O novo ano começou sem grandes mudanças na rotina dos jovens. Remo voltou para a Irlanda, pois ainda tinha mais dois meses de curso pela frente, e em Londres, os demais continuavam empenhados em seus respectivos cursos. Além disso, eles ainda tinham as missões e outros trabalhos pela Ordem, que também exigiam atenção. Sempre havia algo a fazer, Voldemort e seus Comensais estavam em plena atividade, embora os ataques diretos tivessem tido uma trégua, e todos os seus movimentos eram monitorados e vigiados. Para o desprazer de Sirius, Isabelle foi requisitada em muitas das missões de espionagem e reconhecimento – Moody a havia recomendado a Dumbledore para liderar estes tipos de missão, já que ela era sua melhor aluna nestes tipos de atividades – e precisou se desdobrar para dar conta das tarefas para a Ordem, o curso na Academia – embora Moody desse cobertura, não só a ela, mas também a Tiago, Sirius e Alice, quando necessário –, e ainda se entender com Sirius, que voltara com carga total à idéia de sua desistência do curso para ser Auror.
- Ah, eu tô exausta! – disse Isabelle, um dia, ao sair do banho, jogando-se na cama. Ela havia acabado de chegar do Ministério, junto com Sirius, depois de um cansativo dia de treinamento.
- Eu disse a você que seria muita coisa, cumprir as missões para a Ordem e ainda continuar na Academia... – retrucou Sirius – Os treinamentos têm sido muito mais pesados, e isso só vai piorar, do jeito que as coisas vão...
- Eu não vou voltar a esse assunto, Sirius. – disse Isabelle, de imediato – Sei aonde você quer chegar, e eu tô muito cansada pra discutir isso com você outra vez.
- Não precisamos discutir... – disse Sirius – Basta você ser razoável...
- A resposta continua sendo não. – disse a jovem, firme – Eu me comprometi com Dumbledore, e não vou voltar atrás, e também não vou abandonar a Academia, não quero e não vou fazer isso.
Na noite seguinte, Isabelle esperou que Sirius adormecesse, fingindo ler um livro, antes de sair da cama e rumar para o quarto ao lado e apanhar a sacola – a mesma que costumava usar nas visitas a Remo, na Casa dos Gritos – previamente preparada, e descer a escada para o andar inferior. O mais silenciosamente possível – o que, na verdade, nem era tão necessário, já que Sirius tinha o sono absurdamente pesado – ela abriu a porta que dava para o pequeno pátio, nos fundos, seguindo até a estufa, onde tinha algumas plantas e flores – ingredientes para poções. Tirou tudo o que havia em cima de uma das bancadas, e colocou ali o conteúdo de sua sacola: o velho livro de Feitiços, a pequena faquinha de prata que costumava usar nas aulas de Poções, em Hogwarts, e uma caixinha preta, parecida com a que ainda guardava sua bolinha de valeriana. Conjurou dois pequenos caldeirões, dentro dos quais colocou, em um, alguns pedaços de madeira e ateou fogo, e o outro, encheu até a metade com água, e um pratinho, onde colocou um punhado de terra. Depois, tirou de dentro da caixinha uma pequena pedra negra, que fez flutuar à sua frente, baixando-a lentamente dentro do caldeirão onde acendera o fogo.
- Por fogo... – recitou, lendo nas páginas amareladas do livro, e então fez a pedra flutuar de volta para cima – ar... – ela soprou a pedra, devagar, enquanto as chamas pareceram crepitar mais alto – água... – ela baixou a pedra dentro do caldeirão com água – e terra. – a pedra pousou dentro do pratinho. Ela então largou a varinha por um instante, e apanhou a faquinha de prata; abriu a mão esquerda, e fez um corte na palma, cerrando os dentes, por causa da dor. Com a mão boa, pegou a varinha novamente, e fez a pedra flutuar até a palma da mão ferida, e fechou-a com força, fazendo uma careta quando a pedra tocou o machucado.
- Que os quatro elementos, presentes em tudo, e também em mim, protejam o portador deste amuleto contra todo e qualquer mal... Abascanto!
Por entre os dedos da mão fechada, uma forte luz branca escapou. Quando abriu a mão, a pedra estava ali, negra como sempre fora. Não havia sinal de sangue, ou mesmo de corte na mão dela. A jovem conjurou um fino cordão de prata, no qual colocou a pedra, como pingente, e depois tornou a guardá-la dentro da caixinha.
- Agora ele vai estar protegido. – disse ela, para si mesma – Só tenho que encontrar um jeito de fazê-lo usar isso.
Contrariando as expectativas da jovem, a oportunidade para que ela entregasse o amuleto para Sirius não tardou a surgir; aconteceu alguns dias depois de ela ter executado o feitiço no pingente, em um dia de muito perigo, no qual eles levaram um grande susto.
Aquele sábado começou muito tranqüilo, um sol fraco brilhava por entre as nuvens, e tudo indicava que o dia seria bastante agradável. Já era tarde quando Sirius e Isabelle acordaram, pois, na véspera, haviam ido dormir já de madrugada. Sirius estivera em missão pela Ordem, naquela noite, junto com Lilian e Frank; a Ordem recebera informações sobre uma movimentação anormal de Comensais da Morte na Londres trouxa, nos arredores da entrada para o St. Mungus, e os três foram dar uma espiada no que estava acontecendo. Seguiram e observaram alguns dos Comensais durante horas, mas não conseguiram descobrir nada sobre os seus propósitos, e então, depois de relatarem o que viram a Moody, foram dispensados para voltar para casa. Isabelle estava acordada ainda, quando Sirius chegou em casa; não conseguira pegar no sono, com ele estando fora, na rua.
- Bell... – disse Sirius, ao desaparatar na sala, e vê-la, sentada na poltrona, enrolada em um cobertor.
- Você chegou. – disse a jovem, aliviada, ao vê-lo.
- O que está fazendo aí?
- Não consegui dormir. – respondeu ela – Fiquei esperando você. Está tudo bem?
- Merlin do céu, não tinha com o que se preocupar. – disse Sirius, ajudando-a a levantar-se – Estávamos só olhando de longe. Vem, vamos subir. Sua maluquinha...
Para o casal, o sábado tinha duas implicações básicas: arrumação da casa, e ida ao mercado. Depois que acordaram e tomaram banho – Isabelle usava o banheiro de seu antigo quarto para isso – os dois tomaram café e então foram ao mercado, onde compraram o que precisavam, e depois voltaram para casa. Como haviam tomado café tarde, fizeram apenas um lanche rápido na hora do almoço, e depois começaram a limpeza e a organização da casa. Isabelle estava secando as roupas que haviam sido lavadas – ar quente saía da ponta da varinha, secando as peças em segundos – quando ouviu Sirius chamando-a, de dentro da casa.
- Bell!
Ela se dirigia à porta, com uma pilha de roupas já secas e dobradas, quando Sirius irrompeu, afogueado, apoiando-se no batente, enquanto calçava os sapatos, a capa pendurada no ombro.
- Sirius... o que foi? – perguntou ela, alarmada.
- Um ataque, em Hogsmeade. – respondeu Sirius – Precisamos ir.
Isabelle entrou em casa correndo, largando a roupa limpa em cima do primeiro móvel que enxergou, e convocou, do andar de cima, sua capa e um par de sapatos. Assim que estavam prontos, os dois aparataram.
Hogsmeade estava um verdadeiro caos. Havia muita correria na rua; era dia de visita dos alunos de Hogwarts ao vilarejo, e as crianças e jovens corriam para dentro das lojas e bares, tentando se proteger dos feitiços que ricocheteavam, e dos estilhaços de vidro e pedra que se quebravam nas fachadas.
Emmeline já estava lá, duelando, assim como Alice e Frank, e também a professora McGonagall. Eles combatiam os Comensais, ao mesmo tempo em que davam cobertura aos alunos para que eles pudessem chegar às carruagens da escola. Lilian e Tiago desaparataram na rua principal não muito depois, imediatamente tomando parte da batalha, e Remo também apareceu logo em seguida, vindo da direção do Correio; ele havia acabado de colocar Bárbara e Cintia no túnel que levava a Hogwarts. Os casais tentavam se manter juntos, um protegendo a retaguarda do outro, mas haviam muitos Comensais, e a estratégia não pôde ser mantida por muito tempo, e logo eles estavam separados, duelando espalhados por toda a extensão da rua principal.
- Ah, priminho... – disse a Comensal que duelava com Sirius; ele já a havia reconhecido, pela forma de duelar – Você deveria lutar ao meu lado, e não contra mim...
- Priminho? – ecoou Sirius – Pensei que não fazia mais parte da sua família, Bella...
- Pode voltar a fazer... se fizer a escolha certa... – respondeu Bellatrix – O Lorde tem muito interesse em você... e na sua namoradinha também...
- Pois o seu "lorde" pode ir para o inferno com o interesse dele. – respondeu Sirius, furioso, sobretudo pela menção a Isabelle.
- Hmm... você é mesmo um tolo. – desdenhou Bellatrix – Mas Regulus irá honrar o nome da família... ele concorda com os nossos propósitos... – ela riu – Logo será o rosto dele atrás de uma máscara como esta.
- Não! – gritou Sirius, ao ouvir aquilo. Bellatrix aproveitou que ele havia baixado a guarda e atacou, atingindo-o com um feitiço que o lançou contra uma parede, e o deixou caído no chão, em meio ao pó e lascas de pedra das fachadas.
- Sirius!
Isabelle também duelava quando viu o namorado ser atingido; precisava alcançá-lo, mas antes teria que conseguir livrar-se de seu oponente, Rodolfo. Ele a estava devendo pelo dia do ataque no Beco Diagonal. Ela buscava uma brecha na defesa dele, mas não conseguia atingi-lo, e precisava ser ágil para desviar das maldições que ele lançava contra ela. Viu Bellatrix começar a avançar na direção de Sirius, e o pânico que sentiu lhe fez arriscar um feitiço poderoso, que até então só vira Moody executar, como demonstração; pegou Rodolfo de surpresa, atingindo-o no meio do peito, e o jogando a metros de distância. Mirou então a varinha em Bellatrix; sua mão tremia.
- Impedimenta!
Atingiu-a nas costas; a Comensal ficou parada, a apenas alguns passos de onde Sirius estava, no chão. Isabelle correu até ele, cujo braço tinha um estranho ângulo.
- Estupefaça! – disse ela, mirando novamente em Bellatrix, antes que a Comensal conseguisse se livrar do feitiço paralisante; Bellatrix caiu no chão.
- Sirius!
- Ai... droga, acho que quebrou meu braço... – resmungou Sirius.
- Não me arrisco a tentar consertar isso... – disse Isabelle; ela o ajudou a levantar – Vem, vou tirar você daqui.
Distante dali, na ponta da rua, Lilian combatia um Comensal grandalhão, que, pelo tamanho, e pela dificuldade para ser abatido, poderia ser tomado por um meio-gigante. Ela esquivou-se de uma maldição, que passou muito perto de seu braço, e então, quando atacou, viu que foram dois, e não um raio que foram na direção do Comensal. Tiago chegou até ela, parando ao seu lado, e os dois continuaram a atacar juntos. Eles haviam acabado de lançar, cada um, um feitiço contra o Comensal, que aparou a ambos, quando mais um bruxo vestido de negro desaparatou diante deles. Este, no entanto, não usava máscara para esconder o rosto. Lilian ofegou.
- Tiago... é ele! – disse ela, assustada, e Tiago a empurrou um pouco para trás, colocando o próprio corpo na frente do dela.
- Dois contra um? – perguntou Voldemort – Papai não lhe ensinou que é covardia duelar desta forma, Potter?
- Não abra essa boca suja para falar do meu pai! – rosnou Tiago, furioso.
- Ah, o famoso Auror Potter... ele o ensinou muito bem, pelo que eu soube. – disse o bruxo, ignorando o que Tiago dissera – Pena que está desperdiçando seu talento, jovem Potter, lutando do lado errado...
Tiago continuou encarando Voldemort, mas seu pensamento estava em Lilian. Ele podia sentir o coração dela batendo alucinadamente rápido, em suas costas. Precisava encontrar uma maneira de tirá-la dali, qualquer maneira...
- Nem pense nisso, Potter. Se ela der um passo, eu mato você, e depois ela, e eu sei que a bela ruiva não quer que isto aconteça. – disse Voldemort, fitando Lilian, e depois voltando a encarar Tiago – Sim, eu estou lendo seus pensamentos. A ruiva fica. Talvez ela se interesse pela proposta que tenho a fazer...
- Nada que venha de você me interessa, seu monstro! – disse Lilian, enojada.
- Hmm... petulante... gosto disso... – disse Voldemort, com um leve sorriso – Mas não gosto de ser interrompido, portanto, calada.
Lilian levou as mãos à garganta, os olhos enchendo-se de lágrimas pelo esforço que fazia para falar, mas sua voz não saía.
- O que fez com ela, seu... – começou Tiago, irado, dando um passo a frente; Lilian segurou seu braço.
- Inteligente, ruiva. – disse Voldemort, divertindo-se – Controle a língua, Potter, eu não sou tão condescendente...
- Deixe-os em paz, Tom. – disse então uma voz conhecida, às costas de Tiago e Lilian. Dumbledore estava parado, a alguns metros deles, e encarava Voldemort.
- Dumbledore...
O diretor então acenou com a varinha na direção de Lilian, e a voz da ruiva voltou.
- Lily...
- Tiago!
Dumbledore andou até eles, sem tirar os olhos de Voldemort um instante sequer, nem mesmo quando falou com Tiago.
- Saiam daqui, agora.
Tiago e Lilian ainda hesitaram um instante, mas então começaram a correr, de volta ao centro do vilarejo. No entanto, pararam logo em seguida, ao ouvir um estampido abafado; Voldemort acabara de aparatar, deixando apenas Dumbledore parado no meio da rua. O diretor veio até onde eles estavam.
- Vocês dois estão bem? – perguntou ele, e o casal assentiu – Muito bem, vamos, vamos voltar para lá.
Eles retornaram para onde os demais estiveram duelando; ali também o confronto já havia acabado. Os Comensais haviam aparatado, alguns levando os que estavam desacordados, e agora era o momento de arrumar a bagunça feita no vilarejo inteiro, contabilizar os estragos e tratar dos feridos.
Todos os membros da Ordem foram para Hogwarts, onde receberam os cuidados da zelosa Madame Pomfrey. Em questão de minutos, ela já havia consertado o braço quebrado de Sirius, e tratado de alguns cortes e machucados mais sérios de alguns membros do grupo. Dumbledore queria conversar com eles, em seu gabinete, assim que todos tivessem recebido o atendimento da enfermeira.
Remo, porém, não estava na enfermaria junto com os outros. Tão logo chegou ao castelo, ele seguiu diretamente para a Sala Precisa, onde havia combinado encontrar com Bárbara. Ela já estava lá, quando ele chegou, andando de um lado para o outro, aflita.
- Remo! – exclamou, ao vê-lo entrar, correndo na direção dele e o abraçando – Você está bem? Está machucado?
- Calma... eu estou bem. – disse ele, tranqüilizando-a – E você, como está? Não se machucou?
- Não, eu estou bem, só assustada. – respondeu Bárbara – E estava tão preocupada com você... – Remo a beijou.
- Pronto, está tudo bem agora. – disse ele, afagando o rosto dela – E a Cintia?
- Está bem. Foi pro salão comunal. – respondeu a garota – Você está mesmo bem?
- Sim, não se preocupe! – respondeu Remo – Só tenho alguns arranhões, nada grave. Não se preocupe, eu vou sobreviver.
- Seu bobo, não brinque com isso! – repreendeu Bárbara.
- Está bem, minha linda, está bem. – rendeu-se o Maroto – Mas agora eu tenho que ir, Dumbledore quer todo mundo no gabinete dele.
- Mas...
- Vá comer alguma coisa – recomendou Remo –, assim que a reunião acabar, eu passo em casa e tomo um banho, e depois eu volto para cá, está bem?
- Está bem. – respondeu Bárbara, resignada. Remo beijou-a.
- Até mais.
- Até mais.
Saindo da Sala Precisa, Remo seguiu diretamente para o gabinete de Dumbledore, onde todos já estavam se reunindo, depois de terem sido liberados por Madame Pomfrey. Logo que todos já haviam chegado, eles começaram a conversar sobre o que havia acontecido em Hogsmeade.
- ... e ele falou que queria fazer uma proposta... – contou Tiago.
- Uma proposta? – ecoou Dumbledore – Qual?
- Não teve tempo para fazê-la. – disse o rapaz – O senhor chegou antes que ele terminasse de falar.
- Mas ele falou algo sobre você estar lutando do lado errado. – lembrou Lilian – Provavelmente, espera convencer você, a nós, não sei, a passar para o lado dele.
- Lilian está certa. – disse Dumbledore – Seria um Auror a menos, e mais um bruxo habilidoso nas fileiras dele.
- Nunca. – disse Tiago, obstinado.
- Bellatrix me fez uma proposta semelhante. – disse Sirius, então.
- Creio que o ataque de hoje tenha sido apenas uma espécie de sondagem... – disse Dumbledore, pensativo.
- Como assim? – perguntou Remo.
- Voldemort desejava ver quem estava lutando por mim, contra os seus Comensais. – disse o diretor – Ele viu a todos vocês. Tentou aproximar-se de alguns, talvez aqueles que pensa serem lideres, ou que considera serem as maiores ameaças...
- Ele está errado em achar que qualquer um de nós cederá. – disse Isabelle.
- No entanto, as fileiras dele crescem a cada dia...
- Bella disse que logo meu irmão estaria usando uma daquelas máscaras...
- Receio que ela esteja certa, Sirius. – disse Dumbledore, então.
- O quê?
- Regulus não retornou a Hogwarts depois dos feriados de Natal – contou o diretor – Enviamos uma carta à Mansão Black, e como resposta, sua mãe disse que Regulus não precisava mais da instrução ministrada na escola.
- Merlin! – exclamou Lilian. Sirius encarava Dumbledore, chocado demais para falar qualquer coisa.
- Sirius... amor, fica calmo...
- Eu sinto muito, Sirius. – disse o diretor, sinceramente.
- Almofadinhas... – começou Tiago.
- Já podemos ir? – perguntou Sirius, abruptamente, levantando-se.
- Sim. A lareira está liberada para que possam partir. – disse Dumbledore, e enquanto ele falava, Sirius já caminhava na direção da lareira acesa.
- Até logo, então. – disse ele, e então, jogou um punhado de pó de Flu nas chamas e partiu.
- Desculpe, Professor. – Isabelle desculpou-se pelo namorado – Até logo.
- Até logo.
Ela apanhou um punhado de pó de Flu, e o jogou na lareira, e então entrou nas chamas, desaparecendo logo em seguida. Saiu na lareira da sala de casa; a capa de Sirius estava jogada sobre o sofá.
- Sirius! – chamou ela, já no corredor.
Isabelle subiu a escada, seguindo diretamente para o quarto. Sirius estava lá, sentado na beira da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, olhos fixos no chão. Ele não moveu um músculo, enquanto ela entrava no quarto e andava até ele, sentando-se ao seu lado.
- Amor... – disse ela, sem saber o que fazer, com medo até de tocá-lo.
- Regulus vai se tornar um deles... – disse Sirius, baixo – Meu irmão... um Comensal...
- Não fique assim... – disse Isabelle, dando um beijo no ombro dele, e ficando com o queixo apoiado ali – Não fique assim...
- É minha culpa... – disse Sirius – Se eu tivesse... ficado ao lado dele...
- Não é sua culpa. – disse a jovem, no mesmo instante – Você sabe disso. Não pode assumir a responsabilidade pelos atos dele, Sirius.
- Bell... – começou Sirius.
- Shh... não. – interrompeu Isabelle, firme – Eu amo você. Vai ficar tudo bem. – disse ela, beijando-o de leve, e então o abraçando. Sirius a puxou para o colo dele, aninhando a cabeça no peito da namorada, que lhe acariciava os cabelos. Ela então se esticou para alcançar a gaveta do criado-mudo, de onde tirou a caixinha preta com o amuleto que fizera para ele.
- Amor... tem uma coisa que eu quero dar a você...
- O quê? – perguntou Sirius, afastando a cabeça do peito dela, e fitando a caixinha. Isabelle abriu-a, e tirou de dentro o cordão de prata com o pingente, que cintilou à luz da janela aberta.
- Eu quero que fique com isso. – disse Isabelle – Que fique com ele o tempo todo.
- Amor...?
- É um amuleto, eu o fiz. – contou Isabelle – Eu vou ficar mais tranqüila se você estiver com ele, vai proteger você. Por favor, Sirius...
Ele sorriu levemente, e assentiu com a cabeça.
- Está bem. – disse, e Isabelle respirou aliviada. Ela colocou o cordão no pescoço dele.
- Obrigada. – agradeceu ela, e Sirius a beijou.
- Será que eu realmente mereço você? – perguntou ele.
- Não sei. Mas, mesmo assim, acho que vou ficar com você. – disse Isabelle, meio rindo. Ela estava feliz que o ânimo dele estivesse melhorando.
- Eu quero ter você pra sempre. – disse Sirius.
- Pra sempre é muito tempo, sabia?
- Pra mim não é nem o suficiente.
O mês de janeiro passou muito rápido para todos, ocupados que estavam em seus estudos. Para os aspirantes a Auror, a rotina de treinamento era, como Sirius havia previsto, cada vez mais intensa; segundo Frank, que já havia se formado, os primeiros seis meses eram realmente puxados, para poder avaliar quem teria resistência suficiente para permanecer na Academia e quem desistiria – e não foram tão poucos os que o fizeram –, e para eles estava sendo ainda mais, devido à situação em que o mundo bruxo se encontrava. Os instrutores estavam exigindo cada vez mais deles, com feitiços mais complexos e difíceis de executar, muitas vezes simulando, eles mesmos, duelos com os alunos, de forma a aumentar o nível de dificuldade e forçá-los a dar o seu melhor.
- Vamos lá, Black! – gritava Moody, entre um feitiço e outro – Você faz melhor do que isso!
Sirius usou um feitiço de ataque contra ele, que o aparou, rindo, e logo revidou, com um forte feitiço, do qual Sirius desviou por pouco.
- Sirius! – Isabelle exclamou, baixinho.
- Ótimo, Black, agilidade é importante. – disse Moody, que parecia satisfeito – Mas pode mantê-lo vivo apenas por algum tempo. Quero que aprenda a aparar os feitiços fortes, como já faz com os fracos, e não apenas desviar deles.
Ele então fez um floreio com a varinha, e lançou um novo feitiço, do qual Sirius não conseguiu escapar, ficando paralisado. Moody riu.
- Peguei você. – disse ele – Talvez você precise de um estímulo para se esforçar um pouco mais... no próximo duelo, se não for você a me pegar, eu corto seu cabelo, na mesma hora. Caso contrário, nunca mais toco no assunto, e você pode deixá-lo chegar aos seus joelhos, se quiser. – ele estendeu a mão para Sirius, que já se libertara do feitiço – Negócio fechado?
O rapaz hesitou por um momento, olhando para a mão estendida do instrutor. Ele olhou para Isabelle, e então apertou a mão de Moody.
- Fechado.
Eles também vinham tendo aulas fora das salas de aula, e salões de duelo da Academia. Para aperfeiçoar as técnicas de espionagem e também de duelo em locais com condições hostis, simulavam rastreamento de fugitivos em enormes labirintos criados pelos instrutores em áreas rurais isoladas, ou então na Floresta de Rendlesham, que, com sua vegetação fechada e ambiente sombrio, servia perfeitamente para este tipo de atividades. No St. Mungus, a movimentação também era intensa. Sendo o único hospital mágico de Londres, e o maior da Inglaterra, ele recebia centenas de pessoas todos os dias, muitos, vindos de outras cidades, ou transferidos de outros hospitais menores. Naqueles dias, com as ocorrências de ataques de Comensais da Morte, não era incomum ver até mesmo trouxas em leitos do hospital, recebendo tratamento antes de serem obliviados e mandados de volta para suas casas. Lilian vinha trabalhando muito, seu empenho no trabalho com Meredith e no setor de produção de poções, lhe rendera reconhecimento entre os curandeiros do hospital, que freqüentemente lhe pediam que os ajudasse em atendimentos mais complexos, e ela agora precisava fazer plantões às vezes nos turnos da noite, e também nos fins de semana, caso fosse necessário. No dia de seu aniversário, uma sexta-feira, ela trabalhou pela manhã, e à noite, o que impediu que ela e os amigos pudessem fazer uma comemoração, já que na parte da tarde, único horário livre que ela teve naquele dia, Tiago, Isabelle, Sirius e Alice estavam na Academia, Remo estava no trabalho, bem como a maioria dos demais amigos. Eles só puderam sair para comemorar no sábado à noite, quando foram juntos jantar fora.
A primeira coisa que Remo fez, ao chegar à Inglaterra naquele sábado, foi, depois de passar em seu apartamento, aparatar até Hogsmeade, para, de lá, ir a Hogwarts ver Bárbara. Ele havia mandado uma coruja para ela na véspera, combinando o horário de seu encontro no castelo, e já estava em cima da hora quando desaparatou na frente da Dedosdemel, onde entrou, e depois de comprar uma caixa de bombons para levar para a namorada, deu um jeito de se esgueirar, sem ser visto, até o porão, onde estava o alçapão para o túnel que o levaria à escola. Teve um pouco de dificuldade na hora de sair da estátua da bruxa de um olho só, pois sempre havia gente passando pelo corredor, e quando finalmente conseguiu chegar à Sala Precisa, Bárbara já estava lá, esperando por ele.
- Remo! – exclamou ela, ao vê-lo chegar, correndo ao seu encontro e abraçando-o.
- Oi! – disse Remo, sorrindo, e os dois se beijaram – Como você está?
- Muito melhor agora. – respondeu a garota, sorrindo – Tava morrendo de saudades! E você?
- Também estou bem, e também estava com saudades de você. – respondeu o Maroto, beijando-a novamente – Olha o que eu trouxe pra você. – disse ele, mostrando a caixa de bombons.
- Aaaah! – exclamou Bárbara, apanhando a caixa de doces – Trufas... ai, que delícia! Obrigada!
Para os encontros do casal, a Sala Precisa sempre tinha a aparência de uma aconchegante sala de estar, com um enorme e confortável sofá, onde eles costumavam ficar. Eles se acomodaram no sofá, abraçados, e ficaram conversando enquanto comiam as trufas que Remo trouxera.
- Tive medo que você não pudesse vir hoje... – disse Bárbara – Você disse que estava tão atarefado com as coisas do curso...
- É, eu tô sim. – confirmou Remo – Mas eu tava louco pra ver você.
- Aah... eu também tava. – disse a garota, sorrindo – Que bom que pôde vir.
- Aham. – concordou o Maroto – Mas e você, conseguiu terminar aquele trabalho sobre os Inferi?
- Aham. – respondeu Bárbara – Os livros que você me indicou tinham tudo, eu escrevi dez centímetros a mais do que o chato do McGregor pediu.
- Hmm... que bom! – disse Remo – Agora chega de falar de escola, e de curso... eu quero é curtir você um pouquinho.
- Tirou as palavras da minha boca. – disse Bárbara, beijando-o logo em seguida.
- E também, eu tenho um convite pra fazer pra você...
- Um convite?
- Aham. – confirmou o Maroto – Topa sair da escola comigo, hoje à noite?
- Sair da escola? – ecoou Bárbara – Pra onde?
- Jantar. – respondeu Remo – O aniversário da Lily foi ontem, mas não pudemos fazer nada, porque ela estava de plantão no St. Mungus, então vamos sair hoje, todo mundo, pra comemorar. Queria que você fosse comigo. Eu trago você de volta cedo, prometo.
- Remo... eu... é completamente contra as regras...
- Não tem a menor chance de você ser pega, eu não vou deixar isso acontecer. – argumentou Remo – Vai, Bá... só dessa vez... vai ser legal!
- Hmm... tá bom, vai?! – concordou Bárbara – Você sempre consegue me convencer do que quiser.
- Aah, nem é verdade. – retrucou Remo – Você vai ver, vai ser divertido.
- Tá bom.
Eles ficaram juntos na Sala Precisa ainda pelo resto da tarde, combinando tudo para o jantar, mais tarde, conversando sobre outros assuntos, e, é claro, namorando. Por volta das seis, Remo despediu-se da namorada, e voltou para casa, enquanto, em Hogwarts, Bárbara seguia para a torre da Corvinal, para falar com a amiga Cintia, que era monitora e estaria fazendo a ronda naquela noite, e depois subia para o seu dormitório indo direto para o banheiro onde tomou um demorado banho quente e começou a se arrumar esmeradamente para o passeio. Quando o relógio marcava quinze para as oito, Bárbara deixou o salão comunal da Corvinal, vestida com o uniforme – por cima da roupa cuidadosamente escolhida – para não despertar suspeitas nos alunos que ainda estavam por ali – a grande maioria já estava, ou se dirigia para o Salão Principal, para o jantar – para ir ao encontro de Remo, no quarto andar, perto da passagem do espelho. O Maroto já a esperava lá, nervoso com a demora da namorada, e assim que ela chegou, os dois entraram na passagem secreta – Bárbara tirou o uniforme, e, com um feitiço, mandou-o de volta para o seu dormitório –, seguindo pelo túnel rumo a Hogsmeade. Ao chegar ao vilarejo, os dois aparataram, para ir ao encontro dos amigos e comemorar o aniversário de Lilian.
Em Londres, Isabelle e Sirius terminavam de se arrumar para sair também. Eles agora tinham que dividir o espaço do quarto para se arrumar, já que as coisas de Isabelle já haviam sido transferidas, no dia seguinte ao Natal, do quarto dela para o do namorado. Naquela noite, ela tomou banho primeiro, enquanto Sirius esperava deitado preguiçosamente na cama. A morena deixou o banheiro já vestida, e então olhou-se no espelho, torcendo o nariz para a roupa que havia colocado.
- Isso não tá legal...
Ela então tirou a blusa que vestia, e colocou a outra na frente do seu namorado, coisa que nunca tinha feito antes. Sirius piscou demoradamente, absolutamente surpreso com a atitude dela.
- Que foi, Sirius? – perguntou Isabelle, ao ver o reflexo dele no espelho.
- Você... se trocou na minha frente! – disse ele, surpreso.
- Foi. – respondeu ela, como se aquilo fosse normal.
- Mas você nunca fez isso... – disse ele.
- Bom, nós estamos dormindo no mesmo quarto, agora... nossas roupas estão no mesmo guarda-roupa... – disse a morena – Acho que vou ter que me acostumar a fazer isso, não é?
- Ahn... é, eu acho... – disse o Maroto, meio aturdido ainda – É só que... você me pegou de surpresa... sempre sentiu tanta vergonha...
- Ainda tenho, um pouco. – admitiu Isabelle – Mas é como eu disse, preciso me acostumar com você...
- Hmm... gostei muito dessa idéia... – disse Sirius, e então olhou para ela com um pouco mais de atenção – Ahn... Bell?
- Hm? – fez a morena, avaliando seu reflexo no espelho.
- Você vai... com essa blusa? – perguntou o rapaz. Isabelle olhou para baixo, analisando a blusa que acabara de vestir e não encontrando nada de errado.
- Pretendo. – respondeu ela – Por quê? Você não gostou? Está feio?
- Não! Não é isso. – respondeu Sirius, parecendo incomodado.
- Então... ? – incitou a morena.
- É só que... ela é meio... decotada demais. – disse ele, por fim.
Isabelle ficou parada, por um instante, tentando decidir se realmente havia escutado aquilo; ela virou-se para ele, e, vendo a expressão no rosto do namorado, concluiu que sim.
- Ah, não, Sirius! – exclamou ela – Você não tá... ? – sem conseguir se conter, a jovem começou a rir, e Sirius fechou a cara.
- Não tem graça. – disse ele.
- Na verdade, tem. – discordou Isabelle, ainda meio rindo, e então se aproximou dele – Mas é bom saber que sente ciúme... assim eu não sou a única.
- Sinto mesmo. – admitiu Sirius.
- Seu bobo. Sabe que não tem motivo nenhum pra sentir ciúme. – disse Isabelle, e então o beijou – Você é mesmo como uma estrela pra mim... brilha tanto que ofusca todo o resto, eu só consigo ver você. – ela sorriu, e Sirius sorriu-lhe de volta – Mas eu vou, sim, com essa blusa. Nós vamos estar entre amigos, e, além disso, com você do meu lado ninguém se atreveria a olhar. – Sirius fez uma careta de desagrado – Agora vai tomar o seu banho, ou a gente vai acabar se atrasando, meu lindo ciumento.
O jantar de aniversário de Lilian aconteceu em um restaurante trouxa, no centro de Londres. Precisaram juntar várias mesas para acomodar a todos, e Lilian estava muito feliz, junto com os amigos.
- Que bom que pôde vir, Bá! – disse a ruiva, sorrindo, a Bárbara – Não achei que Remo fosse conseguir convencer você...
Bárbara riu.
- Ele pode ser bem persuasivo, às vezes. – disse ela, corando levemente ao perceber como suas palavras soaram.
- Remo, o que você fez pra convencê-la? – perguntou Alice, meio rindo.
- Ah... eu tenho meus métodos... – respondeu Remo, e todos riram – Ei, nada de malícia! – disse ele – Eu só a subornei com algumas trufas... tá, e alguns beijos também.
- Uau, que suborno, hein?! – disse Marlene, e todos riram novamente. Bárbara ficou completamente vermelha.
- Ah, gente, estamos deixando ela envergonhada! – disse Isabelle, embora ainda estivesse rindo um pouco. Remo fez um carinho no rosto da namorada, e depois beijou-a, de leve.
- Estamos todos felizes por você ter aceitado o suborno. – disse ele, e a garota sorriu.
- Eu também estou. – disse ela – Embora eu não vá poder ficar até muito tarde. – acrescentou, voltando-se para Lilian – Os monitores da ronda de hoje são da Corvinal, e são meus amigos. Eles vão me dar cobertura, mas mesmo assim, não posso demorar muito pra voltar.
- Ah, aham.
O jantar foi bastante animado, eles procuraram falar apenas de coisas leves e divertidas, deixando os assuntos sérios de lado. Também evitaram falar em trabalho, ou nos estudos, a não ser que fossem situações engraçadas ou curiosas que tivessem acontecido ao longo da semana.
- ... e ele fez uma aposta com o Almofadinhas. – dizia Tiago – Se na próxima simulação, ele pegar o Sirius de novo, vai cortar o cabelo dele na mesma hora; se o Sirius o pegar, ele nunca mais vai falar nisso.
- O que quer dizer que muito em breve ele vai me deixar em paz. – disse Sirius, confiante, tomando um gole de vinho.
- Mas até agora você não conseguiu vencê-lo nenhuma vez, Sirius, foi exatamente por isso que ele fez essa aposta. – lembrou Alice.
- Tudo bem, amor, você vai ficar lindo do mesmo jeito. – disse Isabelle, correndo a mão pelos cabelos do namorado – De repente eu aproveito o embalo e corto o meu também...
- Você nem é doida de fazer isso. – disse Sirius – Eu adoro o seu cabelo, exatamente como ele é, ele tem o seu cheiro... – disse ele, e Isabelle sorriu, beijando-o em seguida
- Ah, que lindos... – disse Alice.
- Meu Deus, que amor! – brincou Lilian, rindo.
- Bom, gente, vamos cantar parabéns pra Lily? – perguntou Marlene, então; ela parecia irritada.
Tiago então acenou para o garçom, que trouxe um bolo, com dezenove pequenas velas acesas, e o colocou sobre a mesa. Todos então começaram a cantar o parabéns, entre palmas:
"Parabéns a você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!"
- Parabéns, amor! – disse Tiago, beijando a esposa.
- Obrigada! – agradeceu Lilian, sorridente – Obrigada, gente!
Ela recebeu abraços de todos, enquanto o garçom levou o bolo para dentro novamente, trazendo-o de volta depois, já cortado em fatias. O primeiro pedaço fora separado, para que a aniversariante o oferecesse a um dos convidados. O escolhido, como não poderia deixar de ser, foi Tiago.
- Pra pessoa mais importante da minha vida...
- Sou eu. – disse Sirius, debochando – Na verdade a Lily é perdidamente apaixonada por mim, pensei que nunca fosse revelar isso, ruiva... pode me dar o bolo.
- Ah, cala a boca, pulguento! – disse Tiago, meio rindo.
- O primeiro pedaço vai pro meu marido lindo – disse Lilian, encarando Sirius, que lhe fez uma careta –, e que eu amo mais que tudo.
- Aaaaah! – fizeram todos os demais.
- Obrigado, amor!
Depois do restaurante, eles iam todos juntos a uma danceteria indicada por Sirius – devido às suas andanças noturnas pela cidade, ele conhecia muitos lugares bons para dançar –, para terminar a noite dançando e se divertindo. Remo e Bárbara, porém, não seguiram junto com os amigos, pois a garota tinha que voltar para Hogwarts, e Remo a levaria de volta até lá.
- Bom, gente, nós vamos nessa. – disse Remo, logo que eles saíram do restaurante – Tenho que levar a Bá de volta pra escola.
- Aaah, que pena! – disse Isabelle.
- Obrigada pelo convite, Lily. – agradeceu Bárbara, abraçando Lilian – Eu adorei ter vindo.
- E eu adorei que tenha vindo também. – respondeu a ruiva, sorrindo – Precisamos fazer isso mais vezes – disse ela –, mesmo que seja só uma cerveja amanteigada no Três Vassouras, quando vocês forem a Hogsmeade.
- Claro, vai ser ótimo! – disse Bárbara, sorrindo também – Mas agora, eu tenho mesmo que ir. Tchau, todo mundo!
- Tchau, Bá!
- Tchau!
Ela e Remo então aparataram – Bárbara ainda não tinha licença para aparatar, então Remo a levou em aparatação acompanhada – diretamente para a viela atrás do Correio, em Hogsmeade, e de lá, pegaram o túnel que levava a Hogwarts. Com cuidado, saíram pela passagem atrás do espelho, no quarto andar, e seguiram rapidamente rumo à entrada do salão comunal da Corvinal.
- Prontinho. – disse Remo, quando os dois chegaram ao pé da escada que levava ao salão comunal – Está entregue, sã e salva.
- Hmm... eu não quero subir... – disse Bárbara – Queria ficar mais um pouco com você...
- Eu ia adorar. – disse Remo, maroto.
- É, mas eu não posso. – disse a garota, fazendo uma careta – Já tá tarde.
- Minha linda responsável...
- Nem tão responsável. – retrucou Bárbara – Você está me corrompendo, Maroto.
- Culpado. – admitiu Remo – Você se divertiu?
- Muito. – respondeu Bárbara – Foi ótimo!
Distraída, ela não viu alguém vindo pelo corredor, às costas de Remo. Foi só quando a recém-chegada falou com eles que Bárbara a viu, e ela e Remo se afastaram imediatamente.
- O que vocês estão fazendo... ah, são vocês!
Cintia Short vinha andando na direção deles, de varinha em punho, a ponta iluminada apontada para os rostos dos dois jovens. Bárbara levou a mão ao peito, assustada.
- Ai, Ci, que susto! – disse ela.
- Foi mal, Bá! – desculpou-se a outra corvinal – É que eu ouvi as vozes de vocês... tudo bem, Remo?
- Tudo sim, Cintia, e você?
- Também, só cansada. – respondeu Cintia, com um sorriso – Gente, desculpa cortar o clima de vocês, mas já tá tarde, eu tô encerrando a minha ronda, já.
- É, eu sei. – disse Bárbara.
- Não demora muito pra subir, tá? – pediu Cintia – Você pode se encrencar. E me encrencar também.
- Ela já vai subir, Cintia, não se preocupa. – disse Remo.
- Ok. Boa noite pra vocês, então.
- Boa noite, Ci, obrigada. – agradeceu Bárbara.
- Tchau, Cintia. – despediu-se Remo, e depois que a garota subiu a escada, ele voltou-se para Bárbara – Ela tá certa, linda. Depois que os monitores encerram a ronda, o Filch ainda dá mais uma volta pelo castelo inteiro antes de encerrar a dele, e eu não quero que você se meta em confusão com ele. – ele a abraçou pela cintura, e eles se beijaram longamente – Boa noite, durma bem.
- E você comporte-se lá, viu?! – recomendou Bárbara.
- Você sabe que as meninas ficam de olho em mim. – respondeu Remo – Mas eu acho que não vou ir encontrar com eles.
- Não?
- Eu já não sou muito de dançar, e sozinho ainda... – ele deu de ombros – Acho que vou é pra casa.
- Hmm... tá bom. – disse Bárbara, beijando-o novamente – Boa noite então, eu amo você.
- Também amo você. – respondeu Remo – Boa noite.
Na danceteria, enquanto Lilian, Isabelle e Emmeline haviam ido ao banheiro, Sirius foi até o bar, apanhar bebidas para ele e a namorada. Ele estava no balcão, esperando o barman atendê-lo, quando Marlene apareceu ao seu lado, um leve sorriso no rosto.
- E então, como tá sendo a vida de casado? Ainda não cansou?
- Não, não cansei. – respondeu Sirius – E nem acho que vá cansar.
- Sirius Black, homem de uma mulher só? – perguntou Marlene, meio rindo – Difícil de acreditar, ainda mais sabendo-se que você e a Charmant continuam no zero a zero...
- Como você...? – começou Sirius, mas então se interrompeu – Claro, a Lice. – concluiu ele, e Marlene riu.
- Você está mesmo sem... nada? – perguntou ela – Desde que saímos de Hogwarts?
- Não acho que seja da sua conta, McKinnon.
- Comigo você não teria esse problema, mas escolheu a Charmant... – provocou Marlene, ao ver que ele estava ficando zangado.
Sirius já ia responder, mas então Tiago parou a seu lado, interrompendo a discussão.
- Almofadinhas, eu não sei qual é o papo que vocês estão tendo – disse ele –, mas a Isa já viu você aí, e, pela cara dela, parece que não gostou nem um pouco. E eu não acho que ela vá se importar muito com o assunto da conversa...
- Fica longe de mim, McKinnon. – disse Sirius a Marlene, então – Não quero brigar com a Bell por sua causa.
- O que foi? A Charmant não encara uma competição saudável? – perguntou a loura, debochada – Ou é você que tá com medo de cair em tentação?
- Tá, já chega, Lene. – disse Tiago, antes que Sirius explodisse – Vamos, Almofadinhas, vamos nessa.
