Titulo: Quem de nós dois
Autor: Topaz Autumn Sprout
Betagem: Fabianadat
Pares: Harry & Draco
Classificação: NC17
Disclaimer: Eles são da Dona JK, e eu não faço grana com isto, só me divirto, fazendo licenças às vezes não muito poéticas com estes dois.
Avisos: Slash/ Lemon – Ou seja, amor entre homens, não é tua praia? Não leia. Goodbye and have a Nice Day!
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Capítulo 6 – As voltas que o mundo dá
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Antes do início das aulas em Hogwarts, a tradicional vistoria dos aurores foi realizada em toda a escola e cercanias. Harry como aluno emérito foi um dos escolhidos, assim como Malfoy, um dos mais destacados no setor de poções e conhecedor das masmorras do castelo. Eles conversaram brevemente num tom amigável, o que certamente surpreendeu os aurores mais velhos.
Draco apesar de manter o tradicional semblante isento de emoções, estava feliz por Potter conversar com ele civilizadamente. Bem lá no fundo, o loiro ainda achava que uma vez que Harry voltasse a conviver com o Weasley, ele seria novamente relegado ao papel da desprezível cobra sonserina, e aproveitou os poucos minutos de convivência para notar de perto como o tom bronzeado do outro fazia o verde dos olhos dele parecer mais intenso.
Eles cconversaram brevemente sobre os acontecimentos na floresta e Draco comentou que estivera pesquisando sobre o problema de deflexão de magia naquela área. Sua conclusão foi de que havia uma barreira de magia Druida muito antiga, sustentada até os dias atuais pelos velhos carvalhos espalhados pelo local.
Harry concordou com a teoria do rapaz elogiando a dedicação dele aos estudos, e o loiro respondeu com uma de suas raras tiradas bem humoradas: - Potter, não saber o que causou aquele transtorno irritante já estava me dando urticária! E com o laboratório perfeitamente arrumado eu tinha de ocupar minhas horas de labuta no Ministério com alguma coisa útil, não é mesmo? - Disse ele dando de ombros.
Harry sorriu com a resposta divertida e foi surpreendido pelo gracioso levantar de sobrancelhas seguido de uma piscadela marota do outro rapaz.
Mal sabia Draco a tempestade que sua presença estava ocasionando na mente do moreno. A lembrança de ter acordado abraçado ao loiro no último dia do trabalho de campo, logo antes da chegada dos aurores para resgatá-los, passou como um filme em sua mente, e ele sentiu seu corpo reagir à presença do outro. A vontade quase absurda de dar mais um passo, invadir o espaço pessoal de Malfoy e sentir a energia dele.
Fechando os punhos a fim de se controlar, Harry respirou profundamente e comentou com o colega que ambos eram esperados na entrada do castelo, a fim de voltarem para o Ministério da Magia.
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Lá pela metade do mês de Setembro Harry tinha certeza de que em breve visitaria novamente o consultório de um psicólogo.
Depois de ver Malfoy de tão perto, começaram os sonhos.
Inicialmente conversas entre os dois, alguns flashes da época de escola, o episódio do Sectumsempra e a coisa foi evoluindo, até Harry acordar suado, ofegante e devidamente melado.
- Por todos os Deuses! Ele havia tido um sonho erótico com um homem, aliás, com Malfoy para ser bem exato.
Depois deste episódio ele passou alguns dias numa insônia intermitente, sabendo que sua recusa em dormir era o medo de sonhar mais uma vez com o loiro.
Andava meio aéreo, trabalhando como um autômato enquanto sua cabeça rodava mil possibilidades. Já conhecia bastante bem o jargão psicológico e analisando friamente seu comportamento sabia que estava em fase de negação.
Porque ele não podia ser como qualquer outro rapaz, babando o tempo todo por um traseiro bem feito ou por um belo par de seios? Porque com ele sempre tinha de ser tão complicado?
Pensando objetivamente, ele apreciava a beleza feminina, mas nunca fizera nada parecido com Finnigam que quase pulava dentro dos decotes das garotas ou passava o tempo todo dando cantada nas colegas. Sua paixonite por Cho Chang fora uma coisa morna, e Gina... Gina era uma companheira de esporte, ombro amigo e parceira de molecagens. Ele a amava sim, mas faltava algo. Mesmo as garotas que ele eventualmente beijara, não haviam despertado nada de especial. Talvez pelo fato de estar consciente de que elas pretendiam ter um romance com "o Herói do Mundo Bruxo", e não com a pessoa Harry Potter.
Enfim, depois de muito pensar e se analisar diante do espelho, o moreno assumiu que estava atraído por Draco Malfoy, na verdade muito atraído. E o que seria feito daquilo, bem... Ele não tinha a mínima idéia.
Por hora queria guardar aquela descoberta para si. Na convivência diária com os colegas, tentou achar algo de interessante ou excitante nos outros aurores homens, mas nada lhe despertavam, assim como as colegas do sexo feminino.
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O vento frio era uma declaração da chegada de uma nova estação, mas Harry parecia nem notar os humores da natureza. Sua mente estava ocupada com dois assuntos principais: as tarefas da nova profissão e sua renovada obsessão por Draco Malfoy.
As rondas com os colegas mais velhos o haviam ensinado muito e as missões de apreensão de artefatos das trevas ficavam mais interessantes a cada semana.
Vez ou outra, os objetos mais delicados ou perigosos eram entregues diretamente para o pessoal de laboratório, e no caso de Harry significava ver Malfoy em seu ambiente de trabalho.
Observar as mãos de dedos longos e ágeis manusearem com cuidado as peças, era receita infalível para noites insones ou sonhos molhados.
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O mundo continou girando no seu eixo alheio aos problemas de seus habitantes, e os Aurores novatos estavam novamente reunidos, desta vez para a avaliação do primeiro período do ano probatório.
Novas tarefas foram distribuídas, o pessoal da ativa trocou de parceiros para mais um período de aprendizado e os laboratoristas receberam novos tópicos para pesquisa e desenvolvimento de fórmulas e reagentes. Em suma, os três meses seguintes seriam de ainda mais pressão e exigências, sendo observados de muito perto pelos veteranos e também pelos antigos professores; além da obrigação de solucionar uma série de assaltos e agressões cometidos por uma troupe de bruxos não identificados que estava atemorizando a Inglaterra mágica.
O chefe dos Aurores frisou a importância do trabalho em equipe, assim como a integração entre os diferentes departamentos; e tudo em que Harry conseguia pensar era que certamente veria Malfoy mais frequentemente com tanto intercâmbio. Eles estavam interagindo civilizadamente e o loiro parecia confiar nele, ao ponto de fazer comentários jocosos sobre diversas situações e Harry não queria estragar este início de amizade; sua atenção estava muito dispersa por conta das descobertas pessoais e ele decidiu que estava na hora de esclarecer as coisas.
Se continuasse neste passo, a distração poderia custar sua carreira ou até mesmo a vida de outras pessoas, assim era chegada a hora de conversar seriamente com Malfoy.
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Ao final de reunião a sala foi esvaziando; aquela agonia o estava consumindo e respirando profundamente a fim de reunir sua tão propalada coragem Grifinória, ele prestava atenção nos colegas que estavam começando a sair. Acenou para Rony que já estava atrasado para o encontro com Hermione e chamou pelo loiro que passava ao seu lado:
- Malfoy, você tem um tempo? Precisamos conversar.
O outro girou o corpo e encarou o moreno que parecia um tanto agitado respondendo:
- Tudo bem Potter. Pode adiantar o assunto?
- Só um momentinho.
Harry esperou o restante dos colegas deixar a sala e fechou a porta, colocando feitiços de tranca e também de silêncio.
Draco o fitou levemente apreensivo. Ele não lembrava de ter feito nada para irritar o outro nem cogitava que assunto tão sério eles teriam a tratar para precisar de todo aquele sigilo. As possibilidades eram poucas: o testa rachada estava ficando neurótico ou conseguira meter os dois em alguma enrascada.
O moreno o encarava com aqueles enormes olhos verdes que traziam uma expressão entre o decidido e o assustado, dava para sentir o nervosismo que se irradiava dele, e na têmpora o pulsar acelerado de uma pequena veia também denunciava seu estado de agitação.
O loiro cruzou os braços e resolveu acabar com o suspense: - Manda Potter, estou escutando.
O outro rapaz deu um suspiro alto e juntando forças começou a falar:
- Estou numa situação parecida com nosso sexto ano em Hogwarts.
Draco apenas ergueu uma sobrancelha sem nada falar e Harry continuou:
- Não consigo dormir direito, me concentrar e às vezes nem comer.
- E o que eu tenho haver com isto , Potter? - Falou o loiro com uma expressão neutra.
- Tudo! Em nosso primeiro ano aqui eu me senti estranho também, mas no caso Eu era o alvo das SUAS atenções.
Draco arregalou levemente os olhos mas permaneceu calado.
- Eu sei que você estava de olho em mim, talvez achando que eu fosse cobrar a tal dívida bruxa ou coisa assim, mas você nunca veio falar comigo, só alguns cumprimentos formais e olhares à distância. E o seu olhar mexia comigo, mas nos anos seguintes cada um foi para seu lado e tudo voltou ao normal; até a prova de campo... Por merlin, Malfoy! Eu não consigo me desligar de você! Cada momento, cada palavra, cada gesto, a sensação de estar sendo cuidado por você, ficam passando e repassando na minha cabeça como um filme sem fim. E isto está me enlouquecendo!
Ele fez uma pausa para tomar fôlego e continuou:
- Você é como uma droga no meu sangue, e te ver só faz com que eu queira mais e mais... Te ver mais, ouvir você falar naquele tom arrastado e desdenhoso, rir de suas tiradas inteligentes e até mesmo te ouvir praguejar.
Draco agora o fitava com uma expressão de surpresa confusa e o moreno mirou o outro rapaz parecia perdido, esfregou as mãos no rosto e com um gesto de derrota falou baixo fitando o chão:
- Não estou fazendo muito sentido, não é? Tudo bem, às vezes nem eu me entendo. Mas quero dizer que não vou me intrometer na sua vida, nem te atrapalhar com minha presença. Só estou me afastando de você antes que eu acabe fazendo alguma besteira que venha a abalar sua reputação ou sua carreira. Você é brilhante na sua área e tem um futuro promissor pela frente. Te desejo toda a sorte e sucesso do mundo, até algum dia Malfoy.
Harry fitou uma última vez o rosto do loiro, com um gesto descuidado desfez os feitiços e saiu da sala caminhando rapidamente.
Draco estava parado no mesmo lugar completamente surpreso, parecendo estar pregado no chão. As palavras de Potter giravam em sua mente e ele tentava achar uma razão para aquele discurso estranho. Então, como uma faísca tudo começou a fazer sentido.
Com a descarga de adrenalina impulsionando seu corpo, Draco alcançou a porta e saiu para o corredor tentando adivinhar onde Harry poderia ter se enfiado. Seguindo sua intuição dobrou à direita no segundo corredor e entrou no banheiro masculino.
BINGO! Potter estava com as mãos sob o jato de água, o rosto e a franja molhados encarando o espelho com uma expressão de dor estampada no semblante.
Vendo o loiro pelo reflexo do espelho ele fechou a torneira e virou-se para o outro rapaz perguntando:
- O que você está fazendo aqui?
E veio a resposta:
- Você não pode simplesmente soltar uma bomba como esta e sair valsando por aí Potter.
- E porque não? Eu só queria te avisar do meu afastamento para não haver mal entendidos entre nós.
- Por Mordred e Morgana, Potter! Nossa história é uma sucessão interminável de mal entendidos desde a primeira vez que nos vimos! Acredito que já está mais do que na hora de acabar com isto.
- Eu concordo, e por isto fui falar com você.
- Aquela coleção de frases soltas não esclareceu grande coisa, mas felizmente eu te conheço o suficiente para ler as entrelinhas.
O moreno retrucou: - E você leu o quê?
Harry ainda encostado na pia fitava Malfoy por entre os cílios sem saber o que pensar.
- Que você pretende se afastar pois está a fim de mim, e é covarde ou muito nobre para me agarrar ou fazer uma proposta mais direta.
Harry que agora fitava o chão, sentiu um calor subir pelo pescoço e espalhar-se pelo rosto, sabendo que certamente deveria estar vermelho como um tomate maduro. Forçando-se a levantar o olhar, encarou o rapaz loiro à sua frente respondendo:
- Você acertou em parte, mas minha decisão não foi motivada por covardia nem por nobreza. Tenho consciência que este tipo de relacionamento entre nós seria impossível. Sei que você é o responsável pela perpetuação do nome dos Malfoy e ainda lembro da sua fama de "pegador," segundo as fofocas das garotas nos tempos de Hogwarts. Só não quero estragar nossa convivência pacífica e certas coisas não podem ser mudadas.
- Certas coisas não podem ser mudadas... Olha só quem está falando! - Retrucou o loiro torcendo o nariz e continuando a falar: - Você entrou no mundo mágico para mudar o destino de toda a comunidade bruxa e entrou na minha vida para me fazer entender que nada seria como antes! A cada aventura ou desventura sua eu questionava as tradições dos sangue-puro, os ensinamentos de minha famíla e até mesmo minhas crenças mais arraigadas. E além disso eu não fui consultado sobre o assunto.
- Mas eu tinha absoluta certeza de que... - Ele foi cortado pelo outro que disparou:
- Potter, nesta vida a única certeza absoluta é a morte, o resto é relativo. Então, vou ter o direito de expressar minha opinião ou é apenas a sua que conta?
O loiro e o moreno ficaram se encarando, Draco com uma expressão irritadiça e Harry exasperado com a insistência do outro.
E durante esta pequena batalha de olhares, dois funcionários do Ministério entraram no banheiro conversando animadamente, mas ao notarem a presença de outros acupantes e em seguida reconhecer quem eram aqueles dois, um silêncio expectante se fez no recinto, afinal era de conhecimento geral a rixa entre Potter e Malfoy desde a época de Hogwarts.
Draco foi o primeiro a se recuperar do anti-clímax e chamou o moreno:
- Vem Potter, vamos continuar nosso assunto em outro lugar. - Disse ele abrindo a porta do banheiro e dirigindo-se para o corredor.
Os dois caminharam lado a lado até chegar próximo do átrio principal, e o loiro novamente tomou a palavra pois Harry ainda parecia um tanto fora do ar com o desenrolar dos acontecimentos.
- Como vai ser Potter, vamos para o parque aqui perto ou você tem algum lugar em mente?
- Para a minha casa.
- Tem certeza? O Weasley sem dúvida vai me azarar assim que eu passar da soleira da porta. - Devolveu o loiro.
- Hoje é o dia da semana que ele janta com a família da Hermione e depois os dois saem para passear ou ir ao cinema. Geralmente o Rony volta bem tarde, a casa está liberada. Vamos? - perguntou o moreno.
- Certo, estou confiando na sua palavra. - Respondeu o outro.
Os dois caminharam em silêncio até as lareiras de flú e Harry com um gesto convidou Malfoy para fazer a viagem. Enchendo a mão de pó de flú ele o jogou nas chamas e falou em alto e bom som: - Ninho do hipogrifo! - Desaparecendo em seguida.
Draco fez um muxoxo de desgrado mas também pegou o pó de flú e chamou pelo endereço do moreno enquanto pensava: - Quem, em nome de Circe, colocaria um nome desses numa moradia! - E foi tragado pelas chamas verdes.
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