No dia seguinte na usina, Naruto estava na sala do amigo quando Sasuke recebeu uma ligação do detetive Shikamaru:

– Sasuke, analisando as imagens restantes do circuito interno pude concluir que a sua suspeita não pode ser a culpada. No espaço de tempo entre a descida de Sakura e a sua não daria para ela injetar a seringa em Konan e a droga surtir o efeito total.

O Uchiha não respondeu nada, mas o amigo não deixou por menos:

– Viu só? Eu disse que essa garota poderia ser inocente. Agora vai finalmente deixar a coitada em paz?

– Ela pode não ser a culpada, porém ainda não estou totalmente convencido disso. Mas não a deixarei em paz, agora é uma questão pessoal. –declarou com os olhos fixos num canto qualquer da sala.

Sakura ficou boa parte da madrugada passando mal, pois não estava acostumada a beber e o encontro com o Uchiha só contribuiu para que seu nervosismo aumentasse.

Aproveitou que tinha tempo livre e pôs-se a faxinar o apartamento já que Ino, como sempre estava fora. Á noite, finalmente tomou coragem de voltar ao campus.

– Você vai sobreviver não vai Cherry? –Ino perguntou quando pararam diante da porta da sala da rosada.

– Eu acho que sim. –respondeu tentando um sorriso.

Quando entrou na sala, pôde sentir os olhares sobre si e ouvir os cochichos. Ela ignorou e assim foi durante todas as aulas, sua única motivação eram as informações passadas pelos professores, mas na aula de Tsunade ela não foi capaz de encarar a loira.

Como o bloco de Medicina não era o mesmo do Direito, Sakura tinha um longo percurso até chegar no local onde encontrava a amiga. Passando pelo estacionamento, ouviu a voz enjoada de Karin:

– Depois de um longo e tenebroso inverno olha só quem apareceu! Pensei que me daria à graça de não ter que olhar para essa sua cara nunca mais. –provocou, mas Sakura tratou de ignorar e, além disso, seu celular começou á tocar:

– Filha! –a mãe exclamou aliviada.

– Okaasan? Está tudo bem? –perguntou estranhando o tom de voz da mulher.

– Oh meu bem, foi horrível, horrível!

– O que aconteceu?

– Uns homens de preto invadiram nossa casa e nos ameaçaram com armas. Ficaram aqui a tarde toda.

– Mas porque fizeram isso? Vocês estão bem?! -perguntou aflita.

– Eu não sei o porquê... Depois um deles recebeu um telefonema e eles saíram da mesma forma que entraram, sem dizer ou levar nada. Eu e seu pai estamos bem, apesar do susto não nos ferimos. –a mãe desabafou respirando por fim.

– Pelo menos isso. Estou com saudades, agora preciso desligar. –disse mudando seu tom.

– Ah claro, me perdoe. Está na faculdade ainda. Também estamos com saudades querida, te amo.

– Eu também se cuide okaasan.

Sakura foi até meio seca com a mãe, mas tinha uma razão para isso. Ela sabia quem era responsável por isso e agora ele havia passado de todos os limites.

Ao fundo Karin continuava lhe jogando provocações e quando viu a figura daquele homem ali diante de si parado perto de um carro negro, sentiu seu interior ferver.

Ela parou diante dele com o cenho franzido enquanto ele tinha um sorriso cínico estampado nos lábios.

– Mas que cara é essa? –perguntou debochado. – Entre, sei que precisamos conversar e você não vai querer estragar ainda mais sua imagem com o pessoal vai? –perguntou olhando para um ponto atrás dela que se virou e lá estava Karin e seu grupinho intrigados com a presença de Uchiha Sasuke ali e o fato de ele estar falando com Sakura.

Quando se voltou novamente, ele segurava a porta aberta para que ela entrasse e assim o fez. Depois deu a volta no veículo e entrou no lado do motorista.

Parou o carro numa rua deserta e mais uma vez encarou-a com um sorriso maroto nos lábios esperando que ela descarregasse sua raiva:

– Quem você pensa que é para fazer isso? –ela começou já alterada. – Me culpar injustamente pela morte da sua noiva é uma coisa, mas envolver meus pais nisso?! O mundo e as pessoas não são seus brinquedinhos Uchiha Sasuke, você não tem o direito de ameaçar as pessoas simplesmente porque você acredita em algo totalmente absurdo!

– Certo. Quanto á isso eu queria que você visse que deve mesmo ter medo de mim e que eu não estou brincando. Quanto á sua culpa ou não, estou começando a me convencer de sua inocência.

– Agora resolveu usar o bom senso? Então porque mesmo assim ameaçou meus pais?! –insistiu.

– Porque agora é ainda mais pessoal Sakura... Você feriu o meu orgulho.

– O seu orgulho? Alguém sem honra como você nem deveria estar falando em algo como orgulho. Mas por quê? Porque não caí de quatro pela sua postura de macho alfa ou do que seu dinheiro impõe as mulheres? Poupe-me dessas idiotices, eu não sou assim. –nunca havia ficado tão revoltada antes, sentia seu rosto queimar diante da expressão indecifrável dele.

– Não, você não é assim. Porém todo mundo tem o seu ponto fraco, o meu é o meu ego e você acertou-o em cheio. É natural então que eu acerte o seu: sua família.

– Não pode estar falando sério. –disse desacreditada.

– Desde que perdeu seu otouto tudo o que faz é por ele e por seus pais.

– Não sabe o que está falando...

– Seu sonho: se tornar uma médica para evitar que famílias passem o que você passou quando o perdeu.

– Cale a boca! –gritou. – De onde tirou tudo isso?

– Eu tenho minhas fontes.

– E o que quer? Levar-me á loucura?!

– Não da forma que você está pensando. –respondeu pensativo. – É o seguinte Sakura, tenho uma proposta para você.

– E qual seria? –perguntou se controlando.

– Pense como se fossemos brincar de "O Mestre Mandou", tudo o que eu digo você tem que fazer.

– Não pode estar falando sério. Simplificando quer me usar, mandar e mover para onde quiser como se eu fosse uma boneca?

– Pode-se ver assim também e como não és uma garota que se permite vender, terei de usar outras estratégias. No caso, pisar no seu calo.

– Está dizendo que vai continuar ameaçando minha família?

– Seus pais, sua colega de apartamento, enfim, todos á sua volta. Mas não precisa ser assim: como toda proposta cabe á você recusá-la ou não.

– Um prazo para pensar. –exigiu.

– Vinte e quatro horas e nem pense em me denunciar á alguém. Fui capaz de acabar com seu emprego sem mover um minguinho, imagine o que posso fazer me empenhando de verdade? –era impressionante como ele falava de coisas tão sérias com aquele semblante tranquilo.

– Você é um doido varrido! –exclamou.

Ele ligou o carro e só parou novamente quando estavam diante do campus, depois falou naturalmente:

– E o prazo começa agora, pode pensar em paz Sakura. –afirmou olhando no relógio.

A garota bufou e saiu do carro batendo a porta com força. Sasuke estava satisfeito, confiante de que mais cedo ou mais tarde, ela o procuraria.

– Sakura onde você estava? –perguntou Ino.

– Eu demorei á sair da sala, estava esperando aqueles imbecis irem embora, não queria ouvir coisas desnecessárias. –preferiu mentir, a amiga não tinha que saber da enrascada em que estava metida por enquanto.

– Ah entendo. Então vamos. –falou sem desconfiar de nada.

Sakura lançou-se sobre a cama ciente do duro dilema em que estava envolvida. Não sabia ao que exatamente Sasuke se referia com brincar de "O Mestre Mandou" e francamente preferia nem cogitar o que isso incluía.

Por outro lado, ele já provara que era capaz de ameaçar e ferir sua família e Ino, que eram mais inocentes nessa história toda do que ela própria.

Se o denunciasse á polícia, não acreditariam em sua palavra contra a do poderoso Uchiha Sasuke, sem falar que aí sim ele podia se irritar e botar sua vida e a de seus pais em perigo.

Com esses atribulados pensamentos, caiu num sono profundo.