Capítulo VI: The Blower's Daughter
A caminhada de volta a casa de Layla foi silenciosa, os três adultos seguiam em fila única, separados por uma breve, porém, longa distância para eles. Layla puxava a fila, carregando os casacos dos rapazes que haviam brigado na praia, fitava brevemente as costas para verificar se todos se encontravam lá.
Julian era o segundo da fila, estava com a blusa cheia de manchas de sangue seco e com a mocinha, Juliette, no colo.
Leon vinha em terceiro, fechando a fila. Também tinha sangue nas vestes e no cabelo, que pela cor evidenciavam cada vez mais que ele havia brigado. Fitava logo a sua frente aqueles dois cabelos loiros se misturando, ambos lisos, porém um deles mais como o seu, mais brancos e reluzentes e do meio deles aqueles olhos azuis como os de Layla, fitando-o. Por que ela havia escolhido Julian e não ele? Seria um bom momento para, no fundo, ele tentar atar os laços de pai com a... Filha.
Juliette permanecia quieta envolta naqueles braços do rapaz que a havia salvado. De verdade, confiava nele, mas não conseguia deixar de fitar o homem vindo atrás, de olhar forte, ela diria. Espreitava-o de canto, mergulhada nos cabelos, também louros, daquele que a carregava.
- Quem é o moço atrás da gente? – Ela sussurrou.
"Um monstro..." Julian pensou.
- Um rapaz... – Falou em seguida.
- Quero descer...
Julian parou a fila e deixou que ela descesse. Juliette já estava bem o suficiente e com passos confiantes andou até ele.
- Qual é o seu nome?
Julian sorriu fitando Leon. Ele retribuiu o olhar de forma séria e em seguida se dirigiu a garotinha tentando não assustá-la tanto. No fundo estava ansioso por aquele momento:
- Meu nome é Leon, Leon...
- Somente Leon, Juliette... – Layla interveio antes que ele completasse a frase.
- Leon Somente? É esse o seu sobrenome? – Juliette tombou a cabeça para a esquerda tentando entender.
- Juliette, é somente o Leon... – Julian interrompeu apoiando as mãos nos ombros pequeninos dela.
- Posso ir no seu colo? – Ela finalmente falou puxando-o pela camiseta após se desviar das mãos de Julian.
- Pode... – Leon se abaixou e a trouxe para perto de si, deixando que ela envolvesse os pequenos braços em volta de seu pescoço. Suspendeu-a e deixou que ela se acomodasse.
- Leon, você vai ficar aqui mais tempo?
Leon correu os olhos até Layla que segurava os casacos um tanto aflita e em seguida a Julian que apenas fitava-o de forma serena, algo que ele nunca imaginou ser possível, então virou-se e respondeu:
- Você gostaria que eu ficasse?
- Se a minha mãe deixar... Sim!
Leon sorriu, como se aquilo fosse o final feliz de seu filme, não que ele soubesse o final, mas gostaria que ao menos terminasse como num conto de fadas. Depois disso seguiram em frente, mais aflitos ou mais felizes, era difícil de dizer.
– X –
Logo chegaram em casa, a caminhada foi um tanto penosa, mas nada tão importante do que a soneca que Juliette tirava nos braços de Leon.
Layla abriu a porta para Leon que entrou e não tardou em subir as escadas e colocar a filha na cama. Tinha o rosto mais delicado do mundo, ele diria, não podia desejar uma filha mais linda, mais perfeita, mais ainda do que ele sempre sonhou na vida, ela merecia ser filha dele e de Layla. O quarto também não deixava por menos, era bem delicado, tinha pássaros pintados na parede azul e dentre os vários brinquedos haviam bailarinas, palhaços, cavalos, ursinhos dos mais variados tipos e um carrossel vermelho que parecia ser bem antigo, provavelmente um brinquedo mais antigo de Layla, que ela deu a filha.
Leon não seria capaz de dar algo de sua infância a Juliette, talvez porque não se lembrasse muito dela que não fosse em alguma lona de circo ou na casa de Alan. Será que ele seria capaz de ser um bom pai?
Deixando de divagar sobre tal assunto ligou o abajur de estrelas e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si para ser interceptado por Layla que veio se certificar se a filha estava bem, mas ela deixou isso de lado, afinal, era Leon que a havia feito dormir.
- Ela gosta muito do carrossel... Minha mãe me deu quando eu era pequena, por sorte meu pai não o destruiu quando mudamo-nos para a Califórnia então eu prontamente deixei guardado num cofre para... Esse dia...
Leon não entendeu muito o porque de ela ter citado aquilo, porém, aproveitou a chance de lhe dizer que ao menos era grato por ter dado a luz a sua filha, por criar Juliette:
- Você é uma boa mãe, Layla, talvez eu não seja um bom pai... – Os dois se encararam no corredor ligeiramente escuro, Layla segurando um dos braços enquanto mantinha o outro estendido e ele com as mãos nos bolsos.
- Vem, eu vou cuidar de seus machucados...
Layla fez menção de seguir caminho, mas foi impedida pelos braços de Leon, que a abraçaram por trás e por seu rosto repousando em seus ombros.
- Quero ficar aqui Layla, com você, com ela, termos uma família, por que isso é tão difícil para você? Por que você não me aceita? Quem é o resto do mundo se podemos construir o nosso mundo aqui?
Batidas fortes e falta de ar tomavam os pensamentos de Layla naquele momento. O que poderia ser um mundo ao lado de Leon? Ela não sabia. Nunca deixou-se levar pelo amor poderoso que ele nutria por ela porque... Nem ela sabia o porquê, talvez, fosse porque o mundo inteiro não imaginava aquilo sendo possível e ela, conseqüentemente, achava o mesmo.
- Não... Leon! Por favor! Não agora, não aqui... Ainda não sei de nada...
Leon soltou-a vagarosamente mantendo apenas uma das mãos ligeiramente presa a sua.
- Yuri me mandou aqui, você estava certa, mas eu não vim aqui por ele, vim porque eu quero roubar você para mim. Não sei se vou conseguir fazer isso agora, nem nessas circunstâncias, mas eu vou encarar o que for se você me der essa chance... – Ele passou sua frente em direção as escadas – Mas eu tenho certeza de que... Yuri não fará o mesmo...
Layla arregalou os olhos e ficou estática procurando uma saída. Virou-se rapidamente para a porta da filha, imaginando seu pequeno anjo, prestes a passar por sua primeira provação, tendo que encarar como gente grande o mundo injusto que Layla vivera e ela realmente não sabia o quão longe aquilo poderia chegar, até onde Yuri iria encarar ou até quando conseguiria lutar sem o apoio de alguém.
Seguiu caminho e desceu as escadas para ajudar Leon. Ainda restava algum tempo para se pensar.
Já atrás da porta, um certo anjo acabou por não dormir e optou por escutar que logo ali do outro lado da porta jazia a família que ela um dia sonhou. Ou por acaso desejou...
N/A: Estão curtindo a fic? Capítulos bem mais curtos e mais dinâmicos, para facilitar a leitura. Bom, easy esse capítulo, mas prometo que vai ficar bem legal daqui para frente! Esse primeiro contato de Leon com a filha será muito importante para o que está por vir. Logo vou publicar mais e para acalmar os ânimos eu tenho até o Capítulo 10 escrito, então não haverá grandes atrasos e espero que até o fim das férias eu conclua a fic DE VEZ.
O ruim é que meu vício de ler o mesmo capítulo 200 vezes e fazer 201alterações acabam atrapalhando o processo, por isso demoro tanto, mas eu estou melhorando.
Dedico esse capítulo a minha leitora Thabata, porque ela é muito fofa e sempre está me dando apoio moral quando estou sem inspiração! I ~S2~ You a FUCK** lot!
Título do Capítulo: The Blower's Daughter – Damien Rice (porque seria extamente a trilha sonora para os momentos Leon-Juliette)
