Rk não me pertence.
"É verdade?"
Parte 7
Por Chibi-lua
Era madrugada, a temperatura havia caído bastante após a forte chuva de verão, Kaoru sentiu um arrepio e decidiu vestir o gi por cima do fino yukata. Em vão, a shihandai tentava pegar no sono.
A casa ainda estava revirada, mas nada que não se resolvesse na manhã seguinte. O mais importante é que os invasores não haviam encontrado o diário do seu pai. Diário que continha uma lista com o nome de pessoas importantes ligadas à máfia e os infames diamantes.
Para Kaoru, essa invasão não importunava tanto quando as palavras e as expressões de Kenshin. O ruivo ainda não tinha voltado para casa. A jovem relembrou a breve discussão.
"AH então, então...você admite".
"Sim"
"A Megumi te contou sobre os meus sentimentos?"
"NÃO ME SIGA. NÃO ME SIGA."
De relance, Kaoru enxergou o olhar magoado de Kenshin. A shihandai soube naquele momento que estava errada, que estava sendo imatura e injusta.
Mesmo se Kenshin quisesse ficar com Megumi ela o apoiaria, afinal, que tipo de amiga seria se não o fizesse? Que amor sentia por Kenshin se não desejasse nada além da felicidade dele? Mas no calor da discussão, o sangue estava fervendo, seu coração não quis permitir que ela raciocinasse logicamente.
.../...Eu não devia ter perdido a cabeça. Não era eu que falava que aceitaria Kenshin independente da escolha que ele fizesse.../...
Kaoru virou as costas para Kenshin enquanto ele chamava por ela. Agora, no meio da madrugada, estava arrependida por isso. Ela queria se desculpar, mas Kenshin não voltava para casa.
"Ele realmente não me seguiu." A shihandai já não agüentava mais ficar deitada olhando para as tabuas do teto do quarto. Qualquer estalo vindo no lado de fora de seu quarto ela já imaginava Kenshin chegando.
Yahiko concordou em dormir em seu quarto aquela noite. O menino já até roncava. Kaoru relembrou a conversa de algumas horas atrás.
"Yahiko, vá descansar, está muito tarde." Kaoru olhou para seu teimoso aluno parado na varanda. O menino segurava bravamente a shinai nas mãos, mesmo assim já não agüentava mais ficar de pé.
"Não, com Kenshin fora alguém precisa ficar de olho no dojo. E se os caras que arrombaram a casa voltarem?" Yahiko estava quase caindo em pé, mas queria ser bravo.
"Kenshin já deve estar chegando. E eu não acho muito inteligente nós dois ficarmos parados aqui na varanda noite adentro. Melhor ficarmos no meu quarto, é mais seguro".Yahiko concordou. O menino não ficou de vigília nem meia hora e já estava dormindo como um anjo
Kaoru passou a mão na cabeça de seu estudante adormecido. Era como ter um irmão mais novo. Teimoso, briguento, mas extremamente fiel e corajoso.
O jovem discípulo imaginou que Kenshin dominaria a situação, afinal, viveu sozinho durante dez anos. Uma noite fora não faria mal, e o ex hitokiri voltaria para o dojo quando tivesse preparado para isso.
Kaoru sorriu e concordou com Yahiko, mas só seu exterior concordava, por dentro ela realmente acreditava que Kenshin partiria a qualquer minuto. Essa falta de confiança simplesmente não a deixava fechar os olhos.
A shihandai finalmente se levantou. Sem se importar em arrumar o longo cabelo solto, Kaoru deixou o conforto de seu quarto e caminhou pelo pátio lamacento do dojo até o portão.
Abrindo uma fresta, ela espiou a rua silenciosa. Os cachorros da vizinhança latiam enquanto as nuvens encobriam a lua.
"Ken...shin." Os olhos de Kaoru lacrimejaram. No portão do dojo, a shihandai sentiu-se sozinha. E a culpa era dela mesma.
.../...Eu sei que falei pra ele não me seguir, mas por que Kenshin não volta para casa?.../... Ela admitia, desejou nunca mais ouvi-lo dizer "Sessha wa rurouni. Preciso vagar por novamente". Mas pior do que escutar essas palavras seria descobrir que simplesmente Kenshin partiu sem um adeus.
Kaoru enxugou as lágrimas de seu rosto. Olhou mais uma vez para dentro do dojo, e em uma resolução ousada decidiu sair pelas ruas de Shitamachi para procurar Kenshin Himura.
-.-.-.-.-.-.-.
Após a chuva de verão o céu abriu revelando uma imensidão de estrelas. De vez em quando alguma nuvem encobria a lua cheia e o panorama da noite ficava ainda mais bonito.
Fazia um bom tempo desde a última vez que Kenshin ficava assim, ao relento.
A principio a idéia lhe pareceu dolorosa, mas conforme escutou os sons da noite, e a tranqüilidade do brilho da lua e das estrelas, sentiu-se mais calmo e contemplativo. O cheiro da grama molhada era reconfortante. Ele fechou os olhos e escutou o som do rio, a correnteza estava forte por causa da chuva.
Kenshin teve que admitir, sentia falta daquilo. O hábito que adquiriu durante dez anos como andarilho não havia morrido totalmente. Ele respirou fundo apreciando o cheiro de chuva ainda impregnada no ar.
Um vaga-lume afastou-se do arbusto e voou serenamente em sua direção. Kenshin acompanhou o traçado reluzente do inseto no ar, imediatamente um nome escapou de seus lábios.
"Kaoru"
Kenshin sussurrou para o vento. Claro que ele voltaria ao dojo. O ruivo realmente acreditava que aquele lugar era sua casa. Ele amava o dojo Kamiya e amava sua proprietária com todo o coração.
O ex-espadachim sentiu suas bochechas ruborizando. Kenshin estava envergonhado, suas atitudes há algumas horas atrás não tinha sido boas. Ele agiu como um adolescente, ciumento, possessivo e imaturo. Mas não conseguiu evitar, quando viu Kaoru cheia de carinhos com o tal Ichiro, ah seu sangue ferveu. Ele se sentiu muito possessivo.
Kenshin sabia que não podia exigir nada de Kaoru, mesmo porque, por enquanto, não oferecia nada a ela. Não oferecia nada além de amizade, proteção e serviços domésticos.
E não era o bastante para uma moça bonita, saudável e em plena idade de casamento.
Kenshin amava Kaoru, mas odiava a sensação de ser pressionado a admitir seus sentimentos. Ele queria que tudo acontecesse de forma natural, mesmo sabendo que esse seu desejo era um tanto quanto egoísta.
O espadachim supunha que tudo já estava garantido, que quando tomasse coragem para se confessar, Kaoru estaria ali de braços abertos para aceitar. E o aparecimento desse Ichiro fez com que Kenshin levasse uma chacoalhada.
.../... Essa desculpa de que não sou digno dela está ficando antiquada. Ou eu tomo coragem e me arrisco, ou outra pessoa vai tirar Kaoru de mim...É assustadora a idéia de entregar meu coração e correr o risco de ser novamente despedaçado, mas minha história com Kaoru é totalmente diferente do que eu vivi com Tomoe. ...São pessoas diferentes, em tempos diferentes... /...
"Desde o dia da festa...". Kenshin se lembrou de outra coisa estranha no comportamento de Kaoru nos últimos dias, e sobre a discussão que tiveram no templo algumas horas atrás.
"Hei, espera ai Kenshin Himura. Quem você pensa que é para me julgar. Você já não tem a Megumi pra se preocupar? Quer mais o que, hein? Você acha que eu sou algum joguete seu?"
"O que a Megumi tem a ver com isso?"
A resolução do mistério o atingiu como um dos golpes que seu mestre Seijurou Hiko lhe aplicava quando estava aprendendo o estilo Hiten Mitsurugi. "É claro."
"A senhorita Kaoru esta morrendo de ciúmes deste servo e da senhorita Megumi. Será que ela viu o beijo que a senhorita Megumi me roubou no dia da festa? Só pode ser...Kami-sama, a Kaoru-dono pensa que este servo ama a senhorita Megumi? E este servo ainda confirmou, sem intenção, mas confirmou."
Kenshin levantou-se e sorriu... "Kaoru está com ciúmes". O Battousai dentro dele ficou estranhamente orgulhoso. Era hora de voltar para o dojo, e tentar a partir da próxima manhã fazer tudo de um jeito diferente.
-.-.-.-.-.-.-.
A cidade de madrugada era assustadora. As sombras nas esquinas faziam com que Kaoru tomasse sustos sucessivos. Shitamachi naquele horário nada lembrava o simpático e movimentado bairro de Tókio. Mesmo cheia de medo, Kaoru se arriscaria.
A shihandai pretendia ser rápida na sua missão de encontrar Kenshin e trazê-lo de volta para casa, afinal Yahiko dormia sozinho no dojo recém invadido. Se sua casa fosse novamente arrombada o garoto poderia ser atacado.
Kaoru começou a caminhar rapidamente pela rua escorregadia. Ela tinha duas possibilidades óbvias, Kenshin poderia estar na clínica de Megumi, ou na casa de Sanosuke.
Sem pensar muito no motivo, ela escolheu seguir até a casa de Sanosuke. Era com certeza o caminho mais perigoso, perto do distrito impraticável para uma moça de família sozinha àquela hora da noite, mas a perspectiva de encontrar Kenshin e Megumi juntos ainda a bloqueava de seguir na direção da clínica. Kaoru jogou a segurança pela janela e seguiu pelo caminho mais perigoso.
"Kami-sama me ajude" Kaoru pediu proteção e começou a correr pelas ruas estreitas da cidade. Seu tamanco batia no chão tão rápido quanto seu coração dentro do peito. Os bêbados, mendigos e prostitutas espalhados pelas vielas faziam com que Kaoru corresse mais rápido.
.../...Estúpida, nem uma shinai você trouxe.../.....
Bem longe do dojo, próxima a grande ponte que cortava os bairros, ela escutou sons característicos, era o som de espadas. Kaoru espreitou-se pela viela para espiar melhor.
Poderia ser Kenshin.
Quando chegou mais perto arrependeu-se por sua ousadia. Definitivamente não era Kenshin Himura.
"Baka, baka, baka."Quando se deu conta de sua inconseqüência, a jovem mestra amaldiçoou baixinho. Ela estava afastada do dojo, em um bairro perigoso, escondida em um beco escuro, espiando uma luta de espadas.
A luta não durou muito, a diferença entre os adversários era brutal. O ar da viela foi preenchido pelos gritos de dor do perdedor. Alarmados, os cachorros da região começaram a latir.
O brilho da espada no meio da escuridão fez o sangue de Kaoru gelar. .../...Era só o que me faltava. Eu não trouxe nem uma shinai.../... Ela tentou fugir, mas fez barulho ao se mover.
"OH"
Kaoru abriu a boca quando sentiu um vento ligeiro passando próximo ao seu corpo, logo em seguida o líquido viscoso e quente espirrou com violência contra seu rosto. Seu gi, yukata e cabelo ficaram molhados de sangue. Um segundo depois ela escutou o som do corpo atingindo o solo.
A jovem shihandai colocou as duas mãos na frente da boca para evitar o grito. Ela entrou em pânico, não podia mais esconder sua presença ali.
Quando Kaoru ia começar a correr, um aviso fez com que ela parasse.
"É bom que você fique bem quietinha ai." A voz era profunda e masculina . Ela viu o brilho da espada bem na sua frente, e sentiu a ponta da lámina ensangüentada cutucando sua garganta. Kaoru engoliu seco. Ela olhou o corpo caído no chão, o sangue estava se esvaindo manchando a estreita calçada.
.../...Se é um pesadelo, eu quero acordar agora. Oh Kami-sama me faça acordar.../... Kaoru tremia. Ela sentiu seu rosto, gi e yukata cobertos pelo sangue do homem que acabara de morrer ao seu lado. Quis gritar, mas o som não saia, suas mãos ainda estavam tampando sua boca.
Kaoru estava prestes a ser pregada na parede do beco pela espada do homem, ela não tinha como fugir.
"Você é uma prostituta?" O homem perguntou já abrindo a gola do gi de Kaoru. Kaoru balançou a cabeça desesperadamente, ela não encontrou as palavras para responder.
"Não, não" Sua voz havia se perdido, somente seus lábios fizeram os movimentos.
O homem entendeu e sorriu. "As cidadãs japonesas tem o costume de sair para passear na rua de madrugada?"
Lágrimas escorreram do rosto da shihandai.. Kaoru evitou encarar o assassino. Mas foi impossível deixar de notar quão alto e forte ele era. Kaoru entendeu que era demais para que ela tentasse alguma fuga estúpida.
De relance Kaoru avistou o homem morto caído aos seus pés.
A shihandai percebeu que o assassino não era japonês, aquele sotaque ficaria para sempre marcado na sua memória.
Ela estava apavorada com a espada em seu pescoço, e com o fato de que outros dois homens se aproximavam do assassino, a maneira casual que eles se comportavam denunciou que a ajuda não viria deles.
"O que temos aqui?" Um dos homens disse. Ele tinha um sotaque muito diferente, os três eram muito distintos. Um moreno e alto, um loiro e magro, e o terceiro com uma cor de pele dourada e de grandes olhos amendoados. Kaoru nunca tinha visto um homem como aquele antes.
O último analisava Kaoru de cima a baixo. .../...Kenshin, por favor, apareça logo. Vem me ajudar. Maldita a hora que eu pedi para que você ficasse longe de mim. Por que eu tive que sair do dojo de madrugada? Por que?? ../....
"Hei, Ares, você não queria uma gueixa?" O mais jovem do grupo sorriu. Ele era loiro, alto, olhos azuis e tinha um rosto fino e jovem. Ele parecia quase inocente.
.../...ARES???.../... O coração de Kaoru bateu tão rápido que ela pensou que enfartaria ali mesmo. .../...O meu Deus, Ares? Aquele Ares?.../...
"Hum, não, essa não me interessa. É praticamente uma criança, quero uma mulher mais voluptuosa. Capiche?" Ares desdenhou de Kaoru. Ela conseguiu voltar a respirar normalmente, mas não por muito tempo.
"Hassan parece interessado na mocinha."Vicktor, o loiro, brincou. O marroquino realmente tinha se interessado pelo corpo da shihandai, mas acataria qualquer ordem que Ares lhe desse.
"Vicktor, Hassan se interessa por qualquer coisa viva que use vestido..." Ares parecia um descontraído demais, provavelmente estava embriagado. Era quase como se ele estivesse contente com aquela matança.
"Por favor, eu só quero ir para casa." Kaoru fechou os olhos, ela suplicou mais gentilmente possível.
Quando Ares falou novamente, sua voz era grave, firme e imponente como um trovão. "Calada"
Kaoru obedeceu, não existia nada mais que ela pudesse fazer. Ares colocou a mão no queixo e ficou pensativo por alguns segundos. Quando ele falou novamente, Kaoru tremeu de medo.
"Bem cavalheiros. Já nós divertimos no bordel. Bebemos bastante, e o melhor finalmente pudemos testar a tal espada japonesa. A noite foi proveitosa não?"
Ares apertou o queixo de Kaoru com uma de suas mãos. A mão dele era maior que todo o rosto da shihandai. "Vamos poupar a vida dessa pequena aqui, que tal?" Kaoru sentiu imediatamente um alivio indescritível, mas ela sabia que não se livraria tão fácil. Acabara de testemunhar um assassinato, cometido por ninguém menos que o famoso Ares. Um dos mais cruéis mafiosos do mundo. O bicho papão de seus pesadelos.
Os homens trocaram algumas palavras em uma língua que Kaoru desconhecia. Eles riam. Por um momento era quase como se tivessem se esquecido dela ali, mas um dos homens, o tal Hassan, fitava Kaoru de maneira inconveniente.
Eles eram enormes, o tal Ares parecia ter dois metros de altura, e os outros equivalentes.
.../...Devo tentar fugir? E se eu gritar? Eles não parecem muito interessados em mim sexualmente falando, com exceção do homem vestido com roupas estranhas. ERGH. KAMI-SAMA.../...
Kaoru sentiu um grande alivio quando percebeu que a espada se afastava de sua garganta e voltava para a bainha na cintura de Ares.
"Mas Ares, o que nós vamos fazer com essa menina aqui?" O jovem loiro perguntou para seu chefe com um sorriso maldoso no rosto. Kaoru engoliu seco, suas pernas perderam a força.
Era como se aqueles homens estivessem sugando sua força, nunca havia sentido tanto medo antes em sua vida. Para piorar, as historias que seu pai contava sobre Ares e a "família" passavam na sua mente enfraquecendo-a ainda mais. .../...Filha, prometa nunca cruzar seu caminho com o deles. Prometa.../... Mais uma promessa que Kaoru quebrava.
O pânico da shihandai só aumentou. Aquele encontro ao acaso no meio da noite já estava sendo terrível, mas e se eles descobrissem quem foi seu pai? E se eles descobrissem que seu pai era Kojishirou Kamiya?
"Kenshin" Kaoru fechou os olhos. Suplicante, mais lágrimas escorreram de seus olhos "Ichiro, me ajude". Ela sussurrou. Nos últimos dias estava cometendo erros em cima de erros. Kaoru amaldiçoou-se por isso.
"A garota vai ser nossa propaganda. Ela vai dizer que "família" está aqui e chegou para ficar e dominar esse país." Ares gargalhou e começou a caminhar na direção da jovem shihandai que a essa altura já estava ajoelhada na calçada.
"Entendeu? Você vai espalhar que a família está aqui, e que esse país é nosso." Para sorte de Kaoru, Ares estava satisfeito naquela noite. Desdenhar e amedrontar Kaoru era o bastante para ele por enquanto. Ares apreciavam as suplicas da jovem shihandai. "ENTENDEU?" Os outros membros da família riram da cara de pavor dela.
"Sim, sim" Kaoru nem acreditava que sairia viva depois desse encontro com os mafiosos.
"Vamos embora, amanhã temos um prédio para explodir." Ares disse ao caminhar na direção de Kaoru . Foram às últimas que a da jovem shihandai escutou antes de cair desmaiada na calçada com uma pancada na nuca.
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"Senhorita Kaoru? Senhorita Kaoru? Senhorita Kaoru? Pelo amor de Deus, acorde. Fale com este servo."
Kaoru abriu os olhos, a parte de trás de sua cabeça doía. Imediatamente ela colocou a mão na nuca e sentiu o líquido pegajoso.
"Ai" A cabeça estava sangrando.
Os olhos de Kenshin eram enormes. Duas piscinas de ametistas rajadas de dourado repletas de preocupação e remorso. "Este servo não deveria ter deixado a senhorita voltar sozinha para o dojo. Isso tudo é culpa minha."
A shihandai olhou ao seu redor. Kaoru soltou um pequeno grito de pânico. Ela percebeu que ainda estava na viela. Ao seu lado o corpo de um homem esquartejado. Sangue em tudo. Sangue em seu gi, seu yukata, seu rosto, seu cabelo. Pelo menos ela estava viva. Como ela estava viva? "Ares não me matou?"
"Quem é Ares?" Kenshin franziu a testa.
Ele estava voltando para o dojo quando encontrou a mais improvável das cenas. No meio da madrugada, em uma viela no centro de Shitamachi o corpo de um homem esquartejado e ao seu lado Kaoru Kamiya caída.
A principio, Kenshin pensou que Kaoru também estava morta. Ele desejou arrancar o coração de dentro do peito tamanha a dor que sentiu, mas graças a todos os deuses Kaoru estava respirando. Aparentemente só desmaiada sem ferimentos. Sem sinais de abuso sexual.
.../...Eu mato o maldito que sequer pensar algo assim. Kaoru está apavorada. Ela está em choque.../...
Kaoru relembrou dos momentos de pânico perto de Ares e dos outros mafiosos da família. Ela se lembrou dos olhos do marroquino a fitando e da sensação de impotência perto deles.
"Foi horrível" A shihandai se jogou nos braços do espadachim e chorou desesperadamente. "Foi horrível" Ela soluçava e Kenshin a abraçava mais forte.
"Já passou, você está bem. Tudo está bem." Kenshin sussurrava no cabelo ensangüentado dela. Seus olhos não eram mais de cor ametista, eles estavam completamente dourados.
O ex hitokiri dizia que já tinha passado, mas ele sabia que não tinha nem começado. A pessoa responsável por toda aquela barbárie ainda estava a solta, e Kaoru era testemunha de um assassinato.
"Você não voltava para casa. Então eu sai pra te procurar, eu escutei o barulho de espadas e pensei...pensei que poderia ser você....e....esses homens horríveis, eles estavam gostando disso aqui." Kaoru apontou para o homem morto. "Me desculpe, me desculpe." Kaoru falava tudo ao mesmo tempo, ela nem achava que fazia sentindo, mas Kenshin continuava a dizer que entendia, que estava tudo bem e balançava seu corpo para frente e para trás.
A sempre valente e corajosa Kaoru Kamiya parecia uma criança assustada, mas ela não podia evitar. Tinha ficado cara a cara com um dos maiores vilões que já ouviu falar. Para os diabos com a valentia naquele momento.
"A policia chegou, mas eu vou te levar para casa. Amanhã cedo eles podem tirar seu testemunho, você não tem condições esta noite." Kenshin pegou Kaoru no colo. Atormentada, Kaoru nem ligou para a mudança de pronome que o espadachim usou.
Um dos policiais tentou impedir Kenshin, mas o olhar que o ruivo lançou sobre o oficial fez com que ele parasse no mesmo lugar. "Hei, ela é uma testemunha importante, aonde você pensa que vai?"
"Esta é Kaoru Kamiya, o delegado sabe perfeitamente aonde encontrá-la. Essa noite ninguém vai interrogá-la, ela está em estado de choque." Sem mais detalhes Kenshin se retirou do local do crime com a chorosa Kaoru Kamiya em seus braços.
Chegando no dojo Kenshin irritou-se ainda mais, ele percebeu que o local havia sido arrombado. A pessoa que entrou no dojo teve pouco tempo para procurar o que queria e deixou um rastro de desordem. "O que diabos aconteceu aqui? Kisama."
Ainda com Kaoru nos braços e ele entrou no quarto dela e percebeu que Yahiko dormia ali. Sem querer acordar o menino e responder milhões de perguntas, Kenshin a levou para seu próprio quarto.
.../...Maldição. Eu fico longe por algumas horas e tudo vira de cabeça para baixo...Kaoru, mesmo que eu quisesse, eu não poderia mais voltar a ser um andarilho sem me preocupar com você a cada segundo da minha vida...Não existe a menor possibilidade de te deixar sozinha.../...
O ex hitokiri deitou Kaoru em seu próprio futon. Kenshin acendeu a lamparina e percebeu o sangue no corpo da jovem shihandai. Ele pegou um pano molhado e tentou limpá-la o mais delicadamente possível para não acordá-la, mesmo assim não obteve sucesso, pois os movimentos fizeram com que a shihandai despertasse.
"Kenshin?" Kaoru perguntou baixinho, ela reconheceu o quarto de Kenshin. Às vezes quando ele não estava em casa, a shihandai costumava entrar escondida no quarto dele para sentir o cheiro do espadachim impregnado em seu futon e suas cobertas.
"Yahiko está dormindo no seu quarto, este servo não quis acordá-lo." Kenshin sorriu, como o momento de pânico havia passado ele voltou a usar "este servo" para referir a si mesmo. "Daijoubu desu ka?"
"Hai..." Kaoru não se levantou, ela continuou deitada no futon olhando para Kenshin que continuava a passar o pano molhado em seus braços. "Eu realmente fiquei assustada Kenshin."
"Sinto muito que você tenha passado por essa experiência. Gomenasai, a culpa é toda minha." Kenshin estava com raiva de si mesmo por ter deixado que Kaoru passasse por aquilo.
"Não...E existem muitas coisas que eu preciso te contar. Sobre Ichiro, sobre meu pai, sobre as pessoas que assinaram aquele homem...." Kaoru olhou para o teto do quarto, lágrimas escorreram pelo rosto dela.
"Shiii shii. Amanhã, amanhã você me conta tudo" Kenshin queria que ela se acalmasse, a noite já tinha sido estressante demais. Kaoru sentiu o toque dos dedos de Kenshin enxugando seu rosto, os dedos dele estavam gelados por mexer com água que limpava seu corpo.
"Você pode dormir do meu lado? Não me deixe sozinha." Kaoru sussurrou.
"Hai" Estranhamente, o sempre reservado e tímido Kenshin não teve dúvidas. Ele atendeu o pedido de Kaoru sem piscar, nem por decreto do imperador ele deixaria Kaoru sozinha.
Delicadamente o ruivo deitou-se no futon ao lado Kaoru. A shihandai virou-se para abrir espaço para ele, e para que pudessem ficar cara a cara. Olhos azuis e olhos ametistas se encontraram e se encararam intensamente. Kenshin passou seu braço ao redor Kaoru.
"Onde você estava?" Os olhos dela estavam quase fechando. Kaoru sentiu-se relaxar envolta naquele abraço. Ela notou o perfume masculino no longo cabelo ruivo.
"No rio, no mesmo lugar onde eu você me encontrou antes de Jineh..." Kenshin sorriu, mas não durou muito ele logo se lembrou de Jineh, foi à primeira vez que tinha falhado e deixado que um dos seus inimigos colocassem as mãos em Kaoru. E novamente pessoas cruéis tinham colocado as mãos em sua Kaoru.
"Você não ia mesmo trocar seu futon por grama molhada, ne?" A voz rouca e sonolenta de Kaoru fez com que ele se acalmasse. Ela estava bem mais calma.
"Não. Este servo não quer grama molhada..." O sorriso que se abriu no rosto da shihandaifoi o suficiente para amolecer o coração do espadachim ruivo. Mesmo com o cabelo sujo, ele ainda podia sentir o cheiro de jasmim no cabelo dela, Kenshin fechou os olhos inalando profundamente.
Kaoru fechou os olhos e deixou ser guiada ao mundo dos sonhos. Kenshin inclinou seu rosto e beijou longamente a bochecha dela com muito carinho.
Os lábios de Kenshin se afastaram da bochecha dela, ele foi fortemente tentado a beijar os lábios, mas não o fez. Não seria justo roubar um beijo de quem não podia responder se concordava ou não. "Amanhã nós conversamos."
Mesmo sem provar os lábios dela, Kenshin acreditou que aquele era um dos momentos mais perfeitos de sua vida. Todo seu amor por Kaoru estava vindo à superfície, aquela garota tinha tomado seu coração. E mesmo se ela estivesse envolvida romanticamente com o tal Ichiro, e se ela o escolhesse para ser seu par, mesmo assim, Kenshin sempre a defenderia, sempre estaria por perto. Com essas resoluções em mente, o ex-hitokiri abraçou Kaoru mais forte, em seguida fechou os olhos e também deixou ser guiado ao mundo dos sonhos.
Continua
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Hei minna, peço desculpas pela demora. Acabei viajando, meu serviço virou um nó por causa do final do ano (realmente, uma loucuraaaa). Quando percebi tinha perdido o foco desse fanfic. Estou começando a recuperar \o/
Meus sinceros agradecimentos a todas que me mandaram reviews. Não sou tão boa escritora de fanfic, mas da pra quebrar o galho heheheheh.
Lili-chan- Obrigada. Kenshin começou a perceber que o que está afastando Kaoru é na verdade um mal-entendido.
Katyna- oh, meu desculpe pela demora, tava difícil de conseguir levar esse capitulo até o fim, sempre alguma coisa atrapalhava. Obrigada pelo seu review.
Soffy- Obrigada pelo review, fico muito contente que vc esteja gostando.
Alguém -ótimo nome hahahahahhaha- difícil é mantê-los dentro do caráter de RK. Bom, para não ser OCC só sendo o Watsuki mesmo. Obrigada pelo review.
K-Chan- Eu realmente não respondi muitas das suas questões nesse capitulo, ne? ^^ Mas o próximo não deve demorar tanto. Obrigada pelo review.
Tina Granger- Eu não sou expert em japonês, mas pelo que sei Koibito é namorada, amor. Não tão forte quanto Koishii, mas demonstra muito carinho. Obrigada pelo review.
Kaoru Kitty- Sim, Kenshin e Kaoru always \o/ Obrigada pelo review.
Deh e Tsuki- Muito obrigada pelo review, desculpe a demora. É tanta coisa pra escrever, tá doido .. Valeus.
Yuki- Kenshin percebeu que Kaoru tirou conclusões sobre seu relacionamento com a Megumi ^^. Ele é tão cute quando é baka, ne? Uma das coisas que está me incomodando é a falta do Sano. Eu amo o Sano, pra seguir esse meu roteiro inicial estou deixando ele um pouco de lado. Obrigada pelo seu review.
Kika de Apus- Eu sou má, só um pouquinho, kkkkkkkkk. Aoshi e Misao, talvez mais pra frente, é muita coisa pra escrever, não quero me enrolar. Obrigada pelo review.
Jou-chan Himura- Sim, continuo, mesmo que demore um pouquinho pra postar ok. Obrigada pelo review.
Muito obrigada por ler. Até o próximo.
Chibi.
