Título:
A Thousand Beautiful Things (Mil Coisas Belas)
Autora:
Duinn Fionn
Tradutora:
mila_crazyx (mila – sublinhado- crazyx -arroba- yahoo . com)
Beta
da tradução:
Verena
Classificação:
R
Pares:
Draco Malfoy – Harry Potter
Disclaimer: Essa história é baseada em personagens e situações pertencentes a JK Rowling, vários publicadores incluindo, mas não limitado à Bloomsbury Books, Scholastic Books and Raincoast Books, e Warner Bros., Inc. Nenhum lucro está sendo feito por parte do autor dessa fanfiction.
Contato da Autora: geoviki - arroba- msn . com
Sumário: Draco Malfoy confronta mudanças de sorte, de alianças, uma horrível guerra, um feitiço incomum, com a ajuda de um professor preocupado, um elfo-doméstico e um inesperado amigo grifinório.
Capítulo Sétimo.
Angel; angel or devil; I was thirsty and you wet my lips.
Anjo; anjo ou demônio; Eu estava com sede e você molhou meus lábios.
Trip Through Your Wires - U2
Alguns dias depois do fiasco no Profeta Diário, Draco aparatou no beco abandonado do lado de fora do apartamento de Harry, um lugar tão afastado dos olhos trouxas, que as chances eram poucas de ele ser visto. Ele ainda se sentia inconfortável usando Flu com essa destinação. Embora, após ser expulso na porta por Percy Weasley, deveria seriamente reconsiderar sua relutância.
Nessa noite, estava curioso de como Harry o iria cumprimentar depois da visita inesperada em seu estúdio no dia anterior. Será que ele tinha apenas imaginado a atração da Harry, ou havia algo por trás daqueles toques que sinalizavam - bem, interesse, talvez?
E o que aconteceria? Ou melhor ainda, o que poderia acontecer? Será que conseguiriam ver além do antagonismo escolar? Ele queria? E quanto a Harry?
Ótimas perguntas, admitiu. Pena que não tinha respostas.
Ele bateu na porta e esperou.
Harry atendeu quase imediatamente, como se estivesse esperando por perto. "Draco. Oi. Pode entrar. Você chegou cedo." Draco achou que ele estava estranhamente nervoso.
Passou pela entrada e jogou seu casaco graciosamente na cadeira mais próxima.
"Ei, que bom que apareceu. Tenho que dizer, eu não tinha certeza de que viria, depois do que aconteceu no outro dia." Ele assistiu com divertimento disfarçado enquanto Harry tagarelava nervosamente. "Estou feliz que está aqui. Deixe-me pegar algo para você beber. Vinho está bom? E se estiver com fome, apenas pegue o que quiser da cozinha. Você vai, não é? Quero dizer, por favor pegue."
Ele seguiu Harry até a cozinha, onde o outro se atrapalhou para abrir uma garrafa de vinho que parecia muito sofisticada, certamente melhor do que já tinha sido oferecido ali antes. Harry apanhou dois copos e serviu o vinho tinto com mãos que tremiam levemente. Draco achou o nervosismo dele charmoso, de certa maneira.
"Então, estou feliz que aceitou minhas desculpas e veio hoje. Bem, eu não estou feliz que você tenha que estar comigo enquanto..." Harry lhe passou o copo abruptamente. "Aqui."
Levantou o copo e gentilmente levou-o aos lábios enquanto mantinha os olhos fixos no outro. Harry desviou o olhar depois de alguns segundos, parecendo não agüentar a observação naquela noite, e tomou um grande gole de vinho.
Imaginou o que diria a Harry se pudesse falar. Como uma pobre segunda opção, alcançou e gentilmente tocou o braço de Harry com dois dedos. Assustado, Harry se afastou e continuou como se nada tivesse acontecido.
"Ah é, na última vez que esteve aqui você esqueceu seu cachecol. Eu acho que coloquei no meu armário," Harry disse, guiando-o até o quarto.
Draco nunca tinha visto o quarto dele antes, e escondeu sua curiosidade de maneira polida. A decoração era simples, masculina, com linhas claras e estilo moderno. Várias figuras estavam nas paredes, e percebeu que nenhuma se mexia. Retratos trouxas, mesmo que os assuntos não fossem. Ele reconheceu uma de Granger segurando o gato dela, uma foto familiar dos Weasleys, uma pintura de seu primo Sirius Black. Perguntou-se por que Harry iria evitar retratos comuns dos bruxos, que se movessem; então percebeu que talvez Harry levasse trouxas aqui, em seu quarto. Era ciúmes isso que acabara de sentir?
Então viu algo muito familiar. Era um dos desenhos de Dean Thomas - dele.
Oh.
Quando viu a figura, escondeu sua expressão surpresa com uma neutra, estudando-a como se fosse um visitante entediado em um museu. Dean era um bom amigo de Harry; ele provavelmente comprou o quadro como um gesto de educação. Estava pendurado no quarto porque combinava com os outros retratos, apenas isso. Não significava nada.
Pensou ter visto o rosto do outro homem corar. "Ah. É um dos melhores desenhos de Dean, eu acho." Houve uma pausa desconfortável, então adicionou, em uma voz que fez Draco duvidar da intencionalidade da afirmação, "Não tão atraente como o original, no entanto."
O elogio o aqueceu assim como o surpreendeu. Tomou um gole de vinho para esconder seu próprio desconforto, enquanto pensava que talvez esse retrato significasse algo, afinal de contas.
Havia um canto no apartamento que os permitia observar o pôr-do-sol, e Harry arrastou duas cadeiras até lá e sentou-se em uma. Após um momento de hesitação, Draco sentou-se na outra, girando o copo em seus dedos longos e esguios.
Harry parecia estar finalmente relaxando - devido ao vinho ou ao silêncio, não pôde dizer.
"Os dias estão ficando mais longos. O que significa que a maldição se atrasa um pouco mais a cada dia. Não é muito, mas já ajuda, eu acho." Ele não parecia feliz, apenas derrotado. "Mas ninguém está mais próximo de descobrir o que é essa maldição. Sabem muitas coisas que ela não é. Mas não o que pode ser."
Eles se sentaram lado a lado sem dizer mais nada. O céu ficou rosado, então enquanto o crepúsculo tomava conta do céu, indo de leste para oeste, encontrou-se atento estudando as crescentes sombras. Esperou no quarto escuro, mas sem nenhum medo - como poderia temer Harry e o pouco que podia dizer contra ele? Sua maior preocupação era manter sua mente fechada às intrusões de Harry com Legimência.
"Está muito escuro aqui," ouviu Harry dizer finalmente, "Eu não confio em você no escuro."
Draco se levantou e acendeu uma lâmpada próxima, então mais algumas.
"Então você apareceu de novo? Acho que Percy estava certo em relação a você. Ele não confia em você também. Nem um pouco. Ele está certo, Malfoy?"
Silêncio. Ele olhou Harry com firmeza; isso parecia acalmá-lo mais do que ignorá-lo, o que geralmente o levava à fúria.
"Sem resposta. Nunca diz uma palavra. É bizarro, você sabe disso, não é?"
Harry geralmente ficava um bom tempo falando de seu silêncio contínuo, então Draco se preparou para isso.
"É claro que sabe. É ótimo para chamar a atenção, certo? Você sempre foi um puto por atenção na escola. Tudo tem que ser sempre sobre você, não é?" Harry riu amargamente. "Não, nem responda. Seu merda maldito."
A maldição não ajudava muito na criatividade de alguém, pensou, enquanto Harry repetia os mesmos xingamentos de sempre. Após uma hora, ele se acalmou. Draco estava aliviado que Harry não estava muito bravo. Ainda.
"Quer saber o que eu acho? Acho que você está pensando em uma nova casa. Sabe, para depois, quando perder a Mansão. E todo o dinheiro do Papai. Onde isso o deixa, Malfoy? Afinal de contas, ser um recluso rico tem certo charme. Ser um recluso pobre é patético."
Harry parecia ter ficado muito animado para ficar sentado, e começou a andar de um lado para o outro.
"Então eu acho que está ma bajulando, para eu sentir pena de você e te abrigar. E bajulação é outro talento dos Malfoys, não é? Você quer que eu seja grato por ter vindo aqui - oh, Draco, ele tem sido tão bom para o Harry, ele não é maravilhoso? E eu estou pensando: não, ele só está cuidando de si mesmo. Quando você não foi assim?"
Ele percebeu com alarme crescente que Harry estava ficando agitado demais - o que significava que essa noite seria mais estressante do que a maioria.
"O Profeta Diário diz que você é quem está mantendo essa maldição em mim. Mas você já sabe disso. Não parece te preocupar muito. Eles dizem que esse maldito silêncio seu que está mantendo isso. E agora você espantou todos os meus amigos, e é o único que vem aqui à noite. Você tem controle total sobre mim, não tem?"
Raivoso, ele lançou seu copo voando pelo quarto, espirrando vinho e cacos de vidro na parede branca.
"Estou cansado disso, Malfoy," ele gritou. "Quero saber por que está aqui. Porque não consigo pensar em nenhuma razão, a não ser de que você queira me ver sofrer. Bem, eu já tive o suficiente. Quero que vá. Então vá. Porra, saia da minha vida."
Ele não percebeu quando se levantou para ficar face a face com Harry, mas observou e esperou, preparado para qualquer coisa.
Harry avançou nele, agora furioso. Draco começou a se afastar, mas isso só parecia aumentar a fúria de Harry, então parou. Um segundo antes que Harry pudesse alcançá-lo, ele aparatou para o outro lado do quarto.
Harry parou, confuso por esse sumiço repentino, mas então percebeu sua nova localização e correu na direção dele, chutando a mesa que estava em seu caminho. A mesa quebrou, espalhando seus conteúdos pelo chão, e Harry continuou a correr.
Dessa vez, ele aparatou no corredor fora do quarto. Levou um pouco mais tempo para Harry encontrá-lo.
"Pare de brincar, seu bastardo," Harry gritou. "Sai daqui."
Nunca tinha visto Harry tão bravo, e pensou em como pedir ajuda. O Flu não adiantava - ele não podia falar para se conectar com Dean ou Hermione. E não se atreveria a deixar Harry sozinho. Feitiços de proteção estavam fora de questão. Também não queria ficar aparatando a noite inteira, mas parecia ser a única solução, pelo menos até Harry cansar. Mas ele teria que ir até os cantos mais separados da casa para cansá-lo rapidamente.
Do corredor ele aparatou até o canto mais distante da cozinha. Dessa vez, Harry conseguiu derrubar uma das cadeiras em que eles estavam sentados anteriormente, e ele não foi atingido por centímetros. Continuou a retroceder até a parede, mas tropeçou em uma das pernas quebradas da cadeira. Isso o atrasou o suficiente para permitir que Harry avançasse e agarrasse seu pulso. Quando aparatou no quarto, trouxe Harry junto com ele.
Harry rapidamente apanhou seu outro pulso, segurando-o com força, apertando tanto que sabia que haveria arranhões ali por dias. Isso é, se Harry o deixasse viver, percebeu abruptamente. Não havia mais garantias disso.
Harry estava respirando profundamente, como se tivesse corrido uma maratona, o que não estava muito longe da verdade. Mas o choque te ter finalmente o capturado parou Harry, pelo menos momentaneamente, e eles ficaram face a face, separados por centímetros, congelados no momento e com olhares trancados um no outro.
Ele tentou acalmar Harry com seu olhar, e parecia estar funcionando, porque o outro não se mexeu. Mas sabia que era um alívio temporário. Tentou pensar em outra solução. Harry o estava observando com firmeza, esperando ele fazer algo.
Então fez a única coisa em que pensou - o beijou.
Essa decisão acabou sendo muito oportuna.
Em primeiro momento, enquanto pressionava seus lábios com os de Harry, a única resposta do outro foi diminuir um pouco a força em torno dos pulsos de Draco. Por isso, já estava feliz pelo seu ato impulsivo. Sentiu a respiração dele se acelerar em contato com sua boca, então um relaxamento gradual enquanto Harry decidia seguir com o beijo. E assim que decidiu participar, Harry não deixaria Draco liderar. Ao invés disso, tomou áspera possessão da boca de Draco, forçando e mordendo e invadindo até Draco perder o fôlego também. Ele sentiu Harry descobrir, então explorar a sensação erótica de sua língua. Finalmente, Harry se afastou, o brilho malicioso em seus olhos pronunciado.
"Cuidado com o que pede, Malfoy," Harry disse firmemente. "Porque você pode acabar conseguindo o que quer."
Draco manteve-se decidido, encarando Harry nos olhos. Harry ainda o segurava pelos pulsos, então usou isso para empurrá-lo até a cama, com seus tornozelos pressionados no colchão.
"Diga-me," Harry disse, com uma voz que mais parecia um rosnado. "É isso que quer? Você esteve vindo aqui todas essas noite esperando que eu te fodesse?"
É claro, Harry entendeu tudo errado. Ele não vinha ali por sexo. Harry esteve certo em suas afirmações anteriores; ele só estava ali para salvar a Mansão da maneira como pudesse. Se isso significava ajudar Harry a sobreviver à maldição até que pudesse quebrá-la, que seja.
Mas estava ficando cada vez mais difícil se convencer de suas razões egoístas quando estava tão perto do outro, quando podia sentir o calor radiando de sua pele, quando podia cheirar a combinação única de suor e um cheiro que era puramente Harry, quando podia sentir o gosto dele em seus lábios.
Harry parecia ter sentido que algo estava mudando, também. Ele se acalmou consideravelmente, a violência selvagem tinha se dissipado, mas Draco não podia dizer com certeza de que estava a salvo no momento.
"Você é mesmo um puto. Olhe para você, praticamente me implorando. Mas eu vou te dizer algo, Malfoy. Eu sei que sou cheio de problemas, mas não sou um estuprador. Eu nunca me rebaixaria desse jeito," então sorriu, "Bem, você só tem que me dizer não. Se puder."
Com isso, ele soltou Draco e deu um passo para trás, libertando-o para aparatar se quisesse.
Só levou um instante para se decidir. Diminuiu a distância entre eles, levando suas mãos até o cabelo de Harry, e o puxou para mais um beijo intenso. Dessa vez, pressionou-se tanto no outro que Harry pôde sentir a ereção de Draco em sua coxa.
Harry não hesitou. Toda a raiva que antes tinha direcionada a Draco parecia ter se transformado num desejo determinado, e não maneirou sua exigência de que ele fosse satisfeito. Draco ainda não estava convencido de que sobreviveria à noite, mas o perigo escondido que Harry radiava havia se transformado em um afrodisíaco.
Foi tudo rápido e forte e áspero, mas se encontrou excitado de uma maneira que nunca esteve antes. Havia um ar irreal os circulando - esse era Harry Potter, pelo amor de Deus, o Garoto Dourado do mundo mágico, ordenando-o a se arrastar e chupar e se abrir. E ele fez o que Harry ordenava: instintivamente, descobriu que queria responder aos comandos de Harry, àquela voz que fez parte de sua vida por muitos anos. E as palavras que o outro dizia eram todas abusivas e firmes e obscenas, mas Draco não estava realmente escutando as palavras. Ele ouvia apenas a urgência e desejo e necessidade atrás delas. E naquele lugar, naquele momento, com seu corpo embaixo do de Harry, sendo invadido como nunca antes, não pôde deixar de pensar que talvez estivesse esperado por isso durante anos.
Ele estava deitado de bruços, seu próprio cabelo o sufocando, e seus dedos agarravam os lençóis quando sentiu a pressão aumentando. Harry o estava penetrando , suas palavras meros sons agora, a mão dele em seu pau, massageando, e sua mente ecoava sim, e agora, e Harry, ohDeus, simsimsim.
E seu orgasmo, intenso e de tirar o fôlego, chamou o de Harry, e eles caíram juntos, ele pôde sentir, cada vez mais fundo, e era molhado e quente e perfeito. Harry gritou em prazer ou dor ou ambos,e finalmente caiu em cima dele, ainda mantendo aquela conexão íntima.
Na escuridão, não havia nada além da satisfação e os sons da respiração dos dois. Após alguns momentos, sentiu Harry se afastar e rolar do lado dele, deixando-o vazio e doloroso, mas não ouviu nada além de um feitiço de limpeza. Harry conseguiu enrolar os lençóis ao redor dele e Draco fez o mesmo. Os dois estavam dormindo em poucos minutos.
0909090909090909090909090
Draco acordou, sabendo que o sol ainda não tinha nascido. Ele estava surpreendentemente quente e confortável - em algum momento durante a noite Harry colocou um cobertor em cima dele. No quarto mal-iluminado, viu que Harry também estava acordado, sentado no colchão, abraçando seus joelhos, com sua cabeça apoiada neles. Harry ainda estava nu, e sua pele estava brilhando. Estava usando óculos, refletindo a luz e impedindo Draco de ver seus olhos, embora soubesse que Harry o estava observando.
Ele viu Harry ficar tenso quando percebeu que Draco acordou, e sabia imediatamente que estavam prestes a ter uma longa conversa, com apenas Harry falando, é claro. E não queria ouvi-la.
"Draco."
Ele virou seu rosto na direção de Harry. O outro homem parecia miserável.
"Eu... Eu não sei nem por onde começar a me desculpar. Eu fiquei sentado aqui por horas pensando no que dizer a você... como eu posso te dizer como sinto muito pelo que fiz ." Ele parou, obviamente lutando para manter o controle.
Malditos Grifinórios. Imaginou quanto tempo Harry iria ficar se auto-mutilando verbalmente em cima do que, na opinião dele, foi um ótimo sexo. Harry parecia ter esquecido que nada foi forçado.
"Você vem aqui por várias noites para ficar comigo e eu te traio da pior maneira possível. Oh, Deus, Draco, como você pode ficar aí e me olhar com tanta calma depois do que fiz? Por que não foi embora assim que pôde? Deus, eu sinto muito."
Sabia que teria que resolver isso agora se pretendia dormir mais nessa noite. Ele teria que repassar os eventos com Harry mais uma vez, e esperar que ele entendesse.
Levantou-se da cama quente, tremendo um pouco quando o ar frio bateu em sua pele. Colocou sua mão no braço de Harry até ter certeza que tinha a atenção completa dele, então o fez levantar também. Deliberadamente, moveu-os até a posição exata em que estavam antes de aparatarem para o quarto, até mesmo colocando seus pulsos nas mãos do outro homem. Eles ficaram face a face novamente, então se inclinou para repetir aquele primeiro beijo.
E o fez tão convincente quanto o primeiro.
Harry parecia entender, embora no começo, estivesse indo muito devagar.
"Eu acho que disse, 'Cuidado com o que pede, Malfoy, porque você pode acabar conseguindo o que quer,'" Harry disse com voz baixa.
Moveu-se novamente na direção da cama, arrastando Harry com ele. Parou, olhando Harry intensamente.
"Então eu disse umas coisas terríveis que espero que você não queira que eu repita."
Draco o encarou da mesma forma.
"Bem, eu te chamei de puto, acho, e mais umas coisas. Então eu disse que não era um estuprador, e tudo que você tinha que fazer era dizer não. Como se pudesse fazer isso. Eu sabia que não podia."
Mas Draco estava repetindo a dança de sedução deles inteiramente, e retirou seus pulsos das mãos de Harry e se afastou. De novo, olhou Harry intensamente,
"Tá bom, eu sei que você podia ter desaparatado nessa hora. Mas você tem que admitir, teria se sentido culpado se me deixasse sozinho sob o feitiço. Não era justo. Não foi uma escolha real."
Oh, Harry, quanto convencimento você precisa que eu faça? Pelo menos essa parte da noite seria agradável de repetir.
Ele se moveu mais perto de Harry e o beijou com força. Como ambos estavam nus, sua ereção era óbvia, e os olhos de Harry se arregalaram em reconhecimento quando entendeu que Draco queria repetir tudo da noite anterior. Mas Draco não estava no humor para mais mal-entendidos ou culpas fúteis. Da ultima vez, eles foderam como Sonserinos. Então dessa vez, eles fariam como Grifinórios.
Ele levou Harry até a cama e o deitou cuidadosamente, e Harry soltou um suspiro surpreso. Abandonou o rápido e forte e áspero e ao invés disso foi tudo que um Grifinório entenderia. Ele beijou Harry por um longo tempo, gastando vários minutos em carícias gentis. A incerteza de Harry se dissolveu sob esse ataque persistente. E após muitos instantes concentrando no seu pescoço e tórax, seus mamilos e abdômen, a pele macia na parte interior de seu cotovelo, seus dedos e suas coxas, ele finalmente tomou o membro de Harry em sua boca, massageando-o com sua língua, e pôde sentir que Harry não duraria muito tempo.
O ar irreal que sentiu antes era igualmente forte dessa vez. Harry estava murmurando palavras fragmentadas e frases como tinha feito antes - ele parecia falar muito durante o sexo - mas dessa vez as palavras combinavam com os sentimentos de urgência e desejo e necessidade que os alimentava.
"Espere," ouviu Harry murmurar, e se afastou, olhando-o com expectativa. "Eu te quero dentro de mim. Como eu estava dentro de você. Por favor, Draco."
E como ele poderia recusar com pedido tão atraente? Alinhou seu corpo com o de Harry e foi descendo, adorando o contato de pele enquanto se movia. Harry levantou os ombros, começando a rolar para deitar de bruços, mas Draco o impediu, o pressionando com força no colchão. Isso era sexo Grifinório, e Grifinórios fodiam se olhando nos olhos. Harry parecia ter entendido, e deitou novamente na cama.
Hmm. O sexo Sonserino foi feito com saliva e a pobre tentativa de Harry com um feitiço lubrificante, mas suspeitava que sexo Grifinório precisaria de algo mais refinado. Olhou na direção da escrivaninha e Harry alcançou-a para ele, abrindo uma gaveta. Draco saiu de cima dele para que pudesse procurar o lubrificante mais facilmente.
Ele sempre foi uma pessoa de visão, rápido para responder às cores e vistas e imagens. Observando Harry se preparar era inesperadamente excitante, descobriu, e seu desejo decolou quando os dedos de Harry massagearam seu próprio orifício e então o penetraram. Quando aqueles dedos quentes e molhados finalmente alcançaram o pênis de Draco, lutou pelos últimos vestígios de controle que tinha.
Vagarosamente e cuidadosamente penetrou Harry, encarando aqueles incríveis olhos esmeraldas o tempo todo, ouvindo os gemidos confusos de Harry o encorajando, sentindo aquele calor e aquela pressão incrível começar a levá-lo desse mundo. Pegou o membro duro que estava entre eles, e o masturbou, vendo Harry ter seu orgasmo quase imediatamente e ouvindo sua voz, perto de seu ouvido, murmurando, "Oh, Deus, Draco, por favor, eu quero você, eu quero você, eu quero ter um orgasmo pra você..." ele transferiu sua atenção de seu próprio clímax que estava muito próximo e se concentrou no de Harry, o trazendo à conclusão com toques firmes, traçando as sobrancelhas e lábios de Harry com a ponta de seus dedos. Quando sentiu o orgasmo de Harry, inclinou-se para capturar aqueles lábios com os seus, um último beijo, e se afastou.
Ele diminuiu seu ritmo enquanto Harry se recuperava, e observou ele ficar em silêncio sob seu peso, com os olhos fechados e um sorriso de êxtase em seu rosto. Nunca tinha visto uma expressão de pura felicidade relaxada em Harry antes. Entre a intimidade do momento e a emoção inesperada atrás das palavras do clímax de Harry, ele ficou tranqüilo, quase naquele lugar etéreo.
Harry percebeu quando ele acelerou o ritmo de suas penetrações, abrindo os olhos e sorrindo mais ainda quando viu Draco o observando. "Ejacule para mim, Draco," ele encorajou. "Eu quero que sinta isso tanto quanto eu."
E Draco não iria discutir.
Quando atingiu o clímax, ouvindo à voz de Harry o levando e o segurando lá, e então sentindo as mãos de Harry o acariciando depois, pensou que talvez pudesse se acostumar ao sexo Grifinório. Mas isso não significava que ele iria desistir do sexo Sonserino também.
Eles descansaram nos braços um do outro, em silêncio. De vez em quando, Harry iria se inclinar e beijar sua pele, e Draco iria responder com um dos seus. Não queria pensar em nenhum momento a não ser o presente - não o passado, e definitivamente não o futuro - mas sabia sem dúvidas que algo havia mudado.
Finalmente, Harry disse, "Obrigado."
Draco tentou segurar uma risada. Esse era um aspecto do sexo Grifinório que não antecipara.
Harry, no entanto, percebeu o tremor de seu peito, e o reconheceu pelo que era. Draco viu um sorriso surgir no rosto dele. "Não pelo sexo, seu mané. Tá, tudo bem, pelo sexo, mas não é o que eu quis dizer. Eu quis dizer obrigado por me deixar fazer isso depois... depois da primeira vez."
Draco sabia que ele tinha apenas adiado a conversa deles, mas não se importava.
"Acho que nós dois sabemos que é melhor você não ficar mais sozinho comigo quando a maldição estiver tendo efeito. Depois do que tentei fazer a noite passada... bem, não é seguro. Você sabe que sinto muito por aquilo. Mas não posso me controlar, e você não pode chamar ajuda." Harry suspirou, então adicionou, "Mesmo assim, eu quero vê-lo de novo. Desse jeito."
Os dedos de Harry estavam acariciando o cabelo de Draco ritmicamente. Virou a cabeça e capturou um dos dedos entre seus lábios e o beijou. Harry suspirou novamente.
"Tudo é tão complicado conosco, não é? Mas quando isso foi diferente? Quero dizer, quem imaginaria isso?"
Suas mãos saíram do cabelo de Draco e agora massageavam seu pescoço e seus ombros.
"Eu não acreditei que você me queria do jeito que eu queria você. E então, depois que eu te… ataquei, tinha certeza que nunca mais iria querer me ver. Acho que viu quão miserável eu estava." Harry o encarou com intensidade revigorada. "E eu queria você. Eu quero você. Desde a noite que deixou Hogwarts - a noite em que me beijou no corredor - eu imaginei como isso seria."
Draco ficou imóvel. Ele não tinha esperado por nenhuma revelação, especialmente de Harry. Não desse jeito.
Harry entrelaçou seus dedos nos de Draco e disse, muito gentilmente, "Então se uma maldição foi necessária para te trazer aqui, talvez tenha valido a pena."
Ele estava grato por não poder responder, porque não tinha a mínima idéia do que poderia dizer. Pela primeira vez na longa noite, ele estava com medo.
Harry, contente em abandonar o tópico nessa altura, colocou o cobertor sobre os dois, cuidadosamente puxando Draco para perto dele. Beijou-lhe uma última vez, então deitou novamente com um suspiro e fechou os olhos. Poucos minutos depois, Draco ouviu a respiração regular que mostrava que Harry estava dormindo.
Mas demorou muito mais para que fizesse o mesmo.
90909090909090909090909090
Não demorou muito para Levon perceber as mudanças no comportamento de Draco. Ele o confrontou depois de uma longa sessão juntos.
"É aquele cara que veio aqui semana passada, não é? Aquele que Daniel disse que estudou com você?"
Draco queria dizer que sentia muito; que nunca quis machucá-lo. Mas descobriu tarde demais que Levon estava procurando por algo que Draco não podia dar. Levon era um cara legal, com certeza atraente, definitivamente bom de se olhar. Não é alguém de quem uma pessoa racional desistiria.
Mas ele não era Harry Potter.
Não estava surpreso que esse caso com Levon tivesse sido tão curto. Ele ia além de qualquer relutância infantil a considerar Trouxas e Bruxos iguais - havia reavaliado e abandonado esses conceitos muito tempo atrás.
Não, era mais do que isso, tinha a ver com tudo que aconteceu em sua curta vida. Ele concluiu que precisava de um parceiro com quem pudesse dividir essas experiências. Isso basicamente o limitava a outros bruxos. Mas achar um - um que seja gay - que conseguisse ignorar seu sobrenome parecia impossível. A não ser Harry.
Ele reconheceu algo naquela noite, deitado ao lado de Harry e o observando enquanto dormia. Desde aquele dia em que caminhou com Lucius em Hogwarts, sua vida havia se tornado estranha. Subconscientemente, ele desejava voltar àquele conforto de sua infância. Com Harry, sentiu aquele desejo claramente, sabia o que estava procurando, porque pela primeira vez sentiu que pudesse satisfazê-lo. Naquela noite, Harry expulsou os lobos.
Levon cruzou os braços e olhou para ele com tristeza. "Isso é estranho, sabe. Ter que dizer adeus. Pelo menos não estamos discutindo, acho que isso é um beneficio."
Um grupo de colegas passou por eles e os distraiu por um momento. "Nós vamos até o Little Shangai almoçar. Vocês vêm?" um deles perguntou.
"Sim. Só um minuto, eu já alcanço vocês," Levon respondeu, com um aceno. Ele se virou na direção de Draco. "Tenho que te contar que surgiu algo. Me ofereceram uma chance de trabalhar para a Elite em Nova Iorque. Estive considerando pelas últimas semanas, e vou aceitar. Não há mais motivos para ficar aqui."
Draco suspirou e se moveu na direção de Levon, colocando seus braços em torno dele em um ultimo abraço. "Não, Draco," Levon sussurrou em seus lábios, mas nenhum deles tentou impedir aquele beijo doce e triste.
909090909090909090909009
I've got no defense, I've got no attack, I can't leave, I can't stay,
and I've got no way back,
Hard to deal with the way things have been, I can't lie but the truth is so extreme.
Eu não tenho defesa, eu não tenho ataque, eu não posso sair, eu não posso ficar,
E não tenho como voltar,
Difícil lidar com o jeito como as coisas estão, eu não posso mentir mas a verdade é muito extrema.
Woman Be My Country - Johnny Clegg
A audiência sobre o futuro da fortuna de Lucius Malfoy parecia para Dean nada mais do que uma continuação do julgamento criminal do ano anterior. Muitas faces estavam novamente entulhadas no salão do Wizengamot, e Draco era um ponto pequeno perdido na multidão pressionada nele. Apenas a ausência do homem condenado o lembrou que esse não era o mesmo julgamento que presenciaram anteriormente. Mas o sentimento continuava o mesmo, ele concluiu. Ao contrário, o sentimento de vingança só parecia ter aumentado.
Os membros da Ordem conseguiram bons assentos, circulando Draco. Eles andaram em conjunto, com Harry, é claro, causando a maior comoção. Admitia que Harry conseguia comandar autoridade quando precisava - e o fez hoje. Vestido em suas roupas mais formais, a Ordem de Merlin, Primeira Classe em seu peito, Harry radiava poder. Ele marchou até Malfoy, fez questão que todos vissem eles apertando as mãos, pausando para o fotógrafo no Profeta, inclinou-se para sussurrar algo que ninguém ouviu, então sentou com o máximo de dignidade que sua idade permitiu.
Um minuto depois, Snape fez uma grande entrada e repetiu o ritual. Sua Ordem de Merlin brilhava em seu peito também.
Não querendo ser superados, os membros do Wizengamot entraram com o máximo de autoridade que conseguiram. Observou as faces nervosamente, tentando adivinhar suas inclinações no assunto, para estimar as chances de Draco na audiência.
O líder do conselho, sentado como juiz nesse caso, pediu silêncio. Hermione sentou ao lado de Dean, agarrou a mão dele em sua ansiedade, e ele a apertou, tentando acalmá-la apesar de estar longe de calmo.
O representante do Ministério era uma mulher de idade chamada Droxa Aisengart, que Dean só tinha visto uma vez antes, embora não pudesse se lembrar quando e onde. Ela lançou um feitiço sonorus para que sua voz ecoasse pelo salão. Ele imaginou se ficaria tão irritado com ela se a mulher não estivesse contra seu amigo. Provavelmente, concluiu. Ela tinha um jeito pomposo de falar.
Todo leitor do Profeta poderia fazer a mesma introdução que ela usou no caso do Ministério contra os Malfoys. Lucius Malfoy era um traidor Comensal da Morte. Suas terras e seu patrimônio deveriam então ser confiscados. O Ministério havia trabalhado em tempo determinado para formar o caso contra os Malfoys. O caso havia tido muitos atrasos - e então encarou com ódio os advogados de Draco em uma indicação óbvia de quem ela considerava responsáveis por esse atraso. A morte de Lucius era irrelevante.
É claro, advogados sendo como são, a introdução levou muito mais tempo do que o necessário para se elaborar.
O advogado de Draco foi o próximo. Novamente, a direção foi previsível - Lucius morreu com testamento válido, a fortuna pertencia a Draco Malfoy, e qualquer tentativa de confiscar o patrimônio de Lucius Malfoy era sem fundamentos. E todos sabiam que Draco não era um Comensal da Morte ou um admirador desses, e arriscou sua própria vida pelo Ministério e pela Guerra. Não foi dito, mas obviamente implicado, que o Ministério era imensamente ingrato aos seus sacrifícios.
Na conclusão, o Ministério se recusou a retirar as acusações. A platéia murmurou entre si.
Então vieram as testemunhas. Começou com uma leitura do testamento de Lucius. Tudo para Narcissa e caso ela viesse a falecer, para Draco. Essa parte, também, levou muito mais tempo do que Dean gostaria, e estava inquieto no seu assento.
Devido à necessidade de tomar Veritaserum para testemunhar, os duendes banqueiros do Gringotes se recusaram a fazê-lo, mas seus empregados bruxos testemunharam por eles. A leitura meticulosa do patrimônio Malfoy começou. Dean estava surpreso pela extensão dele. Uma coisa era saber que Draco era rico; outra era ter tudo lido em detalhes. Sentiu ressentimento crescendo na multidão - e inveja só ajudaria o caso do Ministério.
A advogada do Ministério chamou um nome que o surpreendeu.
"Nymphadora Tonks."
Hermione o olhou com preocupação. "Por que estão chamando Aurores?" ela sussurrou.
Assistiu a Tonks engolir uma dose de Veritaserum em apenas um gole. Alguns minutos depois, Aisengart começou seu questionamento.
"Você fazia parte do time de Aurores que procuravam por vários Comensais da Morte?"
"Sim."
"E era um desses Comensais o falecido Lucius Malfoy?"
"Sim."
"Então você é familiarizada com algumas das atividades de Lucius Malfoy?"
"Sim. Como testemunhei em seu julgamento."
"Diga-me sobre uma noite em particular. A noite do dia 17 de Junho, dois anos atrás, em uma pequena cidade chamada Bartstow."
O que se seguiu foi uma horrível descrição de torturas praticadas pelos Comensais em uma família de Trouxas. Isso foi seguido de mais noites, mais detalhes gráficos, todos entregados pela voz imparcial de Tonks.
"Por que ela está mencionando isso?" Hermione sussurrou novamente. Ela parecia um pouco pálida, e ele não podia culpá-la. Ele preferiria não ter que ouvir os atos de Lucius em detalhes novamente.
"Provavelmente para mostrar quão horrível ele era, para justificar isso como punição."
Hermione fez um som de impaciência. "Todos sabem como ele era terrível. Essa não é a questão, no entanto, certo?"
"Você está canalizando seu Corvinal interior, Hermione. Acho que eles estão mirando no Lufa-Lufa. Sabe, tentando ganhar simpatia para o Ministério. Fazer o Wizengamot se concentrar em Lucius e fazer de conta que Draco nem está envolvido."
"É horrível," ela insistiu. Ele concordava, e queria dizer a ela, mas se distraiu pela respiração quente em sua bochecha enquanto ela se inclinava para falar.
A advogada do Ministério não mediu esforços para trazer ali o máximo de Aurores envolvidos no caso de Lucius Malfoy possível. Quando Olho-Tonto-Moody terminou seu interrogatório, Hermione não era a única que estava pálida e um pouco enojada.
Uma última testemunha descreveu os momentos de Lucius antes de ser Beijado pelos dementadores. Dean viu Harry se inclinar e apoiar sua mão no ombro de Draco, mas Draco estava estudando a mesa em sua frente e permaneceu rígido.
"Coitado," Seamus, sentado ao seu lado, sussurrou com raiva. "Por que estão fazendo ele passar por isso? Malditos."
Ele concordou.
Droxa Aisengart caminhou até onde Draco estava sentado com seus advogados. Suas palavras eram direcionadas ao Wizengamot, mas seus olhos estavam fixados nele. "O Ministério convida Draco Malfoy a dar seu testemunho."
Dean e todos sentados perto dele imediatamente ficaram tensos. "Droga," ele ouviu Ron murmurar.
O advogado de Draco se levantou vagarosamente.
"Sr. Malfoy respeitosamente não deseja dar seu testemunho." Ele esperou ate o barulho previsível vindo da multidão cessou-se. "Como muitos sabem, Draco Malfoy, por razões pessoais, tomou um voto de silêncio, e nós pedimos que ele não tenha que quebrar seu voto, mesmo por esse assunto importante."
Aparentemente o Wizengamot já havia sido notificado, pois nenhum deles parecia surpreso. Mas pelo jeito, algumas pessoas na platéia ainda não sabiam desse fato.
Ele ouviu o juiz responder com a mesma formalidade.
"O conselho foi informado dos desejos do Sr. Malfoy, mas pedimos que ele ponha seu voto de lado por um pequeno período para que possamos ouvir seu testemunho."
O advogado de Draco nem olhou na direção de seu cliente. "Eu aconselhei o Sr. Malfoy a testemunhar em seu beneficio. Eu o convido a se levantar se mudou de idéia." O local estava em silêncio total, mas Draco não mostrou sinais de sequer ter ouvido ao convite.
O advogado continuou. "Como disse, ele não irá testemunhar. Ele invoca seu direito de permanecer em silêncio."
"Muito bem." Dean se perguntou se essa recusa iria prejudicar muito o caso de seu amigo.
"No entanto, temos muitas testemunhas para falar por ele."
O juiz levantou uma sobrancelha. "Sr. Malfoy tem sorte de ter pessoas que estão dispostas a defendê-lo quando ele mesmo não o faz." O qual, Dean imaginava, deixou a clara mensagem: o conselho não está impressionado.
"Severus Snape, por favor venha à frente." Ele quase riu da maneira com que Snape foi até a frente, com sua capa virando de maneira que chamava atenção. Snape bebeu seu Veritaserum rapidamente, e começou a falar.
O que se seguiu foi sem dúvida o testemunho público mais completo já dado sobre as atividades de Draco Malfoy enquanto era espião pela Ordem. Dean achou tudo fascinante. Snape era um contador de histórias natural, dramático e intenso. Começou no quinto ano de Draco em Hogwarts, descrevendo seu treinamento clandestino sob a supervisão de Snape, o tempo passado entre Lucius e os Comensais da Morte, e descobrimento das verdadeiras lealdades de Draco - "As quais ouviremos em maiores detalhes em alguns momentos," o advogado assegurou a todos.
No fim de seu testemunho, Snape se levantou com a confiança de um rei, e voltou ao seu assento.
O coração de Dean se acelerou em antecipação. Ouviu seu nome sendo chamado; não se atreveu a olhar para mais ninguém em seu nervosismo. De alguma maneira conseguiu chegar até a mesa, pegar o copo, e beber sem tossir. Até agora tudo bem.
"Você é Dean Thomas?"
"Sim."
"E você foi capturado por Comensais da Morte na noite do dia 26 de Setembro, quase três anos atrás?"
"Sim."
"Você poderia descrever o que aconteceu naquela noite?"
Sentiu seu alarme crescendo. Ele havia antecipado perguntas mais diretas. Certamente não esse convite aberto para abrir sua mente ao público. Advogados não deveriam fazer apenas perguntas de que já soubessem as respostas?
Mas sabia que seu testemunho só podia ajudar Draco. Seamus já o havia perdoado duas vezes; não tinha o que temer nesse assunto. Não tinha orgulho do que fez naquela noite, mas não tinha mais a nada a fazer a não ser confessar agora, na frente de seus amigos, do Profeta Diário, do Wizengamot, e do mundo. Descreveu sua captura e escape com o mínimo de emoções visíveis, mas isso não significava que não sentiu o impacto de cada palavra.
Redmund perguntou a seguir sobre o serviço de Draco sob disfarce como David Carmichael, e Dean recontou tudo que havia visto naquelas últimas semanas da Guerra.
Quando terminou - e demorou mais do que imaginava - não conseguiu encarar o desapontamento que seus amigos estariam fingindo não sentir. Olhou na direção de Redmund - bem, ele parecia feliz, pelo menos; Draco saiu dessa história o mais heróico possível. Dean, no entanto, pareceu um traidor e um covarde.
Graças a Deus, os advogados do Ministério resolveram deixá-lo em paz e não interrogá-lo. Retornou à sua cadeira, mas evitou os murmúrios de simpatia. Ele não os merecia.
Hermione se inclinou na direção dele, mas ele sussurrou, "Não diga. Por favor."
Ela o olhou com calma e respondeu, "Tudo bem. Por enquanto." Mas então ela pegou a mão dele e se recusou a soltar.
Seamus foi o próximo. Ele pôde adicionar pouco à historia de Dean, mas gastou seu tempo o defendendo. "Eu entendo porque ele disse onde eu estava. Ele colocou a missão em primeiro lugar, como deveria ter feito. Não o culpo por nada. Eu o perdôo do fundo do meu coração. Você sabe disso, Dean."
Ele não merecia aquele perdão, não da primeira vez e nem da segunda. Mas sabia que foi oferecido de coração, e seria muito ingrato se não aceitasse com as duas mãos e segurasse com toda sua força. Seamus queria que ele deixasse sua culpa para trás, e em gratidão, ele tentaria.
Redmund, sabendo do teatro necessário nesse julgamento, deixou o melhor por último. Harry se sentou na mesa, sorriu brevemente na direção de Draco, moveu a mão segurando o copo na direção de Draco como se estivesse fazendo um brinde, e tomou o Veritaserum.
Inclinou-se para ouvir às perguntas de Redmund, apesar do feitiço de extensão de voz que o advogado usou.
"Sr. Potter, você mais do que ninguém tem reclamações e ressentimentos em relação às atividades de Lucius Malfoy durante a guerra."
"Talvez," Harry respondeu.
"Então nos diga, você suporta as ações do Ministério contra o patrimônio de Lucius Malfoy?"
"Não, eu não suporto. Acho que é errado."
"E por que acha isso?"
"Porque Lucius Malfoy está morto. O Ministério não pode puni-lo, não importa o quanto gostem de pensar que podem. Ele está além de seu alcance. Pelo menos é o que eu gostaria de acreditar." Ele direcionou um pequeno sorriso à advogada do Ministério, que o ignorou. Houve risadas da multidão.
Harry continuou como se não tivesse dito nada de estranho. "Obviamente o único sendo punido é Draco. E nós acabamos de ouvir que ele foi um herói, e trabalhou contra o próprio pai sob grandes riscos. O Ministério está completamente errado em ir atrás de sua herança. Ele está sendo punido por ser um Malfoy. Não há outras razões."
Dean não poderia ter se expressado melhor.
"Obrigado, Sr. Potter."
Ele não gostou do olhar predatório na face de Aisengart enquanto ela se levantava para se dirigir à multidão. "Eu tenho algumas perguntas para o Sr. Potter."
"Muito bem."
"Por quanto tempo conheceu Draco Malfoy?"
"Desde os onze anos de idade. Nos conhecemos em Hogwarts."
"E foram amigos por todo esse tempo?"
Harry sorriu. "Não, nossa amizade é mais recente."
"Foi divulgado recentemente que está sob os efeitos de uma Maldição Negra. Isso é verdade?"
O sorriso de Harry desapareceu com a mudança de tópico. "Eu não sei se é Negra. Mas há uma maldição de alguma natureza em mim, sim."
"Você pode descrevê-la para nós?"
Harry podia e o fez. Dean estava enojado pelos olhares ansiosos de todos enquanto se alimentavam dos detalhes da aflição de seu amigo. Abutres.
"E ninguém sabe quem lançou essa maldição em você?"
"Não."
"Você tem alguma suspeita?"
"Não," Harry respondeu, parecendo bravo.
"Mas houve alguma acusação?"
"Houve algumas acusações. Nenhuma em que eu acredite."
"Houve acusações contra o Sr. Malfoy?"
"O Profeta Diário postou alguma coisa, sim."
"Eles mencionaram a relação entre o silêncio repentino do Sr. Malfoy com o início da maldição?"
Harry segurou sua resposta o máximo que pôde. "Eles mencionaram. Eu não acredito."
"Foi o que disse." Ela parecia estar adorando os olhares raivosos que Harry estava mandando a ela. "Sr. Malfoy é seu amigo. Você quer protegê-lo, não é?"
"Proteger não é a palavra correta. Eu quero que a verdade seja ouvida. Draco não lançou essa maldição em mim."
Ela sorriu maliciosamente, e lembrou Dean de Dolores Umbridge. "Você pode provar que ele não o amaldiçoou?"
"Não," admitiu. "Mas eu também não posso provar que você não me amaldiçoou. Então talvez você devesse estar respondendo a essas acusações também."
Dean torceu silenciosamente pelo jeito com que Harry estava tentando ficar no controle.
Mas a advogada não estava surpresa. "Eu te garanto, Sr. Potter, eu não lancei nenhuma maldição em você. Além disso, estou disposta a dizer isso sob Veritaserum, o que é mais que o Sr. Malfoy está disposto a fazer."
Dean ouviu Ron murmurar algo obsceno.
"Mas você está disposto a testemunhar por ele, e espera que carregue o mesmo peso que os outros. Como uma declaração de uma testemunha objetiva. Estou certa?"
"Sim."
"E talvez seja. Se você for uma testemunha objetiva, quero dizer."
A pergunta parecia incomodar Harry. Incomodava Dean, também.
"Estou sob Veritaserum. O que mais você quer?"
"Estou curiosa, na verdade, sobre o que quer ganhar defendendo o Sr. Malfoy."
Harry parecia confuso. "Não entendo o que quer dizer."
"Qual é seu relacionamento com o Sr. Malfoy?"
"Já disse, somos amigos."
"O Sr. Malfoy é, talvez, seu namorado?"
O murmúrio no salão aumentou em volume, então parou enquanto as pessoas esperavam a resposta.
"Não, eu não diria isso."
"Ele diria?"
O sorriso de Harry projetava mais ameaça do que prazer. "Bem, você terá que perguntar a ele. Não posso responder por ninguém a não ser eu mesmo, é claro."
"É claro. Sejamos mais específicos, então. Você e o Sr. Malfoy tiveram algum tipo de relação sexual um com o outro em, oh, digamos na última semana?"
O silêncio no salão era demais. Harry parecia chocado - inferno, a maioria do Wizengamot e certamente todos na audiência estavam chocados. Pela primeira vez, Dean estava envergonhado do Ministério e horrorizado com o que estavam dispostos a fazer para ganhar.
Harry foi forçado a responder. "Sim. Eu não sei o que isso tem a ver com o caso do Ministério."
A resposta dela foi abafada pelos sussurros da multidão enquanto confirmavam que sim, era verdade, Harry Potter acabou de admitir ter transado com Draco Malfoy. O repórter do Profeta Diário parecia ter morrido e ido para o céu.
"Você sabia disso, Dean?" Seamus sussurrou.
"Não. Mas não me incomoda," ele respondeu. "Me incomoda muito mais saber que o Ministério acabou de revelar a sexualidade de Harry para pegar o dinheiro do Draco."
"É," Seamus concordou. "Você acha que eles estavam seguindo o Malfoy? Devem ter estado."
A advogada não tinha terminado. "Estou meramente sugerindo que talvez você tenha razões para defender o Sr. Malfoy tão veemente. O Wizengamot merece saber todos os fatos desse caso."
Harry parecia irritado agora. "Então talvez eles deveriam saber que não me envergonho de nada que fiz com Draco. Ele é um herói de guerra, e não fez nada de errado a não ser ficar no seu caminho enquanto tenta roubar o dinheiro dele. Talvez o Wizengamot devesse saber que o Ministério acha que está no direito de falir Draco Malfoy porque ele é gay."
"Sr. Potter, esse caso é sobre Lucius Malfoy, não seu filho."
"Eu não acho que ninguém mais acredite nisso. Eu nunca esperava que o Ministério fosse tão baixo. Vocês devem ter posto uma câmara no meu quarto para nos espiar. Então me diga, conseguiu o que queria?" Dean reconheceu o olhar raivoso de Harry; aquele que aparecia antes de ele perder o controle. "O Menino-Que-Sobreviveu transou com Draco Malfoy. E continuará a fazê-lo, por falar nisso, se ele não estiver muito irritado comigo depois que eu declarei tão dramaticamente que ele é gay." Ele olhou para Draco com um sorriso de desculpa. "Desculpa, Draco. Eu não acho que poderíamos ter previsto isso, mas mesmo assim..."
Dean - junto com todos no salão - viram Draco dar um fraco sorriso como resposta. A admissão da traição de Dean certamente iria viria um pequeno parágrafo no meio da história mais sensacional do caso de Harry e Draco.
Harry encarou os dois advogados sem um traço de remorso. "Já acabaram? Posso me sentar?"
Ele nem esperou por uma resposta e voltou ao seu assento.
909090909090909090
O Wizengamot se retirou para deliberar. Os advogados de Draco os haviam liderado até um cômodo privado de conferências, longe dos repórteres.
Dean se jogou em uma cadeira, grato por estar longe do tumulto. Draco sentou em silêncio, parecendo vazio de emoções, enquanto Harry tinha energia suficiente para três bruxos. Ele e Snape estavam agitados, ganhando absolutamente nada.
"A única pessoa a quem devo desculpas é Draco," Harry disse com irritação ao professor. Ele virou na direção de Malfoy e falou diretamente. "Desculpe por ter piorado tudo. Eu não tinha idéia de que eles iriam perguntar sobre... sobre nós. Inferno, só existe um nós por dois dias." Ele se dirigiu ao advogado de Draco. "Você acha que fiz muito dano?"
Redmund respondeu, profissional em cada palavra. "É difícil dizer, Sr. Potter. Por um lado, o Wizengamot é o grupo mais conservador da comunidade conservadora. Mas por outro lado," ele hesitou, "é de você que estamos falando. Eles têm mostrado uma tendência recente de, como posso dizer, perdoar seus pecados."
Harry parecia horrorizado mas conseguiu manter sua voz neutra. "Não estou envergonhado."
Redmund continuou como se Harry não tivesse interrompido. "E mantenha em mente que sua admissão, embora seja novidade para certa audiência, não tem relação com a validade do caso do Sr. Malfoy. Acredito que a maioria dos membros do Wizengamot são prudentes o suficiente para ignorar a relação de vocês, não importa o quanto desaprovem dela."
Snape interrompeu. "Então você acha que nada realmente mudou no caso." Ele parecia enojado por Potter ter sido perdoado pelo seu testemunho, o que Dean achou que não estava longe da verdade.
"Provavelmente não. Mas ainda resta considerar quanto o Ministério precisa desse caso para causar um precedente de punições adequadas aos Comensais da Morte. Esse caso é apenas o primeiro, embora o mais importante, das tentativas do Ministério para apropriar patrimônios daqueles que consideram traidores."
"Então é tudo política," Harry praticamente cuspiu a palavra.
Redmund parecia surpreso. "É claro que é, Sr. Potter. Eu achei que entendia isso."
Seamus tinha conseguido chegar até Dean, que estava sentado em um canto da sala. "Você está bem, cara?" ele perguntou, e puxou uma cadeira para sentar-se.
"Tô. Eu acho. O Veritaserum ainda está fazendo efeito."
O sorriso de Seamus aumentou. "Ei, Dean, talvez não devesse ter me dito isso. Vejamos, como posso usar isso ao meu favor? Eu poderia perguntar se você está transando com o Malfoy também - ou Harry, quem sabe - mas eu realmente não quero saber."
"Cuidado, Seamus. Eu ouvi dizer que vingança é uma sacana." Ele pausou deliberadamente, então adicionou, "E a resposta é não. Para ambos."
Seamus riu. "Quanto tempo você acha que eles vão levar? Droga, odeio esperar."
"Não faço idéia. Eu nem sei se uma longa espera é boa ou ruim."
"Malfoy está com a aparência horrível agora, não está?"
"É," Dean concordou. "Nem consigo imaginar como ele está se sentindo. Já é ruim estarem atrás da casa e de todo o dinheiro dele, mas aí esse caso com o Harry vem à tona, também."
"E que notícia, hein? O Profeta vai ter que fazer uma edição especial. E então arranjar corujas muito fortes para entregar tudo. Todos que conheciam eles na escola com certeza vão ter um ataque cardíaco quando lerem o jornal amanhã."
Seamus parecia querer dizer algo mais, mas não disse.
"O que foi? Desembucha logo."
"Bem, eu só ia dizer que estou feliz que depois de toda essa história de Malfoy e Harry... bem, a nossa história não vai ser tão grande assim."
Ele pensou nisso por um minuto, e respondeu, "Eu sei. E a verdade é que o que eu fiz com você foi pior do que qualquer coisa que o Draco e Harry poderiam ter feito."
"Não diga isso. Já aconteceu e foi esquecido." Seamus sorriu, um sorriso que lembrava os que ele dava depois de uma noite difícil na guerra. "Vamos lá, Dean, nós somos amigos há muitos anos para deixar algo entre nós. A guerra faz coisas estranhas com as pessoas. E se me lembro bem - e eu me lembro agora, muito obrigado - você tinha acabado de levar a maior surra por um monte de Comensais. Então você não estava pensando tão claramente, certo?"
Ele concordou com relutância, mas estava grato. Pela primeira vez, sentiu-se convicto da sinceridade de Seamus ao perdoá-lo. Agora, Seamus estava estendendo uma mão a ele, e ele a pegou sem hesitação, puxando seu amigo para um abraço.
"Vá com calma, Dean. E pelo amor de Deus, não fique sentimental e comece a me beijar ou nós vamos parar na primeira página, afinal de contas."
Hermione tinha alcançado eles naquele momento; ela ouviu o último comentário e riu.
Seamus agarrou o braço dela e colocou ao redor dos ombros de Seamus, para a surpresa dos dois. "Rápido, ele precisa de um antídoto de heterossexualidade antes que as coisas saiam de controle."
Dean riu, mas secretamente gostou de estar tão perto de Hermione antes de se separarem.
"Eu estava pensando se você gostaria de ir comigo pegar um chá?" ela perguntou.
Ele estava com a boca seca por causa da poção, então concordou sem hesitação.
"Vão, vão. Tragam-me uma xícara - vocês sabem como eu gosto." Seamus disse.
Ele seguiu Hermione fora do quarto. Felizmente, os repórteres não perceberam a escapada e eles conseguiram chegar até o fim do corredor sem serem molestados. Estava grato por Hermione saber a estrutura do prédio - ele brevemente imaginou onde seria o escritório dela nesse labirinto gigante. Ela o levou até um cômodo que funcionava como centro de refrescamento. Ela rapidamente fez um feitiço para preparar três xícaras de chá enquanto ele ficou afastado, admirando a eficiência. Entre outros atributos.
Ela não fez nenhum movimento para sair. "É bom estar longe daquela pressão. Não estou com pressa para voltar, e você?"
"Não."
"Seamus é um doce, não é?" ela disse, mudando de tópico abruptamente.
Torcia para ela se lembrar de que ele ainda estava sob o efeito do Veritaserum, "Sim, ele é."
Ela se inclinou na pia e tomou um gole de seu chá quente. "Olhe, eu sei que testemunhar para Malfoy foi difícil para você hoje. Eu não sabia do que tinha acontecido entre você e Seamus na guerra até essa tarde. Mas eu acho que te conheço. Bem, pelo menos um pouco. Posso dizer que você esta sofrendo por causa disso, e provavelmente tem sofrido desde que aquilo aconteceu. E eu sei como é isso."
Ele imaginou aonde ela estava levando essa conversa, mas já que ela não tinha perguntado nada, estava feliz em apenas escutar.
"Eu queria te dizer... Bem, eu iria contar alguma hora, de qualquer jeito. Assim você não iria ficar sabendo por fofocas. Eu não tenho certeza de quem sabe disso, mas quero que você seja uma dessas pessoas."
Ele sorriu, encorajando-a e tentando deixá-la confortável.
"Bem, você sabe que eu e Ron ficamos juntos por um tempo durante a Guerra. Nenhum segredo. Eu acho que todo mundo já tinha adivinhado, de qualquer jeito." Ela sorriu rapidamente. "Pessoas sendo pessoas e tudo mais."
"Ou Grifinórios sendo Grifinórios."
"Eu não sei se você imaginou o motivo da nossa separação. Mas foi feio. E tudo minha culpa." Ela suspirou e levou um minuto para se compor.
"Tenho certeza de que não foi tudo sua culpa, Hermione," ele começou, mas ela o interrompeu.
"Você é gentil de dizer isso, mas me escute. Se você tinha alguma ilusão em que eu sou completamente nobre e virtuosa, elas estão prestes a serem quebradas. Eu sou tão humana quanto qualquer um." Ela olhou para baixo nervosamente antes de continuar. "Bem, o que aconteceu foi que eu traí o Ron. De uma maneira espetacular e arrasadora, também. Deus, ainda é difícil de falar nisso, sabe?"
Ele se aproximou dela e tocou seu braço gentilmente. "Você não precisa me contar se não quiser."
"Não, eu preciso. Deixe-me terminar minha história sórdida. Tinha sido uma semana horrível - não que isso sirva de desculpas. Foi na semana em que Lavender foi morta, você se lembra? Ron tinha sido chamado, e eu não o via há uma semana. E então eu encontrei o irmão dele, Charlie. Para encurtar a história, eu acabei dormindo com ele. Álcool estava envolvido, caso você se pergunte por que eu não bebo mais. E Ron descobriu. Chocante, não é?"
Ele foi forçado a responder. "Sim." Ele parou, então adicionou, "Hermione, lembre-se que ainda estou sob Veritaserum. Eu não queria ser tão grosso."
Ela parecia ter esquecido. "Desculpe, Dean. Serei mais cuidadosa."
"Tudo bem."
"Então Charlie foi morto não muito depois, antes que ele e Ron pudessem se ver novamente. Então Ron estava sofrendo por causa dele e ao mesmo tempo furioso com ele, e qualquer reconciliação possível entre os dois estava perdida para sempre. Foi uma confusão terrível."
Ele disse a primeira coisa que veio à mente. "Sinto muito. Por todos vocês, na verdade."
Ela respondeu com um sorriso cheio de tristeza. "Obrigada. Não que eu mereça. De qualquer jeito, eu não queria transformar isso em algum tipo de competição - sabe, 'Você acha que é ruim, deixe-me contar como eu sou.' Nada disso. Mas eu queria dizer que eu entendo como é trair alguém que você gosta."
"Mas você e Ron são amigos agora."
"Sim, nós conseguimos salvar isso, pelo menos. E sou grata, não me entenda errado. Mas demorou muito, e nós dois tivemos que crescer, rápido. Ron me perdoou, mas foi difícil. Difícil para ele e para mim, ambos."
Ele não sabia o que dizer.
Hermione parecia perdida em pensamento. "Honestamente, olhando para trás, sabendo o que eu sei agora, eu acho que era uma questão de tempo para nos separarmos. Nós não éramos muito compatíveis como um casal. Como amigos, sim. Praticamente crescemos juntos, e Ron é mais como um irmão para mim. Eu não via isso naquela época."
Ele tomou um longo gole de chá. "Eu posso entender isso. Conhecendo vocês."
"Então ficar juntos foi provavelmente uma má idéia. Mas a separação poderia ter sido bem menos dolorosa se eu não tivesse traído ele daquela maneira."
"Então temos mais isso em comum."
Hermione sorriu. "Além de arte, você quer dizer?"
"Sim."
"Sabe, tem uma razão que eu queria que você ouvisse essa história de mim. Eu não preciso de nenhum fantasma me assombrando. Eu não quero começar a esconder coisas de você. Mas se puder me perdoar, eu acho - bem, para ser direta, eu acho que possa haver um futuro. Para nós - se você quiser." Ela virou a face para encará-lo. "E estou perguntado. Deliberadamente. Você quer, Dean?"
Ele nem tentou esconder seu prazer. "Bem, em primeiro lugar, você não fez nada que precise do meu perdão, Hermione. E em segundo lugar, sim. Eu quero. Na verdade, eu quero muito."
Ele estava olhando para baixo de sua altura avantajada. Colocando suas mãos na cintura dela, ele a ergueu para que ela sentasse na pia, e ele pôde encará-la diretamente nos olhos. Não disse nada, mas se aproximou, sentindo a respiração acelerada em seu rosto quando se inclinou para beijá-la gentilmente. "Eu quero você demais."
"Isso é tudo que eu precisava ouvir," ela respondeu, e se pressionou no abraço apertado. Ele entrelaçou seus dedos no cabelo dela, inalando o aroma, enquanto os lábios deles expressavam quanto exatamente eles queria se tocar, sentir, dividir seus segredos.
Depois de um tempo, ele perguntou, "Por que não me disse como se sentia antes?"
Hermione riu enquanto olhava ao redor do cômodo de refrescamento. "Bem, ao contrário do que pensam de mim, eu não planejo tudo nos mínimos detalhes. Acho que me empolguei um pouco."
Ele sorriu. "Não estou reclamando."
"Nem eu. Estava tentando levar as coisas devagar. Mas eu me sinto confortável com você, Dean. Eu acho que pode dar certo."
Ele sentiu uma vontade imensa de capturar novamente a boca dela na dele, e eles relaxaram nos braços um do outro. Ele pegou o queixo dela, então massageou gentilmente a pele como se ela fosse um inesperado e delicado tesouro.
Ela finalmente separou com um suspiro. "Deus, esse foi um dia estranho - bom, mas estranho. Acho que as coisas acabaram de melhorar. Bem, para nós, pelo menos. Espero que melhorem para Malfoy, também."
Ele voltou à realidade daquela tarde, algo que parecia tão remoto um minuto atrás. "É melhor voltarmos."
Hermione se apoiou nos ombros de Dean e pulou da pia em um movimento gracioso. "Deixamos o chá de Seamus esfriar. Acha que ele vai perceber se o enfeitiçarmos?"
"Seamus? Está brincando? Você não acreditaria nas coisas que já vi ele beber."
0909090909090909090909090
Quase duas horas de espera do quarto estavam cada vez mais claustrofóbicas e Dean estava quase gritando. A maioria da conversa havia cessado; qualquer conversa era sussurrada como se estivessem em uma igreja.
Houve uma batida na porta e quase todos se assustaram com o barulho inesperado. Uma voz desconhecida disse do outro lado. "O Wizengamot chegou a uma decisão."
Seu coração acelerou e seu estômago deu reviravoltas. Pelo menos eles saberiam do resultado em alguns minutos.
Entraram no salão silenciosamente, e voltaram aos seus assentos. Eurybiades Tabernash, preparando-se para falar pelo Wizengamot, desenrolou um pergaminho impressionante e começou a ler em uma voz declarativa e alta. Houve a esperada introdução grandiosa, agradecendo as testemunhas, e então foram ao coração do assunto.
"Por serviços prestados ao Ministério e ao mundo mágico, nós recompensamos o apartamento em Londres e uma renda fixa a Draco Malfoy, cujos detalhes serão entregues ao seu advogado. No entanto" - com essas palavras, o coração de Dean afundou - "nós declaramos o patrimônio de Lucius Malfoy propriedade do Ministério da Magia."
Uma explosão de sons recebeu esse pronunciamento, e caos invadiu a platéia que estivera composta até aquele instante. Dean sentou chocado, incapaz de aceitar o que tinha escutado. No meio da confusão, ouviu Harry gritar obscenidades ao Wizengamot e viu ele arrancar a Ordem de Merlin de seu peito e jogar na mesa dos membros. Mas era Draco que ele queria ver. Redmund estava segurando o braço de Draco com força, embora Draco não mostrasse sinais de movimento. Seu rosto era uma imagem de derrota; Dean nunca tinha visto alguém parecer tão perdido e chocado.
Anos depois, havia duas imagens que ele carregaria com ele desse dia - a expressão doce no rosto de Hermione quando ele a beijou pela primeira vez, e a desolação nos olhos de Draco Malfoy quando ouviu as palavras retirando a última coisa que mantinha sua vida de pé.
