Ene/ A de cima: SIM, EU SEI QUE EU DEMOREI! Me desculpem, vou explicar lá em baixo, sério. è que minha vida virou de cabeça pra baixo nos ultimos meses. Se vocês ainda quiserem ler isso , leiam, vão me diexar muito feliz. Eu não vou abandonar a fic, não mesmo, mas aas atualizações podem demorar um tempo. Agora, o capitulo e , lá em baixo, minhas desculpas e explicações. Beijos!!
"Sine Die"
Sine die, do latim 'adiar por tempo indeterminado'. Você está adiando a sua felicidade.
Cap VI - Cinco Dias ou O mais frio que você conseguir pensar.
Cada segundo era como uma batida do coração de James. Uma batida cansada e sofrida, mas ainda sim uma batida, que se juntava a várias outras para formar um minuto e então dois e depois três, uma hora, quatro horas e assim por diante.
Não tinham se passado muitas batidas desde a meia noite, 16627, para ser mais exato. Era 4:37 e alguns segundos da madrugada quando James cansou de rolar na cama mole demais enquanto pensava no que ela estaria fazendo naquele momento. Dormindo, provavelmente. Era o que pessoas normais faziam às 4:37 e alguns segundos da madrugada.
Ele levantou silenciosamente, meneando a cabeça para os roncos ocasionais de Sirius, pegou o mapa do Maroto, escondido entre deveres de casa em branco e provas com notas altas e saiu do quarto, sem se preocupar em fechar a gaveta de novo. Sem se preocupar com nada, na verdade, sequer em fechar a porta, que ficou rangendo por falta de óleo.
Desceu as escadas com passos abafados e se jogou nas poltronas do salão comunal, também vazio, apreciando a escuridão e o silêncio tanto quanto um claustrofóbico aprecia um quarto pequeno e fechado. Mas não havia nada que James pudesse fazer, lugar algum para onde ele quisesse ir, pessoa alguma que quisesse ver. Nem ela. Naquele momento, ela era a única pessoa que James decididamente não queria ver.
O mais irônico era que ver James era exatamente o que Lily queria fazer naquele momento, ao invés de encarar o teto e conversar com as paredes. O sono não vinha fácil ultimamente, mas naquele dia o sono sequer queria vir, o que irritava a garota a ponto de deixá-la nervosa o suficiente para não querer nem estudar. E "a ponto de não querer estudar" é um ponto bem extremo.
James sentou na poltrona do salão comunal no mesmo momento em que Lily se sentou na cama. Ficaram compartilhando a mesma posição por longos minutos, até que o garoto decidiu que ficar sentado não adiantaria de nada e levantar, quebrando a sincronia.
No instante em que James se levantou, Lily sentiu um mau pressentimento súbito, uma dor esquisita no coração. Levou a mão ao peito enquanto ele subia as escadas e prometia a si mesmo que a partir daquele segundo ela não faria mais parte de sua vida. A dor persistiu por vários minutos, até que finalmente cessou. Ele dormira; nos sonhos, é impossível mentir para si mesmo.
Lily abriu os olhos subitamente, se assustando com a claridade, e demorou vários segundos para focar o olhar e voltar ao ritmo cardíaco normal. Tivera um pesadelo idiota, no qual várias plantas engraçadas a perseguiam gritando o nome de James repetidamente, até encurralá-la num beco e obrigá-la a dizer todas as fórmulas que ela conhecia, só que de trás pra frente.
"Só um pesadelo idiota, nada mais." Ela disse a si mesma antes de jogar as cobertas para o lado e levantar de modo incerto.
Trocou-se rapidamente e desceu as escadas sem esperar encontrar James no salão dos monitores, mais por saber que isso não aconteceria do que por vontade de não vê-lo. Tinha vontade de vê-lo, claro, mas essa vontade só piorava as coisas.
Olhou o salão bagunçado de livros e sentiu o coração dissolver. Era tudo culpa deles: os livros. Era tudo culpa dela: a escola. Era tudo culpa dele: o futuro. Por isso Lily não podia ter o que ela queria: James.
Em um acesso de raiva, a garota caminhou até a mesa e a varreu com os braços, jogando tudo no chão com um baque surdo. Os livros caíram, junto com canetas, folhas e pequenos objetos. As coisas espalhadas no chão tinham um apelo visual tão grande que ela desviou os olhos com vergonha.
Resistiu bravamente ao ímpeto de abaixar e recolher tudo, dando as costas para a mesa e saindo do salão. No corredor, correu sem saber a direção para que iria, desceu as escadas sem se preocupar e apareceu nos jardins. Os olhos pinicaram com o vento frio e, antes que pudesse frear, estava chorando.
James já estava encarando a comida há tanto tempo que o cereal estava mole e o leite, frio. A barriga dele roncava, mas a vontade de comer era suprimida pela preguiça de levantar o braço para alcançar a colher.
Encarou Sirius por cima dos óculos quando o amigo o cutucou nas costelas e ergue uma sobrancelha em interrogação.
- Você já fingiu melhor em outras ocasiões. – ele o lembrou com um sorriso, tirando a tigela da frente de James e a substituindo por uma com cereal fresco de leite quente.
Deu um tapinha nada leve nas costas do amigo e o entregou a colher, como se estivesse entregando um troféu a um vencedor de maratona. James não pode evitar rir e começou a comer com vigor, a fome falando mais alto.
Foi exatamente essa a cena que Lily viu ao entrar no salão principal. Tentou se lembrar que fora ela quem pedira um tempo e que se James não estava sofrendo do jeito que ela estava, melhor pra ele.
Enquanto os meninos conversavam alegremente, ela fingia comer o que quer que fosse aquilo que estava nas mãos dela, fazendo companhia para um primeiranista deslocado. As gargalhadas de James eram como ácido em metal, uma corrosão lenta.
Sem agüentar mais, a garota levantou, deixando o prato cheio para trás. Saiu com passos lentos e sentou na escada, por falta do que fazer. Não havia pensado no que faria depois que saísse do salão. Na verdade, sequer pensara em si mesma saindo do salão.
Os minutos passaram e James e os garotos saíram do salão, em um silêncio risonho, andando rapidamente. O moreno era o ultimo do grupo e passou pelas escadas do lado de Lily, sem sequer dirigir um olhar a ela.
Se estivesse em pé, Lily definitivamente teria caído, tamanha a moleza que sentiu nas pernas ao ser ignorada por James. Ela não merecia nada dele, claro, mas ignorar um olhar? Isso não era um pouco de mais até mesmo para ela, que tinha dificultado e muito a vida dele?
A dor que a garota sentiu ficou ressoando por muito tempo, até que ela se levantasse e começasse a subir as escadas com uns pedaços de coração que ela não tinha certeza se iriam se remontar de novo. Na porta do salão comunal, sorriu um sorriso triste e entrou, sabendo que James não estava lá. Jogou-se na poltrona e, incapaz de chorar uma lágrima sequer, gritou.
- Quer fazer alguma coisa? – Sirius perguntou cutucando James nas costelas.
O garoto, que estava apoiado na janela encarando o céu claro, virou-se para o amigo com uma expressão desconfiada.
- O quê? – devolveu, voltando o olhar para fora, em seguida.
- Conversar?
James fez uma careta e riu de si mesmo. Virou-se novamente para o amigo e meneou a cabeça displicentemente.
- Não. – disse, tentando não se importar muito com a expressão de Sirius, que dizia claramente 'você é um idiota'. – Guerra de bola de neve? – sugeriu o que lhe veio à mente.
- Você sabe que eu não quero, - o outro ironizou – mas só vou porque você tem de se divertir um pouco.
James revirou os olhos sem perceber e engoliu em seco o pensamento que voara direto para Lily. Foi andando despreocupadamente para a porta e desceu voando os degraus, com Sirius em seus calcanhares.
Correr não desviava os pensamentos, mas o vento no rosto era uma chamada a diversão. Não parou nem mesmo quando chegou ao jardim coberto de neve e foi atingido por uma enorme bola de neve. Gargalhou e revidou, errando por centímetros.
Era disso que precisava: diversão. Se Lily não sabia o que aquilo era, problema exclusivo dela. Se ele podia, por que não?
Gargalhou ainda mais alto quando foi atingido por uma bola de neve, que se desmanchou pelo cabelo, molhando os óculos. Aquilo era bom. Melhor que ficar sofrendo por alguém que não se importava.
Que Lily ficasse estudando, que estudasse até ficar vesga ou até colapsar. Ele ia se divertir, o tempo todo, de qualquer jeito. Assim seria mais fácil esquecê-la.
O sorriso que havia se formado em seus lábios escorregou meio milímetro com aquele pensamento, mas uma outra bola de neve o acordou.
- Vai ficar ai sendo meu alvo ou vai tentar me acertar também? – Sirius caçoou. – É meio chato acertar você parado, sabe?
- Eu estava deixando você ficar feliz, porque agora você não vai chegar nem perto...
Os dois gargalharam e James acertou uma bola em cheio no rosto do amigo. A cada bola de neve, os pensamentos sobre Lily ficavam mais enevoados, até se perderem momentaneamente em risadas que duraram o dia inteiro.
Ene/a de baixo: ME DESCULPEEEM! Bem, vou explicar porque eu demorei. Vocês se lembram por que eu comecei a escrever Sine Die, certo? Pra tentar me livrar do peso de um relacionamento que eu não 'quis', por medo de me envolver e por medo de atrapalhar meus estudos. Eu sou Lily nessa fic, e ele, James. Pois é, escrever a fic não me ajudou muito a esquecê-lo; n verdade me fez pensar ainda mais nele. Nos falavamos sempre, iamos a bares co amigos em comum, mas não ficavamos. No dia 27 de outubro de 2008 ele me convidou pra ver um filme com alguns amigos nossos e eu aceitei. No dia 31 de outubro, nós ficamos. Duas semanas depois ele me pediu em namoro. E eu estou digitando isso com o laptop em cima das pernas dele, que estão no meu colo. Nós estamos juntos a cinco meses já, e isso me deixou tão feliz que eu não queria lembrar dos momentos ruins que passei longe dele, por isso negligenciei a fic. Conversando com ele, acabei contando sobre Sine Die, e como ele já havia lido coisas que eu escrevi (na verdade, ele usou CdL pra conversar comigo na escola pela primeira vez) ele me incentivou a continuar.
Escrever agora é como contar uma história que já tem um final feliz. Porque eu sabia que pra James e Lily tudo daria certo, mas pra Julia e Lucas eu não tinha certeza. Nós passamos dez meses separados e nessa fic James e Lily ficam dez dias separados. Eu não sabia que ia voltar com Lucas, mas acho que tudo já estava escrito.
Espero que me desculpem e que comentem nem se for pra me xingar por ter demorado. Agora eu vou, porque o meu James (que tem cabelo preto espetado, olhos castanhos e usa óculos, além de ser atentado igualzinho) está dormindo com fome aqui no meu sofá. Vocês são muito importantes pra mim, obrigada por estarem presentes.
Beijos e até o proximo capitulo, que eu prometo que não demora seis meses. xD
