CAPITULO VII
Lily viu-se de volta a seu quarto sem sequer se lembrar de ter subido as escadas.
Trêmula, afundou numa cadeira, o olhar fixo no vazio. Agira feito uma tola. James chamara a intimidade de ambos de completa loucura, mas nem sequer sabia da missa a metade, não era? Ainda acreditava que ela era Lilian, golpista desalmada e garota leviana. Tornou a pôr-se de pé abruptamente, tomada por um súbito desespero para reassumir sua própria identidade, sua reputação, contando-lhe toda a verdade. Então, a razão e o constrangimento voltaram a dominá-la e tornou a sentar-se na cadeira, cobrindo o rosto com as mãos num acesso de frustração.
Prometera que protegeria Lilian. Que jamais a trairia. A irmã precisava de tempo para resolver seus assuntos finan ceiros e para decidir como e quando contar a Roger sobre a situação complicada em que se encontrava. Lily prometera que lhe daria aquele tempo. Além do mais, apenas uma tola acharia que James receberia bem a confissão de uma farsa daquelas. Na certa, só teria ficado mais ultrajado e furioso.
De qualquer ângulo que analisasse a situação, ela via que sentenciara a si mesma à dor no exato dia em que conhecera James Potter e o fizera acreditar que era a viúva de Ryan Dumbledore. Desde o instante em que o vira pela primeira vez, já estivera mentindo como nunca em sua vida! Fora, sem dúvida, uma ironia do destino que tivesse se apaixonado perdi damente pelo homem. E não precisava se iludir, imaginando que James a acharia mais atraente como Lily Evans. A realidade era uma só: ele a rejeitara.
Ela fora apenas uma aventura de uma noite. Nem sequer uma noite inteira, pois James removera-a de sua cama antes do amanhecer e agora queria vê-la fora de sua casa e de seu país também. Um homem não podia deixar seus sentimentos mais claros!
Mas era em grande parte culpada por seu próprio sofrimento, admitiu. Achara que o sexo seria um caminho mágico até o coração dele? Contraiu o rosto com amargura, zangada com sua própria fraqueza. Deixara que James a usasse. Mas como podia culpá-lo quando se oferecera de bandeja? Ele nem sequer fingira que queria um relacionamento sério. Não lhe dissera uma única mentira. E ainda assim fora para a cama com ele! Como conseguiria lidar algum dia com a humilhante verdade?
Uma criada bateu à porta e entregou-lhe um grande envelope pardo antes de se retirar.
Abrindo-o, Lily viu que se tratava do acordo de reembolso do dinheiro a Dumbledore. Céus, o que deveria fazer com o maldito documento se não podia assiná-lo?
Tinha que telefonar para a irmã outra vez; não havia es colha. Deixando o quarto, adiantou-se pelo corredor. Um dos quartos de hóspedes estava com a porta aberta, obviamente a fim de ser arejado. Fechando a porta atrás de si, Lily adiantou-se até o telefone sobre o criado-mudo e discou o número do apartamento de Lilian em Londres.
— Achei que você não fosse ligar mais! — exclamou a irmã, acusadora.
— Você comentou algo com Roger? — Lily franziu o cenho por um momento, distraída por um ruidoso clique na linha.
— Como posso fazer isso se ele está na Alemanha?
Lily esquecera-se por completo do fato. Somente agora se lembrava de a irmã ter-se queixado de que a empresa onde o noivo trabalhava o enviaria para Berlim por uma quinzena e que ele só retornaria às vésperas do casamento.
— Desculpe, eu...
— Ouça, Lily, houve uma boa oferta pelo seu apartamento e eu a aceitei. Pretendo dizer a Roger que darei o dinheiro a você.
Lily ficou tensa e incrédula com a notícia.
— Mas...
— Quando, na verdade, transferirei o dinheiro para o banco de Dumbledore na Espanha. Está bem? Está satisfeita agora?
— Você precisa contar a verdade a Roger, Lilian.
— Não, não preciso. Agora, você só tem que convencer Potter de que isso é tudo o que tenho condições de devolver.
— Não creio que James aceitará.
— Como pode ser tão pouco cooperativa enquanto estou de pendendo tanto de você? — retrucou Lilian num tom de con denação. — Na verdade, aposto que você já criou uma terrível confusão qualquer aí!
Lily empalideceu, o estômago em nós.
— Fiz tudo o que pude...
— Tudo exceto dizer a ela para parar de usar você! — A inesperada intervenção de uma outra voz feminina na linha causou tamanho choque em Lily que largou o fone como se estivesse em brasa. Arya?
Ela olhou petrificada enquanto a irmã de James entrava calmamente no quarto. Segurava um telefone sem fio junto ao ouvido, um telefone ao qual ainda estava falando!
— Você tem muita coragem, Lilian... enviando Lily até aqui como um cordeiro para a mesa de sacrifício, para poder salvar a sua própria e preciosa pele!
— Arya! — exclamou Lily, apanhando o fone que deixara cair para ver se a irmã ainda estava na linha. — Lilian?
— Quem... quem era aquela? — murmurou Lilian, parecendo igualmente chocada.
Junto à porta do quarto, que fechara atrás de si, a morena baixou o telefone sem fio para demonstrar que já dissera tudo o que pretendera.
— Esqueça — disse Lily, trêmula. — Conversaremos depois — apressou-se a acrescentar e desligou.
— Vamos descer para conversar num lugar mais tranquilo — sugeriu Arya com um ar divertido, como se ter descoberto que ela era uma impostora não fosse algo de séria importância.
Atordoada, Lily seguiu-a até o andar de baixo. Arya adiantou-se até uma suntuosa sala de estar, fechou a porta atrás de ambas e sentou-se num sofá de brocado.
— Como você descobriu? — perguntou Lily, fitando-a com olhos ainda arregalados.
— Foi muito fácil. Antes de você ter subido, fui até seu quarto, abri sua mala à procura de seu passaporte e olhei. Então, abri sua carteira e encontrei duas fotos. Há uma de gêmeas com cerca de um ano e outra de você e de sua irmã já adultas. — Arya revirou os olhos com visível desdém diante de tamanho sentimentalismo.
— Então, agora você vai contar ao seu irmão...
— Não necessariamente...
— Mas...
— É evidente que James acabará descobrindo cedo ou tarde. Por que eu deveria me envolver? Quero dizer, de uma maneira ou de outra, sua tola irmã vai acabar pagando, porque ele não desiste.
— Lilian não é tola. Só está assustada!. — Vendo a ex pressão impassível de Arya, Lily soltou um suspiro. — Está certo, deixe-me contar-lhe a história toda e talvez, en tão, você compreenda.
Arya ouviu com interesse, mas não demonstrou a menor simpatia por Lilian.
— Ainda não entendo por que você teve que enfrentar toda essa situação desagradável no lugar dela.
— Minha irmã não planejou as coisas dessa maneira.
— Mas não está lamentando nem um pouco a forma como tudo acabou acontecendo. — Arya observou-lhe o rosto preo cupado e sacudiu a cabeça, intrigada. — Você é altruísta de mais. Bem, mas agora só precisa de um meio de escapar de pressa de James e eu posso provê-lo.
Lily fitou-a com uma expressão de incredulidade no olhar. A morena corou.
— Bem, qual é a finalidade de você continuar aqui? Você não pode assinar aquele acordo de reembolso, nem partir sem ajuda.
— Mas você é a irmã de James.
— Meia irmã, por parte de pai — corrigiu-a Arya, apertando os lábios. — Não estou sendo desleal. Estou apenas vendo o meu lado. James estará no encalço de sua irmã, não importando o que aconteça, e não há nada que você possa fazer a respeito.
Havia uma terrível verdade no comentário que fez Lily estremecer. Podia esperar que a transferência bancária de fun dos que Lilian mencionara fosse o bastante para fazer com que James se mostrasse mais razoável. Mas ainda não en tendia por que Arya estava lhe oferecendo ajuda.
— E de que maneira você estaria "vendo o seu lado" se me ajudasse a partir?
— Isso é um assunto meu. Mas você só tem algumas horas para se decidir. James está de partida para uma reunião de negócios em Nova York ao final desta tarde, mas estará de volta amanhã à noite. Eu certamente não poderia ajudar você a partir com ele por perto!
Arya levantou-se, adiantando-se até a porta.
— Assim, dependerá de você, E pelo que vejo, não tem muitas opções, porque se decidir não partir, eu provavelmente sentirei a necessidade de contar a James que está com a irmã gêmea boa, não com a malvada! — disse antes de se retirar do quarto.
Lily sentiu o estômago em nós diante da crua ameaça. Desorientada, decidiu voltar para o escritório. Enquanto a equi pe fazia o longo horário de almoço adotado em climas quentes, estava vazio. Sentou-se à sua mesa e soltou um profundo sus piro, tentando se acalmar. James ficaria furioso com sua recusa em assinar o acordo, algo que ela não podia fazer, e achava que já bancara a tola o bastante sem ser forçada a continuar num lugar onde era indesejável.
Ao mesmo tempo, porém, se desaparecesse sem ter assinado o acordo, poderia acabar levando James até Lilian antes do casamento. Mas Roger não estava na Alemanha agora, onde poderia ser poupado de tudo aquilo? Se deixasse uma carta, prometendo aquela transferência de dinheiro que Lilian men cionara, aquilo não satisfaria James ao menos por uma se mana ou duas? Era um homem muito importante e ocupado. Quais eram as chances de que largasse tudo e fosse para Lon dres imediatamente?
A porta se abriu, e James entrou no escritório. Tão logo a viu, adquiriu uma expressão fria, distante.
— O que está fazendo aqui? — perguntou num tom cortante.
— Eu não estava com vontade de almoçar..,
— Céus, você é mesmo capaz de qualquer coisa para não abrir mão de seus lucros obtidos de maneira ilícita! Mas, se está determinada a continuar fingindo que quer trabalhar aqui, é melhor que se torne útil.
— Útil?
James colocou uma folha de papel sobre a mesa.
— Abra este arquivo e o imprima para mim.
Mordendo o lábio inferior, enquanto se esforçava para usar o que aprendera durante a manhã e realizar a tarefa, Lily perguntou-se por que estava se dando ao trabalho. A quem estava tentando impressionar? Onde estava seu orgulho? James comportava-se como um verdadeiro déspota.
— Está planejando levar o dia todo para executar essa sim ples tarefa? — perguntou ele, mordaz.
Lily ergueu as mãos subitamente, cerrando os punhos e bateu-os de encontro ao teclado. Levantou-se, então, numa ex plosão de raiva.
— Pare de falar comigo desse jeito! Já entendi o recado, está bem?
— Você vai ter entendido o recado depois que tiver assinado aquele acordo.
— Pelos céus...
— Uma vez que o tiver assinado, talvez eu resolva lhe fazer uma visita na próxima vez em que for a Londres.
Desconcertada, Lily franziu o cenho.
— Eu não entendo...
— Não? — retrucou ele com um riso cínico. — Você desperta o pior lado da minha natureza. Se eu conseguir resistir à ten tação, você nunca mais tornará a me ver.
Percorreu-a de alto a baixo com um olhar de pura apreciação masculina, notando como o vestido azul-marinho lhe acentuava cada curva do corpo bem-feíto. Lily sentiu as faces afogueadas, o coração disparando e soube que tinha que lutar contra si mesma. O fato de ele ter mencionado que poderia vê-la em Londres abalara-a, minando-lhe as defesas.
— Por outro lado — prosseguiu ele, um sorriso sensual nos lábios —, sou solteiro e posso ter você quando quiser. Por que deveria negar a mim mesmo uma indulgência ocasional?
Lily empalideceu, enquanto, enfim, compreendia. James estava totalmente a par do poder absoluto que exercia sobre ela, do fato de afetá-la de tal maneira que ela não tinha forças para resistir, não importando o que acontecesse. Aquela foi a derradeira humilhação.
— Você acha que... que eu sinto algo por você. E está disposto a usar isso para me forçar a fazer o que quer? — indagou, acusadora e inconformada com o fato de alguém ser capaz de ser tão manipulador.
James meneou a cabeça em confirmação.
Ela desviou o olhar, lutando contra a ameaça de lágrimas. Céus, não sabia fingir. Era evidente que, durante a paixão e a intimidade que haviam partilhado, deixara transparecer o que sentia por ele, e agora aquilo estava sendo usado contra ela. Engoliu em seco, chocada com a degradante proposta que estava lhe sendo apresentada,
— Entendo que esteja se sentindo injustiçada — disse James, seu ar satisfeito. — Quantas vezes você usou a seu bel-prazer homens que estavam loucos por você? Mas, desta vez, será diferente.
Lily saiu de detrás da mesa que os separava, o rubor da indignação tingindo-lhe as faces.
— Se acha que eu seria tola a ponto de deixar você me reduzir ao nível de uma ordinária qualquer com quem passa a noite quando tem vontade...
— Palavras tão acaloradas — interrompeu-a James ar rogante. — Ainda assim, você não impôs limites ontem à noite. Você me queria demais para ser sensata ou calculista e isso lhe trouxe vantagens, não é? Pois o que estou lhe oferecendo agora é um tipo de acordo para o qual você é perfeita.
— Não, não sou! — negou ela, tomada pelo ultraje.
— Muitas vezes na vida, todos acabamos nos conformando com o melhor que podemos conseguir. Assim, escolha entre mim e o dinheiro que praticamente extorquiu de Dumbledore. Pode ter uma, mas não as duas coisas. E se escolher a mim, será apenas nos meus termos.
— Não posso acreditar que está falando comigo desse jeito!
— Não é maravilhoso que você ainda possua esse encantador traço de inocência quase infantil quando as coisas não saem exatamente como planejou? — Um sorriso mordaz surgiu no rosto dele quando se deteve por um momento à porta antes de sair. — Nenhum homem em seu juízo perfeito manteria você num escritório. Quando esmurrou o teclado, você desconectou o sistema inteiro. Terei que contactar meu escritório central em Londres para obter esses números agora.
Atordoada, Lily olhou para o monitor do computador, que apresentava uma mensagem de erro. Fechou os olhos por um momento para tentar controlar o turbilhão de emoções. Mas James a desconcertara ao extremo. Ele tinha um escritório central de algum tipo em Londres? Com que frequência ia até lá? Mortificada pelos pensamentos que nem sequer deviam es tar lhe ocorrendo, experimentou uma onda de desprezo por si mesma. Mesmo que James Potter estivesse em Londres a cada maldita semana nunca mais queria tornar a vê-lo! Es tava tão seguro de si mesmo, tão certo de que a tinha à sua mercê! Bem, logo o prepotente homem descobriria que ela aprendera com seus erros!
Lily foi à procura de Arya e, através de uma criada, encontrou-a na sala de ginástica da mansão se exercitando.
— Pensei sobre o que você disse — anunciou tão logo a viu. — Aceitarei sua ajuda. Quero ir para casa!
Quando a última frase foi proferida, mas na forma de um desabafo emocional, Arya parou de pedalar na bicicleta ergometrica para estudá-la com atenção.
— Então, James já andou bancando o tirano com você também.
— Isto não tem nada a ver com seu arrogante irmão! — retrucou Lily de maneira um tanto impensada naquelas circunstâncias.
A atenção de Arya já fora desviada. Seus grandes olhos brilhavam com satisfação.
— Eu adoraria ver a cara de James quando perceber que nós duas desaparecemos!
Olá depos de uns três anos sem postar eu finalmente criei vergonha na cara e voltei.
Espero q vcs continuem a ler!
Bom...
Um beijo para:
Tonks e Lupin
Thaty
Nath Mansur
AdlaPoynter
Jaque Weasley
banny
Maga do 4
Isabel
cklovewinter
Mary-Veiga
Agradecimento especial a Mary – Veiga q me mandou a review hj e não sei bem o pq, me inspirou a continuar.
Vou tentar postar to semana ok gente, então segunda que vem eu posto mais... se eu conseguir alguma review é claro!
