Jéssica 217.1 – Herdeiro esquecido – ElizabethPower
CAPÍTULO 7O jantar naquela noite, com a presença de alguns dos maiores nomes do ramo da hotelaria do Reino Unido, seria realizado no salão de baile de uma casa senhorial do século XIX.
Edward havia informado Bella que havia estado em dúvida sobre ir, por isso não estava em sua agenda, mas depois ele havia ouvido falar que dois de seus conhecidos dos Estados Unidos quem ele estava muito interessado em ver iriam. Eles estavam lá para vender suas ações em algumas das unidades hoteleiras rurais que possuíam no Reino Unido e, como esta era uma parte do mercado na qual ele estava interessando, sentiu que seria benéfico estar lá com sua secretária.
Era o primeiro evento formal que Bella conseguia se lembrar de participar, embora soubesse pelas fotografias que havia visto de si mesma que havia participado de um ou dois com James Rushford durante os primeiros dias de sua curta carreira de modelo. Foi com um pequeno arrepio de tensão que ela entrou no deslumbrante salão.
Algumas horas mais tarde, tomando a segunda xícara de café, com os discursos e na maior parte do negócio da noite bem fora do caminho, Bella não conseguia entender por que esteve tão nervosa. Os Otterman se provaram adoráveis.
PJ era um homem baixo, de cabelo grisalho, bigode ruivo e uma risada contagiante. Sua esposa, Mary-Louise, era uma elegante senhora de fala calma que,
por sua pele clara e figura esguia, claramente cuidava de si. Ela, no entanto, estava temporariamente confinada a uma cadeira de rodas, com a perna engessada, como resultado de uma queda sobre uma mala de viagem desacompanhada no aeroporto.
Que infelicidade — disse Bella. — Especialmente com o clima tão belo no momento e vocês tendo que abrir mão de todos os passeios que estavam planejando para esta viagem.
Sim, acho fui um pouco descuidada — admitiu Mary-Louise, com uma careta.
Mas, secretamente, minha querida... — Ela inclinou-se para Bella e sussurrou: — Eu estou gostando de que PJ esteja me mimando como nunca fez em 40 anos.
Bella riu, apreciando a companhia da americana enquanto Edward falava de negócios com seu marido.
Elas foram interrompidas quando dois jovens animados demais, com canecas de cerveja na mão, passaram por Mary-Louise como se não houvesse ninguém sentado ali. A mulher deu um pequeno suspiro chocado e Bella ficou estarrecida ao perceber que havia manchas de cerveja na manga da blusa da mulher.
Bella percebeu que os dois homens que haviam colidido com a cadeira não só pararam para compartilhar uma piada em voz alta com outros dois jovens, a poucos metros de distância, mas que um deles, na verdade, teve a ousadia de avaliá-la.
Só porque ela está em uma cadeira de rodas não significa que é invisível. A reprimenda saiu antes que ela pudesse impedir.
Sinto muito — disse um dos rapazes e, parecendo envergonhado agora, cambaleou às pressas por outro grupo de pessoas que estavam em uma mesa próxima, com seus três amigos no seu encalço.
Edward havia estado ciente durante toda a noite do crescente relacionamento entre Bella e Mary-Louise. Agora, observando-as enquanto conversava com PJ, notou a mulher mais velha descansar a mão carinhosamente sobre a de Bella e dizer:
Isso foi muito gentil da sua parte.
A maneira como ela defendeu a esposa de seu amigo o havia impressionado imensamente. Supôs que houvesse surgido de sua própria experiência com outras pessoas no momento em que ela havia estado debilitada.
Ele notou, também, a facilidade com que os Otterman, particularmente Mary- Louise, haviam gostado dela. As pessoas sempre gostavam, percebeu, apesar de ela afirmar que não fazia muitos amigos. Aos 19 anos, Bella tinha uma espontaneidade calorosa e aberta. Lembrou-se de como ela a havia usado, sem esforço e inconscientemente, para tentar conquistar sua avó. Elizabth Cullen, no entanto, se recusou se aproximar dela.
Com uma pontada de irritação, Edward os pegou rindo de algo que Bella havia acabado de dizer a eles.
A forma como ela cruzava as pernas dava uma visão sedutora de uma coxa suavemente protegida. De fato, aquele vestido o estava deixando quase louco com a necessidade de senti-la contra ele e ele sabia que precisava satisfazer aquela necessidade muito em breve ou enlouqueceria.
Se você nos der licença... — Ele interrompeu algo que PJ estava dizendo e pegou a mão dela. — Bem? — disse a ela, seu corpo tão rígido da luta para conter sua excitação que era foi difícil sorrir. — Você vai me mostrar o que pode fazer?
Ela sorriu um pouco sem jeito.
Acho que prefiro ficar fora dessa.
Seu olhar para Mary-Louise sugeriu que ela não quereria dançar porque a outra mulher não podia. Ele havia ouvido Mary-Louise dizendo a ela quando a música começou o quanto ela sempre gostou de dançar.
Bobagem, querida. — A mulher deu um tapinha tranquilizador na mão de Bella. — Não recuse por minha causa. Vocês jovens precisam de um minuto para si.
Do jeito que Mary-Louise estava olhando para ele e Bella durante a noite, era óbvio que ela sabia que havia algo mais em seu relacionamento do que apenas negócios.
E posso garantir que eu vou estar lá também em menos de seis meses.
Fingir rir com os outros não ajudou Bella a relaxar conforme Edward a levava para a pista de dança.
Parece que você está em menor número, não é? — zombou ele acima da música.
Eu estava apenas sendo atenciosa — blefou ela enquanto ele a virava e colocava os braços em torno dela.
Muito louvável. — Seu sorriso era devastador. — Agora, seja atenciosa comigo.
Ela suspirou quando seus corpos se tocaram. Nunca havia se sentido tão nua dançando com um homem em público. Seu calor penetrava a seda fina do vestido como se ela não estivesse vestindo nada.
Você acreditaria se eu dissesse que não sabia que haveria dança aqui esta noite? Não foi mencionado.
Mas agora que há, você vai tirar o máximo proveito do fato?
Você pode me culpar? Especialmente quando estou ciente de que você me quer igualmente.
Isso não é verdade. — Ela virou a cabeça para que não pudesse ver o desdém no rosto dele.
Você é uma péssima mentirosa, Bella. Posso sentir a maneira como seu corpo está respondendo a mim agora e não é a resposta de uma mulher que quer que eu
a deixe sozinha.
Mas você vai.
Foi uma ordem desesperada em vez de uma pergunta.
Até que você me implore o contrário.
Ela poderia dizer que ele estava sorrindo. Um sorriso lento e sexy.
Verbalmente, é claro.
Ele podia dizer pela tensão em seu corpo o quanto ela o queria fisicamente. Seus seios estavam doendo e suas coxas estavam formigando, enviando vibrações de puro desejo para o coração de sua feminilidade cada vez que colidia com a força musculosa dele.
Inclinando a cabeça para, ela perguntou com uma voz involuntariamente provocadora:
Este tipo de técnica fascinante me excitava antes? Ele sorriu maliciosamente.
Está funcionando agora, não é? Ela soltou uma risada estridente.
Você sempre foi tão presunçoso?
Chamo de estar um passo à frente. E eu não acredito que você tenha esquecido tanto quanto diz.
Bem, essa é a sua opinião — disse, sem dizer que havia mais pedaços de sua memória que ela estava começando a reunir. Que haviam começado a assustá-la e que ela estava aterrorizada com o que os pedaços ainda perdidos poderiam revelar.
O que foi? Estou chegando perto demais da verdade? Ou você está tendo outro de seus momentos de recordação?
— Não... Eu...
Por que ele tinha que ser tão astuto?
Por que não vamos para casa?
Suas palavras eram uma carícia sensual.
Quando ela não respondeu, temendo o que poderia dizer, permitiu que ele a levasse para fora da pista de dança.
Eles voltaram à sua mesa e ele se desculpou com os Otterman, convidando-os para ficarem na casa antes de voltarem para os Estados Unidos.
Conforme andavam pelo saguão luxuoso, Bella não conseguia nem se lembrar de ter se despedido. Ela só conseguia se focar no braço de Edward em volta de seus ombros e no desejo que estava aumentando dentro dela.
Ia acontecer, pensou. Apesar de tudo o que ela havia dito, ela iria para a cama com Edward Cullen novamente. Não sabia como havia conseguido chegar tão longe em apenas poucos dias.
Fraca de desejo, ela estava contando os segundos até chegarem à privacidade escura de seu carro.
Edward! Edward Cullen!
Um homem que estava passando havia parado e estava andando em direção a eles agora. Ele possuía cabelo castanho e parecia alguns anos mais velho do que Edward.
Quanto tempo! — Ele estava estendendo a mão para ele. — Cinco anos? Não, mais... Seis anos?
O homem, pelas suas roupas formais, obviamente também participava do evento. Chamava-se Gerard, e costumava ser um chef assistente no restaurante de Carlisle Cullen. Agora ele tinha ações de um pequeno hotel em Brighton.
Fiquei triste por seu pai — disse para Edward. — Tudo aconteceu tão de repente. Mas ouvi dizer que você está muito bem. — O homem olhava para Edward com inveja indisfarçável. Ele olhou para Bella, acrescentando: — E em mais de um sentido.
Sentindo olhos do estranho percorrendo seu corpo, Bella teve a sensação de que ela poderia conhecê-lo, mas as vibrações que ela estava recebendo sugeriam que, se houvesse, então a experiência não havia sido muito agradável.
Devo dizer que estou satisfeito de ver vocês dois juntos novamente. — Ele estava olhando mais para Bella do que para Edward agora. — Sempre pensei que havia sido uma tragédia você perder esta linda garota. — Ele a tocou no ombro.
Não sabia que você tinha conhecimento sobre mim e Bella — disse Edward, friamente.
Acho que todos sabíamos. Não havia um homem naquela cozinha que não invejasse você, meu velho. Na verdade, cheguei a pensar em tentar a sorte com ela quando ouvi que vocês haviam se separado. Mas depois seu pai morreu. O restaurante fechou... — Ele fez um gesto expressivo com os braços. — Fiquei desempregado e esta bela criatura já havia chamado a atenção de alguém muito mais inteligente e rico do que gente como você e eu.
Bella sentiu a hostilidade e a raiva crescente de Edward.
Bem, foi um prazer vê-lo novamente, Gerard. — Bella quase podia ouvir os dentes dele rangendo. — Mas, como você pode ver, estamos com pressa.
A iluminação em torno do edifício mostrou a Mercedes se aproximando. Também mostrou o rosto de Edward parecendo uma máscara sombria.
Aquele cara demonstrou suas intenções com você enquanto nós...?
Ele parou e, por seu suspiro exasperado, ela soube que ele achava inútil perguntar. Mas ela estava bem consciente do que ele iria dizer.
Ele deu em cima de mim. — Lembrou-se em voz alta, assim que entraram no carro.
O quê? Quando? Onde?
Não sei! Só sei que foi assim
E você recebeu bem?
Ela olhou para ele horrorizada.
Você está brincando, certo?
O olhar dele foi insultantemente cético.
Sim, claro. Adorei!
Ele saiu do estacionamento derrapando desnecessariamente, seu rosto duro e rígido.
Ele estava zangado porque Gerard havia levantado seu envolvimento com James Rushford, sem saber os danos que causaria. Ou talvez soubesse, pensou. Edward já a havia acusado de praticamente se vender ao magnata. Mas será que ela havia? Suas unhas se cravaram nas palmas das mãos enquanto ela lutava para se lembrar. Não podia. Como poderia, se nunca o quis dessa maneira?
Gerard deu em cima de mim — reiterou tentando soar casual. Mas as imagens se manifestando agora eram de pura repulsa. — Os homens faziam isso.Não posso evitar.
Nem eles.
Então o que você vai fazer? Vai me trancar e jogar a chave fora? — Como ele não respondeu, ela continuou: — Isso é possessividade, Edward.
O que os havia separado? Será que havia se sentido sufocada? Ou será que, como ela sempre achou, ele se ressentia por ela querer uma carreira?
Se for, então não posso ser culpado por isso, posso? — murmurou ele.
Por quê? Por eu ter a aparência que tenho? Você praticamente me vestiu hoje, lembra? E você não é exatamente o tipo de homem que o sexo oposto pode ignorar.
Essa é a sua maneira de me lembrar onde estávamos há uma hora? Era?
Não — refutou ela rapidamente, porque seria muito fácil reacender o clima que os havia impulsionado para fora daquele salão e ela sabia que era uma loucura pensar em se tornar intimamente envolvida com ele, mesmo antes de haverem encontrado Gerard.
Como quiser — aceitou ele sem dizer mais nenhuma palavra pelo resto da viagem para casa.
