N/A: Olá, amadas! Primeiramente eu queria pedir desculpas com o atraso na postagem, mas eu fiquei sem tempo/preguiça em pegar o capítulo para ler/revisar/acrescentar alguma coisa/tirar coisas insignificantes. Por isso a demora.
Queria fazer um convite para as leitoras que não gostam de comentar: vocês não sabem como receber um comentário é gratificante.
Às leitoras que comentaram, eu quero agradecer: Vanesssa, VioletSMC, SiaStw, Josiane aranha, Tha FT e Soph Libardi. Adorei cada comentário.
Às leitoras que apenas colocam a fanfic nos alertas/favoritos: Anacarol202, Lorena Vitória, Mariana Santos, Monicaalexr, Angel Nunes, PalomaMB e Saamantha.
Boa leitura! :)
Capítulo VII, Despertar.
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Fazia uma semana desde que Isabella estava de volta à Seattle. Renée estava transbordando em felicidade em ter mais uma vez a filha única novamente ao seu lado, mesmo sabendo poucos detalhes do motivo.
Não iria forçar Isabella a narrar os acontecimentos do fracasso em seu casamento; seria paciente e esperaria o momento em que a filha única se sentisse à vontade para fazer tais declarações.
Alice, em contrapartida, não podia se conter em tanta felicidade em poder rever a prima depois de quase cinco anos.
Bella estava terminando de fazer uma trança em seus longos cabelos, quando o quarto é invadido pela jovem. Alice estava em sua temporada de "férias prolongadas", como ela mesma havia nomeado a sua situação. A garota aos dezenove anos ainda não havia decidido qual curso era o de sua preferência, desse modo, adiando ao máximo a ida à universidade.
— Você está demorando! — acusou a baixinha.
— Alice, — Bella ergueu as mãos, fazendo um sinal para que a garota fizesse menos alarde. — Menos, por favor.
— Bella, tem que mais de uma hora que você está trancada nesse quarto! — reclamou, cruzando os braços.
— E continuarei exatamente assim. Algum problema? — não queria ser rude com a jovem, mas não conseguiu evitar.
— Tudo bem. Nós poderíamos fazer uma festa do pijama, o que você acha? — propôs jogando-se em cima da cama em que Isabella estava dormindo. — Sorvetes, filmes dramático, pijamas encardidos, colchões no meio do quarto... Hum. O que você acha?
— Talvez seja uma boa ideia — concordou. Forçou um sorriso apenas para não decepcionar a prima.
Isabella não queria contagiar a garota com os seus problemas; seu estado morto-vivo.
— Ótimo! — bateu palmas. — Obrigada por me dar 20 dólares!
Bella encarou a prima, confusa.
Alice explicou.
— Apostei com Renée que conseguiria te conversar à festa do pijama. Titia foi ousada em apostar 20 dólares! Na próxima, tento convencê-la a um valor mais alto.
— Alice! — repreendeu por estarem fazendo apostas à custa de sua separação.
— Desculpe-me, Bella, mas você é a nossa nova galinha de ouro.
— Alice! — repreendeu novamente.
— Já volto! — levantou-se rapidamente e tão veloz quanto um foguete ela sumiu do campo de visão de Isabella.
Ao terminar a trança malfeita em seu cabelo, ela jogou-se na cama e encarou o teto à sua frente.
Estava sentindo saudades de Edward. Uma preocupação em saber como ele estava vivendo; reagindo à sua escolha. Queria poder ligar... Mas então se lembrava de que não podia ligar para ninguém. Os únicos amigos em Los Angeles foi Emmett e Rosalie e mesmo assim sabia que nenhum dos dois possuía alguma espécie de contato com o marido.
Edward repeliu a todos com o seu ciúme em demasia.
Alice retornou vinte minutos depois com dois potes de sorvete em mãos, duas colheres, uma enorme coberta em seus ombros e debaixo do braço esquerdo um DVD. Isabella levantou-se para ajudar a prima com a carga.
— Obrigada — ela murmurou assim que pôde ficar novamente ereta.
— De nada. Você separou os colchões? — inquiriu varrendo o cômodo com o olhar.
— Não precisa ser realmente uma festa do pijama.
Alice interferiu.
— Bella, — enfaticamente pôs uma mecha da franja por trás da orelha. — Tem que ser uma festa do pijama!
— Mas... — Bella tentou contra-argumentar.
— Renée estará aqui em breves instantes, ela só precisa terminar de ensinar a lição para o filho da vizinha.
— Você convidou Renée?
— Mas é claro! — olhou abismada para a prima. — Ela é uma garota como nós. Um pouco mais velha, mas continua sendo uma garota — explicou. — Deve ter algo de interessante a nos contar.
— E você está ciente que o que seja que Renée confidencie é sobre o meu padrasto? — devolveu a questão.
— Eu não sou tão ingênua, bobinha! — colocou o disco DVD dentro do aparelho. Bella terminou de deitar os dois colchões no chão no momento em que apareceu na tela da TV o "menu principal" do filme.
— E você quer continuar com essa "besteira?" — perguntou.
— Bella, tem certeza que você tem apenas vinte anos? — murmurou Alice, com uma expressão azeda em sua face. — Eu juro que você está parecendo com a vovó!
— Pelo amor de Deus, Alice! — Rebateu Bella, tomada em ultraje.
— Ela é tão rabugenta... E você está ficando exatamente igual! — acusou com um dar de ombros.
Bella ficou calada. Não possuía argumentos para competir com uma afirmação tão verdadeira quanto a feita por Alice.
Casou-se nova demais, como ela já havia aceitado. Agiu por um impulso, talvez, e perdeu o fim da adolescência por conta deste fato. Antecipando por alguns anos, a responsabilidade e compromisso que uma vida a dois exigia. Amadureceu precocemente, ela sabia.
— Desculpe-me — disse baixo demais.
Alice se aproximou da prima, tocando em seu ombro. Bella continuou a fitar o chão.
— Não, Bella. Eu sou quem peço desculpas. Sinto muito. Realmente.
— Sem problemas, Alice.
— Você quer conversar sobre isso? — propôs novamente.
— É complicado. Até mesmo para mim, sabe?
— Posso ter uma ideia. Mas eu ainda não tenho experiências com casamentos, então eu acho que a tia Renée seria uma boa conselheira, nesse aspecto.
— Ela não sabe de nada — respondeu. Completou em seguida. — Ainda.
— E você pretende contar?
— Eu devo.
— Não se sinta coagida, Bella.
— Eu sei.
— Nunca tive uma oportunidade de conhecê-lo — gritou Alice, mudando de assunto, balançando seus braços em curiosidade. — Como ele é?
Um sorriso dançou em seus lábios quando Isabella pensou em Edward.
— O seu nome é Edward, isso você sabe. — brincou. Alice rolou os olhos do modo como o semblante de Isabella mudou completamente ao aderirem o assunto "Edward", seu marido. Ou ex-marido. Era a favor do amor, então mantinha as esperanças que a temporada de Isabella em Seattle seria apenas uma espécie de férias.
— Já estou informada sobre isso. Ele trabalha em quê?
— Edward é o diretor de uma empresa de comunicações — respondeu.
— Bom saber. Quando quiser trabalhar, já tenho um emprego!
— Isso quer dizer que você já escolheu o que quer estudar?
— Ainda tenho tempo para isso, Bella, eu não quero criar cabelos brancos precocemente. Ainda estou em dúvidas sobre o que eu quero para o futuro — respondeu pensativa com os olhos vidrados na luminária no teto. — Como ele é? Digo, a sua aparência?
Outro suspirou partiu de Isabella.
— Eu poderia ficar aqui, descrevendo, sobre o quanto ele é perfeito, sabe? Ao seu modo. Mas você poderia ficar entediada.
— E como eu o verei...
— Trouxe um álbum de fotos em minha bagagem. Eu não consegui me controlar.
— Vá buscar.
Bella se levantou, caminhando apressadamente até a cômoda, retirando da segunda gaveta desta, uma caixinha de madeira. O trinco estava aberto. Retirou então um álbum de fotos de tamanho semelhante à caixa em que estava escondido. Não pôde evitar um aperto no peito ao se lembrar do que ali dentro existia.
Sentou-se novamente ao lado de Alice, entregando à prima o álbum de fotos.
Alice pegou-o com tanto cuidado, como se o que estivesse sendo oferecido fosse um bebê inquebrável e não um álbum com recordações do passado da prima.
Colocou em cima das pernas, tomando nota de abrir com cuidado. As laterais estavam gastas, poderia se desmanchar em segundos, caso fosse bruta em sua observação.
Ao abrir, notou um espaço onde estava escrito em uma caligrafia borrada por conta do tempo de resguardo:
"Edward e Isabella Cullen".
Encarou a prima, com os olhos cheios de curiosidade.
— Você tem realmente o seu sobrenome?
— Tenho — respondeu, esticando o pescoço para notar o que a prima estava fitando.
— E continuará com o nome de casada, ou você voltará a ser uma Swan?
— Eu não sei Alice.
— Tudo bem, — murmurou voltando para o álbum. — Ele é bonito. Olhos verdes, huh?
Virou a primeira folha, encontrando quatro fotografias na página.
Em todas, Isabella estava com aparência juvenil, mas com uma felicidade que estava tatuada em sua pele e olhos.
— Quando? — indicou a primeira imagem.
Eles estavam em um gramado, havia algumas arvores ao fundo da fotografia. Poderia ser um jardim de alguma residência, ou então um parque em Los Angeles.
— Casa dos pais de Edward. Quando eu os conheci pela primeira vez, — lembrou-se nostalgicamente do tempo.
# Flashback ON #
Edward estava ao volante, dirigindo para a casa dos pais. Ao seu lado, Isabella, a sua namorada de um mês, estava nervosa com a perspectiva em conhecer os pais do seu inesperado namorado. Não era experiente em relacionamentos, mas acreditava que era cedo demais para aceitar um pedido de namoro quando se conheciam há menos de dois meses. Porém, havia uma química desconhecida que pairava sobre eles, deixando as situações em sua completude, intensas.
Estando a olho nu poderia soar como um absurdo, mas para aqueles dois jovens, era o modo mais natural em dizer que haviam encontrado a "metade da laranja", não importava se oficializassem aquela união após um mês ou depois uma década.
Apenas perderiam tempo.
E, impaciente como eram, perder tempo não fazia parte dos desejos do mais novo casal.
— E se eles não gostarem de mim? — perguntou a garota novamente.
Edward sorriu com a questão da namorada.
Sentiu uma vibração interna ao pensar que possuía — novamente — uma namorada. E esta, ele poderia garantir que seria até seu último suspiro. Isabella era diferente. Ela emanava vida, e o fazia querer viver intensamente até o último minuto. Um paradoxo às namoradas que vieram antes dela.
— Isso seria algo impossível — garantiu, aproveitando que pararam em um sinal no trânsito, para tocar os dedos da garota. — Esme, a minha mãe, está ansiosa para conhecê-la desde que eu contei a novidade.
— E o que ela disse? — Isabella não podia conter a insegurança.
— O que ela poderia dizer? — rebateu retoricamente.
— Que nós somos loucos, talvez?
— E qual o problema na loucura, Bella? Eu gosto de ser louco. Principalmente se estou sendo louco com você.
— Eu também não me importo com isso. Talvez por termos sido rápidos demais? — inquiriu embolando-se nas palavras.
— Rápidos? Em minha opinião, seguimos o tempo perfeito.
— Mas...
— Cada um é responsável por "seu tempo" para as coisas. O tempo de alguém, não necessariamente quer dizer que será o seu.
— Perdoe-me por ser insegura.
— Você se arrepende de estar comigo?
— Não! — ela negou peremptória. — De exatamente nada.
— Isso é bom — ofereceu, enquanto guiava a sua atenção novamente para a estrada. — Porque eu também não me arrependo.
Depois de mais vinte minutos, chegaram a uma área tranquila de Sacramento, capital da Califórnia. A mansão em que os pais de Edward viviam era cercada por várias árvores nas laterais e um imenso portão de ferro na entrada. Automaticamente esse portão foi aberto, e Edward guiou o Volvo por uma estrada que havia dentro da residência.
Os olhos de Isabella por pouco não saltavam das órbitas, tamanha a sua surpresa com a ostentação do lugar. Sabia que Edward era abastado, mas desconhecia o quanto.
Olhando pela transparência do vidro do Volvo, Bella percebeu as gramas ao lado da alameda que seguiam assim como uma fonte em formato circular com uma cabeça de um animal produzida de alguma rocha desconhecida. Talvez arenito. Ou granito. Ela não sabia.
— É lindo — ela disse, sem poder conter o deslumbramento.
— Esme adora esse lugar — respondeu. — É bom para reunir a família.
— Você tem irmãos? — questionou. Nunca havia interrogado essa questão.
Edward demorou exatos 120 segundos para responder.
— Há Bree. Não somos irmãos, mas fomos criados juntos.
— Ela está aqui?
— Provavelmente — respondeu. — Na verdade, eu não sei. A última notícia que eu tive de Bree era que ela estava indo para Princeton. Isso faz uns bons seis anos.
— Seus pais vivem sozinhos... Nesse..., — relutou para pôr em palavras toda aquela opulência. — Castelo?
— Castelo? — repetiu.
— Sim, isso é tão grande.
— Acredite, a casa parece um "ovo" de tão pequena.
— Mas eles vivem aqui, sozinhos? Isso é tão distante da civilização — refletiu.
— Meus pais vivem em um condomínio em Los Angeles, Bella. Essa casa é reservada apenas aos finais de semana, onde e possível aproveitar um pouco de paz.
— Entendi — respondeu.
— Veja, — apontou para a casa logo à frente. — Já chegamos.
Desligou o veículo, retirando o cinto de segurança.
Ao pegar as mãos de Isabella, Edward notou o quanto estavam frias.
— Não precisa ficar nervosa — tentou acalmar a namorada.
— Prometo tentar.
Beijou-lhe os dedos.
— Esme irá amar conhecê-la.
Desceram do Volvo, e ao contornar o carro para encontrar Isabella, Edward tomou os dedos da namorada entre os seus, passando à garota a confiança que naquele momento ela ansiava. Subiram os degraus da escada que os levariam até a porta de entrada. E Bella percebeu que a residência era realmente pequena em comparação à longa estrada que seguiram para chegar até ali. O "palácio" era todo em vidro e madeira escura. Havia algumas flores espalhadas no hall de entrada e algumas cadeiras, mesas e um tapete no saguão.
Como estava sem as chaves, clicou no botão da campainha e não demorou dez minutos para que uma mulher com cabelos cor de caramelo, o rosto em formato de coração, olhos verdes brilhantes e vestindo um vestido estampado e uma sapatilha abrisse a porta.
— Edward! — gritou ao notar que era o filho. Correu para abraçá-lo, mas parou assim que notou que ele estava acompanhado. — Oh, você trouxe visitas! — sorriu.
Bella estava suando em bicas com toda a avaliação que descaradamente estava recebendo de Esme.
— Sou Esme — estendeu a palma. — E você?
— Isabella — agradeceu por não ter gaguejado, enquanto estendia a palma e sacudia a de Esme.
— Ela... — começou Esme, encarando o filho.
— Sim. — enfiou a mão livre no bolso da calça jeans.
— Esplêndido! — exclamou, tomando Isabella em um caloroso abraço. — É um prazer conhecê-la, querida — beijou-a na bochecha. — Vamos, entrem!
Para Bella não havia sido desconfortável estar na presença dos parentes do namorado. Todos os que estavam ali foram simpáticos com a sua presença. Alguns apenas ficavam assustados quando confidenciava a sua idade. Era por seis anos, mais nova que Edward. Porém, era maior de idade. Portanto, não estavam fazendo nada de ilícito.
Quando o sol estava a pino, Edward convidou Isabella para dar um passeio pela propriedade. Caminharam pelo imenso jardim, sentando-se na grama ao estarem fora das vistas da mansão.
Isabella acomodou-se entre as pernas de Edward, apoiando o dorso no peito do rapaz, Edward segurava a namorada pela cintura, e por ela estar de costas para ele, poderia ter um acesso ilimitado por sua cerviz, orelha e pescoço.
Provocou-a mordendo o lóbulo da orelha, e Isabella tremeu.
— Pare Edward, por favor..., — ela suplicou.
— Você não gosta? — mordeu mais uma vez o lóbulo.
— Eu gosto. Mas você sabe...
— Sim, eu sei — a voz do rapaz estava rouca com o desejo contido. — Mas você sabe que em um momento isso irá acontecer, não sabe?
— Sim.
— E por que sempre evita quando eu tento avançar?
— Primeiro porque estamos na casa dos seus pais — encarou as unhas. — E segundo porque eu ainda não me sinto preparada... Para isso.
— Sim, certo. Eu não irei forçá-la a nada. Eu quero que você se entregue a mim porque quer, e não porque sou um fodido que não consegue controlar o... Desculpe mais uma vez. — embolou-se nas palavras.
— Onde está o meu celular? — ela pediu, mudando de assunto.
— No bolso.
— Pegue-o para mim, por favor?
Quando Edward ergueu o quadril para poder pegar o celular que estava no bolso traseiro, inconscientemente seu membro bateu contra o cóccix de Isabella, que imediatamente travou.
Pegou o aparelho e o entregou à namorada.
— Podemos tirar uma foto? — ela pediu ainda assustada com o que havia sentido.
— Sim, — tossiu. — Claro.
Bella estendeu o braço, deixando a câmera posicionada na direção deles. Edward encaixou-se entre o regaço da adolescente, e sorriu para a câmera.
O som do flash soou.
— Fiquei bonito? — perguntou próximo à orelha da jovem.
— Sim, olhe — mostrou o celular para o rapaz.
— Linda — disse antes de beijar o pescoço da morena. — Faça uma cópia para mim, eu quero um quadro com essa nossa primeira fotografia.
Voltando ao presente, Isabella lutou para conseguir se libertar da onda de recordações que incendiavam a sua mente. Apesar de todos os contratempos, discussões, brigas, ciúmes, havia uma parcela de felicidade nos dois anos de casamento com Edward.
— Vocês parecem felizes — apontou Alice.
— Nesse tempo era tudo tão fácil — Bella comentou nostálgica.
— Quando as coisas começaram a mudar?
— Esse é o problema, eu não sei.
Foram interrompidas pelo som da porta se abrindo. Renée entrou trazendo uma panela com brigadeiro.
— Desculpe a demora, aquele rapazinho tem dificuldades em aprender álgebra.
— E quem entende? — Alice deu de ombros.
— Não seja pessimista, Alice, você aprenderia se gostasse de estudar! — acusou Renée.
— Isso, tia, joga na minha cara! — fez um bico com os lábios.
— Não seja dramática, Alice. E então, quem começa?
#
Um mês depois.
Depois de um mês estando em Seattle, Bella ainda não havia se acostumado com a ausência de Edward.
Sentada em uma Starbucks qualquer da região, ela encarava as ruas por detrás das portas de vidro, como se estivesse em uma sessão de hipnose. Alice gesticulava animadamente, contando alguma de suas peripécias à prima que nada ouvia o que ela estava discorrendo tão entusiasmada.
— Bella! — Alice gritou, tentando impedir que ela se perdesse mais uma vez em suas memórias. — Você ouviu o que eu disse? — perguntou com a voz esganiçada.
— Desculpe Alice. Eu estava distraída — corou ao assumir que não prestava atenção ao diálogo com a prima. — O que disse?
— Eu disse que não irá adiantar nada essa "terapia esquisita" se você ficar com essa cara de zumbi! Olhe as suas roupas! — fez uma careta de repulsa ao analisar as peças surradas de Isabella.
— Eu não irei comprar nada — avisou, antes que a baixinha surgisse com ideias mirabolantes para idas ao shopping, abastecer o armário.
— Você não gastaria um Penny* sequer! — tentou convencê-la.
— Alice...
A baixinha interrompeu.
— Tudo bem, tudo bem — levantou-se indo até uma lixeira descartar a bandeja com as embalagens do lanche. — Você irá dizer o quanto ainda está doendo por dentro se separar do bonitão, mas eu então eu pergunto outra vez: pra quê tanto alvoroço de separação se os dois estão infelizes com o rompimento?
— Você não entenderia — brincava com o pedaço de maçã em seu prato.
— Você nunca quis me contar. Sempre que eu pergunto, sempre muda de assunto, e eu fico sem entender. Ele está com outra?
— Eu não sei — balbuciou.
Edward estava em outro estado e não recebia sequer uma notícia sobre ele. Poderia pedir à Rosalie para ir verificar como ele estava, mas prometeu que ficaria completamente afastada do marido.
— Você está feliz, Bella? — Alice perguntou.
— Não! Eu não me sinto feliz — murmurou em um esmigalho de voz. Era doloroso demais pensar em Edward e o quanto ela estava sofrendo por não estar mais na presença do marido.
Ela era a culpada por eles estarem separados, contudo, no princípio havia sido fácil pensar em sua vida sem a presença constante do Cullen; entretanto, a realidade estava sendo completamente adversa, e por mais que trinta dias houvessem se passado, ela ainda sentia a queimação em sua pele nos exatos locais que Edward a tocou no momento da despedida. O momento em que eles fizeram amor e se entregaram de corpo e alma no encaixe de seus corpos; eles sabiam que seria a última vez, dessa forma, tudo foi feito com muita intensidade.
— Está sendo tudo difícil para mim, Alice, Por favor, me dê um tempo para que eu possa assimilar tudo. Está tão recente...
— Eu sei, querida — Alice consolou, buscando as mãos de Isabella e apertando-as em claro sinal de conforto. Queria arrancar para fora toda a dor que havia no peito da prima, mas ela não sabia o que fazer. Bella não lhe confidenciava nada e os tios não queriam se intrometer na vida de Isabella. "Se Bella quiser contar, ela irá", Renée disse certa vez quando lhe questionou a ausência de aliança na mão direita de Isabella e a razão do por que ela estar sem a presença de Edward. — Só que você também não pode agir como se estivesse em um luto perpétuo. Se vocês não deram certo, tudo bem, relacionamentos são assim mesmo. Não será o primeiro divórcio da história, então você não pode agir como se nunca mais fosse encontrar a felicidade.
— Nós dávamos certo.
— Mas você está aqui, sozinha, enquanto Edward permanece em LA.
— É muito complicado, Alice. Talvez você sequer entendesse a confusão que está a minha vida.
— Se eu ao menos soubesse o que está acontecendo, seria mais fácil eu julgar se é realmente complicado, ou se você, uma tremenda exagerada que está complicando as coisas.
— Tudo bem. Você e Jasper, por exemplo.
— O que Jazz e eu temos a ver com a sua separação? — perguntou, começando a se animar com a perspectiva de poder ajudar Isabella.
— Vocês estão juntos há um bom tempo, é claro que houve brigas? — o que era para ser uma afirmativa, tornou-se uma pergunta. Realmente não sabia se o namoro da prima, que durava três anos, existia desentendimentos.
Havia se isolado completamente do mundo após selar os votos matrimoniais.
— Por que você está aqui, Alice? — perguntou mudando bruscamente de assunto, nem dando tempo para Alice formar uma resposta ao questionamento anterior.
— Nós somos primas.
— Eu mandei você sumir da minha vida, lembra-se? — relembrou da primeira semana em que estava em Seattle e acabou por ter uma discussão com Alice. Isabella estava irritada, talvez inveja fosse a palavra mais adequada, com a felicidade exorbitante de Alice, enquanto ela estava derrapando em um buraco negro.
— Sim, mas você estava nervosa — explicou.
— E eu tenho que agradecê-la não ter ficado magoada comigo.
— Não precisa. Tem uma bolsa que chegou recentemente à Prada. Se quiser me agradecer dessa forma...
Sorriram em harmonia.
— Eu abandonei o meu marido, — confidenciou em um baixo murmúrio.
— Eu já estava desconfiando, — revelou Alice sem alterar o seu timbre de voz. — Só restava eu encaixar as peças e formar um motivo.
— Edward é muito ciumento.
— Do tipo que ultrapassa o normal?
— Sim.
— Como?
— Depois, Alice. Já estamos atrasadas.
Levantou-se.
Alice suspirou.
Seria paciente e esperaria o momento em que a prima estivesse segura para uma conversa aberta.
#
O ambiente estava regado à completa escuridão. Todas as luzes estavam apagadas, de modo que os móveis ficavam embuçados à negritude. Sentado no sofá, encarando a TV à sua frente de modo hipnótico, estava Edward.
Ao seu lado, em uma mesinha de madeira estavam algumas garrafas de cerveja que ele comprou em um bar no final da rua. Seus dedos procuraram pelo vidro do líquido, mas ao pegá-la e notar que estava vazia, colocou-a de volta ao lugar.
Seus dedos foram em direção aos cabelos, e repuxando-os cruelmente ele tentava impedir de sucumbir ao abismo que estava puxando suas pernas, naquele instante.
Procurou o controle remoto da TV, escolhendo um canal qualquer para assistir. Deixou o volume reduzido ao zero, e apenas observava os passos dos atores em sua interpretação.
O celular tocou algumas vezes, porém não teve ânimo para se levantar e atender a chamada. Depois de chiar mais uma vez, quem estava do outro lado da linha, desistiu.
Como era de costume daqueles que conviviam com ele.
Desistir.
Bella, a sua Bella, ela também desistiu deles dois.
Novamente o toque do aparelho ecoou pelo cômodo silencioso. Murmurando algum palavrão, Edward, cambaleante, foi até o quarto pescar o celular que vibrava em cima do colchão.
Não se atentando ao número do portador, ele colocou o celular na direção da orelha, e murmurou impaciente:
— Alô?
#
* Penny: nos EUA, a moeda de 1 centavo é chamada de "penny".
Olá novamente! *-* Caros leitores, depois da leitura desse capítulo light que tal abastecer a nossa CAIXINHA DO AMOR? *-* Essa autora que vos fala ficaria muito contente e, ao invés de postar o próximo capítulo na quarta-feira (18/10), este seria postado no domingo, 14/10. Que tal?
Até breve! :)
