Capítulo 7: A festa
Sim, resolvi ir à tal festa. Sei lá, simplesmente me deu essa vontade e eu não fiquei tentando pensar a fundo demais para entender o que me motivou a isso. Sinceramente? Isso não importa. Só sei que estou me sentindo agitado, porque foi um dia tenso, incrível em alguns aspectos, estranho em vários outros. Resultado: não irei conseguir dormir nesse estado. Na falta de coisa melhor para se fazer, essa festa me parece uma boa opção. Dou uma passada lá, vejo o que está rolando... Tenho certeza de que logo irei me sentir cansado. Daí, volto para casa.
Ok, é uma boa decisão. Então, vejamos... Preciso me trocar para sair. Mas qual dos três irmãos eu vou incorporar? Bom... Acho que não é tão difícil encontrar uma resposta. Vou como Ikki, é óbvio. O personagem que mais tem a ver comigo. Não estou indo para atuar; quero poder ser eu mesmo.
Retiro dos cabides roupas que o Ikki vestiria em uma ocasião como essa – roupas que eu vestiria na mesma situação. Pego uma calça jeans escura, uma camisa social preta e uma jaqueta . Calço o par de botas coturno e uso o gel para dar o tom arrepiado e revolto aos meus cabelos. Olho no espelho e sorrio: eu gosto do resultado.
Assim, satisfeito, deixo minha residência e percebo que ainda há algumas pessoas por lá. Tem um pessoal montando uns cenários, que provavelmente serão utilizados no dia seguinte... Algumas pessoas que parecem estar supervisionando o trabalho, que, pelo visto, não para nunca por lá... E outras tantas fazendo eu não tenho ideia do quê.
No instante em que eu coloquei o pé fora da casa, todos aqueles ainda presentes no estúdio olharam para mim. Eu não queria ter chamado tanta atenção e não acho que tenha feito barulho suficiente para atrair tantos olhares.
Comecei a caminhar rumo à saída do estúdio e os olhares me acompanharam. Compreendi então que as pessoas me olhavam daquele jeito não por eu ter feito algo específico na hora de sair da minha casa. O que ocorria é que me olhavam com curiosidade, mas uma curiosidade contida. Ninguém ousou vir falar comigo. Faz sentido. Saga e Kanon deixaram claro que ninguém deveria vir falar comigo. Ou melhor, com os três irmãos... Já foi tão divulgada essa imagem de que os irmãos são arredios, não gostam de interagir com outras pessoas, que o plano dos gêmeos têm funcionado bem. Há muita curiosidade no ar, mas com todos respeitando meu espaço, ao menos, por enquanto.
Eu gosto de não ser importunado, então ajo de acordo com o esperado – e que, verdade seja dita, tem mesmo a ver com meu jeito de ser: Ignoro todos os olhares, todos os murmúrios e caminho do meu modo altivo, como se tudo o que estivesse ocorrendo ao meu redor não me importasse.
Saio do estúdio e vejo que faz uma noite muito bonita. Respiro fundo o ar frio e sorrio. Adoro essa sensação de liberdade que sinto toda vez que observo o céu e admiro sua vastidão.
Entretanto, suspiro levemente. Seria uma noite perfeita para andar de moto, mas os gêmeos me proibiram disso por um tempo. Até eles me arrumarem habilitação para dirigi-la, não posso sair por aí com ela. Acabei aceitando essa imposição, bem a contragosto, mas agora me lembro com mais força do quanto odeio que me coloquem limites.
Porém, é necessário. Por um tempo, apenas. Não vou permanecer engaiolado eternamente. E é pensando assim que me tranquilizo. Inspiro ainda mais profundamente o sereno da noite e decido ir logo para essa tal festa.
Aceno para um táxi que passava e peço que me leve para a mansão Kido. O motorista franze a testa, parecendo incrédulo do que ouvia. Não me surpreendi. A julgar pelos meus trajes, era um tanto inconcebível que eu quisesse ir para a residência de uma das pessoas mais conhecidas e influentes da cidade e do país.
Mesmo assim, eu não disse mais nada. Não tinha por que me explicar. Apenas me recostei no banco de trás, cruzei os braços e fiquei aguardando que ele desse a partida. O taxista então deu de ombros e começou a dirigir.
Como eu já tenho naturalmente a aparência pouco amigável, o homem não tentou puxar conversa comigo. Não me dirigiu mais olhar algum e seguimos em silêncio até o meu destino.
Eu realmente gosto disso, desse espaço que sempre conquisto em poucos segundos, até com pessoas que não conheço. Sim, uma das coisas que mais prezo é ter esse meu espaço.
E a verdade é que eu sei bem que abri mão disso, ao entrar para essa série de TV. Certo, não é para sempre e é por uma boa causa... Contudo, fico pensando se saberei lidar com tudo o que isso vai me trazer.
O taxista não me conhece porque minha imagem ainda não foi divulgada. A história dos três irmãos, no entanto, já foi bastante espalhada e qualquer pessoa minimamente informada saberia algo a respeito dessa série, que já despertava a curiosidade geral sem nem ter ido ao ar ainda. É, definitivamente Kanon e Saga sabiam como atiçar o público.
O motorista parou enfim em frente a um enorme portão. Cobrou-me a corrida e só. Eu ainda era um completo desconhecido para ele. E, para mim, era estranhamente divertido o pensamento de que, em breve, ele saberia quem eu era. O que será que ele pensaria quando tivesse conhecimento desse fato?
Era esquisito, era muito esquisito. Eu sei muito bem que não vou gostar de perder meu espaço, minha liberdade... Mas, por outro lado, há algo de estranhamente saboroso nessa nova vida na qual estou ingressando. É quase uma empolgação pelo desconhecido que está por vir.
É certo que eu não sei o que vai prevalecer com o tempo, se a sensação boa ou ruim diante de todas essas novidades. E, bem... não posso fazer nada, a não ser seguir em frente. Então, vamos lá.
Aproximando-me do portão, sou logo abordado por alguns homens de terno, que saem de uma guarita:
– Quem é você? O que deseja?
Os seguranças usaram de um tom bastante rude e hostil. Não era de me espantar; eu já estava acostumado com esse tipo de tratamento.
– Meu nome é Ikki. Ikki Amamiya. Eu vim para a festa. – respondo em um tom tão seco quanto o deles.
– Ikki Amamiya? – os homens se entreolharam – Tem convite para a festa? – o tom de voz continuou agressivo.
– Não. E não achei que fosse necessário. Essa festa não é para quem participa da série de TV produzida pelas empresas Kido? Eu sou um dos atores.
Ao dizer isso, eu percebi que os seguranças pareceram ficar um pouco na dúvida sobre o que fazer.
– Seu nome não está presente na lista. – um deles respondeu, olhando para o papel em uma prancheta, enquanto outro, dentro da guarita, parecia procurar por algo no computador.
Bufei, já perdendo a paciência. Que se dane; eu não iria ficar implorando para entrar. Dei as costas àqueles homens, já disposto a voltar para o estúdio, quando o homem de dentro da guarita gritou:
– Espere!
Eu olhei para trás e vi o homem sair correndo da guarita com um papel na mão. Ele foi até os outros seguranças, falou algumas coisas que eu não consegui ouvir, enquanto apontava para mim.
Imediatamente, os homens olharam na minha direção, com menos cara de sérios e parecendo surpresos.
Um deles apertou o fone que tinha contra o ouvido e começou a falar com alguém, parecendo tratar de um assunto importante.
E outro se aproximou de mim, com as feições menos duras:
– Senhor Amamiya, perdoe-nos. Não fomos devidamente avisados de que compareceria ao evento. Os seus irmãos também vieram, acompanhando o senhor?
– Não. – eu me limitei a responder, ainda me situando com esse novo tratamento, tão formal e polido.
– Bem, então... – o grande portão começou a se abrir – Queira fazer a gentileza de entrar, senhor. – um pequeno carrinho, que se assemelhava àqueles carros que circulam em campos de golfe, estava parado ali, à minha espera. Achei graça disso, mas não disse nada. Passei pelo portão e entrei no carrinho.
Quando o pequeno veículo entrou em movimento, é que compreendi a necessidade dele. O portão enorme era apenas o primeiro sinal de grandiosidade do local. Entre o portão e a residência não havia apenas um jardim; era quase como um pequeno bosque particular que tinha de ser atravessado.
O motorista do carrinho, que estava vestido como um mordomo, não me dirigiu a palavra. E eu aproveitei o silêncio para apreciar aquela paisagem. Tudo aquilo pertencia a uma única pessoa?
Era um outro mundo, inteiramente distinto de tudo o que eu estava acostumado a ver.
Olhando para trás, para o portão que ia diminuindo, eu pensei sobre a mudança repentina de tratamento que tinha recebido.
O homem da guarita deve ter visto meu nome entre os atores da série ou algo assim... Enfim, ele percebeu que eu não era um qualquer e avisou os outros.
Foi impressionante ver como eles se espantaram e como se esforçaram por se redimir. Não nego que foi uma sensação agradável. Por mais rápido que tenha sido, ver aquelas pessoas que me trataram mal, a princípio, compreendendo que não deveriam ter me julgado apenas pela primeira aparência, foi de uma satisfação que não consigo explicar bem agora.
Eu nunca me preocupei muito com o que pensam de mim.
Ainda assim, não posso negar... Eu gostei do tratamento que recebi agora há pouco.
Será que já estou mudando? Em tão pouco tempo?
– Pronto, senhor. Chegamos.
A voz servil do mordomo-motorista me despertou desses pensamentos. Estávamos parados em frente à grande mansão. Imponente, luxuosa, logo à primeira vista. Olhei ao redor e havia vários carros caríssimos estacionados ali perto.
Assim que eu desci, o mordomo levou o carrinho para outra parte, sumindo logo da minha vista.
Fiquei alguns segundos ali, parado. Preciso admitir, eu estava um pouco intimidado. Era um mundo diferente demais do meu. Porém, por outro lado, o que me importava o que pensassem de mim? Eles me quiseram para esse show, é esse mundo que veio atrás de mim, e não o contrário.
Caminhei resoluto até a porta e toquei a campainha. Não sabia se deveria já abrir e entrar, embora achasse que minha chegada tinha já sido avisada pelo segurança com fone de ouvido. Preferi, no entanto, agir dessa maneira.
Não precisei esperar muito e logo a porta se abriu.
Um outro mordomo se curvou respeitosamente e abriu passagem para que eu entrasse.
Dei três passos e parei. Notei que todos os convidados estavam parados e olhando para mim.
A mansão, por dentro, era ainda mais rica e elegante. E havia tanto brilho ali, refletido pelos cristais dos lustres, que meus olhos precisaram se acostumar com aquela claridade.
– Ah! Ikki! Que felicidade em vê-lo aqui! – Kanon se aproximou de mim, visivelmente alegre – Pensei que não quisesse vir a esta festa.
– É, eu... mudei de ideia. – respondi enquanto Kanon me puxava em meio aos convidados para o interior da festa. Pelo visto, era um evento black-tie. Todos muito elegantes e eu ali, de calça jeans. Ri de mim mesmo.
– Na verdade, foi ótimo que tenha aparecido. – Kanon tinha me puxado para um canto mais reservado, embora ainda assim eu continuasse sendo alvo de tantos olhares curiosos que me acompanhavam de forma incessante – Quando vieram me avisar que você estava no portão, eu senti que minhas preces tinham sido ouvidas!
– O que aconteceu?
– Bem, esta festa é também o momento de fazer Saori Kido perceber que essa série será, com certeza, todo o sucesso que estamos prometendo. Foi por esse motivo que gravamos hoje pequenas cenas de cada uma das histórias; para mostrarmos a ela uma prévia do que está por vir. E nós gostamos muito do resultado, Saori também gostou...
– Então onde está o problema?
– Você se lembra da minha brilhante ideia, que eu tive mais cedo? Sobre explorarmos também o mercado musical? Pois bem, minha ideia é genial, todos concordam, mas para ela ser realmente bem executada, precisamos da ajuda das pessoas corretas. Saga então entrou em contato com uma poderosa e influente produtora musical, Pandora Hara. Nós a convidamos para vir à festa, sem compromisso, acreditando que ela adoraria nossa ideia assim que tivesse conhecimento dela.
– E não foi o que ocorreu?
– Não do modo como esperávamos. A garota é dura na queda! Ela não compra qualquer projeto; é muito exigente e coloca dúvidas em diversos pontos. Inclusive, da maneira como ela está agindo, Saori começa a ser influenciada e já até pondera algumas das questões que antes ela aceitava tão tranquilamente! Saga está lá, com as duas, tentando fazer a situação voltar a ficar a nosso favor, mas não sei se ele está conseguindo ser muito bem sucedido...
– E você acha que eu posso mudar alguma coisa nesse quadro? – perguntei ceticamente.
– Claro que sim! Com você aqui, poderemos dar à Pandora uma amostra ao vivo do seu talento musical! Assim como todos no estúdio tiveram a certeza de que nosso plano era fantástico depois de ouvi-lo cantar na gravação daquela cena, o mesmo poderá ocorrer aqui! E será ainda melhor, porque estão reunidos nessa festa diversos patrocinadores que querem a confirmação de que estão investindo em um produto que trará bom retorno a todos eles.
– Mas... cantar ao vivo? Para toda essa gente? – eu me senti pego de surpresa – Por que não mostram simplesmente a gravação da cena para eles?
– Já mostramos. A aceitação foi boa, mas Pandora diz que ainda precisa de algo mais...
– E o que é esse algo mais?
– Sei lá! Vai entender a cabeça das mulheres! Mas precisamos fazer algo, e urgente. Seja lá o que for! Só não podemos ficar aqui parados.
– Olha, Kanon... Não sei se seria boa ideia você me colocar na frente dessas pessoas, só com um violão... Pelo tamanho da festa e por tudo o que você me diz que quer alcançar com uma apresentação... Teria de ser algo mais grandioso. Então, eu acho que não vai dar muito certo e...
– Ah, mas você não irá se apresentar sozinho! Tem um banda ali para tocar com você!
– Mesmo assim, Kanon. Eu não os conheço, eles não me conhecem, não conhecem minhas músicas... Você quer algo feito no improviso, mas improvisos assim não costumam dar muito certo. – reforcei.
– Eu entendo o que está me dizendo, Ikki. Porém, escute-me. Essa banda não é uma banda qualquer. O que ocorre, meu caro, é que a sua apresentação durante a gravação daquela cena foi excelente, mas, para fins televisivos, é sempre bom acrescentarmos alguns efeitos. Contratamos um pessoal muito bom para fazer incrementos à sua música.
– Incrementos? – perguntei, não gostando muito do que tinha ouvido.
– Sim. Naquela cena que você gravou, foi basicamente voz e violão. Já tinha ficado ótimo, mas com o acréscimo de outros instrumentos, ficou melhor ainda.
– Sei. E fizeram esses acréscimos sem nem ao menos falar comigo. Mexeram na minha música sem minha permissão?
– Ok, eu já sabia que você não iria gostar muito disso quando ouvisse... Mas me escute até o final. Esses músicos que contratamos não são pouca coisa. O que se destaca neles é a intuição, é a grande sensibilidade de sentir a música e saber o que fazer com ela... Entende o que estou dizendo?
– Não. Não tenho ideia do que está dizendo.
– Ah, Ikki! Por favor, coopere! Entenda, essas pessoas, quando ouvem a versão de alguma canção, são capazes de pegar instrumentos musicais que não foram usados na versão inicial e fazer acréscimos a ela, sem mudar sua essência, sem danificar sua natureza original!
Fiquei pensativo diante dessa explicação. Como não me manifestei, Kanon prosseguiu:
– Eu e o Saga compreendemos bem que essas canções têm grande valor e importância para você. Não faríamos nada que pudesse comprometer o significado que elas lhe têm. Acredite, o resultado foi muito positivo!
– Mesmo assim, poderiam ter falado comigo antes de tomar qualquer decisão.
– Concordo... O problema é que estamos correndo contra o tempo, Ikki. Tanto é que esses acréscimos ainda nem foram gravados em estúdio. Chamamos esses músicos, explicamos a eles nossa ideia e eles toparam. Aí, fizemos uma demonstração ao vivo aqui, na festa, para a Pandora.
– Ao vivo? Ao vivo como?
– É, está bem... Foi parcialmente ao vivo. Enquanto a gravação da cena era passada em um telão, com você tocando no bar, apenas acompanhado do seu violão... Os outros músicos, no palco, fizeram os devidos acréscimos. O pessoal adorou, todos aplaudiram fervorosamente... Eu sinto que Pandora está por ceder, mas, como ela mesma disse, ela quer algo mais.
– E esse algo mais sou eu?
– Exatamente! Entende agora? Vamos dar a ela uma apresentação completamente ao vivo!
– Você quer que eu apresente a mesma música da cena?
– Não... Teria de ser outra música, senão seria mais do mesmo...
– Aí você já está querendo demais, Kanon. Olha, eu até cogitei a possibilidade de ajudar, mas, desse jeito, em cima da hora... Não vai dar.
– Ikki, Ikki... Vamos lá, pense comigo... É uma situação delicada... Precisamos revertê-la o quanto antes, ou teremos problemas à frente...
– Qual o maior problema que pode acontecer, Kanon? De a série não poder mais explorar o mercado musical? Grande coisa... Às vezes, é até melhor assim.
– Não, Ikki! Se não mudarmos a cabeça da Pandora agora, corremos até mesmo o risco de ela influenciar Saori em outros aspectos! A senhorita Kido ainda está se acostumando com a posição assumida. Ela teve de lidar com a perda do avô, ao mesmo tempo em que se tornava uma figura importante e visada. No fundo, ela ainda é uma menina assustada, cercada de consultores e advogados que a aconselham sobre tudo, porque a jovem Saori ainda se acha imatura para tomar decisões tão importantes. No entanto, Saga percebeu um detalhe preocupante e já me alertou para ele. A senhorita Kido simpatizou muito com Pandora. A senhorita Hara é também muito jovem e, mesmo assim, soube vencer em um mercado tão disputado, passando, inclusive, a se tornar referência dentro dele! Saori está deslumbrada com tudo isso, Saga me disse, e eu concordo, que Pandora está já se tornando um modelo, um exemplo para Saori. E se isso seguir assim, as opiniões da senhorita Hara influenciarão demais a herdeira do império Kido. Se acontecer desse modo, acredite-me: até a viabilidade da nossa série estará em risco. Pandora disse que precisava de algo mais para comprar nossa ideia de explorar o mercado musical e, como ainda não pudemos oferecer nada a ela, a garota já começa a questionar outros vários aspectos do nosso programa; tudo isso na frente da Saori! É uma situação muito delicada, Ikki... e eu já estou nesse mundo do entretenimento há tempo suficiente para saber que o jogo pode virar, negativamente ou positivamente, de uma hora para outra! Precisamos agir!
Kanon estava bem afobado. Por mais que se controlasse, acabou elevando um pouco o tom de voz, enquanto tentava me convencer. De qualquer forma, ele conseguiu o que queria; fez com que eu sentisse a gravidade da situação.
Passo a mão pelos meus cabelos, tenso. E volto a olhar ao meu redor. As pessoas ali presentes, que continuavam me observado, agora menos escancaradamente, visivelmente pareciam me analisar. Mediam cada parte de mim, como se estivessem me atribuindo algum valor.
Não preciso dizer muito; a maioria dessas pessoas não parecia me achar grande coisa.
Não sei se foi esse desprezo velado ou a possibilidade de a série ser prejudicada, mas acabei falando sem pensar muito:
– Está bem. Vamos dar esse "show".
Kanon abriu um enorme sorriso diante do meu comentário. Ele então me levou até onde estava seu irmão gêmeo que, conforme havia dito, estava conversando com Saori Kido e a tal produtora musical, Pandora Hara.
– Senhoritas, desculpem interromper a agradável conversa que estão tendo com o meu irmão... Mas eu lhes trouxe aqui alguém que certamente gostariam de conhecer.
As duas olharam para mim ao mesmo tempo. Saori me cumprimentou com um sorriso gentil, enquanto Pandora me julgou com um olhar que foi de cima a baixo. Saga, que não pôde esconder uma certa expressão de alívio por me ver, sorriu e me cumprimentou:
– Ikki! É muito bom que tenha vindo. Por favor, deixe-me apresentá-lo. Caríssimas, este é Ikki Amamiya, um dos irmãos protagonistas. Ikki, esta é Saori Kido, como você já sabe... E esta é Pandora Hara, a produtora musical que estamos tentando trazer para o nosso lado. – Saga disse, usando de seu tom mais gentil e educado, o que não pareceu surtir efeito na produtora.
– Muito prazer, senhor Amamiya. E onde estão seus irmãos? – a garota foi direto ao ponto.
– Não vieram. – respondi secamente.
– É... Pois é... Lembra-se, senhorita Hara? – Kanon tomou a palavra – Nós dissemos que esses três irmãos têm problemas familiares não muito bem resolvidos... Eles aceitaram trabalhar na mesma série, mas com a condição de não terem que gravar juntos, pois não se dão muito bem...
– É isso que não compreendo. Saori, como pode aceitar uma exigência tão descabida como essa? Por causa de infantilidades assim, você terá que gastar mais do que o necessário. E eles nem sequer são atores renomados e conhecidos para receberem um tratamento do tipo! Se já estão tendo um ataque de estrelismo agora, imagine o que não virá pela frente!
Kanon tinha razão. Essa tal Pandora era mesmo perigosa. Ela poderia colocar ideias na cabeça da Saori e terminar prejudicando tudo o que já estava acordado entre mim e os produtores. Não poderia deixar que ela levasse essa discussão adiante:
– Senhorita Hara, se me permite dizer, você não me conhece. E não conhece meus irmãos. Portanto, não pode fazer quaisquer afirmações a nosso respeito. Mas eu posso lhe garantir que está exagerando. O que impede a mim e aos meus irmãos de gravarmos juntos é muito mais que uma simples crise de estrelismo. Não fazemos questão de tratamento tão diferenciado, a não ser quanto a isso. E, até onde sei, tanto a minha capacidade quanto a deles para fazer esse programa já foi devidamente comprovada. – embora eu tivesse sido razoavelmente educado em minhas palavras, meu tom foi levemente agressivo. Porém, não pude evitar.
– Ah, sim? – Pandora pareceu não gostar muito da minha intervenção – Acontece, meu caro, que eu faço afirmações a partir do que conheço. E o que você disse é verdade; eu não o conheço, assim como não conheço seus irmãos. Isso, inclusive, porque vocês não se deixam conhecer. Por sinal, outra questão ridícula que deveria ser revista! Se vocês estão predispostos a participar de um programa televisivo, deveriam estar preparados para toda a exposição que isso traz! Ficar com esse charme de não querer aparecer me parece uma grande hipocrisia.
– Não acho que isso seja tão importante. Se nós vamos aparecer na TV, acho que a única coisa que deveria importar é se o nosso trabalho é bom o suficiente. Se queremos ou não ser discretos... Isso não deveria contar tanto.
– Bem, então chegamos ao grande ponto que estava sendo debatido antes da sua chegada, senhor Amamiya. Eu não sei se vocês são tão bons assim. Quero dizer, me pareceram bons, mas... Eu não sei... Acho que falta algo. Algo que me toque e mexa comigo, verdadeiramente.
Kanon olhou para Ikki, interrogando-o mudamente. O rapaz bufou e respondeu:
– Você quer saber se eu sou um produto rentável? Ok, eu vou lhe mostrar isso agora. Kanon, onde está a banda?
O gêmeo menor vibrou discretamente. E então apontou para o palco, onde alguns músicos tocavam algo, mas nada que se destacasse muito. Era apenas uma espécie de fundo musical para o evento, que não deveria atrapalhar a conversa frívola das pessoas da alta sociedade ali presentes.
Eu não disse mais nada. Dirigi-me ao palco, abrindo caminho na multidão com meu olhar tempestuoso. Sequer precisei pedir; as pessoas iam abrindo passagem só de me ver aproximar. Quando cheguei ao palco, subi ali em um pulo e logo me dirigi aos músicos, que haviam parado de tocar com minha chegada.
– Então... Meu nome é Ikki, muito prazer. Sou o cara com quem vocês tocaram agora há pouco. – apontei para o telão, enquanto analisava os instrumentos deles – Parece que tem um pessoal importante aí, querendo uma apresentação que demonstre se temos algo bom o suficiente para oferecer, que mexa com todos esses grã-finos. Eu sei que eu tenho; mas vou precisar da ajuda de vocês. Kanon me falou que são talentosos e que conseguem acompanhar uma canção que lhes seja inédita com alguma facilidade. Isso é verdade?
Os músicos se entreolharam, ainda aturdidos com minha aparição ali – Bem, se for verdade, eis o que nós faremos. Eu tenho uma música que acho que poderá mexer com esse público daqui. Mas vocês não a conhecem. Então, eu vou dar o tom. Quando a compus, eu só pensava nela com piano e violão, mas vocês podem se sentir livres para acrescentarem o que tiverem interesse ao longo dela. Se forem tão bons quanto me disseram, acho que conseguem fazer isso. Estou certo?
Os músicos gesticularam positiva e timidamente, terminando de absorver tudo o que eu dizia. Para a garota ao piano, eu cantarolei rapidamente a melodia da canção, a fim de que ela pudesse me acompanhar. Peguei uma das guitarras com um rapaz, dizendo que ele poderia tocar o baixo, se quisesse. Falei também que se mais alguém quisesse me acompanhar na guitarra, era bem-vindo. Havia mais alguns músicos e outros tantos instrumentos ali, para os quais eu disse que participassem, se achassem que suas intervenções caberiam. E, para o garoto da bateria, eu falei que seguisse a marcação da canção. Em seguida, fiz com eles o mesmo que com a pianista. Murmurei brevemente a melodia, para que eles pudessem acompanhar o ritmo, e então determinei:
– Vocês têm a liberdade de acrescentarem o que quiserem, contanto que não estraguem a minha música. Entenderam?
Acho que fui bastante incisivo com meu olhar, pois todos acenaram positivamente com as cabeças, embora continuassem basicamente calados, apenas me observando. Eu arrumei o microfone, enquanto os outros posicionavam-se com seus instrumentos à espera de que eu começasse.
Eu conseguia sentir a tensão que povoava o lugar. Todos olhavam para mim, curiosos, sem saber o que esperar. Os músicos sobre o palco também estavam ansiosos, obviamente também sem ter ideia do que aconteceria. Daria certo? Ficaria legal?
A verdade era que nem eu sabia essa resposta. Fui movido por orgulho, como é de praxe, e agora eu começava a sentir um leve nervosismo. Estava ajeitando a guitarra quando percebi, próxima da aglomeração que se formava junto ao palco, a presença de pessoas conhecidas.
Mais ao fundo, estavam os gêmeos, Saori Kido e Pandora Hara. E agora, vindos de outro salão daquela gigantesca mansão, apareciam os diretores e os roteiristas, com um ar curioso em seus rostos. Pelo visto, já haviam percebido que alguma coisa estava acontecendo.
E, logo após eles, surgiram os meus parceiros de cena.
Shun, com seu olhar sempre deslumbrado, observou-me com uma curiosidade pura, iluminada por aqueles grandes olhos verdes.
Shaka, com seu aspecto arrogante, lançou-me um olhar igualmente curioso, mas disfarçado por uma leve expressão de desdém.
E... Hyoga.
Em um primeiro instante, eu vi genuína surpresa nos olhos azuis do Hyoga. Ele pareceu realmente espantado em me ver ali. Shun e Shaka, logo depois de me verem, trataram de correr os olhos pela multidão, procurando nitidamente pelos meus irmãos que, possivelmente, eles achavam que poderiam estar ali. Hyoga, no entanto, não retirou os olhos de mim. Após o breve susto, ele me abriu um sorriso bonito e, não posso negar, reconfortante. Ao contrário de todos os outros presentes, ele não me interrogava com os olhos sobre o que eu estava prestes a fazer. Ele simplesmente sorriu, como se estivesse me vendo fazer algo corriqueiro, normal, tranquilo. E foi essa sensação de tranquilidade que ele me passou. Era novamente uma sensação boa, como aquela ocorrida na cena em que tínhamos gravado mais cedo.
Com meus olhos fixos nos dele, eu sorri também, como se confirmasse a sensação que ele me transmitia. Sim, eu sabia muito bem o que estava fazendo.
Liguei o microfone e, com minha voz um pouco rouca, eu anunciei:
– Essa música foi escrita por mim já há algum tempo. Ela se chama "Bed of Roses".
Dito isso, peguei a guitarra e comecei a tocar:
Bed of Roses
Sitting here wasted and wounded at this old piano
Trying hard to capture the moment this morning I don't know
'Cause a bottle of vodka is still lodged in my head
And some blond gave me nightmares
I think that she's still in my bed
As I dream about movies they won't make of me when I'm dead
With an ironclad fist
I wake up and french kiss the morning
While some marching band keeps its own beat in my head while we're talking
About all of the things that I long to believe
About love, the truth and what you mean to me
And the truth is
Baby, you're all that I need.
I wanna lay you down in a bed of roses
For tonight I'll sleep on a bed of nails
I wanna be just as close as the Holy Ghost is
And lay you down on a bed of roses
Well I'm so far away
Each step that I take is on my way home
A king's ransom in dimes I'd give each night
Just to see through this payphone
Still I run out of time or it's hard to get through
Till the bird on the wire flies me back to you
I'll just close my eyes
And whisper: Baby, blind love is true
I wanna lay you down in a bed of roses
For tonight I'll sleep on a bed of nails
I wanna be just as close as the Holy Ghost is
And lay you down on a bed of roses
The hotel bar hangover whiskey's gone dry
The barkeeper's wig's crooked
And she's giving me the eye
Well I might have said yeah
But I laughed so hard I think I died
Now as you close your eyes
Know I'll be thinking about you
While my mistress she calls me
To stand in her spotlight again
Tonight I won't be alone
But you know that don't mean I'm not lonely
I've got nothing to prove
For it's you that I'd die to defend
I wanna lay you down in a bed of roses
For tonight I'll sleep on a bed of nails
I wanna be just as close as the Holy Ghost is
And lay you down
I wanna lay you down in a bed of roses
For tonight I'll sleep on a bed of nails
I wanna be just as close as the Holy Ghost is
And lay you down on a bed of roses.
[TRADUÇÂO:]
Cama de Rosas
Sentado aqui perdido e ferido neste velho piano
Tentando capturar o momento esta manhã, eu não sei
Pois uma garrafa de vodka ainda está alojada
Na minha cabeça
E algumas loiras me trazem pesadelos
Eu acho que ela ainda está na minha cama
Assim como sonho com filmes que eles não farão de mim
Quando estiver morto
Com um punho de aço acordo e beijo de língua esta manhã
Enquanto uma marcha de banda mantém sua própria batida
Em minha cabeça durante a nossa conversa
Sobre todas as coisas que eu demoro a acreditar
Sobre amor, a verdade e o que você significa para mim
E a verdade é que, baby, você é tudo de que preciso
Eu quero te deitar numa cama de rosas
Pois hoje à noite eu vou dormir numa cama de pregos
Quero estar o mais próximo, como o Espírito Santo está
E te deitar numa cama de rosas
Bem, estou tão longe
Que cada passo que dou é no meu caminho para casa
Uma recompensa em moedas de ouro eu daria a cada noite
Apenas para te ver por este telefone público
Estou ficando sem tempo, ou está difícil seguir em frente
Até que o pássaro no arame me faça voar de volta para você
Apenas fecharei meus olhos e irei suspirar:
Baby, o amor cego é verdadeiro
Eu quero te deitar numa cama de rosas
Pois hoje à noite eu vou dormir numa cama de pregos
Quero estar o mais próximo, como o Espírito Santo está
E te deitar numa cama de rosas
A ressaca de whisky no bar do hotel me esgotou
A peruca torta do dono do bar
E ela está me olhando no olho
É, eu deveria ter dito sim
Mas ri tão forte, que achei que tivesse morrido
Agora, quando você fechar seus olhos
Saiba que estarei pensando em você
Enquanto minha senhora me chama para ficar
Na mira dela de novo
Hoje à noite não estarei sozinho
Mas você sabe que não significa que não estarei solitário
Eu não tenho nada para provar
Que eu morreria para defender você
Eu quero te deitar numa cama de rosas
Pois hoje à noite eu vou dormir numa cama de pregos
Quero estar o mais próximo, como o espírito santo está
E te deitar numa cama de rosas
Eu quero te deitar numa cama de rosas
Pois hoje à noite eu vou dormir numa cama de pregos
Quero estar o mais próximo, como o espírito santo está
E te deitar numa cama de rosas.
Ao término da canção, uma forte e ressonante chuva de aplausos se fez ouvir.
Posso parecer presunçoso, mas eu já esperava por isso.
Eu sabia que tinha ido muito bem.
Aquilo que o Hyoga tinha me falado mais cedo era verdade. Quando eu cantava, quando eu expunha esse meu lado, eu me sentia mais forte.
Mais inteiro, mais completo.
Sentia que não haveria nada que eu não pudesse fazer.
Os músicos contratados pelos gêmeos também se saíram muito bem. Até me surpreendi com eles. No começo da música, me pareceram tímidos, seguindo tão somente o que eu já havia passado. Contudo, percebo agora que eles estavam sentindo a música e, de fato, a sensibilidade deles é bem aguçada. À medida que a música progredia, eles foram criando confiança e me ajudaram a fazê-la crescer, exatamente como era para ser.
Pandora Hara queria uma demonstração de que eu era capaz de ganhar o público? Provei isso a ela muito bem. Eu cantei com todo o meu ser e eu simplesmente sabia que, agindo assim, eu conseguiria tocar não só a ela, mas a todo aquele público tão frio e impassível.
E, de fato, ao colocar tanto fogo e paixão nas minhas palavras enquanto cantava, eu consegui quebrar aquele gelo.
Saori sorria amplamente e Pandora, pelo que pude ver, acenava para os gêmeos como quem se dizia enfim convencida.
Enquanto eu entregava a guitarra de volta ao rapaz que me emprestou-a, notei que Saga, Kanon, Saori e Pandora subiam a escadaria do salão, até alcançarem uma posição de grande visibilidade.
Dali, os gêmeos chamaram a atenção dos presentes e rapidamente todos os olhares se voltaram para eles.
Os dois começaram então a apresentar a união dos nomes Kido e Hara para fazer da nova série um grande sucesso no mundo do entretenimento.
Enquanto eles faziam isso, discursando sobre todos os benefícios que seriam advindos daí, para agradar e atrair ainda mais patrocinadores, eu dei duas palavras rápidas de agradecimento para os músicos e desci do palco, sem chamar atenção.
Fui pelos cantos do salão, que estavam mais vazios, dirigindo-me à saída mansão.
Já tinha sido o suficiente por aquela noite.
Eu me sentia realmente esgotado.
Também, pudera. Como seria diferente? Eu havia acabado de dar tudo de mim ali. E tinha sido bom; mas agora eu me sentia mesmo cansado.
Ninguém percebeu minha movimentação, tamanha a atenção dada para os quatro, que se encontravam lá em cima, em posição de destaque. Achei melhor que fosse assim. Eu não precisava me despedir de ninguém. Minha parte estava feita.
Quando finalmente alcancei a porta, o mordomo veio abri-la para mim. O distinto senhor chegou a me perguntar, com toda a educação, por que eu partia tão cedo.
Eu disse apenas que estava cansado e que o dia seguinte seria cheio de gravações. Pensei comigo que, na verdade, eu não sabia se seria o Ikki, o Ikky ou o Rikki que iria gravar, mas... no final das contas, seria eu, ou seja... Precisava estar bem descansado.
O mordomo não questionou mais nada. Abriu a porta e eu, antes de sair, olhei rapidamente para trás. Saga e Kanon agora diziam que iriam apresentar as pessoas responsáveis por fazer a série acontecer. Começaram chamando os diretores, Aioria e Aioros. Percebi que logo chamariam os roteiristas e, em breve, pediriam que os atores subissem lá também.
Só que eu não estaria ali para isso. Menos mal.
Enquanto os aplausos para os diretores ecoavam no ambiente, sorri de leve para a cena. Todos estavam de costas para mim, com os olhos nos irmãos que subiam as escadas para se juntarem aos gêmeos e produtores da série.
Estavam todos com os olhos fixos nessa cena...
Todos...
Menos Hyoga.
Hyoga, de costas para a escadaria, olhava na minha direção. Imóvel. Segurava a taça de vinho em uma mão, enquanto a outra estava enfiada no bolso da calça preta. Ele me sorria discreto, com um bonito sorriso de canto.
Não disse nada, sequer saiu do lugar. Vendo-me prestes a partir, seus olhos azuis apenas brilharam daquela forma única, que, de algum modo, sempre atraía a minha atenção. O loiro então ergueu a taça na minha direção, como se me fizesse um brinde. E eu sorri de volta para ele, acenei a cabeça em um gesto de despedida, voltei-me para fora e deixei a mansão.
Continua...
N/A: A canção presente nesse capítulo é "Bed of Roses", do Bon Jovi.
E, caso alguém esteja se perguntando... Sim, a Esmeralda também irá aparecer nesta história, só que mais à frente.
Contudo, acho bom ressaltar que, embora eu esteja trazendo todos os costumeiros pares românticos do Ikki para esta fic, o casal que irá realmente despontar nela é o Ikki com o Hyoga (para quem não sabe, minha preferência). É claro que isso não significa que eu vá ser sacana com os outros personagens; gosto deles também...
Beijos para quem estiver acompanhando!
Lua.
