Minha mãe teve que aceita. Eram três contra uma e meu pai já tinha feito muito pra ela voltar atrás. Passaram-se uns cinco minutos, a Investigadora queria que ela ficasse a vontade, afinal ela recordar uma pessoa que não lhe fez bem.
A todo o momento meu pai não tinha saído do lado dela. Ela respirou fundo e começou a falar... seria duro mais era preciso. Tanto meu pai como o Wilson e eu queríamos que ele fosse parar atrás das grades!
- Eu tinha cancelado a minha conta no site de relacionamento, mais depois que o House saiu de casa e tinha me dado todos os sinais de que não voltaria eu resolvi seguir em frente... bem eu tentei seguir. Abri uma nova conta e vários homens apareceram nele. O Sean tinha algo diferente... algo bom e eu quis conhecê-lo. Marcamos de nos encontrar em um lugar aberto por precaução. Ele foi totalmente educado e sempre me cortejando, tenho certeza que qualquer mulher se sentiria bem ao lado dele. Mais eu ouvir uma vez que quem ver cara não ver coração, e, por mais que fosse doloroso, eu tinha que ter escutado o House.
Meu pai olhou pra minha mãe como se dissesse que tudo estaria bem e, como em raros momentos, ele colocou sua mão em cima da dela, balançou a cabeça e ela prosseguiu.
- Eu devia ter escutado ele, mas eu estava magoada. Quando o House e a Rachel viajaram o Sean aproveitou o momento e me pediu em namoro, de começo eu não queria aceitar, mas ai ele insistiu me prometeu mundos e fundos, e eu, boba, acreditei. Logo eu uma mulher tão vivida, pude cair nessa de promessas. Me senti tão idiota por isso, depois que aceitei sair com ele algumas noites mais ele sempre me deixava em casa. Não chegamos a... – ela fez um menção com a mão para que a investigadora entendesse o que ela queria dizer - não me sentir preparada. Acho que essa é a palavra que mais se encaixa. Os dias se passaram e quando dei por mim eu já estava apresentando ele a Rachel que, por sinal, odiou ele sem ter ao menos conhecido. As coisas estavam caminhando normalmente até o dia em que ele apareceu aqui e me pediu desculpas, eu não tinha entendido nada. Ele tinha dito que era um pedido antecipado por algo que um dia viesse a acontecer. Estávamos na minha sala e, do nada, o House entrou seguido do Wilson, e quando dei por mim o Sean estava caído no chão com o nariz sangrando. Ele tinha um olhar frio e eu repreendi o House por isso, mas sem saber dos reais motivos. Pedi uma explicação e a que recebi foi que o Sean machucou a Rachel... tal machucado eu que achei que tinha acontecido na aula de boxe. Pedi pra que todos saíssem da sala eu queria uma explicação dele. Ele simplesmente me disse...
"Olha aqui, se você pensa que vai termina comigo assim, a maluca aqui é você. Você não vai se ver livre de mim assim tão fácil. Tá ouvindo? Eu sou o cara certo pra você. E aquela sua pirralha bastarda não vai ser um empecilho pra mim. Ou você é minha ou você não vai ser de ninguém. Eu acabo com a bastardinha e com manco, e você vai ficar viva pra que eu possa usufruir do meu prêmio. Marque a data de hoje, lembre-se do que eu falei Lisa, eu não vou te deixar em paz, eu tentei ser o cara perfeito pra você, eu tentei mais isso não dependia só de mim."
Eu relevei achei que não ia acontecer mais nada, até que ele me ligou fazendo novas ameaças.
"Não, não, não minha querida. Você não vai a lugar algum. Você esqueceu-se do que eu falei? Se você não for minha não será de ninguém, eu você e aquela peste que você chama de filha poderíamos ser a família perfeita, mas ela não colaborou."
Eu já não tinha mais condições de trabalhar, por mais que a minha mesa estivesse cheia de documentos a serem assinados, eu não tinha condições. Resolvi ir pra minha casa e quando cheguei ao estacionamento fui surpreendida por ele. Fui prensada na porta do meu carro e ele começou a me bater e me puxou pelos cabelos. Teve um momento que ele me jogou no chão e eu cai de mal jeito em cima da minha mão, resultando no dedo quebrado aqui. Ele me arrastou até uma das pilastras, eu já não tinha forças pra nada ele rasgou meu vestido. Ele estava tentando o que não tinha conseguido desde que me conheceu até que o House chegou. Ele saiu correndo, entrou no carro e saiu em disparada. E agora eu estou aqui deitada na droga dessa cama tendo que falar que um imbecil que bateu na minha filha e em mim.
Pra Investigadora Navais aquilo já era o bastante. De começo ela achou que se tratava de um caso sem muitos cuidados mais com toda historia contada por minha mãe ela notou que não era tão simples assim. Tínhamos um maníaco, se era bem assim que ele deveria ser chamado, à solta, e ele precisava ser detido o quanto antes.
- Doutora Cuddy, você contou toda a sua versão, mas...
- Espera ai, versão? O Sean me bateu e você acha que eu estou inventando?
- Não, claro que não o que eu quis dizer e você me interrompeu foi o fato de eu precisa de fotos, qualquer coisa. O estacionamento tem câmeras, certo?
- Sim, temos câmeras em alguns cantos do estacionamento.
- E onde estavam os seus seguranças na hora da agressão?
- Isso virou um interrogatório? Você acha que eu estou inventando isso? Eu não faço ideia de que droga eles estavam fazendo na hora em que eu, infelizmente, estava sendo espancada por aquele filho da puta.
- Cuddy mantenha a calma – O Wilson interferiu.
- Tudo bem, eu entendo que a Dra. esteja passando por um momento de fragilidade, mas eu preciso verificar. Preciso de algo que comprove. Por mais que ele tenha lhe agredido eu preciso de prova, afinal, estamos lidando com um riquinho de meia tigela. Provavelmente ele deve ter suas artimanhas pra fugir de ser acusado.
- Provas, você precisa de provas? – Minha mãe bufou em descrença.
- Dra. Cuddy, esse tipo de caso é muito típico, já lidei com vários casos assim, mulher agredida e o culpado se passando por inocente. Eu preciso de todas as provas possíveis pra que eu possa abri uma investigação e um inquérito policial contra o Sean.
- Tudo bem, o Wilson pode lhe levar a sala dos seguranças.
- Ok! Quando eu estiver em posse das filmagens eu passo aqui.
- Obrigado Mariana. – Meu pai se aproximou e apertou calorosamente a mão dela e levou-a, junto com Wilson, até a porta.
Aquilo não tinha, nem de longe, passado despercebido pela minha mãe. Um obrigado vindo de meu pai e um aperto caloroso, aos olhos da minha mãe só faltava ele agarrá-la ali mesmo e tascar um beijo, o que, graças a Deus, não aconteceu. Mulher ciumenta é o mesmo que o diabo de saia... Deprimente.
- Mariana... Não sabia dessa sua intimidade com a I-N-V-E-S-T-I-G-A-D-O-R-A!
Meu pai se aproximou com um sorriso no rosto, o mais cínico que ele poderia usar e sentou-se ao lado dela na cama.
- Mariana é uma amiga.
- Amiga que você conheceu hoje, há algumas horas atrás.
- Sabe como é Cuddy, são aquelas sem previsão, as que são feitas no acaso, e sem qualquer explicação.
- Nossa você virou poeta agora? Eu não sabia desse seu lado doce.
- A Mariana me faz ficar assim.
- Então porque você não me deixa em paz e corre atrás de sua amiga de infância?
- Não quero.
- Porque não?
- Porque eu acho mais divertido te ver com ciúmes.
Uma gargalhada de deboche tomou conta do quarto, dava até pra ser ouvido do lado de fora. O mesmo olhar de descrença que antes tinha sido lançando pra Navais agora foi lançando ao meu pai que não se conteve e riu da ocasião. Minha mãe não se aguentou e começou a bater no braço do meu pai feito criança quando é xingada pelo amiguinho do maternal.
- Dá pra parar que não teve graça. Você se acha demais ao pensar que eu estou com ciúmes de você.
- Eu não me acho porque eu sei tá na sua cara que você está morrendo de ciúmes de mim com a Mariana.
- Dá pra parar de chama-la de Mariana? Cadê o profissionalismo?
- Está vendo?! Você é muito ciumenta.
- E você é muito chato.
- Você é mandona, chata e mentirosa. Quer dizer... uma péssima mentirosa.
- Poupe-me House.
- Você mente muito mal é sério. A Rachel mente mais que você.
- A Rachel não mente.
- Tá. Se você quer acreditar naquele poço de mentiras tudo bem... Quer dizer então que você não caiu na mentira dela do machucado na academia.
- Você tem razão, ela mentiu pra mim. Há quanto tempo ela vem mentindo?
- Eu acho que foi desde dos 6 anos quando ela disse que o amigo dela tinha quebrado o brinquedo dela e sendo que foi ela. Eu descobri de primeira.
- Meu Deus, a minha filha mente pra mim.
- Não se sinta única e exclusiva, ela mentiu várias vezes pra mim, pra o Wilson, até pra minha equipe.
- Eu preciso conversar com a Rachel, ela não pode mentir por ai. O que ela pensa que vai conseguir com isso?
- Posso dizer que maioria dos presentes dela foram pelas mentiras.
- E você aceitou isso?
- O que eu poderia fazer?
- House você é o pai dela.
- Eu sei.
- Sabe e não fez nada.
- Fiz sim. Coloquei ela de castigo. Um mês sem sair com os amigos.
- Claro... Isso porque ela foi pra casa da avó passar as férias com ela. Isso é seu castigo?
- Cuddy passar um dia com a sua mãe é um enorme castigo.
Minha mãe não conteve o riso, o meu pai tinha toda razão. Passar um dia com a minha avó era um martírio. Um mês era mesmo que ser bem vindo ao inferno. Meu pai parou e ficou observando-a enquanto ela ria. A tempos não a via assim... Tão a vontade na frente dele. Mesmo com as marcas pelo corpo a mão enfaixada ela permanecia linda. Minha mãe foi contendo o riso e parou observando ele. Ambos estavam próximos demais e o beijo foi inevitável. O desejo que antes era reprimido agora tinha sido lançado ao abismo e ai deles se não soubessem voar.
Pressa, desejo, amor. É... Amor. Ainda existia muito amor ali. Meu pai não se conteve em puxar sua cintura mais pra próximo, assim, colando os seus corpos. As mãos de minha mãe delicadamente foram até o pescoço do meu fazendo leves carinhos nos cabelos enquanto as mãos do meu pai deslizavam nas costas dela demonstrando o desejo guardado há tanto tempo. A pressa do beijo do desejo o duelo das suas línguas, tudo conspirava ao favor e a saudade deles dois. A droga do ar foi necessária assim afastando os dois, mais ainda assim eles permaneceram com as testas coladas, a respiração pesada os corações acelerados. Minha mãe apressou-se em abraçar o meu pai, o medo ainda fazia parte dela e isso era notado por ele que retribuiu o abraço de imediato. Aos poucos as lágrimas começaram a surgir novamente seguido dos soluços.
- Shhh, calma não precisa chorar.
- House... Me, me des... Desculpe-me.
- Desculpa pelo o que? Não precisa se desculpar.
- Não, me desculpa por ter desistido assim... Por não ter lutado.
- Se for assim à culpa é tão minha quanto sua. – Meu pai falou com um sorrisinho no rosto. Realmente a culpa era dos dois.
Meu pai se afastou e enxugou algumas lágrimas que teimavam e cair, afastou alguns fios de cabelo que ficaram no meio do rosto. Sorriu sorrateiramente arrancando também de minha mãe um sorriso.
- Eu acho que tive que levar uma coça pra notar que eu estava errada.
- Shh, não fale assim. Você só é cabeça dura.
- Olha quem fala. Você que é.
- Somos. Nossa a que nível chegamos. Estamos admitindo os nossos erros.
- Quem está admitindo o que aqui? Só você House.
- Mentido de novo e muito mal Cuddy.
- Vamos começar de novo?
Antes que um novo desentendimento viesse a ser começado a porta do quarto foi aberta pelo Wilson dando um susto nos dois.
- Você não sabe bater na porta Wilson? – Reclamou meu pai.
- Olha quem fala! Você nunca bate na porta antes de entrar, devo ter aprendido com você.
- Entre sem bater no quarto dos seus pacientes, e não no quarto da minha mulher, e se estivéssemos...
- HOUSE! – Cuddy deu-lhe um tapa no braço. Nem ficava mais corada com esse tipo de comentário.
- O que? Espera ele falou isso mesmo? "Quarto da minha mulher"? – Wilson falou com um olhar de dúvida e ao mesmo tempo de deboche.
- É isso mesmo House "Quarto da sua mulher"? – Minha mãe entrou na brincadeira do "O que você está falando House?"
- Pra que eu saiba você não se separou de mim Cuddy. Você não consegue resistir a mim querida.
- E com isso você diz que estamos bem, que voltamos a ser um casal, marido e mulher?
- Eu poderia dizer que voltamos a ser o House e a Cuddy totalmente extravagante e tarada na cama.
- Wow eu ainda estou aqui. Não preciso ficar sabendo o que vocês faziam na cama.
- Na sala dela, no vestuário, ou o que a gente poderia está fazendo agora se você não nos interrompesse. – Dessa vez foi minha mãe que cortou o meu pai com outro tapa no braço.
- Que isso mulher?! Se você continua me espancando serei obrigado a me internar aqui também, o que não seria uma coisa ruim olhando pelo meu lado.
- E olhando pelo meu lado eu vejo que você está dando dois passos de cada vez. Vamos com calma.
- Bem, eu não queria interromper a reconciliação de vocês mais eu vim avisar que a Navais teve que ir embora, eu não sei o que aconteceu mais ela ao ver a fita de segurança ela saiu em disparada daqui, e pela cara dela não era nada legal, ela só disse que começaria as investigações o quanto antes.
- Ela foi embora e não falou comigo! Que amiga é essa?! – Meu pai levou um olhar de puro ciúme de minha mãe.
- Wilson eu preciso de uma favor seu, é em relação ao meu paciente.
- Paciente? Que paciente House, você não está com nenhum paciente.
- Estou sim. - Meu pai piscou pra o Wilson que entendeu o recado e seguiu ele.
- O que aconteceu agora, você sabe que a Cuddy não vai cair nessa de paciente, mesmo ela estando internada aqui ela sabe que você não está com nenhum paciente.
- Eu sei mais eu precisava falar com você sem a presença dela, depois eu explico a ela ou eu tentarei explicar a ela. Agora a Mariana saiu correndo daqui? Ela te falou mais alguma coisa?
- House, ela só viu 5 minutos da fita pegou ela e saiu daqui o mais rápido possível e se possível pela pressa dela nem bala a pegava.
