Secretária

Resumo: Rin consegue um emprego para poder ajudar no pagamento da sua faculdade. Mas não esperava ela que permanecer nesse emprego seria tão difícil, ainda mais com um chefe tão misterioso.

Atenção: Essa fic foi baseada no filme "Secretária", mas não é parecida com a história, apenas o título e o fato de Rin ser uma secretária...

No cap. anterior...

Mas e se não for? E se ela for realmente a namorada dele? E se for a esposa dele? O que você tem haver com isso, Rin? Ela balançou a cabeça de um lado para o outro tentando afastar aqueles pensamentos. Mas de certa forma tinha que admitir que estava com inveja daquela mulher. Naquele mesmo momento a tal da Yamada estava sozinha com seu chefe, enquanto ela estava lá sentada, morrendo de raiva. Como ela gostaria de estar no lugar da outra, poder conversar com Sesshoumaru e...

Rin arregalou os olhos assustada e sentindo seu coração acelerar. Ela estava com ciúmes?

Capitulo Sete – "Motivos e Respostas"

Os dias passavam num piscar de olhos, levando consigo o finalzinho do verão e trazendo o cair das folhas do gracioso outono. Uma leve brisa invadia a capital do Japão, e levando consigo algumas folhagens amarelas e quase sem vida, que se desprendiam das árvores para mais tarde, na primavera, dar lugar a novas e belas folhas verdes.

O sol aparecia tímido no céu daquela manhã; seus raios iluminavam por entre as inúmeras nuvens brancas, que impediam a passagem total da luz. No mais, era uma terça-feira agradável em Tókio.

Agradável, claro, para quem não estiver com os nervos a flor da pele. Desde que Yamada Kagura chegara na I&N, Rin não teve mais sossego. Parecia até que a mulher a perseguia, fazia questão de tratá-la com arrogância e desprezo. Ficava se exibindo com Sesshoumaru por todo o canto sempre que encontrava a secretária por perto, e agora nem mais pedia autorização para conversar com ele, apenas abria a porta do escritório do advogado e entrava, mas claro, não sem antes debochar, como fizera há instantes atrás. Agora deveria está com ele, conversando ou quem sabe até alguma coisa mais.

Ai! Quer mulherzinha idiota. A garota pensou, depois de virar em um corredor, apertando com mais força os papeis que segurava e tentando controlar sua raiva. Andava a passos largos e decididos, atravessando os diversos ambientes do prédio para chegar ao seu destino: O escritório de Nakamura Naraku.

Outra pessoa que a jovem secretária também não tinha afinidade alguma. Ele tinha a mesma arrogância e o mesmo desprezo que Kagura, mas claro que em dobro. Naraku era o tipo de pessoa que se precisava medir distância, Rin aprendera nesse tempo que estava trabalhado, que ele poderia ser tão imprevisível quanto seu próprio patrão, Sesshoumaru.

"Miroku-kun?" – Rin indagou, depois de entrar no escritório do assistente. Olhou interrogativa para todos os lados a procura do amigo. Ele não estava lá. Ela suspirou derrotada vendo que ela mesma teria que entregar os documentos para o advogado.

Andou temerosa até a porta, calculando estrategicamente a hora de entrar. Levantou a mão para bater na madeira, mas a voz grave e sarcástica que veio de dentro do cômodo chamou sua atenção.

"Iie... Já disse que está indo como o planejado..." – Rin escutou o advogado falar; a voz saindo abafada pela porta.

Que coisa feia, Rin! Ouvindo conversas atrás da porta. Sua consciência fez questão de lhe provocar em alto e bom som, como um alarme de uma sirene, inquietando seus pensamentos curiosos. Mas claro que a curiosidade falou ainda mais alto; ela continuou imóvel, em frente à porta do escritório.

"Não se preocupe, ninguém vai desconfiar, confie em mim..." – ouviu novamente ele pronunciar, e logo após uma gargalhada extravagante tomou conta do ambiente.

A garota engoliu em seco, recuando um passo. Se perguntava que cliente confiaria nessa risada sinistra, ou melhor, que pessoa confiaria num ser tão ardiloso como Naraku e...

"Rin-chan... O que você está...?"

"Ahhhhh!!!" – Rin soltou os papeis sem pensar. Todos caíram espalhados no chão, enquanto a garota encarava o rosto interrogativo a sua frente – "Que mania que você tem de me dar sustos, Miroku" – ela resmungou enquanto se recuperava, abaixando logo em seguida para pegar os documentos.

"Eu? Você é que anda sempre distraída..." – ele comentou, abaixando-se também para ajuda a secretária.

"Que gritaria é essa?" – os dois levantaram imediatamente, fixando os olhos na figura altiva que apareceu na porta do escritório.

"Sumimasen, Naraku-sama..." – Rin apressou-se a dizer mordendo os lábios inferiores, temendo qualquer reação do advogado.

"Nada de desculpas! Onde vocês pensam que estão, seus imprestáveis?" – ele falava com a mão no telefone sem fio, abafando o som para que a pessoa que estava do outro lado não escutasse o que ele dizia. – "Estou falando com um cliente muito importante... se eu ouvir mais um ruído, estão no olho da rua!" – terminou fechando a porta fortemente.

Rin suspirou aliviada, enquanto Miroku rodava os olhos.

"Olha, Mirô-kun, entrega isso pra o "Baka-sama", ta?" – Rin falou baixo, estendendo os papeis para o outro.

"Espera ele ouvir isso, Rin..." – ele falou pegando os papeis, abafando uma risada. Rin sorriu divertida enquanto saia da sala, procurando não fazer nenhum barulho.

Ela voltou a andar pela empresa, fazendo o percurso de volta para sua sala. Andava distraída e de vez em outra cumprimentava algum colega que passava pelos corredores.

Soltou um suspiro cansado, esfregando os olhos por um momento. Seu pai tinha plena razão quando falou que trabalhar e estudar seria muito cansativo. Era realmente muito desgastante, mas ela não se arrependia nem um pouco de ter feito essa escolha. Adorava seu emprego e ainda mais a sua faculdade, sabia que estava fazendo a coisa certa em ajudar seu pai.

Ela tocou com a ponta dos dedos o pingente de coração que pendia em seu pescoço e sorrindo levemente, apertou o botão do elevador.

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Ele rodou os olhos discretamente. Fixou novamente o olhar dourado na figura a sua frente, umedecendo os lábios com a ponta da língua num ato de nervosismo, mesmo que seu semblante calmo e frio não se abalasse por nenhum segundo. Cruzou os braços ouvindo desinteressado o que a mulher sentada diante dele lhe falava, lançando-lhe olhares provocantes; que ele fingia não perceber.

Será que ela pensava que ele era idiota? Até o mais burro e insensato dos seres perceberia que ela, estava praticamente se jogando pra cima dele. Não poderia negar que era uma mulher atraente, mas não estava nenhum pouco interessado. Fingia que não entendia as investidas e indiretas que ela lhe lançava enquanto falava assuntos sobre a empresa, que na verdade ele sabia que pouco a interessava no momento.

Observou-a debruçar-se sensualmente sobre a mesa com a desculpa de lhe mostrar algo escrito num papel. Ele fez o mesmo a contragosto, simulando olhar o que havia escrito.

"O que acha, Sesshoumaru?" - ela lhe sorriu voluptuosa, mostrando os dentes brancos por detrás dos lábios vermelhos do batom.

"Faça como quiser..." – ele falou dando de ombros. Ela desmanchou o sorriso, levantando uma sobrancelha um pouco indignada – "Creio que você entende mais dessa área do que eu, não Kagura?" – ele a cortou, dando-lhe um falso sorriso torto.

"Só estava lhe informado... Ou quer que eu faça algo sem que o consulte?" – ela disse meio ofendida, mas sem perder a pose sedutora.

"Quero que me informe sim... Mas essa já é a terceira vez que me falar sobre isso..." – ele pronunciou descruzando os braços e os apoiando na mesa; pôs-se a brincar com os dedos, fazendo contínuos movimentos circulares com os polegares.

Ela abriu a boca pra protestar, mas logo fechou vendo que ele tinha razão. O advogado lhe lançou outro sorriso torto, mas dessa vez um sorriso de vitória, vendo que ela não tinha argumentos para lhe contrapor.

O telefone tocou. Sesshoumaru pegou o aparelho ao seu lado, agradecendo internamente por alguém ter interrompido aquele diálogo.

"Pronto" – ele murmurou. Kagura girou os olhos vermelhos, contrariada com a interrupção.

"Sesshoumaru-sama?" – ele ouviu a voz de sua secretária soar do outro lado da linha - "Desculpe interromper, mas... A Sra. Sazaki chegou e..."

"Sim... A Srta. Yamada já estava de saída, Rin" – ele disse olhando friamente para a Kagura. A mulher observou-o colocar o aparelho de volta no gancho, completamente enraivecida.

"Bom Kagura, creio que encerramos nosso diálogo aqui, certo?" – ele indagou cinicamente.

"Claro..." – Kagura respondeu, levantando-se e seguindo para a porta - "Até mais, Sesshoumaru" – ela falou lançando-lhe outro olhar provocante, e saindo do escritório.

"Pode entrar, Sra. Sazaki" – Rin falou educadamente, assim que Kagura apareceu na sala.

"Arigatou" – murmurou a mulher levantando-se do assento de frente para a mesa da secretária e entrando no escritório do advogado.

Kagura acompanhou com os olhos a saída da mulher, esperando ela deixar a sala. Depois fixou seus orbes escarlates na figura da jovem secretária sentada na cadeira atrás da mesa. Fitou-a com um olhar assassino, que intimidaria qualquer um. Mas Rin continuou sem padecer com um sorriso vitorioso brincando em seus lábios rosados.

"Como ousa interromper minha conversa com Sesshoumaru?" – Kagura indagou arrogante, apoiando-se na mesa com as mãos, ameaçadora – "Você não deveria está entregando os papeis para Naraku como seu chefe ordenou, secretária?" – alfinetou.

"Se quer mesmo saber, Kagura. Eu já os entreguei. – Rin respondeu – "E eu interrompir seu diálogo, pois havia uma cliente com hora marcada. O que você deveria começar a fazer, não é? Marcar hora..." – Rin completou, sorrindo sarcasticamente para a outra.

"Sua pirralha" – ela falou ficando ereta novamente, fuzilando a mais nova com o olhar, que parecia faiscar perigosamente – "É bom você encontrar logo seu lugar, e ficar bem quietinha. Vai ser melhor pra você" – ela falou entre dentes; a ira visível em casa fibra de seu rosto.

"Se você não percebeu Kagura-san, eu já estou no meu lugar" – Rin falou apontando para a mesa – "Você é quem deveria ir para o seu, não?"

Kagura abriu a boca novamente para insultar a secretária, mas nada lhe veio à cabeça. Olhou-a com desprezo; havia perdido dessa vez.

"Você me paga" – foi o que ela disse, antes de sair irada da sala e deixar uma triunfante e sorridente Rin.

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"Kami-sama!" – a garota exclamou, enquanto foliava o enorme livro de Direito Penal, completamente perplexa – "São muitas páginas" – murmurou incrédula, voltando para a página que antes lia, verificando o número da mesma no alto da folha. Deitou a cabeça sobre o livro, exausta.

Fazia um belo dia de sol naquele sábado. As nuvens brancas que haviam acompanhado o céu ao longo daquela semana tinham desaparecido, permitindo que o grande astro dourado iluminasse a cidade sem nenhuma dificuldade.

A garota suspirou cansada levantando a cabeça à contragosto. Enquanto a maioria da cidade provavelmente estaria fazendo compras no shopping, assistindo filmes no cinema ou quem sabe até namorando no parque, ela está sentada na escrivaninha de seu quarto, estudando para uma prova que seria na segunda-feira.

Não que estudar fosse ruim. Na verdade adorava estudar, ainda mais aquela matéria, mas estudar num sábado era realmente cansativo, para não dizer desanimador, pois os pensamentos do que ela poderia esta fazendo naquele maldito sábado a tarde, não queria sair de sua cabeça.

Ela poderia, por exemplo, está dormindo, não? Estava tão cansada que as noites não lhe eram mais suficientes para suprir sua incrível necessidade de dormir. Definitivamente trabalhar e estudar era muito desgastante; não tinha tempo livre na semana inteira, então os únicos dias que lhe restavam para estudar eram sábado e domingo.

Prendeu o cabelo com um palitinho num coque mal feito e pôs-se a continuar a ler as letras minúsculas do grosso livro. As informações entravam em sua cabeça rapidamente a cada linha lida, seus olhos seguiam atentos as palavras com agilidade, enquanto seu cérebro procurava armazenar o máximo de conteúdo possível sobre cada parágrafo. Tinha realmente que tirar uma boa nota naquela prova e...

Sentiu uma estranha sensação. Parou de ler subitamente, mas não se atreveu a se mexer nem se quer por um segundo. Continuou como estava, atenta a qualquer movimento estranho; tentou apurar os ouvidos para qualquer sinal. Sentiu novamente a mesma sensação.

"O que quer, Shippou?" – indagou sem cerimônias, agora olhando para a porta do quarto.

A figura da cabeça de seu irmão mais novo apareceu tímida, por detrás da parede do lado de fora do quarto, ele sorriu envergonhado para ela por ter sido descoberto.

"Ora... Nada, onee-chan" – falou falsamente, inclinando a cabeça levemente para o lado.

"Anda... Shippou, fala logo que eu estou estudando..." – murmurou num tom impaciente, olhando fixamente para o garoto.

"Já disse que não é nada, Rin. Só estava... passando" – ele falou dando rápidos passos para o lado com as mãos para trás até sair do campo de visão da mais velha, para trás da parede. Rin ouviu os passos rápidos do irmão, provavelmente correndo para o próprio quarto.

A garota rodou os orbes chocolates, voltando-se depois para o livro. Continuou a ler as palavras escritas na folha branca. Passou levemente o dedo indicador na ponta da língua, umedecendo o mesmo para depois passar a página. Logo amaldiçoou essa mania, que por mais que tentasse não conseguia se livrar. Procurou voltar a concentração inicial e esquecer do tedioso discurso que seu pai lhe fez uma vez sobre a quantidade de germes que há nos dedos; ter um pai enfermeiro as vezes era um tanto inconveniente. Mas claro que era completamente maravilhoso ter sempre alguém que saiba como tratar doenças, machucados e...

Balançou a cabeça freneticamente tentando afastar aqueles pensamentos, que vieram num momento completamente inoportuno. Porque agora ela não estava conseguindo se concentrar? Suspirou cansada, já sabendo o porquê. Maldita curiosidade.

Claro. Estava quase morrendo de vontade de descobrir o que Shippou estava tramando. Sabia muito bem que o irmão estava fazendo alguma coisa traquina, e desejava desesperadamente saber o que era. Pura Curiosidade. Sempre quando estava curiosa, por mais que tentasse se concentrar não conseguia, milhões de coisas vinham a sua mente para tentar distraí-la, mas sempre lhe levavam ao tema inicial da tão cobiçada descoberta.

Segurou o livro com força, abaixando a cabeça; seu nariz pequeno quase se encostando à folha. Tentou concentra-se novamente, querendo ignorar a irritante vozzinha do seu instinto intrometido que gritava: Shippou. Perdeu as contas de quantas vezes lera a terceira linha daquela página, sem conseguir entender absolutamente... Nada.

Rendeu-se a curiosidade, como sempre. Pegou um marca-página numa das gavetas da pequena escrivaninha e colocou-o na parte que estava lendo, levantou-se e começou a andar na ponta dos pés, seguindo o caminho com cautela até o quarto do irmão mais novo; a porta estava chegada. Chegou perto da mesma e encostou o ouvido na madeira; prendeu a respiração por alguns segundos tentando capitar qualquer som. Nada.

"O que diabos o Shippou está fazendo?" pensou enquanto se esforçava ainda mais para ouvir qualquer ruído produzido pelo irmão.

"Não! Pare com isso!" – Rin ouviu de dentro do quarto; arregalou os olhos assustada. O Shippou estava falando sozinho? – "Não... você vai me derrubar! Não!" – A garota franziu o cenho, perplexa. O que diabos estava acontecendo? Shippou por acaso estava ficando louco?

Pegou na maçaneta da porta e girou-a. Trancada. Bufou impaciente, dando leves batidas na madeira.

"Shippou?!" – chamou, colocando novamente o ouvido na porta.

"Rin?!" – ouviu a indagação de dentro do quarto – "Es-espera um segundo... que... que... eu estou me trocando" – ele respondeu rapidamente. A garota pode ouvir uma total agitação dentro do cômodo. Tirou o ouvido da porta esperando ansiosa o irmão abri-la.

"Pronto" – a rosto ofegante do garoto apareceu por uma brecha na porta – "O que quer?" – ele completou; seu cabelo assanhado e seu rosto estranhamente vermelho.

"Hum... Posso entrar?" – Rin perguntou, esticando o pescoço para ver o quarto atrás do menino.

"Não!" – ele exclamou; a garota o olhou interrogativa – "É que... é que... o quarto está... uma... bagunça" – ele murmurou, sorrindo falsamente no final.

Mentira. Rin sabia que era mentira. Aquele não era o motivo.

"Então..." – Rin começou com um sorriso malicioso - "Deixa eu te ajudar a arrumar..." – disse, empurrando o irmão para dentro do quarto e entrando também. Tudo estava estranhamente... normal. Roupas e brinquedos espalhados no chão, a cama desarrumada, os livros esparramados pela escrivaninha. Tudo normal.

A mais velha olhou para o irmão que tinha um sorriso cínico no rosto infantil. Ele cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha a espera de algum comentário vindo da outra, que por sua vez continuava com seu olhar interrogativo a fitar o garoto.

"E aí? Vai me ajudar?" – ele indagou, já sabendo a resposta; um sorriso debochado brincando em seus lábios finos.

"Não..." – Rin respondeu seca, dando mais uma olhada no aposento para sair.

Um ruído esquisito chamou sua atenção. Seus olhos atentos percorreram mais uma vez o quarto, como orbes de um caçador faminto a procura de uma presa. No seu caso, a curiosidade a procura de uma resposta. Suas íris castanhas pararam instintivamente no pequeno cesto de roupa suja no canto do cômodo; olhou fixamente para o objeto, crente que o barulho viera de lá.

"Você não estava saindo, onee-chan?" – Shippou indagou hesitante acompanhando temeroso o olhar de Rin, que continuava a mirar o cesto. Segundos se passaram. Shippou engoliu em seco esperando a resposta da outra – "Rin?"

Rin soltou uma pequena exclamação. Seus olhos se arregalaram mais uma vez, descrente do que estava vendo.

"Shi-shippou?" – ela gaguejou incrédula. O irmão apenas mordeu o lábio inferior. Rin soltou outra exclamação, agora convicta que o que tinha visto não era ilusão de óptica. O cesto de roupa suja estava... Se mexendo?! – "O que é...?"

Rin não terminou a frase. O cesto caiu no chão. Os dois irmãos o encararam. Um hesitante, outro apavorado com o acontecimento. Por acaso o objeto estava vivo?

"Ahhhhh!" – A garota gritou, quando uma camiseta branca saiu do cesto arrastando pelo chão. O berro pareceu atiçar a tal roupa mutante, pois ela começou a ir não direção da garota – "Ahhhh!" – mais um berro, seguido de uma corrida desesperada da garota pelo corredor enquanto a camisa a seguia.

"RIN PÁRA!" – Shippou gritou, indo atrás da irmã.

"COMO ASSIM PÁ...?" – Rin não terminou, tropeçou nos próprios pés caindo no chão de frente para porta de seu quarto. A camisa pulou em suas costas e pôs-se a lamber freneticamente a sua nuca - "Mas o quê...?" – Rin murmurou sentando-se e agarrando... Um Filhote de cachorro?!

Incontáveis segundos se passaram em que a garota observava perplexa a figura de um pequeno cão de pelagem caramelo que expunha freneticamente sua língua vermelha para fora da boca, respirando ofegante enquanto mirava animado os olhos castanhos da menina.

"O que significa isso, Yoshida Shippou?" – Rin indagou, sem desviar os olhos do animal. O irmão ficou calado em frente a ela, coçando a cabeça. Rin finalmente fitou o garoto, ainda pasma; o cão começou a lamber alvoroçado suas bochechas.

"Er... Ele não é uma gracinha?" – Shippou indagou impudente com a mais perfeita caradura.

"Você por um caso pensou que conseguiria esconder isto de alguém?" – Rin indagou apontando para cão em seu colo.

"Ah, Rin!" – Shippou falou bufando – "Se você realmente quer saber: sim! O Seiji conseguiu esconder um hamster da mãe dele por um mês, sabia?" – ele indagou inconformado.

"Hamsters são diferentes de cachorros, Shippou!" – Rin exclamou pondo-se de pé, segurando o animal nos braços – "Um hamster fica no máximo do tamanho de sua mão! Olha para o tamanho dele!" – ela exclamou estendendo o bicho para o menino.

"Mas ele é pequeno..." – Shippou resmungou cruzando os braços e batendo o pé no chão.

"Mas vai crescer!" – ela falou. Shippou bufou mais um vez, derrotado – "Onde você o encontrou?" – Rin indagou virando o animal de frente para ela e observando os olhos amarelos que pareciam sorrir alegres.

"Na rua..." – ele respondeu.

"Otto-san não vai gostar nada disso..." – ela comentou crispando os lábios, hesitante.

"Ele não precisa saber..." – Shippou falou sorrindo irônico.

"Shippou!" – Rin o repreendeu – "Você ainda acha que vai conseguir escondê-lo?"

"Humf! Ele nunca vai deixar..." – O garoto falou com uma expressão enraivecida.

"É... realmente uma pena. Ele é mesmo uma gracinha!" – Rin murmurou, já se acostumando com o pequeno animal, agora lhe fazendo carinho na barriga branca.

"Ao menos que..." – Shippou começou, desmanchando a expressão de raiva, deixando que um sorriso malicioso brotasse em sua boca. Rin observou o irmão por alguns segundos sem compreender.

"Não... Eu não vou fazer isso..." – murmurou ela, entendendo o que o mais novo queria, balançou devagar a cabeça para os lados negativamente, enquanto o sorriso do irmão se alargava e o cachorro lambia seus braços desvairado.

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O sol já desaparecia no horizonte naquele sábado, dando um belo tom alaranjado ao céu azul, fundindo as cores num belo jogo de tom sobre tom emoldurando o grande astro amarelo que se despedia em raios fracos.

Nos jardins da mansão jazia o herdeiro mais novo dos Inokuma treinando empenhado suas técnicas de judô. Inuyasha praticava o esporte desde pequeno assim como o irmão mais velho. Mas as obrigações afastaram Sesshoumaru da luta, criando um certo desinteresse ao advogado logo nos seu dezoito anos, quando ingressou na faculdade de Direito já decidido o que queria na vida, alargando definitivamente a arte marcial.

Felizmente, InuYasha não tivera o mesmo fim que o irmão. Mesmo já estando no último ano da faculdade de Engenharia Elétrica, quando estava livre freqüentava algumas aulas ou treinava nos jardins, como estava a fazer.

Parou por alguns instantes afastando o suor que lhe caia sobre o rosto. Seguiu até a pequena mesa do jardim pegando uma garrafa de água e levando até a boca para saciar sua sede. Apreciou o crepuscular do grande astro, enquanto descansava de seu treinamento.

"Droga" – ouviu uma voz já conhecida pronunciar irritada. Acompanhou com o olhar a figura de Sesshoumaru sair da enorme casa e seguir até o carro. Observou o irmão abrir a porta traseira com brutalidade e começar a vasculhar os bandos, enraivecido.

Perfeito. Pensou o mais novo. Não havia melhor hora para importunar Sesshoumaru do que quando ele estava irritado. Sorriu malicioso, andando na direção do carro importado enquanto o advogado continuava a vasculhar o automóvel.

"Perdeu algo, almofadinha?" – alfinetou recostando-se no veículo. Sesshoumaru nada respondeu, apenas se limitou a fechar a porta traseira bruscamente e abrir agora a dianteira – "É tão burro que perdeu a capacidade de falar?" – Inuyasha continuou perante o silêncio do outro, sorrindo irônico.

"Cala a boca e vai tomar um banho seu moleque" – foi o que o mais velho murmurou ainda com a cabeça dentro do carro – "Está com um fedor insuportável" – completou.

"Os incomodados que se mudem, maninho" – comentou endireitando-se de pé – "E eu não fedo tanto como você" – finalizou franzindo o cenho.

"Vá pro inferno" – o outro murmurou fechando a porta do carro novamente e bufando enraivecido – "E não me enche o saco que eu não to pra brincadeira" – disse começando a andar de volta pro casarão.

"E não me enche o saco que eu não to pra brincadeira" – Inuyasha repetiu numa péssima imitação da voz do irmão. Sesshoumaru procurou ignorar a provocação do outro continuando a andar em direção da porta da mansão – "Sabe Sesshoumaru, eu duvido que você me derrote" – o mais novo desafiou.

O advogado parou subitamente de andar; os nervos a flor da pele, mesmo que o semblante calmo não transparecesse. Inuyasha estava indo longe de mais com as provocações. Sesshoumaru levantou uma sobrancelha ainda de costas ao ouvir a outra instigação do universitário.

"Aposto que te venço em menos de um minuto..." – Inuyasha comentou cruzando os braços convencido. Sesshoumaru virou de frente para o outro deixando que um malicioso sorriso torto saísse de seus lábios.

"Sério?" – Sesshoumaru indagou, sem tirar o pequeno sorriso dos lábios. InuYasha arregalou os olhos, quando o irmão começou a dobrar as mangas da camisa social; não esperava que o advogado aceitasse a provocação. Mas logo a surpresa findou; ele sorriu sarcasticamente colocando a base. O Sesshoumaru é mesmo imprevisível. Pensou quando o outro também ficava na posição de ataque.

Os dois começaram a lutar. Um tentando derrubar o outro. Era visível que mesmo estando anos afastado do esporte, Sesshoumaru estava no mesmo nível que o mais novo. Passaram vários minutos onde braços e pernas de enroscavam nas desejadas tentativas de vitória, um tentando usar a força e peso do outro contra ele próprio.

Num movimento errado feito por Inuyasha, o mais velho acabou por derruba-lo de bruços e cair em cima dele. Sesshoumaru aproveitou a chance e pegou o braço esquerdo do outro prendendo em suas costas. InuYasha tentou de toda as formas tentar escapar, mas não conseguia; Sesshoumau puxou o braço do outro mais para cima, o que acabou por fazer o mais novo soltar uma exclamação de dor. InuYasha se rendeu, bateu fortemente na grama com a mão direita.

"Quem é o almofadinha agora?" – Sesshoumaru zombou, ainda sem solta o braço do outro.

"Maldito" – InuYasha murmurou com dificuldade, completamente enfurecido. Sesshoumaru sorriu mais uma vez, finalmente soltando o braço do outro e saindo de cima dele. InuYasha levantou rapidamente massageando o braço com um olhar assasino a mirar o mais velho.

"Cuidado com a língua, maninho" – Sesshoumaru murmurou voltando a andar em direção da casa para resolver o problema inicial de tudo aquilo, mas agora com um sorriso torto nos lábios.

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"O que você queria falar, Rin-chan?" – o Sr. Yoshida perguntou enquanto enxaguava um prato e entregava para a filha.

Rin pegou o prato e respirou fundo ainda sem acreditar que concordara com a idéia do irmão mais novo. Se acalma Rin. É muito simples. Você apenas vai preparar o terreno e quando ele aceitar, o Shippou desce com o cachorro. Ela pensou, tentando agir o mais natural possível.

"Bom otto-san... Não é nada assim muito importante..." – ela começou enxugando a peça de louça branca com uma toalha – "É que..."

"Problemas com a faculdade?" – ele indagou lavando o último copo da pilha que antes havia na pia.

"Iie" – ela respondeu guardando o prato já enxuto no armário.

"Com o trabalho?" – ele continuou, lhe estendendo o copo e fechando a torneira.

"Iie" – ela disse novamente. O Sr. Yoshida enxugou as mãos numa toalha em cima da mesa e fitou a filha com atenção.

"Então o que foi, meu bem?" – ele murmurou num leve tom de preocupação, seus olhos paternos fitando a outra com ternura.

"Hum..." – Rin murmurou guardando o copo de vidro e fechando o armário, tentando achar as palavras certas – "Lembra quando eu era pequena e queria um cãozinho?" – ela indagou sorrindo timidamente, fitando os olhos verdes do pai.

"Sim..." – o Sr. Yoshida murmurou estranhando a pergunta da filha. Rin umedeceu os lábios ainda sem saber como falar. Não devia ter aceitado fazer aquilo... E agora? Como falar para seu pai? Olhou por um instante para a sala e pode ver a figura sorridente do irmão na escada fazendo sinais positivos, incentivando-a a seguir.

"Bom... Sabe, acho que talvez seja legal se nós..." - o estridente som do telefone soou interrompendo a fala da garota. Shippou saiu correndo da escada para atender o aparelho, não querendo que o diálogo entre a irmã e o pai fosse desfeito. Vendo que o menino já havia resolvido o problema, Rin voltou a fitar o homem pronta para continuar o que estava prestes a dizer.

"Rin... É pra você..." – Shippou murmurou da sala, lamentando internamente pela conversa ter sido interrompida. Rin seguiu para a sala, pedindo pro pai esperar alguns minutos e pegou o telefone da mão do irmão.

"Moshi Moshi" – falou desejando ao máximo que aquele telefonema não demorasse e pudesse resolver logo o assunto do cão com seu pai.

"Rin" – ouviu a pessoa pronunciar o outro lado da linha. O coração da garota acelerou subitamente e ela sentiu um leve rubor nas bochechas quando reconheceu a voz firme vinda do aparelho.

"Sesshoumaru-sama?" – indagou incrédula. Seu chefe ligando pra sua casa? Não podia ser. Não estava acreditando – "A-aconteceu alguma coisa?" – ela falou timidamente, ainda descrente do acontecimento; uma alegria incomum brotando dentro de si. Ele ligando pra ela. O que queria?

"Sim, Rin" – ele murmurou com sua costumeira voz fria – "Onde você pôs a petição¹ que eu mandei você digitar ontem?" – ele indagou sem devaneios.

"Eu coloquei na sua mesa junto com os outros papeis que digitei"- ela respondeu franzindo o cenho – "Algo de errado?" – ela perguntou hesitante, temerosa pela resposta.

"Eu pus esses papeis em minha pasta, Rin. E esse não está em lugar nenhum" – ele informou. Rin arregalou os olhos tentando buscar na memória se tinha mesmo posto o papel na mesa do chefe.

"Não pode ser, Sesshoumaru-sama. Eu coloquei em sua mesa com certeza" – ela murmurou angustiada, uma estranha sensação invadiu seu peito.

"Rin, segunda-feira falamos sobre isso" – ele murmurou num tom levemente irritado – "Me diz onde é que está a cópia escrita que te dei pra digitar. Preciso urgente" – Rin engoliu em seco. Não podia ser; aquilo não podia está acontecendo. Sesshoumaru estava bravo com ela. Sabia disso, sentia isso. Mas ela tinha posto o papel na mesa. Lembrava-se perfeitamente. O que diabos havia acontecido?

"Está na segunda gaveta de minha mesa" – ela informou ainda inconformada. Por sorte não jogava os rascunhos fora.

"Certo..." – ele murmurou bufando levemente.

"O senhor vai na I&N pegá-la?" – ela indagou vacilante, mordendo levemente o lábio inferior.

"Há outro jeito?" – ele falou num tom ainda mais frio que o de costume. Rin engoliu em seco perante o modo peculiar que ele usou para dizer aquilo; um arrepio incômodo subiu-lhe a espinha.

"Gomen" – ela falou baixinho olhando para aparelho telefônico, tristonha.

"Já falei, Rin. Segunda falamos sobre isso" – ele murmurou secamente – "Oyasuminasai" – e desligou o telefone.

Rin colocou o aparelho no gancho completamente desapontada. Ele estava bravo com ela. Ele estava bravo com ela. Sentiu uma grande inquietude que parecia apertar-lhe o coração e uma tristeza enorme a invadir por completo.

"Aconteceu algo, Rin?" – o Sr. Yoshida indagou preocupado, colocando uma das mãos no ombro da filha. Rin abriu a boca para responder, mas nenhum som saiu de seus lábios. Sua vontade era de chorar...

"NÃO! VOLTA AQUI!" – os dois ouviram a voz de Shippou do alto da escada. O senhor Yoshida arregalou os olhos quando viu o filho mais novo descer a escada correndo atrás de um filhote de cachorro. Shippou parou de perseguir o bicho olhando fixamente para a figura do pai que encarava o cão abismado. Segundos se passaram; nenhum dos três conseguia proferir absolutamente nada.

"Er... O que acha, otto-san? Podemos ficar com ele?" – o garoto indagou no último degrau com um sorriso cínico, quebrando o incômodo silêncio. O pai tirou os olhos do animal, que pulava animado em seus pés expondo a língua com alegria e balançando freneticamente o rabo pequeno, e olhou do garoto para a outra filha ainda incrédulo.

Rin bufou lastimosa, olhando para o teto. Por que estava tudo dando errado?

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"Mas Sesshoumaru-sama, eu tenho certeza absoluta que eu coloquei..." – a garota murmurava a mesma frase pela terceira vez naquela mesma manhã. O advogado sentado em sua poltrona apenas a fitava no momento; seu olhar frio e intimidador parecia penetrar nos olhos achocolatados, fazendo com que a garota ficasse ainda mais nervosa.

"Rin, se você realmente pôs onde ele está?" – ele indagou impassível, completamente diferente da garota angustiada em pé a sua frente. A secretária deixou que um suspiro cansado escapasse de seus lábios, passou a mão trêmula na testa afastando a franja negra que fugia do coque alto, num puro ato de nervosismo.

"Eu não sei, senhor. Pode ter caído... não sei. Mas eu pus com certeza..." – ela falou, umedecendo os lábios, aflita. Sesshoumaru lutou contra um sorriso que tentava sair de sua boca, ao ver o agonia da garota.

"Está bem. Não quero mais falar sobre isso. O problema já foi resolvido no sábado, certo?" – ele perguntou endireitando-se na confortável poltrona inclinando levemente seu corpo para frente – "Só espero que isso não se repita, Rin" – completou mirando atento cada fibra de expressão da outra, que pareceu se contrair em hesitação.

"Certo. Não se repetirá" – ela ciciou, fitando timidamente as íris âmbar. Passou alguns segundos em que eles se limitaram apenas em se encarar; Rin desviou os olhos para o chão, ainda inconformada com os fatos. Procurava de todas as formas encontrar uma explicação pra o que acontecera. Recordava-se perfeitamente de ter posto o papel digitado em cima da mesa do chefe junto com os outros papeis. Logo depois saíra da sala e... Kagura adentrou na mesma para falar com o advogado.

Rin rapidamente levantou a cabeça voltando a encarar os orbes dourados do chefe. Sesshoumaru estranhou a súbita mudança de humor da garota, que agora trazia uma expressão decidida no rosto de traços delicados; ato esse que ele não pode deixar de gostar, mesmo não sabendo o real motivo da inesperada alteração.

Ele a dispensou. Rin saiu murmurou um com licença, deixando Sesshoumaru a viajar em seus pensamentos.

Sentou na cadeira de sua sala irritada, bufando de raiva. Só poderia ter sido aquela piranha desqualificada da Kagura. Ela provocara aquilo. Provavelmente pegara o papel da mesa do chefe enquanto conversavam. Maldita. Já deveria ter pensado na hipótese de ter sido aquela cobra psicodélica. Agora lembrava-se muito bem do que a mulher de olhos cor de lava dissera para ela da última vez: Você me paga. A frase ecoou em seu cérebro.

Isso. Agora não tinha dúvida alguma. Fora ela. Infeliz. Ah! Mas Rin não ia deixar barato. Não ia mesmo. Aquela mulherzinha de uma figa ia ter o que merecia. Ela não perdia por esperar.

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O dia terminava. O sol não estava mais a reinar no céu dando lugar a sorridente lua crescente que gargalhava em silêncio pelo crepuscular da enorme estrela dourada.

As persianas cinzas que cobriam a janela de vidro fumê incapacitavam que a jovem sentada na cadeira atrás da mesa pudesse ver que já era noite. Ela lia concentrada as últimas páginas do conteúdo que cairia na prova que faria. Fora realmente uma ótima idéia levar o material da faculdade para o trabalho, assim nos momentos vagos poderia revisar o assunto.

Rin estudava com atenção as palavras escritas no mesmo livro grosso de letras miúdas que lera no sábado e no domingo que antecedera aquela segunda-feira. Tinha que tirar uma boa nota naquela avaliação. Desprendera-se totalmente do mundo, perdendo completamente a noção de tempo e espaço. No momento apenas dedicava-se a guardar em sua mente as partes que julgava mais difíceis daquele conteúdo.

Suspirou cansada passando a página do livro e lendo seguidas vezes uma das frases do primeiro parágrafo da folha pra que ela ficasse bem fixa em seu cérebro.

"Rin?" – ouviu a já conhecida voz pronunciar. Rin voltou-se para a figura altiva do chefe saindo do próprio escritório segurando a maleta preta, com uma sobrancelha arqueada ao encarar a jovem secretária.

"Hai, Sesshoumaru-sama" – respondeu sorrindo levemente, fitando com atenção as íris douradas.

"O que faz aqui?" – ele indagou fechando a porta de sua sala passando a chave no trinco – "Não tem faculdade hoje?" – completou guardando o chaveiro no bolso da calça social.

"Kami-sama!" – Rin murmurou levantou-se subidamente e olhando para o relógio de pulso – "Estou atrasada! - ela balbuciou baixo, arrumando rapidamente a mesa, esquecendo-se completamente que o advogado ainda estava na sala – "Não vi o tempo passar. Não vai dar nem pra passar em casa...Tenho que pegar o metrô de pressa e..."

"Quer carona, Rin?" – ele indagou vendo a agitação da garota. Rin parou de falar, encarando o rosto inexpressivo do homem.

"Ca-carona?" – ela hesitou, corando levemente, sem assimilar direito o que ele dissera.

"Hai. Vou sair mais cedo hoje..." – Ele explicou atravessando a sala, indo na direção da porta – "Quer vir comigo?" – ele indagou abrindo a mesma. Rin ficou parada por alguns instantes, ainda sem ação, observando os movimentos do advogado. Ele iria levá-la pra a faculdade? No carro dele? Ele e ela?

"N-não precisa, Sesshoumaru-sama. Não que-quero atrapalhar" – ela falou desviado o olhar e terminado de arrumar a mesa. Seu coração batia fortemente contra a caixa torácica, tentando sair de qualquer maneira e pular de sua boca de tamanha agonia. Não conseguia raciocinar direito só de pensar em estar tão próxima do belo advogado. Não sabia por que o seu subconsciente lhe falava para aceitar, mas ela realmente não queria ser um transtorno para o patrão. Ele já estava chateado com ela por causa do sumiço da petição; mesmo ela não sendo a verdadeira culpada, não queria dar-lhe mais trabalho.

"Não vai atrapalhar. Já disse que estou de saída" – ele disse ainda na porta a espera da secretária. Rin voltou a olhá-lo hesitante, sem saber se aceitava ou não. Segundo se passaram como uma eternidade em que os olhos dourados penetravam nos achocolatatos e vice e versa; as íris se atraiam como imãs impedindo a interropição do profundo contato visual.

"Eu... eu..." – ela balbuciou hipnotizada pelos orbes âmbar. Sesshoumaru notou a confusão da garota e resolveu concluir com um sorriso malicioso:

"É uma ordem, Rin..."

A garota ruborizou furiosamente. Abaixou a cabeça acanhada, finalmente interrompindo a troca de olhares. Fitou o chão ainda sentindo suas bochechas arderem em vergonha. Como Sesshoumaru conseguia ser tão galanteador sem se esforçar nem um pouco? Como ele conseguia dominá-la apenas com um sorriso torto e quatro palavras proferidas num tom frio? Não sabia. Não sabia como aquele homem conseguia mexer tanto com ela. Simplesmente não entendia o poder que ele possuía para conseguir deixá-la sem graça apenas com um olhar.

Um simples fitar daqueles intensos olhos cor de ouro a fazia perder completamente a razão. Seu chefe a fazia parecer uma garota tola apenas com uma palavra dita sem emoção. Aquele jeito dele, sempre impassível e inabalável, a doce fragrância do perfume masculino, os traços bem defeitos do rosto alvo. Tudo nele era perfeito. Perfeito.

Tanta perfeição num só homem. O mesmo homem que a fazia estremecer sem motivos. Motivos era tudo que ela queria naquele momento. Motivos e respostas. Por quê? Porque ele mexia tanto com ela? Por quê?

"Vamos, Rin?" – ele proferiu finalmente acabando com o constrangedor silêncio que reinava sobre eles. Rin o encarou ainda corada, vendo-o indicar a saída num leve aceno de cabeça com a habitual expressão inabalável.

Rin engoliu em seco, sentindo o coração falhar uma batida, finalmente encontrando as respostas para suas inacabáveis perguntas: Ela estava apaixonada por ele.

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Petição¹: É um pedido escrito dirigido ao Tribunal. A Petição Inicial é o pedido para que se comece um processo. Outras petições podem ser apresentadas durante o processo para requerer o que é de interesse ou de direito das partes.

Vocabulário desse cap.:

Gomen: Desculpe

Hai: Sim

Iie: Não

Otto-san: Pai

Onee-chan: Irmã mais velha

Oyasuminasai: Boa Noite (ao despedir)

Kami-sama: Deus

Moshi Moshi: Alô

N/A: Olá Pessoas! Peço mil desculpas pela demora em postar esse capítulo. Sinceramente estava tudo conspirando contra mim e essa fic. Eu já havia reescrito esse capitulo umas três vezes por pura vontade minha, pois toda vez eu achava que não estava bom. Depois fiquei um tempo sem computador e quando ele voltou fiquei completamente desinteressada em terminar. E quando eu finalmente termino a Loli (minha beta) viaja e eu não consegui betar o capitulo. Por isso peço que ignorem os terríveis erros ortográficos e de concordância que deve haver nesse capitulo e, por favor, me desculpem. '-.-

Hum... Fiz novamente um capitulo grande para compensar o tempo sem atualizar. Dessa vez eu até gostei do capitulo, acho que ficou legal. Espero que gostem também. ;D

Dessa vez resolvi fazer uma coisa que quase nunca faço. :D. Responder os adorados e lindos reviews!!!

Thata chan: Que bom que achou o capitulo anterior fofo! Hum... Eu até pensei em colocar pro Sesshie falar Parabéns pra Rin, mas achei que ficaria bem do jeito dele se ele deixasse por isso mesmo, sabe? Hehehe. Aiii!! Também odeio a Kagura cobra! Morte a ela. Espero que tenha gostado desse cap. Bju ;

LiL Lion: Bom trabalho? Que isso?! cath envergonhada. Que bom que achou o outro cap legal! Muito obrigada pelos elogios. Espero que goste desse também ;D. Beijão!

Rin Nana – Chan: Nha! Muito obrigada. Mil desculpas pela demora, ta? Não queria ter demorado tanto assim... Tomara que goste desse cap! Adorei escrevê-lo! Hehehe! Kisus!

Hiwatari Satiko: Sim Sim! Ela estava com ciúmes. Mas também quem não morreria de ciúmes do Sess lindo e gostoso? Hehehe! Que ótimo que adorou! Espero que aprecie esse também! Até Mais! ;P

Myttaro: Melhores fics? Essa? Que nada! cath acanhada. Que bom que está amando! Eu também amo muito escrevê-la. Desculpe pela demora. Mas aí está o cap! Hehehe! Bju :P

Hinata-chan: Pois é. Entre Naraku e Kagura nem sei quem é pior... A Rin já descobriu que esta apaixonada por ele, ne? Mas na minha opinião ela é muito boba, pois eu se visse o Sess já gritaria pro mundo inteiro ouvir: É ELE O HOMEM DA MINHA VIDA!!!. Hahaha! Bom... Espero que tenha apreciado o cap... Até o próximo! Beijão ;D.

Manu Higurashi: Bom... Não posso revelar se Kagura vai ter algo com sess cath má, mas eu realmente espero que não. O Sess é meu e eu só empresto um pouquinho pra Rin. Hehehe. Brincadeira. Hum. Eu até pensei em por ele na festa da Rin, sabia? Mas depois pensei bem e vi que não era coisa do tipo 'Sess frio e inabalável hehehe. Desculpe pela demora, ta? Bju!

Anginha: É mesmo... Provas é realmente um saco! Mas graças a Deus as férias vieram! Eu nunca gostei da Kagura, sabe? Ela sempre fica se jogando pro Sess no anime... Isso me irrita. O Sess é meu e da Rin! ;B. hehehe. Que bom que ajudei a melhorar seu dia. Quando estou meio chateada começo a escrever... isso sempre me ajuda a melhorar! Espero que goste desse cap! Até mais! xD

Hime Rin: Hime Rin-chan! Sou fã sua, sabia? Abraça com força. Que bom que está gostando da fic! Saiba que este cap só saiu por que 'Simplesmente amor' me inspirou! Hehehe. Tomara que goste desse cap também! Beijão!

Juanna: Nha. Me perdoa pela demora, ta? Adorei saber que a fic está ficando interessante! Eu realmente ainda não sei como a Rin vai se livrar da Kagura... Talvez com uma inseticida sai pragaaa hahaha. Zuera. Hum... O Sess é realmente um mistério, talvez ele esteja gostando da Rin, talvez não... Só veremos em breve, ne? Hehehe. Bju! xD

Raissinha: Sim Sim! piranha da kagura de novo hehehe. Espero que goste desse cap! Bju ;

Nanda Yukimura: Nha! Desculpe te deixar triste. Na verdade eu achei melhor se o Sess não dissesse, sabe? Sendo ele como é. Mas eu espero que a atitude dele nesse cap compense... hehehe. Bju!

Natsumi Omura: Realmente... Quem não sonha o Sesshoumaru? Suspiro apaixonado. Já fizeram isso comigo no meu aniversário de 13 anos... Mas eu já desconfiava... hehehe. Isso! Boa idéia! Vamos matar a Kagura! Temporada de caça as cobras piranhas hehehe. Espero que goste desse cap! Beijão!

Nay Black: Oi! Quem bom que resolveu ler a fic! Melhor ainda que tenha gostado! Muito obrigada! Mas eu acho que tudo é culpa do sumário. Tenho que mudar ele urgente, ele não está nada convidativo, ne? Hehehe. Ainda não sei quando vou juntar os dois... Também estou anciocisissíma para esse dia! cath sonhando. Bom, sobre a sua pergunta... Eu acho que 'Domo' é 'olá' e 'Demo' é 'mas'. Mas talvez esteja errada... Vou pesquisar e te falo! Hehehe. Beijão! ;P

Serpentinia: Eu não realmente não conseguiria ser secretário do Sess. Não agüentaria de hipótese nenhuma ficar vendo aquele lindo, meu deus! E eu ia morrer! Hehehe. Sess é tudo, ne? Coisas fogosas... quem não queria com um patrão como ele? xD. Espero que tenha gostado do cap! Beijo!!!

Mylle: Mylle! Obrigada pelos elogios! ;P. Bom... sobre a poesia... É claro que pode por! Hehehe, mas não se esqueça de dar os créditos, ta? Hehehe. Beijo enorme! ;

Dedico esse cap a Palas Lis. Por ter me ajuda com seus conhecimento em Direito! Muito obrigada, Lis-senpai!

É só gente! Até o próximo cap! E mandem reviews!

Beijos!

Cath Black :D