Capítulo 7 – Wonderwall

Talvez esse dia fosse mais fácil pra ela, se não estivesse tão claro em sua mente tudo isso que ela sentia por Ruby. Talvez fosse mais fácil pra ela seguir com o plano de voltar para casa de Rumple, ou talvez não. Porque também se havia outra coisa clara em sua mente era o quanto ela já não mais se via na vida dele.

Isso não mudava, é claro, o que eles tiveram, e os seus sentimentos por ele. Ela não podia e não queria negar que sentia algo por ele, um respeito, ou até mesmo uma espécie de amor, mas um amor diferente do amor que ela sentia por Ruby. No fundo ela esperava que uma vez de volta a casa dele, uma vez convivendo com ele novamente, as coisas mudariam em sua mente, no fundo ela esperava que fosse possível re-ama-lo, que seria possível ajuda-lo a trazer de volta essa humanidade que ela sabia que no fundo ele ainda tinha.

Ele podia ser um monstro por fora, mas por dentro ele ainda era um homem que uma vez ela se apaixonou, talvez a ausência dela tenha feito essa camada de monstro se engrossar e torna-lo o que ele era hoje. Talvez os dois se completassem de uma forma torta, mas ainda assim se completavam. Tentou se conformar com essa ideia, enquanto guardava suas últimas roupas em uma mala e olhava ao redor do pequeno quarto no primeiro andar da biblioteca, um pequeno quarto que ela dividiu consigo mesma ao longo dos últimos meses. E que era tão pequeno e tão dela, que agora ela estava tento segundos pensamentos em relação à ideia de voltar para Rumple. Fechou a mala e a colocou sobre a cama, e sentou-se nela, olhando então para o seu celular que avisara que uma mensagem havia chegado. Ela a levou e viu que era de Rumple, era uma mensagem curta e dizia apenas: "Quanto estiver pronta, me ligue."

Ela não estava pronta.

Na verdade não sabia se estaria, sabia porem, que quanto mais pensasse a respeito, mais confusa estaria e sabia também que não seria justo enrola-lo, que ela havia feito um acordo e que não devia quebra-lo.

Mas de qualquer forma, ele podia esperar mais um pouco, então ela saiu da biblioteca, andou por aquelas ruas pouco movimentada, andou pela rua completamente destruída, olhou para a faixa de proteção que a rodeava e para o restaurante da vovó ainda estava vazio. Ver a placa de fechado em frente à porta trouxe de certo modo um tipo de tristeza pra Belle e uma solidão. E percebeu então que ela não tinha ninguém em sua vida, a Belle da floresta encantada tinha uma família, uma casa, até decidir abrir mão de tudo para se tornar uma heroína e então em sua vida quem surgiu foi Rumple.

Se pudesse voltar ao passado não teria feito diferente, se voltasse ao passado teria feito tudo de novo. Ela só queria ainda poder ter os amigos, sua família e principalmente Ruby em sua vida. Agora, porem, ela só tinha novamente Rumple, e ela não sabia se isso era suficiente. Quando ela percebeu, ela estava andando sem rumo e algo lhe chamou atenção, era um cheiro, um perfume de rosas que a vez parar, ela olhou então de onde vinha, o perfume vinha de um jardim.

Era um jardim bem cuidado, com flores de diversas cores, uma em especial lhe chamou atenção, pois eram as flores que sua mãe mais gostava. Ela entrou no jardim e tocou de leve nas pétalas e se permitiu senti o perfume que elas exalavam, fechou os olhos e trouxe de volta a memoria sua mãe. Ela havia morrido muito jovem, Belle não tinha mais do que cinco anos quando ela se foi, lembrava pouco dela, lembrava apenas de detalhes sutis, mas que eram suficientes para deixa-la viva em sua mente. Notou quando uma lagrima desceu em seu rosto ao lembrar-se da mulher que um dia significou tudo em sua vida e enxugou uma lagrima solitária e com um sorriso no rosto ela se virou para ir embora, parando logo em seguida quando ouviu uma voz a chamar.

"Belle?"- disse a voz, fazendo Belle se virar para a varanda onde seu pai estava. -"Minha Belle"- disse o homem correndo em direção a filha e a tomando nos braços com um abraço apertado, fazendo Belle perceber que ela não estava tão sozinha assim. Ela retribuiu o abraço com a mesma intensidade, afundando seu rosto no ombro do homem e o olhando em seu rosto no instante seguinte, foi a primeira vez em algumas horas que um sorriso surgia de volta nos rosto da garota e ela gostava dessa sensação de se sentir feliz e acima de tudo, de se sentir em casa, abraçou mais uma vez o homem antes de quebrar o abraço.

"Pai."- disse ela com a voz carregada de um choro que ela insistia em segurar. – "Eu nem sabia onde o senhor morava."- continuou ela. – "E desculpa, mas nem tive o trabalho de procurar onde era." – conclui ela e o homem segurou firmemente suas mãos e sorriu para a filha que tanto amava.

"Oh, minha querida, eu te dei muitos motivos para não vim atrás de mim, não se sinta culpada. Mas já que está aqui agora comigo, venha, entre e almoce com seu velho pai, senti tanto sua falta, meu anjo, todos esses anos sem saber como você estava, sem saber se estava bem e agora ter você aqui de volta compensa todos os anos sem você, meu anjo."- disse ele a tomando novamente em um abraço, o tipo de abraço que só alguém que ama muito alguém pode dar, o tipo de abraço que te faz esquecer todas as coisas ruins do seu dia e que traz de volta um sentindo a vida, nem que seja no breve instante de um abraço.

E como ela precisava desse conforto e carinho naquele momento, pois sua cabeça e seu coração estavam muito confusos. Pelo menos era assim que ela classificava os sentimentos: confusão. Apesar de saber muito bem que de confusão não tinha nada, ela tinha plena consciência de tudo o que sentia e do que queria na sua vida, o difícil era aceitar que esse querer agora era impossível, o difícil era seguir a vida, sabendo que teria que ignorar uma serie de sentimentos e aprender a deixar para trás um amor que há algumas horas atrás, ela mal sabia que era possível sentir.

"Eu não quero te atrapalhar."- disse a garota ao pai. – "Eu tenho que terminar de arrumar minhas malas."- conclui ela.

"Arrumar as malas?"- questionou o pai, franzindo o cenho. – "Vai para algum lugar?"-

"Na verdade, vou voltar a algum lugar."- disse a garota com um tom envergonhado, não querendo se explicar muito ao pai.

"Voltar para ele."- observou Moe, se referindo ao senhor Gold, Belle assentiu, não tinha mais o que dizer, e o pai balançou a cabeça em sinal positivo e sorriu para a garota, um sorriso triste, de alguém que não entendia aonde tinha errado, mas não disse nada, apenas se aproximou da filha, a pegou pelo braço e disse a ela que não iria atrapalhar nada, que odiava almoçar sozinho e que adoraria ter ela ali com ele.

Então ela o acompanhou, um pouco envergonhada e não se sentindo a vontade logo de cara, mas nos instantes seguintes ela se sentiu como se pertencesse ali. Ela e o pai conversaram durante todo o almoço como se nunca tivessem existido todos esses anos de distancia entre eles, como se sempre tivessem conversados durante o almoço. Os assuntos saiam naturalmente e Belle mesmo nunca estando ali naquela casa estranha, tudo ali lembrava sua infância e isso enchia seu coração de alegria e ela desejou poder ficar ali pra sempre. A comida era maravilhosa, ela não lembrava, ou não sabia, que seu pai podia cozinhar tão bem e adorou essa novidade.

"Foi uma bela refeição, pai."- disse ela se levantando e retirando os pratos da mesa, ele a seguiu e disse que ela não precisava se incomodar e tirou os pratos da mão da filha, caminhando em seguida para a pia, aonde despejou o que sobrou da comida no triturador. – "Não sabia que cozinhava tão bem."- observou Belle, voltando a se sentar a mesa, sendo acompanhada por ele no instante seguinte.

"E não sei."- ele falou dando uma bela risada e segurando a mão da filha. – "Quem fez esse almoço delicioso foi a minha esposa."

"Você se casou de novo?"- perguntou Belle, sua voz saiu com certo rancor, algo que ela não esperava que acontecesse, tinha perdido sua mãe muito cedo e seu pai nunca havia encontrado outra esposa enquanto moravam na floresta encantada e saber agora que havia outra mulher na vida do pai, de certo modo a incomodava, mas ela não esperava que incomodasse tanto.

"Minha personalidade aqui em Storybrooke era casado, quando a maldição acabou e descobrimos quem éramos de verdade, ainda assim não víamos mais nossas vidas sem um na vida do outro. Eu amei muito sua mãe, Belle, mas também amo muito a Renée."- Ele disse, segurando firmemente as mãos de sua filha contra as suas, a garota sorriu e apertou mais a mão do pai e disse a ele que entendia, mas no fundo ela se sentiu estranha, suas palavras eram sinceras, mas por dentro ela queria que sua mãe ainda estivesse ali, que ela estivesse viva, que a ajudasse a entender, a se encontrar, e as esclarecer todos seus sentimentos em relação à Ruby. Ela não sabia por que se questionava tanto, pois tudo era tão claro...

"Você quer conhece-la?"- perguntou Moe, trazendo sua filha de volta a realidade.

"Sua esposa?"- questionou Belle e agora sua voz tomou um ar de preocupação, fazendo com que seu pai risse.

"Não fique nervosa, já há algum tempo ela sabe de você e você vai adora-la. Ela está muito ansiosa em te conhecer, eu só estava esperando a hora certa pra isso acontecer, o que você acha?"

"Eu não sei, você acha uma boa ideia? Não acha melhor esperarmos?"- perguntou Belle, ela estava nervosa com a ideia de conhecer a nova esposa do pai, mas pelo jeito ele não estava nada nervoso com isso, então ela tentou relaxar e concordou com o pai, ele sorriu e se levantou, caminhou em direção ao telefone, discou algum numero e Belle ficou observando, enquanto ele falava com alguém do outro lado da linha.

Depois que terminou o telefonema, ele sentou-se novamente com Belle e ofereceu a ela uma xicara de café e ela passou algumas horas ali, conversando com Belle sobre tantos assuntos que ela já nem sabia de onde saia. E pouco tempo depois alguém bateu na porta, e Moe se levantou, deixando Belle algum tempo sozinha na cozinha, ele voltou logo em seguida acompanhando de uma mulher. Era uma senhora que não aparentava ser muito mais velha que ele, ela tinha cabelos loiros ondulados até a altura dos ombros, um sorriso simpático e olhos de cor caramelo que brilhavam junto ao sorriso que ela lhe direcionava.

"Você deve ser Belle."- disse a senhora, caminhando em direção a Belle e sua voz era tão doce que Belle não se conteve e sorriu para a mulher, sentindo em seguida que toda aquela sensação de desconforto em relação à nova esposa do pai tinha ido embora, a abraçou quando ela se aproximou e confirmou que era sim Belle e que estava muito feliz em conhecê-la. – "Eu também estou muito feliz em conhecê-la também, Belle, você é muito mais linda do que seu pai disse."- completou a mulher e a garota agora corou de vergonha.

"Vocês já almoçaram?"- perguntou a mulher e Belle confirmou que sim. – "Então que tal uma sobremesa? Fiz um bolo maravilhoso de coco, tenho certeza de que você vai adorar." – continuou Renée e caminhou em direção à geladeira, Belle olhou para seu pai, que ainda estava parado próximo a porta, ele sorriu para filha, que retribuiu o sorriso, deixando claro que sua "nova mãe" estava mais que aprovada.

O resto da tarde seguiu tranquilo, Renée era muito simpática e Belle não poderia querer estar em outro lugar que não fosse ali, até se esqueceu do que a trouxe até aquele local, se esqueceu de suas angustias e principalmente se esqueceu de Ruby, mas só por aqueles breves instantes.

"Você tem um sorriso muito bonito, Belle."- observou Renée. – "Mas cheio de algo que eu não consigo entender... Uma tristeza tão profunda e certa melancolia... Queria entender tal tristeza e queria mais: queria poder tirar essa tristeza de seus olhos."- completo a senhora estendendo sua mão sobre a mesa, a fim de segurar a mão de Belle.

Belle ficou em silencio, apenas segurou também a mão da senhora e permitiu que ela apertasse seus dedos contra sua mão. O silencio então reinou por alguns instantes, seu pai estava sentado a mesa junto a elas, Belle sentiu a necessidade de se abrir com aquela senhora, porém não conseguia pensar como seu pai reagiria a todas as coisas que ela queria dizer e então isso a impediu de falar e tudo o que ela disse foi um: Não é nada. Seguido de um sorriso nada sincero e ainda cheio de tristeza, Renée percebeu, se inclinou diante da mesa e sorriu para a garota.

"Não sou sua mãe, eu sei disso, e pode ser que eu nem te ajude com os seus problemas."- disse Renée e direcionou seu olhar a Moe ao seu lado. – "Mas quero que saiba desde já que estamos aqui para todos os momentos, Belle... Nem que seja para te ouvir. O que te aflige, querida?"

"Eu fiz algo que não queria."- Começou Belle a dizer. – "Algo que eu não me arrependo, mas ainda assim as consequências me machucam. Eu fiz um acordo com Rumple, troquei minha liberdade pela vida de Ruby."- completou-a, ainda segurando firmemente a mão da senhora contra a sua.

"Deve gostar muito dessa garota."- respondeu a senhora e Belle apenas assentiu.

"Ruby e viúva Lucas deu um lugar para Belle ficar quando ela mais precisou, Renée. Embora ela não estivesse falando comigo durante esse tempo, eu sabia tudo pela viúva Lucas, que me deixava a par de como minha filha estava..."

"Ruby me deu mais que um lar, pai."- interrompeu Belle, e o olhar de seu pai caminhou em direção ao dela. – "Ela me deu um sentindo... um rumo, não sei o que seria de mim hoje, se eu não tivesse entrado naquela lanchonete e se não fosse ela quem tivesse me atendido... Ela sempre foi mais que uma amiga pra mim eu que demorei muito a perceber isso."- continuou Belle, essa ultima parte ela disse mais para si mesma do que para ele, mas disse alto o suficiente para que ele escutasse e clara o suficiente para deixar explicito o que isso significava. Ela então olhou para Renée que a direcionava um olhar cheio de entendimento e compaixão e depois para o seu pai, que já não dizia mais nada. – "Ruby de fato significa muito pra mim, significa o mundo... E eu não acho que eu sabia o que era amor, antes de perceber o que sentia por ela... Não sei então, o que era esse sentimento antes, não sei então porque negava tanto isso."

"Você está dizendo..."- começou Moe a falar, a voz cheia de confusão e bem vaga, como se tentasse digerir o que estava querendo dizer. – "Você está querendo dizer o que exatamente?"- completou-o, quando finalmente conseguiu falar o que queria.

"Eu amo a Ruby, pai."- disse Belle, em um tom tão firme e tão convicto que ela sentiu necessidade de dizer novamente. – "Eu amo essa garota como nunca amei outra pessoa em minha vida, e eu não me vejo com outra pessoa em minha vida que não seja ela."

Assim que ela terminou de dizer, seu pai se levantou da cadeira em que estava, ele levou uma mão a testa e caminhou nervoso pela pequena cozinha.

"Você está ouvindo o que está dizendo, Belle?!"- perguntou ele em um berro, Renée ainda segurava a mão da garota e Belle acompanhava o pai com o olhar, ela não respondeu, ela não precisava responder, ela sabia muito bem o que tinha dito e sabia também que seu pai havia entendido cada palavra.

"O que você não entendeu, Moe?"- perguntou Renée, sua voz era firme e calma e ela se inclinou para olhar o marido que ainda andava alterado. – "Que parte do que sua filha disse te confundiu?"

"Eu entendi muito bem o que ela disse! Quem não entendeu foi ela! Ela não pode amar uma... Uma garota! Ela não pode amar uma garota! Eu não a criei assim, eu a criei para ser uma princesa! Eu a criei para ser uma rainha! Eu rodei reinos para arranjar um bom casamento para ela, até que ela foi levada por aquele homem que mudou completamente a cabeça dela! Talvez isso tudo seja decepção, talvez seja só confusão, talvez todo seu desgosto com homens te tornou assim, Belle. Você não pode sentir isso, você só esta confusa!"- disse Moe, em um tom de voz tão firme e tão cheio de raiva que Belle não conseguiu sentir outra coisa por ele que não fosse ódio.

"Eu não estou confusa!"- gritou ela, se levantando da cadeira. –"Eu estou tudo, menos confusa! Não fale essas coisas de mim como se você me conhecesse por completo! Você não conhece! Nunca conheceu! Caso contrario, teria percebido que eu não amava Gaston! Caso contrario teria deixado que eu escolhesse meu próprio destino, meu próprio futuro! Quem disse a você que eu queria ser Rainha!? Quem disse a você que Rumple de alguma forma me decepcionou a ponto de não querer amar outro homem?! Eu o amei sim e eu o amaria para sempre, se ele tivesse permitido que eu entrasse na sua vida, mas não foi assim e minha vida tomou outro rumo, meu amor partiu para outro cais... Eu não o amo mais e eu não comecei a amar Ruby porque meu coração estava desesperadamente precisando de um novo amor... Eu a amei porque ela me conquistou diariamente, de uma forma que ninguém nunca fez antes e acredito que jamais fará, só existe ela agora em meus pensamentos e eu dei minha liberdade por ela, mas também daria minha vida se preciso... Sei que é difícil pra você entender isso, sei que é difícil ver sua garotinha, sua princesa, correndo para os braços de uma outra mulher, quando tudo que você imaginou foi que ela tivesse uma vida de rainha, um castelo, um príncipe, que pudesse te dar netos ou algo do tipo... Mas a verdade é outra, pai. A verdade é que sua princesa prefere outras princesas... Mas se te serve de consolo, eu jamais poderei ficar com ela. Eu estarei atada para sempre ao acordo que eu fiz, eu jamais poderei ficar com a pessoa que eu amo. E isso vai partir meu coração todos os dias, mas também vai aquece-lo, porque eu não saberia viver em um mundo aonde ela não existisse."

Ela terminou de dizer e seus olhos estavam cheios de lagrimas, porem ela não chorou, ela não queria chorar diante do seu pai, não queria que ele de alguma forma pensasse que ela era fraca, pois ela não era, ela sabia muito bem que não era e de certa forma não ligava para o que o pai fosse pensar dela, mas preferiu não chorar, manteve a cabeça erguida e encarou bem o pai diante de si, que tinha um rosto agora não mais cheio de raiva.

"Não me serve de consolo."- ele disse em um tom baixo. – "Acredite, Belle, eu quero sua felicidade, acima de qualquer coisa eu quero sua felicidade. E eu sempre te aceitei do jeito que você era, desde que sua mãe e eu te ganhamos de presente dos céus... Mas isso, isso é bem diferente, isso muda tudo e eu infelizmente tenho que te dizer que eu não aceito esse amor."- ele concluiu e saiu da cozinha, sem dizer mais nada, Belle permaneceu em pé onde estava e fechou os olhos, quando ouviu o barulho da porta batendo e deixou as lagrimas saírem de seus olhos, quando sentiu o abraço de sua madrasta.

"Não o ouça, ele é tão cabeça dura, ele quer sua felicidade, ele mesmo disse... ele só não sabe aceita-la. Mas aceite-a, aceite sua felicidade, aceite todas as pedras no caminho, aceite todas as dificuldades e acredite que você superará todas, que vocês duas superarão e acredite acima de tudo no amor, porque é isso que vai te guiar para o seu final feliz, minha querida."- disse a mulher, enxugando as lagrimas da menina a sua frente e beijando suas mãos, enquanto a garota agradecia a ela inúmeras vezes.

"Seu pai me deu um colar certa vez, assim que a maldição quebrou e que nós descobrimos quem verdadeiramente éramos. Na floresta encantada, eu tinha um esposo também e quando a maldição quebrou eu descobri que ele estava bem, que estava vivo, mas que assim como eu, tinha achado uma nova família... Uma parte de mim quis tentar ficar de novo com ele, mas outra parte quis continuar com Moe... Acabou que as duas partes se tornaram uma só e as duas partes concordavam que meu amor por Moe falava mais alto e que era com ele que eu deveria ficar... Mas eu estava tão confusa, eu queria tanto ser feliz ao lado do seu pai, mas não queria me decepcionar, então fiquei alguns dias fora, pra pensar a respeito do que eu queria. E seu pai apareceu em uma noite, na pousada em que eu estava, ele tinha em mãos uma caixa quadrada de veludo, lá dentro havia um colar, com um lindo pingente em forma de meia lua com um diamante lindo no centro. Ele me contou que pertenceu a sua mãe e que no dia que eles se conheceram pela primeira vez ela usava esse colar, ele me disse também que foi um casamento arranjado, que eles nunca trocaram sequer uma palavra antes do casamento em si, e que durante a valsa do casamento seu pai disse a ela que a faria a mulher mais feliz do mundo e ela disse que sabia muito bem disso, que soube desde o primeiro dia que eles se conheceram. Seu pai então a questionou, queria saber como ela tinha essa certeza cega, se nem ele tinha a certeza de que seria capaz de faze-la feliz. Ela então tirou de dentro do vestido que usava esse tal colar e seu pai me contou que o pingente brilhava tanto e de forma tão intensa que parecia ser capaz de cega-lo, ela então contou a ele que quando o pingente brilhava dessa forma era porque seu coração estava no caminho certo e contou também que o pingente havia brilhado no primeiro dia que eles se encontraram, então ela não teve duvidas de que seu pai seria capaz de faze-la feliz. Quando ele abriu a caixa para mim, o colar não brilhou, não aconteceu nada, ele ficou tão decepcionado e tão chateada, pois pensava que isso me traria de volta a vida dele... E eu percebi que eu o amava acima de tudo, que não precisava dessa certeza, eu o amei mais ainda, porque mesmo ele sabendo que o colar poderia não brilhar, ele ainda assim passou por cima desse medo e foi tentar me reconquistar, mesmo sabendo que podia me perder."- quando Renée conclui a historia, Belle tinha um sorriso no rosto, um sorriso cheio de saudades, ela queria poder se lembrar de sua mãe com o máximo de detalhes possível, mas agora tudo o que ela tinha era historias que foram contadas a ela ao longo de sua infância e adolescência, essa historia porém era nova e ela queria poder ouvir mais, mas era tudo o que Renée sabia. A senhora então a puxou pelo braço e a levou em direção ao seu quarto e entregou a Belle a caixa de veludo, Belle abriu, olhou o colar que era mais bonito fisicamente do que em seus pensamentos e tocou de leve no diamante ali contido.

"Eu sei que você não tem duvidas do que sente pela garota, assim como eu também sei que esse pingente te dará a resposta que você já sabe. Eu sei que ela é seu caminho certo e sei que mesmo que haja muitos atalhos em sua vida, um deles te levará novamente a ela."- disse Renée para Belle, que fechou a caixa com o colar lá dentro e abraçou a caixa contra seu peito, enquanto rezava para os deuses ou para as estrelas, para que mesmo que seu caminho fosse longo, ela ainda assim terminasse exatamente onde e com quem gostaria de estar.