Stanotte stay con me —Laura Pausine
IV
Jensen, Mike e Tom haviam se separado. Haviam selecionado 15 vítimas pela idade, cor e aparência. A garota assombração de Jensen tinha os cabelos pretos. Sendo assim, se dividiram e decidiram que cada um visitaria a família de cinco moças. Jensen já estava na terceira família. Era simplesmente difícil. Por conselho de Mike (e quando Mike dera um bom conselho bom na vida?), fingia ser um repórter. Dizia que queria fazer uma matéria sobre as mortes no metrô. A primeira família não caiu nessa história nem por um segundo. De acordo com o pai da garota, Jensen tinha mais cara de garoto de programa do que de repórter. Saiu correndo dali antes que chamassem a polícia. A segunda família fez tantas perguntas sobre a revista que Jensen supostamente trabalhava que ele acabou fingindo uma ligação avisando sobre um compromisso repentino muito importante.
Agora estava indo ver a terceira família. Surpreendeu-se ao ver que estava na rua onde aquele manager da Paradise morava. Uma avenida repleta de arvores altas e prédios sofisticados e caros. Seguiu até o endereço. Identificou-se ao porteiro que ligou para o apartamento da família pedindo permissão para o visitante subir. Para seu espanto, recebeu permissão para subir. Foi recebido a porta do apartamento por uma criada trajando um uniforme antiquado e vistoso. Entrou no apartamento e se deu conta de que aquele era um daqueles edifícios antigos cujos moradores conservavam o estilo do século passado quase como se fosse um patrimônio histórico. Todas as paredes eram cobertas de um papel de parede florido e moveis antiquíssimos que lembravam a moda européia de décadas atrás. A criada indicou uma cadeira com almofadas gordas e cobertas de veludo vermelho que estava de frente para uma mesinha junto à janela. Jensen se sentou. Sentia-se um viajante do tempo preso a alguma era passada.
Enquanto esperava a senhora da casa estar apresentável, como dissera a criada, ele decidiu passar o tempo olhando pela janela. De onde estava, o sexto andar, podia ver todas aquelas árvores frondosas lá embaixo margeando a avenida. Ficou um bom tempo olhando para elas e achando-as, de alguma forma, tão conhecidas suas como se a vida inteira tivesse olhado para elas. Acompanhou a avenida com o olhar e descobriu uma entrada para o metrô logo ali, pertinho. Logo ali...
Teve um flash de um homem se dirigindo ao metrô e por um instante ele teve certeza de que não estava sozinho ali. Olhou para o lugar a sua frente, do outro lado da mesinha, e ela estava ali, olhando para ele. Quis gritar, mas não conseguiu. A voz não saia. Simplesmente não saia. Queria se levantar e sair correndo dali, mas uma forte dor em sua nuca o fez cair da cadeira e se contorcer no chão em total agonia. A moça o observava sofrer com um sinistro contentamento. Quase um gozo sádico. Pensou que iria morrer, mas nesse instante a dona da casa entrou e soltou um grito. Tanto a moça quanto ele olharam assustados para a senhora de, provavelmente, 90 anos que se deixara cair nos braços da criada. Suas vistosas roupas de seda se espalhavam ao redor dela e as pesadas jóias retiniam. Enquanto a moça se aproximava da mulher, a mão estendida como se quisesse socorrê-la, Jensen se levantou e correu para fora do apartamento.
Não esperou o elevador. Desceu correndo as escadas e saiu às pressas para a rua. A dor em sua nuca sumira e ele sentia que podia falar novamente. Mas isso era o de menos. Agora ele sabia. Sim, sabia. Aquela era a casa da moça assombração. Ela era a moça chamada Kristin Kreuk que morrera com traumatismo craniano após sofrer uma queda nas escadas do metrô. Era ela a sua fantasma. Descobrira quem ela era e assim mesmo a moça tentara matá-lo. Sentia que a cada dia que passava a paciência dela se esgotava. Talvez ela não quisesse mais que ele realizasse seu desejo. Talvez só quisesse matá-lo. Jensen não sabia. Não tinha certeza de nada, mas estava com medo. Nunca antes ela havia sido tão real. Mas naquele apartamento de estilo antigo até a senhora da casa conseguira vê-la. Fora isso, não fora? A senhora a vira. Mas o que aquilo significava? Não sabia.
Estava tão assustado... Tinha medo de ficar sozinho novamente e ser atacado por ela. Queria alguém para abraçá-lo, confortá-lo, acalmá-lo. Queria alguém que o amasse incondicionalmente e o abraçasse sem fazer perguntas. Alguém que simplesmente lhe desse aquilo que ele precisava naquele momento. Mas quem poderia dá-lo aquele conforto, aquela paz...?
V
Jared estudava o relatório. Nos últimos meses várias mortes de mulheres haviam ocorrido no metrô. Muitas mortes foram apenas acidentes, mas haviam outras realmente horríveis. Jared se perguntava qual daquelas mulheres mortas era o fantasma de Jensen. Se as gravações e a seção fotográfica não tivessem demorado tanto, ele teria tido tempo de tentar checar o perfil de algumas das vítimas com seus familiares. Mas agora era tarde. Já era noitinha e ele não queria ser um transtorno para ninguém.
Decidiu que pela manhã, conversaria com Jensen e ofereceria ajuda. Não precisava dizer com quem obtivera a informação, afinal, não queria prejudicar a garota de Chad. Só precisava dizer que sabia de tudo e que queria ajudar. Estava pensando em formas sutis de abordar o assunto com Jensen quando a campanhia tocou. Deu um longo suspiro. Quem poderia ser àquela hora? Se fosse Genevieve de novo, com certeza, a mandaria embora com um pontapé e ainda avisaria ao porteiro para nunca mais deixá-la entrar. Abriu a porta já pronto para explodir, mas o que ia dizer morreu em sua garganta.
—Jensen? —O homem estava pálido e tremia levemente. Seus olhos verdes estavam vermelhos de um modo que sugeria que ele havia chorado.
—Ei... — Ele disse timidamente.
—Aconteceu alguma coisa?
Antes que Jared pudesse criar alguma hipótese para o estranho aparecimento de Jensen ali, o homem o abraçou. Jared ficou ali parado sentindo os braços firmes do homem em torno de seu pescoço e sua respiração falha junto à orelha.
—Me deixa entrar? —Jensen pediu. Jared girou com o corpo do outro agarrado ao seu e com esse movimento ambos estavam dentro do apartamento. Fechou a porta as suas costas e envolveu o homem num abraço tenro. —Eu não quero me aproveitar de você, mas... Preciso te pedir um favor...
—Qualquer coisa. —Jared afundou a cabeça ali onde o ombro e o pescoço de Jensen se juntavam e aspirou profundamente. Era o cheiro de Jensen o que ele sentiu falta o dia inteiro. Era a sua pele perfumada que ele procurou sem cessar durante as gravações. Eram seus olhos verdes que ele imaginou durante a sessão de fotos. Era Jensen. Só Jensen completaria aquela sensação de liberdade. Só Jensen traria verdadeira paz ao seu mundo.
—Deixe eu ficar com você esta noite? —Jensen suplicou num fiapo de voz. Suas mãos acariciavam a nuca de Jared e seus lábios roçavam na orelha dele.
—Jensen...?
—Não faça perguntas. —Jensen pediu. —Apenas esteja comigo esta noite...
Se estava sonhando, Jared não queria acordar. Das outras vezes quando Jensen se atirara para cima dele tinha sido diferente. Jensen parecia estar em transe e simplesmente não falava nada. Mas agora não. Era Jensen. Era mesmo o Jensen. Ele estava lúcido e o queria.
Como Jared poderia não ceder? Como poderia não tocar em seu rosto com as pontas dos dedos e não beijá-lo absorvendo o sabor, o medo, a insegurança daquele homem? Jared o amava. Faria qualquer coisa por ele. Qualquer coisa. Simples assim. Simples como desenhar estrelas com a ponta da língua no céu de sua boca. Simples como apertar seu corpo contra o dele quase como se quisesse fundi-los. Simples como acariciar suas costas por baixo da camisa. Simples como amá-lo desesperadamente como amava.
O puxou para a sala. Não tinha tempo e nem paciência para levá-lo para o quarto. Precisava dele agora e sentiu que ele também precisava. Enquanto Jared retirava o casaco de Jensen e tentava arrancar-lhe a blusa, o outro já havia desabotoado a sua camisa e já a puxava pelos braços. O beijo continuava quente, molhado, mágico. E ao vê-lo tão afim, tão afoito por seu corpo, Jared teve vontade de rir, por que amanhã se Jensen dissesse que não havia sido ele e que fora o fantasma, Jared definitivamente não aceitaria. Por que era Jensen. Era Jensen corando na hora de desafivelar seu cinto, era Jensen suspirando ao tocar ali entre suas pernas, era Jensen abrindo a boca e beijando e chupando seu pescoço. Era Jensen fechando os olhos para não ver onde estava tocando. Era Jensen e só ele. Sem fantasma. Sem loucura. Sem trauma pela manhã. Jared, então, o beijou na boca e sussurrou:
—Eu te amo... — voltou a beijá-lo, a tocá-lo, a puxá-lo para mais junto de si. Não importava se Jensen ainda não podia dizer. Um dia ele diria. Jared sabia. —Eu te amo tanto! Tanto!
Jared o sentou no sofá e foi lhe beijando desde os lábios até o umbigo. Jensen ofegava e gemia. Suas mãos puxavam seus cabelos, apertavam seus ombros, os braços... Ele queria Jared, só não diria com todas as letras. Mas Jared não precisava de palavras. Ainda não. No momento, tudo o que ele precisava era de Jensen ali se entregando a ele por vontade própria. Jared tirou seus sapatos, as meias, puxou a calça e o deixou só com a fina roupa intima. Ele beijou seus pés, os calcanhares e foi subindo beijando-lhe até alcançar seus joelhos onde ficou fazendo círculos com a língua. Jensen, então, o puxou para cima e o beijou.
—Não sabia que você era tão paciente... —Brincou.
—Eu só quero que dessa vez seja especial. —Jared disse voltando a se abaixar e puxando lentamente sua Box para baixo. —Jensen arfou. —Eu não quero que você acorde assustado como da última vez... Dessa vez quero fazer bem devagar...
Jensen tremia levemente, fazia frio lá fora e por mais que dentro do apartamento fosse mais quente, deixá-lo completamente nu naquele tempo era um pouco cruel. Mas logo Jared iria aquecê-lo. Logo ele estaria suando e queimando. Jared sabia que daquela vez era diferente. Tudo ali era consensual. Podia ver o desejo nos olhos verdes de Jensen enquanto ele beijava a parte interna de suas coxas.
—An... Jared...
—O quê? — Jared olhou para ele. Jensen corou ainda mais.
—Nada. Deixa pra lá...
—Não. Fala... —Jared pediu. Seu sorriso tranqüilizador fez Jensen ficar cada vez mais vermelho.
—Foi bom... —Sussurrou.
—O quê?
—Da última vez... Eu podia não ter controle sobre o que estava fazendo, mas senti e... foi bom. —Jensen olhou para o outro lado para não ter que ver os olhos de Jared que o olhavam com total espanto — Então... Não precisa fazer diferente. Eu gosto do jeito que você faz...
—... —Por um momento Jared não conseguiu dizer nada. —Jen, essa foi a coisa mais... —Queria dizer 'linda', mas ficou com medo de Jensen achar o elogio muito efeminado e não gostar — 'legal' que você já me disse.
—É...? —Jensen o olhou nos olhos — Quem sabe amanhã eu não digo outras coisas legais...
Jared riu e inclinou-se sobre ele. O desejo de Jensen não podia ser mais visível. Ele o beijou ali sentindo o homem arquear as costas e ofegar. Dessa vez não precisava brincar, não precisava se segurar, por que... Jensen gostava do jeito como ele fazia amor.
O chupou com sede e desejo. Jensen gemeu alto. Quase um grito. Jared apertou as coxas de Jensen, cravando suas unhas ali. O queria e iria tê-lo. Agora sem medo de perdê-lo. Ia e vinha fazendo-o deslizar inteiro para dentro de sua boca. O queria. Jensen puxava seus cabelos e gemia descontrolado. Louco de prazer. Jared acariciou seus testículos. Levou sua boca até ali e chupou com força. O queria. Seus dedos já roçavam a pequena entrada e Jensen não fazia questão nenhuma de detê-lo. Ao contrário. Abriu mais as pernas convidando-o a tê-lo.
—O lubrificante... —Jared gemeu rouco. O lubrificante que comprara depois da primeira vez que ficaram juntos estava no quarto.
— Jay... —Jensen mordeu os lábios e Jared achou que no mundo inteiro não podia existir alguém que fizesse aquilo com mais sensualidade que ele— Me chupa...
Jared sorriu. Lubrificante para quê? Chupou ali roçando o nariz na pele macia e quente. Jensen afagava seus cabelos. Massageava seu ombro. Gemia de prazer. Jared deixou que seus dedos o explorassem junto com sua língua. Jensen rebolava e sussurrava palavras desconexas com sua voz rouca e quente. Jared havia gostado muito da última vez, mas aquilo ali era muito melhor. Era muito melhor ouvi-lo dizer: "Vai, Jay...", "Ah, isso...", "Que gostoso...". Nunca antes dera tanto valor a falar durante o sexo.
—Ah, Jared...! —Jensen o empurrou um pouco para longe. Seus braços mantinham o homem a uma distância ínfima, mas que garantia um bom contato visual — Eu preciso de você agora... Em mim.
—Ah, Jen...
Se Jensen não o tivesse enlouquecido tanto com aquelas palavras ele certamente teria ido com mais calma. Mas depois de Jensen pedir por ele, não tinha como Jared se controlar. Se Jensen estava tão quente e o queria tanto, como ele poderia ir devagar? Nem se deu ao trabalho de retirar completamente a calça. Apenas baixou-a com a cueca e tudo e se jogou contra o corpo que o convidava a entrar. Penetrou rápido e com força. Ouviu um gritinho de dor. Pensou em parar e pedir desculpas, mas logo os braços de Jensen já o enlaçavam e o puxavam para mais dentro dele. "Ah, Jared, vem..." Jared pensou ter ouvido. Se ouviu mesmo ou não, não queria saber. Precisava ir fundo dentro dele.
O beijou com entusiasmo engolindo seus gemidos e começou a mover os quadris com força contra o corpo dele. Jensen o recebia por inteiro e rebolava de encontro ao corpo dele. Se Jared o estava machucando, então, Jensen era meio masoquista por que não tinha como ele não estar gostando. E Jared não podia parar nem mesmo se ele pedisse, por que entrar e sair de dentro dele era tudo o que ele precisava naquele momento. E desesperadamente ele arremetia dentro dele e segurava suas pernas mantendo-as bem abertas para que tivesse livre acesso ao ponto que queria. Jensen gemia alto e arranhava suas costas e o mordia nos ombros e no pescoço. Jared sabia que no dia seguinte os dois estariam completamente marcados e todo mundo saberia que tinham feito aquilo, mas não se importava. Jensen já andava meio estranho mesmo, se bobear todo mundo já pensava que ele fazia aquilo com frequência. Continuou se enterrando nele com furiosa paixão. Queria que Jensen sentisse toda a intensidade do que sentia por ele.
—Ah, Jared! —Jensen gritou — Eu vou...
—Vem! — Jared enterrou mais fundo. Não havia tocado no pênis de Jensen e ele iria gozar só de tê-lo dentro dele. Quão mais perfeito aquilo poderia ser? Jensen gozou chamando o seu nome. Um minuto depois Jared já explodia dentro dele. Os dois ficaram ali, enroscados sobre o sofá, as peles suadas e coladas uma na outra. O membro de Jared ainda pulsando dentro de Jensen e seus corações batendo acelerados.
—Man... Esse foi o melhor sexo da minha vida! —Jensen ronronou.
—È...? —Jared sorriu. —Toda vez que eu faço sexo com você é sempre o melhor da minha vida.
—Você acha que a gente podia, sei lá...? Ir experimentar aquela sua banheira de hidromassagem? —Jensen sugeriu.
—Hun, safadinho... E eu achando que tinha te esgotado...
—Na verdade, eu estava pensando em um banho... — Jensen disse corando. E Jared que achava que não tinha como Jensen ficar mais vermelho do que já estava. —Mas... Pode ser. Aí a gente vê se a segunda vez vai ser melhor.
Jared o beijou e saiu de dentro dele. Ainda nem havia esfriado completamente e lá vinha Jensen botar fogo na fogueira outra vez. Tudo bem. Só esperava que o homem pudesse arcar com as conseqüências.
—Quer que eu o leve no colo de novo? —Perguntou já se pondo de pé e se preparando para pegá-lo.
—Deixa eu ver se preciso... —Jensen tentou se levantar, mas percebeu alarmado que suas pernas estavam bambas demais para ele conseguir se por de pé. —Ok, grandão. Pode levar o prêmio.
Jensen estendeu os braços para que Jared o pegasse. Quando se viu nos braços do outro se perguntou como Jared conseguia acabar com ele e ainda ter forças para carregá-lo. Mas a pergunta mais importante era: Ele teria forças para uma segunda vez? Descobriria quando chegassem à banheira. Mesmo porque a cara que Jared fazia enquanto o carregava era a de quem se preparava para devorá-lo. É. Jensen iria apostar na força daquele homem, assim como apostara em seu amor por ele.
