Estava apreensiva com toda aquela gritaria e alvoroço e por mais que quisesse sair dali, não poderia; Nancy ainda tinha mais uma luta para aquele dia. Seus pulsos já doíam, assim como os músculos dos braços e pernas, além dos locais aonde tinha sido atingida por algum adversário.
A jovem lutadora tinha entrado para aquele torneio ilegal na tentativa de conseguir dinheiro, estava precisando urgentemente quitar suas contas ou seria despejada e ficaria sem onde morar. Nancy era órfã e não tinha mais ninguém no mundo a não ser ela mesma.
Ouviu seu nome ser chamado por um dos funcionários; seria agora que deveria lutar. Levantou-se do banco de madeira e antes de deixar o vestiário olhou no espelho. Tinha o supercílio cortado e um pouco de sangue escorria por seu rosto; mais tarde deveria dar um jeito naquilo.
Vaidosa como era, não pode deixar de se incomodar com o ferimento. Suspirando pesadamente Nancy soltou os cabelos que caiam curvilíneos até os ombros , penteou as mechas de um castanho escuro com os próprios dedos antes de prende-las novamente num rabo-de-cavalo. Os olhos da mesma cor brilhavam intensamente; estava determinada a ganhar aquela luta e se tudo desse certo não teria mais que se submeter aqueles torneios. Não treinara quase uma vida para usar suas habilidades para entretenimento daquelas pessoas baixas.
-Nancy!- o homem chamou mais uma vez.-Ande logo!
A australiana revirou os olhos e seguiu até a saída do vestiário; notou que ainda havia gente lutando no ringue logo à frente. Nancy olhou para o sujeito careca que a chamara.
-Qual é?Ainda não é minha vez!
-Não, não.- Deu de ombros.- Mas tem um cara aqui querendo te ver.
Nancy olhou na direção que lhe apontaram. Avistou um homem alto, de porte largo e cabelos compridos num tom azul bastante escuro. Não pode deixar de notar o quão bonito era o sujeito, ainda mais com aquele ar despojado, mas ainda assim não o conhecia.
-Se for dar umazinha antes da luta seja rápida!- Comentou maliciosos o funcionário do torneio.- Você é a próxima.
A mulher ameaçou bater naquele sujeitozinho e foi o suficiente para que ele se retirasse. Nancy olhou mais uma vez para seu "visitante" e foi até ele.
-Eu te conheço?- Perguntou sem muita paciência.
-Não.- Respondeu com um sorriso.- Mas pode conhecer agora. Kanon, muito prazer.
-Kanon...?Kanon de que?E quem é você e o que quer comigo?- Nancy pôs uma das mãos na cintura e com a outra gesticulava enquanto falava.
-Apenas Kanon.- Cavaleiros não recebiam sobrenome, eram órfãos.- E preciso que venha comigo.
Nancy olhou pra ele incrédula antes de rir. Quem aquele louco achava que era?A australiana balançou a cabeça em negação antes de dar as costas para Kanon e seguir para ringue- a outra luta já estava para terminar.
Kanon fechou os olhos e suspirou pesadamente, depois de tudo já devia imaginar que seria difícil convencer aquelas mulheres que corriam perigo. O geminiano foi atrás de Nancy em passos largos e apressados, não queria perder tempo.
-Escuta!-Chamou segurando-a pelo braço.- Você terá que vir comigo!
Nancy o olhou com cara de poucos amigos antes de desferir um soco bem no rosto de Kanon. Pego de surpresa o General Marina acabou por soltar o pulso da australiana e levar a mão ao próprio rosto ferido.
-Qual é o seu problema?- Aumentou o tom de voz atraindo o olhar de alguns espectadores.
-Eu é que te pergunto!- Quase cuspiu as palavras; definitivamente aquele não era um bom dia para mexer com ela.- Se não quiser levar outro aconselho e meter o pé, bonitão!
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Tanto Clarice quanto Pilar estavam estáticas; tentavam não se mexer, mas ficavam atentas para qualquer movimento de Cathrine.
-Você disse que eu te lembro alguém. – Começou a francesa.- E quem seria?
A ruiva olhou por alguns segundos para a moça antes de responder com um sorriso no rosto.
-Meu irmão tinha uma namorada. - Comentou saudosa.- E você se parece com ela.
-Então, tem irmão?- Emendou o assunto; Clarice tentava distrair Cathrine. Mantê-la ocupada seria a única forma de se manterem vivas.
-Assim como você e ela.- Apontou para Pilar.- Não é?
-Eu tenho uma irmã. –Corrigiu Pilar que se mantinha séria, mas parecia ter entendido a idéia de Clarice.
-Detalhes, detalhes...
-E seu irmão...- Continuou Clarice, atraindo novamente a atenção da ruiva.- Quantos anos ele tem?Meus dois irmãos são mais velhos que eu.
Cathrine se levantou do banquinho em que estava e passou a caminhar pelo palco; em suas mãos ainda carregava o violino de Clarice de forma displicente. Pilar ficava atenta a cada passo que a mulher dava. A cada vez que olhava para a manga da blusa da ruiva lembrava-se da imagem do corpo de seu empregado, Remi.
-Meu irmão morreu quando era pequeno.- A ruiva estava de costas para as duas mulheres, olhava para os fundo do tetro.- Tinha só quatorze anos quando foi executado.
-Eu...
-Tudo graças a namorada dele.- Cathrine não permitiu que Clarice dissesse nada.- Graças a ela e a uma mocinha chamada Minerva.
Pilar sentiu que o tom de voz de Cathrine alterara apesar do sorriso no rosto da ruiva; ela parecia rancorosa e seus olhos tinham um brilho distinto. Clarice por outro lado estava apreensiva. Não podia ver o que acontecia, mas sentia o clima a sua volta.
-Não tem idéia de quanto me irrita olhar para você.- Novamente a francesa gritou de susto, Cath brotara ao seu lado e sussurrava em seu ouvido.- Parece que estou na presença daquela vadia novamente.
Cathrine agarrou com força a francesinha pelo queixo obrigando-a a encará-la. No rosto da ruiva, o sorriso de sempre brincava em seus lábios vermelhos. Clarice fez um careta de dor ao ter o rosto agarrado, as unhas daquela mulher marcavam sua pele delicada.
-Solta ela!- Pilar foi na direção de Cathrine com banco em punho pronto para acertá-la.
A ruiva apertou mais ainda o rosto de Clarice entre seus dedos como se quisesse quebrar o queixo da mulher. Sequer virou-se para dar atenção a Pilar, apenas ergueu a outra mão em direção a produtora jogando-a longe com seu cosmo.
A morena foi arremessada a um distancia considerável, caindo de mal jeito ao acertar a parede que dava para os camarins do teatro. Zonza pelo ataque, Pilar soltou um gemido de desconforto enquanto tentava levantar-se.
Clarice apenas ouviu o estrondo da colega sendo atacada; segurava com força o pulso de Cathrine na tentativa de se livrar daquela mão que a machucava, mas parecia em vão. Algumas lágrimas começaram a brotar de seu rosto
-Pare com isso...- Sussurrou com dificuldade.
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Kanon se controlava para não acertar a mulher de volta, se fosse no Santuário aquela ali não teria a audácia de levantar o dedo sequer para ele. Respirando fundo, o cavaleiro pensou ainda em argumentar, mas sabia que de nada adiantaria com aquela lá.
-Olha, moça, vamos embora!
Dito isso, agarrou a jovem pelo braço e desatou a puxá-la em meio a multidão que vibrava diante da luta que ainda acontecia na arena. Nancy tentava puxar o braço de volta, mas aquele homem era forte demais. A morena até tentou acertar outro golpe em Kanon, mas este já estava preparado.
-Me larga!- Nancy continuava lutar para se livrar de Kanon.- Os seguranças não vão te deixar sair daqui!
-Se continuar puxando desse jeito irá se machucar.- Disse sem muita paciência ignorando a parte dos seguranças; sabia que não teria grande problemas para sair de lá.
A morena continuava a xingá-lo de tudo quanto era nome; tentava chutar e socar mesmo sabendo que era em vão. Quase caiu quando Kanon parou de súbito de andar e seu corpo foi de encontro ao dele com certa força.
-Que é agora?- Perguntou mal-humorada.
-Ótimo, temos companhia!- Kanon gemeu em desgosto.
-Amigos seus?-Perguntou com sarcasmo ao avistar dois homens mais a frente vindo na direção deles; Nancy julgou serem os seguranças.
-Não, não são. E muito menos amigos seus!
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Máscara da Morte e Aldebaran logo encontraram com Cassius no aeroporto de São Paulo; de lá o Conselheiro instruiu o brasileiro a seguir até uma cidadezinha de interior, quase uma comunidade alternativa, onde deveria encontrar Dália. Um carro o levaria até lá e traria de volta ao aeroporto onde Aldebaran deveria seguir com a moça para Grécia.
Câncer e o servo de Minerva iriam embarcar no próximo vôo para o México, Alaya estaria aguardando pelos dois; claro, que a latina de nada sabia. Alaya recebera uma carta de uma grande universidade Grega informando que sua bolsa se estudo foi aceita através do programa da Fundação Kaito e que dois representantes iriam buscá-la dentro em breve.
Sendo assim, o brasileiro fez como foi mandando.
Em algumas horas Aldebaran encontrava-se à entrada da tal comunidade alternativa; em meio a árvores, grama e plantas havia algumas casinhas bem simples e humildes. A tecnologia parecia não ter alcançado aquele lugar; os moradores cumprimentavam-se e sorriam constantemente, suas roupas eram as mais leves possíveis. Ao fundo, o som de pássaros e cachoeiras. Para o protetor de Athena aquele local até lembrava o santuário.
O cavaleiro de Touro entrou pelo portal do vilarejo, claro que com todo aquele tamanho, Aldebaran não passou despercebido e logo as pessoas o olhavam com curiosidade. Diferente do que se podia imaginar ninguém ali parecia arisco à presença do taurino, pelo contrário, o saudavam com um sorriso ou aceno de cabeça. O jovem cavaleiro sentiu-se acolhido pelo local; não só as pessoas o deixavam confortável, mas a aura pacífica que o local transmitia.
Olhando a volta tentava encontrar o rosto de Dália.
-Ei, moço, precisa de ajuda?- Uma mocinha de cabelos cacheados o chamou. Um belo sorriso adornava seus lábios.
-Ah, sim!-O grandão respondeu o sorriso com outro.- Procuro uma moça chamada Dália, conhece?
-Dália!Ah, está com sorte!- A menina dos cachinhos apontou para uma trilha em meio ao bosque.- Ela acabou de voltar!Está nas cachoeiras. Não tem erro é só seguir em frente.
Aldebaran agradeceu a moça e saiu atrás de Dália seguindo pelo caminho indicado. Não muito tempo depois o brasileiro se deparou com uma imagem deslumbrante. Pedras enormes de onde brotavam água corrente e plantas que adornavam ao redor. Peixes nadavam pelos rios e piscinas formadas , e pássaros tomavam banho e cantarolavam naquelas águas cristalinas e puras. O barulho das águas era algo relaxante e o sol parecia contemplar o local com o seu melhor. Um sorriso se fez nos lábios do brasileiro; havia esquecido o quão belo seu país podia ser.
A sua esquerda, um caminho de tábuas ligava até o mais alta das pedras, nela Aldebaran pode ver a mulher que procurava.
Dália parecia alheia ao mundo a sua volta, curtindo apenas a brisa que soprava. Os cabelos com cachos prateados e algumas mechas negras- sendo essas decoradas com miçangas, pedrinhas de bijou e semente, tudo muito colorido- dançavam ao som do vento. A pele morena era saudada com os raios de sol e os olhos amendoados cor azul lago contemplavam felizes a beleza da natureza a sua volta.
A hippie estava desligada do mundo a sua volta e apenas quando Aldebaran estava à meio metro Dália se tocou que não estava sozinha, afinal, o grandão estava fazendo sombra e impedido o sol de tocá-la. Já que estava sentada, a mulher ergueu o rosto e deparou-se com um belo exemplar de homem, um sorriso simpático e sincero surgiu em seu rosto.
-Olá.- Ela cumprimentou calmamente.
-Olá! Senhorita Dália, correto?
-Ih, cara...- Continuou com o sorriso; a voz vinha calma mas alegre.- Pra que tanta formalidade?Pode me chamar apenas de Dália.
A pequena- se comparada ao cavaleiro de Touro.- estendeu a mão para cumprimentá-lo. Aquele ar pacífico, quase chapado, de Dália arrancou uma risada sincera de Aldebaran que se curvou e apertou a mão da moça.
-Muito prazer, Dália, sou Aldebaran de Touro.- Disse descontraído.
-Aldebaran de Touro, ahn?- Ela sorriu torto.- Nome legal, cara!
Deba sorriu e sentou-se ao lado da moça que assentiu com um sorriso.
-Dália,bom, como começar...?- Aldebaran pensava numa forma de iniciar o assunto, sabia por experiências anteriores que aquilo não seria fácil.
-Ah, cara, que tal pelo começou?- Respondeu com sorriso; o mesmo ar de "paz e amor" permanecia.
-Justo.- Touro concordou.- Eu vim buscá-la, Dália, pois corre sério perigo. Sei que pode parecer absurdo, mas falo a verdade. Você é um das escolhidas para dar luz à deusa Minerva.
Dália olhou para aquele homenzarrão e piscou algumas vezes, aquelas informações despejadas de uma vez só a deixaram confusa. A hippie franziu o cenho.
-Deusa?- Perguntou descrente.- Cara, que parada louca...
-Sim, eu sei, mas não se preocupe. Estaremos aqui para protegê-la daqueles que desejam seu mal e...
-Digo, que bagulho foi esse que você usou?- O ar calmo retornou.- Sabe, drogas...drogas não são legais.
Aldebaran piscou algumas vezes. Não esperava tal reação, no mínimo alguém gritando "Louco."
-Não, senhorita, não usei drogas!- O taurino gargalhou.
-Bom, - Dália parou para pensar.- Então serei eu a estar chapada?O que disse mesmo?
-Eu disse que a senhorita é uma das escolhidas para ser a mãe da deusa isso corre perigo.
-Cara...
-Eu sei que pode parecer loucura. – Aldebaran a interrompeu.- Mas acredite em mim, a senhorita corre perigo.
Dália olhou por alguns segundos o grandão a sua frente, ele não parecia mentir, não mesmo!O sorriso sincero e a mão de Aldebaran em seu ombro só serviam para confirmar que o homem não mentia. Com suspiro resignado Dália levantou-se e olhou para Touro.
-Bom, então é melhor eu pegar minha coisas, né?
Novamente Aldebaran se viu surpreendido, não imaginava que seria assim tão fácil convencer a moça. Sendo sincero com ele mesmo, se fosse ele a escutar aquela estória não acreditaria numa palavra sequer!
-A senhorita então...acredita em mim?- Perguntou confuso.
-E não é pra acreditar?- Dália sorriu.- Olhei nos teus olhos e não vi mentira. Aliás, vi o que pouco vejo nos dias atuais: uma alma boa.
O cavaleiro baixou o olhar e sorriu; de certo forma estava lisonjeado, mas tímido pelo elogio. Aldebaran se levantou deu passagem para Dália que seguiu pelo caminham de madeira. Os dois voltaram ao vilarejo conversando sobre banalidades, Dália não queria saber do perigo que corria, na verdade, o que ecoava em sua mente era o fato de ser escolhida para ter um filho...
A jovem hippie, apesar de conversar alegremente com seu agora protetor e amigo, tinha a cabeça a mil por hora. Se tudo aquilo fosse verdade, oh céus...
-"Cara...Por que logo a mim, Deus?Ou deuses?Sou muito nova..."
-Aldebaran, -Chamou a moça em voz alta atraindo o olhar do taurino para si.- Não estou grávida agora, como então serei mãe se nem namorando estou?Conhece o pai do meu filho?
O cavaleiro de Touro parou de andar e fitou Dália, piscou algumas vezes, abriu e fechou a boca como se tivesse a resposta...A verdade era que Aldebaran não sabia a resposta. Aliás, o taurino se tocara que se aquelas moças ficariam sob a proteção dos Santos de Athena, isoladas no Santuário, sendo que nem todas estavam gravidas, só haveria um jeito delas serem mães...
-Por Athena...Nos seremos.- Balbuciou um pouco confuso; Aldebaran sentiu-se tonto e toda a cor deixou seu rosto. Eles seriam pais?
X_X_X_X_X_X
-Solte-as, Cathrine.
A ruiva surpreendeu-se ao ouvir a voz tão conhecida de anos, um enigmático sorriso brotou em seus lábios e num geste bruto largou Clarice no chão. A francesa levou as mãos ao rosto, massageando e enxugando as lágrimas, podia-se ver que a moça tremia.
-Tucidides.- Cathrine virou-se.- Pensei que não viesse mais, querido.
-Deixe-as ir, Cathrine.- O jovem de cabelos ondulados andava em direção ao palco onde estavam as três mulheres, Milo e Aiolia vinham logo atrás.
-Então esses são os protetores de Athena!Ah, mas são mais bonitos do que me lembrava.- A ruiva parecia ignorar as ordens de Tucidides o que deixou o romano ainda mais irritado.
Milo trocou olhares com Aiolia, os dois não conseguiam entender porque aquela mulher era motivo de tanta preocupação, nenhum dos dois conseguia sentir um cosmos ameaçador vindo dela. A ruiva parecia apenas mais uma mulher dentre as outras duas, mas a preocupação desenhada nas feições juvenis de Tucidides denunciava que o perigo era maior que podiam imaginar.
Cathrine continuou a olhar para os dois cavaleiros como um predador avaliando a caça, sequer deu importância a Clarice e Pilar que se levantavam e corriam para fora do palco; Tucidides as amparou e ajudou a francesa a descer do palco; Pilar só queria sair de lá, mas suas pernas tremiam muito.
Aiolia deu um passo à frente, o peito estufado em orgulho e o semblante sério; estava revoltado com a agressão aquelas pobres e indefesas moças...Faria com que aquela vilã pagasse por seus crimes.
-Tire-as daqui, Cavaleiros. - Tucidides pediu numa voz grave.
-E pensa em lutar com essa coisa sozinho?- Perguntou num tom ofendido Aiolia que não desgrudava seus olhos da ruiva. Era forte e não se deixaria intimidar por mulher alguma.
-Faça o que eu digo, Leão.
-Faça o que ele diz, Gatinho.- Zombou Cathrine.- Deixe os adultos se resolverem.
O leonino rosnou em desgosto e lançou um olhar ameaçador à ruiva que apenas sorriu. Cathrine continuava em cima do palco encarando os homens a sua frente.
-Aiolia.- Chamou Milo.- Vamos.
-E deixar essa vadia nos insultar dessa forma?- Esbravejou Leão que mantinham seu olhar de desgosto voltado à ruiva.
Escorpião olhou sério para Aiolia; a missão ali era salvar aquelas duas moças e o estúpido leonino estava mais preocupado em defender sua honra! Milo segurou Aiolia pelo braço e entre dentes disse:
-Agora não é hora para isso.- O cavaleiro da constelação de Leão olhou-o com cara de poucos amigos e puxou o braço de volta.
-Faça o que seu namorado disso, querido.- Fez-se presente a voz da ruiva.- Isso não é briga pra dois moleques como vocês.
- O que disse?- Sibilou perigosamente Milo. Dessa vez era ele quem estava perdendo a paciência com aquela mulher.
Tucidides ciente dos planos de Cathrine tratou de intervir e se pôs na frente dos dois homens; Pilar e Clarice permaneciam juntas.
- Eu disse, Milo de Escorpião, que você e Aiolia de Leão mal puderam contra fedelhos de bronze quem dirá contra mim.
Aiolia sentiu o sangue ferver e sem pensar duas vezes empurrou Tucidides e avançou contra Cathrine; na velocidade da luz o jovem atacou-a com um soco . Todos os presentes mal puderam ver o gesto, num piscar, o leonino já estava em cima do palco com Cathrine segurando-o firme pelo pulso. Aiolia olhou surpreso para a mulher, como ela conseguira deter aquele golpe?
-Eu falei para deixar isso para os adultos.- Completou num sussurro antes de apertar o pulso de Aiolia a ponto de quebrá-lo.
-SOLTE-O!- Tucidides berrou ao ver o sorriso sádico se formando no rosto da ruiva e ao sentir o ar a volta torna-se mais frio.
Clarice olhava para os lados assustadíssima, apenas os sons de gritos e objetos caindo podia ouvir. Segurou firme na mão de Pilar que retribui; assustada a moça olhou aflita para Milo e Tucidides.
Aiolia sentiu uma dor excruciante atravessar seu corpo, mas não conseguiu gritar; sua boca abriu e fechou algumas vezes, mas nenhum som emitiu. As pálpebras pareciam pesar, assim como o corpo que num piscar se tornou mole e fraco...O leonino sentiu a respiração rasa e um frio tomar-lhe o corpo; estava morrendo...Sim, ele conhecia essa sensação. O coração disparou em angústia.
Tucidides partiu para cima do palco e com uma força sobre humana empurrou Cathrine num espalmar de mão. A ruiva imediatamente largou o corpo do Leonino que desabou no chão. Milo correu para acudir o amigo enquanto o romano posicionava para lutar.
-AIOLIA!- Chamava desesperado Milo pelo amigo. – Aiolia!Fale comigo!
-TIRE-O DAQUI!AGORA!- Ordenou Tucidides.
Cathrine que havia sido arremessada para longe, levantava-se nos escombros produzidos pelo encontro de seu corpo e a parede do velho teatro. Os cabelos cacheados caiam por seu rosto e o sangue brotava manchando sua blusa. Desajeitada a moça pôs-se de pé; uma gargalhada histérica ecoava pelo teatro. Não se conseguia ver o rosto da ruiva, mas podiam sentir um cosmos manifestar-se dela.
Escorpião, que tinha o corpo do amigo nos braços, olhou raivoso para a mulher. Sabia que Aiolia ainda estava vivo, mas respiração estava rasa demais e falha. Estava divido entre sair de lá com Aiolia e as duas moças ou lutar; Milo não era de fugir de batalha nenhuma, ainda mais quando sua honra e a dos cavaleiros se via ofendida.
-Por favor...-Pediu Clarice.- Vamos sair daqui.
O grego olhou para as duas mulheres e sem pensar mais levantou Aiolia, segurando-o pela cintura. Com um movimento de cabeça pediu para que as duas o seguisse. Pilar, segurando Clarice pela mão, seguiu para fora do teatro.
Tucidides continuou com seu olhar pregado à Cathrine. A ruiva andava se desequilibrando em seus saltos em direção ao romano; o sorriso demente sempre nos lábios e o sangue que escorria por seu corpo, algumas lascas de madeira estavam fincadas nas pernas, braços e costas da mulher que parecia não se abalar.
-Adeodata.- Chamou o homem no corpo de menino.- Chega dessa matança desnecessária.
-Ora, Tucidides, não apele para nomes do passado. - A ruiva se aproximava mais e mais, os corte em seu corpo cicatrizando e o sangue recolhendo-se as feridas de onde saíram. - Não é como se isso fosse funcionar.
Tucidides olhava com pesar para mulher, era claro em suas feições que não desejava lutar e que no fundo, o encontro com Cathrine o abalava mais do que devia. A ruiva não era apenas a Representante de Marte; Tucidides ainda a via como no passado... A amiga que jurara, assim como ele, fidelidade à Minerva.
-Só sairemos daqui, querido, quando um de nós perecer . E a julgar pela sua carinha, - Cathrine farejou o ar como um animal. - E a essência de tua alma, saberemos quem terá esse belo teatro como tumba.
X_X_X_X_X
Alaya estava em casa arrumando suas coisas, em poucas horas estaria viajando para a Grécia onde conseguira uma bolsa de estudos. Enquanto dobrava as últimas peças de roupa, olhava para a imagem de Nossa Senhora na prateleira em frente e agradecia mentalmente e com um sorriso nos lábios.
Deus sabia o quanto havia batalhado por aquela bolsa!Estudiosa que só ela, foi a melhor da turma e quando recebeu a carta da Fundação Kaito, sede em Athenas, dizendo que o pedido de bolsa tinha sido aceita comemorou como pode: bebeu até não poder mais, dançou, saiu e divertiu-se com os amigos. O dia seguinte, é claro, que não foi do melhores para a jovem mexicana, a ressaca veio bater à porta com toda força, mas Alaya não reclamou, estava feliz demais.
Terminando com as malas, a morena prendeu os cabelos negros e lisos num coque alto e foi arrumar-se. Olhou no espelho a figura de seu corpo; não era magra e esbelta para os padrões da sociedade. Tinha o corpo bastante curvilíneo, com seis fartos assim como a bunda. Era baixinha e um pouco acima do peso, mas tudo muito bem distribuído pelo corpo; um mulherão apesar de não achar. Alaya tinha uma beleza de poucos, mas não se achava tão atraente assim; a pele morena reforçava o ar latino da moça.
À medida que ia se despindo em frente ao espelho, podia observar as tatuagens que marcavam seu corpo; um dragão na coxa esquerda; uma constelação no pescoço que saia detrás da orelha; e a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe – padroeira do México- que ocupava o braço direito inteiro.
Enquanto decidia a roupa que colocaria para viajar ouviu alguém bater à porta. Olhou para o relógio em cima da mesinha de cabeceira e estranhou alguém aparecer àquela hora.
-Já vai!- Gritou de dentro do quarto; pegou a primeira roupa que viu e vestiu-se. Um short branco e uma blusa, tipo bata, na cor preta; nos pés uma sandália rasteira.
Do lado de fora da casa, Máscara e Cassius aguardavam a moça, o cavaleiro olhava atento para os lados certificando-se que estavam seguros. O romano, Cassius, porém parecia menos apreensivo.
-Pois não.- A porta abriu e do outro lado estava Alaya.
-Alaya Pedrosa?- Perguntou Cassius com um sorriso simpático.
-Sim.
-Muito prazer, senhorita, sou Cassius Kappa, representante da Fundação Kaito.- Estendeu a mão a moça.
-Ah, senhor Kappa!- Alaya deu passagem para que Cassius e Máscara entrassem.- Informaram-me que o senhor apareceria, mas não tão cedo!
-Peço desculpas, senhorita, mas o vôo saiu antes do esperado e cá estou eu!- A resposta veio acompanhada de um sorriso; Alaya sorriu de volta, mas logo fixou seu olhar em Máscara que permanecia sério e sem anda dizer.
-E o senhor quem é?- A jovem dirigiu a palavra ao cavaleiro.
-Apenas o segurança.- O italiano respondeu seco.
Alaya torceu o nariz para o homem, achou-o um grosso, e logo voltou-se para Cassius.
- Senhor, espero que tenha um pouco de paciência. Faltam algumas coisas a arrumar.
Cassius acenou positivamente com cabeça; Alaya voltou para quarto a fim de ajeitar o que faltava. Máscara virou-se para o romano com cara de poucos amigos.
-Não temos muito tempo, você mesmo disse!-Falou num tom baixo.
-O que quer que eu faça, cavaleiro?- Perguntou.- Arraste-a pelos cabelos?Pelo o que fiquei sabendo a receptividade das outras moças a notícia de serem futuras mães de uma deusa não foi das melhores!
-Bah, tudo frescura!- Máscara deu de ombros.- Se Tucidides não fosse um frouxo teríamos terminado esse trabalho a muito tempo!Mas não, ele fica preocupadinho em "tratar corretamente" essas garotas!
-Cavaleiro de Câncer!- Exaltou-se.- Essas moças não são simples mulheres!E tem mais, ela merecem sim serem tratadas com cuidado!
-Pergunte se as amazonas tem dessas frescuras?Nem mesmo as servas reclamam!
Cassius olhou surpreso para Máscara da Morte, o cavaleiro era um poço de ignorância!O Conselheiro de Minerva não imaginava que os homens de Athena fossem tão imaturos assim. Ia repreender o italiano por seu comentário, mas logo Alaya apareceu.
-Aqui estou.- Sorriu a jovem.-Espero não ter demorado demais. Essas são as minhas malas.
Cassius olhou para as quatro malas, de aspecto pesadíssimo e olhou para Máscara da Morte com um sorriso sacana nos lábios.
-Ótimo!Não se preocupe em carregá-las.- O romano adiantou-se.- O serviçal aqui fará isso.
Câncer arregalou os olhos antes de voltar-se com um olhar fulminante para Cassius. Aquele romano pensava que era quem?O cavaleiro foi resmungando recolher as malas enquanto Cassius acompanha Alaya até o carro.
-Minerva...Porra de deusa dos infernos!-Praguejou Máscara enquanto pegava as malas, contudo uma delas escorregou de suas mãos acertando o pé do cavaleiro que urrou de dor.
-Cazzo!- Xingou na língua natal. O pé latejava de dor.
X_X_X_X_X_X
"Ele corria tentando alcançar aquela outra criança que pulava serelepe de um lado para outro; pareciam que ficariam naquele jogo a tarde inteira se deixassem. As risadas ecoavam pelo campo aberto e o vento sussurrava uma cantiga gostosa que acalentava e acalmava.
Podia vê-los sorrindo e divertindo-se. Não pode conter o próprio sorriso.
-Dante...- Chamou.
O rapazinho parou de correr e olhou para os lados. Será que ele podia ouvi-la?Sentiu o coração disparar.
-Dante!
Dessa vez não fora ela quem chamara. O jovem de cabelos verde esmeralda sorriu mais uma vez antes de disparar em direção ao homem que o chamava.
-Pai!
Pai?Não fazia sentindo. Não, não, não...Aquele não era o pai de seu filho!
O homem abaixou-se e pegou a criança em seu colo. Um enorme sorriso se fazia naquele rosto moreno. Os cabelos cacheados, num tom azul bem escuro, dançavam ao ritmo do vento enquanto um abraço saudoso se formava entre aqueles dois.
Ao lado do homem estava uma mulher de pele negra com os cabelos curtos num chanel, ela também sorria e parecia esperar sua vez de abraçar Dante que a olhava com alegria por cima do ombro do "pai."
Dante parecia feliz em ver aquele sujeito. Em ver aquele...Cavaleiro!Aos poucos a caixa dourada da armadura foi se desenhando ao lado daqueles três, mas não conseguia ver qual era a imagem talhada na caixa. Parecia um..."
-Escorpião!
Disse Sophie de súbito ao abrir os olhos.
Não me matem!XD Sei que demorou um pouquinho -caham u_u- mas cá estamos!8D Agora é que o bagulho começa a pegar fogo e os mistérios se resolvem!/o/ Reviews são sempre bem-vindo e muito requisitados!Agradeço, como sempre, a chance que me deram e a paciência. Perdão pela demora e erros ortográficos!i.i
Até a próxima gente!Prometo não demorar tanto!MAs vocês sabem como é ter vida academica...pq vida pessoal nem lembro mais o que é isso!u_U
Dúvidas?Sugestões?É só gritar.
Juno.
