Oi gente! Desculpa pelo hiatus inesperado, tanta coisa aconteceu que nem tive tempo de pegar na fanfic... Mas aqui estamos de volta, com um capítulo quentinho saído do forno!
Espero que gostem!
Ela abriu os olhos lentamente. Olhou o relógio de cabeceira, que dizia que mais uma vez havia perdido um dia inteiro na cama, dormindo. Quantos dias haviam se passado? Dois? Três?
Kagome rolou para o lado, a mão esquerda debaixo do travesseiro, e fechou os olhos novamente. Não tinha forças para levantar-se. Não queria comer, não queria se mexer, não queria fazer nada - só queria ficar ali por mais cinco minutos. E mais cinco. E mais cinco. E quando finalmente achava que conseguiria levantar-se, o sono a engolfava novamente e ela apagava, agora tendo que lidar com pesadelos e situações desconfortáveis. Então depois de uma ou duas horas acordava, suando frio, rolava para o outro lado e dormia mais uma vez. Dormia, mas não descansava. Parecia-lhe que quanto mais o fazia, mais cansava ficava. E, quando conseguia manter-se acordada, enrolava-se no cobertor e dizia a si mesma que estava segura ali e que não iria voltar para a vida que levava anteriormente. Seu pai não a encontraria. Estava tudo bem. Estava tudo bem e seu pai não a encontraria.
Ela lembrava de todas as vezes que fora abusada por seu pai - todos os ossos quebrados, todos os hematomas, as desculpas esfarrapadas. Sabia que a culpa era sua, por ter matado a mãe e o irmão naquele acidente. Não precisava dos lembretes físicos nem mentais que seu pai insistia em dar-lhe.
Antes, pedira perdão loucamente. No começo, protegia seu pai. No começo, achava que ele não podia se controlar, porque estava triste pela perda de metade de sua família de uma vez só. No começo, achava que ele bebia para apaziguar suas dores, e que não havia outro jeito. Que se drogava quando a bebida não era suficiente e que outros métodos estavam fora de questão. Lembrava-se de todos os pontos que dera em si mesma, de todos os curativos que havia feito; afinal, se fosse ao hospital, havia grandes chances de que seu pai seria preso por sua causa e ela não podia destruir sua família ainda mais. Ela protegia e defendia seu pai quando os criados da casa fazia perguntas a ela ou comentários maldosos sobre ele. E ela desculpava-se por qualquer coisa. Desculpava-se por ele. Achava que ele sabia o que estava fazendo. Pedia desculpas, sonhando com o dia em que seu pai a perdoaria.
Mas tal dia nunca chegou. Tudo era motivo de uma surra, fosse uma performance ruim em um de seus shows ou uma fruta que sem querer deixara cair de suas mãos. Era abusada física e mentalmente. Não aguentava mais aquela vida; até pensara em acabar com tudo de uma vez para ver-se livre daquele pesadelo. Mas sabia que tinha que continuar vivendo, por sua mãe e por Souta.
Kagome foi crescendo, e foi notando padrões: se chorasse ou gritasse enquanto era espancada, apanhava com mais força. Se acordasse de madrugada, fizesse o café-da-manhã e saísse para a gravadora antes mesmo que esta estivesse aberta ao público, podia-se notar uma leve melhora no humor de seu pai. No entanto, se ele não a visse por muito tempo durante o dia, acharia que ela estaria tramando algo contra ele e a presentearia mais hematomas e ossos quebrados quando os dois estivessem em casa.
Kagome sabia exatamente quando havia mudado de idéia e percebido quão absurda era sua situação. Lembrava-se claramente daquele dia, e tinha as cicatrizes nas costas para lembrá-la. Gentilmente, ela tocou o ombro com a mão por dentro da camiseta que usava, sentindo com as pontas dos dedos aquela linha fina que começava perto de sua clavícula. Lembrava-se do sangue em suas mãos, em seu rosto, no chão; sangue em tudo. Lembrava-se de lentamente perder a consciência e olhar para suas mãos, cortadas pelos cacos de vidro, e pensar "meu pai quase me matou".
Ela fechou os olhos com força, tentando fazer-se esquecer. Sacudiu a cabeça, como se isso pudesse levar seus devaneios para longe, e sentou-se em sua cama fazendo o máximo de esforço que conseguia. Seus olhos inchados de tanto dormir ainda pareciam pesados, dando uma sensação estranha nas pálpebras. Ainda sentia-se levemente sonolenta. Ela olhou para a janela, os raios de luz desaparecendo no horizonte avermelhado.
Uma leve batida na porta chamou sua atenção.
- Aoi-kun? Está acordado? - perguntou a voz rouca de Kaede, por trás da porta de madeira.
- Sim, Kaede baa-chan, entre - Kagome respondeu, colocando os pés pra fora da cama e forçando um sorriso.
A velhinha abriu a porta com dificuldade e entrou. Segurava uma pequena bandeja, onde carregava um prato de mingau e um copo de água. Kagome emocionou-se com o pequeno gesto; nunca antes haviam se importado com ela antes a ponto de levar-lhe algo para comer quando estivera doente.
- Achei que pudesse estar com fome. Não é muita coisa, mas precisa comer algo. - Kaede depositou a bandeja no criado-mudo de Kagome, olhando-a com afeição de uma mãe. - Sei que não se sente muito bem, mas o que tem comido não é nem suficiente para devolver-lhe as forças.
- Obrigado, Kaede baa-chan. Mesmo - Kagome sorriu fracamente. Era a primeira vez que alguém havia preparado algo para ela e sentia que podia chorar naquele mesmo momento. Seu humor melhorou ligeiramente.
- Seus amigos vieram visitá-lo nestes dias em que esteve doente. Todos os dias. Estão preocupados com você.
Ela não disse nada, apenas pegou o prato que Kaede trouxera e fitou o mingau em seu colo.
- Eles vieram hoje de novo. Disse a eles que estava dormindo, mas quiseram esperar até você acordar.
Kagome olhou para a senhora, surpresa.
- Eles estão aqui? Agora?
- Desde o término das aulas de hoje. Disseram que não vão embora até conseguirem ver como está.
O coração de Kagome aqueceu-se. Ela olhou em volta, pra o quarto bagunçado, e começou a pegar algumas peças de roupa que estavam jogadas pelos cantos. Kaede sorriu gentilmente, apenas observando-a quando levantou-se da cama e, com um gesto rápido, socou tudo dentro do armário.
Ainda sentia-se fraca, mas saber que seus amigos estavam ali a animou o suficiente para pôr-se de pé.
- Pode pedir pra eles virem pro meu quarto, Kaede baa-chan, por favor? Só vou tomar um banho bem rápido pra acordar, e já venho. - ela separou uma troca de roupas limpas e escolheu uma toalha azul, dirigindo-se ao banheiro.
O sorriso de Kaede abriu-se ainda mais. A senhora fechou a porta e dirigiu-se lentamente até a sala de estar.
Os quatro acomodaram-se pelo quarto. Miroku não perdeu tempo: jogou-se na cama e clamou-a como sua antes que Kouga e Inu-Yasha pudessem fazê-lo. Bufando, os dois amigos sentaram-se no chão, aproveitando-se do kotatsu, e Inu-Yasha encostou-se na cama. Tanto Sango quanto Kouga pareciam um tanto quanto inquietos, apesar da garota parecer calma. Kouga, por sua vez, arranjava algo para fazer em todo canto do quarto; no momento, ele folheava um caderno de Kagome, sem muito prestar atenção no que estava escrito.
Não esperaram muito. Kagome logo saiu do banheiro, vestindo uma troca de roupa limpa e sentindo-se um pouco mais energizada. Ainda parcialmente secava o cabelo com a toalha quando adentrou o quarto. Sorriu ligeiramente ao ver os quatro ali, esperando por ela.
Ao verem-na, o efeito foi instantâneo: tanto Sango quanto Kouga coraram e este sem querer derrubou o livro que segurava. A camiseta larga parecia deixá-la bem à vontade, mas era tão comprida que quase cobria seus shorts. Havia sido a primeira camisa masculina que comprara, na pressa, sem nem checar o tamanho na etiqueta. Agora usava-a como pijama e sentia-se muito confortável.
Kagome sentou-se ao lado de Inu-Yasha, enfiando as pernas por dentro do kotatsu. Imitou-o e apoiou suas costas na beirada da cama, onde Miroku agora lia uma revista que havia tirado do criado-mudo.
Inu-Yasha viu-se seguindo com os olhos a curva do pescoço de Kagome, que deixava-se aparecer pela gola da camiseta. Uma gota d'água desprendeu-se de seu cabelo e correu em direção à clavícula da garota. Ele acompanhou-a com os olhos, hipnotizado. O cheiro de sabonete o embriagava.
- Desculpem-me - começou Kagome. Ela baixou os olhos, ressentida.
Inu-Yasha subitamente acordou de seu transe ao ouvi-la falar. Notando o que estava fazendo, ele virou o rosto rapidamente. Repreendeu-se mentalmente. O que diabos estava fazendo, afinal? Já havia visto Kouga e Miroku depois de saírem do banho - depois das aulas de Educação Física - e nunca os encarara daquele jeito.
Inu-Yasha foi o primeiro a quebrar o silêncio. Ele pigarreou e mostrou a mochila de Kagome, que havia encostado em um canto do quarto.
- Trouxe suas coisas. Deixou tudo na lanchonete, naquele dia.
- Ah.. Obrigado. - respondeu Kagome. Nem havia se tocado que não tinha pego seu material escolar. Não se admirava que tinha se esquecido a julgar pelo estado em que se encontrara.
Kagome levou as mãos à toalha que usara para secar seus cabelos. Sentia-se fraca. Podia sentir que a força lhe faltava pois seus braços tremiam ligeiramente. Tentou esconder o fato, claro. No entanto, Sango pareceu perceber a pequena batalha que ocorria entre Kagome e a toalha e não perdeu tempo: aproximou-se e pegou a toalha de suas mãos. Antes de aproximar-se mais, Sango encontrou um pente na mesa de cabeceira de Kagome. Sem mais rodeios, chutou as pernas de Miroku do caminho - "EI!" - e sentou-se na cama, atrás de Kagome.
Kagome não soube como reagir quando sentiu um toque em seus cabelos. Seus olhos arregalaram-se. Seu corpo gelou. Ela instintivamente cerrou as mãos, os nós dos dedos esbranquiçados. Seu coração acelerou-se. Sentia aquele nó no estômago novamente.
Aqueles dedos acariciaram o cabelo sedoso, penteando-os. Subitamente as mechas cor de ébano foram puxadas com força, alguns fios desprendendo-se do couro cabeludo. Lágrimas surgiam nos olhos de Kagome toda vez que os puxões mudavam de direção. Tentava livrar-se do alcance daqueles dedos compridos mas eles sempre pareciam reencontrar o caminho até ela. Quanto mais se debatia, mais fios eram arrancados. Quanto mais chorava, mais fios eram arrancados. Quanto mais tentava se livrar, mais fios eram arrancados. Quando achava que finalmente a tortura havia acabado, os mesmos dedos que um dia lhe acariciaram sua cabeça com ternura entrelaçavam-se novamente entre suas madeixas-
E então, naquele mar de sentimentos confusos, ela sentiu algo morno encostar em sua mão direita por debaixo do kotatsu. Retirou-a rapidamente, como se tivesse levado um choque, mas sentiu o objeto morno roçar sua mão novamente, tão suave como uma pena. Logo identificou outra mão… Inu-Yasha. Ela olhou para ele de relance e ele devolveu-lhe o olhar discretamente. Seu semblante era indecifrável. Ele entrelaçou seu dedo mindinho no dela sutilmente e nada mais fez além de fingir estar vendo a TV.
No começo, Kagome sentiu-se um pouco desconfortável; mas, assim que acostumou-se com o toque daquela mão aconchegante, passou a sentir gratidão. Inu-Yasha conseguira se manter longe o suficiente para respeitar seu espaço pessoal, mas ao mesmo tempo encontrara um jeito de penetrar um tantinho daquela barreira para dar-lhe conforto e segurança. Pela primeira vez em muito, muito tempo, Kagome viu-se confiando em alguém: Inu-Yasha. Sabia que ele não a machucaria.
- Prontinho - anunciou Sango, tirando Kagome de seus devaneios.
Uma trança bem-feita agora caía-lhe pelos ombros, ainda um tanto quanto molhada. Kagome surpreendeu-se com a rapidez que tudo havia acontecido - não apenas por Sango ter terminado a trança com velocidade absurda, mas também pelo fato de que nada lhe ocorrera. Nenhum puxão de cabelo, nenhuma dor. Nada. Ousava até dizer que havia gostado, mas não havia prestado atenção nas mãos de Sango por tempo suficiente para formar uma opinião concreta sobre o que achava.
- Que… Rápida - disse ela, tocando a trança com a mão esquerda. Sango sorriu. - Obrigado.
Sem saber o porquê, Kagome virou-se para olhar Inu-Yasha. Ele devolveu o olhar e, assentindo com a cabeça, deu um pequeno sorriso. Ela sentiu seu coração aquecer-se; era como ele, silenciosamente, tivesse-lhe dito que ela fizera um bom trabalho. Em toda a sua vida, sempre quisera que alguém tivesse-lhe apoiado. Com um simples gesto, Inu-Yasha havia conseguido conquistar o resto de sua confiança. Sabia, do fundo do coração, que poderia contar com ele quando precisasse.
O resto da tarde passou-se normalmente, com os quatro divertindo-se e botando papo afora. Kagome aos poucos foi relaxando, as pálpebras subitamente parecendo-lhe pesadas. E, do jeito que estava, com seu dedo ainda entrelaçado no de Inu-Yasha por sob o kotatsu, acabou adormecendo.
Inu-Yasha apenas notou o que havia ocorrido quando a cabeça de Kagome recostou-se sobre seu ombro. Ele fitou o couro cabeludo que roçava seu pescoço e deu um pequeno sorriso. Ele então gesticulou para que os amigos saíssem, sem que acordassem o amigo cansado. Quando os outros haviam saído, ainda que com protestos silenciosos por parte de Kouga e Sango, permitiu-se ficar daquele jeito por mais uns minutos - só mais alguns minutinhos -, inalando o aroma de shampoo que vinha da pessoa ao seu lado.
Aoi parecia-lhe tão frágil. Não sabia o porquê, mas tinha vontade de proteger aquela pessoa que no momento encontrava-se completamente vulnerável. Por alguma razão gostaria de ficar ali naquele momento, apreciando o presente, ainda que os outros o esperassem do lado de fora do quarto.
Os segundos sepassaram, em seguida os minutos. Mesmo contra sua vontade, Inu-Yasha decidiu que seria melhor deixar o amigo descansar. Então, com cuidado, apoiou a cabeça de Kagome com as mãos e fê-la deitar sobre a pequena mesinha do kotatsu. Em seguida pegou o travesseiro da cama de Kagome e, gentilmente, para não acordá-la, o apoiou embaixo da cabeça da garota. Cobriu-a com seu casaco para que não sentisse frio. Olhando-a de relance pela última vez, dirigiu-se à porta, apagando as luzes ao sair.
Kagome acordou com o pipilar dos pássaros. Ela abriu os olhos lentamente.
Não se lembrava exatamente do que havia acontecido - recordava-se de partes da conversa dos amigos no dia anterior, quando haviam vindo visitá-la, mas não tinha a mínima idéia de quando havia pego no sono ou do que ocorrera depois disso. De uma coisa, porém, tinha certeza: pela primeira vez, no que pareciam ser semanas, ou até meses, ela sentia-se descansada e revigorada. Não sabia o que era, mas algo a deixara em completa paz de espírito. Sentia-se uma nova pessoa.
Ela endireitou-se e o casaco de Inu-Yasha escorregou alguns centímetros de suas costas. Kagome tocou o casaco gentilmente, um sorriso brincando em seus lábios ao perceber de quem era a peça de roupa. Então, lembrando-se do episódio do dia anterior, ela levantou sua mão direita e a fitou, sentindo-se eternamente agradecida por Inu-Yasha tê-la ajudado naquele momento. Para uma pessoa "normal" tal gesto não teria muito significado; para ela, porém, aquilo havia significado o mundo. Nunca imaginara que, através de um toque, conseguiria acalmar-se ao ponto de permitir que alguém interagisse com ela fisicamente. E ali estava ela. Intacta. Sã e salva.
Kagome retirou o casaco de seus ombros. Ela dobrou-o e o depositou em cima da cama, para em seguida levantar-se e abrir as janelas, deixando o ar da manhã acariciar-lhe o rosto. Ela suspirou, o vapor de sua boca condensando-se rapidamente ao entrar em contato com o ar gelado. Estava frio; porém, tudo parecia mais colorido. Era uma sensação estranha. A neve, que começara a cair em flocos minúsculos de beleza branca, parecia-lhe… Bonita. Os pássaros azuis, empoleirados nos galhos mais baixos da árvore sagrada, cantavam preguiçosamente uma melodia suave, suas penas cintilando à luz da manhã. Mesmo que os raios de sol, uma mistura de branco com amarelo claro, não conseguissem esquentar o ar o suficiente para que a neve derretesse, ainda pareciam mais vívidos e brilhantes do que antes.
Uma comoção chamou-lhe a atenção: duas vozes erguiam-se vindas das escadas do templo. Parecia uma discussão acalorada. Curiosa, ela esperou que as duas vozes se aproximassem mais, até reconhecer o topo da cabeça de Kouga e Inu-Yasha. Os dois discutiam sobre algo que ela não conseguia ouvir, mas ambos pareciam sem fôlego pelo esforço físico de terem que subir a escadaria em pleno inverno.
Kagome olhou o relógio: acordara meia hora mais cedo do que o de costume. Perguntava-se o que os dois estariam fazendo ali tão cedo, ainda mais que sabia que nenhum dos dois era muito fã de madrugar. Ela apenas observou os dois, cada vez mais perto e cada vez mais sem fôlego.
Quando notou que ela os observava pela janela Kouga acenou com a mão, enquanto Inu-Yasha olhava para baixo, um pouco encabulado. Ela convidou-os a entrar enquanto ela se arrumava, e os três tomaram um café-da-manhã simples preparado por Kagome. Ao terminarem os três amigos andaram até a escola, com Kouga e Kagome conversando animadamente o caminho inteiro.
Por todo o percurso, Inu-Yasha não conseguia parar de olhar de esguelha para a mão de Kagome, que balançava junto ao seu corpo enquanto caminhava. A lembrança do dia anterior o envergonhava, mas ele não se arrependera - pelo contrário, havia gostado mais do que devia. Lembrava-se do calor que emanava daquela mão tão pequena e indefesa, e como Aoi havia retribuído o gesto e entrelaçado seu dedo no dele.
Sinceramente, Inu-Yasha não tinha a mínima idéia do porque de ter feito aquilo. Sabia que o amigo havia tido um passado complicado, a julgar pelas suas reações a situações adversas; porém, nunca nem havia se passado por sua cabeça que fosse deixar Inu-Yasha encostar nele daquele jeito. Não sabia exatamente o que poderia ter feito ao invés de tentar segurar sua mão - que é o que pensara em fazer no começo, mas rapidamente havia mudado de idéia ao considerar que Aoi não gostava de contato físico - mas tinha certeza que poderia ter feito algo além daquilo. Nunca se imaginara segurando a mão de outro garoto. Apenas havia notado como Aoi parecia tão frágil e indefeso, e como estava assustado naquele momento… Por mais simples que houvesse sido o gesto, só de pensar na pele macia e de como gostaria de segurar aquela mão novamente-
- Bom dia!
A voz de Sango acordou-o de seus pensamentos. Nem havia notado que já haviam chegado na sala de aula. Ao notar o que havia o intrigado pelo percurso inteiro, Inu-Yasha corou furiosamente. Ele balançou a cabeça, tentando tirar tais pensamentos impuros de sua mente.
- Se iam buscar Aoi no templo podiam ter me chamado pra ir junto - reclamou Sango, fazendo beicinho.
Miroku, que encontrava-se sentado ao lado de Sango, sentiu uma pontada de ciúmes. Ele fechou a cara.
- Bom, se quiser você pode passar em casa todo dia que não vou me importar - disse ele, abrindo um sorriso.
O que se passou em seguida foi um tapa bem audível vindo de Sango e tendo Miroku como alvo. Ela bufou e sentou-se em sua carteira, virando-lhe as costas. Kouga e Aoi soltaram uma risadinha - sabiam que Miroku havia apenas se expressado mal - mas Inu-Yasha estava tão absorto em seus pensamentos que nem notou a interação.
