Capítulo 6 – Aproximação

- Sabe o que eu espero de você, não?

- Sei sim, Milorde.

- Então não me desaponte, Ella.

- Como...? – deixou escapar, mas então sorriu.

- Você tem suas fraquezas, minha querida. Mas não deixe que isso a domine. Não pode deixar tudo escapar de suas mãos por causa de Bartô.

- Certamente não deixarei. Não irei desapontá-lo de forma alguma, Milorde.

- Sei que não. Conto com você, Ella – Aquela não se intimidou, apenas sorriu.

- Absolutamente. Não vou deixar Bartô se tornar minha fraqueza. Devo dizer que é a minha única.

- Então vá. Já fiz esforços demais por hoje.

- Claro, Milorde.

Aquela se cobriu com a capa e aparatou. Foi parar perto dos terrenos de Hogwarts, em um pequeno casebre velho de madeira. A Casa dos Gritos. Bartô a esperava no andar de cima. Mas ela ainda precisava de um tempo para respirar e lembrar de tudo que precisava alerta-lo.

- Ella? – ouviu-o gritar. Droga, podia ser um pouco mais discreto, pensou. Mas, ao mesmo tempo, sorriu.

- Estou subindo, Bartô.

Os degraus velhos rangiam sob os pés de Aquela, ela mal respirava, pedindo à Merlin que não ouvisse de Bartô exatamente o que achava que iria ouvir. Repassou em sua mente as palavras do Lorde das Trevas e entrou no pequeno cômodo em que se encontrava Bartô.

- Ella! Por Merlin, é você! Está atrasada...

- Olá para você também, Bartô – disse ela sorrindo levemente. – Milorde queria conversar comigo.

- Está encrencada? – ele fez uma careta, enquanto a abraçava.

- De maneira alguma. E comporte-se! – exclamou ela rindo e o empurrando. – Temos muito que conversar.

- Pelo jeito eu estou encrencado.

- Ninguém está encrencado, Bartô. Apenas escute.

Ele fez um gesto rápido com a cabeça e encostou-se na parede mais próxima, observando Ella.

- Cuidado, Bartô. Muito, muito cuidado. Temos que ter cuidado. Por acaso Kyria Savage é sua aluna?

- Claro que sim. Se ela estuda em Hogwarts, é minha aluna. Ou melhor, aluna de Olho-Tonto Moody.

- Claro, claro... Essa menina... Tem algo. Temos que ter cuidado com ela. Milorde tem ouvido falar sobre ela. Que desde que voltou de férias está mudada, se interessando pelas artes das trevas. Mas ainda assim, ela nos preocupa. Tem contato com trouxas. Demais até. E sabe demais. Bom, mas isso já é com Lucius...

- Kyria é inofensiva, acredite em mim.

- Ainda assim, cuidado com ela. Tente não deixar nada escapar na frente dela. Se acontecer, me avise. Eu vou eliminá-la.

- Não confia em mim? – Bartô ergueu a sobrancelha esquerda e fingiu desapontamento.

- Confio. Não confio nela.

- Ah, deixe disso, Ella.

- Tudo bem... Tenho outros assuntos a tratar.

- Como, por exemplo...? – ele sorriu maliciosamente.

- Estive pensando – começou Ella, fingindo não ouvir Bartô. -, deveríamos ter um plano. Ou melhor, você deveria ter. Mas já que não tem, eu o tenho por você. Se tudo der errado, não queremos sair como culpados, queremos?

- Não. Mas não entendo o que você quer dizer. Nada vai dar errado, Ella.

- Há possibilidades. Primeiro: você está roubando ingredientes de Snape. E não podemos confiar totalmente nele. – Ella fez uma pausa, observando o cômodo a sua volta. Lembrava-a de Brutus. Pequeno, sujo, fedendo. Mal iluminado por algumas velas, ela podia ver a poeira flutuando pelo ar. Pelas frestas das tábuas entrava um arzinho de frio de outono, mas isso não a incomodava. – Depois, existe Dumbledore, é claro. – continuou, voltando a olhar para o rosto de Bartô. Este não mais sorria, mas, sim, mantinha uma expressão séria e preocupada e encarava o chão. – E não esqueça do Torneio Tribruxo. O Ministério vai estar aí, Bartô, seu pai vai estar aí. E não podemos negar que um pai sempre pode reconhecer seu filho. Não deixe isso acontecer, por favor.

- Não deixarei.

- E lembre-se: se algo der errado, será mais por nossos erros do que pelos acertos deles. Eles nem sequer imaginam que estamos nos reunindo novamente e que o Lorde das Trevas renascerá – o timbre de Ella tornou-se quase histérico neste ponto. Ela respirou fundo e continuou: - O que estou querendo dizer é; se algo der errado, Bartô, por Melin, mato quem for preciso para abafar isso. Mas se for mais grave, se descobrirem que há um intruso em Hogwarts alguém deverá morrer, alguém importante.

- Quem? – perguntou ele, voltando a olhar os olhos negros e brilhantes de Ella.

- Você saberá – sorriu levemente. – Tudo tem seu tempo, Bartô.

- Falando em tempo...

- Você realmente não sabe esperar, não é mesmo? – sussurrou Ella para Bartô e logo foi puxada para um beijo ardente.

Naquela mesma noite...

9:00 – Biblioteca de Hogwarts, Seção Restrita

- E aí, trouxe o que eu pedi? – ouviu-se a voz debochada de Draco Malfoy cortando o silêncio da biblioteca.

- Boa noite para você também, Malfoy – dessa vez foi uma voz doce e sensual; Kyria Savage.

Draco olhou para trás. Estava escuro, ele se desculpava por não ter visto-a. Agora, olhando para ela, abençoava-se por poder vê-la. Sorriu maliciosamente ao ver a roupa que a garota usava: parecia que tinha vindo preparada para o que ele queria. Notando os olhares do garoto para suas pernas, Kyria fechou a capa. Não iria ser tão fácil, pensou Draco.

- Boa noite, srta. Savage – retrucou ele, desdenhosamente. – Então, trouxe o que eu pedi?

- Sabe, cansei de te dar o que você quer e não ter nada em troca.

- E o que você quer, Savage? – Draco revirou os olhos. Era muito fácil perder a paciência com ela.

- Que você termine com a Parkinson.

- Que? Mas... Por quê? – ele arqueou uma sobrancelha, olhando desconfiado para Kyria.

- Ora, eu já perguntei alguma vez para você por que é viciado em nicotina? Não faça perguntas e não te direi mentiras – sorriu debochadamente.

- Passa a porcaria do cigarro.

- Vai cumprir com o que eu pedi? Vai ser um bom menino? – Kyria riu sarcasticamente.

- Vou, vou cumprir. Agora passa a porcaria do cigarro.

- Você não tem educação, merda – reclamou ela, brava, enquanto atirava alguns maços de cigarro em Draco.

- Como se você tivesse – ele pegou um cigarro, acendeu e então ofereceu outro para Kyria.

- A questão não é essa – respondeu ela, aceitando o cigarro.

- Fiquei sabendo que você e Nott se acertaram.

- Não é bem essa a palavra – ela revirou os olhos e tragou o cigarro.

- E qual seria então?

- Eu disse que iria ignorar o que aconteceu, mas que não o perdoava e que não queria voltar a andar com ele. Satisfeito?

- Satisfeitíssimo! – e Draco sorriu abertamente. – O que foi? – perguntou, voltando a ficar sério de repente, diante da cara brava de Kyria.

- Satisfeitíssimo por quê? Por acaso tem algum dedo seu na morte de Milla? Porque se tiver...

- Claro que não! – defendeu-se ele. – Só que... Bom, estava cansado de ver o velho Nott andando com você.

- Por quê? – ela riu sozinha. – Estava com ciúmes?

- Ora, ciúmes... – murmurou ele para si mesmo. – Quer saber? Devíamos ir dormir.

- Vá você. E pare de ser criança, Malfoy. Eu estava brincando. Sabe o que é isso?

- Não enche.

- Ah, boa noite – resmungou ela brava.

O silêncio durou alguns minutos. Até que os olhos incontroláveis de Draco voltaram-se para o corpo de Kyria. Dessa vez ela não se incomodou, apenas fingiu não ver.

- Eu não entendo você – murmurou ele.

- Não vejo porque entenderia – respondeu ela, sem olhar para Draco.

- Digo – continuou ele, fingindo não ouvi-la. -, durante anos você foi tão diferente de todos... Agora, transformou-se em Kyria Savage, a sonserina mais gostosa e sei lá, mais sonserina do quarto ano.

- Sei lá... – Kyria riu da enrolada de Draco. – Cansei de ser diferente. Dá muito trabalho. – e deu de ombros. Seus olhos verdes pousaram nos cinza de Draco. Os dois se olharam por algum tempo, mas um barulho de passos na biblioteca sobressaltou os dois. Sem que os dois percebessem o cigarro de Draco acabou caindo no chão. Eles apenas saíram correndo.