Capítulo 6 – O pergaminho misterioso

Hermione encarou aqueles olhos verdes, ela sempre admirava o quanto aqueles olhos eram acolhedores e ao mesmo tempo intimidadores. Carregava uma áurea de poder, afeto e coragem que a garota tinha certeza que nem o próprio Harry sabia.

– Bem Harry, - começou Hermione – tudo começou quando eu estava na ala hospitalar, depois do evento no Ministério, no final do quinto ano. Como você deve ser lembrar, eu fui a última a sair de lá, por causa daquele feitiço de Dolohov. Então na minha última noite sob os cuidados de madame Pomfrey, Dumbledore foi me visitar.

Ela fez uma pausa e viu que Harry tinha desviado o pela primeira vez, até hoje ele se responsabilizava pelo que ela havia passado.

– Ele disse que não poderia entrar em detalhes ali, naquela hora, mas ele queria conversar comigo, na minha casa, durante as férias. Ele me fez prometer que não contaria isso a ninguém, quem quer que fosse. – Harry voltou a encarar a amiga com uma sobrancelha franzida, ela continuou ainda assim. – Ele me disse que entraria em contato comigo assim que fosse possível.

Bichento aparentemente cansado do carinho de Harry saltou ao chão e pulou no colo da sua dona.

– Mas nas férias me veio um sentimento de preocupação, o tempo passava e Dumbledore não aparecia, não entrava em contato. E quando eu começava a achar que alguma coisa havia ocorrido, ele me mandou uma coruja, dizendo que se fosse conveniente a mim, ele viria a minha casa conversar comigo e com meus pais e pediu desculpas por ter demorado a dar notícias.

"Indo direto ao ponto, Dumbledore chegou aqui em casa umas oito da noite, ele conversou somente comigo inicialmente. Ele, novamente, me fez prometer que eu não contaria nada nem a você, nem a Rony e nem a ninguém o que estava prestes a me dizer. Eu prometi. Então ele me perguntou se no final das nossas próximas férias eu poderia receber você por alguns dias. Lógico que eu disse que seria uma honra, mas o que mais me intrigou foi o fato dele preferir que você viesse para cá e não para A Toca, ou para sede da Ordem onde você teria uma proteção maior de bruxos ao seu redor. Ele percebeu o que me preocupava, ele me explicou que você atrairia menos atenção aqui, disse que uma vez que os Voldemort e os Comensais soubessem que você estava sumido, os primeiros locais que eles iriam espionar seria n'A Toca, e que aqui era o local perfeito, um lugar que ninguém viria atrás."

– Como não? – perguntou Harry, interrompendo a garota pela primeira vez, - Eles sabem que você é minha melhor amiga, sabem que você vem de família trouxa e é óbvio que eles buscariam a sua casa também.

Hermione sorriu.

– Já estava imaginando quando é que você iria me interromper, - disse marotamente, depois ela tornou a ficar séria. – Então ele me disse que já tinha resolvido a questão; há dois anos, no dia da sua audiência na Suprema Corte dos Bruxos, ele chegou ao Ministério mais cedo, sem ninguém dar notícia e alterou o meu endereço magicamente. Seria um ótimo blefe, porque até alguém de dentro do Ministério ou algum Comensal se dar conta disso, poderia levar meses ou até mesmo anos,...

Harry se lembrou que na sua audiência na Suprema Corte, Dumbledore havia dito que já se encontrava no Ministério por um "feliz engano".

"... então para deixar esse local mais perfeito para você se esconder, ele invocou um número razoável de mágicas e a mais interessante delas foi deixar a minha casa impossível de se mapear e tornou toda magia realizada aqui dentro, indetectável, desde que fosse realizada por bruxos maiores de idade. Brilhante, não sei como ele fez isso e não sabia que havia como realizar este tipo de mágica. Obviamente se algum bruxo menor de idade fizer alguma magia, ela se torna detectável, por causa do rastreamento, então é muito importante que você não faça magia alguma enquanto estiver aqui."

– Aí eu perguntei como você chegaria até aqui, ele disse que a respeito disso trabalharia depois de alguns meses, mas que já tinha uma idéia na cabeça, e que na hora certa, eu saberia como, que gostaria que eu não ficasse se preocupando com isso, e ele faria de tudo para você chegar aqui em segurança.

"Dumbledore se demonstrou muito satisfeito por eu ter aceitado, como se eu fosse dizer não! – disse a garota balançando a cabeça – Então ele me pediu para chamar meus pais e explicou toda a situação a eles: A guerra que o mundo bruxo estava vivendo e ia aumentar de patamar a qualquer instante, o perigo em que você estava metido. Por um terrível instante, achei que meus pais não iriam concordar, mas eles aceitaram sem qualquer problema e me disseram que eu tinha de ajudá-lo no que fosse possível, que eles tinham muito orgulho de me ter como filha! Dumbledore ficou completamente altivo também... – completou sonhadoramente."

– Mas por que seus pais seriam tão insanos de deixar a filha a um caminho que leva a morte? Eles são malucos? – perguntou Harry sem entender.

Hermione fechou os olhos e sorriu, "esse é o Harry, sempre preocupando mais com os amigos, do que consigo mesmo..."

– Harry, se você quiser a resposta para essa pergunta, pergunte ao meu pai ou para minha mãe, e eles vão te responder a mesma coisa que me disseram – disse sorrindo. – Eu já escolhi meu caminho Harry, não vou voltar atrás.

– Mas...

– Você havia me dito que não ia me interromper e é a segunda vez que você me interrompe Sr. Potter. – então perguntou encarando aqueles incríveis olhos verdes. - Posso continuar a minha história?

O garoto assentiu.

– Então, depois de executar suas mágicas aqui em casa, Dumbledore se despediu e disse que em menos de uma semana iria se encontrar com você e deixá-lo na casa de Rony e pediu que eu cuidasse de você, que não deixasse sua cabeça quente dominar o seu bom coração.

"Desde então eu imaginava que Dumbledore ia trazer você aqui pessoalmente, e depois que ele morreu, pensei que o plano havia sido abortado. Então, não havia necessidade de te por em perigo, dizendo que você devia vir até aqui. Mas quando você me ligou, me deixou muito preocupada, afinal, para onde você iria? Onde esconderia? – disse escandalizada, balançando a cabeça, - Por um instante quase que te liguei para ir eu mesma ao seu encontro, pensei até em ir atrás do Rony, para tirarmos você dos Dursley. Mas aí, Lupin entrou em contato comigo antes de eu lhe telefonar, me dizendo que ele, o Sr. Weasley, Olho-Tonto e Tonks, seguindo ordens de Dumbledore, iriam lhe trazer em segurança. Eu apenas concordei."

– Isso é tudo? – perguntou Harry.

– Resumidamente foi isso que aconteceu, Harry, pelo menos as partes mais importantes e que incluem você, - respondeu Hermione corando um pouco. – Agora você já sabe de tudo. É por isso que tudo aqui é muito tranqüilo, não há bruxos morando no meu bairro ou nas redondezas, se houvesse, Dumbledore explicou que desencadearia respostas que eu entenderia na hora.

Ela fez uma pausa. Encarou-o mais profundamente como poucas vezes fizera.

– Ainda está chateado comigo? Sente que eu fiz algo errado? Eu pessoalmente acho que Dumbledore agiu corretamente, e eu também – disse cheia de orgulho, - Você jamais concordaria com esse plano se soubesse com antecedência; nunca gostou de qualquer pessoa arriscando o pescoço por causa de você, então para você seria inadmissível. É assim que você é – completou com um sorrisinho, como se apenas ela soubesse o que era Harry Potter.

Desde quando Hermione era irônica ou fazia piadinhas?

– Realmente não concordei no início - respondeu Harry. – Quando me contaram no Ford Anglia que iam me deixar aqui, me deu vontade de pular do carro. Não queria que você corresse mais riscos por minha causa. Você já está correndo o bastante, não precisava demais.

– Harry – disse Hermione cheia de ternura, - eu sempre soube dos riscos de ser sua amiga. Você tem que aceitar isso. Sempre soube, desde a primeira vez que vi você e Rony no trem para Hogwarts que vocês seriam meus amigos, por um breve instante pensei estar enganada, - falou com certa ironia, - Mas eu sempre soube dos riscos de ser próxima a você e isso nunca me fez duvidar de que estava no lugar certo. Meu lugar é ao seu lado... Assim como o de Rony também – completou depressa. – Não vamos te abandonar. Jamais.

Harry Potter estava com a boca aberta, aquilo fora muito para ele. Não esperava uma declaração de amizade daquele jeito. Subitamente sentiu que estava segurando algumas lágrimas e uma um tanto teimosa escorreu pelo seu rosto. Ele se levantou e foi até Hermione e agachou até atingir a altura dela. Faltavam palavras... E pela primeira vez, desde que conhecia a garota, ele beijou seu rosto e a abraçou.

Harry...

A garota instintivamente passou a mão nos cabelos do amigo, acariciando, estava surpresa com o gesto carinhoso de Harry. Se Rony visse uma cena daquela, não estaria feliz, contudo.

Dizem que certas ações sobrepujam qualquer feitiço. Esta com certeza se encaixava nesse quesito. A mente de Harry completamente em branco, a de Hermione pensava alguma coisa ou outra. Tão doce.

Talvez tenha passado cinco minutos, talvez quinze, nenhum dos dois saberia responder quanto tempo havia passado. E com certeza teriam ficado mais não fosse um pequeno incidente. Harry imaginou o que Rony pensaria, se pegasse ele e Hermione daquele jeito. Imediatamente ele a soltou e olhou para o chão sem graça.

Mione também não havia dito nada, aparentemente estava confusa demais para falar alguma coisa, Harry tinha certeza que a garota pensou a mesma coisa que ele. Então foi a garota, que mais uma vez que quebrou aquele clima desconfortável que nunca havia acometido a amizade tão perfeita que eles tinham.

– Uma coisa eu não entendi, Harry. Como Lupin e os outros conseguiram te deixar aqui sem se arriscar tanto? E aquele carro? Era realmente o carro que você e Rony chegaram em Hogwarts no segundo ano?

Rapidamente, Harry colocou a amiga a par dos fatos e ela, diferente de Harry era uma boa ouvinte e não o interrompeu por um instante sequer. Contudo, quando o menino-que-sobreviveu terminou sua narrativa, ela parecia constatar algo. Algo que Harry tinha certeza que era a mesma coisa que ele havia pensado.

– Mas...

– Parece que Dumbledore tinha planejado tudo, como se soubesse que morreria dentro de pouco tempo, não é? – questionou Harry.

– Olha, Harry – disse Hermione incerta, - Eu estou achando tudo muito estranho, quer dizer... As ações do professor Dumbledore são um tanto quanto diferentes... Mas, saber que ele ia morrer em pouco tempo?

– Mione...

– Não Harry! Desde quando Dumbledore era um vidente?

– Ele sabia que Voldemort iria retornar, soube quando Voldemort estava ficando mais forte e adivinhou no primeiro ano que eu iria atrás da pedra se soubesse que Voldemort estava atrás dela.

– Qualquer bruxo sensato e atento aos fatos constataria isso Harry! – insistiu Hermione. – Não há necessidade de ser um vidente para isso, basta ficar atento aos fatos.

Harry estava pronto para retorquir a amiga quando algo aconteceu.

Por um breve momento, a cicatriz dele doeu avassaladoramente, e quando ele levou a mão instintivamente a ela, sentiu que não estava mais na casa dos Granger. Ele estava gargalhando loucamente, dois corpos jaziam ao chão enquanto ele torturava o terceiro. Raios vermelhos e verdes picotavam a toda parte.


Ele olhava o guardião a sua frente urrar de dor e ele apertou mais a varinha o torturando ainda mais, causando mais dor aquele idiota...

– Milorde – chamou uma voz seca, que Harry não escutava há quase dois meses e gerou um arrepio de ansiedade e raiva passar pelo seu corpo.

Harry ergueu a varinha e suspendeu a tortura. Observou o dono daqueles cabelos sebosos.

– O que você quer Severo?

– Milorde, Rowle deixou dois guardiães escaparem, eles provavelmente vão chamar reforços,– respondeu Snape.

– Vamos ficar aqui, Milorde, - disse uma voz cortante, surgindo das sombras - esperar os idiotas do Ministério e matar a todos.

Voldemort observou aquela mulher morena de olhar cadavérico e depois no outro lado Severo Snape, o rosto impassível, frio e aparentemente impenetrável. Caminhou lentamente até chegar ao limite da cela, tocou a parede com seu dedo longo.

– O que você acha da sugestão da Bela, Severo? – perguntou Harry, quase num sussurro, distraidamente.

Snape olhou para os olhos do seu amo, Harry sentia uma vontade enorme de torturar seu ex-professor ali e agora.

– Meu amo, se formos seguir nosso plano apenas pelo prazer de matar, concordo com Belatriz, vamos ficar e matar a todos, - começou Snape, os olhos sendo perfurados pelos olhos de cobra de seu amo, - mas se nosso plano é um pouco mais importante e um tanto mais inteligente que isso, sugiro que voltemos a nossa sede. Mas quem decide isso é o senhor, milorde.

Lord Voldemort continuava a encarar seu servo que em nenhum momento baixou o olhar, Belatriz, porém, aparentava que ia explodir a qualquer instante.

– Muito bem Severo, - disse Harry com sua voz cortante, - você tem razão, vamos reunir todas as nossas forças e voltar. Mas antes traga Rowle até mim...


– Harry! Harry! Acorde, vamos!

O garoto abriu os olhos. Observando a sua volta, tinha retornado a casa de Hermione, a mão ainda pressionava a cicatriz.

– O que aconteceu? – indagou Hermione, - Você caiu apertando sua cicatriz! Você está bem? Me conte!

Harry respirou um instante, a cicatriz ainda lacrimejava, depois uma pontada forte fez os olhos do garoto arderem.

– Eu estou bem, muito melhor do que Rowle e os guardiões de Azkaban pelo menos.

Rapidamente Harry pôs a amiga a par de tudo que havia acontecido.

– Snape estava lá? – perguntou Hermione com a voz esganiçada.

– É obvio, não é? - falou ironicamente.

– Mas isto deveria ter acabado Harry – disse Hermione com desespero – A sua cicatriz... não deveria fazer mais isso! Você não pode deixar essa ligação reabrir.

Harry se levantou, Hermione em seu encalço.

– Acalme-se Mione, está tudo bem. Foi só uma vez. Até Dumbledore disse que isso poderia vir a acontecer.

– Como é? Você nunca havia explicado isso.

– Por favor, Mione, me dê um tempo? Minha cabeça ainda está doendo. Vamos discutir isso depois. Prometo. Mas vamos ao menos esperar... Quando Rony estiver conosco, eu conto a vocês.

Aqueles olhos castanhos não concordavam, Harry podia sentir e achava que ela iria querer a resposta ali e agora, ela ia insistir. O que não esperava, porém, acabou acontecendo.

– Tudo bem, Harry, - disse Hermione. – Olha, está quase na hora do almoço, vamos descer e depois disso podíamos examinar aquele pergaminho que Dumbledore deixou para você. O que você acha?

– Eu concordo.

Pelo menos ele se esqueceu de defender a sua tese ridícula de que Dumbledore era um vidente, pensou Hermione com ferocidade e seguindo Harry descendo as escadas.


Durante o almoço, os pais de Hermione fizeram de tudo para que Harry ficasse o mais a vontade possível. Enquanto Harry não acabou seu quarto prato, a Sra. Granger não o deixou em paz, a comida estava ótima, embora intimamente Harry admitisse que a Sra. Weasley era a melhor cozinheira que ele já conhecera até então. O Sr. Granger o questionava a respeito de tudo, o que ele gostaria de ser no futuro, qual time de futebol ele torcia. Entretanto, nenhum dos dois perguntara ao garoto sobre os seus pais ou seus tios, o que Harry tinha absoluta certeza fora feito Hermione.

Depois de uma sobremesa caprichada, salada de frutas e pudim (sem açúcar), Hermione levara Harry até o quarto em que o garoto ficaria todos aqueles dias. Ela se sentou na cama, Harry achando que seria um tanto desrespeitoso da parte dele sentar ao lado dela, puxou a cadeira da escrivaninha e ficou defronte a Hermione que já tinha retirado a varinha de dentro da parte interna de seu vestido. O garoto retirou o pergaminho velho do bolso e o colocou sob a cama, e imitando a amiga, pegou sua varinha que se encontrava no bolso da calça jeans.

Hermione franziu a testa.

– Harry, você já esqueceu o que eu te contei? Você ainda não tem 17 anos, se fizer magia aqui, o rastreador irá te encontrar, todos saberão que você está aqui, inclusive os comensais e Voldemort.

– Me desculpe, - falou Harry mal-humorado, detestava ainda ser menor de idade, mas isso se encerraria dali a poucos dias, - eu havia me esquecido.

– Deixe as mágicas comigo – disse Hermione com simplicidade.

Ela pegou o pergaminho e bateu nele três vezes com a varinha.

Aparecium.

O pergaminho continuou em branco. Hermione se levantou rapidamente e voltou ainda mais rápido, carregando uma coisa minúscula, vermelho-berrante na mão esquerda. Harry não via aquela borracha já tinha algum tempo.

Hermione raspou todo pergaminho e chegou um momento que Harry temeu que o pergaminho de Dumbledore virasse pó.

– Mione, - começou Harry com carinho – você sabe que isso não vai resolver em nada. Dumbledore é mais inteligente que isso. Não fique chateada comigo, mas você sabe que vindo dele, deve ser uma coisa muito mais complexa para se mostrar do que aparenta.

– Eu não estou chateada, Harry. Eu concordo com você. Fui burra achando que resolveria esse pergaminho com um simples feitiço ou com um revelador barato.

Então ela bateu mais uma vez no pergaminho.

Specialis revelio.

Nada.

Pessoalmente, Harry tinha certeza que nada daquilo iria resolver. Sabia que vindo de Dumbledore, aquele pergaminho era um enigma muito mais complexo que nenhum feitiço iria fazê-lo revelar o que continha.

Hermione o encarou como se pedisse ajuda. Então uma luz se acendeu em seu cérebro, talvez não desse certo, mas ainda assim poderia surgir alguma coisa que ajudasse.

– Mione, diga quem você e o que você quer dele.

– Como? – perguntou intrigada, temendo pela sanidade do amigo.

Harry balançou a cabeça impaciente.

– Vi Snape fazendo isso uma vez no Mapa do Maroto. Apesar de não ter dado certo, algumas linhas chegaram a aparecer.

A amiga parecia entender agora o que Harry queria dizer, colocou o cabelo atrás da orelha, apontou com a varinha para o pergaminho e bateu uma vez:

– Hermione Granger, 17 anos, aluna do sétimo ano de Hogwarts, ordena que revele o segredo que está oculto.

Inicialmente nada havia acontecido, então para a surpresa tanto de Harry, quanto de Hermione linhas apareceram.

Só me abro para quem pertenço, não escuto feitiços e muito menos ordens. Contenho informações úteis e relevantes, mas para ter acesso a ela, escute muito menos o seu cérebro e mais ao seu coração.

A mensagem brilhou por quase trinta segundos e depois se apagou. Os bruxos ficaram em silêncio por algum tempo, esperando que mais dicas brotassem do pergaminho, mas foi em vão. Estava inerte.

– Bem, - disse Harry, - ficou óbvio que magia não vai adiantar não é, e ele só vai revelar os seus segredos a mim.

– Mas temos de procurar outra forma. Venha.

Hermione foi para o seu quarto e Harry a seguiu, ele não ficou surpreso quando ela abria vários livros e ficou assim durante horas, e mesmo com todo o empenho da garota, não conseguiram achar nada.


Naquela noite, quando Harry se preparava para dormir e aguardava Mione terminar seu banho, ele foi até a janela e a abriu. Era dia de lua minguante, as estrelas brilhavam no céu com uma intensidade rara. Sentia falta da Toca, de Rony, dos gêmeos e de Gina. Dali a menos de duas semanas estaria com todos eles e Hermione junto.

Os pais de Hermione já tinham lhe dado boa noite, agora só faltava Mione. Ele continuava viajando em pensamentos longínquos, os seus olhos refletiam o céu.

– O que você está fazendo?

Harry se virou e viu Hermione enrolada num robe cor de rosa. Os cabelos loiros caiam pelo rosto da garota lhe dando um jeito elegante e encantador. Era incrível como o cabelo arrumado e uma dezena de livros ausentes sob as costas faziam uma diferença enorme.

– Estava olhando o céu. A lua está muito bonita hoje, - disse Harry e antes que se pudesse se conter. - Escuta, por que você não fica assim em Hogwarts também?

Hermione se aproximou da janela e se colocou ao lado do amigo, queria olhar o céu também.

– Assim como? – perguntou distraída.

– Desse jeito, - disse Harry sem saber como explicar e tentando escolher as melhores palavras disponíveis. – Ao mesmo tempo simples e encantadora, ah... não sei como explicar.

Harry corou um pouco e preferiu encarar as estrelas a Hermione. Provável que a amiga não o entendesse. Hermione, contudo, segurava o sorriso.

– Eu sou mais feia em Hogwarts? Sou tão mal arrumada assim?

– Não foi o que disse, você não me entendeu...

Por que as palavras adequadas não apareciam? Hermione sorriu ainda mais, como Harry era desajeitado.

–... você sabe que não acho você feia. – disse Harry agora um pouco indignado. – Só acho que você chama mais atenção quando...

– Estou de pijama e robe? – perguntou Hermione, agora rindo abertamente e virando-se para encarar o amigo.

– Lógico que não! – respondeu Harry se virando para ela também e sem querer deixou escapar. – Embora, sorrir mais também não lhe faz nenhum mal.

– Irei me lembrar disso no futuro, Sr. Potter, se voltarmos a pôr os pés em Hogwarts.

Eles ficaram se encarando por um instante e antes que Hermione perdesse a coragem, abraçou o amigo e deu-lhe um beijo na bochecha.

– Boa noite Harry, se precisar de alguma coisa, me chame. Meu quarto não é azarado como o dormitório das meninas em Hogwarts.

Ela se virou e foi saindo, parou na porta e lembrou-se de algo importante.

– Não se esqueça de esvaziar sua mente antes de dormir. Boa noite. - disse, antes de fechar a porta.

Quando se deitou, ela percebeu o quanto estava estava encantada com aquele Harry mais carinhoso, sincero, mas sempre desajeitado. E sem perceber a profundidade daquilo, adormeceu pensando nas palavras dele e inconscientemente sorrindo. Por que Rony não podia ser daquele jeito também?

Harry demorou um pouco mais para ir dormir. Ficou olhando o céu por uns minutos a mais, aquele tempo estava maravilhoso apesar da guerra lá fora. Gostaria muito de ficar naquela paz interior por mais tempo, mas sabia que dispunha de poucos dias para entrar de vez em sua jornada.

Ele se sentou sob sua cama e cuidadosamente esvaziou sua mente. Então pegou o pergaminho de Dumbledore e ficou encarando aquele pedaço de papel velho. Quando ele voltou a si, observou que uma linha minúscula havia aparecido.

Lembre-se do espelho.