Thoughtless

Universo Alternativo. Desconsiderando o Epilogo. Mas considerando parte dos novos textos de J.K. Rowling ("escritos" por Rita).


Sinopse: Nada poderia desculpar sua atitude. Oh, well...


Observação: A classificação? Deve ser levada em conta. Principalmente por conta de insinuações e menções de sexo, linguajar e coisas do tipo.

Disclaimer: Harry Potter e companhia limitada não me pertencem, blablabla. Tudo é da J. K. Rowling e da Warner, whatever.


Nota da autora: Capítulo não betado. Obrigada por todos os comentários!

Ps: Ha! Eu vi que gostaram do embaraçoso da Mione, ou ficaram tão embaraçados quanto. I'm glad. Muhahahaha.


Parte sete – Breathe was easy

(I know the words I need to say)

- xxx -

De todas as coisas que poderiam acontecer com ela… De todas as pessoas que poderiam ouvir seu comentário pra lá de sarcástico, obviamente a pior situação possível tinha de se desenvolver: isto é, Harry Potter a ouvindo dizer que o queria tanto que iria quebrá-lo se o tivesse.

Hermione queria blasfemar e gritar ou simplesmente – e de preferência – sumir até que a cor voltasse ao seu rosto, ou que pudesse criar a desculpa perfeita – se é que havia uma desculpa decente para seu tipo de comentário. Por alguma razão, "Hei Harry, eu só estava brincando" não parecia algo que daria certo (sarcasmo).

Mas tudo que a morena conseguia fazer ao momento era fitar em horror seu melhor amigo enquanto movia os lábios sem pronunciar palavra. E ele a estava encarando com absoluta incredulidade. Ela sabia que Harry não a via daquele jeito, mas estaria mentindo se dissesse que nem mesmo uma pequena parte dela ainda tivesse esperanças e – Deus! – como era tola!

Harry Potter era, normalmente, um cara fácil de lidar. Bem... isto não era exatamente verdadeiro. Harry podia ser temperamental e Deus sabia que tinha um gênio explosivo, mas ao momento isto não era relevante; o que era relevante era que Hermione normalmente sabia lidar com Harry. E por conta disto, mais vezes do que não (principalmente na vida adulta) o considerava "fácil de lidar". O que não era – em definitivo - o caso agora.

Talvez se ficasse calada e quando eventualmente saísse do buraco que iria se jogar assim que suas visitas se fossem... eles poderiam fingir que aquela conversa nunca havia acontecido. Como num lapso. A perfeita solução para aquele episódio. Infelizmente, Hermione duvidava. Harry ainda estava estacado no mesmo lugar com a mesma expressão e já haviam passado cinco minutos.

A risadinha de Gina retirou a ambos do torpor. A ruiva ergueu as mãos em defesa própria.

-Me desculpem! Mas estão parados há exatos – fez um show de olhar seu relógio de pulso. – oito minutos. E, desculpa!, mas é extremamente hilário essa pequena competição de vocês. Apesar de não entender bem se esta é uma competição de quem parece mais chocado, de encarar ou quem é mais inábil para formar palavras. Mas, - com um menear irônico de sua mão, a jornalista encolheu os ombros - por todos os meios, continuem!

Hermione teria virado os olhos e retorquido de maneira grosseira se ainda não estivesse tão mortificada. O pior é que não sabia o que podia dizer para amenizar o clima estranho que pairava na sala... O mais terrível, talvez, fosse a realização de que mais cedo ou mais tarde teria de contar a Harry – bem, pelo menos parte dos – seus segredos mais obscuros. E dada a reação do auror à sua explosão mordaz, não via um futuro brilhante ao redor dos assuntos que precisavam discutir...

A mulher morena suspirou postando uma das mãos sobre os olhos, esfregando-os. – Gina, por favor.

-O que? Estão sendo ridículos! Eu acredito-

-Suficiente. Teve sua cota de diversão. Tenho certeza que um dia acharei minha mortificação e o choque de Harry tão hilários quanto você pensa – Hermione comentou de forma tão quieta que a mulher ruiva ficou em silêncio de imediato, pela primeira vez preocupada sobre limites.

Quase fazendo beicinho, Gina lançou um olhar para Harry e depois para a melhor amiga, parecendo arrependida. – Me desculpem. Eu só acho tolo que um comentário possa os deixar tão fora de balanço. Mas, e eu só posso supor, vocês devem ter seus motivos... De qualquer forma, acho que é minha deixa para dar o fora – a ruiva fez uma pausa ao se erguer depositando sua xícara na mesa de centro, abriu a boca mas pensou melhor e com um gesto de adeus, aparatou.

Hermione imediatamente abaixou a vista para o solo, respirando fundo. Incapaz de formar palavra ao momento. Sou uma grifinória, droga!

-Eu não o ouvi chegar… - após falar, a morena fez uma careta. Obviamente não o ouvira chegar.

-Usei a rede de Flu.

-Oh.

-Então... Gina estava te irritando tanto assim? – ele lhe ofereceu um meio sorriso. – A ponto de tentar chocá-la?

A morena quase meneou a cabeça ao considerar o que Harry estava pensando. Então era dessa forma que ele entendera toda a situação?

Fitando-o firmemente, Hermione tentou distinguir se o amigo pensava mesmo isso ou se estava lhe oferecendo uma escapatória para lá de menos constrangedora.

O problema é que estava cansada. E fingir não ser afetada não alterava em nada a revolução que ocorria com sua mente e corpo. Eventualmente faria algo inapropriado. Outra vez. Por mais que tentasse, não conseguia achar uma solução para evitar isto.

-Harry... vamos lá. Sente-se – ela bateu com a mão no lugar ao seu lado, ao sofá. - Quer que eu lhe sirva alguma coisa?

-Uma cerveja amanteigada, se tiver. Esta noite estarei de plantão.

A mulher assentiu. – Volto em um instante.

Ao chegar à cozinha, Hermione fez uma pausa. Iria mesmo contar a Harry a verdade?

Abrindo a geladeira e retirando de lá a bebida para Harry, a mulher pensava freneticamente nos possíveis resultados.

-Mione?

-Indo!

A morena fez mais uma pequena pausa na porta da cozinha. Esperando que sua coragem pudesse dar as caras. Sem sucesso. Infelizmente, não havia mais tempo para adiar.

Oh... aquela seria uma conversa edificante!, a mulher estremeceu sob o pensamento.

- xxx -

-Harry, eu não posso mais dormir com você - Hermione quase sorriu sob o olhar ainda mais que confuso de Harry. O homem provavelmente ainda estava esperando uma resposta ou justificativa para sua declaração "espirituosa".

-Okay...?

-A culpa é toda minha. Tenho confundido as coisas e... me desculpe.

-Não entendo.

Para seu horror, Hermione começou a balbuciar. Eram frases soltas. Não necessariamente desconexas. Mas sabia que Harry precisaria de mais que concentração para entendê-la.

Queria dizer a verdade, mas não conseguia. Era humilhante! E Deus sabia que tivera uma larga cota de humilhação nos últimos meses. Meses. Como se fossem uma cadeia de eventos, cada qual acontecendo quando acreditava ter se estabelecido na normalidade. Sua vida tornara-se uma bagunça e iria lutar – com unhas e dentes – pelo resto de dignidade que ainda possuía. Não conseguia forçar a si mesma a ser cem por cento sincera, mesmo para Harry...

Frases como:

"Eu não tenho dormido bem. E com todas as coisas ocorrendo no ministério..."

"Você é meu melhor amigo e não quero tirar vantagem disso. Não quando posso estragar tudo com meu comportamento egoísta".

"Eu sei que não faz qualquer sentido para você..."

"E esses sonhos não me deixam em paz!"

"Enlouquecendo, honestamente!"

Tudo isto entrelaçado à versão mais PG-13 possível da sua "situação". Omitindo o nome dele, obviamente. Assim como o Simon, como quem evita uma praga.

–Então... É melhor se não dormirmos mais juntos. Me desculpe.

- xxx –

Três dias depois, Harry estava no escritório dela. E de repente era o inferno na terra. Harry não parecia remotamente satisfeito com o novo arranjo. E se fez ouvir. Ruidosamente.

Estavam ao momento a portas fechadas, discutindo – repetidamente, diga-se de passagem, para a frustração da morena – seu pequeno... "problema". Aparentemente "me desculpe, eu não posso dormir com você porque eu estou tão excitada que posso pular em seus ossos" não é uma boa desculpa. Bom...

-Deixe-me ver se entendi: você parou de dormir comigo porque está excitada?

-Basicamente.

O homem abriu a boca, mas antes que pudesse falar, Hermione continuou, o mais blasé que pôde, meneando a mão num gesto de pouco importância:

-Não se preocupe Harry, no meu estado, eu ficaria excitada com qualquer cara – ela mentiu de forma convincente. – Para não abusar da minha "hospedagem", achei melhor cortar o mal pela raiz. Não é como se eu fosse pular em você, ou algo parecido – ela franziu o cenho, ignorando a pontada de culpa por ter saltado nele enquanto fingia dormir. – Só queria evitar situações estranhas e desconfortáveis pra você – o tom dela gritava "você deveria estar me agradecendo".

O moreno ergueu a sobrancelha.

Então o moreno suspirou antes de afirmou que sabia que ela não pularia nele e que Hermione estava sendo – arfar – tola. Ele insistia que tudo ia ficar bem e que não era tão mente pequena para não entender que ela tinha suas... urgências. E que ele não ia atrapalhá-la enquanto estivesse com um cara, mas que ela podia – por favor – dormir algumas vezes com ele? Ao lado dele.

Jesus Cristo será que ele é tão sem noção?!

Hermione franziu o cenho. Por que Harry estava insistindo nisso? Queria tanto assim voltar a dormir ao lado de alguém? Bem, ele podia encontrar dezenas de voluntárias só naquele andar!, a morena carranqueou, torcendo a boca.

-Então por que não "sai" com um desses caras? Solução simples.

-Porque eu iria acabar gritando seu nome, seu idiota!

Well, merda.


N/a: Huahauhauhauhauha.