Capítulo VII
As paredes do quarto de Rony estavam inacabadas. Um fio elétrico pendia de um lado ao outro, e não havia cortinas na janela. Ele retirara as portas do armário e levara-as para a marcenaria, para consertar.
O assoalho era de carvalho, muito bonito, mas com o verniz já gasto. Fazia tempo que Rony pretendia reformá-lo.
A cama fora comprada em um impulso. A cabeceira de ferro batido o encantara, mas ainda precisava comprar lençóis, e, no momento, apenas um velho cobertor a forrava.
Não era um ambiente apropriado para Hermione, pensou. Tentou vê-lo sob o ponto de vista dela, e murmurou:
— Sei que não é muito agradável...
— É só outra reforma que vai fazer. — Hermione olhou em volta, tentando acalmar-se. — É lindo. — Deslizou os dedos pela moldura de madeira da janela, que ele lixara. — Tem potencial, e sabe que entendo dessas coisas. — Voltou-se para encará-lo.
— Pretendo terminar o quarto de Hugo primeiro. Depois cuidarei da sala de estar. Só uso este quarto para dormir — disse Rony, abrangendo o aposento com os braços estendidos, como se pedisse desculpas. — Até agora...
Ao ouvir as últimas palavras, Hermione sentiu um frêmito percorrer-lhe o corpo. Era a primeira mulher que ele levava a seu quarto. Caminhou até ele, sentindo o sangue latejar nos pulsos.
— Vai ficar maravilhoso. Pretende usar a lareira aqui?
— Já uso. É uma boa fonte de calor. Pensei em colocar calefação...
O que estava dizendo? Falando de coisas triviais quando tinha uma bela mulher à sua frente, pensou.
— Calefação não será tão charmoso quanto a lareira — disse Hermione, começando a desabotoar-lhe a camisa.
— Não. Quer que acenda o fogo?
— Mais tarde. Sim, depois será agradável. Mas neste momento, acho que poderemos desencadear uma onda de calor como jamais se viu.
Rony sentiu uma intensa excitação e segurou-lhe os pulsos.
— Hermione, se minha atuação não for perfeita...— Apontou para o curativo na mão.
Estava nervoso também, observou Hermione consigo mesma. Bom. Assim ficavam empatados.
— Aposto que um homem que trabalha tão bem com as mãos consegue abaixar um zíper, mesmo machucado. — Virou-se de costas para ele, e ergueu os cabelos. — Quer experimentar?
— Sim. Por que não?
Rony baixou lentamente o zíper do vestido, expondo a pele dourada, centímetro por centímetro. A curva do pescoço e os ombros macios o encantaram. Beijou-a naquele ponto. Quando sentiu que Hermione estremecia, continuou a beijá-las nas costas, seguindo a espinha dorsal.
Quando ficaram frente a frente, olhos nos olhos, respiravam com dificuldade. Beijaram-se com desejo e paixão, e Rony acariciou-lhe os longos cabelos, passando os dedos pelos ombros e as costas de Hermione, devagar, como se estives se saboreando algo maravilhoso, que exigisse concentração e respeito.
Ela esperara uma explosão violenta, como a que ocorrera na cozinha dos pais, e tanta delicadeza a pegou desprevenida.
— Pode falar — sussurrou Rony junto ao seu ouvido —, se eu fizer algo de que não goste.
Hermione inclinou a cabeça para trás, convidando-o a beijá-la, e murmurou:
— Não creio que haverá problemas.
As mãos fortes subiram para os ombros ainda recobertos pelo vestido.
— Ficava imaginado como seria tocá-la assim, e isso me deixava louco...
— Também está fazendo um excelente trabalho para me deixar louca — disse Hermione, afastando a camisa de flanela e acariciando o tórax musculoso.
Rony deu um passo atrás. Fazia muito tempo que não ficava com uma linda mulher e não pretendia apressar-se. Beijou-lhe a palma das mãos e os dedos, sentindo o pulso acelerado.
— Deixe-me fazer isso — disse, tirando o vestido que deslizou para o chão.
Hermione era magra e delicada, não demonstrando a rigidez dos músculos que possuía. As curvas do corpo dourado eram sutis, e tinha uma elegância de formas que o deixa ram enlouquecido de desejo.
Como se desejasse memorizar seu corpo, deslizou a mão sobre o sutiã rendado, fazendo os mamilos enrijecerem e deixando-a zonza de emoção. Continuando a despertar-lhe sensações novas, deslizou as mãos até os quadris e as coxas macias.
— Adoro suas pernas — falou.
— Mas não meus pés. Bailarinas têm pés feios.
— Fortes — corrigiu ele. — E muito sensuais. Talvez depois possa me mostrar mais alguns passos de dança, como mostrou a Rod no outro dia. Fiquei sem fôlego, sabia?
Hermione riu e acabou de tirar-lhe a camisa que também caiu no chão, com um ruído abafado.
— Claro. Sei fazer coisas muito interessantes.
Rony ergueu-a nos braços e a pôs na cama. Beijaram-se de modo lento, os corpos excitados e quentes, e ela o abraçou.
Rony era o homem que desejava abraçar para sempre, concluiu. O amor a possuía de modo tranqüilo e poderoso, e pretendia que nunca terminasse.
A boca possessiva beijou a renda do sutiã, fazendo-a gemer de prazer, enquanto o sentia afastar o tecido e beijar o seio túmido.
O ritmo foi se modificando, tornando-se mais forte e sensual. O perfume e a maciez de Hermione o inebriavam, des pertando nele sensações há muito esquecidas. Sentia-se intoxicado e feliz. Ela parecia uma menina, delicada, com as longas pernas enlaçando-o, e muito sexy.
As carícias continuaram, até que ele a despiu por completo. Beijou a pele quente, sorvendo seu perfume de modo sôfrego.
Os movimentos ficavam cada vez mais rápidos e intensos, e Hermione o acompanhou, rolando sobre a colcha com ele, e apertando os braços fortes.
Com um gesto impaciente, tirou-lhe o jeans, murmurando:
— Adoro seu corpo. Está me deixando louca... Quero mais...
Hermione esqueceu do mundo ao redor, só sentindo o prazer que as mãos e os lábios de Rony lhe proporcionavam. Ele a beijava da cabeça aos pés, até que a penetrou, de modo vigo roso e imprevisto, deixando-a trêmula e cheia de desejo.
Rony gemeu, ficando imóvel por um momento, e de pois começando a mover-se, fazendo-a acompanhá-lo, entrelaçados, os corações batendo em uníssono.
E quando o clímax sensual os alcançou, beijou-lhe os lábios, selando o momento de total felicidade.
Hermione permaneceu nos braços dele, os olhos fechados, aproveitando a sensação do corpo másculo e cansado sobre o seu. O coração de Rony continuava disparado, o que a encantou.
Fora maravilhoso, e a experiência mostrara que combi navam também na cama, concluiu, satisfeita. Era maravi lhoso estar apaixonada de verdade. Uma sensação diferen te e única, pensou, feliz.
Suspirou, contente, e prometeu a si mesma pensar bas tante no que acontecera e sobre as conseqüências que vi riam. Entretanto, no momento, pretendia apenas viver a felicidade.
Ninguém jamais a fizera sentir-se assim, concluiu. Era o destino, sem dúvida. Rony era seu, sentira isso assim que o vira pela primeira vez. E pretendia conservá-lo ao seu lado, decidiu, acariciando-o.
— Para um homem que disse estar fora de prática, conseguiu a nota máxima.
Rony tentava raciocinar direito, mas era difícil. Deixou escapar um gemido, e essa reação pareceu agradar Hermione. Ela riu e enlaçou-o nos braços.
Rony virou o rosto e enterrou-o nos cabelos longos e castanhos, adorando a sensação de aconchego.
— Quer que eu saia de cima de você? — perguntou com voz abafada.
— Não.
— Ótimo. Dê-me uma cotovelada se eu começar a roncar.
— Weasley!
— Estou brincando. — Ele ergueu-se em um dos cotovelos, os olhos azuis brilhando de contentamento. — É muito bom olhar para você.
— Penso o mesmo a seu respeito.
Hermione ergueu a mão e acariciou-lhe os cabelos, pensando que era o vermelho perfeito, tão maravilhosa quanto o homem que os possuía.
— Sabe, desejei ir para a cama com você assim que o conheci. — Mordiscou o queixo de Rony. — Foi interesse à primeira vista, algo incomum para mim.
— Tive a mesma reação. Você fez ressurgir emoções que eu julgava enterradas há muito tempo. Levou-me às nuvens.
— Sei disso. — Hermione riu de leve. — Gosto do modo como fica sem graça, sem saber o que fazer com as mãos. E muito sexy e... desafiador.
- Bem, chegou aonde queria. — Beijou-a. — E agradeço por isso.
— O prazer foi meu.
— Então, já que estamos aqui... — Rony beijou-a no pescoço.
Hermione interrompeu a própria risada com um gemido de prazer, ao sentir que ele a acariciava com paixão.
— Espero que não se importe — murmurou Rony com voz rouca. — Tenho muito tempo perdido a recuperar...
— Fique à vontade...
Rony logo descobriu que não era fácil ter um relacionamento quando se tinha um filho. Na verdade nada mudara, mas era preciso muito malabarismo para satisfazer as demandas de pai e de amante.
Sentia-se feliz por ver que Hermione gostava de Hugo e não ficava aborrecida com o menino por perto. E claro que isso era imprescindível, pensou Rony. Não poderia manter um envolvimento se ela não apreciasse Hugo.
Estava tendo o primeiro caso amoroso na vida, concluiu. Com Connie, as coisas tinham sido diferentes. Jovens de vinte anos não tinham envolvimentos, e sim romances. E precisava lembrar-se de que a situação com Hermione não era romântica.
Gostavam um do outro. Nenhum dos dois se comprometera além das demonstrações de afeto e desejo sexual. E isso era o melhor que podia acontecer, concluiu.
Ele era, em primeiro lugar, pai. Não conseguia imaginar uma jovem mulher de carreira querendo passar a vida com um homem e seu filho de seis anos, quando haveria tantas opções à sua frente.
De qualquer modo, um homem adulto podia dar-se ao luxo de ter um relacionamento com uma mulher compatível sem pensar em compromissos eternos. Todos estavam felizes desse jeito.
Rony deu um passo atrás, mergulhado nos próprios pensamentos, e examinou o remate que acabara de fazer na porta do escritório de Hermione. Era elegante, e digno da dona.
Imaginou onde ela estaria, o que estava fazendo, e se poderiam encontrar-se por uma hora, antes de ele voltar para casa e ajudar Hugo a fazer o cartaz de dinossauros para a escola.
Sexo, carpintaria e escola primária, pensou, sorrindo, en quanto começava a trabalhar na janela. Um homem nunca sabe o que vai acontecer na sua vida, pensou.
Hermione examinou a mandíbula aterrorizadora do predador de plástico.
— Hugo vai adorar este.
— Quem escolhe dinossauros para presentear nunca falha. — Annie arrumou alguns brinquedos na prateleira por força do hábito e olhou para Hermione. — Hugo Weasley é uma criança adorável. E o pai não fica atrás.
Hermione sorriu, compreendendo a curiosidade da ajudante de sua mãe.
- Tem razão, Annie, ambos são lindos, e ainda estou saindo com Rony.
- Eu não disse nada. Meus lábios estão selados. Jamais faço fofocas.
- Não, apenas especula — redargüiu Hermione de bom humor, pondo o dinossauro debaixo do braço. — É por isso que eu amo você. Bem, vou me despedir de mamãe antes de ir embora.
— Quer que embrulhe a fera?
— Não. Se embrulhar vai virar um presente. Assim como está poderei apresentar como uma ferramenta para seu projeto da escola.
— Você sempre foi esperta, Hermione.
O suficiente para saber o que queria e como obter, concluiu Hermione para si mesma. Já haviam transcorrido duas semanas desde que fizera amor com Rony pela primeira vez. Desde então, aconteceram breves encontros, aqui e ali.
Desejava mais do que isso, decidiu.
Os encontros que tiveram incluíram levar Hugo ao cinema, jantar juntos os três e travar uma grande batalha de neve no sábado anterior.
Hermione queria muito mais, também em relação a Hugo.
Bateu na porta do escritório de Natasha e enfiou a cabeça pelo vão. A mãe estava à mesa, falando ao telefone. Fez um gesto indicando a Hermione que podia entrar.
- Sim, obrigada. Vou esperar a entrega para a próxima semana.
Digitou alguma coisa no computador e desligou com um suspiro.
— Preciso de uma xícara de chá e conversar sobre algo que não envolva bonecas.
— Fico feliz em ajudar. Vou fazer o chá — disse Hermione, apoiando o dinossauro na mesa.
Natasha olhou para o brinquedo e depois para a filha.
— É para Hugo?
— Sim. Para um trabalho da escola. Achei que isso lhe dará mais pontos, além de ser divertido.
— Ele é uma graça de menino.
— Sim, também acho. — Hermione pôs água fervendo nas xícaras. — Rony fez um bom trabalho como pai, embora a personalidade do garoto ajude muito.
— Concordo. Mas não é fácil educar sozinho uma criança.
— Não pretendo que Rony continue só por muito tempo — redargüiu Hermione, apoiando as xícaras na mesa. — Eu o amo, mamãe, e vou me casar com ele.
— Oh, querida! — Natasha começou a chorar, levantando e dando um abraço na filha. — Que maravilha! Estou tão feliz! Todos estamos! Minha caçula vai casar! — Incli nou-se para beijar Hermione no rosto. — Será a noiva mais linda! Já marcaram a data? Temos tanta coisa para planejar... Espere até contarmos ao seu pai...
— Um momento, mamãe. — Rindo, Hermione deixou de lado o chá e segurou a mão de Natasha. — Rony ainda não me pediu em casamento.
— Mas...
— Estou certa de que um homem tradicional como ele deseja formalizar o relacionamento. Tudo que tenho a fazer é dar um ligeiro empurrão para o próximo estágio, de modo que me peça em casamento.
A preocupação substituiu o entusiasmo no rosto de Natasha, que voltou a sentar-se.
— Hermione, Rony não é um projeto em andamento.
- Não quis dizer isso ao pé da letra, mãe. Mas os relacionamentos têm estágios, não têm? Eles vão evoluindo, e as duas partes se esforçam para ir passando de uma fase para a outra.
— Querida — começou Natasha, erguendo-se e sentando na beira da mesa —, eu sempre admirei a sua lógica. É uma moça prática e determinada quando decide o que quer. Mas amor, casamento e família... essas coisas nem sempre caminham ao lado do racional. Na verdade, poucas vezes isso acontece.
- Mamãe, eu amo Rony — retrucou Hermione com simplicidade, fazendo as lágrimas voltarem aos olhos de Natasha.
— Sim, sei disso. Já percebi. Pode acreditar, se você o quer, estou torcendo para que tudo dê certo. Porém...
- Quero ser a mãe de Hugo — cortou Hermione com determinação na voz. — Nunca pensei que desejaria tanto uma coisa assim. A princípio, foi apenas um menino encantador, como você mesma disse. Gostei dele, como gosto de todas as crianças. Mas passei a amá-lo de todo coração. Adoro aquele garotinho, como se fosse da minha família!
Natasha segurou o dinossauro e sorriu.
— Sei o que é amar uma criança que não nasceu de seu ventre. Um filho que entra na sua vida já criado e faz uma diferença enorme. Quando me casei com seu pai ele Já tinha Freddie, e eu a amo tanto quanto a você e Harry. Não duvido que você ame Hugo como se fosse seu próprio filho.
— Então, por que está preocupada?
- Porque é minha filha — respondeu Natasha, deixando o brinquedo de lado. — Não quero que seja magoada. Está pronta a abrir seu coração e sua vida, mas isso não significa que Rony também esteja.
— Ele gosta de mim — disse Hermione, em tom de certeza, mas demonstrando uma ponta de hesitação. — É apenas cauteloso.
— É um bom homem e não duvido um só segundo que queira bem a você. Mas será que ele a ama?
— Não sei — replicou Hermione, frustrada. —talvez nem ele mesmo saiba. É por isso que tento ser paciente e prática. Porém devo confessar que estou sofrendo.
Natasha tomou a filha nos braços e acarinhou-a como a um bebê.
— Querida, o amor não é uma obrigação.
— Posso esperar... um pouco — replicou Hermione soltando uma risada. — Vou fazer com que dê certo. — Fechou os olhos com força. — Tem que dar certo!
Foi difícil não ceder à tentação de ir visitar a obra. Ela queria ver Rony. Tentou distrair-se e passou a tarde dando e recebendo telefonemas a respeito do anúncio que mandara publicar sobre a escola de bale.
A Escola de Dança Granger seria inaugurada em abril, e já tinha seis alunas em potencial. Haveria uma entrevista com o jornal local na semana seguinte. Isso,Hermione tinha certeza, geraria mais interesse e mais alunas.
Dentro de algumas semanas, pensou, estacionando junto à picape de Rony, em frente à casa dele, uma nova fase começaria em sua vida profissional. E não pretendia deixar o lado pessoal para trás, concluiu.
Rony veio abrir a porta descalço e com a mão suja de lápis de cera, e o fato de Hermione achar isso adorável e sexy demonstrava o quanto estava apaixonada.
— Olá. Desculpe vir sem avisar, mas tenho uma coisa para Hugo.
— Tudo bem — replicou Rony, limpando as manchas de lápis nas mãos. — Estamos no meio... Venha para a cozinha que mostro. Mas aviso que está uma bagunça,
— Trabalhos de escola são sempre assim.
Rony ficou surpreso ao ver que Hermione se lembrava que Hugo tinha um trabalho de escola. Será que falara demais a respeito? Não se lembrava, achava que apenas mencionara o dever de casa.
Hermione entrou na cozinha primeiro e relanceou o olhar em volta.
Hugo estava ajoelhado em uma cadeira junto à mesa, inclinado sobre uma grande folha de cartolina e preenchendo com lápis de cera o contorno de um bicho que parecia um porco... segundo o conceito de Salvador Dali ou Picasso. Vários livros estavam abertos sobre a mesa, mostrando figuras de dinossauros, além de outras tiradas do computador. Havia também uma série de pequenos bonecos de plástico e de borracha, e uma infinidade multicolorida de lápis e canetas.
Um par de botas de trabalho e outro de tênis infantis estavam jogados a um canto.
Uma jarra com um líquido vermelho-vivo estava sobre o balcão, e o mesmo tom borrava os lábios de Hugo, o que fez Hermione concluir que não se tratava de tinta, mas de suco.
O menino ergueu o olhar, e saudou:
— Olá, Hermione. Estou fazendo dinossauros.
— Já percebi. E de que tipo?
— É um... sauro não sei o quê. Está aqui no livro. Viu? Eu e o papai não desenhamos muito bem.
— Mas o colorido está ótimo — replicou ela, admirando a cabeça verde do desenho.
— Preciso pintar dentro das linhas, senão vai borrar.— Hermione apoiou o queixo no alto da cabeça de Hugo e analisou o cartaz.
O menino intitulara o tema de Parada dos Dinossauros, e as bestas seguiam em uma espécie de procissão, como se dançassem.
— Está fazendo um trabalho tão bem-feito que nem sei se vai precisar da ferramenta que eu trouxe.
— É um martelo?
— Não — respondeu Hermione, enfiando a mão na sacola que trouxera e retirando o brinquedo. — É um predador mortal.
— É um tiranossauro! Olhe, papai! Esse come todo mundo!
— Assustador — concordou Rony, pousando a mão no ombro do filho.
— Posso levá-lo para a escola? Olhe! Mexe os braços, as pernas e a cabeça! A boca também abre! Posso? E aqui está um livrinho.
— Um manual que explica onde, como e quando viveu, e como comia tudo que encontrava pela frente — apressou-se Hermione a dizer.
— Ótimo. Não vai agradecer?
— Obrigado, Hermione. É demais!
— De nada. Que tal me dar um beijo?— Hugo riu e cobriu o rosto com as mãos.
— Não...
— Então vou beijar seu pai.
Assim dizendo, voltou-se para Rony antes que tivesse tempo de reagir e beijou-o na boca com firmeza.
Rony evitava beijá-la ou tocá-la sempre que o menino estava por perto, e isso, pensou Hermione, precisava acabar. Assim raciocinando, enlaçou-o pela cintura -
— Uma moça precisa beijar um rapaz quando o outro a rejeita — provocou Hermione, afastando-se de Rony que estava vermelho como um camarão. — Terminei minha missão e vou embora.
— Não quer ficar? Pode ajudar a pintar o dinossauro. Vamos comer hambúrguer.
— Por mais que me sinta tentada a aceitar, não posso, Hugo. Tenho um compromisso na cidade. — Era verdade, mas, de qualquer modo, pensou Hermione, uma visita rápida teria mais efeito. — Talvez neste fim de semana, se não estiverem ocupados, possamos ir ao cinema.
— Certo! — concordou Hugo.
— Vejo você amanhã, Rony. Não precisa me acompanhar. Volte aos dinossauros.
— Obrigado pela visita — retrucou ele, sem dizer mais nada, nem mesmo acompanhando-a à porta.
— Pai? — chamou Hugo, depois que ela saiu.
— Sim?
— Você gosta de beijar Hermione?
— Sim. Quero dizer... — Rony concluiu que os acontecimentos se precipitavam, o que era inevitável. Hugo começava a observar seu relacionamento com Hermione. — E difícil explicar, mas quando você crescer... A maioria dos rapazes gosta de beijar garotas.
— Só as bonitas?
— Não. As de quem se gosta.
— E nós gostamos de Hermione, não é?
— Claro.
Rony respirou fundo, aliviado por ver que a conversa não enveredara para uma aula de educação sexual. Ainda era cedo, pensou.
— Papai?
— Sim?
— Você vai se casar com Hermione?
O choque foi tão grande como se Hugo o tivesse derrubado da cadeira.
— De onde tirou essa idéia, filho?
— Porque você gosta dela e não tem esposa. Às vezes o pai e a mãe de Rod se beijam na cozinha também.
— As pessoas... beijam-se sem precisar casar. Casamento é algo muito sério. É preciso conhecer a outra pessoa muito bem.
— Você conhece Hermione bem.
Rony sentiu um filete de suor escorrendo pelas costas.
— Sem dúvida! Mas também conheço outras pessoas de quem gosto, Hugo, e não pretendo me casar com elas. É necessário amar para casar.
Sentindo-se encurralado, deixou a mesa e foi pegar dois copos no armário.
— Você não ama Hermione, papai?
Rony abriu e fechou a boca, sem saber o que responder. A verdade era que não sabia. Nada era definido quando se tratava de Hermione Granger.
— É complicado, Hugo...
— Como assim?
Rony concluiu que teria sido mais fácil falar sobre sexo. Pôs os copos sobre a mesa e voltou a sentar-se.
— Eu amava sua mãe. Sabe disso, não?
— Sim, mamãe era bonita, e você tomou conta de nós dois até que ela foi para o céu. Gostaria que não tivesse ido.
— Sei disso. Eu também. E a questão é que, como sua mãe precisou partir, fiquei muito feliz por ter você e amá-lo. Deu muito certo, não acha?
— Sim. Somos uma dupla, não é, papai?
— Claro! — Rony estendeu a mão, que o menino apertou. — Agora vamos ver o que esta dupla faz com os dinossauros.
— Está bem. — Hugo pegou um lápis de cera. Gostava de formar uma dupla com o pai, mas gostava de fazer de conta que eram um trio... com Hermione.
Bom eu viajei e fiquei sem internet por 8 dias e por isso não postei essa a demora
Pretendo postar 2 vezes por semana então essa semana tem mais um (só não sei quando)
Já disse que sou apaixonada pelo Hugo... Pois é.
Adoro os comentários de todos, me deixam muito felizes, obrigado!
