Nem Quente Nem Frio

cap 07 – O frio coração dos Quentes

Leah correu o mais rápido que pode, inquieta com o silêncio em sua mente. Nem Jake nem Seth estavam transformados e ela levava consigo toda inquietação que podia. Tudo que acontecera na praia, a notícia do casamento de Sam, tudo parecia distante e sem importância nesse momento. A beta poderia dizer que sentia seu coração bater na ponta das patas em contato com o chão frio e conhecido da terra dos Cullen. Quando chegou próximo o suficiente para Edward á ouvir, parou e uivou para o alto com urgência.

Hey Edward, chama o Jake e vem, sugador de sangue. Jasper encontrou alguma coisa... – seus pensamentos estavam inquietos, não sabia se ele estava ouvindo, mas se sentia muito idiota de qualquer formar. – Ele está chamando vocês... vem!- havia urgência em seu pensamento e sem esperar por qualquer confirmação se ele havia ouvido ela disparou de volta a fronteira Quileut para encontrar Jasper.

Não era difícil sentir o cheiro do vampiro espalhado pelas folhas. O rastro era forte e claro, cada vez mais a garota se aproximava da fronteira e nem sinal de o que quer que tenha chamado a atenção dele. Ela começou a diminuir a velocidade, o silêncio era ensurdecedor. Não aqueles silêncios que são só a ausência de ruídos, mas aqueles que são a sucessão a catástrofes. O silêncio incomodo e maldito daqueles momentos em que se quer, se precisa ouvir qualquer barulho que seja.

Ela deixou as patas se arrastarem com cautela seguindo a trilha em silêncio. Porque não ouvia nada? Emitiu um leve grunhido ao chegar a fronteira Quileut. O rastro de Jasper continuava entrando nas terras de La Push. Parou. O que podia ter feito o vampiro cruzar a fronteira? Ela nem teve tempo de raciocinar quando ouviu um uivo de lobo, não muito longe. Paul? Quil? Um segundo uivo muito mais raivoso se seguiu em resposta ao primeiro, esse ela não teve nenhuma dificuldade em reconhecer.

Sam.

Ela mais uma vez disparou pela florestas, agora fora da terra dos vampiros, ainda buscando por uma explicação para um Cullen quebrar o acordo e invadir as terras para além da fronteira.

Não precisou pensar muito.

Logo ao atravessar uma pequena clareira ela ouviu o choro. E numa área um pouco mais sombria da floresta, já a uma boa distancia da praia ela os encontrou, guiada pelo choro baixo da moça.

Parou.

Emily estava deitada no chão chorando. Pouca roupa cobria seu corpo e varias arranhões e machucados estavam visíveis, ela tremia. A pouco mais de um metro e meio estavam os dois causadores de seu medo, dois homens, viajantes, que viram na nativa perdida na floresta objeto perfeito para saciar seu prazer. Ninguém ouviria, não a deixariam gritar. Ninguém saberia. Porém muito além de prazer, encontraram ali a morte.

O vampiro estava curvado sobre um deles, saciando a própria sede de sangue humano. Bebia com certa calma, como qualquer animal toma água a um rio, alheio ao terror que inspirava a garota chorando no chão a um metro dele e sem coragem de se mover. Alheio também ao olhar de Leah, tão surpreso e que mesclava tantas emoções ao mesmo tempo, que não se pode explicar em simples palavras escritas. Ou mesmo palavras ditas. Como se explicar o que se sente ao ver um vampiro se alimentar de sangue humano a poucos metros de você? Por falta de palavra melhor, Leah diria que era 'surreal'.

Num salto, a floresta se encheu de barulhos e latidos quando sete lobos chegaram ao local, se pondo em frente ao vampiro que ainda tinha um dos corpos nas mão, as presas cravadas na garganta da vítima bebendo sua vida por ali.

Sam e os outros se colocaram frente ao sugador de sangue, Embril sentiu o coração parar por alguns segundos quando se deparou com a cena. Pode ouvir os palavrões na mente de Paul, a raiva na mente de Sam, e todos os outros pensamentos horrorizados dos outros lobos. Quil parecia nem pensar.

Jasper soltou o corpo devagar, virando-se para encarar Sam, a frente do bando. Embril quase não o reconheceu. Não podia ser um Cullen! O cheiro de sangue tomava a clareira, o vampiros loiro tinha as mão e a roupa ensangüentadas, de seus lábios escorria a prova de que vampiros serão sempre vampiros, nada além disso.

Jasper...

O pensamento de Quil era o único que não parecia hostil ou penalizado, Embry sabia que era um pensamento triste. Só isso. Jasper indiretamente os comandara na batalha contra os recém-nascidos, Jacob sempre falava nele... Quil e Embry acabaram por se acostumar a ver os Cullen como um pouco como o Jake via. Como mocinhos, não vilões. E agora dois homens haviam sido mortos.

- Sam... – Emily falou em meio ao choro – socorro... Sam... me ajuda...

Ela se arrastou se afastando do sugador de sangue o máximo que podia, o terror tomando conta de seu corpo.

- Me ajuda Sam – choramingou se arrastando para perto das patas do lobo enorme na frente do grupo, este mantinha os olhos na criatura sobre os corpos – Me ajuda Sam... o sugador de sangue...

Ela apontou, a mão rocha e ensangüentada, em direção ao Frio que permanecia na defensiva, os olhos escuros atentos e hostis. Os lobos se enraiveceram ao ver o apelo de Emily.

O bando se espalhou, fazendo um círculo ao redor do bebedor de sangue. Ele era forte e eles sabiam bem o quanto, mas eles eram sete lobos. Sete. Nenhum vampiro poderia parar sete lobos, pensou Embry. Ele não podia fazer muito. Lutaria, com certeza, mas não ganharia. Paul avançou um pouco, o Frio loiro emitiu um rugido raivoso e mudou de posição, também se preparando para atacar. Parecia selvagem. Monstruoso e selvagem como um recém nascido.

Sam deu um passo a frente, se transformando ao mesmo tempo que se agachava ao lado de Emily. Sua mão roçou o rosto dela com suavidade, lágrimas brilhando nos olhos do alfa. A garota se aconchegou nos braços do homem que amava, deixando todos os medos para traz.

O alfa a afastou com carinho e se ergueu, imponente diante do vampiro encolhido próximo ao chão, na defensiva. A olhos escuros da criatura da noite estavam insanos, era impossível dizer se havia consciência humana nele ou puro instinto animal. Quando Sam falou, seu tom de alfa pôde ser reconhecido. Altivo, imperativo, poderoso. Líder.

- Você quebrou as regras – sua voz era alta e clara, o vampiro não deu sinal de ter entendido ou não, continuou quieto na defensiva – O acordo acaba aqui.

Cinco lobos raivosos avançaram sobre o loiro naquele momento. Sam olhou do alto de sua arrogância seu bando atacar, enquanto Embry pouco atrás do alfa, hesitou. O sugador de sangue tentou resistir inutilmente a cinco ataques simultâneos, lutando como sempre o fizera, sentindo no próprio coração a fúria e a confiança que os lobos sentiam.

Num instante, Paul cravou os dentes na dura pele do pescoço do Frio, no instante seguinte sentiu seu próprio pescoço ser perfurado por presas afiadas. O jogo se inverteu. Em questão de segundos aqueles que atacavam, passaram a ser atacados e se afastaram admirados. O vampiro não lutava mais sozinho.

- Leah?! – a voz de Sam estava indignada.

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N.A.: Agradeço a todos que leram e em especial aos que comentaram.

próximo capítulo: O quente coração dos Frios