- Ok! Ok! E agora, Puroromon?

Os digimons observavam a situação: Mais uma vez ficaram presos em um caminho sem saída.

O tempo corria contra ele e seu parceiro. As coisas estavam começando a ficar cada vez mais difíceis.

- E agora?

- Você não sabe falar? – suspira.

O digimon apenas o olhava, em silêncio.

- Espero que o Daisuke esteja bem.
- Eu não devia ter deixado ele cometer uma loucura dessas! Eu não devia deixar que ele fizesse isso sempre! Ele é meio cabeça dura e faz tudo do modo mais difícil.
- Mas... é isso que o torna tão diferente dos demais. É isso que o torna especial.
- Eu acho que... eu devo voltar e...

- EI, V-MON! – ecoou uma voz pelo corredor.

- Ahn? – olha para trás, vê uma silhueta se aproximando – Daisuke? Daisuke, você está bem? O Liamon...
O menino para na frente do parceiro, meio ofegante. Assim que recupera o fôlego, diz: - Está tudo bem, ok? Liamon entendeu que não somos inimigos. Aliás ele me deu a chave que abre a ala secreta.
A chama em seu olho se apaga, e ele volta ao tom normal de sua voz: - Naquela sala tem um "objeto com poder", e se entregarmos para a Yami ela poderá sair do castelo.
- C-como assim?
- Parece que a Yami não é uma pessoa bondosa. Se aquilo cair nas mãos dela... Talvez aconteça algo terrível.
- Sua voz mudou e... aquela chama sumiu – notificou.
- Ahn? V-mon, não temos tempo pra isso! E então... Por que pararam aqui?
- Porque... não há mais saída.
- Não? – piscou os olhos, perplexo.
- Puroromon deve ter se enganado...
- Não pode ser. Não temos tempo pra errar o caminho! Ou ficaremos presos aqui para sempre, lembra? – bufou.
- Calma, Daisuke! Eu sei disso! Nossa única opção ou é procurar uma passagem secreta ou voltarmos.

Daisuke ignora V-mon e sai vasculhando as paredes da sala. Depois o teto e chão.
Os digimons se entreolham, afinal já tinham feito isso antes do escolhido os alcançar.

- Dai...
- Shh! Eu acho que achei alguma coisa aqui.
- Achou? – olhou para ele, confuso.
- É, bem aqui.
- Onde?
- Aqui.
- Não tou vendo.
- BEM AQUI, V-MON!
- ONDE, EU SÓ TOU VENDO UM PONTO PRETO NESSE TIJOLO PERTO DO CHÃO!
- ... – o menino faz um facepalm.
- Espera, ponto preto?
- Descobriu a pólvora... *gota*
- Então, como vamos... sei lá, passar por aí?
- A questão não é essa, V-mon... Tem algum grampo de cabelo aí?
- Erm... grampo?
- Esquece. Vê se consegue usar sua unha aqui.
- Esperaí, por que você não usa a SUA unha?
- ... O ponto tem o mesmo tamanho da sua, então é óbvio que tem que ser você. Ou acha que eu não teria usado a minha?
- Podia quebrá-la nisso.
- Quer parar com esse papo de menina e vir aqui logo?
- Se quebrar vai ver, ouviu?
- Eu te pago uma manicure... – debochou.
- Haha, engraçadinho... – deu uma resposta seca ao parceiro.

O azulzinho se aproximou do suposto ponto, que na verdade era uma fechadura.
Colocou sua unha do dedo indicador no buraco.

'Click'

- Eh? Dai-chan, parece que...
- Eu ouvi. Mas... estou com um pressentimento...
- Se isso ativa uma porta... Onde ela está?

A dupla troca olhares e depois miram para o chão.
Sim. É o que você está pensando.

- V-mon...
- O que?
- Da próxima vez... vamos ficar deitados no parque sem fazer nada, ouviu?
- É, também acho uma boa *gota*

E caem em um abismo. Aquela era a passagem secreta.
Puroromon os segue, voando.

- A GENTE VAI ! EU DEVIA TER FICADO PERTO DO DAISUKE AO INVÉS DE TER IDO TOMAR UM AR FRESCOOOOOOOOOO!
- CALA A BOCA, V-MON! NÓS NÃO PODEMOS MORRER! NÓS SOMOS OS PRINCIPAIS! E também se eu morrer agora nunca irei conquistar a Hikari-chan!
- TU TÁ PENSANDO NA HIKARI ENQUANTO NÓS ESTAMOS CAÍNDO?
- EVOLUA, V-MON! OU JÁ ERA!
- AINDA NÃO TENHO FORÇAS! É O FIIIIIIIM!
- Chega de DRAMA, cara! Nós temos que... – sua voz muda mais uma vez, e a chama volta a se acender em seu olho esquerdo – SAIR DAQUI!

O Goggle Boy se atira pra frente e pega V-mon no colo. Logo toma impulso da parede e sai repetindo o feito até chegarem ao chão.

O seu digimon, que foi tomado pelo pânico e fechou os olhos antes mesmo do amigo pegá-lo, continua tremendo, temendo a morte, temendo o pior.

- V-mon... pode abrir os olhos. Nós já estamos no chão.
- M-morri?
- Não. Estamos vivos.
- V-vivos? – abriu os olhos e fitou no rosto dele.
- E digamos que... não demorou muito... Deve ter sido só uns dois andares de descida.
- Daisuke... aquela chama voltou e a sua voz tá mais séria... – piscou os olhos, confuso.
- Bom, cadê o Puroromon? Ele não deve ter se perdido...

E ele estava lá, no ombro do escolhido mais uma vez.
Saiu voando dali e chamou a atenção dos dois, indicando um caminho.

- Ah, parece que ele está bem... E quanto a você? Tá meio... branco.
- V-você também ficaria se... não estivesse com essa chama azul... Nós íamos morrer naquela queda!
- Chega de drama. Nem parece que te conheci ao ativar o Digimental da Coragem.
- Ei, ei! Eu não tenho medo! Foi só um susto! – resmungou.
- Sei, sei...
- ... Eu não...
- Vamos. Consegue andar?
- Claro que consigo!
- Então vamos. – coloca-o no chão e segue o digimon abelha.
- *sigh* Yami fez alguma coisa ao Daisuke... Não estou gostando nada disso... – segue-os.

Enquanto caminhavam pelo cenário, que ainda tinha os mesmos detalhes dos caminhos do andar anterior, o pequeno digimon azul se questionava.

"Por que aquele Liamon não nos falou antes das intenções da Yami?"
"Por que esse Puroromon está nos ajudando?"
"O que é essa tal chama azul no olho esquerdo do Daisuke?"
"Se a Yami não é uma pessoa boa... O que ela fez ao meu parceiro?"

As perguntas vinham conforme andavam. O silêncio se transformava em um tormento.
Apenas os seguia, fitando seus olhos vermelhos no escolhido. Em total preocupação com o que poderia ser aquela tal chama que estalava em seu olho.

- Acho que estamos chegando. – Motomiya quebrou a linha de raciocínio do dragãozinho, voltando-se ao mesmo – Algum problema, V-mon?
- Uh? Nada não...
- Não se sinta mal. Pode falar, estou aqui para te ajudar também.
- ... Tem idéia do que é esse tal... objeto? – tentou desviar o assunto.
- Não sei... Mas o Liamon disse que ele é poderoso.
- Acha que a Yami tem más intenções?
- ... Sim. Ele disse que se aquilo cair em suas mãos ela poderá sair do castelo.
- Então... Ela está presa aqui, certo?
- É o que parece. Se levarmos conosco o castelo irá desaparecer e ela não poderá nunca mais sair.
- Hm, então a Yami é a verdadeira vilã aqui?
- Sim.
- Então por que ela te deu esse "poder"?
- ... Ahn?
- Daisuke, isso pode estar nos ajudando AGORA, mas acha que isso não vai te prejudicar DEPOIS que conseguirmos o objeto?
- ... – o menino ficou pensativo, V-mon tinha toda razão. Yami poderia fazer alguma coisa contra eles caso não entregassem.
- É isso que me preocupa. Yami pode simplesmente fazer algo para pegar o objeto. Até te... controlar ou algo do tipo.
- É, eu sei disso. As coisas estão ficando cada vez mais difíceis, certo? Mas nós vamos dar um jeito, eu tenho certeza.
- É, pelo menos ele continua sendo o mesmo de sempre – pensou V-mon.
- Se tivéssemos como sair daqui sem passar por ela... Estaríamos livres.
- Mas a única saída é aquela porta, não é?
- Caso contrário... a gente fica aqui mesmo. Até pensarmos em como escapar.
- TÁ DOIDO? E SEUS PAIS? E OS OUTROS? E A HIKARI?
- ... Não vamos ficar aqui pra sempre, né? Ou prefere por em risco a Digital World inteira?

V-mon calou-se. O parceiro disse aquilo sorrindo como sempre. Mas o que o deixava angustiado era a preocupação dos outros em relação ao sumiço deles, caso não conseguissem sair daquele castelo com o objeto.

Ficou a difícil escolha:

Entregar o que Yami queria e ir pra casa, mas deixar a Digital World a mercê dela...

Ou ficar lá naquele castelo temporariamente, até descobrirem uma solução para o fator principal.

- Eu... eu não sei, Dai-chan...
- De qualquer forma, eu peço pro Taichi-senpai ou pro Ken inventarem alguma desculpa.
- Mas... eles não vão ficar preocupados contigo?
- Claro que vão. Mas eu tenho certeza que eles podem dar cobertura lá.
- Não acha que eles vão vir nos ajudar? Ou mandar alguém nos salvar?
- Relaxa. Se alguém vier... talvez nossas chances de escapar daqui aumentem.
- Hmmm...

Eles continuam andando e conversando.

Até que...

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!"

- Ouviu isso? – perguntaram um ao outro, em coro.
- Sim. Parece que tem mais alguém aqui. – concluiu o menino.
- Deve estar precisando de ajuda, vamos ver!
- Espera, V-mon... Temos que ir com cautela. Qualquer deslize e pode acontecer o mesmo problema que tivemos com o Liamon.
- Sim, você está certo, Dai... – respondeu – Dessa vez não vou deixá-lo se arriscar. Creio que tenho força suficiente para evoluir para XV-mon ou Fladramon... – pensou.
- Yosh... vamos lá.

Os dois saem correndo em direção do grito, acompanhados por Puroromon.

...

- P-por favor, não me m-mate! Eu não q-queria te p-perturbar!
- Kwaa...
- P-por favor! – fecha os olhos, desesperado.
- Kwaa scizz!
- AAAAAAAAAAAAAAAH!

O imenso digimon, um inseto vermelho com pinças enormes e garras afiadas, preparava para atacar um pequeno digimon larva branco.

- Eu... Eu vou m-morrer! – coloca as patas dianteiras em sua cabeça, se protegendo.
- KWAA! – o digimon avança com suas garras pra cima da vítima.

Até que...
Algo o atinge e o atira contra a parede daquela sala. Um ataque frontal duplo.
Uma cabeçada... E um soco.
Vindos de dois vultos.

O pequeno albino olha e vê...
Um humano, um digimon dragão azul e um digimon abelha.

- Você está bem? – perguntou o menino, se voltando a ele.
- S-Sim... Q-quem... são vocês? – perguntou.
- Eu sou V-mon, ele é o meu parceiro, Daisuke e... aquele ali é um amigo que fizemos algumas horas atrás, Puroromon.
- Ah... Eu m-me c-chamo Josefa.
- J-Josefa? – Daisuke segura o riso.
- N-não percam t-tempo aqui! Kuwagamon v-vai m-matar a t-todos nós se n-não f-fugirmos.
- Relaxa, nós dois aqui daremos conta do recado.
- Dai-chan, não acho que vai dar tempo de derrotarmos um Kuwagamon... – disse Vee.
- Ok, o que sugere então? Que a gente corra e ele venha atrás de nós?
- ... Faça-me evoluir, sairemos daqui o mais rápido possível.
- Já está melhor? Não quero que se esforce...
- Estou. Vamos logo!
- Tem certeza? Aquele ataque do Liamon...
- Estamos perdendo tempo!
- Ok então... – pega o digivice e aponta para o companheiro.

V-mon evolui para...
Xv-mon!

- N-nossa! – impressionou-se a Wormmon.
- Vamos, não temos tempo a perder. – XV-mon pegou Daisuke, Josefa e Puroromon, e saiu voando na velocidade máxima que podia.

- Acha que isso vai funcionar? – questionou Daisuke.
- Tem que funcionar! É perda de tempo lutar. – devolveu o dragão.
- ... Qualquer coisa eu o -
- Não, você vai ficar aqui. Olha no que deu a gente se separar por alguns minutos!
- Ok ok... Puroromon, sabe o caminho?

A pequena abelha acenou positivamente com a cabeça e saiu voando a frente de XV-mon, guiando-os pelo labirinto de corredores.

E logo atrás deles... Um Kuwagamon furioso por ter perdido seu jantar para um humano e um dragão criança.

- Sinto que temos companhia, XV-mon. – falou o garoto, olhando para atrás.
- Não pense em ir enfrentar aquilo sozinho!
- Não, não... O certo agora é despistá-lo.
- O que sugere?
- Puroromon, sabe alguma sala sem saída?
- Não tá pensando em prendê-lo em alguma sala, não é?
- Exatamente, Vee. Exatamente.
- ... Quem é você e o que fez com o Daisuke? – disse, impressionado.
- Chega de brincadeira! – bufou o garoto, aborrecido – Ou não iremos sair daqui antes do pôr do sol.

Puroromon aponta para a primeira esquerda do final de um longo e gigantesco corredor.
Vee entra ali, e o Kuwagamon também.

O digimon azul não sabia o que planejava o parceiro, mas seguiu suas instruções, confiante.

E assim que chegaram no beco sem saída, Motomiya saltou no chão e encarou o inseto gigante.

- Desculpe, mas estamos com MUITA pressa. Que tal esperar aqui até algum dia?
- Sua idéia era PROVOCAR O KUWAGAMON? – murmurou XV-mon, irritado com a atitude.
- Kwaaa! – Kuwagamon avançou contra a criança.
- Keh! –Daisuke saltou para trás, esquivando das pinças do digimon. Em seguida pulou em uma parede e se atirou pra cima dele rapidamente, aterrissando em sua cabeça.

- Tá maluco? Err... como conseguiu fazer isso? – XV-mon ficou boquiaberto, sem piscar os olhos.
- Ei, ei... Eu estou bem aqui. Que tal me pegar? – provocava a criança.

- E-esse m-menino t-tem a... essência da... da Y-Yami-sama. – comentou Josefa.
- Essência da Yami? Então aquela chama... – Vee olhou para a Wormmon albina.
- S-Sim. E-ela d-dá um p-pouco de sua essência para que... P-possa derrotar os d-digimons sentinelas...
- Então... Daisuke ganhou habilidades graças a essa essência?
- S-sim. Eu também a tinha mas... a perdi.
- Tinha? Isso é temporário?
- S-Sim. S-se ele u-usar toda a essência... T-também vai sugar boa p-parte da sua e-energia.
- Então isso consume energia? – volta a atenção ao parceiro, preocupado.
- E-ele tem que s-ser s-sábio.
- Daisuke...

O menino continuava saltitando pelo inimigo, que tentava agarrá-lo com suas garras.
Esquivas rápidas e saltos estratégicos. Era a jogada principal do extrovertido Goggle Boy.

A jogada talvez mais suicida que fizera antes. XV-mon queria ajudá-lo, mas Daisuke o dizia para aguardar o momento certo.
"O que é que ele tem em mente?", pensou.

Nisso, o bravo escolhido deu um salto e parou no chão, em frente a uma parede.
A chama em seu olho estalou-se cada vez mais, enquanto seu olhar era determinado. Dava um sorriso bem confiante para o parceiro.

- Ei, Kuwagamon lento! Eu estou bem aqui! Vem me pegar! – o menino puxou a pele do olho direito e colocou a língua para o inimigo.
- KWAAAA! – grunhiu a criatura, enfurecida. Partiu pra cima do alvo, para trucidá-lo com suas pinças mortíferas.

Nesse instante, Daisuke se preparou e mergulhou no chão assim que o Kuwagamon estava bem perto dele, passando por baixo do inseto e o fazendo bater com tudo na parede. Esta já estava frágil e abriu rachaduras.

Daisuke levantou-se instantaneamente do chão e pulou no ombro de XV-mon, ordenando-o:

- AGORA! Acerta a parede com um X-Laser!
- Ok... – disse ainda nervoso com o plano do garoto - X-LASER!

O raio em forma de "X", que sai da marca em seu peito, acerta em cheio a rachadura e a parede desmorona em cima do digimon inseto.

Kuwagamon foi derrotado. Os destroços da paredes eram muito mais pesados que seu corpo. Sorte que nossos heróis estavam afastados dali na hora que veio a baixo.

- Uhul! Conseguimos! – comemorou Motomiya.
- Impressionante... Nunca pensei que... você fosse capaz de chegar a um plano tão rápido assim. – falou XV-mon, perplexo.
- Ei! Não fale assim! Parece que eu não sei bolar planos ou estratégias decentes! – depois de ter dito isso, deu um cascudo na cabeça do parceiro.
- Daisuke... *gota*

Enquanto trocavam alguns cascudos e piadas, Josefa e Puroromon percebam que aquela parede, na verdade...

- U-Uma passagem!
- Ahn? Uma passagem? – exclamou a dupla.
- O-Olhem, há um c-corredor a-atrás daquela p-parede!
- AH! Então... - A chama some e sua voz volta ao normal, de novo – Tinha uma entrada oculta aqui!
- A voz dele mudou... e aquela chama sumiu outra vez. Deve ser assim que se economiza esta tal "essência". – pensou XV-mon – Ok, então nós vamos por lá?
- Claro!
- Segurem-se. – deu um rasante por cima dos destroços e adentrou no corredor sombrio.

Mais um longo caminho escuro pela frente.
Pelo menos V-mon descobriu o que era aquela chama azul misteriosa.
Era a essência de Yami... A essência que dava ao Goggle Boy habilidades descomunais a um ser humano.

Mas...
Até quando ele conseguirá manter esse "poder"?