Disclaimer: Naruto não me pertence... u.u
Temas: Adolescentes, relações confusas, imaturidade. Amores. Diversidades e amizades. Rivalidade e muitos conflitos. Sexo, álcool, drogas... Sexualidade, prostituição e preconceito.
Música-tema: Brick by Boring Brick do Paramore.
Rate: M. Leiam este capítulo e vocês vão entender o porquê.
Foram Minhas Inspirações:
A fantástica fic de Pink Ringo, Nunca Fui Beijada;
A série LOST (na montagem das cenas, nos diálogos...);
A série Gossip Girl (nas intrigas);
A série 9O21O (nos problemas);
O filme Todas Contra John, LOL (Laughing of Loud) e mais alguns filmes de adolescentes que eu esqueci o nome, mas que eu vi, ou que eu realmente não sei o nome;
Todos os filmes American Pie (1-7).
Essas são minhas principais fontes de inspiração.
Acho importante ressaltar isso, pois tenho que dar o devido mérito a quem me inspira.
Agradecimentos: a todos que mandaram suas fichas, por confiarem em mim; a todos que lêem, por fazerem valer o meu esforço; a todos que mandam reviews, por me fazerem ter motivação para continuar.
Um obrigado especial a Feer Uchiha por ter se oferecido para betar essa fic!*-*
Legenda:
— Esse... Esse colégio é assustador — Falas.
Aqui estou eu... De novo. – Pensamentos diretos.
Assim que entrou nos domínios da escola,... – Narração.
Escritas serão colocadas centralizadas e de forma normal. Farei de um jeito que não dê confusão, OK? Seja lá o que for, será explicado.
— Não dá, ele apagou. – O outro lado da linha de um telefonema.
As mudanças de tempo e/ou espaço são marcadas com dois pontos paralelos. Essas mudanças geralmente são marcadas com a hora e o lugar, não tem como se confundir.
Não, não estou chamando ninguém de imbecil. É só para que ninguém venha a se perder no decorrer da história e entenda mal – ou não entenda. Não que eu ache que tenha esse risco...
Enfim, Boa Leitura!
No capítulo anterior,
Joshua fez uma festa para todo o Konoha College em sua mansão. Álcool, drogas e sexo liberados. A noite foi uma loucura! E resta-nos saber como eles estarão para enfrentar a segunda-feira de aula.
Meira beijou Joshua. Gabbe beijou Noah. Daisuke se fingiu de namorado de Melissa para afastar Tobi que assumiu como barman. Ino teve uma conversa comprometedora com Itachi e um bate-boca tenso com Gaara. Sakura dá um ataque de ciúmes ao ver Naruto, mas depois pareceu arrependida de algo que fez ou faz. O que será? Yoko estava com ciúmes ao saber de Konan e Pain. Suspeito, não? Meghan seduziu Lance para debaixo dos lençóis, querendo usá-lo para seus futuros esquemas, mas Lance não aceitou. O que Meghan quer com ele, afinal?
Isso não foi tudo. O que mais aconteceu nessa festa?
06 de Setembro de 2010
Tudo tende a piorar.
Sim, eu sei que isso é uma visão pessimista de vida e que talvez seja por isso que eu seja tão... desempolgada quanto a ela. Mas essa era a verdade e, de uma forma ou de outra, eu teria que aceitar.
Não que seja uma filosofia correta, muito menos coerente, mas é assim quando você vive no mundo ao qual eu pertenço. Num mundo em que a pornografia é cada vez mais glorificada e se não tiver seus atributos físicos bem destacados ou não ter um comportamento promíscuo, não será aceito. Onde os inteligentes são rechaçados e os desajustados, engraçados. Onde não há moral nem responsabilidade e as pessoas não fazem idéia do que seja maturidade. Onde as diferenças são gritantes e a desunião faz a força. Onde as pessoas separam-se por tribos; grupos fechados que só se socializam com quem é igual. Onde preconceito é uma realidade constante.
Mas tudo se complica quando você é uma loser.
Consegue imaginar um lugar assim?
Pois é...
Bem-vindo ao Institute International Konoha College.
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Amaya Sawary.
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...
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Onde está o momento quando nós mais precisamos?
Você chuta as folhas e a mágica é perdida
Eles me dizem que seus céus azuis tornam-se cinzas
Eles me dizem que sua paixão foi embora
E eu não preciso seguir em frente
Bad Day — Daniel Powter
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OTHERWISE
Viver a vida dos outros é melhor que viver a sua vida?
Dark Sonne.
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— Capítulo dois —
Sweet Aftermath
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Hey, bem-vindos ao meu blog!
Fato ou Fake?
Fonte de conhecimento da vida dos estudantes do Institute International Konoha College.
x
O5.O9.2O1O – O6.O9.2O1O:
Ei, todo mundo.
É do conhecimento de todos que Joshua Yazen, o adorável cafajeste, deu uma festa de Convite Aberto em sua própria mansão, já que seu tio multimilionário está nas Bahamas. Eu, é claro, não poderia perder essa festa por nada.
E minha intuição estava certa!
Consegui muitos escândalos que vai revirar o Konoha College de cabeça para baixo.
Vamos ver o que cada um fez nessa festa?
Fato ou Fake?
Por Charlotte Holmes.
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Aqui estou eu... De novo.
Assim que entrou nos domínios da escola, Amaya foi saudada por uma onda maçante de nostalgia e a sua tão mínima expectativa positiva para aquele início de ano letivo foi varrida para longe. Sabia que seria mais um ano desagradável em sua vida, à medida que avançava sobre o caminho de paralelepípedos empoeirados. Em sua esdrúxula esperança de melhorias, imaginara-se correndo sobre aquele caminho e jogando-se nos braços dele, que estariam novamente rígidos e envolventes sob o uniforme formal que valorizava seus olhos.
Amaya suspirou forte e descompassadamente, obrigando-se a deletar aquele pensamento ridículo de sua mente antes que alguém mais notasse o que se passava com ela. Apesar de ser boa em trancafiar seus pensamentos na própria cabeça, aqueles não eram pensamentos com os quais estava acostumada a lidar.
Antes que ficasse tonta com a geometria do caminho de paralelepípedos, olhou para frente sem maior animação, logo se arrependeu; o Konoha College podia ser incrivelmente assustador quando estava naquele deserto sepulcral digno de cemitérios escuros. Engoliu a repulsa de dar mais um passo, então caminhou à procura de alguma viva alma, de preferência com corpo junto.
Suas preces foram atendidas quando atrás dela, parando suavemente nos portões gigantes, uma limusine lustrosa chegou. O chofer saiu do banco do motorista e abriu uma das portas de trás. De lá, saiu uma garota com cabelos negros azulados que chegavam a sua cintura, extremamente lisos, com uma boina de marinheiro branca encima que fazia parte do uniforme. Uniforme, este, que era alguns números maior que o verdadeiro número de roupa que ela vestia: a saia de pregas enxadrezada preta e vermelha batia depois dos joelhos, e o blazer colegial praticamente a engolia, não valorizando em nada o corpo, apenas tinham as mangas ajustadas a sua altura. Nos pés, o sapato de boneca preto, como mandava o protocolo, e a meia branca que cobria tudo o que a saia era incapaz de cobrir.
A garota sorriu, deixando os olhos brancos mais iluminados. Com a pasta na frente das pernas, ela caminhou até Aya, as bochechas coradas, e lhe deu uma reverência. Amaya levantou as sobrancelhas, ainda não acostumada a essa forma de cumprimento, nunca sabia como deveria retribuir.
— Hinata, não faça esse tipo de saudação, sabe que não estou familiarizada com essas tradições. — Amaya retribuiu o sorriso.
Hinata riu, o rubor deixando suas bochechas.
— Desculpe. — Ela fez outra reverência e Aya riu entredendentes. — Ohayo. Quer dizer, bom dia.
Aya foi contagiada pelo sorriso doce que fazia os olhos de Hinata se fecharem completamente.
— Bom dia.
Amaya voltou a caminhar para dentro do colégio, sendo ladeada por Hinata. As duas ficaram amigas nas primeiras semanas de Aya na escola, há um ano. A doçura de Hinata era cativante, não tendo efeito diferente nela, permitindo-se ser conquistada pela benevolência evidente que emanava dos olhos brancos.
Não eram as únicas na escola, mas além delas, Aya só conseguiu identificar mais nove alunos que pareciam perdidos naquele lugar. Primeiro ano, pensou, lembrando-se de como estava assustada e ansiosa ao mesmo tempo no seu primeiro dia, de como ficara enjoada.
As duas pararam em frente ao Hokage, encoberto por uma massa semi-condensada de névoa que quase deixava impossível a visualização do gigantesco relógio.
— Esse... Esse colégio é assustador — Hinata disse em um sussurro, parecendo que queria sair correndo dali.
— Assustador... É — Aya balbuciou, tentando enxergar o relógio.
Toda a monotonia das construções japonesas era absolutamente descartada nos enormes prédios que compunham uma das escolas mais famosas do mundo, o Institute International Konoha College. Feito com o modelo inglês de ensino, parecia uma parte de Londres perdida no Japão.
Os prédios foram construídos com centenas de milhares de tijolos pequenos que agora tinham um aspecto envelhecido e o vermelho predominante desbotara-se. O Hokage, o prédio principal que ficava de frente para os portões de ferro e para os jardins assustadores, era o mais imponente de todos, com o relógio com ponteiros gigantes e os números romanos encardidos – marcava, neste momento, seis horas e trinta e seis minutos. O Hokage era o prédio da Administração, por isso era um dos menores, mas o clima de morte que emanava era o suficiente para compensar o tamanho e aterrorizar qualquer aluno que fosse chamado para ter uma conversa particular com o diretor sempre enclausurado na sala acima do relógio.
O Hokage era cercado por construções imensamente maiores onde eram aplicadas as aulas, mas para qualquer novato, entrar naqueles prédios poderia significar que estaria se oferecendo para ser cobaia de algum tipo de tortura medieval. Era um total de três prédios interligados por corredores de mármore a céu aberto: o Yondaime, o Nidaime e o Shodaime. Todos largos, com mais de oito andares e com tijolos idênticos em mesmas condições precárias. Cada andar tinha em média de quatro a seis salas, mas todos os primeiros andares eram dedicados aos armários e tinham ligações diretas, dando para o Ichiraku, o refeitório.
A cinqüenta metros de distância, aproximadamente, ficava o Sarutobi, a "república" onde moravam alguns estudantes, dentre bolsistas e filhos de pais impacientes, mandados para lá como se fosse um reformatório ou um colégio interno, assim ficando livre das confusões que estes tinham para aprontar em casa na frente dos familiares. Era sem dúvidas a maior construção dentro do Konoha College. Abrigava em torno de duzentos alunos, mas com capacidade para trezentos.
Mais a frente e para a esquerda do Sarutobi, estava o Senju, o ginásio. Constituía-se por duas partes: a primeira era onde ficavam as piscinas, duas, de tamanho olímpico, com trampolins e arquibancadas; na segunda era a quadra poliesportiva ilustríssima, onde se realizavam os jogos de basquete, vôlei, tênis, futsal e handebol, abastecida com tudo que fosse ser necessário da mais alta qualidade, e no final as arquibancadas. Ainda havia a quadra de atletismo, a quadra de futebol e a de beisebol e softball, as três externas.
— Uuuuuaaargh!
Hinata e Aya se viraram para trás, tendo uma visão geral dos jardins e do portão. Abigail se aproximava delas pelo caminho de paralelepípedos, coçando os olhos, com cara de quem teve que ser arrancada da cama e metade do corpo ainda continuava dormindo.
Abby montava seu próprio estilo com várias combinações de muitos outros estilos, nunca foi uma garota de se contentar apenas com uma coisa, por isso, não gostava do uniforme do Konoha College. A saia foi trocada por uma calça larga e os sapatos de boneca – os quais já tinham virado cinzas – cederam o lugar aos All Stars roxos rabiscados de canetinhas hidrográficas em várias cores. Não tinha sinal da gravata e Aya não se lembrava de algum dia tê-la visto com a boina, mas ela não podia culpá-la, a boina era realmente horrível, ela também não se atrevia a usá-la. Pulseiras grossas de couro prendiam os pulsos e o casaco lilás desbotado substituíra o blazer negro, estava amarrado na cintura. Usava a blusa de mangas compridas do uniforme, era branca com detalhes em preto nas mangas e o símbolo do colégio onde era possível ler IIKC.
— Deveria existir uma lei que impedisse adolescentes de se afastarem de suas camas, pelo menos, até as nove. Não é possível que esses imbecis queiram enfiar física em nossas cabeças às sete da manhã.
Abby revirou os olhos verdes, balançando os cabelos negros curtos e desregulares, o que deixou mais evidente os reflexos violetas. Ela deu outro bocejo e se espreguiçou.
— Hm... Bom dia? — Aya perguntou incerta, uma sobrancelha arqueada.
Abby estreitou os olhos, então desfez a cara irritada e abraçou Aya sem cerimônias. Era a mais baixa das três, mal chegando a um metro e meio. Aya sorriu, depois ajeitou o coque repicado e recolocou os óculos na ponte do nariz, enquanto Abby atacava Hinata.
— Então, do que falavam? — Abby desamarrou o casaco da cintura e o vestiu. — Nossa, como esse colégio está vazio. Se soubesse, teria dito para minha mãe que estava morrendo de mononucleose, aposto que ela nem ligaria para o médico, mas evitaria acordar cedo.
— O-o que é mononucleose?
Abby olhou para Hinata sem uma expressão fixa.
— Sei lá, eu li em algum lugar. Eu sabia, mas esqueci. — Abby sentou na mesa próxima, tirando a mochila negra pichada de corretivo e jogando no banco. — Do que falavam?
— De como essa escola é assustadora.
Abby pareceu pensar por frações de segundos.
— Isso aqui parece uma construção medieval. Uma mistura de Hogwarts com o castelo do Conde Drácula. Tipo, vá para o Hokage e nos ceda sua alma! — Abby imitou uma "voz de fantasma", em suas memórias de filmes de terror. — Sempre que eu passo pelo Hokage eu sinto um calafrio. Parece que o diretor Sarutobi vai voltar do além e me levar com ele.
Amaya e Hinata tremeram.
— Não brinque com uma coisa dessas, Abby — Aya advertiu. — Não faz muito tempo que ele morreu, pode magoar alguém se ouvirem você falando isso.
Abby deu de ombros.
— Por falar em cadáveres, mortos-vivos e fantasmas, sabem se o Danzou vai continuar sendo o diretor?
Aya e Hinata se entreolharam.
— A-acho que não. Meu p-pai me disse que ninguém gostava de-dele como diretor, devem substituí-lo pelo professor Jiraya, ele é o vice-diretor.
Abby fez uma careta.
— Não! Jiraya não aceitaria ser diretor, ele não gosta dessas paradas de responsabilidade extrema. Aposto que será a Tsunade; se tem alguém que não queria Danzou no Hokage, esse alguém é ela.
Aya abriu a boca para argumentar alguma coisa, mas se calou quando viu Candace correr até elas com uma expressão difícil de decifrar, era excitação e mais alguma coisa... Afobação, talvez. Ela parou na frente delas, sem se preocupar em dar "bom dia" ou qualquer outra coisa parecida.
Outra que não vestia a boina, mas fora isso, o uniforme estava completo, ajustado a seus quilinhos a mais aqui e ali, mas nada que tirasse sua beleza. Os cabelos castanho-escuros caíam sobre os ombros e a franja presa com uma presilha branca deixava alguns fios caírem no rosto oval, emoldurando-o. Ela tinha a mochila em um lado do corpo e um jornal na mão esquerda.
— Deixe eu adivinhar — Abby começou, irônica —, exercícios físicos matinais?
Candace estreitou os olhos para ela, mas então voltou para a expressão de agitação. Abriu o jornal e estendeu a primeira página na frente delas. Uma foto de Tsunade era manchete.
— Tsunade é a nova diretora!
Aya e Hinata levantaram as sobrancelhas e abriram a boca, Abby levantou e pulou.
— Rá, eu não disse? — Ela apontou para Amaya. — Pode pagando!
— Não apostamos.
Abby bufou.
— Droga. — Cruzou os braços e se jogou no banco do Ichiraku de cara amarrada. — Vocês não têm o espírito de competitividade! Se o Satoshi tivesse aqui, eu teria ganhado dinheiro, tsc.
Aquilo fez Aya lembrar outro tópico.
— Por falar nele, onde os garotos estão?
Abby levantou o cenho.
— Reformulando a pergunta: onde está todo mundo?
Candace abriu um sorriso enviesado, com um quê de malícia.
— Eles estão vindo...
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Antes. Mansão dos Yazen — 05h56min.
— Anda, Kiba, levanta! — Tenten gritou, dando alguns tapinhas no rosto do Inuzuka.
Kiba deu um gemido, mas voltou a fechar os olhos.
— Vamos, deixa que eu o carrego.
Tenten saiu de cima da mesa de sinuca e deixou que Lance passasse o braço de Kiba pelo seu pescoço, levantando-o e sustentando seu corpo. Kiba, que estava só com a boxer, deu alguns resmungos e beijou o rosto de Lance, sujando sua bochecha de baba. Lance o sentou na poltrona e limpou a baba do rosto.
Kiba voltou a resmungar palavras sem sentido e dormiu de novo. Tenten bufou.
— Lance, não temos muito tempo.
Lance suspirou, cruzando os braços e olhando a situação de Kiba. O moreno fedia a uma mistura nada agradável de múltiplas bebidas e ao vômito delas. Tinha olheiras grandes e a cor dos lábios desaparecera, assim como sua pele estava gélida e pálida – embora ainda morena – uma vez que ele ficara exposto ao frio da sala com piso de mármore. O louro se perguntava se deveria chamar a ambulância ou até mesmo a necropsia. Apurando mais o olfato, seu nariz detectou o cheiro inconfundível de esperma, mas ficou aliviado ao perceber a camisinha jogada embaixo da mesa de sinuca. Uma não, quatro. Ao menos ele tinha se prevenido.
— Eu sei, mas não podemos deixá-lo aqui. Quer dizer, não nessa situação. — Ele dobrou os joelhos, até ficar na altura do rosto de Kiba. — Droga, eu falei para ele pegar leve.
Erik, que assistia a tudo sem se pronunciar, se aproximou de Lance. Estava acanhado, mais ou menos temeroso, como se Kiba fosse atacá-lo a qualquer momento. Não que representasse perigo, mas Kiba poderia atacar qualquer um a qualquer momento mesmo estando consciente e sóbrio.
— A gente tem que dar um banho nele, não é? — Jack perguntou com a voz esganiçada. — Ele tá fedendo.
Lance assentiu.
— Sim, Jack, sim. Acho que é melhor...
Antes que pudessem bolar alguma coisa para ajudar Kiba, Meira desceu as escadas correndo, chamando por Tenten. Ela, assim como Tenten, Lance e Jack, já usava o uniforme do Konoha College. O uniforme valorizava suas coxas, mas escondia um pouco suas curvas. Na concepção de Lance, ela estava bem melhor com o vestido vermelho frente-única. Os cabelos negros não passavam da nuca, repicados. A presença da maquiagem era light, contornando os olhos escuros, valorizando os cílios espessos.
Tenten levantou o cenho ao virar na direção dela.
— Tenten, Annaleigh está vomitando no banheiro do terceiro andar. — Ela parou com os olhos na morena, mas vacilaram ao olhar Kiba. — Ela pediu para eu chamá-la...
— Ah, que droga! Só o que esses seres humanos fazem é beber? — reclamou, correndo as escadas rumo ao terceiro andar com passos fortes.
Meira ficou ali.
— Lance, ele tá bem?
Na mesma hora, Kiba vomitou encima da planta ao seu lado.
Lance revirou os olhos.
— Parece que não...
— Eu posso fazer alguma coisa? — perguntou tampando o nariz.
Ele pensou por algumas frações de segundo.
— Pode. Chame o Naruto, por favor.
Meira assentiu e já estava pronta para sair dali quando Lance a chamou.
— Mei, acho melhor você ir logo para o Konoha. Há muitas pessoas que ainda não se recuperaram. Provavelmente, iremos demorar a ir embora. É melhor você ir com mais algumas pessoas para abrir caminho. Chame... Gabbe, ela deve saber o que fazer para ganhar tempo.
Ele ia dizer para ela chamar Meghan, mas só o nome dela já o fazia querer vomitar. E já havia muitas pessoas poluindo a casa. Gabbe também deveria servir. Era astuta e versátil.
— Certo. — Meira sorriu e saiu para a outra metade da sala.
— Jack — chamou. O garoto estava com o rosto verde e não conseguia tirar os olhos do vômito de Kiba que escorria pelas folhas da planta. — Ah, pelo amor de Deus, você também não. Vá até o meu carro e pegue o uniforme de Kiba. Toma aqui a chave. — Lance jogou um molho de quatro chaves no peito do garoto. — Encontre-me no segundo andar.
Erik correu para a garagem, incerto em abrir a boca e feliz por ter uma desculpa para sair dali.
Lance se viu sozinho com o Inuzuka. A primeira coisa que deveria verificar é se ele conseguia ficar consciente, ao menos por alguns segundos. Caso estivesse inconsciente, teria que chamar a ambulância e, conseqüentemente, iriam todos presos. Achariam sacos de lixo enormes abarrotados com garrafas de bebida alcoólica vazia em uma festa onde a grande maioria era menor de idade. Além, é claro, da enorme quantidade de drogas ilícitas e as incontáveis camisinhas espalhadas pela casa e pelo jardim – que não quebrava nenhuma lei, mas era um forte impacto moral.
O louro bateu de leve no pé de Kiba, mas não obteve resposta. Tentou de novo. Nada. Um dos problemas de Lance era sua precipitação em pensar logo no pior. Já estava considerando a hipótese do falecimento de seu amigo e tentando lembrar os números das autoridades locais.
Com uma batida consideravelmente forte acima do joelho, Kiba acordou, para alívio de Lance que suava frio. Kiba abriu um sorriso malicioso com os olhos semi-abertos.
— Sssssse eu fossssssse mulherrrr... eu trannnnsariiiia com você — Kiba tentou dizer, parecendo mais um escapamento de gás do que palavras humanas.
Lance não conseguiu não rir. Teria que anotar aquilo em seu cérebro, Kiba ia pirar se soubesse que dissera aquilo. Seria uma boa revanche, afinal, ele iria dar banho nele. De algum jeito, Kiba tinha que pagar.
— Ei, Lance.
Lance se virou a tempo de ver Naruto se aproximando.
— Naruto, me ajuda a carregá-lo para o segundo andar.
Lance passou novamente o braço de Kiba pelo seu pescoço, enquanto Naruto fazia a mesma coisa com o outro braço. Juntos eles puxaram o rapaz alcoolizado da poltrona e o carregaram até a escadaria.
— Ele também exagerou na bebida? — Naruto perguntou sem esperar resposta. — Eu e Sasuke acabamos de tirar Hidan da piscina, ele estava quase se afogando.
Aquilo não era novidade. Hidan sempre acabava em alguma coisa que poderia levá-lo a morte; piscinas, overdoses, brigas com cafetões, brigas na Yakuza, mar... Lance se lembrava do último verão quando Gaara e Seiya tiveram que nadar quase um quilômetro para resgatar Hidan que se afogara. Aparentemente, Hidan sempre queria nadar depois de esvaziar cem garrafas de sakê.
— E pior — Naruto continuou —, ele estava pelado.
Sim, Hidan – assim como Deidara – tinha aversão a roupas. No episódio do mar, ele não usava nada mais que óculos de mergulho. Chegou a ser preso uma vez, mas foi merecido; andar nu em um shopping lotado era demais.
Naruto e Lance conseguiram carregar Kiba até o segundo andar. Kiba falava algumas coisas, mas eram ininteligíveis, então não deram importância. A única coisa que entenderam foi que ele estava com vontade de urinar.
— Todos os quartos são suítes? — Lance perguntou.
— Até onde eu sei...
Entraram no quarto 1 e empurraram Kiba para a cama. Ele deitou sobre os lençóis vermelhos e virou de bruços, socando os travesseiros embaixo de seu rosto.
Lance entrou no banheiro e ligou o chuveiro até a água estar bastante gelada, o suficiente para despertar Kiba. Tinha experiências nessas coisas, como acordar pessoas alcoolizadas. Quando ele e Ino estavam juntos, muitas vezes teve que mergulhá-la em água gelada. Claro que algumas vezes tirou proveito da situação, mas ainda assim eram situações complicadas e por vezes embaraçosas. Era difícil resistir a Yamanaka quando ela estava sóbria e seca, resistir a ela quando seu corpo estava encharcado, as gotas descendo por todas as curvas sensuais e sinuosas, arrepiando-a com a temperatura baixa e a desenvoltura desavergonhada que só alguém alcoolizado poderia ter. Ino o provocava, o puxava para junto do chuveiro e tirava suas roupas.
Não que as situações com Ino fossem piores, mas com Kiba não se sentia atraído a entrar debaixo do chuveiro junto com ele. Pelo menos, poderia manter toda a atenção em acordar seu amigo e não ficar mais preocupado com que os seios estivessem irresistíveis, excitados pela água gelada.
Ok, tinha que parar de pensar em Ino!
— Naruto, tira a cueca dele.
Naruto não se surpreendeu, já esperava por isso. Assim como Lance, já havia feito aquele tipo de coisa diversas vezes. Também já haviam feito consigo. E agradecia às pessoas que fizeram. Por isso, não tardou em puxar a boxer de Kiba até deixar totalmente o corpo do moreno e atirá-la no cesto de roupa suja.
Kiba apenas levantou a cabeça, para ver quem estava lhe despindo. Ao avistar o louro, ele sorriu enviesado, com os caninos cintilando. Kiba sabia ser um bom babaca quando queria.
— Hmmmmm! Ssseu ssssaffffadinho!
Naruto estreitou os olhos, tendo uma visão realmente horrível ao pé da cama.
— A gente não pode simplesmente jogá-lo pela janela?
Lance riu, escorado na porta do banheiro. Ele tirou o blazer e puxou as mangas da camisa até os cotovelos. Era tentadora a idéia, mas não podia deixar Kiba na mão. Não havia muito tempo, já estivera na situação inversa. Claro que seus "motivos" eram mais concretos do que os de Kiba, afinal, foi no mesmo dia que Ino rompera com ele. As cicatrizes daquela noite ainda não haviam sido curadas satisfatoriamente.
E ele não conseguia parar de pensar em Ino.
Suspirou.
— Anda, me ajuda com ele.
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Mansão dos Yazen — 06h09min. Banheiro do terceiro andar.
Ai, que nojo.
— Vai, Annie, põe tudo pra fora — Tenten incentivou, segurando o ombro de Annaleigh e se segurando para não ajudá-la a encher ainda mais o vaso sanitário.
Daniel passou pelo corredor, enrolado em uma toalha, com o tronco despido.
— Põe tudo pra fora? — Falou dando uma espiada no banheiro. — E eu achando que ela fosse apenas lésbica. Tenho que começar a rever meus gostos; para mim, você era uma das garotas mais lindas do Konoha...
Tenten bufou.
— Cai fora, babaca!
Contudo, vacilou ao olhar o corpo dele. Dan tinha cabelos castanhos escuros que sempre eram vistos bagunçados de um jeito relaxado, despojado, deixando-o com um visual descontraído. Alguns fios caiam sobre a testa. Os lábios pareciam lhe chamar, mas sabia muito bem que deveria se manter afastada deles. De seus lábios e de qualquer outra parte do corpo dele. Mas eram poucas aquelas que conseguiam resistir. Daniel tinha ombros largos e músculos torneados, tanto nos braços, quanto no tanquinho. Todo seu corpo era colorido pelo bronzeado de praia que deixava sua pele dourada e mais saborosa. Ao lado e um pouco abaixo do umbigo, a metade de uma tatuagem de um kanji era exibida, a outra metade estava sob a toalha vermelha.
Tenten não era a única que já vira aquela tatuagem por inteiro. Nela estava escrito "ferro".
Annaleigh olhou para ele, fez uma careta e então vomitou. Claro que não poderia dizer que ele não era lindo. Não, metade da população feminina do Konoha College a mataria se a ouvissem dizer aquela blasfêmia. Entretanto, ele não era seu tipo. Ele não tinha seios e possuía algo que ela definitivamente não gostava. Da posição que estava, quase podia vê-lo.
Daniel deu um sorrisinho, a sua marca registrada. Aquele sorriso fazia os olhos verdes ganharem um brilho diabólico. Só ele sabia ser perverso tanto na beleza quanto na personalidade.
Tenten teve que se recompor para formar uma frase compreensível.
— Não esperava te ver tão cedo. — Limpou a garganta, sentando na pia para que suas pernas não vacilassem. — Na verdade, achava que você não ia para a escola hoje.
Daniel abriu o sorriso, mostrando os dentes muito brancos.
— Oh, não perderia o primeiro dia de aula do meu último ano.
Annaleigh revirou os olhos. Aquele charme que ele exalava – junto com aquele perfume francês que sentiu no corpo de Karin – estava reforçando seu enjôo. Não gostava daquele italiano quase tanto quanto não gostava de ressacas.
— Perdeu alguma coisa aqui?
Dan olhou para baixo.
— Sabia que você fica muito sexy assim, nessa posição?
Annaleigh deu um sorrisinho falso para ele.
— É mesmo? Algum fetiche por ruivas que bebem mais do que deveriam, ou seria o cheiro de vodca vomitada? — Annaleigh limpou a boca com as costas da mão. Seus olhos adquiriam um bônus de ironia envoltos pela maquiagem negra borrada.
Não tinha um dia que Daniel não xingasse Annaleigh por sua opção sexual. Se ela ao menos fosse bi... Ele tinha algo que atraia bissexuais, vegetarianas, líderes de torcida e ruivas. Annaleigh se encaixava nos outros três quesitos, mas lésbicas não transavam com homens, para sua infelicidade.
Não que nunca tentara convencê-la do contrário... Todavia, fracassara.
— Pode ter certeza que não é a vodca.
Annaleigh sorriu, fechando os olhos.
— Quer fazer o favor de sair daqui? Está irritando o meu estômago.
Daniel, é claro, não obedeceu. Avançou para cima de Tenten, passou seus braços ao redor dela. Os músculos do tórax eram tão irresistíveis e a região do pescoço, clavículas e ombros era uma tentação à parte que mexia com todo o autocontrole da chinesa de pele morena clara.
Tenten prendeu o ar.
Daniel sorriu e tirou um cigarro e um isqueiro do armário em cima da pia onde Tenten estava desconcertadamente sentada. Colocou o cigarro entre os lábios e o acendeu, dando algumas tragadas.
— Você vai se drogar a essa hora da manhã? — Tenten exclamou surpresa. — Sem ter comido nada e depois de uma festa em que o álcool estava liberado? Você quer se matar?
Dan sorriu com o baseado entre os lábios.
— Como sabia que tinha maconha aí? — Annaleigh perguntou, deitando no chão.
— Eu já vim mais vezes nessa casa do que você se agarrou com outras garotas.
Annaleigh sorriu.
— Então foram muitas.
Daniel caminhou até ela, passou a perna por cima de seu peito. Com isso, Annaleigh conseguia ver perfeitamente o que a toalha escondia. Ele, é claro, se divertia com aquilo. Por mais que ela tentasse se mostrar durona e inabalável, suas bochechas coraram.
Idiota, Annaleigh pensou furiosa.
— O que está olhando? — Daniel perguntou com os dentes à mostra.
Ao fundo, sobre a pia, Tenten revirou os olhos.
— O seu costume por não usar roupa íntima, mesmo na presença de duas damas de respeito. — Tenten riu, assim como Daniel, que deu outra tragada, soltando a fumaça. — E, olha, você depila a virilha.
Tenten gargalhou.
Daniel deu mais um de seus sorrisos, depois saiu de cima dela.
— Bom, eu só queria um desses. — Fez um gesto descontraído com o cigarrinho. — Tenho que voltar. Tayuya e Karin estão me esperando para tomarmos banho. Ainda quero mais uma rodada antes de ir para a escola.
Ele saiu, por fim, para o bem das duas garotas. Ao se virar, as duas viram a fênix negra tatuada em suas costas, cobrindo quase toda a pele. As pontas das asas terminavam uma em cada ombro. Um animal movido por desejo, alegria e ódio. A perfeita descrição de Daniel.
— Só de pensar que eu já transei com esse cara, tenho vontade de tomar banho com desinfetante.
Annaleigh riu.
— Tayuya e Karin... Bem que eu reconheci o perfume de vadia — a ruiva comentou, imaginando o que aquele garoto tinha de mais que fazia as duas líderes de torcida o dividirem na cama. — Argh! Pensar nesses três juntos na mesma cama me faz querer vomitar de novo.
— Ah, não! De jeito nenhum.
Tenten pulou da pia, pronta para deixar o banheiro.
— Relaxa, eu tô bem.
Tenten sorriu maliciosa para ela. Com mãos rápidas ela abriu o armário que guardava os cigarrinhos de maconha e o isqueiro. Pegou dois e colocou um em sua boca, acendendo-o.
— Você quer?
Annaleigh estreitou os olhos e riu.
— Passa um pra cá.
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Agora. Estacionamento do Institute International Konoha College — 06h54min.
— Não, sem chance. Não mesmo — Kiba negava pela vigésima vez do caminho da mansão dos Yazen até a escola. — Eu não acredito que eu disse que te daria se fosse mulher.
Lance riu, procurando uma vaga.
— Pode acreditar.
— Nenhuma mulher em sã consciência transaria com você. — Kiba balançava o dedo, olhando pela janela. — Nem mesmo eu.
— Ah, transaria sim.
Todos os cinco no carro olharam para Tenten. Ela levantou as sobrancelhas, segurando o baseado com dois dedos e passando para Kiba. Ela vestia o uniforme das líderes de torcida, assim como Annaleigh, que estava sentada no banco da frente com outro cigarro.
— O que foi? — perguntou surpresa que todos dessem tanta importância para aquilo. — Só estou dizendo que eu transaria com ele. Qual o problema?
Jack riu, Kiba deu uns tapinhas no ombro de Lance.
— Grava isso na sua memória.
Lance sorriu, colocando o cigarro que Annaleigh lhe passava entre os lábios. A ruiva estava no banco da frente, soltando a fumaça de forma casual. Lance segurou o baseado em dois dedos, mantendo a direção e depois dando uma boa tragada.
Tenten o agarrou, abraçando-o junto com o encosto do carro.
— Mas como ele é um super fofo, ele não tem coragem de pedir. — Ela se inclinou para frente e quando ele se virou para ela, ela lhe roubou um selinho. Do retrovisor, ele podia ver que o decote de Tenten estava um pouco mais baixo que o de costume. — Considere isso um sim.
Lance ficou vermelho.
— Uhuhuhu! — Kiba e Annaleigh fizeram.
— Olha, ele tá vermelhinho! Que graçinha. — A ruiva passou as mão nos cabelos dourados escuros de Lance e roubou seu baseado.
— Tenten, me dá esse cigarro aqui, já está fazendo efeito — Kiba disse, arrancando o baseado da boca da morena que fez um bico em protesto.
— Não tá nada! Me devolve!
Ela começou a gargalhar do nada, investindo contra Kiba para pegar seu cigarro de volta.
Lance riu, ainda constrangido. Sabia que aqueles três gostavam de tirar com a cara dele só porque ficava corado com facilidade. Ainda estava fresco em sua memória a lembrança do dia em que ficou extremamente enrubescido quando Ino o agarrou no meio da festa de aniversário de Daniel e oficializou o namoro deles.
Tão rápido quando viera, o sorriso sumiu.
— Não é o carro da Ino? — Jack perguntou do banco atrás de Annaleigh.
— Eu reconheço esse BMW em qualquer lugar, é ela sim — A ruiva respondeu.
Lance estacionou o Toyota ao lado do conversível de Ino. Ela também havia acabado de chegar. Estava, como sempre, fantástica no uniforme de líder de torcida, exatamente como Annaleigh e Tenten; a saia de pregas negra estava expondo mais da metade da coxa, os braços de fora, assim como o abdômen que a blusa negra com Konoha escrito em vermelho não conseguia tampar. Talvez estivesse frio para usar aquele uniforme, mas ele sabia que uma vez líder de torcida, aquele uniforme era lei. Ino, sendo a líder das líderes, auto-intitulada Queen Bee, deveria dar o exemplo às outras.
Aquele tempo fechado de outono era familiar a todos os estudantes e por ele descia uma claridade prateada coerente com a manhã. Mas aquela claridade era o suficiente para destacar Ino. Suas curvas, sua pele, seu cabelo, seus olhos, seu umbigo, suas coxas. A presença de Ino o perseguia. Era como um carma; você tenta fugir, mas ele acha você. Como é possível tirar alguém como ela da sua cabeça de uma hora para outra?
Lance tinha uma resposta. Não que gostasse dela. Não que não fosse perigosa. Mas era a única que ele tinha.
Confrontá-la.
Assim que os quatro pneus ficaram dentro da demarcação da vaga, Lance puxou o freio de mão e pulou para fora do carro. Ino estava perto do caminho de concreto principal, não demorou a alcançá-la.
— Ino! — ele chamou e ela se virou, puxando o ar assim que viu quem se aproximava.
Ter uma briga com Lance também não era um dos planos de Ino, mas seu corpo não conseguia se mover. Seus olhos o focalizaram com mais atenção assim que ele chegou mais perto. Não conseguia pensar nada com coerência, era isso que ela mais odiava em Lance. Ele bagunçava sua cabeça. Mas era isso que ela também mais gostava nele. Ele bagunçava seus pensamentos pelo jeito que ele a tratava e pelo jeito que ele a olhava. Exatamente aquele jeito que ele a olhava agora.
— Lance... — Seu tom era de súplica. — O que você quer?
Os olhos castanhos escuros a hipnotizavam. Por mais que ela devesse querer sair correndo dali, a única coisa que passava por sua cabeça era o quanto queria sentir o sabor daqueles lábios mais uma vez.
— Você sabe o que eu quero, Ino.
Ela fechou os olhos.
— Nada que eu diga vai ser o suficiente pra você.
Lance trancou o maxilar.
— Eu mereço uma resposta. — Sua voz vacilou. — Mereço uma resposta depois de tudo o que nós passamos e como você acabou com tudo. Você não pode dizer que acabou e ir embora.
O tom da voz dele. Aquela rouquidão. Tantas lembranças. Como era bom escutá-lo chamar seu nome nas noites que passavam juntos. As vezes que ele levou seu café na cama. As covinhas que apareciam sempre que ela abria os olhos no dia seguinte. A culpa.
— Eu não tenho nada para falar.
— Como não? Como você pode acabar com tudo aquilo sem dar explicações?
Os olhos castanhos estavam úmidos, Ino não ousou olhá-los.
— Aquilo não era real.
— Era real pra mim!
Ele se aproximou. Ela tocou seu peito sobre o blazer negro. Ele encerrou a distância de seus corpos e selou seus lábios. Ino não ofereceu resistência e então retribuiu ao mesmo tempo em que as lágrimas começaram a descer. Largou a mochila no chão e passou um braço envolta do pescoço.
Sentimentos, quando são sinceros, bastam as duas hastes colidirem que a faísca vai cuidar de incinerar tudo aquilo que há tanto tempo foi deixado no escuro. Mesmo que não queira, é impossível resistir.
Ino sabia daquilo. Provavelmente as conseqüências seriam letais e banhadas de veneno, mas não menos venenoso era o que sentia por Lance. Não que fosse amor, sabia que não era. Era algo mais forte, mas profundo e mais sincero. Algo que não poderia ser nomeado. Podia ser sentido, e até visto, mas era impossível entender seu significado.
As mãos femininas agarraram a raiz do cabelo. Os braços mais fortes abraçaram o quadril delineado, sentindo como Ino ficava arrepiada de ser tocada naquela região.
Aquele sabor único novamente em seus lábios. Aquele perfume doce novamente entranhado em suas narinas. A língua macia e quente tão habilidosa que o fazia se sentir um iniciante. Sempre fora o coadjuvante no relacionamento, Ino sempre tivera mais destaque em qualquer sentido. Ela comandava, ela decidia, ela dava o veredicto. Não passava de um vassalo usado que só era requisitado quando ela precisava, quando ela sentia a sua falta. Por mais que fosse angustiante, ele não reclamava. Enquanto a tivesse, estava feliz. Agora que não tinha, queria de volta. E para isso, teria que tomar iniciativas.
Talvez, juntos, pudessem recomeçar.
Seus lábios se separaram. Ele abriu os olhos.
— Isso não é real? — sussurrou devagar.
Ino lhe deu um tapa.
Os lábios fechados e rosados, os olhos azuis brilhantes e úmidos. Tinha frieza em seu olhar. Não conseguia ler através das linhas duras de sua expressão. Mas dolorosamente sabia o que significava.
Ino não disse nenhuma palavra. Lance procurou em seus olhos aquilo que antes via.
Ino lhe acariciou o rosto. Fechou os olhos quando as lágrimas começaram a cair e escorrer por sua pele de porcelana, concentrando-se no queixo e pingando em seus pés.
Ino foi embora e ele ficou.
Exatamente como deveria ser.
Exatamente como deveria ter sido.
Exatamente como nenhum dos dois queria que fosse.
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— Ihhh, essa deve ter doído — Deidara e Kisame exclamaram vendo a cena que Ino e Lance protagonizavam na entrada da escola, assim como muitos outros assistiam.
— Nunca soube o que ela viu nesse imbecil — Deidara comentou, descendo da mesa.
Sasori riu de lado.
Meira revirou os olhos.
— Não sejam tão cruéis.
Talvez ela fosse a única daquele grupinho que tivesse sentimentos. Não que isso fosse uma novidade. Aqueles trogloditas trocariam as próprias mães por mais algumas gramas de cocaína e algumas garrafas de sakê.
Mas aquilo só poderia ser considerado verdade se ao menos fizesse, de fato, parte daquele grupo. Algo que ela não fazia questão. Perder a vida em drogas ilícitas e álcool não era algo que estivesse incluído em suas metas. Se aqueles cinco ao menos passassem dos trinta, mereciam palmas.
Konan somente sentou em um dos bancos do Ichiraku e acendeu seu cigarro com o isqueiro negro com nuvens vermelhas. Ela não tinha tempo para ceninhas dramáticas de pessoas inúteis.
Pain nada falou ou se moveu.
O que eu estou fazendo com essa gente?, Meira se questionou, procurando alguma boa desculpa para sair o mais rápido dali antes que a fumaça de sabe-se lá o que Konan estivesse fumando atingisse suas narinas.
— Vou comprar um cappuccino.
Saiu antes que alguém se manifestasse.
Todos ergueram seus olhos quando ela saiu do meio do "grupinho do mal" – também chamados de Akatsuki, apesar de ninguém saber exatamente o porquê. Alguns se acotovelavam e sussurravam no ouvido de quem estivesse do lado, que logo a olhavam como se ela estivesse sendo presa por assassinato do Diretor Sarutobi.
Meira estranhou, mas deixou de lado.
A caminho da fila de atendimento do Ichiraku, uma garota com cabelos castanhos amarrados em um coque e usando óculos trombou com ela enquanto corria para o caminho que levava ao estacionamento. A garota caiu no chão, parecia tensa com algo e seus olhos azuis estavam arregalados.
— Ai!
Meira se abaixou para ajudá-la a se levantar.
— Desculpa, não te vi aí.
A garota aceitou a mão e foi puxada para ficar de pé.
Meira riu.
— Tenha mais cuidado.
Ela ajeitou os óculos na ponte do nariz.
— Desculpe.
— Tudo bem. — Meira a olhou de lado, imaginando que nunca tinha visto aquela garota, nada nela era familiar. Mas parecia ser uma garota legal, talvez um pouco estabanada. — Você é aluna nova?
Ela levantou as sobrancelhas.
— Não.
— Ahh...
Então era uma daquelas que se mantinham no anonimato. Do tipo que não fede, nem cheira. Ótimo. Teria sorte se aquela garota não a conhecesse e não tivesse que ir ao psicólogo quando ficasse adulta, ou resolvesse invadir a escola com metralhadoras. Aquele tipo de coisa acontecia por esses motivos, não era?
— Você tem nome?
— Hã... Aya. Quer dizer, Amaya. Amaya Sawary. Mas todos me chamam de Aya.
— Aya, certo. Sou Meira.
Aya ajeitou os óculos de novo, apesar de não precisar. Deveria ser um tique.
— Meira Osaki, eu sei.
Meira arqueou uma sobrancelha.
— Eu conheço você?
— Nós meio que somos, tipo, vizinhas de armário — balbuciou parecendo nervosa.
O joelho dela tava tremendo. Ok, aquilo estava ficando estranho. Ela falava consigo como se tivesse esbarrado no próprio Sasuke, que era o reizinho do colégio. Que ela soubesse, não era tão... famosa?
Antes que Meira conseguisse dizer algo que fizesse sentido para então conseguir comprar o cappuccino antes que seu estômago começasse a reclamar, três garotas se aproximaram. Uma ela, pelo menos, conhecia. Tratava-se de Hinata Hyuuga, a prima de Neji. Não era nem de longe popular como o primo, mas como era rica estava inserida entre a Elite a qual, fatidicamente, ela própria pertencia. Hinata preferia conviver com os anônimos – ou como pessoas como Gabbe gostavam de chamar, losers.
As outras duas, somente de vista. Afinal, uma era um pouco volumosa e saltava aos olhos mesmo que você estivesse olhando para o professor Orochimaru. A outra era baixinha e tinha cara de poucos amigos, o cabelo bicolor e até que era estilosa e criativa, levando em conta que ela tinha que se virar com o uniforme ridículo de marinheiro.
Elas vieram correndo e pareciam estar furiosas com a garota do coque. Menos Hinata, ela estava, hm, preocupada. Já tinha ouvido falar que existiam pessoas que se preocupavam com as outras, mas pensara que estivessem extintas.
— Você ficou maluca? — Abby gritou.
O seu tamanho a fazia parecer uma criança com raiva. Meira teve que segurar o riso.
— Sair correndo assim pelo corredor lotado? Poderia ter trombado com alguém! — Candace repreendeu.
Meira sorriu e Aya parecia desconfortável.
— Tarde demais.
Só então que as duas enxergaram a morena de cabelos curtos. Elas puxaram ar e tamparam a respiração, como se Meira fosse algum tipo de vida extraterrestre. Tanto Candace quanto Abby estavam com os olhos arregalados.
Meira suspirou.
— Bom, eu tenho que ir. Talvez eu te veja ainda hoje — disse olhando para Aya, então se virou para a jovem de olhos perolados e cabelos negro-azulados. — Até mais, Hinata.
— Até, Meira-san.
Meira retribuiu o sorriso.
— Tchau... vocês.
— Tcha... Tchau.
A morena saiu de lá antes que mais alguém falasse alguma coisa. Incrível como estava tendo que sair de fininho de tantos lugares ao mesmo tempo.
Que dia estranho...
— Tenten! Annaleigh! — chamou as duas assim que as viu no balcão do Ichiraku.
É claro que, sendo líderes de torcida, as duas não tinham que se preocupar em entrar na fila com o "resto do colégio". E como ela não ficava por aí balançando pompons, se juntou a elas.
Na hierarquia do Konoha College, saias curtas, tops e pompons vinham primeiro do que A+.
Tenten sorriu estranhamente para ela, Annaleigh retribuiu o aceno de mão. As duas eram umas das únicas líderes de torcida conversáveis, tendo em vista que as outras eram Sophie e Victória. Não que isso tirasse delas o fato de seres meninas pomponzadas, só que com cérebro por trás da maquiagem.
Meira se aproximou, abusando do passe-livre das líderes de torcida para pedir seu cappuccino.
— Está melhor? — perguntou a ruiva que assentiu.
— Estou. — Sorriu. — Não deveria ter bebido tanto.
Meira estreitou os olhos com um sorriso malicioso.
— O que você queria esquecer?
Annaleigh abriu a boca e o ar escapou de seus pulmões. Seu olhar ficou vago, mirando sem ver o próprio copo de achocolatado. Lembranças perturbadoras a puxaram de volta ao bar da casa de Joshua, e depois ficaram opacas como se tentasse ver por janelas translúcidas. Era angustiante.
Suspirou de boca aberta, voltando a olhar a morena.
— Eu não quero falar sobre isso — desconversou com um sorrisinho fraco.
Meira se apoiou no balcão com os cotovelos.
— Ok... — cantarolou. — Mas saiba que fugir sempre te trás de volta para o ponto que não quer voltar. O quanto antes encarar, mas rápido vai esclarecer as coisas. Se deixar de lado, nunca vai esquecer.
Annaleigh tomou o achocolatado devagar, absorvendo as palavras.
Tenten deu uma risada bufada.
— E você sabe muito bem disso, não é, Mei?
Meira curvou o cenho.
— O que quer dizer?
Tenten a encarou.
— Sabemos muito bem que além de aconselhar as pessoas com o coração partido, você as leva pra cama.
Boquiabriu-se, olhando de Tenten a Annaleigh. Do que diabos elas sabiam?
Annaleigh levantou as sobrancelhas.
— Tenten, está sendo rude — repreendeu, mas depois olhou a garota encostada no balcão. — Bom, nós vimos o blog da Holmes, todos devem ter visto. Ela colocou um destaque principalmente em você.
Meira fechou os olhos e inspirou profundamente. Droga!
Claro que aquilo explicava o comportamento estranho das pessoas consigo, mas, ainda assim, não fizera nada demais. Não é? Quer dizer, todos dormiam com alguém em uma festa como aquela.
Só que, dependendo do que Holmes postara, aquilo poderia complicá-la. Alguns acontecimentos anteriores de seu parceiro sexual poderia ser o estopim para gerar alguma coisa de grande importância suficiente para difamá-la. Seja lá o que ela estivesse falando, teria que ter certeza que não iria comprometê-la.
Puxou o celular do bolso da calça sob o olhar atento de Tenten e Annaleigh. Seus olhos reconheceram o layout do blog, antes mesmo de aparecer Fato ou Fake? grafado na cor negra, contrastando com o fundo magenta. Desceu por todo o post da festa de Joshua, reconhecendo muitas pessoas nas fotos para além de comprometedoras, até achar suas próprias fotos.
Aquilo só poderia ser brincadeira!
FATO!
Nossa querida e tão ousada Meira conseguiu reunir os melhores estudantes (em nível de beleza) e pegá-los em uma única festa. Nada melhor que dar o devido mérito a seus feitos.
Ela nos ensina a como sermos seletivas.
Como saber qual é o melhor pretendente para se dividir a cama?
Meira Osaki explica: pela boca.
Abaixo se seguia um total de quatro fotos. Meira, com o vestido frente-única, estava em primeiro plano em todas. Em cada uma ela estava agarrada a um rapaz. Na primeira foto, seus lábios colavam-se com os do anfitrião da festa. "Não é necessário agradecer a um convite em uma festa de Convite Aberto, Mei..." Holmes comentara.
Meira suspirou irritada. Não tinha beijado Joshua por ser anfitrião; estava devendo um beijo. Uma vez Josh lhe ajudou com seus lábios para afastar "certo alguém" e era grata por isso.
Se pensasse melhor, o certo alguém sempre estava envolvido em seus relacionamentos físicos. Obviamente isso não era planejado, mas ele conseguia de uma forma inexplicável, infiltrar-se em sua vida com a mais odiável cara-de-pau que conhecia. Poderia não mexer com seus sentimentos – se recusava a tê-los por ele –, mas não conseguiria negar que de certo modo ele lhe abalava.
Meira teve que voltar a concentração para o celular, notando de esguelha que era observada por duas ansiosas líderes de torcida, esquecendo-se completamente de seu cappuccino no balcão.
Na segunda imagem seu queixo caiu. Não estava acreditando que tinham conseguido flagrá-la tão entrosada com todos naquele meio abarrotado e infinito de gente. Tá bom que estava exagerando, mas depois de umas bebidas as pessoas perdem a noção de espaço.
Redefinindo: as pessoas perdem a noção. Ponto.
Na imagem, Yukito lhe dava um selinho. Ou ela tinha lhe roubado um beijo. O que importa é que seus lábios estavam unidos e a única coisa que acontecia com seu cérebro ao tentar lembrar-se do seu fatídico impulso de beijá-lo era uma dor de cabeça filha da mãe. Yukito poderia ser até bonito, mas beijar rapazes que usam calças superjustas era pedir demais de sua demência. Eram amigos, porém, nunca iria com ele para a cama – por mais besteiras que o volume apertado na calça apertada a fizesse pensar.
Por que Holmes não poderia considerar isso antes de postar?
Sasori era indiscutivelmente irresistível. Era uma pessoa que considerava bem racional – o tipo de pessoas que estava em falta –, apesar de se mancomunar com a Akatsuki e se aproveitar de setenta e cinco por cento de todo o séquito de minissaia. O uso de drogas ia de encontro com sua teoria da existência de um cérebro por trás dos fios vermelhos, contudo, seres humanos têm falhas e a língua experiente de Sasori não a deixava ficar arrependida de sentir sua ardência.
Holmes estava errada. Julgou Meira como uma garota superficial que arrasta para baixo dos lençóis o primeiro cara que a fizer molhar a calcinha somente com um beijo.
Os olhos castanhos ficaram pretos quando se fixaram nas palavras do post que antecediam a quarta foto. Simples três palavras e uma imagem que já a faziam prever que o fim de seu mundo seria antes de 2012 como previram os Maias. Além daquele rapaz e de si própria, muitas pessoas se envolveriam.
O vencedor?
Gaara!
Enquanto as pupilas miravam a foto – Gaara a prendia contra a parede, os braços fortes se mantinham socando a parede, Meira estava no meio deles, com os lábios unidos aos de Gaara, os olhos cerrados e o vestido vermelho bagunçado, como os cabelos de Gaara também vermelhos, sendo despenteado por ela própria, causando no ruivo um tom mais sexy –, Meira se distanciou para um recente passado.
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Antes. Mansão Yazen – 02h12min.
A festa estava ótima para Meira. Depois do showzinho que Annaleigh e Yoko deram encima da mesa de sinuca, até Akane, que reclamava da festa, agora era vista de sutiã enlouquecendo no meio da sala de estar, completamente molhada, sendo acompanhada por Temari e Deidara.
As quatro cores do cabelo de Akane desapareceram do seu campo de visão quando uma camisa branca chocou-se contra seu nariz. A camisa escondia um tronco tonificado e seus olhos focalizaram todo o pescoço do rapaz com quem colidira. Ele usava, além da camisa branca que destacava seus músculos, uma calça negra e pulseiras e munhequeiras, além do colar militar de identificação que quase beijara.
Ela riu, encarando os olhos jade.
— Gaara.
Não fazia muito tempo que deixara-o. Na verdade, seus sentidos já estavam desregulados em função do álcool e tempo era algo muito distante e complexo. Poderia não ter deixado-o e fantasiado que tinha ido ao banheiro. Não haveria de saber. Também pouco importava.
Gaara sorriu a sua maneira, quase imperceptivelmente. Aquela garota tinha um jeito individual que lhe atraia. Apesar das diferenças, eram mais parecidos do que imaginavam, tinham a mesma forma de pensar. Gostavam de simplificar as coisas e racionalizar sobre vários momentos e situações. Precipitava-se quem achasse que somente opostos se atraem. Ino era seu oposto, para todos os gostos, e não deu certo.
Por isso, Gaara não pensou quando o fez, nem mesmo deu tempo para Meira reagir e tomou seus lábios para si com tanta vontade que Meira foi incapaz de impedi-lo. Afinal, também queria aquilo desde que sentira seu corpo no meio da "pista de dança". Aquilo era uma resolução fatídica de um envolvimento maior de dois amigos que eram cúmplices.
Meira passou os braços ao redor da nuca do ruivo que socou a parede, fechando um espaço para os dois somente, isolando-os do resto do mundo. Naquele momento, um tinha o outro e bastava. Conceitos e conseqüências eram desconsiderados por completo.
Ambos tinham experiência. Ambos tinham fraquezas já conhecidas pelo outro. A ardência do atrito entre as línguas era propagada em choques mais do que excitantes, luxuriosos e complexos. Exatamente como eles eram, como se entendiam. Como se queriam e se necessitavam. Necessidade essa que embora descartada do lado propriamente amoroso, fisicamente estava em combustão, intensificada por boas doses de álcool.
Antes que conseguissem racionalizar, conforme faziam costumeiramente, estavam no segundo andar, quarto 5, fazendo os lençóis e os travesseiros de vítimas. Gritando em gemidos e arrancando do outro o que restava de sanidade e coerência. Pois não fazia sentido.
Não era amor.
Era sexo. Em suas definições mais primitivas e imorais.
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Sorriu ainda ofegante e rolou para o lado de Gaara. O ruivo estava com o coração aos pulos, Meira sentiu ao deitar de bruços sobre ele. A expressão maliciosa subjetiva demonstrava com exatidão o que a situação significava: cumplicidade.
Estavam no chão, deitados sobre o carpete e envoltos com os lençóis de cetim. Gaara suava mais que Meira, seus cabelos vermelhos grudavam na testa e a pele pálida estava gelada, de maneira confortável. A morena se aconchegou mais ao peitoral, encarando olhos verdes.
O canto direito dos lábios femininos se ergueu.
— Como viemos parar no chão?
Gaara riu, ainda tentando manter o fôlego.
— Eu caí.
— Isso explica muita coisa — Meira sussurrou, roubando um beijo.
O silêncio veio em seguida. Não pesava, como provavelmente deveria, era agradável. Ameno. Uma calmaria em meio a tempestade.
— Sabe, — Meira começou após um tempo — eu vi você e a Ino discutindo.
Gaara levantou o cenho.
— As coisas estão resolvidas, agora. — O pesar na voz era cortante, mas decidido.
Meira o observou. O suor cessara e o batimento cardíaco tinha voltado ao normal, mas o olhar mudara. Ele olhava alguma coisa que ela não era capaz de alcançar.
Ela precisava sondar.
— Sem chances de retaliação?
Gaara não ponderou.
— Sim.
— Eu vi vocês se beijando — Meira argumentou, sentando no chão, cobrindo os seios com os lençóis vermelhos, dando uma visão privilegiada merecida ao ruivo.
Gaara bufou em tom de escárnio.
— Ela me beijou.
— Mas você queria — alegou.
Ele não teve argüição, então encarou as cortinas.
Meira deslizou um dedo pelo intervalo entre o umbigo e a pélvis, fazendo círculos com a ponta do indicador. Gaara era tão lindo, mas tinha tantos problemas. Não poderia culpá-lo pelas opções que tomava, apenas julgá-las como precipitadas. Ele decidia sua própria vida, ela apenas aconselhava.
— Por que não dá outra chance para ela? — perguntou quase maternalmente.
Ele não a encarou.
— Não tem como. — O rancor corroia a voz, deixando-a ainda mais rouca. — O que tinha entre eu e Ino... Acabou. De vez. — Desarrumou os fios ruivos, tirando-os de cima da testa. — Não vou negar que ainda me sinto atraído. De fato me sinto, mas não tem como voltar.
Claro que não tinha como não se sentir atraído por Ino: ela é irresistível. Uma rede drasticamente viciosa banhada em veneno. Uma vez sendo capturado, era complicado cair fora.
Meira sorriu e lhe beijou. Gaara mesmo com sua aura de homem feito – ainda aos dezessete – e com aquela fachada de inabalável, intocável, era apenas uma vítima da bela Yamanaka. Ver Gaara como vítima de qualquer coisa era complicado, mas era impossível não notar que Ino significou algo a mais e o feriu.
— Fico feliz que isso tenha sido resolvido — admitiu. — Ao menos para você.
Os olhos jade a encararam fixamente. Meira estava acostumada àquele olhar e às conseqüências que ele gerava em seu corpo; arrepios, perda de ar e congelamento dos ossos.
— O que quer dizer com isso?
Meira pendeu a cabeça de lado, olhando a trilha que marcava com o dedo – contornando um oito imaginário. Jogou os cabelos e o encarou de volta, descansando a mão sobre a pélvis desnuda. Aquilo era outro ponto. A loirinha poderia ser uma vadia, porém ainda tinha sentimentos e sabia que os teve por Gaara.
— Ino vai precisar de tempo para absorver.
Gaara suspirou. Toda a relação com Ino fora boa, de início; as conversas, o sexo, as confidências, as brincadeiras e até as brigas superficiais. Os problemas a tornaram cansativa. Estava desgastado de todo a confusão que a Yamanaka havia arranjado e a maneira como ela simplesmente não esclarecera nada a ninguém, dando continuidade às mentiras e artimanhas que só acumulavam, com seu jeito particularmente arrogante e egoísta. Agora ela estava perdida no próprio labirinto. A culpa era toda dela.
Gaara olhou para Meira, sentindo que pensavam a mesma coisa.
— Imagino que sim...
Meira o estudou, então sorriu. Desceu até selarem os lábios e encaixou-se ao seu lado, em seu peito. Uma coisa muito mais gelada que a pele de Gaara tocou seu ombro: o colar.
— Esse colar...
Gaara o pegou, analisando.
— Era de Kankurou — sussurrou com a voz rouca.
Meira não soube o que dizer, então se calou. Passou a mão pelo metal frio. Sabaku, estava escrito somente. Poderia pertencer tanto a Gaara quanto a Temari e agora, era de Gaara.
— Não sabia que Kankurou era militar... — comentou, com medo das palavras que saiam de sua boca. Era um assunto delicado demais. Tanto com Gaara quanto com Temari. A morte de Kankurou foi um tremendo baque, há menos de dois meses.
Gaara, para surpresa de Meira, riu.
— Ele adorava essas coisas militares, como esse colar de identificação, por isso se inscreveu. Ainda estava em treinamento, estudava em colégios militares. — Gaara mirou o teto. — Achei isso na gaveta do quarto dele.
Ok, hora de mudar de assunto, Meira pensou.
— Você ainda está com a...
— Sim — Gaara cortou.
Meira suspirou, levantando outra vez para ficar sentada.
— Sabe o que eu acho sobre isso.
O ruivo levantou o cenho irônico.
— Eu sei que não é certo, Mei.
— Então por que não acaba logo com isso? — Aquela talvez fosse a décima vez que dizia aquilo para ele desde que ele lhe contara sobre o relacionamento. E Gaara não ouvia. — Vai acabar como acabou com Ino.
Gaara sentou também.
— Não vai — disse convicto. — É diferente.
— Como tem certeza?
— Não tenho.
Meira bufou.
— Olha — Gaara chamou —, com ela eu não me sinto culpado. Com ela é diferente.
Meira bufou novamente.
A morena nunca conseguia colocar a razão em sua cabeça. Seu cérebro estava fechado e aquilo a irritava, mas não tinha o direito de julgá-los, apenas apresentar suas opiniões e tentar fazê-lo enxergar.
Quando Meira ia dizer alguma coisa, Gaara a silenciou roubando seus lábios com vigor, dentando-se sobre ela. Comprimiu o corpo sinuoso contra o seu tronco definido, largando mão da coberta. A nudez de um era o elixir do outro. Os corpos se encaixavam perfeitamente em uma conectividade confortável, sem ser forçada.
Novamente a compatibilidade.
E se tiveram mais uma vez.
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A lembrança trouxe de volta as sensações que Gaara lhe proporcionava – como o aumento da endorfina e adrenalina –, mas aquilo já era familiar. O calor gelado... Era estranho pensar nesses termos, mas o ruivo não era alguém que pudesse ser descrito como coerente e quando sua pele gelada lhe roubava calor, surpreendentemente, sua temperatura subia.
Física. Vá entender.
A questão que a fizera perder completamente a vontade de tomar o cappuccino, porém, não era seu envolvimento com Gaara, mas sim a repercussão da notícia. Que, obviamente, já fluía pelos corredores do Konoha College.
Muitas pessoas ficariam irritadas em saber daquilo – provavelmente, as principais delas usando minissaias e tops.
Líderes de torcida poderiam se tornar perigosas. Tinham contatos. As melhores armações eram maquinadas por elas e vira de camarote várias acontecerem no ano anterior. Não tinham medo de envolver família – como Ino que usou Deidara, seu primo, várias vezes – nem os amigos mais íntimos. Ferrar as outras pessoas era visto como "conseqüência", ainda sendo desumano. A imagem passava por cima dos sentimentos de qualquer um.
Era exatamente aquilo que os olhos azuis de Gabbe lhe diziam naquele momento.
Meira não leu o texto que vinha logo abaixo da última foto. Aquilo tomaria proporções indesejáveis. Como o acontecimento de seus pesadelos – dela e de Gaara – mais tenebrosos.
E em segundos, Meira conseguiu visualizar todo o colégio como uma cruel zona de guerra.
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— V-vocês tem cer-certeza de que não é errado ler sobre o que os o-outros fizeram? — Hinata perguntou timidamente, sentando ao lado de Abby que já mexia no notebook encima da mesa.
A baixinha mordia um canudo e nem ao menos ponderou com as palavras da Hyuuga.
— Relaxa, Hina-chan — desconversou, virando-se para Candace ao seu lado direito na mesa do Ichiraku. — Você estava certa, olha lá. — Apontou para a entrada do pátio. — Eles estão chegando.
As outras três miraram as portas de entrada. Gabriela foi a primeira a chegar, atraindo todas as atenções com as roupas das líderes de torcida. Era brilhante o poder que ela exercia sobre qualquer ser do sexo masculino, e isso se devia unicamente às suas nádegas firmes, às coxas grossas, às curvas perfeitas e aos seios redondos. Os cabelos negros caiam pelas costas e pelas laterais centralizando toda a malícia dos olhos azuis. Aya, em pé atrás de Abby e Candace, flagrou-se tendo ilusões dela mesma naquela posição de poder, mas logo as dissolveu ao notá-las. Ela não tinha nem dez por cento de toda a perfeição do corpo de Gabbe e não tinha coragem de usar saias tão curtas nem expor tanto seu umbigo. Era idiotice imaginar-se como ela.
Atrás de Gabbe, vinha Sophie. A francesa usava o mesmo uniforme que a primeira, mas o seu não era tão pornográfico; a saia tampava metade de suas coxas – diferente da de Gabriela que seria muito de chegasse a um terço – e a camisa poderia ser considerado uma camisa normal curta que aparecia o umbigo de vez em quando, se comparado com a camisa que Gabbe vestia.
Depois de alguns segundos da chegada das duas, Meira apareceu na entrada parecendo entediada, acompanhada de uma Yoko que assim que chegou, jogou-se em uma das mesas vazias e deitou a cabeça. Yukina foi a sexta, que sentou-se à mesa junto com Yoko e riu quando a garota olhou para sua cara. As três últimas usavam o mesmo uniforme de Aya, atendendo as suas necessidades. Meira tinha a saia um pouco mais que a metade, o blazer inexistente, gravata vermelha, All Stars vermelhos, a blusa branca até os pulsos e a suéter negra com o emblema do Konoha College estampado no peito. Yoko passou tão rápido que Aya sequer conseguiu ver o comprimento da saia. E Yukina usava o uniforme completo, sem a boina, mas um arco negro podia ser visto entre os cabelos castanhos.
Aya esperou, ansiosa, a porta ser aberta novamente, mas nada aconteceu. Onde estava Lance?
Abby gritou e Aya tremeu.
— O que foi?
Abby não se virou para ela, ainda de cara para o computador. Aya se aproximou sobre o ombro da baixinha – não era muito difícil olhar por cima dela – e quando seus olhos, por trás das lentes, estavam captando e agrupando em imagens as luzes da tela, Abby fechou o notebook bruscamente.
Abby se virou para trás e não conseguiu esconder que tinha algo que não queria que Aya visse.
Aya suspirou.
— Vamos, Abby, o que você viu? — perguntou seca, encarando os olhos verdes encurralados.
— Nada não. Só estava fuxicando o blog da Holmes, só isso.
— Disso eu sei. — Cruzou os braços. — O que você leu que eu não posso saber?
Abby engoliu a seco. Não era bem articulada o suficiente para esconder coisas bombásticas como aquela notícia, mas como teria cara para contar a Aya o que acabara de ler sobre Lance e Meghan? Sabia, assim como Candace e Hinata, que Aya sentia mais por aquele garoto do que oficialmente admitia e sofreria ao saber daquilo. Tinha que achar um jeito rápido de sair dessa, antes que os olhos de Aya lessem sua alma.
— Ah, não era... Sabe? Eu só... Sabe? Eu não sei se... — gaguejou com as pernas tremendo.
— Era sobre o Lance.
Tanto Abby quanto Hinata tamparam a respiração. Candace decidiu ser direta, sabia que Aya era forte e agüentaria o "baque", mas, é claro, não iria revelar tudo. Das três, Candace era a mais confidente de Aya e conhecia como a mente dela funcionava.
Aya fechou os olhos e suspirou.
— OK... — disse devagar. — O que tem ele?
Candace a encarou.
— Eu não vou contar — afirmou sem chances de mudar de idéia. — Deixe que ele te conte.
— Vocês estão fazendo muito drama. Eu e o Lance não temos nada, quando entenderão isso! Somos apenas amigos. Apenas amigos. — Precisou ouvir aquela frase novamente. — Se ele tiver dormido com alguém naquela festa estúpida eu não me importo. Tanto faz com quem ele se envolve. É indiferente para mim.
Aya não tinha certeza se era mesmo, ou se aquele formigamento na perna significava alguma coisa. Porém, sabia que o quanto mais negasse, mais teria certeza de que era verdade.
O silêncio se fez soberano por uma dezena de minutos, até que as portas da escola se abriram com estrondos e vários estudantes entraram no colégio fazendo algazarra. Os inspetores tentaram contê-los, mas foi perda de tempo. As quatro reconheceram muitos rostos, principalmente Candace.
Enquanto os gritos atravessavam a área do pátio, Candace abriu o notebook e desceu a barra de rolagem.
— O que está fazendo? — Abby perguntou encarando o layout do blog de Holmes. — Pensei que já tivesse lido tudo sobre a festa de ontem.
Candace riu.
— Quem me dera. Mas não deu... A festa continuou até depois das três da manhã e Holmes não conseguiu postar tudo instantaneamente. — Suspirou, lendo atentamente algo.
— Três da manhã? — Hinata exclamou.
— Não me admira que tenham chegado tão tarde assim — Abby comentou.
Candace virou o computador para elas e disse entusiasmada:
— Vejam isso!
Era sobre Meira e sua façanha com uns dos caras mais "gatos" do Konoha College.
Poucas são as vezes que temos Meira Osaki como superdestaque de alguma festa. A garota que sempre está tentando ser discreta e fugindo de mim – eu não mordo, Mei, só tiro fotos! –, ontem estava bem "soltinha" e conquistou o coração de vários rapazes com o vestidinho vermelho. Vestida para matar, porém, só o nosso lindo Sabaku que levou para o segundo andar e saíram de fininho essa manhã... Só nos resta saber como Ino reagirá a isso após ser trocada na mesma festa (clique aqui!) e como Gabbe investirá no ruivinho.
Confusos?
Todos estamos.
キス!
— Não queria estar na pele do Sabaku — Abby comentou, rindo em seguida. — Ino, Gabbe, Meira... Será que tem mais alguma?
— Impossível. Nem Yazen é capaz de tudo isso.
As quatro se assustaram, mas quando viram os rostos conhecidos de Satoshi e Aedan, sorriram. Cumprimentaram os rapazes e lhes interrogaram sobre a festa.
— Pegaram alguém? — Abby quis saber sem rodeios.
Os dois sorriram sem graça.
— O Aedan pegou uma japinha — Satoshi começou e sorriu como quem acha algo engraçado. — Mas ela vomitou na camisa dele toda, foi um desastre completo. Pra piorar, a garota tinha namorado e tivemos que sair o mais rápido possível de lá porque ele marcou a nossa cara. — Satoshi não agüentou e já estava gargalhando. — A sorte é que ele não estuda aqui.
As garotas riram e Aedan coçou a orelha.
— Quem diria! — Abby comentou, batendo no peito do rapaz que era muito maior que ela. — Você raramente fala, mas é o único do triozinho que consegue uma garota.
Aedan riu sem-graça, querendo esconder a cara corada e socar Toshi ao mesmo tempo.
— Hey, eu também consegui uma garota!
Aedan riu. Hora da revanche.
— Conseguiu, claro... Um belo toco na frente de Kiba e Lance. — Candace e Abby gargalhavam com a careta que Toshi fez. — Sabe que eles não vão te deixar em paz por isso.
Aya não escutava a conversa, pensava mais nas pessoas que não estavam com eles.
— Err, cadê os outros? — perguntou verificando as entradas.
Satoshi curvou os lábios para cima, depois olhou para Abby e Candace com interrogação, mas se divertindo com isso. Não era o único que notava o clima que envolvia Lance e Amaya, mas era um dos poucos que poderia afirmar com convicção que o que Aya sentia pelo louro não era recíproco com igual intensidade.
— Ela ainda não sabe?
Abby mordeu o lábio.
— Não tivemos coragem de contar quem foi.
— Nossa, você não tendo coragem de contar uma coisa é novidade pra mim — provocou com sarcasmo.
— Eu não saio por aí magoando os meus amigos com aquilo que eu sei que pode machucá-los! — rosnou, ficando nas pontas dos pés e cruzando os braços.
— Com licença — Aya interrompeu a discussão —, eu estou ouvindo.
Foi ignorada.
— Não? — Satoshi riu, com malícia brilhando nos olhos azuis. — Podia jurar que é exatamente isso que você faz. Você não controla sua língua e fica espalhando veneno por aí...
Abby lhe deu um tapa no peito.
— Cale a merda da sua boca!
Toshi começou a rir. Segundos depois, Abby estava rindo com ele.
Aya desistiu dos dois.
— Aedan, sabe se... — Não foi preciso completar a pergunta.
— Nós ligamos para o Jack não faz muito tempo. Eles estão vindo com Kiba, Mitsashi e Johnson. Parece que Kiba teve um pequeno problema com bebida, mas tudo já foi resolvido.
— Kiba sempre tem problemas com bebidas — Candace resmungou e bufou. — Lembra daquela vez que ele entrou em coma alcoólico ano passado? Perdeu três semanas de aula e quase bombou em Química.
Hinata gemeu.
— Pensei que ele fosse morrer, pobre Kiba-kun.
Aedan riu.
— Hinata, estamos falando do Kiba.
Sim, aquilo tinha que ser levado em conta. Pensando em alguém irresponsável, inconseqüente e burro, só o Inuzuka podia se encaixar com esses adjetivos. O pior é que ele sempre arrastava alguém junto.
Hinata sorriu ao avistar Shino caminhar, parcialmente escondido dentro do casaco, até eles. Mas seus olhos lavanda tinham uma visão incrível e conseguiu ver o vão entre o estacionamento e a entrada do pátio pelas imensas janelas de vidro transparente do Ichiraku.
— Aquele não é o Lance-kun? — perguntou num fio de voz.
Os outros encaram a mesma direção que a Hyuuga e o viram no mesmo momento que ele agarrou uma linda garota loura e puxou-a contra seus lábios. A garota vestia o uniforme das líderes de torcida e retribuía com tanto entusiasmo quanto era envolvida pelos braços fortes de Lance.
— Sim — Toshi respondeu pesaroso. — E aquela é a Yamanaka.
O mundo de Aya caiu. Não tinha o que pensar, não sabia mais como se movia a perna e nem chorar – sua maior vontade naquele momento – ela conseguia.
A única coisa que ela conseguiu fazer foi agarrar os braços de Candace e vira-la, com os olhos fixos nos dela.
— Foi ela?
Candace gaguejou.
— Ahh... Não. Não foi. Eu não entendo...
Aya soltou os braços macios de Candace que olhava vidrada e confusa o casal que se beijava com ardor na entrada do colégio. Estava em conflito. Sabia, mais até do que o próprio Lance, o quanto ele era apaixonado pela Yamanaka, assim como era uma das poucas pessoas que sabia o que tinha acontecido entre ele, Ino e Sabaku no Gaara. Talvez só os três realmente soubessem o que aconteceu, pois Lance não sabia de muita coisa, Ino o deixara no escuro. Embora, é claro, Holmes tenha feito daquilo público, com seu jeitinho de distorcer um pouco as coisas para não expor tanto as pessoas e respeitar seus sentimentos – ela não queria ser mais processada do que já era.
Portanto, Aya sabia que Lance estava ainda cegamente fascinado por Ino. Amaya tinha feito exatamente aquilo que Lance não fizera: encarou a Yamanaka assim que soube do término de namoro deles. Teve uma conversa séria com ela. Ino era o único empecilho verdadeiramente importante que impedia que Aya se admitisse apaixonada pelo melhor amigo. Sem Ino, não confiava mais em si mesma. Tinha medo de chegar até ele e dizer o quanto o amava.
Não sabia se era amor mesmo. Podia estar confundindo as coisas. Não seria a primeira vez. E não gostava de agir por impulso, sempre atrapalhava ainda mais as coisas. Principalmente aquelas que estão dando certo.
Lance era um amigo. O melhor. Não queria perdê-lo com aquilo.
Mas quando seus olhos viram Ino lhe dar um tapa e seguir rumo a entrada, seu sangue ferveu. Não sentiu os músculos enquanto corria, não sentia a resistência do vento frio contra seu corpo em velocidade. Sua cabeça estava focada na imagem ainda recente em sua mente de Lance se afastando para o lugar que sabia que ele se sentia mais confortável naquele colégio.
Teria que encontrá-lo. Não sabendo exatamente por que.
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Sakura estava com o BlackBerry nas mãos, os olhos atentos na telinha do celular. Vistoriava todas as fotos e os fatos que tinha perdido enquanto ela e Naruto se divertiam no terceiro andar da casa de Joshua. Não ficara muito feliz com algumas fotos, mas o que poderia fazer? Teria que rever suas ações, estava começando a perder status desde que se tornara a obsessiva-ciumenta Número Um do Konoha College. Tinha consciência disso, é claro, mas sua vida particular seria muito exposta se tentasse seguir os passos de Ino e Gabbe. Ao tomar Ino como exemplo, também acabaria chorando no banheiro feminino como a Yamanaka estava naquele exato momento. Seu tempo como garotinha popular estava chegando ao fim.
Diferente das demais líderes de torcida, Sakura não era movida a shoppings e maquiagens. Se envolveu com algumas coisas além disso e precisava, ao máximo, se conter. Ou seja, se privar da vida pública. A única coisa que conseguiu sendo uma das três chefes, estava agora sentado com Leanne no colo enquanto, entre beijos e sorrisos de lado, maliciosos. Mais que qualquer uma, Sakura sabia as palavras que Sasuke estava cochichando no ouvido dela.
Amassos nos cantos do colégio, beijos em público para que todos sentissem inveja, baseados escondidos no horário do intervalo, rapidinhas nas salas vazias. Essa era sua realidade. Vivenciá-la com Naruto era muito melhor que com o Uchiha, pois, no final da lista dele vinha: trair a namorada com uma vagabunda qualquer.
— Não me diga que você está pensando no Uchiha de novo. — A voz de Tayuya encheu seus ouvidos. As palavras a fizeram tremer. — Da última vez que estavam juntos, metade das garotas do Konoha conheceram a Zona de Diversão de Sasuke Uchiha.
Sakura riu, mas balançou a cabeça.
— Não estou.
Karin soltou uma risada pelo nariz.
— Desde que sentamos aqui você não tira o olho do Sasuke, Sakura. — Estourou a bolha que fizera com o chiclete de nicotina. — Nem percebeu que Naruto falou com você.
Só então Sakura se deu conta que seu namorado não estava com elas naquela mesa do Ichiraku. Seus olhos já acostumados o detectaram falando com Joshua e Daniel em outra mesa. Estava lindo com a jaqueta do time de basquete.
— É, não prestei atenção — admitiu, depois fez uma careta. — Mas isso não quer dizer que esteja interessada em Sasuke outra vez. Ele é passado. Me distraí com as notícias do blog de Holmes.
Karin gritou e tomou o Smartphone das mãos de Sakura.
— Oh, esqueci de ver! — disse dando algumas dedadas na tela touch. — Acabei me desligando do mundo depois da noite de ontem. Ou madrugada, tanto faz. — Ajeitou os óculos na ponte do nariz. — A culpa não é minha se Dan é tão bom de cama.
Sakura quase se engasgou com o milk-shake diet de baunilha que tomava.
— Você transou com ele! — perguntou sem conseguir calcular o volume de sua voz.
Karin e Tayuya levantaram o cenho.
— Sim, qual é o problema? — Karin devolveu, bebendo o café descafeinado.
— Eu também entrei na brincadeira. E foi uma de-lí-cia. — Tayuya sorriu, lambendo o canudo do milk-shake de forma sugestiva. — Sabia que ele daria conta de nós duas ao mesmo tempo. Ele tem experiência.
Sakura espalmou a mão na cara.
— O que vocês duas tem na cabeça? — Olhou de uma ruiva para a outra. — Francamente, Daniel faz com que todos os cafajestes deste colégio se transformem em anjos. E não são poucos. Deveriam começar a procurar alguém decente. Ou então, não vão parar de ser taxadas de... vocês sabem o que — alertou, pensando se já não era tarde demais. — Além disso, sabem o que Dan faz com quem não cede. Ele não sabe ouvir um não.
Tayuya e Karin piscaram simultaneamente.
— Sakura — Karin começou —, não deveria levar em consideração tudo o que Holmes escreve.
— Até porque — Tayuya continuou — nenhuma garota consegue resistir a Daniel.
Sakura suspirou.
— Só Annaleigh — Karin refletiu.
— E todos sabem em que time ela joga.
— E Sophie? — Sakura argumentou. — Nada explica ele quase tê-la estuprado.
As ruivas riram.
— Algumas garotas dizem não querendo dizer sim — Tayuya retorquiu.
— Sophie é uma delas. — Karin bebeu mais café. — Nem deixou Dan se divertir um pouco.
Tayuya olhou para Karin e riu.
— É o que nós líderes de torcida fazemos, não é?
— Claro. Incentivamos os rapazes do time...
Sakura estava ficando enjoada. Às vezes, tinha raiva de garotas como aquela dupla ruiva. Outras, tinha pena. Eram suas amigas e as adorava, mas tinha que achar um meio de abrir os olhos delas. Eram poucas as que não pensavam daquela forma. Sabia que Ino era uma delas. E Gabbe não era.
— Bom, eu vou fumar no banheiro. — Tayuya informou, levantando da cadeira. — Comprei alguns baseados com Hidan hoje cedo. — Sorriu com malícia e olhou para as outras duas. — Vocês vêm?
— Eu vou! — Karin respondeu na mesma hora.
Sakura sorriu, mas negou o convite.
— Serei oradora no discurso da posse de Tsunade. Depois encontro vocês. — Entortou a boca. — Guardem um para mim, vou querer mais tarde. — Riu. — Vou ficar aqui e dar mais algumas olhadas no post da festa.
As duas deram tchauzinho e foram embora.
Sakura pegou o BlackBerry, encostou nos lábios e suspirou.
Nunca tinha certeza se deveria fazer aquilo, mas era mais forte do que ela. O que fazia dela fraca. Era errado e ao mesmo tempo tão certo que a confundia. Sabia que poderia machucar a pessoa que mais gostava. Era egoísta, horrível e covarde, porém, precisava. Seu corpo sentia necessidade.
Olhando para os lados para ver se alguém olhava, Sakura digitou rapidamente em SMS:
Preciso de você. Esta noite.
— Enviar.
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Continua...
Hey, pessoal!
Ficou uma merda? Sejam sinceros. u.u
Bem, não vou encher o saco de vocês com milhões de blábláblá do porquê de eu ter demorado tanto assim. Vou apenas dizer que sou preguiçosa para caralho e minha mente funciona de forma periódica que eu não consigo controlar. São poucos meus tempos livres que eu tenho que dividir em uma série de coisas... Minha criatividade é relativa, mesmo que eu tenha motivação de sobra.
Portanto, peço sinceras desculpas pelo atraso!
Mas a fic é grande, envolve MUITOS personagens e as idéias não param de florescer in my head.
O que nos leva a outra coisa. Yeah, eu sei que vários personagens não apareceram neste "capítulo". Só que isso não é um capítulo. É apenas a Parte I do Cap. 2. Pretendo encerrar o capítulo antes do final do mês. Talvez ainda tenha uma Parte III.
"Ora, Darky! Agora todos os capítulos serão assim?"
A resposta é: não sei.
Os capítulos são longos, como eu disse. Só essa Parte I já levou 25 páginas do Word, mais ou menos. Como saída do fracionamento dos capítulos, eu decidi colocar um resumo do cap. anterior no início de cada novo cap. Para que vocês não tenham que voltar para entender a história.
Se estiverem todos de acordo, seguirei assim. Caso contrário, aceito sugestões.
Agora me deixe falar dos títulos dos caps que eu esqueci no post anterior.
— O 1º Cap., Wolves & Lambs, referia-se a todos os estudantes do Konoha College. Alguns estão lobos, outros estão cordeiros. Mas não é uma realidade absoluta. Às vezes os lobos viram cordeiros de lobos maiores e cordeiros viram lobos de cordeiros mais fracos... Essa é a idéia.
— Nesse 2º Cap., Sweet Aftermath, o título se refere não somente ao que eles fizeram, mas o que ainda farão como conseqüência. Um efeito dominó de mentiras e vingança, em maioria. O que pode virar uma rede de armadilhas para si mesmo. Sim, o título é irônico.
Well, that's all, folks!
Qualquer pergunta, ficarei feliz em respondê-la. ;)
Se eu estiver fazendo algo que você não gostou com o seu personagem, ME AVISE! Para que eu possa esclarecer algum mal-entendido ou contornar a merda que fiz. Ok?
Quero agradecer com imenso carinho a quem me deu alguns conselhos! Muito obrigada!
Super beijos!
Bye...
Reviews, please!
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Dark Sonne.
Oláá Pessoas ^^
Como passaram o Carnaval? Porque o meu devo dizer que foi uma perda de tempo ¬¬
Mas... voltando ao assunto principal aqui... O que acharam do capítulo? O.O
Eu devo dizer que AMEI *-*, me senti tão envolvida com a história, os sentimentos tão complexos dos personagens me deixa tão ansiosa para o próximo capítulo!
Meira, hein, sortuda U.U, ficou com quatro em uma noite só, e um desses foi o (já conhecido nosso) lindo e sedutor Gaara ò.Ó. Nem estou com inveja, tá ù.Ú
Quem será que é essa pessoa com quem o Gaara está se envolvendo? E para quem a Sakura mandou o SMS? Será que ambos então tendo um caso? Quantas perguntas...
Aya, coitadinha dela, estou sofrendo junto com a garota Dark-san (mas pode continuar fazendo ela sofrer que eu não ligo não ;P) se sente tão confusa em relação aos seus próprios sentimentos que envolvem seu MELHOR AMIGO, apesar dos próprios amigos dela já saberem que o que ela sente por ele é muito mais forte do que uma simples amizade U.U
LanceXInoXGaara, o que será que aconteceu entre esses três? . Deve ter sido algo muito ruim, porque nem o próprio Lance sabe de nada, e a Amaya não tem coragem de contar para ele... Estranho
Ri muito com a parte do Kiba, se ele não tivesse o argumento de dizer que estava bêbado, eu pensaria que ele joga em outro time ^~
Bom pessoal, eu realmente tinha muito coisa para comentar sobre essa I parte do capítulo 2, mas sabe como é né, você vai lendo, se empolgando, e no final acaba se esquecendo do que iria dizer U.U
E não se esqueçam de mandar seus comentários/sugestões para a Dark-san hein, e se esse capítulo demorar para ser postado, pode saber que a culpa é minha, ou melhor, do meu computador U.U O Word dele está horrível,não quer abrir de jeito nenhum, e eu realmente acho que vou ter que baixar o Word antigo. (Dark se metendo: Ok, eu demorei uns três meses e ela alguns simples minutos... A culpa é toda dela! u.u" rsrsrs' Brincadeirinha n.n...)
Ah, mais um comentariozinho inútil meu ^^, não sei se vocês perceberam, mas eu realmente A.D.O.R.O usar emoticons *-*, se isso atrapalhar a leitura de vocês por favor me avisem para eu começar a me controlar ;P
Shi-Sensei sua Fofa *-*, vou aí apertar as suas bochechas!
OBS: Qualquer erro de gramática que tenha ficado no texto a culpa é minha,pelo Word não estar pegando é mais difícil ver os erros, então com certeza vai passar algum despercebido, Sorry babys!
Kissuss ; **
Feer Uchiha
