Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens não me pertencem, mas quanto aos originais, é só dar os créditos e me passar o nome

Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens não me pertencem, mas quanto aos originais, é só dar os créditos e me passar o nome da fanfic pra eu ler que tá tudo certo! :3

Sangue e Vingança

VI:

... Caindo, Caindo, Caindo...

Saga chegou em Gêmeos e simplesmente deixou-se cair no sofá, pensativo. Giovanna lhe parecia tão familiar, tão... Diferente. Sabia que se tratava de uma americana, mas não importava, não parecia nada com o que já ouvira falar sobre os americanos.

Ares andava lhe atormentando, o que não era bom. Algo acordara o deus da guerra, e não sabia o que era.

Pensou no sonho que tivera algum tempo atrás. No nome Cassandra. Lembrou-se da batalha de Tróia. Cassandra era uma serva dedicada de Apolo, podia ouvir as vozes dos deuses após um acontecimento em sua infância e tinha o dom da profecia. Ares devia saber disso melhor que ninguém, considerava Tróia sua cidade protegida, assim como Apolo, enquanto Athena e outros estavam do lado dos Helênicos. Nunca entendera direito o por que de uma guerra das proporções da de Tróia para resgatar Helena, a dita "mais bela mortal". Mas não achava esse título justo, pois Clitemnestra, a esposa de Agamenon, era irmã gêmea de Helena. Ia arrumar algo para comer, quando sentiu uma explosão de cosmo vinda de Atenas.

Kanon observava o mar no Cabo Sunion. Precisava pensar e descobrir o que fazer. Estava totalmente desnorteado, primeiro o sonho de Saga, depois o irmão simplesmente desmaia e vira as mesmas mulheres de quando fora no hospital ver Mascara saindo do Santuário. Para completar, o canceriano sequer mostrava sinais de melhoras. Não tinha idéia do que estava acontecendo!

Perdido em devaneios, totalmente desatento, não percebeu quando uma pessoa envolta num manto negro, pelo volume causado, percebia-se que usava uma armadura, aproximar-se pisando na areia fofa com leveza, como se flutuasse. O rosto, sombreado por um elmo e pelo capuz. Uma espada com lâmina extremamente fina escorregou pelo braço e foi empunhada firmemente, passando a ameaçar o pescoço do ex-marina.

Ser misterioso: Não tente impedir o que está por vir. – falou numa voz até mesmo... Normal. Kanon fez menção de levantar-se, mas parou ao sentir uma quente respiração de encontro ao seu rosto, enquanto a espada ameaçava sua nuca. Prendeu a respiração.

Kanon: Quem... Quem é você? – perguntou temeroso.

Ser misterioso: Sou um Sálio (N/A: Os sacerdotes guerreiros de Marte em Roma, Ares na Grécia. Como não descobri como eram chamados os de Ares na Grécia, fica sendo o nome usado em Roma). Vim diretamente do Santuário de Ares onde um dia foi Tróia, para garantir que nosso deus consiga o que quer. E você, nada poderá fazer para impedir. – disse passando uma das mãos na frente do rosto de Kanon e sumindo.

Kanon sentiu um arrepio quando a figura dissera ser um Sálio. Sálios eram sacerdotes de Ares, terrivelmente cruéis e sem piedade. Era uma sorte danada a sua o sacerdote não ter se aproveitado do momento em que Fantasia lhe visitou (N/A: Fantasia era filha de Hypnos, o sono, e personificação do Devaneio).

Levantou-se e achou que era bom comunicar a Athena sobre o Sálio invasor, mas mudou seu rumo para Atenas ao sentir uma explosão de cosmo.

Athena fora para seu quarto e lá ficara, refletindo. As Erínias, aquelas que castigam os mortais em todos os lugares, estavam irritadas com ela, Athena, quem lhes concedera a permissão de agir sob os mortais, provavelmente por ter destruído um dos dois que julgavam alguns mortos a quem castigavam. Talvez quisessem castigar seus cavaleiros por conta dos assassinatos que haviam cometido em nome de Athena e da Terra, mas por estarem sob sua proteção e pelo Santuário tratar-se de um lugar sagrado onde elas, Erínias, haviam jurado jamais pisar que não fossem como deusas pacíficas, algo impossível para suas fúrias impossíveis de aplacar com sacrifícios e afins. Estava assim, sendo visitada por Fantasia, quando sentiu a explosão de um cosmo muito conhecido. Levantou-se e foi até a sala da Estátua correndo. De lá, pode ver com nitidez o cosmo vermelho e descontrolado que se continuasse como estava, causaria muitos feridos quando saísse totalmente de controle.

Athena: Cassandra... – murmurou, saindo em disparada para o salão do Grande Mestre, pegando seu fiel Báculo e, sendo acompanhada por Shion, que lhe indagava sobre se sabia de quem se tratava, a deusa elevou seu cosmo, falando para que todos estivessem em Áries imediatamente, enquanto, contra seus princípios, usando de telecinese. Todos já estavam naquele lugar e assustaram-se ao ver a deusa surgir de repente.

Shaka: Athena... – começou, mas o olhar que a deusa naquele corpo de garota lhe dirigiu o fez calar-se. Ao mesmo tempo em que pedia para ficar quieto, confirmava suas suspeitas quando a quem pertencia aquele cosmo.

Athena: Onde estão Shura e Kanon? – perguntou buscando os dois com o olhar, não encontrando.

Shion: Shura foi como representante do Santuário para a sede do Clã Yunm numa série de reuniões sobre alguns assuntos que Shura ficará sabendo lá (N/A: Uma fic minha que ainda não está sendo postada chamada "O Clã de Assassinos"). – falou apressadamente. – Quanto a Kanon, não tenho idéia. – falou temendo a reação da deusa, porém, viu apenas um olhar guerreiro e compreensivo.

Athena: Vamos, se demorarmos, talvez nunca consigamos trazê-la de volta. – falou preocupada, com uma expressão séria, tomando a dianteira rapidamente.

Giovanna olhava o prato de comida à sua frente desanimada e confusa. Não entendia o que estava acontecendo; suas irmãs tinham convidado a doutora Acácia para almoçarem com ela, mas ela não sabia por que, e isso a deixara mais nervosa e confusa.

De repente, foi ouvido o som de um tiro vindo da rua. O que estaria acontecendo?!

Levantou-se correndo, sob os protestos de suas irmãs, e foi até a rua. Sentiu que tudo o que comera subir pelo esôfago e chegar à sua garganta. Sura jazia no chão, em cima de uma poça de sangue vermelho e vívido, escorrendo por um buraco à bala feito na testa. Não sabia porque alguém mataria Sua, era seu amigo desde que chegara em Atenas, a única coisa que sabia era que uma vontade assassina surgira dentro de si. Então, era a ele que se referia o sonho com espadas, espelhos, cordas e corpos enforcados.

Aquela vontade assassina, lentamente, transformou-se numa energia dourada que explodiu dentro de si e era possível enxergá-la a uma boa distância. Os olhos vertiam lágrimas de sangue que corriam desesperadas pelo rosto. De repente, como se não fosse ela, os cabelos curtos começaram a crescer numa velocidade acelerada, parando quando estavam na cintura, passando do loiro-ouro para o mais puro dourado. Os olhos roxos perderam as pupilas e tornaram-se castanhos, mas o mais puro castanho.

Marianna, Myuki e Acácia se entreolharam, assustadas, mas essas expressões passaram para expressões com crueldade. Um cosmo negro passou a sair de cada uma das três, asas de morcegos rasgaram as roupas para ganharem a liberdade. Os cabelos tornaram-se trançados de serpentes, sangue escorrendo dos olhos que haviam tornado-se tão negros quando a noite em que as Estrelas escondem-se de Nix, invocaram uma tocha e um chicote cada uma, enquanto os mais diversos tipos de serpentes saiam do chão e cercavam as quatro pessoas.

Marianna foi para o lado de Giovanna. Falou com uma voz que parecia o canto de um corvo.

Marianna (Megaira): Cassandra, não chore. Isso é necessário se quiser sua vingança. Era a única forma de quebrar o selo que Apolo tinha feito por segurança em você. Ele também cometeu seus crimes para que fosse por mim castigado.

Giovanna (Cassandra): Mas por que Apolo tinha me selado, Megaira? Do que ele tem medo, de que eu mate Athena? Isso é infundado, pois ele atacou Athena. – falou com uma voz carregada de ódio, secando as lágrimas.

Acácia (Alecto): Não, não é por isso. Em primeiro lugar, ele mesmo queria matar a irmã, derramando o sangue de seu sangue, e para isso, Nêmesis o castigaria, tenha certeza, mas o principal é que ele não queria ver alguém que há milênios era tão linda e tão pura, tanto de corpo, tanto de alma, ser manchada pelo sangue de outros. – faloucom uma voz que lembrava o silvo de uma serpente.

Giovanna (Cassandra): Mas eu já fui manchada! Fui manchada pelo ódio! E pela culpa de não ter conseguido salvar minha cidade, Tróia, há milênios! Quero vingança pela humilhação que sofri e por terem destruído a cidade que eu tanto amava! Quero vingar a morte de meus irmãos Páris, Heleno, Heitor, Polido, Creusa, Laodice, Dêifobo, Polixena, Polídoro, Antifo, Tróilo e Ilíone! Vingar a morte de meu pai Príamo e de minha mãe Hécuba! – falou derramando novas lágrimas de sangue, com um ódio impossível de ser ouvido na voz de um mortal.

Myuki (Tisífone): Cassandra, você terá sua vingança e depois retornará para o terceiro Céu, onde sua alma descansara por ter amado tanto Tróia e sua família, mas você precisa se controlar! Athena e seus cavaleiros estão chegando! – falou rapidamente com uma voz grave que lembrava o rugido de um leão, puxando Giovanna e as outras duas para trás, invocando com a tocha e com o chicote, dois leões dourados e ferozes.

Athena chegou com o báculo reluzindo com seu cosmo. Olhou assustada para as quatro figuras, não acreditava que era possível que elas estarem ali, nas já sabia que elas estavam irritadas com ela, ou seriam com seus cavaleiros.

Athena: Tisífone, Alecto e Megaira! O que fazem no corpo de humanas?! – falou com firmeza, avançando na direção dos leões que nada fizeram, mas quando Aiolos tentou avançar, se Saga não tivesse puxado-o, teria tido a perna arrancada.

Kanon observava os acontecimentos de longe. Ainda não entendia o que estava acontecendo. Correu o olhar por toda a rua, encontrando o mesmo Sálio que não muito tempo atrás tinha falado-lhe, desta vez com o capuz do manto abaixado. Retesava um arco que era apontado para a jovem de cabelos dourados e cacheados. Escondendo sua presença, foi até o local.

Giovanna (Cassandra): Elas estão aqui porque não suportavam mais ver minha alma tão humilhada e tão injustiçada pelos deuses! Tiraram-me do Terceiro Céu e prepararam estas mortais para receberem nossas almas para que minha vingança fosse cumprida! E ela começa por você, Athena! Vai pagar por ter sussurrado à Odisseu a idéia do Cavalo de Tróia que fez minha amada cidade cair! – falou irritada, avançando na direção da deusa, elevado mais ainda o cosmo que fez surgir em sua cabeça uma tiara dourada de princesa.

Athena não sabia o que dizer. Perdera a voz com as palavras da profetisa Cassandra. Sabia que ela era protegida de Apolo desde milênios atrás devido à beleza tão magnífica que tinha. Mas como ela sabia que ela que havia sussurrado à Odisseu o cavalo de Tróia? Não se lembrava disso.

Cassandra estava prestes à jogar a deusa de encontro à bocarra dos leões, quando sentiu algo pontiagudo perfurar seu ombro. Uma Flecha do Pânico, uma flecha vermelha, havia atravessado seu ombro direito. O cosmo foi abrandando e diminuindo até sumir, enquanto suor escorria pelo rosto e os olhos voltavam ao roxo com pupilas e os cabelos voltavam ao loiro-ouro anterior. Observou por um instante o rosto da deusa, murmurando um "Athena" antes de começar a cair de encontro ao chão, mas a jovem deusa amparou-a, sentando no chão e apoiando a cabeça de Giovanna em seu peito, acariciando os cabelos loiros e cacheados como uma mãe o faz para acalmar os filhos.

Athena: Descanse, criança. – sussurrou com voz terna, passando a olhar com furor para as outras três, chamando a Saga com o cosmo e pedindo-lhe que levasse Giovanna para o Santuário e a acomodasse num quarto no Décimo Terceiro Templo.

A deusa levantou-se, segurando com mão firme o báculo e apontando-o para Megaira, Tisífone e Alecto, as Erínia, as deusas do castigo e da vingança com poder sobre os mortais, enquanto Nêmesis o tinha sobre os deuses.

Athena: Voltem para o Hades, filhas do sangue de Urano que caiu sobre Gaia, se pensam que me enganam como enganam à Cassandra dizendo que estão cansadas de ver sua alma humilhada, quando na verdade querem trazer meus Cavaleiros para fora do Santuário e castigá-los por crimes não cometeram! – disse a deusa num raro rompante de raiva, enquanto via que as três, antes que o cosmo de Athena chegasse à elas, batiam as asas em direção ao ar.

Marianna (Megaira): Athena, não pode protegê-los pela eternidade! Quando eles foram para o mundo dos mortos, poderemos castigá-los! Mas vamos atormentá-los um pouco antes que isso ocorra! Lissa corre solta pelo mundo, com suas três faces a decidir o que fazem, logo ela voltara seus olhos para o Santuário e você verá que nada pode impedir a punição dos deuses! Não se esqueça também que Nêmesis está de olho em você e nos demais, apenas esperando um deslize seu para que a castigue! – gritou com sua voz de corvo, acompanhando as outras duas Erínias.

A deusa Athena sabia bem o que elas estavam falando. Sabia que não poderia protegê-los pela eternidade, mas os protegeria enquanto estivessem vivos.

Os Cavaleiros se entreolharam. A coisa tava preta, sentiam isso na pele ao verem as deusas do castigo. Shion mostrou-se preocupado, conhecia as três. O que significava que teria que tomar cuidado. As Erínias eram deusas que puniam os mortais, que Viviam nas profundezas do Hades, onde torturavam as almas pecadoras julgadas por Hades e Perséfone. Mas também tinham autoridade sobre a terra. Até onde sabia, sua poder só não chegava no Santuário, devido à um juramento feito à Athena, pela deusa da guerra justa ter concedido as deusas a permissãi de castigar os mortais por seus crimes, passando mesmo por cima de suas inesgotáveis sedes de vingança.

Kanon chegara onde o Sálio estava, este mirava para o coração de Giovanna, mas quando ia soltar a flecha, segurou uma das mãos do sacerdote guerreiro, fazendo com que a Flecha do Pânico acertasse o ombro direito da americana. Irritado por não chegar à tempo, começou a apertar o pescoço do homem.

Sálio: Inútil, a Flecha do Pânico, presente de Fobos para o pai Ares que deu sua tecnologia aos Sálios, é venenosa para qualquer um que tenha cosmo. Ela tem não mais que dois dias de vida, à menos que Hécata ou as Erínia lhe curem. Ninguém mais, nem mesmo Asclépio, tem poder para curá-la, nem mesmo o grande Ares e seu filho Fobos. – falou sentindo o ar faltar-lhe, até que a cabeça pendeu no corpo sem vida.