Muito obrigada por todas as reviews! A autora está muito feliz!


"O que você não está me dizendo?"- Draco gritou novamente, esperando a resposta do homem a sua frente.

Snape seu um pequeno sorriso. "Ora, Draco, você sempre soube que o Lorde tinha grandes planos para você." – ele andou para longe de Draco. Sentou-se na poltrona de sua sala e ficou em silêncio, observando o rapaz loiro que andava de um lado para o outro.

"Eu não me lembro o que aconteceu, você precisa me ajudar. Me conte o que ele fez comigo." – ele implorou.

"Ainda não. A hora ainda não chegou. Não seja apressado, rapaz. A pressa é inimiga da perfeição." – Snape disse com um tom calmo e irônico.

"Se você não me contar agora, eu juro, eu mato você. Não vai ser nenhum problema pra mim e você sabe disso" – Draco empunhou a varinha e mirou o antigo professor.

Snape deu uma risada alta e sonora.

"Você só pode estar brincando, Draco. Você realmente acha que matou alguém? Você se lembra de ter falado alguma coisa? Você realmente acha que é homem suficiente para matar alguém?" – ele observou os olhos de Draco crescerem a cada palavra dele e continuou – "Você nunca se perguntou se todas aquelas mortes que você tem nas suas lembranças são reais?

"O que você quer dizer com isso?" – ele perguntou ainda com a varinha apontada para Snape.

"O que eu quero dizer é que talvez, você tenha visto apenas o que o Lorde quis que você visse."

"Eu fiz aquilo, eu me lembro. Eu...mas por que ele precisava de mim escondido? Pra que me colocar a salvo?" – ele abaixou a varinha, sentindo-se derrotado.

"Você era a última parte do plano dele."

"Eu achava que estava morto, afinal, Draco. Nunca confiei que você fosse bom o suficiente para sobreviver sem a escolta de Lucio. Parece que me enganei." – Snape crispou os lábios –"Mas agora é tarde de qualquer forma."

"Tarde? Tarde pra quê?" – Draco gritou

"Para te salvar. Mandei o pergaminho para o Ministério essa manhã."

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O mesmo sonho. Outra vez. Mas dessa vez, Draco não amaldiçoou o fato. Havia algo ali. Algo que trazia a resposta para o que ele precisava. Ele só precisava ter calma para achar o que queria.

As mortes, as tão terríveis mortes cometidas por ele. Ele tinha feito. Ele se lembrava de todas as pessoas mortas que viu caídas no chão. Tantas pessoas, que ele nunca poderia contar ao certo.

Mas ele não lembrava o porquê de ter feito. Snape tinha razão nisso. Ele também não se lembrava de como tinha ido até aquele galpão e tirado a vida de tantas pessoas inocentes. Mas ele se lembrava delas mortas. Um galpão fechado, com pessoas mortas. Por ele.

E se, de fato, ele não as tinha matado, então porque ele se lembrava de ter feito?

E o que isso teria a ver com o que tinha acontecido a ele?

Por que ele se lembraria de algo que não aconteceu, mas não se lembraria de algo que aconteceu?

Ele se culpava, sim, por ter matado Severo Snape. Aquilo, ele tinha feito, com certeza. Mas ele estava desesperado. Abandonado. A guerra acabou e ninguém voltou para buscá-lo. Ele foi esquecido, dado como morto. Nem mesmo Snape apareceu. E as dores começaram.

A primeira vez que sentiu aquela dor, Draco achou que fosse uma besteira. Então elas se tornaram mais fortes e mais constantes. E isso o estava enlouquecendo. Foi por isso que ele tinha ido procurar Snape. Porque ele achava que poderia receber um auxilio, algum conforto e talvez, uma explicação. Mas ele se descobriu apenas a parte de um plano.

O pergaminho. Draco tinha esquecido aquele detalhe. Snape mandou o pergaminho para o Ministério apenas porque achou que Draco estivesse morto. Aquilo não fazia sentido. Se ele achava que Draco estava morto, porque mandar o pergaminho para algum lugar? Se continha o feitiço que tinha sido usado em Draco e Draco estava morto, então...

Ele não conseguia mais pensar. Ele precisava dormir direito. Não adiantava ficar tendo sonos picados e pesadelos. Aquilo não ia ajudar em nada.

Draco se levantou da cama, fazendo o mínimo de barulho possível. Aproveitaria aquele momento de insônia para resolver alguma coisa naquele quebra-cabeça.

No caminho, passou pelo quarto em que Gina dormia. Abriu a porta devagar. Ela parecia muito bem e tranqüila em seu sono despreocupado. Ele sorriu olhando para ela. Draco queria ter um sono assim. Como o dela. E com ela.

Ele fechou a porta, se perguntando se algum dia, ele seria normal de novo. E teria uma vida feliz. E se ela estaria nessa vida.

- -

"Oi." - ela falou timidamente, anunciando a entrada dela no escritório.

Ele riu da timidez dela. "Oi."

"Você está bem?"

"Estou. Mais estaria melhor se você conseguisse olhar pra mim enquanto fala." – ele tinha levantado uma sobrancelha pra ela.

Ela sorriu pra ele. Sentou-se a sua frente e pegou um livro qualquer para folhear.

As coisas tinham ficado estranhas na cabeça de Gina por causa do beijo trocado naquela noite. Ela evitou conversar sobre isso com ele, mesmo sabendo que ele olhava para ela, tentando abordar o acontecimento de alguma forma. Ela estava insegura a respeito do que estava acontecendo com eles dois. E do que pudesse estar sentindo por ela.

A única coisa que tinha certeza era de gostar da sensação dos lábios dele sobre a pele dela. E do quanto aquilo tinha sido intenso.

Draco também tinha pensado nisso quase o tempo todo desde que se beijaram. Se não estava pensando na pele dela, ele pensava em como seu gosto era bom. E como ele se sentiu com ela nos braços. Mas o fato dela ter evitado falar do beijo com ele, acabou minando qualquer intenção dele se aproximar dela daquele jeito de novo.

Nos dias que se seguiram, eles se pegavam um olhando para o outro. Às vezes suas mãos esbarravam sem querer e ao mínimo toque, uma corrente elétrica parecia passar por eles. E então às vezes ele fazia algum comentário para vê-la rindo. Achava que ela ficava realmente bonita quando sorria e ele gostava de fazer isso, porque era a melhor visão que ele podia ter, naquela altura da sua vida.

Então, no fim de um desses dias, ele parou para pensar em como aquilo tudo era irônico. Ele estava vivendo algo parecido com uma vida tão diferente do que sempre tinha imaginado. Em um mundo que ele sempre desprezou, com uma pessoa que ele sempre desprezou. E se sentia feliz.

Mas ao mesmo tempo, as crises e sonhos que ele tinha lembravam a todo o momento que não iria durar. Algo dentro dele estava errado, muito errado. Draco se perguntava até quando ele teria aquele mínimo momento de paz. As coisas boas nunca duravam tempo suficiente na vida dele.

Gina largou o livro que tinha pegado com uma careta, chamando a atenção dele.

"O que foi?" – ele perguntou, atento ao fato de que ela tinha empalidecido.

"Feitiços de sangue." – ela apontou – "Sempre me deixaram enjoada."

Ele pegou o livro que ela tinha largado, mas não abriu. Olhou para a capa sem muito interesse e depositou em cima de uma pilha de outros livros descartados.

Então, apenas para completar a rotina dele, Draco começou a ficar tonto e tudo ao redor dele escureceu. Ela teve tempo de segurá-lo antes que ele caísse.

Ele ouviu alguém o chamando. Sentiu as veias do corpo se retorcendo e isso causou uma dor aguda. A cabeça latejou e ele não ouviu mais nada.

Algum tempo depois, ele abriu os olhos. Sentou-se novamente. Ela o encarava com ansiedade.

"Gina" – ele olhou seriamente pra ela, quando ela tocou o braço dele, preocupada. "Eu estou bem. Vamos parar por hoje, ok? Vamos parar um pouco. Eu preciso ficar de um pouco de espaço disso tudo."

Ela concordou com a cabeça e se afastou dele, escondendo um pouco de dor que sentiu ao ouvir as palavras dele. Gina achava que ele queria que ela se afastasse dele. Mas ela não queria ficar longe dele. Ele ainda não tinha entendido isso?

Draco a viu se afastando, os olhos brilhando.

"Aonde você vai?" – ele foi atrás dela.

"Eu vou deixar você...você sabe. Dar um espaço" – a voz dela saiu triste, ele percebeu.

"Oh, não. Não, não. Por favor, não fique longe de mim." – ele a puxou para abraçá-la. "Você entendeu errado. Não quero que você fique longe de mim. Eu preciso de você por perto. Eu preciso de você comigo." – a mão dele estava acariciando os cabelos vermelhos dela. Ela encostou a cabeça no peito dele e ficou ali, aliviada por ele não querê-la longe dele, porque ela queria estar perto. "Eu só preciso sair dessa casa um pouco. Vamos dar uma volta. Quero te levar num lugar diferente."

Ela levantou os olhos para encontrar os dele. Ela desejava que ele esquecesse aquele pergaminho e aquela busca. Ele não precisava disso. Ela gostava dele assim, por que ele não podia ficar feliz assim?

Draco devolveu a ela um olhar angustiado. Que pedia compreensão. Que pedia que ela não perguntasse nada a ele. Porque ele ainda não estava pronto pra dizer ela o que ele procurava.

E ela fez isso. Acenou com a cabeça e fechou os olhos enquanto ele tocava o nariz dela com o dele. "Coloque uma roupa bonita. Nós vamos sair para dançar." – e ela sorriu a isso.

- -

Draco reclamou um pouco da demora dela em escolher uma roupa. O argumento de que 'qualquer uma vai ficar boa em você' não foi suficiente para fazer ela se apressar.

Mas quando ela apareceu na sala, ele não conseguiu tirar os olhos dela. Gina estava arrumada de um jeito diferente. Usava uma saia curta, escura, contrastando com a cor branca da pele. Tinha escolhido uma blusa justa, com um decote em V que realçava o colo e os seios. Ele reparou isso com bastante interesse. E ela estava de salto também. Ele nunca a tinha visto de salto.

"Você está muito bonita, Weasley." – ela corou e sorriu. Ficou bem satisfeita com o efeito que ela tinha provocado nele.

O lugar em que Draco tinha escolhido para levar Gina era bem interessante. Ela nunca tinha estado num lugar como aquele. As pessoas estavam bebendo, rindo e dançando, como se aquele momento fosse o momento mais feliz da vida delas. Parecia que nenhuma delas tinha qualquer problema e ela estava adorando ficar naquele ambiente. Era tão normal.

Ele chamou a atenção dela para o bar. Ela o seguiu, contente, de poder beber alguma coisa. A música alta não permitia que eles conversassem a distância, convenientemente fazendo com que ele encostasse a boca no ouvido dela o tempo todo para poder falar. Não que ela estivesse chateada com isso.

"Pronta para uma bebida de verdade, Weasley?" – ele falou com a boca bem perto do ouvido dela.

"Pronta se você estiver, Malfoy." – ela falou em tom provocante, ignorando o arrepio que sentia com a proximidade dele. Gina andava se arrepiando facilmente agora. Toda vez que ele estava bem perto dela.

"Está bem, então. Vamos de tequila essa noite." – ele falou, chamando o garçom em seguida.

Ela viu quando foram colocados a sua frente, dois pequenos copos com um liquido dourado, uma porção de sal e um limão, cortado em tiras. Reconheceu ser a mesma bebida que ele tinha tomado, aquela outra noite, em outro bar. Deveria ser a preferida dele, por que ele se adiantou para pegar o copo e estudar, com um sorriso satisfeito, o liquido.

"Essa bebida é realmente divina. Mas é forte, então se você não se sentir preparada, não tome." – ele disse e Gina achou que aquilo tinha soado como um desafio.

Ele não conhecia bem o que essa palavra significava na vida dela. Ela sorriu em resposta e pegou o copo.

"Vamos em frente, Malfoy." – ela incitou.

Então ele jogou o sal nas costas da mão dele, lambeu e virou o copo, pegando o limão sem seguida, chupando a acidez. Depois, dirigiu a ela um olhar provocativo. "Sua vez".

Ela o imitou e quando sentiu o liquido descendo pela garganta, ela achou que fosse queimar por dentro. A bebida era quente e o gosto do sal e do limão apenas acentuaram a sensação que ela sentia. E ela estava adorando. Dava pra perceber porque, sendo ele quem era, optava por aquela bebida.

"Muito bom. Pronta para outra?"

Ela sorriu de novo. Ela estava pronta sim, muito pronta.

Ele chamou o garçom novamente. O homem encheu os copos, colocou mais sal e outro limão.

E então ele fez um sinal para que ela repetisse o ritual. Sal, tequila, limão, quente, muito quente. Mais quente ainda quando ela viu que ele observava atentamente cada movimento dela. Ele estava com os olhos fixos na boca dela lambendo o sal e chupando o limão e no movimento intenso de descer e subir da garganta ao receber o liquido; ele parecia estar realmente apreciando aquela visão.

E quando ela estava ficando orgulhosa sobre isso, sobre o efeito que ela estava causando nele, ele pegou a mão dela, jogou o sal e lambeu. Tequila, limão e ela sentiu uma nova onde de calor subir seu corpo, mesmo tendo sido ele a beber o liquido dessa vez. Ele era realmente sensual, ela não tinha como negar.

Ele limpou a mão dela, ignorando o olhar que ela lhe dava. Ele tinha gostado bastante de tomar tequila daquele jeito.

"Você sempre me surpreende, Weasley." – ele sussurrou perto da boca dela.

Ela sabia que ele a estava chamando assim para provocá-la. E ela estava gostando daquele jogo. Era um bom jeito de fazer com que ela sentisse cada vez mais vontade de agarrá-lo e mandá-lo usar a boca para algo mais útil, além de chamá-la pelo sobrenome.

As pessoas continuavam animadas ao redor deles. E ela estava apreciando ficar por ali, animada com a animação dos outros.

Até que, para sua frustração, ela viu quando um grupo de garotas começou a olhar para ele. Elas não estavam sendo muito discretas e isso incomodou Gina. Quer dizer, ela estava ao lado dele, quase pulando em seu pescoço e ela era bem visível, com aquela cor de cabelo. Mas parecia que as garotas não estavam se importando muito. Ou estavam ignorando propositalmente a presença dela, o que a incomodou ainda mais.

Draco tinha se escorado no balcão do bar, as costas encostadas ali, bem próximo ao corpo dela. Os cabelos claros estavam caindo sobre os olhos fechados. Ele deu uma risadinha discreta quando ouviu uma das meninas do grupo se referindo a ele. Ele estava concentrado porque estava de olhos fechados, mas tinha reparado naquele grupo idiota de meninas idiotas olhando idiotamente para ele. Será que ele estava se exibindo pra elas? Era bem capaz, porque até agora ele não tinha tentado nada com ela. Talvez, ele não queria que aquelas meninas achassem que ele estava com ela.

"Você está se divertindo?" – Gina o ouviu perguntar.

Ela queria responder que estava, até perceber que ele estava sendo observado com muito interesse por um grupo de meninas atiradas, mas achou que isso daria muito crédito a ele.

"Hum, yeah, claro." – ela disse sem muito ânimo.

Ele riu. "Tente de novo, mas dessa vez com mais convicção." – ele tinha aberto os olhos agora.

Ela não sabia dizer se era efeito da bebida, mas de incomodada, Gina passou a ficar irritada com o assédio daquelas meninas. Ela detestava sentir ciúmes, mas não estava conseguindo se controlar. E ele parecia achar graça nos olhares e risadinhas que o grupo dava pra ele. Ela detestou o fato de não ter levado a varinha dela. Com certeza, ela ia se divertir muito azarando aquele grupo.

"Como você conhecia esse lugar?" – Draco notou como o tom dela saiu com um pouco raivoso.

"Huh, eu vinha muito aqui antes, sabe. Morava aqui sozinho. Minhas noites não eram lá muito divertidas." – ele respondeu, meio receoso, tentando ler na expressão dela o que exatamente estava acontecendo.

"Oh, aposto como você conseguia encontrar bastante diversão por aqui." – ele não estava entendendo. Ela estava sendo irônica agora?

"Hum, eu sempre gostei de beber e dançar. Então, bem, era divertido." – Draco respondeu, sem qualquer malicia.

Ela lhe deu um olhar quase mortal. Ele estava sendo cínico, ela tinha certeza. Ela queria ficar longe dele agora, porque ela tinha ficado ainda mais irritada em pensar nele tomando tequila com outras mulheres do jeito que tinha feito com ela. Aquela reação de ciúmes descontrolado misturado com tequila era quase uma bomba.

"Weasley, o que você tem?" – céus, quando ele tinha voltado a ficar irritante? Gina detestou, novamente, o som do sobrenome dela na boca dele.

Ela não respondeu, deu as costas para ele e saiu andando no meio das pessoas que estavam dançando. Ele tentou ir atrás dela, mas ela estava andando muito rápido, rápido demais para alguém de salto, ele pensou.

E então ela sumiu no meio da multidão. Ele levantou a cabeça para tentar achá-la, mas não obteve sucesso. Ela estava se escondendo dele. E então ouviu umas risadinhas ao seu lado. O grupo de garotas estava olhando para ele, esperançosas de que ele fosse, finalmente, lhes dar qualquer atenção. Draco percebeu que elas lhe atiravam um olhar bastante sensual.

Ele riu. Balançou a cabeça negativamente. Ele nunca iria entender a cabeça de uma mulher.

Sem dar a menor abertura para o grupo de meninas, ele se enfiou no meio dos corpos que dançavam agitadamente na pista de dança. Ele foi passando pelas pessoas que pareciam não prestar atenção nele e então a localizou.

Ela estava no meio da pista, dançando. Ela estava bem corada, a saia tinha subido um pouco e ela mantinha os cabelos presos num coque segurado pelas duas mãos, enquanto mexia o corpo ao ritmo da música.

Draco parou de andar para observar a cena. Era quase hipnotizante. Mas ele não era o único que apreciava a visão. Atrás dela, dois homens a observavam dançar. Ele sabia a intenção deles com ela. E ficou nervoso em perceber que ele não era único que ficava excitado com ela. Seu sangue subiu e ele foi cego em direção a ela.

Gina sentiu quando Draco apertou seu braço e olhou para ela de forma intimidadora.

"O que você está fazendo, Ginevra?" – ele falou bastante alterado.

"Você me trouxe para dançar, não foi? É isso que estou fazendo." – ela respondeu debochada.

"Não me provoque, garota. Não brinque comigo." - ele intensificou o aperto.

"Oh, não não, não estou fazendo isso. Mas talvez as suas amiguinhas estejam dispostas a brincar com você." – ela se soltou do aperto dele.

Draco não estava esperando essa resposta dela, mas não pode evitar de deixar um sorrisinho pretensioso formar em seu rosto.

"Não faça isso. Não me afaste de você por causa de ciúmes".

"Eu não estou com ciúmes. Me deixe em paz. Eu e meus novos amigos" – ela virou a cabeça e deu uma piscada para os homens atrás dela – "estamos querendo dançar." Ele seguiu o olhar dela para encarar os dois sujeitos que agora estavam sorrindo exageradamente para ela.

Ele não iria arrumar briga aquela noite. Mas encarou os homens atrás dela. Eles se entreolharam e encararam Draco de volta.

"Não, eu vim com você, porque queria estar com você. com você." – ele disse, se focando em Gina de novo.

Ela balançou com a declaração dele, soltando o cabelo e parando de dançar, para encará-lo. Aquilo não fazia muito sentido, não é? Estar naquele lugar, com um Draco Malfoy quase implorando pela atenção dela, sobre o efeito daquela bebida quente. Ela sorriu com aquele pensamento e percebeu que ele ficava perto dela de forma protetora, em frente aos outros dois homens que ainda a rondavam.

Ao longe, a música agitada se tornou uma melodia mais calma, intensamente penetrante. Ele sentiu a música entrando dentro dele, como numa mistura de sensações. O desejo e a bebida quente o embalando com o ritmo da música que tocava, como se ele pudesse ficar ainda mais intenso. E aproveitou para fazê-la sentir a intensidade dele.

It must be your skin
That I'm sinking in

"Você quer que eu fique com ciúmes de você?" – ele a estava afastando da pista de dança, mas Gina só percebeu isso quando as luzes que piscavam na pista começaram a ficar distantes por sobre a cabeça dele.

It must be for real cos' now I can feel

"Quer que eu fique louco, pensando que qualquer um desses caras gostaria de estar perto de você, como eu estou agora?" – céus, ela tinha voltado a ficar com muito calor. Para onde eles estavam indo?

Everything's gone white

"Quer que eu me sinta ferido em pensar nas mãos de algum outro em você? Na sua pele?

Now everything's gray

"Na sua boca beijando outro homem?" – ele continuou empurrando Gina, mesmo ela quase não conseguindo acompanhar os passos dele. Ela sempre soube que beber e andar de salto era demais para ela.

Don't let the days go by

Ela sentiu a dorzinha do impacto quando foi de encontro a uma parede gelada. Ela estava presa, de costas para a parede e com ele a sua frente, os braços dele a segurando, sem qualquer alternativa para escapar. Não que ela estivesse pensando em escapar.

I'm never alone
I'm alone all the time

"Você não precisa tentar me provocar isso " - a boca dele estava colada ao ouvido dela – "eu já penso nisso sem que você atice em mim essa droga de sensação."

Are you at one
Or do you lie?

Ele roçou os lábios no lóbulo da orelha dela e ela soltou um gemido. Automaticamente, ela subiu as mãos para as costas dele, trazendo-o ainda mais de encontro ao dela.

We live in a wheel
Where everyone steals
And when we rise it's like strawberry fields

Ela fechou os olhos e deixou a sensação do corpo e da língua dele brincarem com os sentidos dela. Ela o queria muito naquela hora. Não agüentando esperar, ela puxou a cabeça dele de encontro à cabeça dela. Mas ele não deixou que ela o beijasse.

couldn't love you more
you've got a beautiful taste

Ele continuou apenas brincando com ela, atento que a cada movimento delicado dele, causava uma resposta brusca dela. Ela estava pegando fogo ao toque dele.

It should have been easier by three
Our old friend fear and you and me

Gina já não agüentava mais a demora dele. Ela não precisava que ele fosse delicado naquele momento. Ela só queria desesperadamente que ele a beijasse. Ele se afastou um pouco dela para observá-la. Gina soltou um suspiro de frustração que o fez sorrir. Ela abriu a boca para reclamar e ele, finalmente, agiu.

It might just be me
clear simple and plain

A língua dele invadiu a boca dela, como se estivesse reivindicando uma coisa que pertencia a ele. Draco confirmou o pensamento dela ao sussurrar 'você é minha' enquanto a beijava com força. E ela se sentia dele. Como nunca tinha se sentindo de nenhum outro. E ela estava sendo consumida por ele e pelo jeito como ele a beijava.

Well that's just fine
that's just one of my names

Ele desceu as mãos para a curva da cintura e apertou ali. Ela gemeu de novo e desceu as mãos para as costas dele, sentindo o efeito que isso causou nele. Ele baixou a boca do pescoço e subiu uma das mãos para a curva do seio e ela ofegou em resposta.

Don't let the days go by

Ela percebeu que eles estavam sendo observados, mas ela não se importava muito com isso naquela hora. O que importava pra ela naquele momento era que ele continuasse a beijando e que tocasse o corpo dela em todos os lugares que ele conseguisse alcançar. E ela queria mais.

Could've been easier on you, you, you

"Me leve para casa." – ela conseguiu dizer com alguma dificuldade ainda na boca dele.

Glycerine.


"Você tem mais do Lorde do que imagina, Draco."

A voz de Snape ecoou na cabeça dele mais uma vez. Ele queria se livrar daquela frase, mas não conseguia. Ultimamente, vinha pensando muito nela. Ele sabia que aquilo era uma pista. Mas até agora não tinha conseguido ligar a pista ao pergaminho.

Suspirou, cansado, quando conferiu as horas. Era madrugada ainda e ele já não conseguia mais dormir. Gina estava deitada ao seu lado; o braço dela jogado sobre a cintura dele. Como se ela o estivesse protegendo.

Ele tirou alguns fios do cabelo que caíam sobre o rosto dela. Um cabelo tão vermelho quanto o sangue. Deu um pequeno sorriso para ela, mesmo sabendo que ela não iria ver.

Talvez eles devessem fugir de novo. E se esconder, longe do passado deles. Começar uma nova vida. Para o sul da Rússia, talvez. Para a Espanha. Draco sempre quis conhecer a Espanha.

Talvez eles pudessem ser normais assim. E se tivessem filhos? Será que eles seriam loiros? Ou ruivos? Cabelos vermelhos eram chamativos. Ele nunca tinha reparado direito no cabelo dela. Sempre achou que ele fosse vermelho alaranjado. Mas era só vermelho, um vermelho mais escurecido do que ele pensava.

"Você tem mais do Lorde do que imagina, Draco."

Não, ele não tinha. Ele nunca tinha matado por prazer. Ele nunca quis matar, em primeiro lugar. Ele nunca quis ser um comensal. Mas ele tinha matado, era fato. Não sabia como, não lembrava nem mesmo o porquê. Mas sua memória tinha registrado as pessoas caídas, sem vida no chão. As mortes causadas por ele. Talvez, se fizesse uma força, conseguisse se lembrar como tinha chegado ao galpão. E o que tinha feito para matar tantas pessoas de uma vez só.

Draco não gostava de pensar nisso. Mas às vezes era inevitável.

"Você tem mais do Lorde do que imagina, Draco."

Olhou novamente para Gina, que continuava dormindo. Cabelos vermelhos sobre o rosto. Aquilo era importante. Ele não tinha nada, até meses atrás. E agora, ele a tinha para ele. Ele passou as mãos pelo cabelo dela de novo.

"Você tem mais do Lorde do que imagina, Draco."

E então, tudo ficou claro para ele. Draco esteve procurando uma resposta no lugar errado, durante todo esse tempo. E a resposta estava tão próxima. Muito mais do que ele poderia imaginar. Muito mais do que ele gostaria. Agora ele tinha descoberto.

"Você tem mais do Lorde do que imagina, Draco."

Snape tinha razão.



Música: Glycerine – Bush

Comentário: mais Draco/Ginny action...apenas um presente compensatório! Embora não seja tãããão compensatório assim, hehehe. Mas vamos lá, ciúmes e tequila, mistura explosiva quando se trata da Ginny.

Quem conhece a música vai estranhar o fato dela estar cortada. É apenas para mostrar o efeito de passagem. A música está tocando enquanto eles estão...ahn..interagindo...haha...então não teria sentido colocá-la inteira. Os pedaços cortados são aquele tocados enquanto eles estavam falando alguma coisa ou se tocando. Não estranhem!

Agradecimentos:

Bia-Malfoy: E aí, querida? Gostou? Mais action deles dois, suspense aumentando. Uma boa dose de tequila e uma das minhas músicas favoritas. Hahaha. Hey, se você não tiver muito ocupada, por que você não dá uma olhadinha em outra fic que eu estou escrevendo? Está no meu profile. Gostaria de saber sua opinião. Muito obrigada pelo recado!! Beijos e até a próxima!

Vivian Malfoy: Você vai ficar muito brava comigo? Eu não terminei a action de novo. Mas eu juro que não foi intencional. Não fiz de propósito. Juro. Você não vai abandonar essa pobre autora, vai? Fala que não. Hahaha. Adoro seus recados...sempre me incentivando a não largar a vida de pseudo-escritora. Beijos, dear!

Naira Cirino: Brigada pelo elogio. Eu quase desisti de idéia de publicar essa história, mas não posso ficar mais feliz de não ter feito. É realmente muito bom saber que está agradando. A autora escreve com muito carinho e inspiração, embora às vezes ela fique querendo deletar tudo!! Muito obrigada pelo carinho de me deixar uma review. Espero que você goste até o fim!! Beijos e vai me falando o que você acha, ok? É realmente importante.

Lily Angel: Oiii! Primeiro, valeu a dica sobre os anônimos. Não sabia mesmo. Ainda bem que você me avisou, querida. Também sou nova por aqui. Obrigada por ler a fic e pelos elogios. É isso que me faz continuar a história. Eu tentei construir uma relação diferente para eles dois. Nada de paixões abruptas. E com uma boa dose de suspense. Fico feliz que esteja agradando. Espero que você tenha gostado desse capítulo. As coisas vão mudar um pouco daqui pra frente. Beijos pra você, querida!

Ninny Malfoy: Ahhh, não posso contar, não posso!!! Senão perde todo o suspense! Mas fico feliz que você esteja lendo e gostando. Vou tentar manter a linha para que você queira acompanhar até o fim e descobrir, afinal, o que se passa com nosso loirinho! Obrigada pelo recado, dear. Beijos e me diz sua opinião sobre esse capítulo!!!

Angel: Capítulo postado. Continua amando a fic?? A autora fica tão feliz com isso. Vou tentar fazer você continuar amando...tem que ser aquele amor incondicional, sabe? Do tipo 'no matter what' a autora escreva. Hahaha. Obrigada pelo recado. Beijos pra vc!