6.

Metropolis

Joan saiu do carro e parou em frente ao Metro Café. Entrou com mochila nas costas e carregando uma mala. Viu Martha conversando com um freguês e esperou que ela olhasse para a porta. Martha sorriu, sem acreditar, ao ver a moça.

- Joan!

- Martha!

As duas correram uma para outra e se abraçaram diante dos olhares curiosos dos clientes. Martha tocou no rosto da ex-afilhada.

- Ah, que menina linda você está! E o seu pai? Continua o mesmo velho turrão chato?

- O General Lane nunca vai desistir de comandar as suas tropas e segundo ele, falhei na cadeia de comando já que Lucy fugiu para local desconhecido.

Martha revirou os olhos.

- Sam sempre intransigente. Não à toa, nosso casamento não durou. Só sinto falta de você e da sapeca da Lucy.

- Agora além de sapeca, também pegou uma grana do pai e fugiu com um dos soldados da tropa do General. Imagine o estado de nervos dele.

- Eu imagino. – Martha achou graça. – Veio pra ficar?

- Não quero dar trabalho, é só por uns dias. Vou tentar uma vaga no Planeta Diário.

- Que ideia maravilhosa, Joan! Você nasceu pra ser jornalista como sua mãe foi! Está no sangue! – Martha vibrou. – E não vai dar trabalho nenhum! Eu vivo sozinha no apartamento, vai ser bom ter companhia!

- Obrigada, Martha. Eu resolvi parar de tentar agradar o General e viver a minha vida. Vou ser jornalista, mesmo que ele estrebuche de raiva.

- E vai usar o sobrenome Lane? Eu usaria. Só pra afrontá-lo mais.

- Joan Lane. Se aceitarem. Eu não gosto muito de Lois Lane, só meu pai me chama assim para me dar bronca. Joan me soa melhor.

- Você vai conseguir, Jo e vai calar a boca ferina do seu pai, garanto! Agora venha, você deve estar cansada e com fome de uma viagem tão longa!

Joan acompanhou Martha para o apartamento que ficava em cima da loja. Joan olhou a vista da cidade.

- Nossa... Metropolis é mais linda do que eu imaginava.

- Isso por que você não viu nada, Jo. Eu vou te levar um dia para conhecer a cidade e você vai gostar mais ainda. Quando pretende ir ao Planeta Diário?

- Tenho uma entrevista marcada pra daqui a dois dias e resolvi vir antes tamanha a minha ansiedade. É o sonho de uma vida, Martha.

- Que você vai conseguir realizar, Jo. – garantiu Martha, segurando as mãos dela. – O que é nosso, ninguém tira. Ninguém.

Joan sorriu mais animada.

-x-

Star City

Entraram no apartamento de Dinah pela janela e Clark a colocou sentada no sofá. Dinah suspirou.

- Bem-vindo ao meu lar, Clark. O que achou de Star City?

- É uma bela cidade. Menos sombria do que Gotham.

- Gotham é um celeiro de malucos, que Bruce não nos ouça. Aquela cidade parece ter vida própria. Star City é um pouco mais tranquila, mas não se engane, também temos problemas sérios de corrupção. Eu trabalho como advogada e sei bem.

- Essa é uma faceta nova... – Clark comentou e sentou ao lado dela no sofá.

- Eu tenho muitas facetas, garoto. – ela tocou na camisa dele com um olhar sedutor. Depois ficou séria. – Uma delas é ser trouxa. A burra que foi traída pelo namorado e a própria irmã. Minha vontade é ir atrás de Oliver agora e afogá-lo no rio, no mar, no que for mais próximo.

- Você ainda gosta muito dele, né? – adivinhou Clark.

- Porque você diz isso? Eu odeio o Oliver!

- Claro que não odeia. Quem odeia, ignora. Você não fez outra coisa senão falar nele depois que descobriu que Oliver está vivo. Eu conheço os sintomas, Dinah. Já vivi uma história parecida...

- Com Lana Lang. Sabia que nessa terra ela é casada com o careca Luthor?

- É, eu sei. Eles se casaram na Terra 1 também, mas não durou. Parece que é o destino.

- Aquelas duas cobras se merecem. – afirmou Dinah e o estômago dela roncou. – Vamos comer algo? Vou pedir uma pizza.

- Ótima ideia. – Clark sorriu.

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Terminaram de comer a pizza e Dinah olhava para Clark atentamente.

- Você me levaria a mal se dissesse que me sinto atraída por você?

- Não. Só acho que você tem que fechar uma porta pra depois abrir outra. Acredite, é o mais recomendável.

- Você é um escoteiro mesmo. Te acho uma graça. Deve ser por isso que tenho vontade de te agarrar. – ela terminou de beber o refrigerante.

- Não posso negar que você me atrai também. – ele confessou.

- É bom saber que atraio alguém.

- Dinah, você é uma mulher e tanto. Atraente, bonita, vivaz... Seria impossível alguém não se sentir atraído por você. – ele afirmou, sincero.

Num impulso, Dinah deu um beijo demorado em Clark. O comunicador de Dinah tocou e eles se afastaram. Clark deu um suspiro.

- Canário Negro aqui é a Watchtower. Você está melhor?

- Diz pro Bruce que não matei ninguém ainda embora não me falte vontade. – Dinah disse e Clark achou graça. – Sim, o garoto está aqui comigo, ele me trouxe. – passou o comunicador para Clark. – Ela quer falar com você.

Clark pegou o comunicador e Dinah foi jogar a caixa vazia de pizza no lixo.

- Ei, Chloe.

- Ei, Clark. O que está achando de Gotham e agora de Star City?

- São duas cidades peculiares, mas Metropolis ainda é mais bonita. E você, como está?

- Bem. – ela sorriu.- Ahn... Dinah e Bruce cuidaram bem de você? Não te assustaram demais?

- Não, imagina. E Dinah é a minha treinadora. Está me ensinando a me defender principalmente se me vir sem poderes.

- Ah, a Dinah é boa nisso. É a melhor lutadora da Liga, se bem que eu conheci Diana Prince e ela me parece incrível. – pigarreou. – Hum, você volta quando para Metropolis.

- Por enquanto vou ficar aqui com Dinah, ela está precisando de um pouco de apoio...

- Aham, sei. – fez uma pausa. – Clark, você e Dinah estão tendo algo?

- Algo? Não. Eu... Chloe...

- Clark, não precisa gaguejar. Não estou te acusando de nada, só fazendo uma pergunta. Antes de tudo, somos amigos, não somos?

- Somos sim. – ele concordou. Fez uma pausa. – Dinah e eu nos beijamos. Mas foi só isso.

- Clark, você é livre. Não somos namorados, nem nada. Foi só uma noite. Não se prenda por mim, sério. – ela falou, sincera.

- Não está chateada comigo, Chloe?

- Claro que não, Clark! Pelo menos você foi honesto. Os meus últimos namorados nem isso... Não prometemos nada um ao outro, Clark. Relaxe e curta Star City, é uma cidade linda.

- Ok, vou fazer isso. Obrigado, Chloe, você é uma grande amiga.

- Agora tenho que desligar, Clark. Tchau.

- Tchau, Chloe.

Chloe desligou o comunicador e ficou olhando para a tela onde havia fotos de Dinah e Clark. Eles pareciam formar um belo casal, mesmo que Bruce achasse que Dinah não esquecera Oliver. Chloe suspirou. Por sorte, não tinha se apaixonado por Clark para não sofrer por ele. A vida continuava. Voltou às suas atividades na Watchtower.

Clark desligou o telefone e olhou para Dinah, que estava bebendo um pouco de água.

- E aí? Pelo visto, nem teve DR. – Dinah disse, bem humorada.

- Chloe e eu somos amigos agora.

- Bom saber. – ela sentou no sofá. – Você me acha muito atirada?

- É a sua personalidade forte. Não tenho nada contra.

Dinah sorriu e o beijou. As mãos da loira já estavam debaixo da blusa dele quando a campainha tocou. Dinah bufou e Clark foi atender. Viu Oliver Queen e ficou surpreso.

- Oliver?

- Eu te conheço, cara? Esse aqui não é o apartamento da Laurel?

- Só você ainda me chama de Laurel. – Dinah se aproximou.- Sou Dinah Lance. Laurel faz parte de um passado que julgava morto e enterrado. Por falar nisso, quando foi mesmo que você saiu da cova, Oliver? – ela ironizou.

- O que esse cara está fazendo aqui? – Oliver perguntou, hostil.

- E desde quando isso é da sua conta? Ou devo perguntar o que a minha irmã caçula estava fazendo no seu iate, na sua cama, hein, Oliver? Você é muito cara de pau!

- Laurel, eu quero conversar com você, mas sem terceiros... – pediu Oliver.

- Ele tem nome e é Clark Kent. Clark, este é o idiota do Oliver Jonas Queen recém saído da tumba.

Oliver deu um suspiro cansado e Clark resolveu sair do meio daquele fogo cruzado.

- Vou tomar um banho, estou cansado da viagem. Com licença.

Clark entrou no banheiro e Oliver entrou na sala.

- Quem é esse sujeito, Laurel?

- DINAH! –ela berrou, irritada. – Ele é meu amigo e é tudo que você precisa saber! Qual é a sua, Oliver? Me dê um bom motivo para não te jogar pela janela, seu traidorzinho barato! Cretino!

- Por favor, Lau... Dinah... Me deixa explicar. Eu fiquei cinco anos em um inferno de uma ilha e a única pessoa na qual pensei foi em você. Em tudo que vivemos. Eu te amo, Laurel.

- É Dinah. E eu não acredito em você. Mas pode tentar se explicar. Você tem cinco minutos, Queen.

Oliver deu um suspiro puxado e Dinah segurou a vontade que tinha de dar uns tapas nele e ao mesmo tempo beijá-lo. Clark tinha razão, seu coração ainda não havia esquecido Oliver.

-x-

Dois dias depois, Joan entrou no Planeta Diário. Ficou absolutamente fascinada. Era um dos maiores e mais respeitados jornais do mundo. Entrou na redação e viu toda a agitação, sem conseguir conter um sorriso. Joan virou-se para o lado e esbarrou em Lex. Estreitou os olhos.

- Lex.

- Joan. Quanto tempo. Como vai o seu pai?

- É muito cinismo seu dirigir a palavra à mim. Eu deveria esfregar essa sua cara suja no chão.

- Sempre um doce de pessoa, Lane. – ele achou graça. – Bem que meu pai dizia que você era uma fera incapaz de ser domada.

- A única coisa que estou domando agora é minha vontade de quebrar todos os seus dentes.

- Cuidado, Lane. A LCM é a sócia majoritária do Planeta Diário. Você terá que ter minha aprovação para trabalhar aqui. Eu vi sua ficha de inscrição e sei que tem uma entrevista com Tess.

- Como você é esperto, Lex, quer um biscoito por isso? – ela ironizou.

Lex sorriu. Joan continuava fascinante. Era rebelde até o último fio de cabelo loiro e mesmo assim, o atraía muito. Perdera-a por pressão de Lionel e por Joan não concordar com o modo de Lex ver a vida, ainda mais depois dos atritos com o General Lane. Só por isso decidira casar com Lana, mas sabia que na mestiça faltava o fogo que existia no olhar de Joan.

- Você poderia ser mais delicada.

- E você poderia fazer um favor ao mundo e sair dele. – ela retrucou. – Você vai estar na entrevista também ou Tess é plenamente capaz de fazer isso sem a sua fiscalização?

- Eu tenho meus compromissos e Tess é a responsável por enquanto pelo Planeta Diário. Mas não se engane, Lane. Meus olhos e ouvidos estão atentos.

- Os meus também, Luthor. Se eu fosse você, se tentar cruzar o meu caminho de novo, teria cuidado pra não perder o pouco que tem. Com licença.

Joan saiu de perto dele e Lex sorriu para si mesmo. Seria interessante ter Joan por perto novamente.