Opostos

Bleach pertence ao Kubo Tite, estou pegando os personagens dele emprestado e fazendo uma bagunça apenas.

Capítulo 07 - Invasores

"Matsumoto! Matsumoto, apareça!"

Hitsugaya estava impaciente, seus olhos estavam amarelos e seu cabelo parecia mais arrepiado do que nunca, mas os dentes potiagudos e os chifres ainda não apareciam. Estava tentando se conter. Logo a ruiva apareceu em uma nuvem de fumaça, esta estranhamente acinzentada, como se fossem pequenos pedaços de rocha atraídos por um imã.

"Qual o problema?"

"Eu vou voltar ao inferno. Quero que você espalhe a Haineko por lá e assim que encontrar a Hinamori me avise."

"Você tem certeza que quer interferir nisso? Pode começar uma guerra!"

"Se descobrirem o que eu já fiz, a guerra vai acontecer de qualquer jeito."

Matsumoto franziu o cenho ao ver o Toushiro desaparecer. Balançou a cabeça negativamente e sentou-se largadamente no pequeno sofá do cômodo, tirando uma garrafa de sakê de trás do mesmo e bebendo um demorado gole. Como aquela bebida a acalmava... Esperava que o culpado do sequestro da Deusa não fosse quem suspeitava ser.

"Ele só destruiria a si próprio fazendo esse tipo de coisa."

Respirando fundo, a ruiva bebeu mais um pouco do sakê e concentrou-se, liberando todo o seu poder e começando a busca pela Deusa.


Shinji e Hiyori estavam parados na frente dos portões que adentravam no inferno. Podia-se ver um grande letreiro que piscava em vermelho a palavra em todas as línguas que os humanos conheciam e já haviam se esquecido. Não havia como confundir o lugar.

"Deveríamos ter nos transportado para depois do portão!" - A loira resmungou, batendo o calcanhar no chão freneticamente, nervosa.

"Nós nunca viemos aqui, como eu ia saber onde parar?"

"Tsc! De qualquer forma, temos que nos preparar... Se nós morrermos ao respirar o ar dali, Momo-sama nunca poderá ser salva."

O Hirako concordou. Não era uma tarefa fácil e precisavam ser rápidos. Não sabia a quanto tempo Hinamori estava presa ali, esperava que ela ainda estivesse consciente e bem. Deu um passo na direção do portão mas parou ao sentir uma presença bem perto de si. Os dois arcanjos ficaram parados, esperando quem fosse aparecer. Não havia vento, não havia barulho algum. Era estranho.

De repente, Shinji se abaixou rapidamente e pulou para trás em seguida, vendo o local onde estava ser despedaçado por alguma força invisível.

"ALI!" - Hiyori gritou, desembainhando uma grande espada e atacando o que parecia ser o nada, mas que fora atingido.

Logo ambos puderam ver o inimigo. Sangue escorria de seu braço direito, seu corpo era grande e seu rosto era igual ao de uma raposa. Usava um kimono negro com desenhos de fogo e uma amadura vermelha que parecia ser extremamente pesada.

"Vocês não são bem vindos aqui. Saiam!"

"Nós não vamos sair daqui até encontrarmos a pessoa que procuramos!" - Hiyori rebateu.

"Sou Komamura Sajin, guardião dos portões do inferno! Somente aqueles que pertencem a este lugar podem ultrapassar os portões!"

O Hirako segurou sua espada. Sabia que teriam que lutar contra muitos seres, mas não esperava que fosse tão cedo. Em um impulso, saltou na direção do guardião, sua espada brilhando em um belo tom dourado. Faria o máximo para derrotá-lo o mais rápido possível.

Komamura logo percebeu as intenções do anjo e se colocou em posição de defesa, uma aura negra crescendo ao seu redor. Quando as espadas se chocaram, uma grande onda de energia explodiu, ecoando por todos os lados. Hiyori, percebendo o feito, já se preparava para possíveis novas aparições inimigas.

"Você está gastando tanta energia que morrerá em questão de segundos sem que eu faça nada, anjo estúpido." - Komamura debochou, vendo uma veia saltar na testa de Shinji.

"Não me subestime!"

As espadas se chocavam em uma velocidade alucinante. Qualquer pequeno erro resultaria em um ferimento fatal, ambos sabiam bem. Shinji aumentou a pressão em seus golpes e quando o guardião quase se desequilibrou aproveitou para chutá-lo no joelho, derrubando-o. A chance perfeita. Quando foiinvestir em mais um golpe que torcia para ser o último, Komamura desapareceu.

"Sabemos que ainda está por perto!" - O arcanjo rebateu.

Como em resposta Hiyori foi jogada para o lado, chocando-se contra uma árvore velha e seca. A loira se levantou, soltou um palavrão impróprio e avançou contra o nada, arrancando faiscas de onde sua espada atacava. Mesmo sem poder ver, ela sabia onde o inimigo estava.

"Não adianta se acovardar e ficar invisível, consigo sentir seu cheiro podre de longe!"

"Já que é assim," - Komamura respondeu, tornando a ficar visível. - "Vou atacar com tudo que tenho e acabar com isso rápido."

O guardião parou de atacar e se afastou, segurando sua espada acima da cabeça e fazendo sua aura aumentar cada vez mais. Logo a mesma foi tomando forma e dando lugar a um imenso guerreiro vestido em armadura semelhante a que os samurais usavam e que repetia os gestos de Komamura.

"Tsc." - Shinji passou a mão livre por uma das têmporas. - "Hiyori, vamos atacar ao mesmo tempo e acabar com isso logo."


Momo abriu os olhos. Parecia que estava hibernando em um local abafado há milênios. Seus músculos estavam doloridos demais para pensar em se mover. Mas precisava sair dali, avisar alguém de que corria perigo.

"Mas assim eu só daria meu pai a certeza de que não estou pronta... Preciso sair daqui sozinha!"

Respirando fundo e mordendo um pedaço da própria roupa para evitar qualquer grito, Hinamori se levantou e andou o mais rápido que pôde, imaginando em que lugar exatamente estaria a saída. Avistou uma pequena passagem coberta por fios vermelhos e a atravessou, chegando em uma sala escura, cheia de plantas de grande porte, muitas delas com dentes pontiagudos. No centro, havia uma grande cama oval com lençóis vermelhos.

Momo engoliu em seco. Imaginava se aquelas plantas se moveriam e a engoliriam inteira de uma só vez como nos filmes e desenhos humanos. Foi pé ante pé, com medo de produzir o menor ruído. Depois de se movimentar tanto, estava começando a acostumar com a dor incômoda. Até sentir uma mão em seu ombro e soltar um grito assustado.

"Pensei que você estivesse mais fraca! Mas pelo jeito ainda tinha muita energia sobrando, hein!"

A Deusa não precisou virar-se, Ichimaru andou até a sua frente, segurando um longo cachimbo e daquela vez usando roupas em estilo oriental completamente brancas, o que o deixava com um ar mais fantasmagórico. Fumou por alguns instantes e soprou a fumaça no rosto da mesma, que sentiu uma enorme ânsia de vômito e caiu no chão, vomitando na terra.

A estranha substância não parava de sair de sua boca. Era sangue misturado com algo negro, que deduzia ser miasma. A terra parecia absorver com gosto tudo que saía de sua boca e logo percebeu que as plantas próximas cresciam cada vez mais. Tudo ali, parecia se alimentar do seu ser.

O sorriso do Gin aumentou ao observar a cena. Gostava muito daquelas plantas. Mas logo abriu os olhos quando viu uma pequena neblina acinzentada entrar sorrateiramente pela janela, chegando até seus pés. Seu sorriso diminuiu, sabia o que era aquilo, quem controlava. A neblina passou por seus pés e logo chegou até Momo, a envolvendo, como se a protegesse.

"Estou esperando, venha." - Falou em um tom sério, enquanto Momo perdia novamente os sentidos.


Shinji e Hiyori suavam e respiravam rápido. Aquilo estava sendo mais difícil do que imaginava. Apesar do novo inimigo se enorme não era lento e podia alcançá-los antes que pensassem em chegar perto do guardião. Precisavam encontrar um meio de derrotá-lo.

Ambos estavam com as asas abertas e voaram quando a espada veio na direção de ambos outra vez. Não sabiam a quanto tempo estavam naquele pega-pega sem fim. Shinji era o que voava mais alto, sua espada empunhada firmemente. Observou Hiyori xingar novamente - não sabia quantas vezes por dia ela o fazia - e atacar velozmente, por pouco acertando um ponto vulnerável do gigante. Foi então que algo fez 'click' na cabeça do arcanjo e seus olhos brilharam diante de uma nova idéia.

"HIYORI!" - Gritou mentamente, vendo a anjo colocar ambas as mãos na cabeça e se encolher em pleno ataque. - "CUIDADO! Desvie sua tonta!"

"VOCÊ ACHA QUE ISSO FOI POR CULPA DE QUEM?"

"Certo, foi minha, mas ouça, tive uma idéia. Continue atacando assim, deixe-o ocupado. Na melhor oportunidade lançe uma flecha purificadora. Vou me concentrar e mandar uma chuva de flechas."

"Hn, okay. É bom funcionar, seu oxigenado."

Ignorando qualquer reclamação posterior sobre o apelido dado, Hiyori avançou novamente, tentando atacar em vários pontos e fingindo querer se aproximar cada vez mais do Komamura. Concentrou-se e materializou uma cópia de si mesma, não era idêntica, mas sabia atacar muito bem. O gigante estava com ambas as mãos ocupadas e movia-se freneticamente.

Quando voou sobre o braço livre da espada, a duplicata foi presa por ambas as mãos do gigante. Vendo sua chance, Hiyori projetou rapidamente um arco e disparou uma flecha no peito do gigante, atingindo-o. Sua cópia desintegrou-se e o mesmo tremeu, em seu peito um grande buraco vazia fora aberto.

"SEJA O QUE FOR FAZER, FAÇA AGORA SHINJI!" - Hiyori gritou, disparando outra flecha.

O Hirako abriu os olhos e disparou incontáveis flechas, mirando tanto no gigante quanto no próprio Komamura. Este percebeu tarde demais, senti atingido na perna esquerda e no ombro, próximo ao local do seu coração. O gigante recebeu a maioria, sendo completamente esburacado. Hiyori gritou vitoriosa quando o corpo do guardião caiu inerte no chão.

"Agora podemos passar vamos rápido!"


Hinamori abriu novamente os olhos, se sentindo pior do que nunca. Seus braços estavam presos por pesadas correntes e ainda mordia o tecido que usara para não gritar. Cuspiu-o, o gosto em sua boca era horrível. Estava surpresa que ainda conseguisse ficar consciente por tanto tempo, depois de perder tanto sangue. Era muito mais do que qualquer ser normal aguentaria.

"Estamos quase na hora do jantar, kami-chan." - Ichimaru surgiu sentado à sua frente, com seu cachimbo fedido ainda em mãos. - "A comida de hoje será muito, mas muito especial... Imagino quais poderes novos vou ganhar!"

"Nenhum!"

O coração da Deusa pareceu parar de vez. Hitsugaya estava parado atrás do Ichimaru, completamente transformado em demônio. Gin aumentou seu sorriso, virando-se para o jovem e cruzando os braços.

"Não sabe que é feio invadir a casa dos outros assim?"

"Fique quieto! Você infringiu uma lei muito maior! Não tente inventar que não viu a marca nela!"

"Pff, aquela marquinha não é de nada."

A temperatura começou a cair cada vez mais. Hinamori batia os dentes. Não sabia se se sentia aliviada ou se seus problemas apenas haviam aumentado. Mas, de qualquer forma, preferia ser devorada pelo Toushirou do que pelo Gin... (n.a.: não me imitem e pensem besteira nessa parte okay?)

Hitsugaya avançou contra Ichimaru, prendendo-o contra a parece com violência, porém o Lorde continuou com a mesma expressão. Revidou segurando o braço do jovem e apertando-o ate soltar, para depois chutá-lo no estômago. O Toushirou não sei deixou levar pelo golpe e defendeu-se da maneira que pôde, recebendo o chute de maneira indireta. Aproveitou e socou o ombro do mais velho, provocando rachaduras na parede.

"De que vale à pena se esforçar tanto por uma coisinha como ela? Você já domina a água e o fogo, não precisa de mais nada!"

"CALE A MALDITA BOCA!" - Hitsugaya pulou para trás e lançou rapidamente uma grande estaca de gelo na direção de Ichimaru, que desviou.

Hinamori observava os dois voltando a trocarem socos e chutes em uma velocidade incrível. Mas o que a mais assustava era o que Ichimaru dissera. Hitsugaya dominava o elemento água. Significava que ele havia devorado algum Deus antigamente.

"Não é isso." - Algo disse em sua mente. Franziu o cenho. Estava surpresa como as paredes rachavam e começavam até a perder pedaços, menos no canto onde estava. Havia uma barreira. "Ele é diferente."

Hitsugaya congelou seu braço esquerdo, surgindo uma espada quando o mesmo se quebrou. Era toda em detalhes verdes e uma corrente com uma foice em formato de meia-lua presa na bainha. Girou-a com a mão livre e atacou o Gin com incrível velocidade, tentando congelá-lo. Uma parte da túnica do mesmo já havia sido atingida.

Não querendo perder, Ichimaru tirou uma pequena faca de sua manga que logo se transformou em uma espada pequena. Girou desviando de um ataque da foice e apontou a arma para Hitsugaya. Sua espada esticou em uma velocidade incrível, assustando o oponente por um segundo.

Logo sentiu um ardido no braço, a foice estava fincada. E então veio a sensação fria, sua mão não se movimentava mais. Não se deixou intimidar, suportaria muito bem aquela situação. Observou Hinamori angustiada observando-os, sabia bem como usá-la. Mirou sua espada na direção da mesma e a ordenou que esticasse, mirando no coração da Deusa.

"HINAMORI!"

Hitsugaya jogou-se na direção da mesma e a espada de Ichimaru perfurou seu ombro. Segurou-a forte e conteve um grunido de dor, sendo jogado até cair encima de Momo.

"Hitsugaya-kun! Aguente firme!"

Hinamori segurou-o como pôde, mas estava fraca e tremendo. Estava com medo. Mas não era de morrer. Não queria que Toushiro morresse, mesmo que no final ele pudesse ser seu assassino. Apertou mais o braço do mesmo e sua visão borrou quando grossas lágrimas começaram a cair de seus olhos. Também estava cada vez mais suja com o sangue do mesmo.

"Hitsugaya-kun!"

"Pare de falar meu nome!" - Hitsugaya gruniu alto quando a espada do Ichimaru foi retirada de seu ombro. Sentiu algo molhado em suas costas e virou-se, assustado ao ver Hinamori chorando. - "Por quê? Está com medo? Eu vou te tirar daqui!"

"Não é isso..." - Momo encostou seu rosto no ombro do jovem demônio. - "Não se machuque por mim... Por favor."

Toushiro ficou sem fala. Não sabia como reagir, até sentir a dor em seu ombro aumentar. Ichimaru fincava sua espada no ferimento novamente. O sorriso em seu rosto havia desaparecido.

"Chegou a hora de dizerem adeus. Você é uma existência proibida, seres como você não devem viver."

E tudo que Hitsugaya pôde sentir foi uma nova dor em sua barriga enquanto Hinamori chorava ainda mais.


Continua.

Yaaaay! Mais um capítulo terminado! Ele foi escrito enquanto eu me mudava de cidade... tcharam.. passei no vestibular! E enquanto corria pra lá e pra cá e arrumava lugar e coisas para morar, quando não tinha nada pra fazer fiquei escrevendo, enquanto a bateria do note permitiu.

Tenho certeza de que alguém vai reconhecer a cena da luta entre o Hitsugaya e o Ichimaru. Bom, a luta deles sempre foi clássica, teve suas alterações mas foi baseada no mangá. Só não me perguntem o capítulo!

Agradecimentos: Juliana, Laari W. Black, Nara Yasmin, Greicy Kelly. Só que só vou responder às reviews mais tarde, certo? xD Meu tempo está mais corrido esses dias.

Kissus!