(n/a): Esse capítulo é bem curtinho... Na realidade, ele ia ser menor, só que eu resolvi aumentá-lo (por isso demorei a postar). A idéia foi fazer um dia na vida do garoto que sobreviveu... Espero não confundi-los ainda mais.


Até o fim de seus dias...

Capt – 8. Harry Potter.

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Harry Potter sentiu aquele corpo quente perto do seu...

Sentiu seu cheiro. Nunca a havia visto tão de perto.

Era hipnótico. Asfixiante. Sentia seu pulso acelerar... Sua vista desfocar.

Ele a queria. Intensamente.

Não se conteve. Não queria se conter.

Puxou-a para si, e como quem luta em águas profundas, ele a beijou. Um beijo com ardor, com vontade, com urgência.

Ele a queria. Intensamente.

Passara o ano passado inteiro pensando nela. Quando a reencontrou... Quem era essa linda mulher que ele beijava? De quem eram essas curvas que ele queria tanto poder desfrutar?

Gina Weasley era um mar agitado e tempestuoso.

Uma correnteza perigosa, que ameaçava arrastá-lo.

Era um mar de fogo. De calor.

E, enquanto se debatia tentando se manter à superfície, o que mais queria era poder se afogar nele.

Ser dragado e arrastado por sua águas vermelhas...

Domingo à tarde.

O moreno desviou seus olhos verdes dos castanhos de Hermione Granger. Ela parecia bastante... abatida. Ele não a encarou enquanto todas as informações do ocorrido lhe eram transmitidas, escutava, apenas, a entonação da sua voz. Ele podia sentir a preocupação da morena, podia sentir sua aflição. Aaquilo, mais que tudo, a estava destruindo.

Ele não entendia. O que a ruiva queria de verdade?

- Chame Ron Weasley.

Hermione piscou algumas vezes antes de compreender totalmente o que lhe era dito. Ela se sentia cansada, o tempo todo. Concordou silenciosamente com a cabeça e se retirou. Caminhou apressadamente pelos corredores, tendo cuidado para não passar em nenhum lugar de concentração sonserina. Eles já havia feito a lista. Precisava reportá-la, agora, à ordem.

Passou pelo corujal, e sem nem olhar as corujas, sussurrou algumas palavras para ter a certeza de estar sozinha. Tendo tomado as precações necessárias, a garota conjurou um patrono, lançando um feitiço para que, no momento em que as palavras certas fossem ditas, a mensagem fosse transmitida.

Retirou-se, ainda sentindo uma incômoda dor no tórax, e prosseguiu com seu dever. Era necessário encontrar Ron.

Ela não queria metê-lo naquela história... Ele parecia tão... intocado, como se não tivesse mudado nada, e aquilo era algo precioso. Trabalhara tanto para não ver aquela dor que a guerra trazia consigo nos rostos dos seus amigos, mas... Do que adiantara? Gina... Meu Deus, quem era ela?

Harry Potter a esperou calmamente. Pensava em muitas coisas enquanto observava alguns alunos a correr pelo amplo gramado mais à frente. Ele estava encostado em uma grande pilastra de mármore, o vento balançava seus cabelos sempre bagunçados. Pensava no boato que escutara... mudança de casas. Como será que o "diretor da escola" se portará? Aquele homem... Seria ele convincente?

- Harry...

Ele desviou seus olhos verdes para o garoto ruivo à sua frente, não sem antes passar pelos olhos castanhos de Granger novamente. Merlin... Hermione precisava de... carinho. Ele sabia disso. Ela precisava de algo que a guerra não oferece, de amor.

- Luna, ela não vem?

- Não a encontrei.

Então ele focalizou aqueles olhos azuis límpidos, quando eles seriam manchados?

- Rony... Eu preciso da sua ajuda, você pode me ajudar?

- Claro Harry, o que você pedir. – O amigo observou a animação no seu tom de voz... Merlin, ele realmente não fazia a menor idéia do que estava acontecendo, não é mesmo?

- Preciso que você me deixe entrar na sua cabeça.

- Entr-trar? – gaguejou confuso e surpreso – Mas... eu já disse tu-tudo que eu sei...

- Legilimência, existe algo muito importante que, talvez, só você possa ter a resposta e ela pode estar em algum lugar que você não saiba.

- Eu... – ele parecia ligeiramente temeroso, então, como Harry sabia que ele faria, completou – ok, se for você.

Sem mais coneversas, Harry sussurou:

- Legilimens

Imediatamente o corredor em que estavam pareceu flutuar até desaparecer. Imagens não muito nítidas fluíam como uma poderosa corrente, jorrando lembranças para todos os lados. Era uma sensação estranha a de estar sendo invadido.

Harry selecionava, procurava, coletava informações. Era como invadir um enorme e desorganizado banco de dados, ele precisava selecionar o que queria e ir restringindo, até encontrar alguma informação útil. Foi então que uma espécie de barreira mágica o impediu de visualizar uma lembrança específica. Ele encontrara tão facilmente... A barreira apenas servira como uma espécie de letreiro luminoso indicando o caminho a seguir. Perguntou-se até que ponto aquilo não era planejado.

Com a habilidade adquirida na prática, ele conseguiu entrar. Ron, que antes estava ocupado com lembranças da sua infância, visualizou aquilo que nem ele lembrava de ter visto.

Era de noite...

O garotinho ruivo foi acordado por um estranho barulho, abriu os olhos sonolentos a tempo de ver alguém deixando o seu quarto. Sentindo-se desorientado, ele se ergueu com alguma dificuldade e foi cambaleando ao encontro da fonte do barulho.

Tinha tido um estranho pesadelo...

Estava preocupado com a irmã mais nova. Fazia algum tempo que surgiram olheiras embaixo daqueles olhos castanhos alegres... Além do mais, ela não estava se adaptando bem ao mundo trouxa.

Caminhava apoiando-se na parede, seus pés faziam a madeira velha do assoalho ranger. Estava frio, perguntou-se... o que estava fazendo mesmo?

Oh, sim. O barulho.

Sem perceber, chegou ao banheiro. Gina estava esparramada no chão, os azulejos brancos estavam salpicados de vermelho, ela estava pondo um blusão por cima do sutiã. Levantou-se lentamente e virou-se de costas, ele notou seus pés e joelhos sujos de lama, notou que a lama estava misturada com o sangue que escoria entre suas pernas. Sem dizer uma palavra, ela entrou dentro da banheira, de roupa e tudo e deixou-se molhar.

- Foi uma briga. Nada de mais... Não precisa se preocupar. – Ele escutou uma voz baixinha proferindo essas palavras.

Ron sentia o pânico crescer dentro dele.

- Gi-gina... Preciso acordar mamãe. – disse com um tom de urgência, preparando-se para descer as escadas e acordar a casa inteira.

- Não.

Então ele a viu erguendo uma varinha e apontando para ele.

- Desculpe, Ron.

Então ele conseguiu ver o seu rosto, ele estava cortado. Ele viu seu lábio roxo, lágrimas inundando aquele belo rosto... e viu um clarão. Depois disso ele não viu mais nada.

Outra cena apareceu, dessa vez foi de alguns meses depois.

Estavam todos reunidos na sala de jantar. Ron olhou para sua irmã. Ela tinha mudado... Totalmente. Era calada, fria, embora outras vezes ele conseguisse ver aqueles olhos castanhos transbordando de carinho. Fazia algum tempo que as olheiras haviam desaparecido... Ele notava seus sumiços durante a noite, mas nada dizia. Perguntava-se se ela não teria arranjado algum namorado e por isso passava tantas noites fora de casa. Esquecendo-se de comer, ele começou a observá-la. Ela estava com as mãos cobertas com grossas luvas... não estava fazendo frio.

Quando a perguntou sobre isso, ela sorriu e disse calmamente.

- Está na moda trouxa, Ron.

Harry Potter saiu de dentro da cabeça do ruivo causando uma onda de choque em todo seu corpo sardento. De repente, estavam de volta no mesmo corredor deserto e Ron estava estático. Seu rosto, naturalmente branco, parecia ter perdido ainda mais a cor.

- Eu... Eu não... – sua respiração falhava.

- Eu sei disso Ron, você quer se lembrar? Se for doloroso demais eu posso apagá-las definitivamente. Acho que na época, sua irmã não sabia como fazê-lo.

- Não! Eu quero saber, droga!

- Então você terá que fingir que não sabe.

- Eu posso fazer isso...

- Ótimo.

Saiu sem dizer mais nenhuma palavra, deixando uma Hermione confusa e apreensiva acompanhada de um Ron em estado de choque. Sabia que ambos estavam horríveis, que ambos sofriam, mas... Sabia também que o ruivo amava a morena. Afastou-se o suficiente para não ser notado. Eles estavam dentro de uma bolha, ninguém de fora ouviria ou viria o que aconteceria lá. Ele sabia que ela sabia disso.

O moreno não precisou ficar muito tempo para ver o que aconteceria.

Ron a abraçou do modo que Harry sabia que ela precisava. Ele enxugou as lágrimas que escorriam por aquele bonito rosto. O ruivo a afagou, beijando sua testa, provocando uma nova onda de lágrimas e desabafos. Beijou um dos seus olhos, dizendo palavras reconfortadoras, como ele sabia que deveria ser dito. Nesse ponto, Harry deu as costas e continuou a andar, sozinho, pelo corredor deserto. Não precisava assistir ao resto... Sabia o que iria acontecer.

Ele a beijaria. Ele a faria sorrir, nem que fosse por alguns segundos. Ele a faria tremer e ofegar, ele faria com que ela se sentisse especial e pela primeira vez, em muito tempo, com que sentisse calor.

Então ela mandaria ele se afastar e mandaria ele esquecê-la.

Fechou os olhos.

Eram tempos de guerra, ser visto com eles não era algo bom. Era arriscar sua vida. Aquela garota não era egoísta o suficiente para por a vida de alguém em risco apenas para satisfazer um capricho tão dispensável quanto o amor. Não era mesmo?


Patty Potter Hard: A ação virá. Espero que goste :)