Capítulo 07:

O Canto da Fênix

Hermione acordou na manhã seguinte como se tivesse acabado de se deitar. Tivera horríveis pesadelos, mas não se lembrava deles, o que restava era a sensação ruim que os sonhos lhe causaram. Seu coração estava angustiado devido ao que Rony lhe contara na noite anterior.

Lá fora o tempo cinzento e triste refletia o que se passava em sua alma. Toda a alegria que sentira quando descobriu que o Mundo do Véu era apenas uma outra dimensão e não um túmulo, se esvaiu quase que por completo. Sentia-se como se Dementadores a rodeassem. A única coisa que ainda a sustentava era a idéia de que Harry estava vivo. Vivo? Alguém sem memórias poderia ser considerado vivo? Pensou ela.

Esfregou os olhos cansados da noite mal dormida e visualizou o seu uniforme de Hogwarts pendurado em um cabide na parede de frente à cama em que ela e Luna dormiam. Aquele uniforme lhe trazia lembranças de um tempo feliz. A vida em Hogwarts não havia sido fácil, enfrentou muitos perigos, mas naquele tempo perigo nenhum parecia grande demais, porque eles eram um trio. Eram amigos inseparáveis.

Naquele tempo cada manhã era o primeiro dia do resto de suas vidas. Ela acreditava que sempre haveria um novo amanhecer porque ao seu lado estava Harry. Amigos não deviam se separar nunca.

Sem que Hermione pudesse controlar, lágrimas escorreram por seu rosto. Não queria chorar, ela era Hermione Granger, a que nunca demonstrava fraqueza.

Em que momento ela deixara de ser aquela menina forte para se tornar um poço descontrolado de sentimentos?

Essa resposta ela sabia. O rosto de Harry veio com força em sua mente mais uma vez... Não havia Hermione Granger sem Harry Potter.

- Hermione, já acordou? – perguntou Luna, sonolenta.

Hermione enxugou o rosto depressa. Não queria que Luna percebesse sua dor e que estava chorando. Sabia que não poderia fraquejar.

- Temos que começar a procurar por Harry, se esqueceu? – disse por fim, tentando disfarçar a voz embargada.

Luna a observou em silêncio, depois se ajoelhou na cama e alcançou a mão daquela que considerava uma amiga.

- Tudo ficará bem, Hermione.

Hermione olhou para a moça loira que a tocava com carinho extremo, de irmã. Foi nesse momento que sentiu suas últimas forças escaparem. Não pôde esconder suas lágrimas. Jogou-se nos braços de Luna, num choro convulsivo e desesperado.

- E se ele não se lembrar, Luna? E se ele não tiver memória alguma de tudo que vivemos? Nossa amizade tão preciosa terá se perdido e eu não serei mais nada para o Harry...

Luna dava palmadinhas suaves nas costas da moça, como a ninar uma criança.

- As memórias podem ser apagadas, mas o sentimento não. E se os sentimentos dele tiverem adormecido você terá apenas que despertá-los novamente! – Luna segurou a amiga pelos ombros e olhou dentro daqueles olhos marejados - Você conquistou a amizade de Harry uma vez e fará isso quantas vezes for preciso, Hermione. Juntos, construirão novas memórias...

Draco parecia muito sereno. Tomava seu café em silêncio enquanto Rony, vez ou outra, lhe dedicava um olhar nada amigável.

- Como vamos começar a procurar Harry, Hermione? – perguntou Luna, saboreando um delicioso mingau de mandioca – Já tem algum plano em mente?

- Vamos procurar em todas as cidades desta terra, começando pelas redondezas. Procurar alguma informação, por menor que seja. Creio que o senhor Letus poderá nos ajudar nisso. – a moça olhou para o anfitrião com grande respeito.

- Com prazer, senhorita Hermione. E como poderei ajudá-los? – Letus se ofereceu solícito.

- Se o senhor nos arranjar um mapa das cidades próximas já será de grande ajuda.

Nesse momento um garotinho sonolento surgiu à porta da sala de refeições. Tumby ainda esfregava os olhos, mas assim que viu Hermione pareceu despertar completamente.

- Mais visitas, papai?

O homem balançou a cabeça afirmativamente, com um sorriso.

- Sim. Como você gosta! – virou-se novamente para Hermione, olhando também para Draco – Este é meu filho Tumby. Quando vocês chegaram ontem, ele já estava dormindo. Ele adora quando a casa está cheia.

- Hermione?... que nome bonito! – disse o menino com um grande sorriso em seu rostinho de aparência graciosa – me lembra uma música, o seu nome!... – Tumby ficou pensativo.

Hermione não respondeu nada, ficou apenas olhando para aquele menino de olhos verdes e cabelos espetados que em muito se parecia com o Harry. Pensou que se o amigo tivesse um filho seria igual aquele menininho.

- É um prazer conhecê-lo, Tumby – disse ela depois de um tempo o observando – Você se parece muito com o amigo que viemos procurar...

O menino sorriu bastante satisfeito. Então se virou para o pai demonstrando grande excitação:

- Pai, não precisa desenhar um mapa pra eles! Eu conheço todas as vilas próximas e poderei ajudar melhor que um papel rabiscado!!! – o menino tinha os olhos ansiosos sobre o pai, aguardando uma resposta.

O homem suspirou. Conhecia muito bem o seu filho. Se não permitisse que Tumby ajudasse os viajantes o menino não lhe daria sossego. Além do mais a idéia sugerida era boa. Tinha se afeiçoado àquela gente muito rápido e seu coração lhe dizia que podia confiar neles. Era como se aquele grupo tivesse vindo para anunciar algo bom.

- Está bem, Tumby. Você poderá acompanhá-los pelas vilas da redondeza... – e virou-se para Lupin – Vocês devem visitar as vilas e voltarem para cá ao fim da tarde para descansarem. E se forem abençoados terão notícias de seu amigo, sem precisar viajar para cidades mais distantes.

Todos concordaram com a idéia do senhor Letus. Ele era realmente um homem de bem.

- Não se preocupe, senhor! Cuidaremos de Tumby como se cuida de um irmãozinho! – disse Hermione, se alegrando um pouco pela presença daquela criança que em muito lembrava Harry quando o vira pela primeira vez, dentro do Expresso de Hogwarts.

Mais um dia havia se passado naquele mundo. Era o quinto desde que começaram as buscas e em nenhuma vila obtiveram qualquer notícia de Harry. Haviam se dividido em dois grupos para agilizarem as buscas. Hermione, Draco, Rony e Tumby formavam o grupo que ficara encarregado de visitar as vilas do sul e do leste; Lupin, Luna e Lenius, que também se animou a ajudar, ficaram encarregados de vasculhar as vilas do norte e oeste. Os dois grupos já haviam visitado praticamente todos os pequenos vilarejos que rodeavam a Vila Flores, sem nenhum sinal de Harry.

Naquela tarde um silêncio sofrido se instalou em torno da mesa de jantar. Todos se sentiam bem frustrados com a busca inútil. Draco observava Hermione, sempre esperando que a qualquer momento ela fosse desabar. Era verdade que a moça parecia mais firme do que nunca durante os dias de busca e ainda conservava o ar determinado e inabalável, bem mais que os outros.

No entanto, Draco sabia que por dentro ela estava em pedaços. A esperança de que Harry estivesse nas redondezas já não podia mais alimentar-lhes o ânimo. Ninguém do grupo queria admitir isso.

- Teremos que partir para lugares mais distantes! – concluiu Draco largando seu talher com estrépito dentro do prato ainda cheio, o que pareceu despertar a todos daquele torpor – Sei que é difícil pra vocês, mas temos que admitir... Potter não está por perto.

- Pra você tanto faz não é, Malfoy? – disse Rony, com um tom de voz que transmitia mais desânimo do que aspereza.

Draco não respondeu. Não era hora de dar uma resposta malcriada e na verdade ele nem queria mais fazer isso. Sua atenção estava sobre Hermione. Ele tentava ler os olhos da moça. Mas por que estava se preocupando tanto com ela? Provavelmente tinha levado a sério aquela história de serem amigos.

- Você está certo, Draco! – disse Lupin, por fim – cada dia é precioso. Só peço a vocês mais uns dias.

- Pretende procurar pelo cão... – entoou a voz etérea de Luna.

- Sim, senhorita Lovegood, me resta esta última esperança e além do mais não podemos partir sem Sirius. Esta se tornou uma missão dupla. Resgatar dois amigos de uma só vez.

- Mas professor, se Sirius soubesse do paradeiro de Harry provavelmente já teria dado um jeito de nos avisar ou avisar a Harry que estamos aqui, não é? – falou Rony sensatamente.

- Pode ser que haja algum impedimento, Rony, ou talvez Sirius esteja sem muita consciência... Talvez tenha se transformando totalmente em um cão, perdendo sua humanidade... – a voz de Lupin foi morrendo aos poucos e ele desviou os olhos para a janela mais uma vez. O mundo lá fora já estava novamente preto como se tivesse sido pintado com piche.

- Amanhã procuraremos Sirius!! – ouviram a voz de Hermione pela primeira vez aquela noite. Os olhos claros de Draco cintilaram. Ela ainda agüentaria mais um tempo – E depois partiremos. Não há mais porque continuarmos aqui, sem esperanças. Quanto mais o tempo passar, maior será a chance de Harry se esquecer ou enlouquecer.

O restante da refeição foi feita num silêncio sepulcral e ninguém ousava falar nada. O pequeno Tumby tinha os olhos marejados, mas nada dizia, apenas seu fungado era ouvido à mesa.

- Não fique assim, Tumby! – disse Hermione, se virando para o menino, tentando transmitir-lhe serenidade – Se você chorar eu vou chorar também...

- Não, Mione... – disse ele rapidamente, se endireitando na cadeira – não tô nem chorando e eu não quero que você fique triste... não quero.

Hermione acariciou os cabelos espetados de Tumby, que semelhante aos de Harry, nunca abaixavam. Tinha se afeiçoado muito ao garotinho e sabia que grande parte daquele carinho que sentia por ele era devido à semelhança com o amigo perdido.

- Então vamos fazer um trato... Se você me prometer que não vai ficar triste quando partirmos, eu prometo que assim que encontrarmos o Harry voltaremos aqui para nos despedirmos de vocês e faremos uma grande festa, certo?

O rosto de Tumby se iluminou. Então ainda veria sua linda Hermione mais uma vez e teria uma festa.

- Tah!! – concordou alegremente – Aí eu conheço seu amigo que se parece comigo.

- Isso mesmo! – a moça sorriu um pouco, mas seu sorriso era triste. Draco sentiu uma vontade quase incontrolável de segurar na mão de Hermione, porém se conteve. Os outros, principalmente o Weasley, poderiam interpretar de forma errada. Pensou ele.

Mais tarde Hermione se ofereceu para lavar as louças do jantar e se dirigiu para o lado de fora da casa, onde havia uma bica feita de bambu, da qual escorria uma água muito fria. Luna ajudava dona Nênia a limpar lá dentro. Era uma tarefa que as moças custaram muito para convencer a anfitriã a deixá-las fazer. Hermione alegara que ajudar nos serviços domésticos era a única forma que tinham de agradecer por tudo que faziam por eles e por fim, a jovem senhora acabou por concordar.

- Acho que você daria uma excelente esposa... – disse alguém muito próximo ao ouvido de Hermione, que chegara de uma forma inesperada.

- Draco!! – a moça deu um salto, deixando um prato cair no chão, que se partiu em pedaços – Olha só o que você fez me assustando desse jeito! Estraguei um dos pratos de dona Nênia! – exclamou, parecendo furiosa e apanhando outro prato dentro da tina, sem se virar para o rapaz. Ela tentava esconder lágrimas silenciosas. Draco não disse nada; e ainda às costas de Hermione, deslizou sua mão pelo braço molhado e cheio de espuma da moça. Hermione prendeu a respiração com esse movimento. O que Draco pretendia com aquilo?

- O que você...

- Acho que suas mãos têm mais jeito para folhear livros e preparar poções e não lavar louça... – Draco a virou para encará-lo – Não precisa se esforçar tanto...

- Do que está falando? – ela não queria olhar nos olhos de Draco, mas ele a forçava a isso.

- Só o que você já fez até agora é motivo de orgulho da sua parte e se não puder encontrá-lo não deve se culpar...

Hermione se sentiu enraivecer com aquelas palavras de Draco. O empurrou, se afastando alguns passos. Depois se voltou novamente para ele. A raiva cintilando em seus olhos.

- Não preciso de você me dizendo para desistir de Harry! Foi pra isso que veio, Malfoy? Eu dispenso sua indiferença e seu desânimo. Não vou desistir dele NUNCA! – gritou a última palavra.

Draco a olhava, magoado. Não era aquela a sua intenção, apenas queria confortá-la ou prepará-la para alguma desilusão. Ele também estava frustrado por não terem encontrado Potter. Era um fracasso dele também. Mas Hermione não entendia. Por que as pessoas sempre confundiam suas intenções? Harry tinha se tornado algo sagrado para ela enquanto ele era apenas o cara egoísta que queria fazê-la esquecer seu idolatrado amigo.

- Eu só queria que você não sofresse tanto... me desculpe se falei a coisa errada. Acho que... que não tenho talento pra se amigo! – e deu as costas para a moça.

Hermione, se sentindo subitamente muito mal por ter sido tão rude com Draco, se pôs à sua frente, impedindo-o de sair.

- Sou eu quem deve pedir desculpas! – disse com falha na voz – Tenho sido tão ingrata com você... mas é que não consigo parar, Draco, não consigo parar de sentir essa dor... – a moça fechou os olhos, tentando segurar as lágrimas que ela procurava conter a todo momento, desde que perdera Harry – Você tem todo o direito de me detestar!

- Isso eu não posso fazer. – Hermione abriu os olhos surpresa e Draco a olhava triste – Perdi muito tempo da minha vida te odiando, Granger, mas agora eu sei que não era isso que eu queria... – Ele se calou percebendo que estava passando dos limites. Ainda não era tão íntimo de Hermione para lhe revelar seus sentimentos secretos. – Deixa pra lá! Já me acostumei com suas palavras malcriadas. Termine logo com essa louça porque está muito frio aqui fora e sua vela está no fim – disse ele olhando para a cera derretida que sustentava um pequeno fio, onde resistia uma valente chama amarela.

- Draco...

- Não se preocupe comigo! – disse impaciente caminhando não em direção à casa, mas rumo à estrada – Vou dar uma volta por aí. Não agüento mais essa vida de monge. Quem sabe encontre alguém se divertindo nesse lugar. Talvez encontre alguma garota disposta a sorrir pra mim. Alguém que seja menos aborrecida que você.

Hermione ficou em silêncio. Não sabia se ficava chateada pelo que disse a Draco ou se batia nele por ser tão inconveniente. Se brincasse com alguma moça da vila, com certeza arrumaria confusão das grandes.

- Problema é dele! – disse tentando se convencer, voltando para dentro de casa, emburrada.

No meio da noite Hermione acordou devagar e suavemente. Algo embalava seu sono e era bastante agradável. Abriu os olhos e viu Luna a seu lado, dormindo profundamente. Ficou quieta e apurou os ouvidos. Não era um sonho. Havia sim uma música serena no ar. E era uma música muito conhecida. Sorriu. Provavelmente era sua imaginação que criava aquele som, pois ele vinha de dentro dela. O canto da Fênix.

Levantou-se com jeito para não acordar a companheira. Calçou os chinelos trançados de couro que dona Nênia havia emprestado e rumou para a cozinha. Passou o mais sutil que pôde pela sala, onde o professor Lupin dormia. Pequenas velas ainda permaneciam acesas em todos os cômodos. Era um hábito da família não apagá-las para o caso de alguém sentir sede durante a noite e precisar se esgueirar pela casa. Ao chegar à cozinha sentiu que a música dentro dela ficava mais alta e perceptível. Foi até a janela e a abriu bem devagar. A música parecia mais alta ainda. Sacudiu a cabeça em negativa.

- Devo estar enlouquecendo...

- Mione...

Hermione olhou para a porta e viu o pequeno Tumby se aproximar, vestindo um pijama grande demais para ele.

- Me desculpe, te acordei?

- Não foi você, – disse ele chegando mais perto de Hermione e subindo na mesa próxima à janela – foi a música!

- Música?! – Hermione levou um choque ao ouvir aquilo – Você também está ouvindo??

- Eh! Eu a ouço sempre. Essa música é tão bonita! Pena que só toca de vez em quando, sem data marcada. Vem da floresta. Papai disse que deve ser algum pássaro, por isso dá mais vontade de me tornar um caçador bem depressa e poder ir numa expedição para a floresta. Quero encontrar esse passarinho que canta tão bonito! Eu te disse que seu nome me lembrava uma música, né? Então...é essa! Parece que a música chama por você, Mione... Hermione, Hermione... – cantarolou feliz.

O coração de Hermione encheu-se de uma alegria súbita. Harry amava o canto da Fênix.

- Tumby, eu preciso ir atrás desse canto! – disse de súbito, olhando pela janela mais uma vez – E encontrar esse pássaro.

- Então amanhã, quando forem procurar o homem cão, você pode ir...

- Não posso esperar até amanhã! Você disse que a música só é ouvida às vezes. Se eu não for agora não poderei descobrir de onde ela vem.

- Então eu vou com você! – disse o menino, determinado.

- Não pode vir comigo, Tumby... é perigoso!

- Por isso eu tenho que te proteger!!

- Não faça isso! Não vou arriscar sua vida. Você ainda não pode ir até a floresta. Seu pai ficaria muito preocupado!! – ela acariciou os cabelos de Tumby – Se quer mesmo me ajudar, então fique aqui e se caso eu não voltar em duas horas peça ajuda aos outros.

O menino já ia protestar, mas Hermione o abraçou.

- Por favor, me ajude a ficar feliz novamente.

Diante desse argumento o menino não teve como insistir.

- Espere um pouco. – Tumby desceu da mesa em um pulo e correu até seu quarto. Voltou em seguida trazendo uma pequena bolsa de couro – Toma, leva algumas velas. Vai precisar de luz! – e estendeu o objeto a Hermione que a pendurou ao pescoço – Vou ficar acordado esperando você voltar.

- Obrigada! – Hermione beijou a testa de Tumby e após acender uma das velas abriu a porta, saindo, com roupas de dormir, para a noite escura e fria.

Era loucura o que estava fazendo. Tinha plena consciência disso. Mas sua intuição a mandava continuar.

Andou com facilidade pela trilha que subia desde a vila até o topo da montanha. O caminho feito pelos caçadores era bem menos íngreme do que aquele que ela e Draco subiram pelo outro lado da montanha.

Em poucos minutos estava diante da floresta. A música da Fênix ecoava cada vez mais alto dentro dela. Respirou profundamente e enchendo-se de coragem entrou na mata fechada.

Não havia muita diferença entre a noite lá fora e o mundo negro dentro da floresta. Tanto que ela já não se importava mais com isso. O medo e a sensação de que estava fazendo uma loucura foram desaparecendo lentamente à medida que se enfiava cada vez mais fundo para o meio das árvores altas.

Os minutos se arrastavam numa marcha muito lenta. Já cansada, mas certa de que caminhava rumo ao local de onde vinha o canto, Hermione parou para respirar melhor e substituir a vela que trazia acesa que já começava a incomodar seus dedos. Passou a chama para uma nova vela e se preparou para continuar. Não queria nem pensar na possibilidade da música se calar de repente, já que era a única coisa que a guiava. Sem aquele canto estaria completamente perdida na mata.

Foi então que viu, ao longe, uma suave claridade da cor da chama de sua vela, se infiltrando entre as árvores. Com a excitação invadindo seus sentidos conseguiu forças para correr até se deparar com uma pequena depressão e uma clareira, abaixo. E lá, no meio dela, acomodado sobre um leito de gravetos e folhas, sendo velado por um enorme cão negro, havia um homem com seu corpo iluminado por uma luz que parecia chamas vivas.

Hermione ficou tonta e se segurou em um tronco para não cair. Seu movimento chamou a atenção do cachorro, que a olhou com interesse, mas não veio em sua direção, nem tinha um olhar ameaçador. Ao contrário. Hermione pensou até que ele já esperava por ela.

Com passos vacilantes a moça desceu para mais perto. A cada passo seu coração enchia-se de uma emoção que ela não saberia descrever com palavras. Aquela emoção tornava seus olhos turvos, mas ainda conseguia ver. O reconheceria a quilômetros de distância. Era ele. A pessoa adormecida sobre a cama de ramos e da qual desprendia aquela luz da cor de fogo, era Harry.

(continua...)


N/A: Aleluia!!! Até que enfim, nosso precioso herói apareceu! Eu já tava pensando que o Harry seria uma lenda nesta fic... Vocês não? Mas como estará sua mente e por que ele está envolvido por essa aura de fogo? Mistérios!!!

Para atiçar a curiosidade de vocês, aqui vão algumas cenas do próximo capítulo:

"- Encontrou o Potter? – a voz de Draco saiu fraca e ele não saberia dizer o que sentiu no momento. Era uma mistura de alívio com um inevitável sentimento de perda.

- É! Ele esteve com Sirius o tempo todo. – Hermione sorriu se esquecendo da chateação com Draco – Minha intuição me guiava pra ele desde o início. Eu sabia que o encontraria."

"O grupo se aquietou, na expectativa. E Draco se afastou, sentando-se sobre uma pedra. Seria uma verdadeira comédia assistir Lupin tentando se comunicar com um cachorro.

- Isso vai ser interessante – comentou para si mesmo, enquanto Lupin se abaixava, sentando-se diante de Sirius."

"Draco olhou Hermione, sentindo, ao mesmo tempo, compaixão e raiva. Ela estava tão bonita dormindo que ele teve uma vontade muito grande de acariciar o rosto dela. Agora sabia que aquela expressão de prazer era porque sonhava com o Potter. Encarou o rapaz deitado na cama, com a estranha luz avermelhada emanando de seu corpo. Ele o atrapalhava mesmo dormindo."


N/A: E ai?? Se eu postar o próximo capitulo, vocês irão ler?? olhar ansioso

E aos meus queridos leitores meus sinceros agradecimentos pelo incentivo. Espero que continuem se divertindo. E "Juro solenemente não atrasar nenhum capítulo". Tenham uma ótima semana!

Karla: Eu posso até tentar embrulhar o Draco para te dar de presente, mas não garanto que ele vá ficar quietinho enquanto eu estiver empacotando (no bom sentido!). Já tô até vendo o Malfoy esperneando e tentando sair do embrulho com cara de poucos amigos, querendo me lançar um Cruciatus... ai,ai... o que eu não faço pelos amigos...

M.J.: Sabe o que eu acho? Que você é uma pessoa muito linda e não pode deixar que as tempestades da vida te façam entristecer. Momentos difíceis passam!! E um gracioso arco-íris vai surgir... Força, menina! Estou torcendo por você!!

Monte de beijinhos pra todos vcs!!

Iza-Amai ..