Título: Sin – sexta parte
Classificação: Yaoi, Lemon, Mistério, Darkfic
Pares: Aya+Yoji pra esse capítulo...
Sin – sexta parte
Invejasf 1.desejo violento de possuir o bem alheio, sexto pecado capital
- Aya?
Ken franziu o cenho diante da escuridão que encontrou no quarto do ruivo, quando voltara para casa. Ele entrou no aposento e fechou a porta, encostando-se nela.
- Aya, está aí?
- Aqui.
A voz fria o fez dar um pulo para o lado. Ele arregalou os olhos e logo deu um soco leve no ombro do namorado.
- Não me assusta desse jeito! O que está fazendo sozinho no escuro?
- Esperando você.
O ruivo estava estranho. Aliás quem não estava estranho naquela casa? O jogador suspirou e então passou seu braço pela cintura do outro, encostando seus corpos, seu rosto roçando no ombro de Aya, percebendo que ele não usava camisa alguma.
- Desculpa a demora. O trânsito estava horrível. – achou melhor não comentar do seu bizarro encontro com Schuldig.
- Já jantou? – a voz saiu suave dessa vez.
- Não. E você?
- Estava te esperando.
Ken sorriu e levantou o rosto, beijando-o calidamente nos lábios. O espadachim não perdeu tempo e abraçou-o pela cintura, de forma forte, devolvendo o beijo com um quê de possessividade. O moreninho gemeu levemente dentro do beijo e aos poucos se afastou.
- Aya...tem certeza que tá tudo bem? Você está estranho...
- Porque acha que estou estranho? – O ruivo encarou-o – Já disse que tá tudo bem.
O jogador beijou-o calmamente nos lábios, abafando para si os maus pressentimentos que estava tendo.
- Onde você está indo?
O ruivo parou de andar, sua mão recostada contra a maçaneta da porta. Ele virou-se e encarou os olhos azuis.
- Não está tarde pra você estar acordado Nagi?
O telecinético cruzou os braços, encarando-o.
- Crawford me disse para ficar de olho em você. Aparentemente ele estava certo.
- E o que você acha que eu pretendia fazer.
- Algo idiota. – o jovem suspirou – Não muito longe do que você geralmente faz, mas enfim...ordens são ordens.
- Eu só ia dar uma volta, que mal há nisso?
- Porque depois eu que vou ouvir! – exclamou o jovem – Já que Farfarello está perdido no mundo dele.
O alemão sabia que ia se arrepender daquilo, mas ele se aproximou do moreninho tocando no ombro dele.
- Confia em mim e me deixa sair, ein wenig?
Os olhos azuis o encararam confusos.
- O que aconteceu Schul?
O telepata sorriu levemente.
- Eu te explico assim que voltar.
Nagi abaixou os olhos, mordendo o lábio.
- Tá bom, mas se o Crawford brigar comigo, eu direi que a culpa é sua!
O alemão riu, um som anasalado e virou-se, indo embora, acenando com a mão.
- E quando a culpa não é minha?
O dia estava frio, o vento cortante obrigando a todos em Tokyo a usarem suas roupas mais pesadas. As férias de inverno se aproximavam e isso refletia nos fregueses da floricultura, que diminuíam a cada dia. Era uma época calma para os quatro garotos.
Mas tudo que não havia naquela casa, era calma. Longe disso, a tensão crescera e ameaçava sufocar a todos. O loirinho ergueu seus olhos, observando novamente o dois mais velhos, como dias atrás, franzindo o cenho.
Ele certamente tivera uma supresa e tanto na noite passada quando recebera a 'visita' de ninguém menos que Schuldig. E seu choque foi ainda maior quando o alemão dissera que se ele não fizesse algo, uma tragédia ia acontecer.
-Porque está tão preocupado conosco?
- Se vocês se matarem, com quem eu iria me divertir? – respondeu o alemão.
Omi encarou-o cético.
- Você não me engana Mastermind. Mas se quer continuar acreditando nisso, é problema seu.
- Você vai ouvir o que eu tenho a dizer, ou não?
- Eu já estou ouvindo.
Omi já testemunhara muita coisa em sua jovem vida. Mas o que o alemão lhe contara ultrapassava seus pesadelos mais bizarros.
Aparentemente alguém ou algo estava atrás de suas almas. Pelo que Schuldig descobrira, se tratava de um anjo da morte. Uma jovem, no caso deles. E ela não ia parar até que suas almas fossem corrompidas pelo maior pecado: a morte de um irmão.
Era essa parte que o hacker não entendia. Eles não eram irmãos. Suas vidas eram mais repletas de sangue e morte do que qualquer outra coisa. Então porque ela estava influenciando aqueles acontecimentos para chegar naquela situação?
- Omi?
O arqueiro voltou seu olhar para o moreninho, sorrindo para ele.
- O que foi Ken-kun?
- Queria que fosse comigo na próxima entrega.
O jovem piscou e fitou a face do amigo, analisando-o. Havia certa angústia naqueles olhos e Omi sabia bem porque.
- Claro Ken-kun. Vamos indo?
- Vou te esperar lá fora.
O loirinho acenou afirmativamente e saiu de trás do balcão, tirando o avental e pendurando-o no local apropriado. Ele olhou uma última vez para Aya e Yoji antes de deixar a floricultura. Sentia que Ken queria conversar, mas temia deixar os dois mais velhos muito tempo sozinhos.
- Parece que o último ato está para começar.
A jovem balançava os pés displicente, sentada em cima do balcão, observando ora o loiro, ora o ruivo. Seu sorriso era calmo e satisfeito.
Yoji observava o espadachim com uma raiva quase cega. Nada, nada do que fizera fora suficiente para Ken acordar e largar daquele ser feito de gelo. Ele tinha que fazer alguma coisa...rápido.
A jovem passou seus dedos pelos fios dourados, arrumando-os.
- Não acha que Ken é muito mais seu que dele? Devia provar isso de uma vez por todas.
O playboy largou a fita que segurava no balcão. Sorriu maldosamente e disse, sua voz alta o suficiente para apenas o ruivo ouvir:
- Ken já sabe? Que nós demos uns malhos aqui na floricultura?
Ele observou Aya parar seus movimentos, a mão pálida ficar ainda mais branca conforme ele apertava o vaso que segurava. O espadachim colocou o arranjo em uma das prateleiras e voltou seu olhar para o loiro, suas íris geladas.
- Ele não sabe daquela bobagem e nem vai saber.
- Ah... – Yoji deslizou as mãos para o umbigo – Mas ele tem o direito de saber. Ele precisa descobrir que até o namoradinho dele não resiste a tudo isso.
Aya arqueou a sobrancelha e então se aproximou do outro, seus olhos brancos. Yoji mirou suas íris brancas no outro, sorrindo. Ele apenas esperou enquanto o ruivo parava em frente a ele.
- Você tem razão.
- O que? – disse o loiro, surpreso.
Aya sorriu feralmente e tocou no balcão, uma mão em cada lado da cintura de Yoji. O loiro afastou-se como pôde. O mais novo sorriu ainda mais.
- Qual o problema Kudou? Com medo do que pode acontecer?
O ex-detetive se recuperou rápido.
- Pelo contrário.
As bocas se encontraram com vontade e fome e Aya prensou-o ainda mais contra o balcão, seus olhos entreabertos. Ambos se encaravam em desafio, vendo quem cederia primeiro.
Logo Yoji largou daquela boca e ofegou, sussurrando.
- Eu sabia que Ken não era nada para você.
Aya deslizou a boca para a orelha do outro. Sutilmente o brilho de uma lâmina deslizou por suas mãos.
- Pelo contrário Kudou. Se continuar desejando o que é seu...pode acabar sem nada.
Ken estava pasmo. Omi lhe contara sobre a conversa com Schuldig na noite passada e depois disso o moreninho lhe contara da visita do alemão para si. E aquilo definitivamente era muito estranho.
- E você acredita nele Omi?
- Eu não sei o que dizer Ken-kun. – comentou o jovem, coçando a nuca – Mas você não pode negar que o ar na casa está estranho e com tudo o que aconteceu...
- Isso é.
O jogador suspirou. Se era isso mesmo, será que tudo que acontecera entre ele e Aya era apenas o poder daquele anjo da morte? Não era possível, ele sabia que amava o ruivo, sabia!
O barulho de um celular tocando despertou-o de seu devaneio. Ele pegou o aparelho do bolso da calça e estranhou o número. Era desconhecido.
- Alô?
- Siberian?
Ken arregalou os olhos.
- Schuldig?
- É, eu estou bem também, obrigado por perguntar. – respondeu o alemão, sarcástico.
- Como raios você conseguiu esse número?!
- Eu tenho um hacker tão bom quanto o seu loirinho aqui em casa, sabia?
- O que você quer?
- Oh, direto aos negócios, gosto disso. – a voz ficou séria – Estou assumindo que Bombay já lhe contou sobre minha pequena visita da noite passada?
- Estamos falando sobre isso.
- Ótimo. Agora que você está a par dos acontecimentos, que tal contarmos aos outros dois integrantes do time, para que todo mundo saiba?
- Você está querendo dizer contar a Aya e Yoji? Acha que eles vão acreditar?
- Bom, não custa tentar, não acha? Antes que seja tarde?
Ken esfregou a testa com a ponta dos dedos.
- Schuldig, eu e Omi estamos morrendo de curiosidade. Porque está nos ajudando?
- Ele não te disse? – o telepata riu – Se vocês morrerem, com quem eu vou brincar?
- Vá para o inferno Mastermind.
- Nos encontramos na frente da floricultura daqui meia hora? Ótimo. Até mais.
O moreninho apenas encarou o celular enquanto a ligação fora cortada na sua cara. Ele rosnou e encarou o hacker.
- Vamos voltar Omi. Antes que aquele louco apareça na frente de Aya e Yoji sozinho.
O jovem arqueiro concordou. Algo lhe dizia que já era hora de voltar, de qualquer maneira.
Fim da sexta parte
Mystik
