Alguns dias se passaram e ambos não comentaram o acontecido com Kurt. Kurt, porque morria de vergonha, e Blaine porque se culpava pelo que havia acontecido.

Blaine estava arrumando o dormitório, pois sabia o quanto Kurt se irritava quando ele deixava as coisas espalhadas. Como Kurt teria aulas o dia inteiro, ele pensou que seria legal fazer esta surpresa e deixar o dormitório exatamente do jeito que Kurt gostava.

Ele limpou o chão, as escrivaninhas, o banheiro. No final, estava exausto e sentou-se em sua cama. Porém, algo chamou a sua atenção. Embaixo da cama de Kurt havia um caderno vermelho. Era o caderno vermelho onde ele via Kurt escrever quase todos os dias. Blaine não sabia do que se tratava. Uma vez perguntou a Kurt e ele disfarçou, dizendo que era um caderno de rascunhos para a Universidade.

Blaine o pegou do chão para colocar em cima da mesa. Ele queria muito saber o que havia lá, mas não queria invadir a privacidade de Kurt. Porém, quando o estava colocando na mesa, uma folha que estava solta no caderno caiu no chão. Blaine foi pegá-la e não pôde deixar de ler o que estava escrito nela.

"B. me frustra. Eu sei que ele passou por momentos difíceis na vida, mas às vezes é difícil compreender porque ele coloca uma barreira tão grande entre nós.

Para alguém que fica com tantos caras sem nem pensar duas vezes, ele deveria pelo menos tentar. Não sei porque fui me interessar pela única pessoa no mundo que não consegue ter nada comigo! Eu só queria um beijo, será que é pedir demais?

Ele já beijou tantos caras, fez coisas piores com outros homens! Qual é o problema dele?

Não sei até quando vou aguentar isso. Eu quero esperar por ele, mas está cada dia mais difícil.

Droga Blaine Anderson, eu te odeio."

Blaine ficou horas parado, segurando aquela folha de papel em suas mãos, com o coração apertado. Então era isso o que Kurt pensava sobre ele; que ele era uma pessoa promíscua. E pior, ele estava começando a odiá-lo. Não havia nada pior que ele pudesse saber naquele momento.

Quando Kurt voltou para o dormitório e encontrou Blaine sentado, rígido na cama, ele sabia que havia algo errado. Ele sentou em sua cama e ao olhar com atenção, percebeu a folha que estava nas mãos dele. Ele entrou em pânico e olhou atentamente para Blaine, que o olhava tristemente.

"B., o que é isso que está em sua mão?"

"Você sabe" disse Blaine, sério.

Kurt não conseguiu responder e olhou para o chão.

"Então é isso o que você pensa sobre mim" afirmou Blaine.

"Não. Não é isso!"

"Então por que escreveu?" perguntou Blaine, com raiva.

"Porque eu estava com raiva! Eu estava irritado! Foi uma coisa de momento! Eu não quis dizer nada disso, você tem que acreditar em mim! Veja! A folha estava rasgada por um motivo! Eu a arranquei do caderno assim que escrevi, porque aquilo não era verdade!" suplicava Kurt.

"K., você realmente sente isso, eu sei..." sussurrou Blaine, cansado.

"Não! B. eu já disse que isso não é verdade!"

"Você realmente... está começando a me odiar?"

"B., nunca! Você é a minha pessoa preferida no mundo!" disse Kurt, saindo da cama e ajoelhando-se na frente de Blaine.

"Não sou. Não posso ser"

"Você é! Por favor, não leve a sério o que um jovem virgem escreveu em um momento de raiva" disse Kurt, tentando rir. "eu não consigo odiá-lo nem por um minuto. Você é corajoso, leal, realmente incrível! Eu não poderia pensar em pessoa melhor para ter em minha vida"

"Eu quero. Eu quero muito beijar você K." disse Blaine, olhando profundamente nos olhos de Kurt "Mas eu quero que o seu primeiro beijo seja perfeito para você. Que seja mágico"

"B., não existe a fórmula do beijo perfeito. Quando a gente se beijar, vai ser perfeito. Tendo você planejado ou não isso. Eu sei que nada foi perfeito para você na sua vida, mas para mim, basta que o meu primeiro beijo seja com você, que ele já será perfeito"

"Eu queria muito beijá-lo agora, mas não consigo"

"B. mas e se EU beijá-lo agora?" perguntou Kurt, com a voz tremida. Ele olhou para Blaine e viu a compreensão em seus olhos. Kurt não acreditava no que estava fazendo. Sua mente dizia que ele estava louco, mas o seu coração dizia que não havia momento certo, mas pessoa certa, e ali estava Blaine, o cara certo.

Os dois ficaram parados por um momento, sem se mexer. Então Kurt, nervosamente, começou a aproximar seu rosto, lentamente. Seu coração batia rápido e ele não sabia o que fazer. Eles começaram a sentir a respiração quente do outro, e seus lábios se encontraram. Kurt não fazia ideia da sensação que seguia à um beijo. Todo o seu corpo respondia a isso loucamente. Seus lábios se moviam ao longo da boca do outro. Uma inundação de prazer percorreu Kurt e ele soltou um pequeno gemido. Blaine então coloca uma de suas mãos na cintura de Kurt, puxando-o para mais perto e a outra ele coloca no rosto de Kurt. Quando Kurt menos esperava, Blaine lambe o lábio inferior de Kurt, que instintivamente abre sua boca deixando a língua de Blaine mergulhar nela. Kurt geme mais uma vez quando suas línguas se encontram e Blaine também solta um gemido, o que faz o beijo ficar ainda mais intenso. Blaine acaricia o rosto e os cabelos de Kurt, e o beijo, apesar de intenso, é lento e perfeito. Exatamente como um primeiro beijo deve ser. Blaine queria experimentar cada parte da boca de Kurt. Seu coração estava batendo como nunca antes havia batido e ele não queria que esse momento acabasse. Eles se beijam profundamente, até precisarem se afastar para respirar. Eles encostam a testa na testa do outro e sorriem.

"Viu? Foi perfeito..." foi a única coisa que Kurt conseguia dizer, ainda ofegante.

"Eu nunca beijei alguém desse jeito"

"Nem eu" disse Kurt e ambos riram.

"B., tenho certeza que esse foi o melhor primeiro beijo que uma pessoa já teve. Obrigado"

"K. você foi o meu melhor beijo"

"O que faremos agora?" perguntou Kurt.

"Podemos assistir a um filme, o que acha?"

"Me parece legal" sorriu Kurt.


A ideia de assistir a um filme havia sido boa, mas eles não contavam com o desejo que ia se seguir após o beijo.

Eles começaram a assistir ao filme na cama do Blaine, como sempre faziam, mas nos dois primeiros minutos Kurt já estava louco de vontade de beijar Blaine novamente. Blaine também não conseguia se segurar e quando olharam um para o outro, foi como se fossem imãs... os dois automaticamente se beijaram. Blaine segurava o rosto de Kurt e Kurt colocava suas mãos na cintura de Blaine. Este beijo foi mais urgente, mais faminto do que o primeiro. Eles já sabiam o gosto da boca do outro e queriam cada vez mais.

"Você tem um gosto maravilhoso" disse Kurt, quando estavam sentados abraçados, na cama.

"Você também. Seus lábios são tão macios, tão perfeitos" Blaine dizia, enquanto passava o dedo no contorno da boca de Kurt, fazendo Kurt se arrepiar com o toque.

"Eu não imaginava que beijar fosse tão maravilhoso" confessou Kurt, ficando vermelho.

"Você não imagina o quanto estou feliz por você ter gostado" riu Blaine, enquanto se aproximava novamente dos lábios de Kurt. "Seus lábios são como uma droga para mim, agora que eu experimentei, parece que eu nunca tenho o suficiente. Eu só quero mais e mais..." disse, enquanto beijava a boca de Kurt, que automaticamente se abriu para receber a língua de Blaine, que percorreu todo o espaço da sua boca, como se ela o pertencesse.

Os dois permaneceram aos beijos durante longos minutos até Kurt se afastar para respirar um pouco de ar. Eles estavam ofegantes e mal conseguiam falar.

"B... nós temos... aquela festa para ir hoje" disse Kurt, ofegante.

"É verdade. O aniversário de Chris"

"Então acho melhor nós começarmos a nos arrumar se não quisermos ser os últimos a chegar" riu Kurt, dando um pequeno beijo nos lábios de Blaine e levantando-se para se arrumar.


Eles foram até o dormitório do 3° andar, onde aconteceria a festa e logo foram recebidos por Chris.

"Kurt! Blaine! Que bom que vocês chegaram! Sintam-se à vontade!"

Os dois sorriam e agradeceram, entrando no dormitório que já estava cheio de pessoas com bebidas nas mãos. Eles viram os seus dois amigos, Paul e Sam no canto e foram em sua direção.

"Oi pessoal" disse Blaine.

"Olá!"

"Nós jurávamos que vocês não viriam" comentou Sam.

"Vocês não são muito de festa" complementou Paul.

"Vocês sabem, é aniversário do Chris. Então não podíamos deixar de vir" explicou Blaine.

"Não importa o porquê, o importante é que vocês vieram e nós vamos nos divertir!" gritou Sam, pegando dois copos de bebida e entregando a Kurt e Blaine.

Os dois se olharam e riram. Sam gostava de pegar pesado em festas, mas eles não iriam na dele.

"Vocês sumiram nos últimos dias. Então me contem o que há de novo?" perguntou Paul.

Kurt sorriu e estava louco para contar a novidade, mas antes que dissesse algo, Blaine respondeu: "Nada de novo. Pelo menos, nada de importante"

Kurt ficou em choque olhando para Blaine, que não o olhou nos olhos, continuando animadamente sua conversa com Paul e Sam. "Será que ele não queria que eles soubessem de nada?" pensou Kurt, que ficou calado durante a maior parte da festa.

"K, está tudo bem?" perguntou Blaine, vendo que este silêncio não era normal.

"Estou" mentiu Kurt.

Ele não conseguia pensar em outra coisa além da dúvida do que se passava na cabeça do Blaine. Então, resolveu arriscar e esticou sua mão para dar as mãos com o Blaine. Assim que seus dedos encostaram nos de Blaine, ele retirou sua mão e a levou, disfarçadamente, aos cabelos. "Então é isso. Ele não quer que ninguém saiba de nós dois".

Kurt não disse mais nada o resto da festa, apesar dos outros três ficarem a toda hora tentando puxar algum assunto com ele. Quando já não aguentava mais, disse que estava com dor de cabeça de voltou ao seu dormitório.

Dez minutos depois Blaine já estava de volta também. Kurt já havia vestido o seu pijama e lia em sua cama.

"Você já voltou?" perguntou Kurt, sem tirar os olhos do livro.

"Sim. A festa sem você não tem graça. Já melhor da dor de cabeça?" perguntou Blaine, aproximando-se para sentar na cama de Kurt.

"Não"

"Ei, olhe para mim. Quer que eu pegue algum remédio para você?" perguntou, colocando sua mão em cima da mão de Kurt.

"Sério? Que merda você está fazendo?" perguntou Kurt, tirando os olhos do livro pela primeira vez e olhando com raiva para Blaine.

"O que aconteceu?" perguntou Blaine, assustado, sem entender o que estava acontecendo.

"Como você pode me perguntar isso?"

"Eu não estou te entendo K. Não sei..."

"... NÃO SABE? NÃO TEM NADA DE IMPORTANTE ACONTECENDO NA SUA VIDA? É ISSO O QUE EU SIGNIFICO PRA VOCÊ?"

"Oh, isso! K... não foi isso o que quis dizer naquela hora" tentou explicar Blaine, gaguejando de nervoso.

Kurt respirou fundo, tentando se controlar. "B., eu achei que o que nós tínhamos era especial"

"Mas é K! É!"

"Por que você não disse a eles que nós estamos juntos? Por que você tirou sua mão quando eu dei a minha?" perguntava Kurt, com um nó na garganta por segurar o choro.

"K..." Blaine deu uma pausa "Eu... eu não sei. Eu fiquei com medo"

"Medo de quê? Os garotos já viram você várias vezes com outros caras! Você nunca escondeu isso de ninguém! Você tem vergonha de estar comigo?" perguntou Kurt, que agora começava a chorar.

"Não! Me desculpa K. Eu fiquei com medo. Medo porque... apesar de terem me visto com outros caras, eu nunca fui namorado de ninguém. Eu nunca apresentei ninguém como meu namorado. Eu nunca estive apaixonado antes. Então tudo isso me assusta tanto! Eu tenho tanto medo! Eu sempre achei que eu não merecia que algo tão extraordinário acontecesse comigo, depois das coisas que passei. Mas eu preciso que você me perdoe"

Kurt não disse nada, apenas ficou olhando para Blaine, que estava mais nervoso do que nunca. "K., por favor, diga alguma coisa. Me desculpa"

"Você... você acabou de dizer que nunca esteve apaixonado antes... isso quer dizer, que você..."

"Quer dizer que eu estou loucamente, perdidamente apaixonado por você, K. Me desculpa por hoje"

Kurt sorriu docemente e colocou suas mãos na face de Blaine, beijando-o. "Eu não vou te desculpar, B, e não irei te apressar. Eu que tenho que te pedir desculpas por ter colocado muita expectativa em tudo isso"

"Não K, eu sei que errei" disse Blaine, apoiando sua cabeça no ombro de Kurt.

Kurt o abraçou e afagou os cabelos de Blaine. Uma lágrima escorreu pelo rosto de Kurt, uma lágrima que representava a dor de Kurt em saber o quanto Blaine sofria pelo que havia acontecido com ele anos atrás. Um acontecimento que Kurt tinha medo de nunca conseguir fazê-lo superar. A única coisa que ele queria é que Blaine fosse feliz, e saber que o seu coração estava tão perturbado, o fazia querer trocar de lugar com Blaine e sentir a dor em seu lugar.


Continua...