Capítulo
7
WHO'S
YOUR DADDY?
Luna tinha combinado de "tomar café" na Villa Malfoy aquela manhã. Era mais uma desculpa do que qualquer coisa: nos últimos quatro meses Ginny não tinha comido quase nada e vinha perdendo peso visivelmente, ao invés de ganhar. A ruiva passava a maior parte do tempo enjoada e era tão freqüente vê-la vomitando que Luna começava a sentir como se a náusea fosse contagiosa: nada parecia parar em seu estômago também.
Aparatou nos conhecidos portões que conduziam a casa, mal dizendo seu nome antes de entrar. O elfo doméstico dos Malfoy a levou até a sala de jantar — como se não conhecesse o caminho —, onde encontrou a grifinória sentada em frente a uma mesa farta de bacon, ovos, diversos tipos de frutas e pães, café, sucos e leite. O cheiro lhe pareceu forte demais.
— Bom dia — a ruiva lhe cumprimentou, visivelmente enjoada.
— Bom dia. Draco está achando que algo vai tentar seu apetite?
Ginny deu de ombros.
— Eu não o culpo por tentar, afinal...
— Você precisa comer — falou, tentando controlar a própria vontade de vomitar ao ver o bacon sendo servido em seu prato.
— Eu estou tentando, Luna, mas não há nada que pare exatamente dentro de mim por mais que cinco minutos.
— Esse bacon está muito gorduroso — disse, levitando o prato para longe. Pegou um pedaço de pão, enchendo-o com ovos mexidos apenas por hábito.
— Não costumava ser problema.
— Eu adoro bacon. Mas não parece estar te ajudando muito — disse, dando uma mordida no pão. O gosto lhe pareceu muito forte e sua garganta parecia relutar em aceitá-lo.
Ginny riu, encarando-a.
— Me ajudando? Tem certeza?
— Você quer bacon? — perguntou, respirando fundo seguidas vezes.
— Eu não consigo sequer pensar em bacon, Luna — a amiga fez uma careta.
— Foi o que eu quis dizer — pegou um copo de suco de abóbora, virando-o de uma vez só. Desceu tão pesado quanto cerveja trouxa de baixa qualidade.
— Então, quando você pretende começar os exames? — Ginny perguntou, seu tom mais trivial do que Luna jamais imaginaria.
— Que exames?
A ruiva suspirou, engolindo com dificuldade sua xícara de chá.
— Você realmente acha que está assim por influência minha?
— É natural as pessoas sentirem náuseas por ver outras vomitando.
— Oh, claro — ela colocou a xícara sobre o pires. — E seus peitos incharem também.
— O que tem meus peitos? — falou, olhando para baixo.
— Além do fato de estarem pulando para fora do sutiã? — a amiga perguntou, erguendo as sobrancelhas. — Nada — acrescentou, sorrindo.
— Eu devo ter engordado — deu os ombros, colocando o pão de volta no prato.
— Claro que engordou.
— O que você está falando?
— Por Merlin, Luna, há quanto tempo você não menstrua?
— Qual sua preocupação com meu ciclo transloucado?
— Como você pode ser tão desligada? — a outra parecia divertida com a situação. — Você está enjoada porque eu estou enjoada, seus peitos incharam porque você engordou e você não lembra quando foi a última vez que menstruou. Isso não te faz pensar em nada?
— Ahn... Deveria?
— Luna, você está grávida.
— O quê?!
— É o que acontece, sabe, quando você e um homem...
— Eu não faço sexo desde que me separei.
— Oh... — a ruiva levou a mão à boca. — Há a chance de Kneazle ser o pai, então?
— Eu não estou grávida.
— Eu também não — ela respondeu, séria.
— Eu estou falando sério, Ginny.
— Se você não está grávida, eu também não estou. Simples assim.
— Eu. Não. Estou. Grávida.
— Nem eu. Quero dizer, eu nunca tive filhos antes, definitivamente não sei como é estar grávida, então...
— Ginny, seja razoável. Se eu pudesse engravidar, como teria conseguido passar dez anos sem nenhum sinal de gravidez?
— Ou... — a amiga ergueu as sobrancelhas. — Kneazle não pode ter filhos.
— Ele é perfeitamente normal.
— Luna, acredite em mim.
— Você quer mais alguém grávida.
— Okay, então nós vamos até St. Mungus.
— Bom dia — disse Draco, entrando na sala. O estômago de Luna se contraiu ainda mais.
— Bom dia meu amor — a amiga beijou o marido.
— Tudo bem? — disse, olhando de uma para outra.
— Nós estávamos de saída — ela respondeu, encarando a loira, que sentiu um calafrio percorrer seu corpo por causa da náusea.
— De saída para onde?
— St. Mungus.
— Você está se sentindo bem? — a preocupação de Draco para com a esposa era visível.
— Eu estou bem, apesar do enjôo. Na realidade quem não está bem é Luna.
— O que você tem? — perguntou, olhando levemente preocupado para a corvinal. — Não é contagioso, é?
A ruiva riu com gosto.
— Ela acha que é, amor.
— Como assim?
— Ela acha que engordou, por isso seus peitos estão inchados. E ela acha que está enjoada porque eu estou enjoada. Alguma espécie de empatia, não sei — Ginny deu de ombros para o marido enquanto sorria.
— Bom, então, certamente é contagioso. Me diga que você não pegou isso do Potter, Lovegood.
— Pelas minhas contas, as chances existem.
— Eu não estou grávida, qual a parte difícil de entender?
— A parte em que eu tive três filhos e estou grávida novamente e sei reconhecer uma grávida?
— Eu não estou vomitando, estou?
Ginny deu de ombros.
— Eu lembro de ter vomitado pouquíssimas vezes quando engravidei de Albus. Não posso dizer o mesmo quanto aos outros, mas...
— Eu fiquei menstruada há seis semanas, menos tempo do que eu fiz sexo.
— Okay, se você tem tanta certeza assim, por que não vai com Ginevra ao hospital? Não é algo demorado — Draco sugeriu.
— É tecnicamente impossível estar grávida e sangue sair de sua vagina, Draco, não sei se te explicaram.
— Oh, claro — a ruiva respondeu, sorrindo. — Quantas vezes você já esteve grávida mesmo?
— Nenhuma, mas isso é ELEMENTAR.
— Então que tal você deixar a sabedoria popular de lado e ouvir alguém que tem experiência nisso? — o loiro provocou.
— Você alguma vez menstruou enquanto estava grávida?
— Bom, tirando a hemorragia no fim da gravidez de Lily? — a loira assentiu. — No começo das outras duas eu sangrei.
— Isso não é normal.
A ruiva deu de ombros.
— Como você pode saber?
— Então vamos. E você vai ver que eu não estou grávida coisa nenhuma.
Draco providenciou rapidamente uma chave de portal, dizendo que "não queria mais ninguém sangrando enquanto carregavam o futuro do país", e as duas sentiram seus umbigos serem puxados como por um gancho antes de aterrissarem no saguão de St. Mungus. A viagem tinha parecido extremamente desagradável a Luna, como se sua barriga não tivesse mais a mesma elasticidade. Mas não era logicamente possível que Ginny estivesse certa.
Sem nem mesmo falar com a recepcionista, a ruiva a conduziu para uma das salas mais afastadas do térreo. Atrás de uma porta envidraçada várias crianças brincavam, mas as duas seguiram por um corredor à direita, parando na frente de três consultórios.
— Eu achei que o St. Mungus não tivesse esse tipo de serviço.
— E você acha que as bruxas descobrem que estão grávidas com testes de farmácia trouxas?
— É uma possibilidade. Ou procuram uma parteira, oras.
— Para quem não sabe nada de gravidez, isso é uma novidade — Draco comentou, aleatório.
— A Sra. Weasley nunca mencionou ter vindo no St. Mungus, nem você nunca veio aqui quando estava grávida de Lily, ou Albus, ou James.
— Talvez porque esse não seja o tipo de coisa que façamos com nossos amigos, Luna.
— As alas são novas — informou Draco, balançando a cabeça. — Deve ter sete ou oito anos que os Thomas doaram seus quadros para o hospital leiloar e criar uma nova ala para cuidar das grávidas e das crianças pequenas. Você pode não lembrar, mas o número de gravidezes complicadas subiu muito nos últimos anos.
— Eu lembro — falou, distraída, e percebeu que Draco estava subitamente sério.
— Eu separei todas as roupas de Romilda para serem leiloadas também. Não vai dar, nem de longe, o mesmo valor que quadros de Thomas, mas é uma doação. Acho que ela ficaria satisfeita.
A loira assentiu enquanto Ginny lhe dava um apertão no braço. A jovem enfermeira, que tinha deixado sua posição por alguns minutos, apareceu novamente na entrada do corredor.
— Sra. Malfoy! — falou, claramente preocupada. — Algo de errado?
— Não, está tudo bem. Eu só queria um teste de gravidez.
A jovem mulher loira olhou sem compreender.
— Não para mim — falou, rindo. — Para ela.
A enfermeira pareceu ter acabado de tomar conhecimento da existência de Luna e assentiu com a cabeça.
— Certo. Um amiguinho ou amiguinha para seu bebê? — perguntou, sorrindo.
— Mais um irmãozinho ou irmãzinha para Potter, Severus e Lilly — murmurou Draco, conforme ela entrava em uma quarta sala em que se guardava material.
— Pode ser de Kneazle. E se eu estiver grávida.
— Saberemos em instantes — ele falou, visivelmente com prazer.
Pareceu uma eternidade até que a enfermeira voltasse, trazendo um pequeno frasco de vidro e um objeto pontudo.
— Por favor, senhora, sente-se — disse, conduzindo-a até uma das cadeiras de espera. Draco e Ginny sentaram do lado oposto, observando tudo distraidamente. — Estique o braço.
A mulher usou o objeto para fazer uma pequena picada na parte interna do braço, levitando o sangue diretamente para dentro do frasco. A sala pareceu escurecer conforme a varinha tocava em seu braço fechando o ferimento. Nunca tinha se importado com sangue, mas no momento pareceu altamente incômodo.
— Segundo o Doutor Pye, deve demorar cerca de três minutos — avisou, misturando alguma substância ao sangue e balançando o frasco na mão sob a iluminação da varinha. — Aqui está — falou, após algum tempo, sorrindo.
Luna tinha fechado os olhos enquanto esperava, sentindo-se cada vez mais tonta. Tudo que viu foi o frasco tingido por uma forte cor roxa, que não lhe informava absolutamente nada.
— Eu disse — falou a ruiva, rindo.
— Parabéns, Lovegood. Ou talvez eu devesse dizer "meus pêsames".
Ginny cutucou o marido, que riu.
— Deu positivo? — sua voz parecia lutar para não sair.
— Certamente. Pelo tom de roxo, eu faria uma estimativa de que tem mais ou menos três meses de gestação — respondeu a enfermeira.
— Mas não pode ser! — seu cérebro se recusava a compreender a informação. — Eu menstruei! Há seis semanas!
A mulher ergueu uma das sobrancelhas, parecendo preocupada.
— Seria melhor a senhora se consultar com um dos curandeiros, mas o teste é infalível, a senhora está grávida. Quando seria melhor para a senhora marcar a consulta?
A última coisa que ela viu antes que o mundo se tornasse preto e sem som foram os sorrisos vitoriosos de Draco e Ginny.
Muitas horas depois, Blaise a acompanhou até o Solar de Deva. Ainda se sentia fraca e nervosa, especialmente depois que fizera as contas: três meses, coincidia com o fim de seu casamento. Também coincidia com a época que estava com Harry. Sentia o suor escorrendo frio pelo seu rosto conforme o sonserino a carregava para dentro. Parecia especialmente irônico que tivesse sido a primeira pessoa que Draco e Ginny tinham pensado em chamar quando desmaiara.
— Vai ficar tudo bem, Luna...
— Não sei o que vai acontecer, mas bem não vai ser — falou, respirando com dificuldade.
— Existem métodos contraceptivos plenamente seguros. Se você tivesse se dado ao trabalho...
— Eu não engravidei em dez anos de tentativas, Blaise, eu achei que simplesmente não pudesse ter filhos.
— Aparentemente, Kneazle não pode ter filhos.
— Não quero nem pensar nisso — respondeu conforme abriam a porta.
O companheiro apareceu rapidamente, com uma expressão preocupada.
— Luna? Você está bem? Eu te procurei na Villa Malfoy, para dizer que a nova ninhada de Kluny-Lonts nasceu, e o elfo, qual é mesmo o nome dele? Bem, ele disse que tinham te levado em St. Mungus!
— Eu desmaiei — respondeu simplesmente.
— Você está doente?
— Ela está grávida — anunciou Blaise, sem ligar para o olhar assassino da mulher.
— Grávida? Mas... Como?
— Você precisa que eu converse com você sobre os tinteiros e as penas?
— Há quanto tempo...?
— Eu preciso sentar.
— Três meses, ao que parece.
— Mas isso é maravilhoso! — falou, animado.
Luna sentou, tentando não pensar na seriedade da situação.
— Eu sempre quis um filho.
— Não sei por quê — respondeu o negro, mal humorado.
— Há quanto tempo você está me escondendo isso?
— Eu soube hoje — respondeu, distraída. — Por favor, eu preciso ficar em paz.
— Eu vou ser pai! — continuou Kneazle, visivelmente extasiado.
— Me leve para meu quarto — pediu a Blaise.
Ele a segurou pelo braço, levando-a até seu novo quarto, no lado da casa oposto ao antigo.
— Ele acha que vai ser pai.
— Talvez ele seja.
— Como eu vou saber?
O sonserino deu os ombros.
— E se não for dele?
— Minta — respondeu simplesmente. — Não importa, Luna, de verdade. Pai é quem cria, não quem fecunda.
— Você acredita nisso? — perguntou, chorosa.
— Do fundo do meu coração — respondeu, abraçando-a. — Quer ver o lado positivo?
— Existe algum?
— Claro. É fácil confundir uma criança de Kneazle com uma criança de Harry. Imagine se fosse meu — disse, piscando. — Você estaria completamente ferrada.
— Na verdade — comentou, sorrindo —, foi exatamente por isso que nunca fui pra cama com você.
— Ah, os corvinais — os dois caíram na gargalhada.
— Preciso falar com você — Hermione sibilou, carregando Harry para dentro de seu escritório na Sessão de Aurores.
— O que houve? — perguntou, alarmado. — Alguma coisa séria?
— Muffliato — sussurrou, olhando em volta diversas vezes. — Homenum Revelio.
Harry não a tinha visto tomar tantas precauções para falar qualquer coisa que fosse em anos.
— Hermione?
— Luna está grávida — anunciou, sem mais uma palavra.
Harry sentiu seus joelhos amolecerem. Aquilo era um golpe duríssimo.
— Verdade?
— Ginny me contou. Ela só descobriu esta manhã.
— Então... Ela e Kneazle reataram?
A amiga revirou os olhos, balançando a cabeça.
— A menos que tenham acabado de fazê-lo.
— Logo agora que tinham resolvido se separar... Eles passaram tantos anos tentando... Sem sucesso.
— Honestamente, Harry, você é idiota?
— Do que você está falando?
— De você sendo absurdamente obtuso.
— Você me disse que ela está grávida, oras.
— Sim. E se ela não conseguiu engravidar em dez anos, por que acha que ela conseguiu engravidar agora?
— Lei de Murphy?
— Não! — a mulher balançou a cabeça, absolutamente impaciente. — Por que Luna pode ter filhos, o problema é Kneazle.
— E de onde você tirou isso?
— Harry! — falou exasperada. — Ela está grávida de três meses. Isso te diz alguma coisa?
— Você quer dizer...?
— Você é o pai, lógico. Kneazle nunca conseguiu engravidá-la, em anos tentando. E então ela começou a ter um caso — a mulher fez uma careta — com você e aparece grávida. Só pode ser seu.
Ele balançou a cabeça, completamente atordoado. Era informações demais.
— Se eu fosse você, procuraria Luna imediatamente.
— E dizer o quê?
— Confirmar. Ela está em casa.
Ele olhou para a amiga e, sem esperar que dissesse mais uma palavra, saiu correndo pelo Ministério. As pessoas o cumprimentavam em vão, pois tudo que conseguia pensar era no que dizer. Agora tudo ficaria bem: estava esperando um filho seu! Ele a faria vez que era uma idiotice continuar naquela situação em que os dois se olhavam com saudade e desejo dezenas de vezes na semana, quando podiam ficar juntos de verdade.
Achou a viagem no elevador lenta demais para a rapidez de seus pensamentos. O sangue fluía loucamente em suas veias, impulsionando-o para frente enquanto era obrigado a ficar parado, esperando que chegasse ao seu destino. Começou a balançar o corpo ainda dentro elevador, atraindo olhares estranhos das pessoas. Mal a porta começou a se abrir — e antes mesmo de ouvir a voz anunciar —, correu pelo atrium, chegando até o ponto de aparatação.
Não foi o menor esforço chegar até lá: toda sua mente estava realmente concentrada em onde estava indo e nunca tinha se sentido tão pouco incomodado com a viagem. Tocou a campainha da casa quase sem conseguir controlar sua animação e foi atendido rapidamente por uma das mulheres.
— Sr. Potter!
— Olá — respondeu. — Luna...?
— Descansando, no quarto.
Sem esperar mais uma palavra, começou a andar apressadamente para dentro da propriedade, cruzando as portas, subindo as escadas. Não sabia em qual pedaço do círculo poderia ser o novo quarto da cientista, mas descobriria nem que tivesse que tentar todas as portas.
Na terceira opção a encontrou, reclinada sobre a cama, conversando com Blaise, sentado em uma cadeira. O olhar dos dois era de surpresa ao lhe verem.
— Posso falar com você? — perguntou à loira. — A sós?
— Eu vou providenciar comida para você — respondeu Blaise, levantando-se. — Potter.
— Zabini.
Ele entrou no quarto e depois de fechar a porta — com colloportus, usou os mesmos feitiços que Hermione tinha usado em sua sala no Ministério.
— Eu soube — anunciou, sorrindo.
— Eu imaginei, pela sua cara. Ginny?
— Hermione.
A corvinal assentiu.
— Como você está se sentindo?
— Tonta, cansada, enjoada. Mas, segundo Ginny, isso é normal.
— É normal — ele falou, chegando perto dela.
Os dois ficaram em silêncio, as mãos de Harry pareciam ter vontade própria conforme ajeitava as mechas loiras por trás das orelhas da mulher.
— Nós ganhamos a melhor chance do mundo — falou, sorrindo. — A chance de fazer dar certo. Você não vê? Um filho nosso! Existe sinal mais claro que você não deve desistir de mim?
— Do que você está falando?
— O filho — repetiu. — É meu não é? Nosso?
— Eu não sei — ele sentiu sinceridade na resposta. — Nem faz diferença.
— Como não faz diferença? Faz toda diferença do mundo!
— Kneazle tem certeza que é dele. E vai continuar tendo — falou, olhando para fora da janela. — Eu jamais poderia confessar que o traí.
— Por que ele teria conseguido te engravidar, depois de todos esses anos sem conseguir?
— Eu não sei. E nunca vamos ter certeza de quem é o pai, vocês são parecidos demais... Você já tem seus filhos, Harry.
— Esse seria nosso.
— Eu não vou contar a ele. Ele nunca vai saber, não por mim. Eu jamais poderia admitir.
— Admitir o quê?
— Que fui infiel.
Os dois se olharam por longos segundos.
— Essa é sua última palavra? — perguntou, a voz pesada de dor. — Você vai jogar nossa família fora?
— Eu te disse há quase três meses que não havia mais nada entre nós. E, Harry — ele levantou o olhar, raivoso. — Você nunca foi parte da minha família.
A raiva pela primeira vez enquanto conversava com Luna era maior que o pesar. Desfazendo os feitiços, ele se lançou no corredor, encontrando Blaise parado, de braços cruzados.
— Não é tão simples.
— Nunca é.
— Kneazle está feliz.
— Eu imagino.
— Potter — falou Blaise, olhando para ele, mortalmente sério. — Você já roubou a esposa dele. Deixe ao menos o filho em paz.
