O vestido que sua assessora havia mandado era de um vermelho bem vivo, e parecia ter sido desenhado para ser usado por uma deusa grega. Era de ombro único, com um decote diagonal, justo até o quadril e com uma abertura que começava no alto da coxa. Nas costas não havia nada além de um cordão de pedraria ligando um lado a outro para impedir que o vestido caísse. Em outras palavras, as costas de Lisa estavam nuas desde a base da coluna, em um enorme decote V.
Lisa havia separado um lindo colar, mas ficou na dúvida se o usaria ou não. Estava pensando em brincos de ouro com pingentes, mas depois achou melhor argolas de diamantes. As maiores que ela tivesse. Procurou em sua caixa de jóias e as encontrou.
Ela estava certa. Os brincos produziam um efeito bem diferente da gargantilha de ouro — menos glamour e mais sensualidade. Além disso, combinavam com a tornozeleira de diamantes de sua perna direita, que ela nunca mais veria da mesma forma depois do comentário de Hugh. Com seus cabelos caindo sobre o rosto como uma cachoeira de cachos grossos e deliberadamente caóticos, parecia que ela tinha acabado de transar, uma impressão que só era reforçada pela maquiagem esfumaçada dos olhos e os lábios brilhantes.
Hugh chegou pontualmente às sete. A assessora de Lisa, que já estava de saída, abriu a porta para ele no mesmo instante que Lisa apareceu na sala.
— Lisa. — ele foi até ela com seu andar gracioso e determinado. Pegou em sua mão e levou até a boca. Seu olhar era intenso — intensamente ardoroso, intensamente compenetrado.
O toque dos lábios contra sua pele fez um arrepio se espalhar por seu braço e despertou lembranças daquela boca pecaminosa em outras partes do seu corpo. Lisa ficou instantaneamente excitada. Melhor dizendo, instantaneamente vadia.
— Oi. — seus olhos brilharam de contentamento.
— Oi. Você está linda. Mal posso esperar para exibir você por aí.
Ela soltou um suspiro de satisfação ao ouvir aquele elogio.
— Espero que consiga fazer jus a você.
— Já está pronta pra ir? — ele franziu levemente as sobrancelhas.
— Sim. Só preciso pegar minha bolsa e meu xale.
Lisa afastou-se um pouco para pegar ambos que estavam no sofá. Hugh a seguiu e ajudando-a pegou o xale de veludo preto, enquanto ela pegava a bolsa. Ela sorriu ao olhar para a mesma — lembrando das camisinhas que havia guardado em um compartimento interno da bolsa. Hugh pegou o xale e o deitou sobre os ombros de Lisa. Quando começou a tirar os cabelos que haviam ficado sob ele, o toque de sua mão no pescoço dela deixou-a tão distraída que mal notou que ainda continuava com aquele sorriso safado nos lábios. Hugh a conduziu para fora com a mão na base da sua coluna, pele contra pele. Um contato que produziu eletricidade, fazendo o corpo dela inteiro ser invadido por uma onda de calor.
Uma limusine estava esperando de frente a casa, e o motorista abriu a porta assim que Lisa e Hugh saíram da mesma. Ela deslizou pelo banco para se sentar do outro lado e ajeitou o vestido. Quando Hugh se acomodou ao seu lado e a porta se fechou, ela pôde perceber como ele cheirava bem. Inspirou profundamente, dizendo a si mesma para relaxar e desfrutar da companhia. Ele pegou sua mão e começou a percorrê-la com os dedos, e esse simples toque despertou em Lisa uma luxúria furiosa. Ela dispensou o xale — estava quente demais para usá-lo.
— Lisa. — ele acionou um botão e o vidro escuro atrás do motorista começou a subir.
Um instante depois ela estava no colo dele, e sua boca estava grudada na dela, beijando-a furiosamente.
Fez então o que estava com vontade de fazer desde que o viu em pé em sua sala: enfiou as mãos entre seus cabelos e retribuiu o beijo. Ela adorava o jeito como ele a beijava — como se fosse uma necessidade, como se ele fosse enlouquecer se não o fizesse, como se não agüentasse mais esperar. Chupou sua língua e percebeu que ele gostava disso, e que ela gostava disso, o que a fez desejar chupá-lo em outro lugar com a mesma volúpia.
Quando as mãos dele deslizaram sobre suas costas nuas soltou um gemido, sentindo as pontadas de sua ereção contra o quadril. Lisa se ajeitou para montar sobre ele, tirando o vestido do caminho e agradecendo mentalmente à sua assessora por ter escolhido uma roupa com uma abertura tão conveniente. Com os joelhos apoiados dos dois lados de seus quadris, lançou suas mãos sobre os ombros dele e tornou o beijo ainda mais profundo. Lambeu sua boca, mordeu de leve seu lábio inferior, acariciou sua língua com a dela...
Hugh a agarrou pela cintura e a tirou dali. Ele se inclinou para trás no acento, com o pescoço curvado para ver bem o rosto dela e seu peito ofegante.
— O que você está fazendo comigo?
Lisa percorreu o peito dele com a mão, dentro da camisa, sentindo a rigidez implacável de sua massa corporal. Seus dedos acompanharam o contorno dos músculos de seu abdome, formulando na sua mente a imagem dele sem roupa.
— Estou tocando você. Aproveitando-me de você. Eu quero você, Hugh.
— Mais tarde. Estamos no meio da rua. — ele agarrou seus pulsos, detendo seus movimentos.
— Não dá pra ver a gente.
— Não importa. Não é hora nem lugar de começar uma coisa que só vamos poder terminar daqui a várias horas. Já estou enlouquecendo com o que aconteceu hoje à tarde.
— Então vamos acabar logo com isso. — o aperto dele se intensificou, tornando-se doloroso.
— Não podemos fazer isso aqui.
— Por que não? — ela perguntou e no mesmo instante um pensamento surpreendente lhe ocorreu. — Você nunca transou numa limusine?
— Não. — ele cerrou os dentes. — Você já?
Lisa olhou para o outro lado sem responder, e viu a massa de carros e pedestres em torno deles. Estavam a poucos centímetros de centenas de pessoas, mas o vidro escuro os escondia de seus olhares, o que atiçava sua ousadia. Ela queria dar prazer a ele. Queria saber se era capaz de se aproximar de Hugh Laurie, e não havia nada impedindo isso além dele.
Avançou com os quadris para cima dele, esfregando-se em toda a extensão de seu pau duro. A respiração dele sibilava por entre os dentes cerrados.
— Preciso de você, Hugh. — ela sussurrou quase sem fôlego, inalando o perfume dele, que parecia ainda se intoxicada só de sentir o cheiro da pele dele. — Você me deixa louca.
Hugh soltou os pulsos dela e agarrou seu rosto, apertando firmemente os lábios contra os dela. Com uma das mãos, Lisa procurou a braguilha da sua calça, abrindo os dois botões que escondiam o zíper. Ele enrijeceu.
— Eu preciso disso. — ela murmurou bem perto da boca dele. — Deixa, vai.
