Finalmente, era sábado de manhã e Rachel estava voltando para casa de sua viagem de trabalho. Os últimos dias tinham sido bastante tensos, em razão de uma transação milionária que estava sendo negociada pela joalheria com uma grande mineradora, e ela não via a hora de tomar um bom banho, dormir um pouco, e depois aproveitar o final de semana se divertindo com Finn no quarto secreto.

O rapaz tinha sido praticamente o seu único pensamento não relacionado aos negócios, nos últimos dias, o que era uma novidade. Ela havia sentido falta dele, como não era comum sentir de nenhum submisso, o que a incomodava um pouco. No entanto, ela não via mais escapatória daquela situação, na qual tinha se envolvido antes mesmo de convidá-lo a ser seu sub, uma vez que, desde que o conhecera, não se sentira mais estimulada sexualmente por ninguém e, por outro lado, bastava ter um pouco de tempo para si mesma que sua cabeça já formava as imagens mais indecentes dos dois juntos, e o seu corpo reagia, queimando de vontade.

Conforme seu carro ia se aproximando do edifício onde morava, Rachel se dava conta de que ter passado alguns dias afastada de Finn teve um efeito duplo. Se, por um lado, foi impossível não perceber o quanto estava ficando dependente dele, por outro, ela teve condições de planejar como seriam os próximos passos, quais seriam as atividades em que eles se envolveriam no final de semana.

Ter um esquema traçado a colocaria de volta no controle e ela tinha certeza de que, estando no controle, não correria riscos. Estava certa de que só tinha sentido coisas diferentes em seu último encontro com ele porque havia sido um encontro inesperado, sob circunstâncias com as quais ela não estava acostumada. Ela não sabia lidar com o fator surpresa e era por isso que ela tinha submissos. Se conseguisse fazer com que ele concordasse em ser seu brinquedinho novo, tudo entraria nos eixos e seria como sempre havia sido: muitas sensações, mas nenhum sentimento.

Estava totalmente confiante em relação a isso quando entrou no apartamento, mas um pouco dessa confiança toda se quebrou, logo que ela viu o objeto da sua cobiça sentado em um banco, frente ao balcão da cozinha, conversando com Brittany e Sam. Não esperava encontrá-lo usando calças jeans de corte e lavagem modernos, e camisa polo azul marinho com listras brancas e, muito menos, sem seus óculos de grau.

"Bom dia." Ela cumprimentou os três, sem muito entusiasmo, e eles responderam, um pouco mais simpáticos. Finn a ficou encarando, com um sorrisinho no rosto que, mesmo discreto, a deixava um pouco desconfortável. "Eu fico feliz que tenha vindo, Finn." Continuou, séria, disfarçando muito bem.

"Você pode me ajudar com uma caixa que está um pouco no alto, Sam?" Brittany chamou o segurança e motorista de Rachel, percebendo que a chefe de ambos provavelmente queria ficar a sós com seu novo "amigo". Era assim que os empregados dela se referiam aos submissos.

"Claro." Foi a resposta imediata de Sam, que seguiu a colega de trabalho até a despensa.

"Você tá diferente. Cadê seus óculos?"

"Eu t-to de lente... você não gosta?" Ele disse, apreensivo, mas não tanto quanto ele próprio pensava que deveria estar.

Parte dele receava que ela não gostasse da perda da imagem frágil que o óculos dava a ele, e acabasse prematuramente com o que eles estavam começando. Outra parte, no entanto, a estava desafiando, e querendo acabar com aquela delimitação tão clara de papéis entre eles, ainda que aos poucos. Ainda havia possivelmente uma outra que a estava desafiando para que, mesmo mantendo ele a posição de sub e ela a de dominadora, o jogo ficasse mais divertido, ela precisasse ser mais severa com ele, castigá-lo talvez.

"Eu ainda não sei se gosto. Talvez para alguns jogos nossos, as lentes sejam mais práticas que os óculos... mas eu acho que prefiro que os use, na maior parte do tempo, quando estiver comigo."

"Eu posso fa-fazer isso, se você fizer questão. Mas... você sa-sabe que os óculos não vão me de-deixar mais nem menos submisso a você, né?" Ele falou, se aproximando e colocando as mão na cintura dela.

"Eu vou pensar a respeito e te mantenho informado." Assegurou, em um tom que deveria ser reservado para negociações, combinando bem com o traje de executiva que ela ainda vestia. "Agora eu vou tomar um banho e descansar um pouco... e depois eu mando te chamar."

"Eu poderia tomar ba-banho com você." Sugeriu, sussurrando no ouvido dela, enquanto aproximava seus corpos ainda mais.

"Banho comigo?" Ela riu. "Só se fosse pra esfregar minhas costas." Debochou.

"Eu topo." Ele respondeu, firme, sem hesitar.

"Sério." Ela olhou nos olhos dele. "Sua vontade de me ver nua é assim tão grande?" Provocou.

"Eu não sei se você p-percebeu, mas, apesar de a gente já ter tra-transado várias vezes, eu nunca te vi c-completamente nua." Observou, deslizando as mãos pela lateral do corpo dela, coberto pela seda da camisa e pelo linho da saia.

"E não seria um desperdício que a primeira vez fosse em um simples banho?" Ele balançou a cabeça, em sinal negativo. "Você entende que, quando eu falo em esfregar as minhas costas em to falando sério, não é, Finn? Que você só vai poder me olhar e... usar uma esponja na parte que eu não alcanço do meu corpo, mas... não vai poder me tocar e vou ser eu mesma que vou ensaboar e enxaguar tudo." Rachel não tinha planejado aquilo, mas até que pensando bem não era má ideia fazê-lo. Esse tipo de jogo de manter o submisso apenas olhando e desejando, e tendo as suas expectativas frustradas, era um dos que ela mais gostava de jogar.

"Vamos?" Ele nem se deu ao trabalho de responder, segurando a mão dela, que o guiou até o banheiro do quarto secreto. Jamais levara um submisso a seu quarto e essa não seria a primeira vez.

Chegando ao banheiro, ela tirou os sapatos e pediu que ele tirasse os dele. Como ele não iria tomar banho e nem fazer nada com ela, além de ensaboar suas costas, ela informou que ele deveria ficar vestido. Esperou ter a atenção dele para começar a tirar sua própria roupa devagar, encarando-o. Abriu um a um os botões da camisa de seda branca, revelando um sutiã de lycra e renda igualmente branco, que cobria bem seus pequenos seios, e pequena parte de sua barriga lisinha. Desceu, pacientemente, o fecho éclair lateral da saia alta de linho em um tom de azul acinzentado, deixando o tecido deslizar por suas pernas e deu um passo para trás, se aproximando mais do box.

Colocou uma das mãos para trás, abrindo o fecho do sutiã, ao mesmo tempo em que usava o outro braço para manter a peça no lugar, e só a descartou quando já estava de costas para Finn e de frente para o chuveiro. Então tirou a calcinha que fazia conjunto com o sutiã e também a largou no chão, entrando no box, finalmente, ao mesmo tempo em que olhava por sobre um dos outros e perguntava ao atônito rapaz se ele iria ficar parado ou pretendia ajudá-la com seu banho.

A garota realmente tomou banho, com direito a diferentes sabonetes para as diferentes regiões do corpo, além de duas aplicações de shampoo e condicionador nos cabelos, mas também fez daqueles minutos uma super exibição de seu corpo para um Finn absolutamente encantado, que a observou do seu canto, longe da água, e participou, cobrindo de espuma as costas dela com uma esponja, quando lhe foi solicitado.

Nem ele entendia como conseguia desejar tanto uma mulher como desejava Rachel, e ao mesmo tempo ser capaz de resistir aos impulsos e de ignorar o membro duro e latejante, apertado dentro da calça, e a vontade de tomar o controle e fazê-la sua, só para entrar no jogo dela, só para garantir que ela estaria satisfeita com ele e ainda lhe daria a oportunidade de transar com ela outras vezes.

Os dois saíram do chuveiro e Rachel se secou e se envolveu em um toalha, enquanto Finn,que teve apenas os pés para secar, continuava observando seus movimentos. Ela o olhou, dando um sorriso malicioso, e pegou um hidratante, pronta a continuar a tortura. Colocou um dos pés sobre um banquinho, derramou pequena quantidade do creme em uma das mãos, e começou a distribuí-lo pela panturrilha, em um movimento ascendente, sem tirar os olhos de Finn, que a devorava com os dele.

"Você não quer que eu faça isso pra você?" Ousou perguntar. "Eu acho que po-poderia ser bem mais prazeroso."

"Você quer muito me tocar, não é?" Questionou, sabendo que não só a resposta era positiva, como ela também queria o mesmo. Não tinha planejado ficar com ele antes de dormir, mas a verdade é que seria bem relaxante, e até poderia ajudá-la a se desligar de vez das questões da empresa e pegar no sono com facilidade.

"Muito!" Ele engoliu seco, se aproximando e pegando a embalagem do creme. "M-mas também quero te servir... ser seu es-escravo, Srta. Berry."

"Vem comigo... e traz a loção." Ela chamou, com um semblante enigmático, e saiu do banheiro, indo para o quarto secreto. "Tira a camisa." Mandou, enquanto mexia na cômoda onde ficavam as algemas, camisinhas e, provavelmente, outros apetrechos que ele ainda não conhecia. Ele fez o que ela mandou, e então ela voltou com algo nas mãos. "Eu adoro a ideia de ter você como meu escravo." Ela afirmou, fazendo sinal para que ele chegasse mais perto, e então colocou no pescoço dele uma espécie de corda fechada com um cadeado.

"Uma coleira?" Ele perguntou, desconfortável, mexendo no acessório.

"Não... apesar de eu ter algumas e querer muito encomendar uma personalizada pra você." Revelou. "Isso não é uma coleira, é como um grilhão, mas não de aço... algo mais moderno e menos pesado. Machuca?" Preocupou-se com a expressão dele.

"Não. É um pouco... hu-hu-humilhante."

"Bebê." Falou, com doçura, passando a mão pelo peito forte dele. "Um pouco de humilhação faz parte da submissão. Foi você mesmo quem acabou de falar em ser meu escravo, hum?" Olhou-o com olhar sedutor, hipnotizante. "Agora, que tal você passar o hidratante em mim, como um bom servo?"

Os dois foram para a cama, onde ele tinha deixado o hidratante, e ela se deitou, colocando os pés no colo dele, que começou a passar o creme, fazendo uma gostosa massagem, e subindo pela panturrilha até as coxas. Ele abriu a toalha em que ela estava enrolada, expondo seu corpo, e traçou uma linha com o hidratante em seu abdômen, espalhando a substância, em seguida, com dedos habilidosos. Hidratou também os seios, deixando os polegares passarem pelo mamilos dela, como acidentalmente, tão de leve que ela quase protestou por mais.

Os braços também foram cobertos por uma fina camada de creme e ele a fez virar-se, para dar o mesmo tratamento a toda a parte de trás do corpo dela, e, no final, deteve-se especialmente nas costas, fazendo uma massagem quase profissional na região e retirando toda e qualquer tensão que ainda pudesse residir ali.

"Onde você aprendeu isso, Sr. Hudson? Você é cheio de surpresas, não é mesmo?" Disse, um pouco aborrecida. Era difícil demais manter o controle com um homem como ele, o que ela nunca poderia ter imaginado.

"Eu aprendi a fazer automa-massagem e fazer nos outros não é muito diferente. Era ne-necessários durante as competições." Afirmou. "Eu fiz parte da equipe de n-natação da faculdade." Acrescentou, acreditando que ela deveria estar querendo saber de que competições ele estava falando.

"Eu não disse que é cheio de surpresas!" Falou, ao mesmo tempo em que pensava que a natação explicava, afinal, os ombros largos, os músculos torneados, o fôlego, a forma física perfeita dele. "Você ainda nada?" Perguntou no automático, querendo se estapear com força por querer sempre saber mais do que era necessário e seguro sobre o homem que deveria ser só mais um submisso.

"Uhum." Ele respondeu, ainda dando atenção aos nós nos ombros dela. "Eu adoro nadar... eu vou pelo menos três dias por semana ao clube."

O silêncio se instalou entre eles e começou a ser quebrado apenas por gemidos de satisfação dados por Rachel, a medida que Finn ia tocando o corpo dela com menos técnica e mais malícia. Então ele foi se deitando sobre ela e beijando seu pescoço e costas, até ela se virar para ele, finalmente, querendo um pouco mais de ação. Os dedos dele nos mamilos dele agora não eram mais sutis e sua boca provavelmente estava deixando marcas em seu ombro. Depois, caminhando pelo pescoço e maxilar com os lábios e a língua, ele quase a pegou distraída e beijou seus lábios, mas ela conseguiu colocar uma das mãos entre seus rostos a tempo.

Se tinha uma coisa que Rachel tinha aprendido, logo que se tornara dominadora, era que doms e subs não podem trocar carinhos afetuosos como beijos na boca. Esse fora um conselho que ela recebera não de uma, mas de praticamente todas as dominadoras mais experientes com quem tinha conversado, ao se juntar ao clube. Se beijos eram perigosos com subs já acostumados aos jogos e Finn era uma armadilha na qual ela, no fundo, sabia estar caindo, mesmo sem os beijos, juntar as duas coisas era matar a dominadora e, consequentemente, acabar com a sensação de equilíbrio que ela, com muita dificuldade, tinha conseguido estabelecer.

Os dois continuaram se explorando fisicamente, até que ela mandou que ele tirasse a calça jeans e buscasse um preservativo na cômoda, e os dois fizeram sexo pela primeira vez naquele sábado.

Foi só a primeira de várias! Depois de dormir um pouco em seu próprio quarto, Rachel pediu que Brittany mandasse Finn se encontrar com ela no quarto secreto novamente, e os dois exploraram algemas, lenços de seda, vendas, sabores, sons. Fizeram isso até estarem exaustos de novo, e a Srta. Berry informar que precisava dormir.

"Por que a gente não dorme aqui?" Finn perguntou, inocente.

"Aqui?" Ela riu. "Finn, isso aqui não é um quarto pra dormir, bebê. Isso é um lugar feito pro sexo."

"E se a gente dormisse no qua-quarto de hóspedes, então? Eu poderia te acordar de manhã..." Falou, no ouvido dela, esfregando o nariz em seus cabelos, e ela teve que respirar fundo para interrompe-lo e acabar com seus devaneios quase pueris. Dormir com um sub era talvez algo ainda pior do que beijá-lo.

"Finn, a gente não vai dormir juntos." Assegurou, séria. "Nós não somos namorados. Nós estamos experimentando uma relação de dominação e submissão, onde não existe esse tipo de coisa."

"Então, eu n-nunca vou poder te beijar? Eu nunca vo-vou poder dormir com você?"

"Não, Finn. Não vai." Enquanto se levantava, ela o observou jogar a cabeça para trás, afundando-a no travesseiro. "É desse jeito que a gente vai se relacionar, bebê... ou de nenhum. Foi por isso que eu quis que viesse... para experimentar mais e poder me responder, sem nenhuma dúvida. É melhor que você vá para o seu quarto e descanse, porque amanhã teremos mais um dia cheio e... eu também gostaria de ter uma resposta sua." Ele balançou a cabeça, concordando. "Boa noite, Finn." Disse, saindo.

"Boa noite, Srta. Berry." Falou mais para si mesmo, enfatizando o nome, irritado.

Atirada uma medalha, sempre pode se mostrar o seu reverso, e este era, depois de toda a satisfação que ele tinha sentido naquele dia, a frustração enorme que ele estava sentindo agora.