Obrigada por todas as reviews fofas e lindas, mas peço outra vez que evitem spoiler porque muita gente ainda não tá att na fic, ok?


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* Once Again – Frankie Jordan

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Minha mudança para a residência dos Cullens foi antes do que eu previa, pois Esme não agüentou esperar mais duas semanas depois do Ano Novo para me ter sob sua custódia. Assim, poucos dias após o feriado, eu preparei minha mala com as coisas que precisava para o parto e para o mês de Janeiro e voltei a viver no quarto de Edward, que se mudou junto comigo. Foi o paraíso para Esme e Alice porque agora elas podiam fazer o que queriam comigo já que eu não conseguia me movimentar mais com rapidez por causa da minha barriga expandindo a cada segundo agora. Naquele mês eu senti falta de verdade de poder enxergar meus pés e dormir de barriga para baixo.

Trabalhar estava sendo um pouco mais difícil com o nono mês praticamente completo e eu me esforçava para escrever os artigos semanais do jornal enquanto o bebê girava em minha barriga e me causava azia e contrações precoces. Na primeira vez que eu senti meu útero contrair, praticamente me arrastei até o quarto de Carlisle para ele me explicar o que estava ocorrendo com meu corpo. Novamente, algo normal em uma gravidez que me assustou de verdade e me fez encarar pela primeira vez como seria no grande dia.

Esme me explicou em detalhes como era colocar um bebê no mundo e aquela mulher sabia ser detalhista. Eu entrei em pânico quando ela contou como foi colocar Jasper para fora e quando chegou a vez de narrar a chegada de Rosalie minha expressão de horror me denunciou tanto que Alice pediu que ela parasse antes que eu tivesse um AVC. Quando Edward chegou naquela noite do hospital, me encontrou sentada no meio da cama abraçada com o travesseiro especial que eu usava para dormir.

- Bella, o que aconteceu? – ele perguntou sentando em minha frente e me olhando com preocupação. – Está tudo bem?

- Não! – respondi mordendo o pouco de unha que eu ainda tinha. – Eu não vou conseguir, Edward.

- Conseguir o quê, Bella?

- Ter nosso filho. Eu não estou preparada para passar pelo processo de colocar essa criança para fora. – falei apontando para minha barriga. – Ele não pode nascer...

- Bella, respire fundo. – Edward pediu segurando minha mão apoiada no alto da barriga. – Não precisa se preocupar, eu vou estar ao seu lado...

- Mas não é você que vai passar por um buraco muito pequeno um bebê de 4kgs. E se eu não voltar ao meu tamanho normal depois? Pior; se ele não conseguir passar e ficar emperrado?

- Você fica mais linda ainda quando tem crises de ansiedade, sabia? – ele disse com aquele sorriso calmo que me deixava mais nervosa ainda.

- Pára de tentar me acalmar! – eu pedia estapeando seu braço, mas ele riu com aquilo. – Eu estou seriamente desesperada e você fica rindo!

- Porque não há motivo algum para você ficar desesperada dessa forma.

- Sua mãe explicou como tudo acontece. Em detalhes! Eu não quero passar por isso... Eu quero ter o bebê de modo cirúrgico.

- Bella, agora eu vou falar como médico e não seu marido. – Edward disse ficando sério e apertando meus dedos para me passar confiança. – Uma cesariana só é recomendável em último caso, quando o bebê não pode nascer normalmente, entendeu? Os riscos são grandes mais com infecção e o pós-parto demora mais. Se você tiver o bebê de parto normal, poderá andar no mesmo dia e voltar a sua rotina com uma semana no máximo.

- Mas vai doer muito, eu sei disso. – falei me balançando para frente e para trás.

- Ninguém disse que irá ser indolor, mas pense nos prós em fazer isso naturalmente, Bella. É melhor para você e para o bebê.

- Eu sei, mas eu não estou preparada... Eu não tenho estrutura para isso. – choraminguei e dessa vez as lágrimas começaram a cair. – Eu estou com medo, Edward...

- Bella, não chore. – ele pediu me abraçando. – Tudo vai ficar bem, Prince. Eu prometo...

- Promete? De verdade? – perguntei limpando minhas lágrimas.

- Prometo. Vou fazer tudo para que você fique bem. – ele prometeu beijando minha bochecha molhada de lágrimas e logo em seguida beijando meus lábios. – Nós vamos ficar bem.

- Mas eu continuo com medo... – não pude deixar de falar.

- Se você não estivesse com medo eu ficaria preocupado. Mas não se preocupe, a segunda vez é mais fácil...

- Não, não, não. – disse rapidamente levantando da cama. – Essa vai ser a primeira e última gestação que eu passo. Nada de segundo filho, Edward. Um já é mais que suficiente.

- Então nós só vamos ter um filho? – ele perguntou sentando na beirada da cama com um olhar sério. – Eu pensei que você quisesse outros...

- Eu sou filha única, não estou acostumada com muitas pessoas em minha família ao contrário de você. Acho que o melhor que nós podemos fazer é ter apenas um filho. É menos trabalho e nós saberemos cuidar melhor dele sem atenção dividida.

- Se você pensa assim... – Edward disse com um olhar triste, me fazendo sentir que eu estava errada.

- Você queria ter mais filhos? – perguntei sentando ao seu lado.

- Eu sempre imaginei ter mais que um filho, sabe? Uns quatro... no mínimo.

- Quatro filhos? – eu gritei essa pergunta. – Isso dá... – fiz um cálculo rápido na mente quando fiquei em pé. – São 36 meses grávida! Três anos de gravidez, Edward. Eu não vou passar por isso só porque você quer um time de basquete em casa!

- Tudo bem, não precisa ficar irritada dessa forma! – Edward pediu ficando em pé também e mexendo no cabelo daquela maneira que me informava que ele estava estressado. – Era só uma idéia, mas você é a dona do útero. Eu não posso te forçar a nada, não é mesmo? Quando esse bebê nascer nós vamos parar de transar também, ok? Pra nenhum outro acidente acontecer...

Nós estávamos brigando. Eu sabia disso porque eu estava gritando e sentindo meu coração bater mais rápido – o que também andava acontecendo constantemente por causa da gravidez – e Edward estava sendo sarcástico enquanto mexia em seu cabelo a cada dez segundos. Nós não brigávamos sério há muitos meses, talvez até a mais de um ano, e a razão para aquela discussão era nosso futuro. Nós estávamos casados há menos de seis meses e eu não esperava que falar sobre o que aconteceria em nossas vidas sempre terminasse em cenas como aquela.

- Está tudo bem aí dentro? – nós escutamos Esme perguntando batendo na porta. – Eu escutei gritos...

- Está tudo bem, mãe. – Edward gritou com uma expressão dura.

- Ok... mas qualquer coisa nos avise.

- Era justamente por causa disso que eu não queria ficar aqui. – ele comentou tirando a camisa e entrando no banheiro.

- Então tudo isso é minha culpa? – perguntei o seguindo. – Eu não quero ter quatro filhos, eu implorei para ficar na casa de seus pais no último mês... Tudo minha culpa, não é?

- Eu não disse que era sua culpa! – ele retrucou me olhando por cima do ombro enquanto lavava a rosto.

- Pois você deu a entender que o motivo para você estar tão estressado foram as escolhas que eu fiz...

- Bella, eu nunca disse isso. Não sei de onde você tirou isso...

- Você não precisa dizer, eu sinto isso. – falei completamente descontrolada agora, voltando a chorar. – Você anda estressado porque não consegue dormir direito porque eu passo a noite inteira tentando dormir, porque eu estou sempre reclamando de dor, porque eu gosto quando sua mãe me ajuda com a gravidez... Eu sei que seu estresse é minha culpa porque eu estou grávida!

- Nunca mais repita isso, entendeu? – Edward disse ríspido e isso me deixou assustada. – Eu não vou aceitar que você diga esse absurdo outra vez!

- Mas é verdade...

- Não é, Bella. Você não é o motivo para meu estresse. O trabalho me deixa estressado, passar vinte e quatro horas em um hospital suturando pessoas me deixa estressado, o controle obsessivo de minha mãe me deixa estressado. Não você, não a gravidez. Você não tem culpa.

- Então por que eu me sinto culpada o tempo todo? – perguntei e minha voz saiu embaralhada por causa das lágrimas novas e de minha respiração sufocada.

- Porque você está grávida, Bella. – ele respondeu respirando fundo. – Porque você está confusa por causa dos hormônios, por causa da tensão do último mês. Mas a culpa não é sua, entendeu?

- Entendi... – assenti e ele me envolveu com os braços, colocando um ponto final naquela briga.

- Desculpe ter gritado com você. – Edward disse acariciando minhas costas.

- Desculpe ter sido tão dramática. – falei beijando seu peito nu.

Levantei meu rosto para fitar o de Edward antes de beijar seus lábios molhados e deslizar minhas mãos por seu pescoço. Eu adorava sentir sua barba crescida espetando em minha mão e o modo que ele respirava contra meus lábios quando nossas bocas se separam por segundos antes de encaixarem com genialidade outra vez. As verdades de nossa relação poderiam ser inúmeras e as razões para brigar muitas, mas o que realmente valia a pena era saber que mesmo com todos os nossos defeitos e problemas, Edward e eu sempre estaríamos dependentes um do outro. Anos e brigas ainda estariam por vir, mas depois que a tempestade passasse, eu sabia que ele era o homem de minha vida e que outro não me faria feliz como ele.

- Ei, essa foi nossa primeira briga de casados. – Edward comentou segurando meu rosto entre suas mãos molhadas.

- Eu sei. – falei rindo baixo.

- Sabe qual é a melhor parte?

- Qual?

- Sexo de reconciliação. – ele respondeu piscando.

- É verdade, mas você terá que esperar mais algumas semanas para isso.

- Em algumas semanas eu vou cobrar esse sexo de reconciliação, entendeu?

- Entendi, senhor Cullen. Você não irá se arrepender pela demora.

As últimas duas semanas da gravidez passaram com muita dificuldade para mim e para Edward. Eu não dormia mais, apenas cochilava sentada na poltrona do quarto enquanto o bebê mexia o tempo todo, chutava e minhas contrações ficavam mais freqüentes. Edward estava ocupado demais com o trabalho agora que entrou na fase de cirurgias, onde poderia fazer alguns procedimentos com a supervisão do Dr. Stuart, e chegava depois da meia-noite em casa para dormir cinco horas no máximo. Foi essa razão que me levou a dormir na poltrona, para não atrapalhar as poucas horas que ele tinha para descansar antes de voltar a mais um turno de vinte horas.

Aquele dia 29 de Janeiro foi marcante em inúmeros aspectos para a família Cullen. Lembro bem de acordar junto com Edward naquela manhã e lhe dar um beijo antes dele ir ao trabalho. Lembro de Alice acordar mais animada do que o costume porque era aniversário de namoro dela e de Jasper – oito anos de relação – e comentar sobre o jantar no seu restaurante japonês favorito. Eu me lembro de várias coisas, mas a maior lembrança foi o começo de minha noite sentada no computador pesquisando alguns assuntos para futuras colunas quando senti a primeira contração forte. Passei a mão pela barriga respirando fundo como Carlisle me ensinou para a contração passar, mas em menos de dois minutos outra veio com mais força e eu afastei a cadeira um pouco da mesa.

Parecia que meu útero estava dando várias voltas em minha barriga e eu sentia o bebê se deslocando para baixo, procurando por uma posição que o deixasse confortável, mas que ao mesmo tempo comprimia meu diafragma mais ainda e me fazia sentir a movimentação com força. Tentei respirar fundo enquanto apertava a tampa da mesma, mas era difícil com as contrações chegando com intervalos de um minuto.

- Bella, olha esse sapato que eu comprei hoje. – Alice disse abrindo a porta.

Ela estava arrumada para ir jantar com Jasper, mas parou assustada quando me viu gemendo de dor e apertando os olhos.

- Você está bem? – ela perguntou se aproximando.

- Não... Estou tendo contrações muito fortes. – respondi e o intervalo diminuía para segundos.

- Oh meu Deus. Não se preocupe, eu vou... Você vai ficar bem, Bella.

- Chame Esme... Ai! – pedi tentando ficar em pé. - Rápido.

Alice segurou minhas mãos para me auxiliar a ficar em pé. As dores estavam mais fortes e eu comecei a suar de nervosismo com a certeza de que a hora havia chegado e eu estava em trabalho de parto. Meu medo de meses agora estava se tornando real e eu precisava passar por aquilo como uma mulher de verdade. A Bella adolescente com medo de sentir dor ficou no passado aquela noite.

- Esme! – Alice gritou no corredor quando me deixou sentada na cama. – Rápido!

Esme entrou no quarto quase correndo, pronta para dormir com o cabelo cheio de bobs e o robe de seda cobrindo sua camisola curta. Acho que atrapalhei seus planos para aquela noite e eu me senti mal por estar atrapalhando a noite de todo mundo com aquilo, mas eu também não tinha condição alguma de passar por todo aquele processo sozinha.

- Bella vai ter o bebê. – Alice a informou parando em minha frente – O quê nós fazemos?

- Ok, sem pânico. – Esme pediu respirando fundo e sorrindo para mim. – Ajude Bella a descer as escadas enquanto eu troco de roupa e pego a mala, certo?

- Certo. – ela disse segurando minhas mãos outra vez.

Levantei da cama com bastante dificuldade e Alice me segurava apesar de eu estar quase a puxando para a cama com a força que eu fazia. Ela tentava manter-se calma e não me deixar mais nervosa naquele momento, mas quando eu fiquei em pé e respirei fundo, a minha bolsa estourou no seu pé esquerdo.

- Meu Manolo... – ela choramingou olhando para o sapato encharcado de líquido amniótico.

- Desculpa, Alice... - eu tentei dizer, mas a dor piorava. - Meeeeeerda!

- Está tudo bem, não se preocupe. – Alice disse e eu senti que ela engoliu as lágrimas.

Jasper a ajudou enquanto nós descíamos as escadas e entravamos na garagem onde Esme já estava fechando o porta-malas do carro de Carlisle. Ninguém nunca dirigia aquela BMW nova que era a paixão do pai de Edward, mas o carro de Jasper estava consertando e Edward fora trabalhar com o Volvo. Era uma emergência e Carlisle teria que entender.

- Dirija, Jazz. – Esme pediu jogando a chave para Jasper.

- Não posso, esqueceu? – Jasper retrucou jogando a chave de volta para ela. – Minha carteira está vencida.

- Eu não dirijo há anos. – Esme falou perdendo a calma.

- Eu dirijo... – Alice falou.

- Não. Fique comigo, Alice. – eu pedi apertando sua mão quando minha barriga se retorcia. – Por favor.

- Ah, dane-se. – Esme falou abrindo a porta do motorista. – Eu dirijo, mas meu neto não nasce nessa garagem.

Esme dirigindo era algo fora do comum. Ela não respeitava uma placa ou limite de velocidade, passou alguns sinais vermelhos e ia a quase cento e vinte quilômetros por hora pelas ruas desertas, para nossa sorte. Jasper ligava para Emmett e Rose – que estavam em uma festa – e eu apertava a mão de Alice quase quebrando seus dedos frágeis.

- Carlisle, finalmente. – Esme disse no celular. – Bella está em trabalho de parto. Onde está Edward?

- Respire cachorrinho, Bella. – Alice me pediu.

- Eu não vou fazer isso, é ridículo! – gritei com a dor monstruosa que me atingiu.

- Tudo bem, tudo bem... – ela aceitou com medo.

- O quê? Isso é maravilhoso, querido, mas que horas ele sai? Você não sabe? Tudo bem, já estamos chegando.

- Onde está Edward? – eu gritei quando ela desligou o telefone.

- Acabou de entrar em uma cirurgia importante. – ela respondeu fazendo uma curva fechada e me jogando contra a porta do carro. – Ele vai poder fazer a cirurgia, isso não é maravilhoso?

- Eu estou quase tendo o filho dele no banco traseiro de um carro e ele está operando? – eu gritei indignada com a situação e a dor.

- Mas Carlisle já foi avisá-lo, não se preocupe. – ela me garantiu.

Nós já estávamos na emergência do hospital e Carlisle esperava com uma enfermeira e uma cadeira de rodas. Jasper me auxiliou a sentar na cadeira enquanto Alice tirava a mala do carro e Esme o levava para o estacionamento correto.

- Preparada, Bella? – Carlisle perguntou enquanto eu era levada pela emergência.

- Não. Onde está Edward? – perguntei apertando minha barriga e gritando de dor. – Pelo amor de Deus!

- Não se preocupe, ele chegará a tempo.

Algo me dizia que Edward não iria chegar a tempo e eu passaria pelo processo de parir sozinha, sem sua ajuda. Naquela noite eu consegui o impossível ao sentir medo e força ao mesmo enquanto me preparava para o parto. Colocar aquela criança para fora estava me deixando louca.

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EPOV

O começo da noite foi tranqüilo até o momento que o Dr. Stuart disse que eu poderia participar daquela remoção de coágulo do cérebro do meu novo paciente. Eu já havia visto algumas cirurgias daquele tipo, mas participar era algo mais importante. Naquela cirurgia do dia 29 de Janeiro eu tinha a permissão para cortar algo do cérebro de alguém. Só isso já estava tornando a data importante para mim, mas outras coisas estavam por vir.

Me preparei para a cirurgia com muita calma, tentando não ficar nervoso demais e minhas mãos começarem a tremer. Meu pai apareceu enquanto eu fazia a higienização das mãos para me desejar boa sorte e dar umas últimas dicas como pai e cirurgião com a carreira longa. Quando o Dr. Stuart chegou à sala de higienização e eu vi através do vidro o paciente sendo anestesiado, o nervosismo começou a me dominar e eu tentava dispersá-lo com respirações longas.

- Nervosismo é bom para a primeira cirurgia, Edward. – ele disse sorrindo para mim. – Eu confio em sua habilidade para cirurgião, você irá se sair bem.

- Obrigado, Dr. Stuart. Prometo que não irei decepcioná-lo.

- Apenas se esforce no centro cirúrgico como você faz fora dele. – ele disse balançando as mãos molhadas e pegando duas folhas de papel para enxugá-las. – Preparado?

- Acho que sim... – falei o seguindo até o centro cirúrgico.

Enquanto a enfermeira colocava as luvas cirúrgicas em minhas mãos, eu repassava tudo o que meu pai havia me dito e tudo o que aprendi dos livros de neurocirurgia que eu devorei na última semana tentando entrar em alguma cirurgia. Eu estava me esforçando ao máximo para ser o número um na residência de neurocirurgia, poder trabalhar com o Dr. Stuart no Hospital Escola de Princeton era um sonho que eu alimentava desde o começo da faculdade e naquela noite alguns dos meus sonhos estavam sendo realizados.

Os primeiros trinta minutos da cirurgia foram fáceis – abrir o crânio e as meninges para finalmente atingir o cérebro – e eu estava sendo o espectador até então, parado ao lado do Dr. Stuart enquanto ele atingia o local onde o coágulo estava. Logo abaixo do lobo temporal nós o encontramos e o Dr. Stuart focou a luz nele e me indicou com o bisturi onde eu deveria fazer incisão para tirá-lo.

- Agora é com você. – ele disse afastando suas mãos e indicando o cérebro aberto com a cabeça.

Olhando para o pequeno coágulo, eu respirei fundo e fechei os olhos por alguns segundos. Aquele era o momento que eu mais esperei de minha vida; eu estava olhando para uma parte de um corpo humano que precisava ser cortada e essa era minha função. Eu salvaria a vida daquele homem colocando em prática o que aprendi em cinco anos de faculdade e dois anos como interno antes da residência. Chegou o momento de Edward Cullen mostrar que entrou naquele programa por mérito próprio, não por ser filho do coordenador.

- Bisturi. – eu pedi estendendo minha mão para a enfermeira.

O que eu precisava fazer era simples e com um pequeno corte na veia que ligava o coágulo ao cérebro o paciente poderia viver sem problema algum, mas a responsabilidade de uma vida pesou no bisturi quando eu o peguei e o inclinei em direção ao local que eu deveria operar.

- Uma pequena incisão na base é o que você precisa fazer. – Dr. Stuart disse me orientando.

- Ok... – respondi tentando não tremer.

A lâmina do bisturi já estava na raiz do trauma quando a porta do centro cirúrgico abriu e uma enfermeira apareceu segurando uma máscara contra o rosto.

- Dr. Cullen. – ela disse com pressa. – Seu pai pediu para lhe avisar que sua esposa está no hospital.

- Bella está aqui? – eu perguntei sem entender. – O que aconteceu?

- Pelo o que eu entendi, o senhor vai ser pai em alguns minutos. – ela respondeu rindo.

O bisturi tremia com violência agora contra o coágulo e uma enfermeira afastou minha mão para não causar um dano maior ao paciente. Meu filho estava nascendo na mesma noite que eu faria minha primeira cirurgia, era incrível e insano demais para ser verdade. De repente, toda aquela preparação de meses para esse momento desapareceu quando eu presenciei de verdade como era saber que seu filho estava nascendo em algum lugar daquele mesmo hospital.

- Meu filho está nascendo? – eu repeti com o olhar perdido.

- Parabéns, Edward. – Dr. Stuart disse afagando meu ombro.

- Eu preciso ir... Eu vou ser pai.

- Tudo bem, você faz outra cirurgia. – ele disse e eu sabia que ele estava sorrindo apesar da máscara cobrir metade do seu rosto. – Mande um beijo para Bella.

- Eu vou ser pai... – eu repetia enquanto a enfermeira me ajudava a tirar as luvas e o avental cirúrgico. – Eu vou ser pai.

- Mas você vai perder o parto se não correr. – ela disse e eu terminei de tirar toda a parafernália para a cirurgia.

Arranquei minha máscara e joguei na lixeira antes de sair correndo porta afora, um sorriso escancarado no meu rosto. Dois andares acima do meu, em um quarto de hospital, Bella estava quase dando a luz ao nosso filho, a criança que eu esperei meses para ver o rosto e saber como era. Eu seria capaz de gritar enquanto corria pelos corredores do hospital, mas eu acho que eu fiz isso em algum momento, pois as pessoas me olhavam com estranheza. Eu não estava ligando, meu filho estava nascendo e eu precisava correr mais um pouco...

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BPOV

Deitei na cama do quarto de hospital e a minha dor só estava piorando com o passar do tempo. Carlisle conversava com as enfermeiras que ficariam no parto e tentava me acalmar, mas eu não queria calma, eu queria Edward segurando minha mão e dizendo que tudo ficaria bem.

- Pronta, Bella? – Dra. Bishop perguntou entrando no quarto, pronta para o parto. – Alguém quis chegar mais cedo que o esperado, não foi?

- Eu não estou pronta... – protestei enquanto colocavam minhas pernas no suporte da cama e eu era examinada. – Onde está Edward?

- Ele já está vindo, Bella. – Carlisle disse tentando me segurar na cama porque eu queria levantar e procurar Edward, mesmo que as contrações me impedissem até de respirar.

- Ok, Bella. 10 de dilatação. – Dra. Bishop disse entre minhas pernas. – Pronta para empurrar?

- Não... Eu não posso fazer isso sem Edward. – falei apertando as grades da cama.

- Bella, você precisa empurrar agora senão irá complicar a situação a criança, entendeu?

Naquele momento, eu não estava raciocinando direito, eu só queria ver Edward antes de começar a expulsar o bebê de meu corpo. Todo mundo poderia dizer qualquer coisa, explicar as conseqüências de atrasar o parto, mas eu não tinha forças para fazer aquilo sem ele ao meu lado, mas pelo o que tudo indicava eu teria que conhecer sozinha nosso filho. Lágrimas molharam meu rosto com aquele pensamento.

- Eu fico com você, Bella. – Carlisle disse segurando minha mão.

Engoli meu choro e inclinei meu corpo para frente, começando o movimento que me perseguiria por quase uma hora. Parecia ser muito simples – inclinar meu corpo para frente com força – mas a dor em meu útero e costas me faziam chorar com vontade agora. Escutar todas as pessoas do quarto dizendo coisas como "Isso, Bella" e "Só mais um pouquinho..." só me deixavam mais nervosa ainda. Onde diabos Edward estava operando? Na China, por acaso?

- Vamos lá, Bella. – Dra. Bishop me incentivava. – Com mais força agora...

- Eu. Não. Consigo. – falei entre meus dentes, apertando a mão de Carlisle e da enfermeira com toda a força que eu conseguia.

- Já está terminando, Bella. – Carlisle me disse com seu sorriso calmo de médico. Como eu quis matá-lo naquele momento.

De acordo com o que eu sentia ocorrendo com meu corpo, não estava nada perto de terminar. Eu sentia cada milímetro do meu útero se deslocando para baixo conforme eu deslocava meu corpo para frente e pressionava minha barriga. Parecia que minha coluna iria descolar do meu corpo e eu não sentia mais as minhas pernas dormentes de tanto tempo naquela posição. Definitivamente, eu não queria passar por aquilo novamente.

- Bella!

Entrando correndo pela porta, Edward apareceu ainda vestido para a cirurgia daquela noite e com a touca na cabeça. Ele estava ofegante quando parou ao meu lado e puxou meu rosto para me beijar. Ao vê-lo, todas as dores de meu corpo desaparecem e eu caí na cama completamente relaxada, deixando toda aquela história de empurrar um pouco de lado.

- Desculpe a demora... – ele disse segurando meu rosto molhado de suor e lágrimas.

- Eu pensei que você não fosse chegar a tempo. – falei segurando suas mãos com força.

- Até parece que eu iria perder esse momento. – ele disse me beijando mais uma vez.

- Bem vindo, Edward. – Dra. Bishop disse interrompendo nossa conversa. – Podemos continuar, Bella?

Eu segurei suas mãos e o fitei, esperando que ele me desse algum sinal para que eu continuasse todo o processo. Edward colocou sua testa na minha e apertou minha mão com mais força enquanto o meu sorriso aparecia em seu rosto iluminado pela ansiedade e pela corrida.

- Vamos conhecer nosso moleque, Prince.

Foi o suficiente para me fazer voltar a empurrar com força contra a minha barriga e voltar a sentir toda a pressão do parto em meu corpo, mas ter Edward ao meu lado serviu como um analgésico natural para minhas dores exacerbadas. Ele podia dizer as mesmas frases que eu escutei durante toda a noite que eu não me importava nem um pouco se elas só me deixavam mais nervosa, eu só queria escutar sua voz me relaxando e ver seu sorriso quando ele dizia que falta pouco. Podia faltar uma eternidade para o parto acabar, eu estava realizada demais com a presença de Edward finalmente.

A última parte, quando o bebê praticamente passa inteiro por um espaço muito pequeno – a sensação pelo menos era essa – foi a pior. A dor era insuportável e eu não conseguia segurar o grito quando o alívio chegou. Eu desabei na cama completamente destruída e parecia que eu tinha corrido mil quilômetros carregando duas toneladas nas costas. O cansaço era incurável, mas eu encontrei força no choro baixo ecoando pelo quarto.

Meu filho chorava baixo, como se estivesse reclamando do frio que fazia fora do meu útero, e eu lutava contra a vontade de dormir para vê-lo logo. Eu tinha pressa para saber com quem ele parecia, se ele era perfeito, se tinha tudo no lugar, mas ele demorava a chegar nos meus braços. Edward foi o primeiro a vê-lo.

- É um menino, Bella. – ele disse o olhando enquanto provavelmente cortavam o cordão umbilical. – Um menino...

- Eu quero vê-lo... – falei com a voz fraca, apertando a mão de Edward.

- Calma, mamãe. – escutei Dra. Bishop dizer entre minhas pernas.

Alguém colocou o embrulho em meus braços e eu afastei a manta para poder ver pela primeira vez o rosto daquele bebê. Ele se remexeu em meus braços e reclamou mais um pouco, mas não estava chorando mais. Era como se ele estivesse encontrando proteção em meus braços e sob o olhar atento de Edward ao nosso lado. Eu simplesmente não conseguia tirar os olhos de cada detalhe dele.

Por ter apenas alguns minutos de nascidos, eu ainda não poderia dizer com certeza com quem ele mais se parecia, mas definitivamente aquele cabelo dourado e arrepiado era de Edward. Seu nariz minúsculo levemente torto para a esquerda também era herança de Edward, mas quando ele abriu os olhos e fitou-me com aquele par em tom chocolate, eu também me vi nele. Nossa combinação genética deu origem ao bebê mais perfeito do mundo, com vinte dedos, duas mãos, dois pés, boca, nariz e orelhas no seu lugar.

- Ele é perfeito. – Edward murmurou preso no bebê em meus braços.

- Eu sei... – falei com a face presa em uma expressão; satisfação.

Eu estava satisfeita por ter passado por tudo em nove meses de gestação e por um parto doloroso na hora anterior porque minha recompensa era um filho incrivelmente lindo e uma sensação indescritível. Era como se nenhuma tristeza mais fosse capaz de tomar conta de mim, a felicidade de ser mãe e de gerar uma vida como aquela era superior a qualquer outro sentimento. Eu finalmente podia dizer que era uma mulher completa agora.

- Obrigada... – eu murmurei para Edward, desviando um pouco o olhar de nosso filho. – Por esse momento tão perfeito.

- Eu ia te agradecer pela mesma razão. – ele riu observando nosso filho piscar e se remexer nervoso em meu braço. – Obrigado, Prince.

Meus olhos queriam fechar com o cansaço, mas isso não me impediu de continuar agradecendo a Edward por aquela sensação incrível de ser responsável por uma vida agora e ele queria fazer o mesmo, pois segurou meu rosto suado e vermelho em suas mãos ligeiramente trêmulas e beijou meus lábios. O quarto estava cheio de enfermeiras e médicos, além de seu pai, mas eu precisava sentir o beijo apaixonado de Edward para completar aquele momento que ficaria em minha memória para sempre. A felicidade parecia nunca ter fim e só aumentava conforme eu tomava conhecimento dos seus lábios contra os meus e de sua mão acariciando meu rosto.

- Eu te amo... – murmurei fungando alto por causa das lágrimas mais uma vez.

- Para sempre. – ele retrucou me fazendo derreter com o sorriso torto que me pertencia.

Eu poderia beijá-lo a noite inteira se a enfermeira não parasse ao meu lado e pegasse meu filho de meus braços, fazendo o choro baixo voltar a tomar conta do quarto.

- Ei, onde você está o levando? – perguntei a vendo sair do quarto com ele.

- Não se preocupe, Bella. – Carlisle disse afagando meu ombro. – Ele só vai fazer os exames necessários e já volta para você.

- Mas eu... – falei tentando me levantar da cama, mas ele me forçou a deitar novamente.

- Bella, fique parada. A Dra. Bishop precisa te suturar.

- Suturar? – perguntei sem entender. – Mas foi parto normal...

- Eu sei, mas foi um garotão e você é bastante pequena, sabe? – ele disse e eu percebi a vergonha em sua voz.

Eu não o culpei por ficar vermelho, pois realmente era uma situação constrangedora contar a nora que ela precisava reparar o estrago em uma parte muito íntima que apenas seu filho conhecia, bem diga-se de passagem. Bufei alto ao voltar a encostar minha cabeça no travesseiro e logo eu senti as picadas de agulha anestesiando . Ótimo, nem nessas horas eu estava livre dos meus companheiros chamados pontos.

- Alguém precisa avisar a Charlie... – lembrei sentindo a puxadas com a linha que Dra. Bishop dava sem delicadeza.

- Eu vou fazer isso. – Edward falou levantando do meu lado na cama. – Tente descansar, Prince. Você já fez muito por hoje...

- Mas não demore. Eu não quero ficar sozinha...

- Certo. – ele disse beijando minha testa e saindo do quarto.

Escutei os gritos vindos do corredor antes dele fechar a porta e esperei paciente para que terminassem de me remendar. Finalmente eu pude colocar minhas pernas em uma posição normal e me ajeitei na cama sentindo meu quadril e costas reclamarem do esforço que os obriguei a fazer.

- Você ficará bem, Bella. Não se preocupe com as dores e os pontos. – Dra. Bishop disse tirando as luvas cirúrgicas e sorrindo. – Em uma semana você volta para tirá-los e nada de sexo durante quinze dias, ok?

- Eu estou tão cansada que talvez eu não faça nenhum tipo de esforço no próximo mês. – respondeu rindo sem força alguma e fechando meus olhos.

- Prepare-se para anos de esforço a partir de agora, querida.

Eu ainda a escutei falar, mas o sono me dominou em questão de segundos e eu adormeci para tentar me recuperar de toda a batalha daquela noite.

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EPOV

Quando eu vi o bebê nas mãos de Dra. Bishop chorando baixo e tentando entender o que estava acontecendo, eu não consegui controlar minha emoção. Era meu filho que acabara de nascer, que eu esperei ansiosos nove meses para ver pela primeira vez e poder sorrir ao perceber que ele tinha mais de mim do que eu pude esperar. Ele era tão frágil e desprotegido que minha única vontade era pegá-lo no colo e não me afastar mais dele.

Eu nunca tive muito jeito para cuidar de criança, muito menos de um bebê recém-nascido, mas só de saber que aquele bebê gordinho nos braços de Bella era meu filho, era a conseqüência de meu amor por ela, o sentimento paterno tomou conta de mim. Agora eu entendia como Carlisle se sentia ao tentar nos proteger de tudo – muitas vezes passando dos limites com sua preocupação exagerada em relação a Rose – e lhe dava toda a razão do mundo. A partir daquele momento, quando meus olhos caíram sobre meu filho pela primeira vez, eu entendia como era temer por tudo que o mundo poderia causar a ele e minha única razão na vida agora era protegê-lo.

Eu chorei como era esperado e não tinha vergonha disso. Ver um ser humano recém nascido começar a viver em meu mundo não podia ser comparado a nada em outro momento de minha vida e Bella entendia como eu estava me sentindo ao observar o bebê reconfortado em seus braços. Ela estava linda com sua face vermelha e suada, os olhos brilhando com lágrimas e o início de sua vida de mãe e eu a amava mais ainda por ter me dado mais um motivo para ser o melhor homem do mundo. Eu a tinha para sempre e agora era responsável por mais alguém.

- Tente descansar, Prince Você já fez muito por hoje... – eu falei tentando organizar sua franja bagunçada.

Bella parecia lutar contra o cansaço que o parto lhe causou, mas eu sabia que assim que pudesse ela estaria dormindo profundamente. A deixei terminando a sutura – sabendo que isso a desagradou muito – e saí do quarto para encarar minha família reunida no corredor. Minha mãe apertava as mãos de nervosismo enquanto eu respirava fundo e não escondia o sorriso em minha face também cansada.

- É um menino. – eu murmurei rindo baixo.

Alice, Rose e mamãe deram gritos de emoção enquanto apertavam meu pescoço em um abraço. Eu já tinha visto aquela cena inúmeras vezes enquanto estava de plantão no hospital, mas agora eu entendia porque a família do bebê não conseguia parar de abraçar os pais e dar gritos às vezes irritante. O novo membro da família acabara de chegar ao mundo e novamente eu não podia comparar aquela sensação a outra qualquer.

- Nós o vimos passar, mas a enfermeira não respondeu nossas perguntas. – minha mãe disse me conduzindo até um banco no corredor e me fazendo sentar para o questionário. – Ele é perfeito, não é? Tudo no lugar, saudável...

- Aparentemente, sim, mas eles vão fazer todos os testes agora e daqui a pouco vocês poderão conhecê-lo no berçário. – respondi finalmente tirando minha toca cirurgia.

- Eu jurava que seria uma menina, mas um sobrinho é tão perfeito quanto. – Alice disse e eu a fitei pela primeira vez, percebendo que ela usava protetores nos pés e segurava o salto alto na mão.

- Por que você está sem o salto? – perguntei sem entender.

- A bolsa de Bella estourou no Manolo novinho dela. – Rose respondeu rindo baixo. – Papai a deu esses protetores engraçados.

- Sério? – perguntei sem conseguir imaginar aquela cena.

- Está tudo bem, apesar de terem sido quase US$ 800,00 dólares por água abaixo. – ela respondeu dando de ombros com muita tristeza. – Eu sei que Bella não fez isso de propósito.

- Isso é tão Bella... – murmurei rindo baixo.

- Como ela está, querido? – minha mãe perguntou acariciando meu cabelo bagunçado.

- Encantada, feliz, nas nuvens... Não sei explicar direito.

- Eu entendo. Ela está realizada.

- Eu preciso avisar a Charlie... – falei lembrando rapidamente do pedido de Bella.

- Não se preocupe, eu já liguei para ele quando chegamos aqui. – minha mãe disse ainda tentando arrumar meu cabelo. – Ele disse que pegará o primeiro vôo na Guatemala para vir conhecer o neto.

- Eu estou tão cansado. – comentei encostando minha cabeça na parede. – Eu não fiz nada comparado a Bella, mas eu me sinto destruído.

- Não é pra menos, Edward. Você correu três andares de escada em menos de cinco minutos pelo o que escutamos as enfermeiras comentarem. – Rose comentou.

- Eu sabia que Bella ficaria louca se eu não chegasse a tempo.

- Mas o importante é que você chegou a tempo e agora vocês têm um bebê lindo na nossa família. – minha mãe disse beijando minha bochecha e limpando a marca de batom que deixou.

- Preciso falar da novidade para meus colegas. – falei ficando em pé apesar de querer ficar sentado naquele banco uma eternidade.

- Vocês já sabem como ele se chamará? – Alice perguntou enquanto eu andava pelo corredor.

- Anthony é um nome bonito. – escutei minha mãe comentar.

- Eu gosto de Julian. – Rose também deu sua opinião.

- Não, Patrick é mais bonito. – Alice falou.

- Parem de escolher esses nomezinhos. – Emmett disse as repreendendo. – Tem que ser um nome másculo, como Emmett ou Steve...

Não deixei de rir com aquela discussão inútil sobre o nome do bebê, pois eu sabia que Bella já havia escolhido um nome para cada sexo durante a gravidez. Ela não havia me dito quais eram as opções – alguma superstição boba que ela tinha -, mas eu sabia que o nome teria algum significado para ela. Eu imaginei que, se fosse uma menina, ela faria algum tipo de homenagem à mãe e se fosse um menino ela faria a Charlie, mas não me preocupei com isso naquele momento. Virei no corredor depois da recepção e segui em direção a um lugar que não era a Sala de Emergência onde meus colegas estariam.

O berçário ficava perto dos apartamentos da ala da maternidade e foi até lá que eu caminhei respirando fundo de ansiedade. Ele poderia não estar ali ainda, mas eu esperaria em frente ao grande vidro para ver meu filho outra vez nem que horas passassem até ele chegar. Mas para minha sorte, assim que eu parei em frente ao berçário, a enfermeira estava o colocando no berço da segunda fileira. O reconheci por causa dos poucos fios dourados na cabeça e da identificação no berço dizendo "Cullen, Isabella".

Lá estava ele, enrolado no cobertor azul claro com carneirinhos estampados e os olhos iguais aos de Bella mexendo com todos os estímulos ao seu redor. Meu rosto não se cansava de sorrir quando eu o via tomando conhecimento de tudo ao seu redor, de todas as novidades excitantes para seu cérebro de bebê e eu queria tê-lo rapidamente em meus braços. Eu estava ansioso para ver seus primeiros passos, suas primeiras palavras, ensiná-lo a jogar futebol e a paquerar as menininhas no jardim de infância, mas ele tinha menos de uma hora de nascido e toda uma vida pela frente. Eu já podia sentir que aquele moleque transformaria minha vida por completo.

Senti alguém afagar meu ombro e percebi que todos os Cullens estavam ao meu lado também presos com a imagem encantadora do bebê. Meu pai abraçava minha mãe pelo ombro com um sorriso nos lábios e outros dois casais também compartilhava um momento particular ao observar o novo membro da família, como se ele – alguém que ninguém conhecia há uma hora - fosse capaz de tornar o amor mais presente entre nós. Era estranho, mas eu já amava muito aquele bebê que eu imaginei que fosse demorar alguns anos para chegar à minha vida, mas ele estava lá pronto para ser protegido e guiado por Bella e eu.

- Ele é sua cara, Edward. – Alice comentou com sua voz demonstrando emoção. – O cabelo arrepiado, o nariz... tudo.

- Exceto os olhos. – falei o observando se mexer no berço. – São os olhos de Bella.

- Oh meu Deus, me deu até vontade de ser mãe. – Rosalie disse fazendo gestos com as mãos para atrair a atenção do bebê.

- Nem brinque com uma coisa dessas, Rose. – Emmett pediu com muito desespero, principalmente com o olhar que meu pai lhe lançou.

- Ursão, eu estava brincando. Não sou louca de ter um filho agora. – Rose disse apertando a bochecha de Emmett. – Um sobrinho fofo já me basta.

- Já ia me esquecendo de comprar os balões. – minha mãe disse. – Eu encontro com vocês daqui a pouco.

- Que balões? – eu perguntei sem entender.

- De boas vindas ao bebê, para decorar o quarto. – ela explicou como se aquilo não fosse desnecessário.

- Mãe...

- Por favor, eu quero mimar meu primeiro neto.

Eu não conseguiria frear os mimos de toda a família com o bebê, mesmo que Bella também concordasse comigo nesse aspecto. Nós teríamos que aceitar todos os presentes que ele ganharia daqui pra frente, todas as roupinhas que Alice e Rose comprariam na Baby Dior provavelmente, as brincadeiras que Emmett faria para distraí-lo e as tentativas de ensiná-lo baseball que Jasper teria. Não era muito difícil imaginar como ele seria tratado por cada membro de sua família.

- Eu não acredito... – Jasper comentou rindo.

- O quê? – perguntei olhando para meu filho no berço com a mão esticada em direção à bebezinha ao seu lado, fechando e abrindo a palma como se estivesse a chamando.

- Ele já está paquerando a companheira de berçário. – ele respondeu rindo com a cena. – É um Cullen mesmo.

Todo mundo poderia ficar horas o observando executar os primeiros movimentos, mas eu queria ver como Bella estava agora que já havia descansado um pouco e tentar impedir minha mãe de encher o quarto de hospital com balões azuis.

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Lucky Man – The Verve

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Bella ainda estava dormindo quando eu entrei no quarto antes de todo mundo. Seu cabelo avermelhado estava bagunçado, mas ela continuava linda com suas bochechas coradas e lábios entreaberto enquanto respirava lentamente. Sentei no espaço livre ao lado do seu corpo e coloquei um braço sobre sua cabeça para me apoiar enquanto tirava os fios de cabelo em seus olhos. Como ela tinha um sono leve, despertou com meu toque em sua pele e automaticamente deitou sobre meu peito como costumava fazer em nossas milhares de noites, se aconchegando enquanto ensaiava acordar. Se ela pudesse, ficaria um bom tempo deitada confortável em mim, mas eu tinha minha própria técnica de acordar Bella quando ela não estava muito afim de fazer isso.

- Acorde, Prince. – sussurrei em seu ouvido. – Tem um batalhão lá fora querendo te parabenizar...

- Eu estou muito cansada... – ela murmurou abrindo os olhos e respirando com exaustão.

- Eu sei, mas mamãe vai ter um aneurisma de ansiedade se não encher seu quarto de balões azuis e lhe der um abraço.

Ela bufou escondendo o rosto contra meu peito e eu senti sua respiração pesada contra ele, sabendo que Bella estava respirando meu perfume para acordar por completo. Ela adorava fazer aquilo e eu adorava saber que eu causava esse tipo de sensação nela, mas Bella precisava receber nossa família antes do bebê voltar para seus braços.

- Ok, pode chamá-los agora. – ela disse sentando com dificuldade na cama por causa dos pontos. – Estou preparada.

Beijei sua testa antes de levantar da cama e chamar todos no corredor para entrar no quarto. Minha mãe foi a primeira a entrar, segurando alguns balões azuis na mão com coisas como "Bem vindo" e "É um menino" escrito neles, me fazendo rir com a expressão que Bella fez ao vê-los. Era tão claro seu incomodo com toda a atenção dedica a ela que eu sentei novamente ao seu lado na cama para tentar deixá-la um pouco confortável com a situação.

- Parabéns, mamãe. – minha mãe disse a abraçando. – Nós já o conhecemos, querida. Não podia ser mais perfeito.

- E é filho de Edward mesmo. – Rose disse parando ao meu lado e sendo abraçada por Emmett. – Aquele cabelo arrepiado...

- Não que ninguém tenha duvidado disso. – meu pai acrescentou rapidamente fazendo todo o quarto rir.

- Como você está se sentindo, Bells? – Alice perguntou com delicadeza.

- Cansada e dolorida. – Bella respondeu respirando fundo. – E me desculpe mais uma vez por seu sapato...

- Está tudo bem. O sobrinho que vocês me deram já valeu o estrago feito. – ela disse tentando disfarçar a tristeza pelo Manolo destruído.

- Lembre-me de te agradecer depois por essa cena impagável. – eu sussurrei rapidamente para Bella enquanto eles discutiam sobre quantos quilos o bebê aparentava ter.

- Eu estava falando com Carlisle sobre contratar umas das enfermeiras do hospital para ficar com você nesse primeiro mês. – minha mãe disse com uma animação incompreensível. – Para te ajudar a cuidar do bebê enquanto você não tem experiência.

- Não precisa, Esme. – Bella disse tentar sentar direito na cama, mas os pontos lhe causavam dor agora que a anestesia passara. – Eu posso cuidar dele sozinha...

Ela foi salva de uma provável discussão sobre como nós dois ainda não sabíamos cuidar de um bebê recém nascido quando a enfermeira bateu na porta e empurrou um berço hospitalar para dentro do quarto. Como mágica todos se calaram ao acompanhar o bebê sendo conduzido até o lado da cama e a enfermeira o carregou com delicadeza nos braços.

- Hora de mamar. – ela disse arrumando o manto que o cobria.

Entendi rapidamente o que o olhar que Bella me lançou significava. Não era para esperar menos desespero quando ela precisava fazer algo que nunca fizera antes e tinhas vários olhares curiosos a assistindo, mas a enfermeira também percebeu como a mamãe ficara incomodada e sugeriu que apenas eu permanecesse no quarto. Minha mãe foi sem dúvida a mais frustrada, pois ela provavelmente teria alguma técnica especial de fazer o bebê mamar para ensinar a Bella.

Nós dois estávamos novamente sozinhos no quarto e eu levantei da cama para pegar a ficha de Bella e do bebê presa no pé da cama. Passei algumas páginas sem interesse no laudo ginecológico que a Dra. Bishop havia escrito e procurei pela ficha dizendo as medidas exatas do bebê.

- 50 centímetros, três quilos e quatrocentas gramas. – informei Bella com os olhos presos na ficha. – Sangue tipo A negativo como o meu, uma média 9 no Teste de Apgar... Perfeito.

Fechei a ficha e a coloquei no pé da cama outra vez, levantando os olhos para observar a cena mais linda que eu poderia presenciar. Bella estava com os olhos concentrados no bebê em seus braços, deslizando o dedo indicado com delicadeza por seu rostinho corado. Nosso filho estava fazendo o primeiro reconhecimento de sua fonte de alimento no próximo ano e eu percebi que sua mão minúscula estava colada ao seio esquerdo de Bella enquanto ele sugava com força seu mamilo. Uma atmosfera encantadora estava ao redor daquelas duas pessoas que eram as razões de minha vida e eu deixei um suspiro de cansaço e prazer escapar de mim.

- Faz cócegas... – ela comentou sem tirar os olhos do bebê. – Quer dizer, é praticamente a mesma sensação que você causa com isso, mas ele não tem dentes e é muito pequeno, sei lá...

- Você fica linda com essa nova pele, sabia? – eu a perguntei sentando na poltrona ao seu lado da cama.

- Que pele? – Bella perguntou sem entender.

- A de mãe. – respondi me inclinando sobre a cama para observá-los melhor.

Bella riu baixo e levantou olhos para me fitar com aquela intensidade que era apenas nossa, olheiras de cansaço lhe deixando incrivelmente mais linda. Ela não dormia direito há algum tempo e eu também a acompanhava nessa rotina cansativa, mas nos seus braços estava a razão para mais algumas noites perdidas durante um bom tempo. Mas nós dois perderíamos qualquer noite para deixar nosso filho bem e feliz, assim como ele já estava nos fazendo.

- Então, você já sabe qual será o nome desse molequinho? – perguntei observando-a afastar o coberto do rosto dele e me deixando ver sua formas com mais atenção.

- Eu tinha pensado em alguns nomes antes. – Bella respondeu acariciando a bochecha corada do bebê com a ponta do dedo. – Mas o olhando agora, o nome Thomas me vem à cabeça.

- Thomas?

- É. Thomas David Cullen. – ela respondeu com um sorriso se formando nos lábios. – David por causa de David C. Turnley, fotógrafo favorito de Reneé.

- Thomas David Cullen... – repeti me levantando para sentar ao lado de seu corpo e passar um braço ao seu redor. – Eu gostei.

Thomas engasgou um pouco ao mamar, mas não parou nem mesmo para respirar e isso nos fez rir. Bella e eu estávamos tão encantados com as primeiras horas de nosso filho que presenciávamos cada descoberta dele com um sorriso bobo nos lábios e considerando a cena mais perfeita do mundo. Era incrível como um bebê tão pequeno e frágil tinha esse poder imenso sobre todos nós.

- Ei, Tom. – eu sussurrei passando a mão com delicadeza por seu cabelo arrepiado. – Eu sei que esse mundo é frio e chato, mas nós vamos torná-lo um pouco mais divertido para você, ok? Essa mulher linda, que pela sua disposição parece ter seu tipo de leite favorito, é sua mãe. Bella...

- E esse homem louco falando com você é seu pai. Edward. – Bella completou rindo.

- Deixe o garoto tirar suas próprias conclusões. – eu pedi fingindo ficar irritado. – Nós somos seus pais.

- Seus pais... – Bella repetiu em um murmúrio e levantou o rosto para mim.

Com um olhar nós entendemos o que cada um estava sentindo e eu me apossei de seus lábios que pertenciam apenas a mim. Eu sabia que ela estava com aquela felicidade estranha dentro do peito causada por Tom, pelo o que ele trouxe em nossas vidas naquele dia, pelo o que ele prometia trazer durante os próximos anos. Nós éramos responsáveis por uma vida e desde já eu prometi a mim mesmo que faria o que estivesse até mesmo fora do meu alcance para fazer as duas pessoas importantes para mim felizes.

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