"Você me mata de vergonha." Eu murmurei enquanto olhava para baixo, encarando a calçada para esconder minha face avermelhada.
"Deixe disso, Jovem Mestre, é para seu próprio bem." Sebastian respondeu, levemente apertando minha mão em reafirmação.
No dia seguinte em que eu havia contado para ele da outra reencarnação, ele falou que me levaria ao colégio. Tudo bem, sem problemas. Se ele não estivesse segurando minha mão! Sério, todas as pessoas que passam ficam olhando.
"Idiota." Deve ser a décima vez que eu digo isso desde que saímos de casa. Cinco minutos atrás.
Ele parou de andar abruptamente, me fazendo fazer o mesmo e me encarou com uma cara de irritação. Droga.
"Se você tem vergonha de mim, não há problema algum. Eu apenas quero garantir a sua segurança. Agora vamos, ou você vai acabar se atrasando." Sebastian falou com seriedade antes de começar a andar novamente, me deixando para trás.
Por que ele ter que ser tão sensível? Eu não fiz anda de mais... Fiz? Não claro que não. E mesmo se eu tivesse feito, não iria me desculpar. Se ele está pensando que eu vou, melhor ele esperar pelo inferno congelar. Mas de qualquer maneira, daqui a pouco ele vai parar, olhar para trás e sorrir para mim, me esperando.
Mas ele não fez isso. Ele continuou andando.
Droga.
Droga, droga, droga, droga.
Eu andei rapidamente atrás dele, segurando-o pelo pulso até ele parar e olhar para mim.
"Eu não tenho vergonha de você... Apenas não gosto de chamar atenção e você sabe disso." Eu falei baixo, largando seu pulso devagar quando notei que ele não iria andar mais. "Você está assim desde ontem à noite, Sebastian. O que foi?"
"Você pode não se lembrar, Jovem Mestre, mas aquele ser o roubou de mim mais de uma vez. Não vou permitir que alguém nos separe novamente." Ele agarrou minha mão de novo, entrelaçando nossos dedos. Eu engoli um seco na minha garganta, enfiando meu orgulho num canto escuro dentro de mim para poder permitir que nós andássemos de mãos dadas em público.
–
Chegando aos portões da escola, eu vi o Alois, sorrindo para si mesmo como uma criança que acabou de ganhar um doce. Ele me avistou e eu acenei de leve para ele com minha mão livre e ele caminhou até a mim e Sebastian.
"Oi Ciel!" Ele me abraçou com força e eu olhei fiquei sem reação, olhando para ele com meus olhos arregalados antes de olhar para Sebastian, que parecia tentar conter uma risada com o punho.
"Eh... Oi Alois." Eu falei baixo depois que ele se soltou de mim e eu acho que ele estava dando pequenos pulos de alegria.
"Ah, oi Sebastian!" Ele disse - está mais para gritou – antes de agarrar o mesmo também, o abraçando com força... Mas o que...
Muito indiscretamente, eu limpei a garganta para ver se Alois o largava de vez. Acredita que o maldito do Sebastian o abraçou de volta? Tsk... 'Não vou permitir que alguém nos separe novamente.' Idiota falso.
"Ah, me desculpa, Ciel! Eu estou tão feliz que eu acho que..." Ele largou o Sebastian – finalmente – e passou a mão pelo cabelo de novo, segurando sua franja enquanto olhava para mim com entusiasmo.
"Eu devo perguntar?" Espero que minha falta de entusiasmo acabe com o dele. Isso realmente me incomoda, sem falar a expressão dele. Lembra-me Alois Trancyaté de mais.
"Aquele menino que nós vimos ontem? Sabe, aquele deus grego. Então, enquanto eu estava levando minhas coisas para a sala, eu o vi entrando na dele. E ele também me viu. E ele sorriu para mim!"
... É só isso?
"Sem querer ser estraga prazeres, Alois, mas como você sabe que foi para você?" Se ele realmente sorriu para o Alois, talvez seja realmente o Claude, e Alois faz parte de algum plano dele ou algo parecido.
"Bom, eu também pensei nisso na hora. Até que eu vi que não tinha mais ninguém no corredor!" Agora ele deu um pulo de verdade. Nossa.
"Tá... Bom, nós conversamos depois. Eu te encontro na sala." Ele assentiu e... Ele realmente precisa aprender a parar de pular quando está feliz.
Eu virei para Sebastian, suspirando sabendo que iria ter que aguentar o Alois falando disso o dia todo e ter que aguentar esse idiota em casa. Ser imortal não é nada fácil.
"Então... Eu te vejo em casa?" Eu falei baixo, olhando em seus olhos. É, com certeza ele já se acalmou. Se esse sorriso estúpido em seu rosto não fosse prova o suficiente, esse brilho de divertimento em seus olhos é.
"Mas é claro que sim, Jovem Mestre." Levando uma de minhas mãos aos seus lábios, Sebastian beijou meu punho com calma. Eu sorri para ele, mesmo estando um tanto constrangido.
"Tenha muito cuidado. Se ele ousar olhar para você, não hesite em me chamar." Ele me disse sério, soltando a minha mão lentamente. "Até mais tarde."
"Tchau." Falei baixo, passando minha mão pela parte de trás de minha cabeça para tentar evitar sorrir para ele. Maldito idiota que sabe sempre o que dizer! Sempre se preocupando demais!
Com a mão esquerda atrás da minha nuca e a direita na minha bochecha, Sebastian beijou o lado do meu pescoço antes de beijar meus lábios de leve, apenas encostando os dele nos meus.
"Eu te amo, Jovem Mestre." Ele murmurou no meu ouvido, fazendo com que sua boca roçasse na volta da minha orelha.
"... Eu também te amo, Sebastian." Eu murmurei de volta e, não conseguindo me conter mais, sorri para ele, fazendo-o rir baixo.
Ele me beijou de novo e foi embora – um tanto relutante -.
Só espero que Alois tenha guardado o meu lugar. Há essa hora, não há mais nenhum lugar bom sobrando.
–
"Então você ficou feliz daquele jeito porque ele sorriu para você?" Deve ser a milésima vez que eu pergunto isso.
Eu e Alois estávamos voltando para a sala depois que ele pegou um lanche na cafeteria. Um sanduiche de procedências duvidosas e um suco de lata.
"É! Um sorriso lindo de um cara lindo!" Ele riu para si mesmo e deu outra mordida naquele... Sanduiche. Honestamente, um colégio com o ensino tão bom como esse e uma cafeteria que tem a audácia de servir 'comida' assim. E o pior é o Alois que fica comendo essa coisa!
"Eu realmente não sei o que você viu demais nele." Talvez se eu conseguir desiludi-lo...
"Você diz isso porque é apaixonado pelo Sebastian. Não te culpo, ele parece um modelo. Mas aquele menino é tudo que eu sempre sonhei!" Plano A: Desiludi-lo. Fracassado. Muito tarde para tentar. Ele já está fora de meu alcance.
"Você que sabe." Eu disse, fechando meus olhos enquanto passava a mão pelo meu rosto para tentar me acalmar. "Mas eu aind-"
"Nossa, me desculpa. Eu não vi por onde eu estava indo." Ouvi uma voz profunda falar. Alguém tinha esbarrado em mim. Aposto que era um dos imbecis da minha turma.
"Não tem problema." Eu respondi educadamente, abrindo meus olhos lentamente e olhei para o lado imediatamente. Se fosse um dos animais da minha sala, iam ter 'esbarrado' no Alois também.
Mas não. Alois estava completamente bem. Apenas parado, com a boca meio aberta e o rosto meio avermelhado. Eu arquei minhas sobrancelhas e olhei para ver quem tinha esbarrado em mim.
Ah, como eu queria que tivesse sido um daqueles ignorantes.
