisos: fanfiction apropriada para todos

Spoilers: DH

Sumário: Rose Weasley regressa a casa com uma notícia surpreendente: ela vai casar! Mas a notícia, aparentemente feliz, promete fazer estragos no coração de uma das pessoas que ela mais ama…


N/A:como sempre, a faculdade blá-blá-blá… Segue o último capítulo d' O Pai da Noiva. Espero que gostem, sinceramente, e que tenha valido a pena, apesar do tempo infinito que levei para a completar. Pelo menos posso dizer que me diverti imenso a escrevê-la. :D Uma vez mais (porque nunca serão demasiadas vezes), queria agradecer-vos pelas reviews [um agradecimento especial a dani brasil, Aneleeh e Elisa Weasley, a quem não pude agradecer pessoalmente por terem deixado comentários como anónimos, mas a quem agradeço profundamente pelas palavras simpáticas também], pelos favoritos, até pelo simples facto de passarem por esta página – muito obrigado por todo o vosso apoio e pela fidelidade, embora não tenha a certeza de ser merecedora dela. ^^

Erros de digitação, pontuação, conjugação verbal e demais ofensas à língua portuguesa são culpa minha e peço perdão pelos mesmos. A minha beta tirou férias e eu fiz o meu melhor, mas às vezes isso não é suficiente!


NOTA: Este capítulo foi escrito ao som da música My Girl, dos The Temptations. Quem quiser, por favor, siga a indicação… é uma canção deliciosa! *-*


O PAI DA NOIVA

EPÍLOGO

Foi durante o casamento que eu (por fim) entendi o quão idiota tinha sido ao longo dos últimos meses!

Quando o padre chegou ao momento crucial da cerimónia – o temido "Que fale agora ou que se cale para sempre" – e senti os olhares de toda a gente cravados em mim, só desejei ter ali um buraco para me esconder! O que me valeu foi que a atenção geral estava dividida entre a minha pessoa e a de Draco Malfoy, cujas faces habitualmente pálidas estavam da cor do meu cabelo. Penso que não estou a exagerar quando digo que foi o momento mais vergonhoso da minha vida!

À excepção desse momento, contudo, toda a boda decorreu sem percalços. Confesso que tive de me conter (e muito!) para não chorar quando Rose e Scorpius foram pronunciados marido e mulher e todos nós nos levantámos para os aplaudir, mas com todo o berreiro que estava a acontecer duvido que alguém notasse se eu derramasse uma lágrima ou duas.

Seguiu-se o almoço, que também correu muito bem. A comida estava maravilhosa – apesar de ter reparado que Lucius Malfoy se contentou apenas em brincar com ela com o garfo, qual criancinha birrenta que se recusa a comer – e Albus surpreendeu tudo e todos com um bonito e muito eloquente discurso de padrinho para os recém-casados. Agora, eu conheço o meu sobrinho, aposto que houve dedo de alguém ali pelo meio. Não de Harry, contudo, ele parecia mais espantado do que toda a gente junta! E, sejamos honestos: se Harry não teve jeito nenhum para o seu discurso no meu casamento, porque raio se iria revelar agora?

E o resto do dia foi…

Cansativo!

Divertido, sim, mas também muito cansativo.

A minha própria família esperou demasiado de mim no meu papel como pai da noiva. Tenho a certeza que todos eles esperavam que eu interrompesse os noivos a cada beijo apaixonado. Ou que tirasse das mãos de Rose todos os copos de champanhe que a deixavam cada vez mais vermelha. Ou que acabasse por lançar um feitiço qualquer à cabeça do Malfoy quando me fartasse de olhar para a sua cara.

Orgulho-me de dizer que não fiz nada disso. Aliás, que fui mais longe e que acabei a aplaudir cada momento de carinho entre a minha filha e o marido. E que dei a Hermione um beijo tão grande à frente de toda a gente que a deixei corada de vergonha e Rose brincou que lhe estava a tentar roubar o protagonismo. E que acabei a dançar com Astoria Malfoy, que é bem mais simpática do que pensei ser possível para a mulher que está casada com Draco Malfoy.

Falando no Diabo, não troquei palavras com ele, mas ainda é só o primeiro dia. Talvez daqui por uns anos, quando estivermos ambos velhos e não nos restar nada para fazer senão aproveitar os últimos dias de vida ao máximo, já tenhamos então algo de bom para partilhar que compense as más memórias que temos hoje. Por agora, a distância é a nossa melhor amiga.

E depois chega a hora da despedida. Rose e Scorpius dizem adeus por entre os aplausos e gritos da multidão. Ela atira o ramo – que cai directo nas mãos de Alline ("Uh-uh, ramo já tenho, agora só me falta o noivo!" e Neville rola os olhos) – e depois passa por mim.

- Adeus, papá! – e dá-me um último abraço.

- Adeus, Rosie! – e dou-lhe um último beijo.

Vejo-os partir e depois sinto uma mão repousar no meu ombro. Viro-me para o lado e surpreendo-me quando dou de caras com o meu sogro, William Granger. Ele dá um estalido com a língua, leva o copo do champanhe aos lábios para um gole rápido e depois ouço-o murmurar:

- Eu sei, Ronald. Eu sei.

A minha primeira ideia foi dar-lhe uma violenta canelada – ainda não me esqueci das coisas que pensou sobre mim e que nunca teve a coragem de me dizer. Mas depois lembrei-me que ele passara pelo mesmo que eu estou a passar agora. E isso é o suficiente para o perdoar.

Algumas pessoas foram embora depois da partida dos noivos. Lucius praticamente saiu a correr, com a mulher de arrasto atrás dele, como se tivesse medo de começar a disparar feitiços em redor agora que não tinha o neto por perto para o ajudar a relembrar-se do que estava ali a fazer. A filha de Adrian Pucey também regressou a casa com o marido e o filho, que já se deixara adormecer, e Teddy e Victoire iam pelo mesmo caminho quando Andromeda se ofereceu para levar a bisneta, que já choramingava de sono, para casa enquanto eles ficavam na festa um pouco mais.

Eu e Hermione ficámos, claro, e divertimo-nos como há muito não nos divertíamos. Dançámos e brindámos vezes sem conta, na companhia de Harry e Ginny, Neville e Hannah, Luna e Rolf, tal como fazíamos nos bons velhos tempos em que éramos jovens sem preocupações, a curtir a vida como se não houvesse amanhã, depois de tudo aquilo por que tínhamos passado até então. E rimos. Imenso. A ver George e Angelina a assustarem Daphne e Miles Bletchley com a sua dança exuberante; a ver Roxanne a obrigar Terry a rastejar na areia por ela; a ver Albus e Alline, ambos já de passo trocado por culpa de um copo a mais, muito agarradinhos na pista de dança ("Mas, que raio…?" "Ela já tem o ramo, Neville, só lhe falta o noivo!" "Não tem graça, Harry!").

E quando já passavam das três da madrugada e Charlie achou por bem começar a dançar em cima das mesas com Dominique, o cansaço começou por fim a dar sinais e decidimos voltar para casa. Despedimo-nos de toda a gente, inclusive de Hugo – que se encontrava a dar suporte emocional a James, que chorava de saudades da namorada – que ia passar a noite em casa dos tios (e que eu duvidava que chegasse sequer a ir à cama), e agradecemos a Bill e a Fleur por toda a ajuda que nos tinham dado.

Em dois minutos estávamos de regresso.

- Lar doce lar! – exclamei eu ao chegar ao quarto, atirando com o manto e a gravata para cima da cama. – Parece que saímos daqui há anos!

- Mmm-mmm – respondeu Hermione da casa de banho.

- Sabes, acho que até correu bem! Sem desaires, sem complicações… a minha mãe até se conseguiu conter durante o resto do dia…

Suspirei profundamente enquanto desapertava os botões da camisa, ao mesmo tempo que ela saía da casa de banho já com a sua camisa de noite vestida.

- O que foi? – perguntou-me, aproximando-se de mim com um sorriso no rosto. – Porquê essa carinha triste?

- Estava a pensar…

- Não penses! – interrompeu Hermione muito depressa.

- Mas é a noite de núpcias deles! – era mais forte do que eu. – Lembras-te do que é suposto acontecer na noite de núpcias? Sabes o que é que eles devem estar a fazer agora?

Porque eu lembrava-me. Eu sabia. E imaginar Rose e Scorpius… pensar que a minha menina…

- Ron!

Hermione lança os braços em torno do meu pescoço e o tom autoritário da sua voz traz-me de volta para a realidade.

- Portaste-te muito bem hoje! – e dá-me um beijo rápido nos lábios. – Estou muito orgulhosa de ti!

Dizer-me que estava orgulhosa das minhas acções era o melhor elogio que a minha mulher me podia dar. Estava a pensar em quê mesmo?

- Eu também estou orgulhoso de mim! – e dou-lhe um beijo rápido nos lábios também. E depois outro. E outro, agora mais demorado. E aperto o seu corpo contra o meu. E mordisco-lhe o lóbulo da orelha, o que a faz sempre encolher-se nos meus braços. E marco-lhe uma fileira de beijos pelo pescoço. – Sabes que mais? O Hugo não vem dormir a casa… estamos os dois sozinhos… podíamos… não sei… aproveitá-lo!

- Ai podíamos? – respondeu Hermione, mordiscando o lábio inferior. – Pensava que estavas cansado!

- Dizes bem, amor: estava.

E afinal, a noite era apenas uma criança!


- Ora aqui estamos nós, no nosso primeiro jantar em família… sem a Rose!

Levantei o copo de vinho em direcção à cadeira que costumava pertencer à minha filha, como um brinde ao seu lugar vazio.

- Meu Deus, Ron, estás a falar como se ela tivesse morrido!

Franzi o sobrolho ao comentário mórbido de Hermione e dei um gole antes de me sentar. Ela acabara de trazer o empadão directo do forno e pegava agora no prato de Hugo para o servir:

- A ver se te começas a alimentar melhor, rapaz! És um desportista, tens de comer em condições!

- Mãe, por favor, pareces a avó Molly!

- Sabem o que é que isto me faz lembrar? – questionei eu, ao sentir o cheiro do empadão chegar-me às narinas. – O jantar de recepção da Rose, quando ela anunciou o casamento. Parece que já foi há tanto tempo…

E na verdade já se tinham passado seis meses, eu é que nem tinha dado pelo passar do tempo!

Rose e Scorpius tinham partido esta manhã para a Escócia em lua-de-mel e já estava cheio de saudades dela. Acho que estava a ser um pouco pior do que quando ela fora trabalhar para França, talvez por saber que esta seria agora a minha realidade, mesmo quando as duas semanas de viagem terminassem.

- Ron, a sério – Hermione ocupou o seu lugar ao lado do meu e deu-me a mão por cima da mesa. – Tens de o ultrapassar!

- Sim, pai, até parece que ela não volta! E depois, quem é que precisa da Rose? Não passa de uma chata, sou da opinião que ficamos melhor sem ela!

Hugo pegou inocentemente no copo, fingindo não reparar nos olhares que eu e a mãe lhe lançámos.

- Aliás, agora tens de pensar que quando ela voltar a jantar connosco, passa a trazer com ela uma segunda pessoa, e não eras tu quem dizia que quantos mais, melhor? – deu um golo tão rápido que quase se engasgou. – E vamos agora imaginar que ela volta da lua-de-mel com uma terceira! Estás preparado para a possibilidade, avozinho?

Oh, por favor, já chega! Quero as palavras "avô", "bebé" e "gravidez" eliminadas do vocabulário de toda a gente agora!

- Hugo, já chega! – ralhou Hermione (ah-ah!). – A verdade é que estamos todos bem e felizes e devíamos agradecer por isso!

E pegou então no seu copo:

- Por isso proponho um brinde… a uma nova fase!

Não é que me apetecesse, mas os pedidos de Hermione têm o condão de me fazer querer cumpri-los, mesmo que vão contra a minha vontade. Por isso peguei também no meu copo, gesto que o Hugo se apressou a imitar. E os três brindámos, e bebemos. Porque a vida continua e nós tínhamos de continuar com ela.

Terminado o brinde, voltámos ao jantar, que esfriava nos nossos pratos sem que lhe tivéssemos tocado ainda. Peguei no garfo cheio e, sentindo de súbito uma imensa fome, meti-o à boca.

- Ah, é verdade, ia-me esquecendo de vos dizer – Hugo sorriu dengosamente para mim e de súbito senti um flash passar-me diante dos olhos. – Paizinho… vou casar!

Não sei se foi da comida demasiado quente, se foi do inesperado da afirmação, se foi simplesmente da sua expressão facial. Só sei que me engasguei violentamente com a notícia, senti-me asfixiar, fiquei para morrer.

Outra vez não!

Valeu-me Hermione, que se levantou rapidamente para me ajudar, enquanto Hugo caía sobre a mesa numa grande risota.

- Estou a brincar, paizinho! – ouvi-o anunciar por entre as gargalhadas. – Por agora, estou a brincar!

FIM