ESTAVA incômoda com o sóbrio traje de jaqueta marrom que se pôs, sentada em um elegante salão do andar executivo do Edifício Taisho. Tomou uma revista de arquitetura da mesa enquanto esperava e a abriu ao azar. Encontrou-se com um sorridente primeiro plano de Sesshomaru.

Rapidamente, fechou a revista e a deixou onde estava.

-# Senhorita Mitchell? - disse a mulher que a tinha recebido e lhe entregou um telefone sem fio. - O senhor Taisho me pede que o desculpe em seu nome. Está em uma importante reunião e quer falar com você.

Rin aproximou o telefone à orelha.

-# Estou muito contente de que por fim tenha vindo para ver-me. Almoçaremos juntos - disse Sesshomaru do outro lado da linha. Ao fundo se ouviam vozes masculinas.

-# Mas... - começou a dizer Rin.

-# Não posso falar agora. Jaken te acompanhará ao lugar onde vamos almoçar. Em uma hora haverei acabado e estarei contigo.

Antes de que pudesse dizer nada, Sesshomaru desligou. Teria sido melhor lhe haver avisado antes de ir vê-lo, pensou Rin.

-# Por aqui por favor - indicou-lhe Jaken.

Pela primeira vez em sua vida, Rin viajou como passageira de uma luxuosa limusine. Mas não conseguiu relaxar-se. Estava muito nervosa. Aonde se dirigiam?

Por fim chegou a um exclusivo bloco de apartamentos e foi conduzida até o apartamento de cobertura. Imaginou que esse seria

o lugar onde Sesshomaru vivia quando estava em Londres.

Já na sala, Rin descobriu que a decoração era impessoal e que não havia livros nem fotografias; não havia nada que indicasse quais eram os gostos do proprietário da casa. Ouviu vozes e ruídos de caçarolas na cozinha, assim imaginou que ali seria onde iriam comer.

-# Rin - ouviu que a chamavam. Ela se virou e o viu no outro lado da sala. - Temos que celebrar este momento histórico.

Sesshomaru usava um impecável traje cinza que lhe sentava de maravilha. Seu sorriso iluminava seu rosto. Rin sentiu como seu coração começava a pulsar com força. Um segundo mais tarde, lembrou-se de Kagura e sentiu uma pontada de dor em seu interior.

-# Que momento histórico é o que temos que celebrar? - disse Rin fazendo um esforço por concentrar-se no que tinha que lhe dizer.

-# Este apartamento é teu. Comprei-o para ti um pouco depois que nos liberassem. Se você não gostar, podemos procurar outro.

-# Se tiver comprado este apartamento para mim, cometeste um erro. Um erro muito caro.

-# Por que diz isso? Sabe que quero que estejamos juntos. Por que resiste? - perguntou Sesshomaru. - Por certo, tem aspecto de estar cansada.

-# Nisso tem razão - admitiu Rin. - Tenho algo que te dizer. A única razão pela que vim ...

-# Espera. Falaremos disso enquanto comemos - disse Sesshomaru com suavidade.

-# Não posso esperar - deteve-se uns segundos e decidiu dizer-lhe sem dar mais rodeios. - Estou grávida.

Sesshomaru ficou petrificado.

-# Está certa? - perguntou ele depois de um longo silêncio. O tom de sua voz revelava o impressionado que estava pela notícia.

-# Sim, fui ao médico ontem e ele me confirmou o que já sabia.

-# E me pensava dizer isso no escritório?

-# Tenha em conta que não sei onde vive quando está em Londres. Não tinha outro lugar onde te encontrar. Ou acaso não o recorda? - disse Rin e sacudiu a cabeça. - Isso explica tudo. Estou grávida de um homem de que ignoro até o lugar onde vive.

-# Mas como, o que importa?

-# Esquece-o. É um ser desprezível.

-# Quer beber algo? - perguntou Sesshomaru com sua voz profunda, ignorando o que lhe acaba de dizer.

-# O que tenha.

-# Certamente que não beberá nada que tenha álcool - disse ele cortante.

Não fazia nem dez segundos que se inteirou de que estava grávida e se comportava com total domínio da situação.

-# Vejo que sabe muito sobre gravidez.

-# O que sei, todo mundo sabe- disse Sesshomaru com sua habitual falta de modéstia.

-# Pois espero que seja mais do que sabe sobre os riscos de deixar a uma mulher grávida.

-# Nós dois somos culpados disso - afirmou ele levantando uma das sobrancelhas.

-# Mas, eu confiei totalmente em ti. Fez-me muitas promessas. Disse-me que estaria comigo se algo saía mau... - disse Rin e se deteve para procurar as palavras adequadas, - mas não acredito que vá a cumprir suas promessas.

-# Não está acostumada a confiar nos homens. Eu sou diferente e cumpro minha palavra.

-# O que quer dizer? - disse Rin zangada.

-# Tem que me dar uma oportunidade. Vamos nos tranqüilizar e deixar esta estúpida discussão.

-# Estou de acordo, mas não esqueça que você foste o homem que mais dano me tem feito - disse Rin disposta a enfrentar ele. - Esta gravidez danifica os planos que tinha feitos para meu futuro.

Sesshomaru não disse nada. Aquela gravidez também afetava a seu futuro, a seus negócios e, é obvio, a sua família. O acordo com os Rhodias ficaria quebrado e seria o começo de uma dura batalha. Os acionistas ficariam nervosos e isso afetaria o preço das ações e, portanto, a suas empresas. Veria-se obrigado a despedir parte de seus empregados e a trabalhar muito duro.

Rin olhou pela janela tratando de conter as lágrimas. Suas emoções estavam a flor de pele e se esforçava em manter a calma. O médico a tinha advertido das mudanças de humor que experimentaria como conseqüência de seu estado. Certamente não recordava ter chorado tanto como nos últimos dias. Sentia que não fazia nada bem. Que sentido tinha fazer que Sesshomaru se sentisse culpado? Ao fim e ao cabo, era uma mulher adulta e tinha que ser conseqüente com seus atos e assumir sua responsabilidade.

De repente, apareceu no salão um empregado à espera de receber instruções. Sesshomaru lhe disse algo e em seguida serviu um brandy a ele e um refresco a ela.

Estava acostumado a ter pessoas a sua redor dispostas a fazer o que lhes ordenasse, e a não fazer nada por si mesmo, pensou Rin. Agora entendia por que se surpreendeu tanto ao vê-la cozinhar na ilha.

-#Está zangada comigo pela gravidez. Entendo-te - disse brandamente olhando-a nos olhos. – Quero saber o que pensa deste bebê. Sei que é difícil para ti tomar uma decisão, mas terá que fazê-lo. Temos que ser sinceros um com o outro.

O que queria dizer com aquilo? Ainda não tinha tido tempo para assumir que estava grávida e que ia ter um bebê. Sentia-se culpado de não poder oferecer um pai àquela criatura. Além disso, duvidava de sua capacidade para ser uma boa mãe. Mas não estava disposta a admitir tudo aquilo diante de Sesshomaru.

-# Não vou abortar.

-# Não é isso o que te estou pedindo. É meu filho também. Para mim, a família é o primeiro, assim me ensinaram. Este bebê é parte da próxima geração dos Taisho. Se tivesse querido te desfazer dele, teria tido que te fazer mudar de opinião.

-# Não acredito - disse Rin com tristeza.

-# Se queria me desentender deste bebê, daria-te uma importante ajuda econômica para que nada vos faltasse. Mas não poderia viver ignorando o meu filho. Preciso ser parte de sua vida. Ao fim e ao cabo é sangue de meu sangue. Meu avô foi um exemplo para mim quando meus pais morreram.

-# Por que?

-# Quando morreram, Okata estava a ponto de retirar-se dos negócios e casar-se com uma mulher muito mais jovem que ele. Eu tinha onze anos. Mas Okata se sacrificou e se manteve à frente do Império Taisho para manter meu legado. Embora estava muito apaixonado, rompeu com aquela mulher à que não gostava de crianças.

-# Não quero que te sacrifique por mim, Sesshomaru - disse Rin chorando.

-# Não o faço por ti, mas sim por nosso filho - disse Sesshomaru. - Somos adultos e podemos procurar uma solução. Assegurarei-me que a criança se crie em um ambiente estável.

-# Não me fale como se fosse a última pessoa capaz de educar a uma criança - protestou Rin.

-# Não te zangue, não é isso o que estou dizendo. Mas não podemos negar que o melhor para este bebê é que viva com seus pais e que estes estejam casados.

Rin estava contrariada. Sentia-se cansada e se sentou no sofá.

-# Repete isso. Casados?

-# Obviamente teremos que nos casar –disse olhando-a com seus brilhantes olhos âmbar.

-# Estou disposta a fazer o que for por nosso filho, mas não estou tão louca para me casar com um homem como você.

-# O que quer dizer com isso? - perguntou Sesshomaru, molesto.

-# Embora você vai casar com outra mulher, foste capaz de lhe ser infiel e de te deitar comigo: se por acaso isso fosse pouco, pediste-me que fora sua amante. Não acredito que serás um bom marido!

-# Serei um pai e um marido perfeito.

-# Deixa estar. Não será meu marido! - exclamou Rin e levantou o queixo.

Apareceu de novo o servente e anunciou que a comida estava servida.

-# Não tenho fome - disse Rin cortante.

-# Mas estou certa que o bebê sim, assim fará um esforço por comer algo.

-# Está bem - cedeu ela depois de uns segundos de dúvida.

Dirigiram-se a sala de jantar, onde a mesa estava posta com uma bonita e delicada baixela. Mas Rin logo que pôde reparar nisso. Estava surpreendida de que Sesshomaru estivesse disposto a romper seu compromisso para dar seu sobrenome ao bebê. Tal e como lhe tinha prometido na ilha, estava disposto a fazer-se responsável pela gravidez.

-# Não deveria julgar minha relação com a Kagura - disse Sesshomaru enquanto comiam. - Não conhece os acordos que tenho com ela nem tem por que conhecê-los. É um assunto privado entre ela e eu.

-# É uma maneira de reconhecer que não é capaz de ser fiel a ninguém e que não tem a menor intenção de mudar.

Sesshomaru ficou quieto, olhando-a fixamente.

-# Pedi que te case comigo. Pare já de me fazer recriminações - disse ele, fazendo que Rin se ruborizasse. – Pelo que me diz respeito, farei todo o possível para que nosso casamento funcione.

-# Pelo bem de nosso filho?

-# Pelo de todos.

-# Você gosta de crianças?

-# Muito.

Aquilo surpreendeu Rin. Gostava de crianças. Isso queria dizer que pensava ter filhos com a Kagura Rhodias. Estaria apaixonado pela Kagura? Não sempre o amor e a fidelidade tinham que ir juntos. Havia pessoas para as que a fidelidade não era o mais importante. Entretanto, sim que o era para ela. Possivelmente estava tão apaixonada por ele, que não estava disposta a compartilhá-lo com outras mulheres.

-# Me diga no que está pensando - disse Sesshomaru observando-a. Estava apoiado no respaldo de sua cadeira, com uma taça de vinho entre as mãos. Era um homem inteligente, educado e sofisticado. além de muito bonito.

-# Não acredito que funcione. Somos muito diferentes. Estamos todo o dia discutindo.

-# Assim será melhor. Além disso, não esqueça que vai muito bem na cama, pethi mou - disse Sesshomaru com um pícaro sorriso.

-# Isso não é suficiente para que funcione - disse Rin aflita.

Embora estava apaixonada por ele, não estava disposta a casar-se. Amava-o muito como para permitir que se sacrificasse por ela e deixasse a Kagura, com a que tinha muito mais em comum.

Definitivamente seria mais feliz com a Kagura. Conformaria-se com que a ajudasse economicamente a levar a seu filho adiante.

Depois de tudo, Kagura não tinha culpa do que tinha passado. Recordou o mal que o tinha passado quando descobriu que Kohako lhe tinha sido infiel com a Yura e não desejava que outra mulher passasse pelo mesmo por culpa dela.

-# Não está sendo sincera comigo - disse Sesshomaru, interrompendo seus pensamentos. - Está apaixonada pelo noivo de sua irmã e, agora que têm problemas, confia em que volte contigo.

-# Isso é uma tolice! - disse-lhe Rin, furiosa. Jogou a cadeira para trás e ficou de pé. De repente, se sentiu enjoada e desmaiou.

Quão seguinte ouviu foi a voz de Sesshomaru.

-# Fica deitada - disse ele ao ver que Rin recuperava o sentido.

Ela se sentia mau e se limitou a fechar os olhos. Ouviu cristos falando por telefone.

Depois, a tomou brandamente em seus braços e a deixou sobre uma cama. Rin tentou incorporar-se.

-# Estou melhor.

-# Não, não está - disse Sesshomaru impedindo que se levantasse. - É minha culpa. Não devia discutir contigo.

-# É normal que uma mulher grávida sofra enjôos - murmurou Rin. - Não terá que lhe dar maior importância.

-# De todas as formas, fica tranqüila até que chegue o médico.

-# Chamou um médico? - perguntou Rin e Sesshomaru assentiu com a cabeça.

-# Não tinha que havê-lo feito.

Pouco depois, chegou o médico. Depois de examiná-la, disse-lhe que estava esgotada e que precisava descansar.

Sesshomaru estava muito preocupado e obrigou ao Rin a ficar na cama.

-# Quero que saiba que não mudei de opinião, pethi mou - disse ele uma vez ficaram a sós. - Quero me casar contigo e cuidar de ti e de nosso filho. É a melhor opção para todos.

-# Tenho muito sono e não posso pensar com claridade - disse e desviou o olhar. - Não acreditei que fosse a cumprir suas promessas. Além disso hoje em dia não é necessário casar-se para criar a um filho.

-# Para os Taisho, sim o é - disse Sesshomaru e deixou o quarto.

Rin esteve dormindo durante horas e, quando despertou, sentia-se relaxada.

De repente, Sesshomaru entrou no dormitório.

-# É para ti - disse lhe entregando o telefone. - São seus pais, que querem falar contigo.

-# Meus pais? - perguntou surpreendida, mas ele se deu meia volta e saiu fechando a porta.

-# Rin - começou a dizer sua mãe. - Seu pai e eu não podíamos esperar nem um minuto mais para falar contigo. Enquanto dormia, Sesshomaru nos chamou e nos esteve explicando...

-# Que tem feito o que? - interrompeu-a Rin.

-# Está muito preocupado com você e tem uma enorme vontade de nos conhecer.

-# Verdade que disse isso?

-# Tenho que te dizer que nos impressionou - disse Kaguya. - Sei que é muito bonito e muito atento. Além disso é um homem rico e isso sempre é importante, embora você não o ache.

-# Diz que correrá com os gastos do casamento - interveio seu pai.

-# É muito generoso por sua parte - disse sua mãe entusiasmada. - Em circunstâncias normais, deveria estar zangada pelo fato de sua gravidez, mas...

-# Sesshomaru lhes contou isso?

-# ... Logo estará casada.

-# Quem lhes disse que nós vamos casar?

-# Sesshomaru nos pediu que fôssemos preparando a lista de convidados. Que convidássemos a quantas pessoas quiséssemos - disse Kaguya. - Já chamei a família para lhes dar a notícia. Provavelmente um grande casamento na família faça reagir Kohako e resolva seguir o exemplo.

-# É um alívio que Kohako e Yura se reconciliaram - interveio de novo seu pai. - Yura poderá ser sua dama de honra.

-# Não sei se será uma boa idéia - disse Kaguya. - Yura está desejando ser ela a que se case.

Rin tratou de pôr fim a aquela chamada e por fim o conseguiu não sem antes lhes prometer que chamaria mais tarde.

Não podia acreditar o que tinha feito Sesshomaru sem consultá-la. Estava usando a seus pais para pressioná-la e conseguir que se casasse com ele. Sua mãe inclusive tinha começado a avisar à família de que sua filha mais velha iria se casar.

Rin se levantou e encontrou Sesshomaru no closet, falando por telefone em grego. Lhe dirigiu uma olhar desafiante e ele desligou.

-# Como pode contar tudo a meus pais?

-# Algum dia te dará conta de que tenho feito o melhor e me agradecerá isso.

-# Você gosta que tudo seja feito ao seu modo.

-# Isso é verdade - admitiu Sesshomaru triunfante.

-# E agora, como direi a meus pais que não me quero casar contigo? Especialmente agora que sabem que estou esperando um filho - repreendeu-lhe. - Não posso acreditar que tenha chamado a minha família para lhes dizer que nos casaremos quando não é assim. Não tinha direito a fazê-lo. Além disso, tem Kagura.

-# Deixa que eu me preocupe de Kagura.

-# Não estou disposta a deixar que outra mulher sofra tanto como eu sofri pelo que Kohako me fez.

-# O bebê vem em primeiro lugar - disse tomando-a pelos ombros. - Preocupe-se só disso. Deixa de ser tão dura contigo mesma, pethi mou. Por que te zanga comigo por algo que já não podemos evitar? Falei com seus pais porque quero que nos casemos em seguida. Não vejo por que terá que guardar em segredo nosso casamento, agora que vamos ter o nosso primeiro filho.

Rin desviou o olhar. Era evidente que estava tratando de convencê-la de que seu futuro começava por celebrar aquele matrimônio. Sentiu um nó na garganta. No fundo, desejava casar-se com ele.

-# Mas, e se você se arrepender?

-# Isso nunca – disse olhando-a intensamente aos olhos. - Quero fazer parte de sua vida e da de nosso filho.

-# Mas terá que me ser fiel - disse Rin acariciando suas costas. - Não admito desculpas. Poderá suportá-lo?

-# Acaso tenho outra opção? - perguntou Sesshomaru, divertido. - Bom, me responda, quer se casar comigo?

«Hoje mesmo se fosse possível», pensou Rin. Mas em lugar de dizer aquelas palavras, assentiu timidamente com a cabeça.

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Tai gente mais um capitulo, obrigadão pelas reviews......