CAPÍTULO SEIS

— Oi, Isabella! — Ele deu um sorriso forçado, quando ela se aproximou. A rua inteira havia comparecido para assistir ao leilão, e Isabella havia desviado sua caminhada na praia na quele dia para dar uma olhada, era o que as pessoas em Melbourne faziam em uma tarde ensolarada de sábado, quando uma casa ia ser leiloada.

— Oi. — Ela foi educada, e disse olá e então passou por ele, mas Edward a interceptou.

— Você deveria estar de repouso.

— Eu estou andando pela casa, em vez de andar pela praia! — Isabella argumentou. — E de qualquer modo, estou me sen tindo claustrofóbica. Estou ficando maluca, trancada dentro do apartamento, e pelo menos eles têm ar-condicionado nesta casa. — Então, ela sorriu para ele. — Obrigada por ontem, a propósito.

— Sem problemas. Fico feliz porque as coisas vão ser bem aproveitadas.

— Eu me referi ao sermão sobre ir ver o médico. Telefonei para o meu obstetra, e marquei uma consulta para segunda-feira.

— Isso é ótimo.

— Eu vou para casa arrumar minha mala quando sair da qui, tenho a impressão de que eles não vão me liberar.

Então, ela se afastou, para explorar a casa com o resto da multidão, e enquanto os olhos de Edward deveriam estar voltados para a competição, estavam focados nela.

Ele a queria.

Enquanto andava pela casa, examinava os quartos, cami nhava pelo jardim, eram os comentários de Isabella que ele queria ouvir, e não os do corretor, e ela não parava de falar...

Era impressionante. O apartamento inteiro dela caberia den tro do salão principal, e Isabella tinha certeza de que se pudes se simplesmente deitar naquele adorável sofá branco e admi rar a vista da água até segunda-feira, com alguém descascando uvas para ela e massageando seus pés, a pressão dela teria ca ído muito na hora da sua consulta médica!

Ela adorava visitar casas, andar por elas, fingindo que per tenciam a ela e desejando que pudesse ser verdade. À cozinha, entretanto, era ura buraco, mas o corretor os fez passar rapida mente por ela e dirigiu-os para o andar de cima. O lugar era de cair o queixo, cada cômodo da casa, até mesmo o quarto prin cipal, tinha vistas para a praia!

— Não há cortinas — Isabella observou, e Edward escondeu um sorriso, porque ele tinha dito exatamente a mesma coisa da primeira vez que visitara a casa, só que o corretor não o havia ignorado! — Como você pode ter janelas do chão ao teto em um banheiro, sem cortinas? — Isabella insistiu.

— O vidro é tratado — sibilou o corretor. — Você pode ver o lado de fora, mas ninguém pode ver o lado de dentro. Agora, seguindo em frente, temos o quarto principal!

— Divino! — Isabella ficou sem fôlego ao entrar. Havia uma cama grande no centro do quarto, e havia uma varanda, com uma mesinha e cadeiras... — As janelas são tratadas aqui também? — Isabella perguntou, enquanto o corretor prendia o fôlego de irritação.

Ela realmente o fazia rir.

E ele realmente sentia falta dela.

Ela estava fazendo anotações em sua listinha novamente, como se fosse uma candidata séria a comprar a casa, e ele podia ver o corretor apertando os lábios quando ela saiu au daciosamente para a varanda, em vez de seguir o resto das pessoas ao longo do corredor.

— Você pode se juntar ao grupo, por favor? — o corretor estourou, e Edward rangeu os dentes.

— Este aqui daria um ótimo quarto de bebê... — Apesar do estado óbvio dela, o corretor se dirigia a um jovem casal e ig norou Isabella quando ela lhe fez uma pergunta. Como ela que ria ter ganhado na loteria, para dar o lance vencedor e apagar aquela expressão superior do rosto arrogante dele, e fazê-lo tre mer de raiva. Edward viu o rosto dela ficar vermelho quando o corretor a ignorou, e então olhou nos olhos dela e deu uma piscadinha.

— A minha amiga fez uma pergunta — ele disse, friamente, observando a expressão de alegria de Isabella quando o corre tor virou nos calcanhares e a encarou. Não, ela não tinha ga nhado um monte de dinheiro, mas ver aquele sorriso prepoten te sumir do rosto dele foi quase tão bom.

— Eu sinto muito. — Ele sorriu para ela com afetação. — O que você queria saber?

— Obrigada por aquilo — Isabella disse, sorrindo para Edward quando eles saíram da casa.

— Oh, o prazer foi todo meu — respondeu Edward. — Ele é muito insolente.

Isabella adorava leilões, a multidão que se reunia na frente da casa, o corretor estimulando a competição, ao mesmo tem po, ela sempre tinha medo de levantar a mão e dar um lance vencedor, como alguém que fica em pé na beirada de um despenhadeiro e quer pular, só para saber como é a sensação.

Havia alguns lances sérios acontecendo, e Isabella assis tiu com interesse. Aquela era a coisa mais excitante a acon tecer com ela durante a semana inteira.

Edward tentava se concentrar, mas seus olhos continuavam se desviando para ela. Ele não dera nenhum lance ainda, ele que ria esperar e ver...

Deus, até as pálpebras dela estavam inchadas. Quando ele deveria estar se concentrando, no momento em que deveria estar focado, ele estava pensando nela, se preocupando com ela, e Edward não gostava nem um pouco daquele sentimento.

Os lances estavam diminuindo agora, e o leiloeiro estava tendo dificuldades em conseguir um pequeno aumento que fosse nos valores, e foi então que Edward fez sua primeira oferta.

Ele viu a expressão de surpresa nos olhos dela, ela não imaginara que ele seria um candidato. Não era algo que ele tinha que discutir com ninguém, Edward pensou consigo mes mo, aquela era a vida que ele havia construído para si. Ain da assim, havia aquela leve sensação de desconforto, quan do ele lembrava-se de todas as noites em que ela havia lhe contado sobre suas esperanças, sonhos e medos para o futu ro, e percebeu que não havia compartilhado nada seu com ela.

A multidão estava repentinamente interessada, e Edward a viu sorrir. Apenas um pequeno sorriso, que chegou até ele, dizen do a ele que ela estava satisfeita.

Animada por ele, talvez. O lance dele foi superado, e ele aumentou a oferta.

Ela sorriu novamente.

A oferta foi superada, e ele aumentou o valor do lance ainda mais.

Ele procurou o sorriso dela, por aquele pequeno encoraja mento de que ele não precisava realmente, mas de que gosta va, e percebeu que ela não estava sorrindo.

O lance dele havia sido superado novamente, e o leiloeiro passou a vez para ele, mas Edward não estava ouvindo.

Havia uma expressão de perplexidade no rosto de Isabella, como se ela tivesse acabado de receber alguma notícia cho cante, mas não havia ninguém falando com ela e ela não esta va ao telefone. As duas mãos dela seguravam a barriga.

Ele podia ouvir o aviso do leiloeiro. Confuso, mas também precisando chegar até ela, Edward deu um lance literalmente alto, e ouviu as reações chocadas da platéia. Ignorando o resto dos procedimentos, ele abriu caminho pela multidão para chegar até ela.

— Acho que minha bolsa d'água estourou!

— Está tudo bem — disse ele, de modo confortador.

— Não, não está! — Ela estava tremendo, o choque apare cendo em seu rosto quando ela percebeu a situação. — Eu só estou com 34 semanas!

— Bebês de 34 semanas ficam bem... — Ele podia ouvir sua própria voz muito calma, mas o sangue estava martelando-lhe as têmporas, quando ele apanhou o telefone. — Va mos, tente se sentar. Eu vou chamar uma ambulância.

— Não há lugar nenhum para sentar! — ela gritou. O sol estava batendo em sua cabeça com força e sua boca se encheu de saliva. — Edward, eu acho que o bebê está vindo...

O corretor havia se aproximado para cumprimentá-lo, agora que a casa era aparentemente sua, mas Edward não estava ouvindo.

— Precisamos levá-la para dentro — ele disse.

— Como? — o agente perguntou.

— Edward... — Ela estava gemendo agora, a dor misturada ao terror. — Está doendo muito...

— Ela precisa ir lá para dentro. — Edward estava ajudando Isabella a caminhar até a entrada lateral da casa, suportando a maior parte do peso dela. — Ela precisa de um pouco de privacidade...

— Você não pode entrar assim!

— Eu acabei de comprar a casa! — Edward estourou. — Ela vai dar à luz. Onde é que você quer que ela tenha o bebê, na rua? — Ele desistiu de ajudá-la a caminhar e pegou-a no colo, com tanta autoridade que o corretor acabou abrindo o portão lateral para ele. — Agora, chame uma ambulância — Edward or denou —, e diga a eles que é um bebê prematuro... — Ele ha via conseguido chegar com ela até debaixo de um salgueiro, e ela estava tentando fazer com que ele a colocasse no chão, resistindo em seus braços.

Edward percebeu, alarmado, que não havia chance de levá-la para dentro da casa.

— E avise a eles que há um médico presente,

— Há alguma coisa que eu possa fazer? — O homem para quem ele acenara todas as manhãs, e de quem ele acabara de comprar uma casa, estava ali, agindo de forma prática e ten tando ajudar.

— Preciso de algumas toalhas — Edward disse, enquanto a esposa do homem corria para buscá-las e ele lutava para per manecer calmo e ser profissional. Era apenas um parto, ele disse a si mesmo, e ele era mais do que capaz de lidar com aquilo.

O problema é que ele podia ver o olhar aterrorizado dela...

— Eu preciso que você me escute, Isabella. — Ele havia ti rado a lingerie dela e a examinara. O bebê não estava esperan do pela ambulância, não estava esperando por nada... — Este é um bebê pequeno, então, nós vamos tentar desacelerar o pro cesso. — Era importante que eles fizessem aquilo, já que um parto rápido podia causar danos ao cerebrozinho frágil. — Você não pode fazer força — ele alertou Isabella. — Nós queremos que isso aconteça da forma mais lenta e suave possível...

Ela jamais se sentira tão petrificada de medo, a idéia de o bebê chegar tão cedo, e ali, sem hospital, sem equipamentos brilhantes... Ainda assim, ela estava desesperada para fazer força, para empurrar, mas Edward estava lhe dizendo para respirar com calma, resistir a uma vontade quase incontrolável... e ela sabia o motivo.

— Está acontecendo depressa demais...

— O seu corpo estava se preparando para isto há horas, você simplesmente não sabia. — Ele sorriu. — Nós só preci samos desacelerar um pouquinho.

Ele estava certo. Durante toda a manhã, ela havia se senti do inquieta, tentara ficar deitada, ler, descansar. Ela havia to mado um banho e voltado para a cama, e então, decidido ir ver o leilão...

— Está nascendo — ela gemeu.

E estava. Nada iria atrasar a chegada do filho dela ao mun do, e ela estava muito feliz por Edward estar por perto, e aterrori zada só de pensar que ele poderia não ter estado.

—: E se eu tivesse ficado em casa, e se...

— Você teria dado um jeito! — Edward interrompeu os "e se" dela rapidamente. — E você está indo bem agora.

— Eu sinto muito por não estarmos nos falando. — Ela ofegava com o esforço para não empurrar. — Sinto muito es tar fazendo isto com você...

— Estou feliz de estar aqui — Edward disse. — Eu já fiz isso mui... — ele não continuou, porque tinha acabado de perceber que o cordão umbilical estava em volta do pescoço do bebê, embora não estivesse muito apertado, e Edward o desenrolou.

Mas não fora aquilo que interrompera suas palavras.

Sim, ele havia feito partos durante os últimos anos, sim, fi zera aquilo muitas vezes antes. Mas nunca como agora. Não como agora, com o coração na boca, ao segurar uma cabecinha minúscula nas mãos e guiar uma vida frágil para o mundo.

Não como agora, ao colocar o bebê sobre a barriga de Isabella, esfregar as costas dele, examinar-lhe os pezinhos.

Ele sabia que a criança ia respirar, o médico que Edward era sabia que havia se passado apenas um minuto, mas para o homem Edward, aquele havia sido um minuto muito longo, o bebê estava molinho e cianótico, e seus batimentos cardía cos estavam tão fracos que se caíssem ainda mais ele teria que começar manobras de ressuscitação. Ele podia ouvir os apelos de Isabella, que ecoavam os pensamentos dele, e re zou para que a ambulância chegasse rápido, com oxigênio para o pequenino.

Ele virou o bebê, de forma que ele ficasse deitado de costas sobre a barriga de Isabella, e sentiu um alívio profundo quando o pequenino fez um movimento brusco e respirou pela primei ra vez.

— O bebê não está chorando — soluçou Isabella.

— Ela vai respirar — ele prometeu.

— Ela? — Edward não era obstetra, talvez tivesse sido melhor se a mãe descobrisse por si mesma, mas o bebê era frágil e doente demais para deixar a praticidade de lado.

— Você tem uma filha — Edward disse — e ela precisa ficar aquecida.— Ele manteve a pequenina aconchegada à barriga da mãe, e envolveu as duas em toalhas, aliviado ao ouvir, fi nalmente, o barulho das sirenes.

— Eu trouxe um rolo de barbante... — A mulher que havia trazido as toalhas tinha procurado algo útil para fazer, e se a ambulância não estivesse estacionando, Edward teria cortado o cordão umbilical naquele momento. Ele estava seriamente preocupado com a falta de resposta da criança. Ela estava res pirando, mas com esforço, pequenas bolhas saindo de sua boca a cada expiração. Os paramédicos começaram imediata mente a cuidar da situação: aspirando as pequenas vias aéreas do bebê, e colocando nela uma máscara de oxigênio que, mes mo minúscula, cobria o rostinho quase inteiro, enquanto Edward amarrava e cortava o cordão.

— Nós podemos fazer contato pelo rádio... — O paramé dico olhou para Edward, e os dois juntos chegaram a uma deci são rápida, sem palavras: tentar um acesso intravenoso e trabalhar para estabilizá-la ali mesmo, ou correr para o hos pital, que ficava a poucos minutos dali, dependendo do trânsito?

— Vamos levá-la para o hospital — disse Edward, e o paramé dico assentiu, enrolando o bebê em toalhas.

— Nós vamos mandar outra ambulância para a mãe — o paramédico disse.

— Não, eu quero ir com ela... — Isabella estava soluçando e tremendo, assustada com a velocidade dos acontecimentos.

— Ela precisa chegar ao hospital rápido. — O tom de voz de Edward era amável, mas não dava espaço para negociações. — Você pode ficar com Isabella por um instante? — ele pergun tou para a mulher que havia ajudado tanto. Ela trouxera tra vesseiros e cobertores da casa, e estava fazendo o que podia para deixar Isabella confortável. — Eu vou ajudá-los a colocar o bebê na ambulância, e já volto.

— Não — Isabella soluçou. — Vá com ela. Por favor. Houve um momento de confusão no processo mental dele naquele momento, mas ele não deu atenção, não havia tempo.

Ele assentiu, concordando, e segurou a criança nos braços enquanto a ambulância percorria a curta distância até o hospi tal. Os pequenos pulmões dela estavam se enchendo de fluido, e Edward segurou a máscara de oxigênio contra seu rostinho, dei xando espaço para o paramédico fazer a sucção. Havia uma pequena sonda presa na orelhinha do bebê, e o nível de satura ção de oxigênio estava baixo, mas não crítico...

A ambulância corria rápida pelas ruas, desacelerando um pouco na High Street, cheia de motoristas de final de semana e de freqüentadores das lojas, e Edward sentiu a tensão aumentar enquanto o veículo freava e acelerava, com a sirene ligada no máximo.

Então, ele olhou por Sennaaixo da máscara, e das pequenas na rinas trêmulas, e viu os cachinhos escuros, molhados de sangue, e os olhos azuis-escuros que estavam muito longe de ter foco, mas Edward sentiu que a menina olhava diretamente para ele.

Foi um momento estranho de conexão, e foi Edward quem des viou os olhos primeiro. Ele era apenas o médico. A mãe desse bebê era apenas uma amiga... E então, o hospital estava bem à sua frente, e ele podia ver Kebi esperando do lado de fora. Quando as portas da ambu lância se abriram, ele não entregou a pequenina para ela, mas correu para o setor de ressuscitação com a carga preciosa, a incubadora já estava aquecida e à espera, os pediatras e Stefan estavam no local, e somente então ele a entregou...

E foi só então que ele percebeu o quanto estivera apavora do. Um suor frio o encharcou enquanto ele observava a urgên cia com que a equipe médica trabalhava, e ele sabia que eles não estavam exagerando. Ele tinha visto como aquele bebezinho estava doente, e foi incapaz de falar por um instante, lu tando para recuperar o fôlego.

Ele foi até a pia, enquanto os paramédicos passavam as in formações para a equipe médica, e Edward tomou um grande gole d'água diretamente da torneira, antes de voltar para onde eles trabalhavam.

Stefan havia colocado um tubo no nariz do bebê, e estava fa zendo uma sucção mais profunda de suas vias aéreas, o pedia tra havia inserido um tubo umbilical, e ela estava recebendo líquidos. Ela parecia um pouco mais agitada agora, o rostinho franzido com o desconforto, os pequenos punhos cerrados, e às perninhas chutando em protesto...

— Ela estava com as funções vitais bem baixas... — Edward informou os resultados do teste Apgar. — Foi um parto muito rápido.

— Trinta e quatro semanas, de acordo com os paramédicos. — O pediatra estava examinando a menina. — Mas ela é bem grandinha para 34 semanas, você sabe com quem a mãe estava fazendo o pré-natal?

— Eu tenho certeza de que ele não teve tempo de perguntar — disse Kebi. — Você estava num leilão de casa, não esta va, Edward?

— Na verdade... — ele limpou um pouco a garganta — este é o bebê de Isabella.

— Nossa Isabella! — Kebi piscou os olhos, incrédula, e então verificou o cartão de admissão que a recepcionista havia acabado de preencher. — Bebê Swan...

— Ela mora na mesma rua onde estava acontecendo o lei lão — Edward explicou — e deve ter saído para dar uma olhada.

— Bem, ela é uma mulher de sorte... — Kebi expirou pesadamente — por você estar por perto.

— Ela estava com diabetes gestacional — disse Edward, aquilo explicava o tamanho relativamente grande do bebê para o tem po de gravidez. — E ela fez o pré-natal aqui — ele informou para a recepcionista, que correu para procurar o prontuário.

— Alguém sabe se houve algum outro problema?

— Hipertensão — disse Kate, enquanto Edward ainda lutava para respirar. — Ela saiu de licença maternidade há alguns dias.

— Sim, a pressão dela andava alta — Edward disse, obser vando o espanto de Kebi com a profundidade do seu co nhecimento. — Ela estava bastante inchada hoje, e eu che guei a pensar que ela estava entrando em pré-eclâmpsia — ele completou. — Eu acho que ela ia ser internada na segunda-feira.

Ele se sentia doente.

A área de ressuscitação estava impossivelmente quente, e Edward se sentiu sufocado, ouvindo o bip, bip, bip do monitor. Até mesmo assistir à equipe médica trabalhando era incrivel mente difícil. Oh, ele estava ciente de que eles sabiam o que estavam fazendo, sabia que bebês, mesmo os menorzinhos, eram criaturinhas fortes, mas os médicos pareciam tão gros seiros ao lidar com algo tão pequenino.

— Eu vou sair um pouco — Edward disse, com a voz estran gulada.

— Talvez você queira se trocar primeiro. — Kebi olhou para ele e sorriu, e foi só então que Edward percebeu o estado em que se encontrava.

Ele tomou um banho rápido e apanhou uma roupa de cirur gia, mas em vez de se enxugar e se vestir, ele se sentou no banco de madeira, pingando, com a cabeça entre as mãos, as palavras dela ecoando repetidamente em sua mente: "E se eu tivesse ficado em casa, e se..." Todas as situações possíveis passaram pela sua cabeça, que trabalhava freneticamente. E não só para aquela manhã.

Várias vezes, ao longo dos anos, ele havia se torturado com aquelas mesmas palavras, desejando ter voltado para casa mais cedo, e imaginando qual teria sido o resultado, se ele ti vesse estado lá. As pessoas haviam dito a ele que nada poderia ter sido feito por Maggie, que mesmo com o melhor dos cuidados médicos ela teria morrido, que a hemorragia cerebral que ela sofrera a teria transformado em um vegetal. Mas e quanto ao bebê? Ele poderia ter sido salvo, se Edward estivesse em casa? Havia uma miríade de emoções conflitantes assaltando-o. Alívio, arrependimento, até mesmo ressentimento, porque ele havia estado presente para ajudar aquela criança, e não a sua própria, e mesmo assim, tão rapidamente quanto o ressen timento chegara, desaparecera. Ele havia segurado aquela pe quenina vida nas mãos, uma vida que ele lutara para salvar, e pela qual sentia mais do que era apropriado para um médico, e não só pelo bebê, mas pela mãe também.

Então, ele se lembrou da própria estupidez, quando havia pensado em ficar com ela depois do traumático nascimento do bebê.

Claro que ele deveria ter acompanhado o bebê!

Isabella se encontrava estável, havia outra ambulância a ca minho... e mesmo assim, o instinto havia dominado a lógica por um segundo, e ele só quisera ficar e confortá-la.

Não!

Ele se levantou, então, e se enxugou rapidamente, colocan do a roupa de cirurgia e tomando uma decisão firme. Ele não se envolveria com Isabella, custasse o que custasse. Ele não pode ria passar por aquilo de novo.

Não iria.

Não conseguiria.


Reviews?

Spoiler do prox. Capitulo...

— Há alguém que nós possamos chamar para você? — Isabella sacudiu a cabeça.

— Eu vou telefonar para os meus pais em breve.

— Você não deveria estar sozinha — Gloria disse, gentil mente. — Você não tem uma amiga...?

— Mais tarde. — Isabella sacudiu a cabeça novamente. Ela queria alguma privacidade, não queria compartilhar aquele momento com os pais, que não a haviam ajudado, e que, com exceção de um telefonema ríspido e um único cheque, não haviam feito absolutamente nada. E ela também não queria amigos com os quais não pudera contar, ou um pai que não queria saber da filha, ela iria enfrentar e lidar com tudo aquilo, mas agora o que ela queria era processar tudo o que havia acon tecido, sozinha...

— Oi! — A porta se abriu, e o rosto de Edward apareceu. Ele era, talvez, a única pessoa que ela não se importava em ver naquele momento...