Capítulo 6 – A Descoberta.

Um mês havia passado.

Hermione Jane Granger havia encontrado uma nova distração. Não que essa palavra realmente definisse o aluno do passado. Ele era muito mais do que isso. Era misterioso e intenso. Era inteligente e ao mesmo tempo terno. Ele não disse o seu verdadeiro nome, mas a castanha não poderia estar menos interessada. Era ele quem a segurava quando as crises vinham. Era por ele que ela chamava quando sentia uma tristeza tão profunda que sentia-se a ponto de ser tragada pela escuridão. E em todas as vezes ele lhe ofereceu ajuda. Sem pestanejar.

Hermione estava em sua aula de poções com o novo professor. A castanha estava meramente entediada, mas realmente prestava atenção ao que era dito. De tempos em tempos, Gina olhava-a com aquele mesmo ar preocupado, de quem queria oferecer ajuda. Hermione apenas sorria para ela, indicando que dentro do que era possível, estava tudo bem.

Hermione resolveu prestar atenção na aula, mas a imagem do garoto pálido de cabelo ébano sempre lhe invadia a mente, fazendo-a sorrir.

As aulas acabaram e Hermione estava ansiosa para poder ter seu momento a sós com ele, mas de certa forma, em algum nível isso a fazia se sentir culpada. Se sentia culpada porque estava c começando a fazer dele muletas, uma coisa para se apoiar e ela não queria ter a sensação de que ele era apenas um mero objeto. Não, definitivamente não era. E sentia culpa também por acha-lo bonito. Por sempre se surpreender com sua beleza. Era uma traição à memória de Ron.

Hermione tocou em sua bolsa. Agora ela estava pendurada em seu pescoço como um colar, diminuída magicamente.

Foi até a cozinha e agradeceu aos elfos pelo pudim de abóbora que eles haviam lhe oferecido. Subiu até a torre da astronomia e ampliou a bolsa. — Engordium.

Buscou lá dentro o livro tão desejado. Não precisavam mais escrever. Há um tempo a pena já não aparecia para eles. Ela apenas sussurrou o feitiço que o deixaria saber que ela estava chamando por ele. — Illusio corpurum.

Tom estava em seu caminho pelos corredores do castelo. Abraxas seguia em seu encalço.

— Tom, Tom... Alguma coisa está acontecendo com você. Está tão diferente, adiando reuniões e ainda fica com esse ar sonhador.

Tom virou para o amigo e arqueou a sobrancelha. — Cala a boca. — estava sem paciência para responder algo mais elaborado. Abraxas apenas sorriu.

— Acho que você está apaixonado. — Abraxas olhava minuciosamente a expressão de Tom enquanto soltou as palavras.

Tom havia estacado no lugar. De repente ocorreu-lhe. A vontade de vê-la, de conversar, de estar, mesmo que ilusoriamente com ela. Não, não era natural, não era dele.

— Hum, pelo visto estou certo. — Abraxas falou num sussurro quase mudo, estupefato.

— Não. — Tom sussurrou no mesmo tom. — Eu... Não. Isso. — as palavras não se encaixaram corretamente.

Abraxas somente soltou um outro suspiro. — Você é apenas um ser humano Tom. Não há porque estar tão surpreso.

— Não por isso. — Tom continuou sua meia confissão. — É algo impossível Abraxas. Ela é somente a garota ideal, é doce, gentil, inteligente, linda. Mas é inalcançável.

Os dois alcançaram o salão comunal da sonserina na masmorra. — Inalcançável? — Abraxas tentou entender as palavras. Ele não via como qualquer garota de Hogwarts pudesse ser inalcançável para Tom. — O que você quer dizer exatamente com inalcançável?

Tom ponderou por um tempo. Ele sabia que podia confiar em Abraxas. — Ela não é desse tempo. — ele falou olhando verdadeiramente nos olhos do loiro de olhos cinzentos e cabelos grandes e impecavelmente lisos.

— O que você quer dizer com não é desse tempo?

— É exatamente isso que quero dizer. — Enquanto Tom se confidencializava com o loiro ele fechou os olhos e ouviu a voz dela sem sua cabeça.

"Oi... Pode conversar agora...?" — a voz soou tímida na cabeça de Tom. Ele apenas riu e fez o feitiço não-verbal que o ligaria completamente a ela.

— Abraxas. Eu te explicaria isso melhor te mostrando.

As mãos de Tom tocaram o ombro do amigo e ambos sentiram-se sendo puxados pelo elo de ligação do tempo.

Procurando por algo que ela não pode achar... Por seu próprio pedaço de alma. Ela não pode perdoar, não esquece o passado. Esse sentimento inexplicável que machuca eternamente. Lamente a verdade na face do destino e vença todo o passado...

Abraxas agora se via do lado de fora do castelo, mas era um paraíso diurno. O lago negro era calmo com as folhas douradas de outono caídas ao longo de uma grande árvore que ficava na margem do lado. O sol brilhava amarelado e calmo e havia ali, com um sorriso sincero no rosto uma garota muito bonita e... Diferente. Ela usava calças!

Hermione assustou-se ao perceber que não estava sozinha com o seu garoto misterioso.

— MALFOY! — Hermione gritou dando passos assustados para trás. Tom e Abraxas surpreenderam-se. — Draco! O que você está fazendo aqui? — ela gritava brava para Abraxas que era exatamente idêntico a Draco. Abraxas olhou para Tom com olhos inquisitivos. Tom deu de ombros.

Hermione parecia muito brava. Seu rosto ficava escarlate. Hermione fungou abraçando a si mesma numa posição defensiva não deixando espaço para explicações. Os dois garotos nem haviam conseguido abrir a boca enquanto ela continuou seu discurso. — Definitivamente eu não sei como você conseguiu invadir o único lugar onde me sinto segura no último mês, mas se veio para me chamar de sangue-ruim perdeu seu tempo, seu comensal fracassado de merda. Finite.

Ela sussurrou quebrando todos os feitiços que agiam naquele momento, desaparecendo rapidamente da vista de Tom e Abraxas que voltaram a enxergar a sala comunal da sonserina.

— Tom Marvolo Riddle! Pelo visto você realmente tem muita coisa para me explicar. Ela sabe sobre os comensais e pelo visto ela não gosta do que pretendemos fazer. — Abraxas falou de olhos arregalados para Tom.

— Primeiro: eu tenho que entender isso Abraxas! Ela... Ela nunca age assim! Ela sabe quem é você, te chamou de Malfoy. Ela sabe dos comensais e eu sequer toquei nesse assunto com ela. Ela sequer sabe o meu nome. — de repente Tom percebeu. Ele já desconfiava que ela estava no futuro, talvez ela soubesse mais sobre ele do que ele mesmo podia imaginar.

De repente Phoebe Parkinson entrou na sala comunal com um rosto assustado olhando para Tom e Abraxas.

— Garotos. O professor Dumbledore está chamando os dois no escritório dele. Ele disse que é urgente.

Tom e Abraxas entreolharam-se. O que o velho poderia querer agora? Tudo o que ele desejou era ir até a castanha e perguntar-lhe o que realmente havia acontecido, mas ele tinha uma farsa à manter e ele sempre soube que Alvo Dumbledore era o único professor que ele nunca conseguira enganar. Era o único do qual ele tinha... Medo.

Hermione fechou os olhos batendo o livro com força e depois percebeu. Draco não poderia estar com o garoto misterioso... Porque ele era do passado. De repente ela sentiu-se muito idiota por não ter percebido. Aquele com certeza era algum parente do passado de Malfoy.

Os pensamentos de repente invadiram Hermione como uma bala de canhão.

T.M.R, sonserino, 1943, belo, persuasivo, "amigo" de um MALFOY.

Suas mãos foram a sua boca. Como ela não percebera antes? Tom Marvolo Riddle, sem sombra de dúvida era o garoto misterioso. Porque Merlin?! Porque?!

(***)

Hermione ficou cerca de dez minutos, apenas surpresa demais para manter uma linha de pensamentos coerentes. Ela imaginou novamente as velhas que teciam o destino dando risadas maléficas e apontando os dedos enrugados para ela. A vida dela só poderia ser uma grande piada de mau gosto. Estava paralisada no chão da torre quando ouviu alguém chamar por ela. Era Gina.

— Hermione! Hermione! — Gina gritava com um tom que beirava o desespero. Rapidamente ela adentrou a torre da astronomia com um papel dobrado em suas mãos.

— Aí está você! — ela respirou aliviada.

— O que houve Gina? — estava preocupada com a expressão da amiga.

— Papai mandou para mim essa versão do profeta diário. Só será lançada amanhã pela manhã, mas ele achou que você deveria ficar alerta. — Gina aproximou-se e deu o papel dobrado para a amiga.

Hermione abriu com cuidado, as palavras pulando em seus olhos enquanto ela as lia com amargura.

"Desde que aquele-que-não-se-deve-nomear foi derrotado pelo lendário Harry Potter, o Ministério recuperou rapidamente o poder, inclusive em Askaban. Mas ontem a noite houve um acontecimento terrível. Uma fuga misteriosa e inexplicável aconteceu em Askaban. Rabastan Lestrange, bruxo das trevas diretamente envolvido na morte de Ronald Bullius Weasley e Harry James Potter, desapareceu de sua cela em Askaban, sem maiores explicações. Companheiros de cela relatam que a única frase que ele repetia constantemente era a seguinte: Maldita Sangue de Lama! Vou terminar o que comecei! Eu juro! Acredita-se que o referido bruxo destinava a ameaça à Srtª Granger, ex-namorada de Weasley e melhor amiga de Potter, os nossos grandes heróis. Povo bruxo, mantenham-se alertas. O prisioneiro foragido é extremamente perigoso e ainda guarda os ideais do lorde das trevas."

Hermione não percebia o quanto ela tremia. Gina estava agachada ao seu lado fazendo carinhos rítmicos em suas costas. De repente dois sentimentos invadiram a castanha de um modo que ela não conseguia separar. Havia nela a vontade de que ele realmente a encontrasse para que assim ela pudesse fazer com ele exatamente a mesma coisa que ela fizera com Rodolpho. O Ministério não a havia condenado. Fora apenas legitima defesa. Hermione tremia de raiva. De frustração. O livro branco estava em seu colo, o que despertou a curiosidade de Gina, mas não havia tempo para que a ruiva fizesse questionamentos naquele momento.

— Gina... — Hermione apenas encontrou o olhar da amiga. Não soube mais o que dizer.

— Calma Mi. Enquanto você estiver aqui em Hogwarts estará segura. — Gina estava convicta.

— Eles já entraram aqui uma vez, mesmo com Dumbledore aqui. O que impediria um comensal de entrar novamente? — os olhos da castanha estavam arregalados. Pareceu que suas palavras o atraíram. O sol já havia se posto no horizonte e algumas estrelas pontilhavam o céu. Saindo do ponto mais escuro da torre havia um homem desgrenhado, sujo, com olhos azuis penetrantes. Olhos assassinos.

Limpus Servere — Rabastan atingiu Gina com a maldição de Dolohov. Gina gemeu em dor no chão. Estava sofrendo danos internos. Hermione levantou rapidamente deixando o livro que estava em seu colo cair. Ela apontou a sua varinha para Rabastan. Gina agonizava no chão da torre.

— Anda, Rabastan. — ela não sabia de onde tirava aquela coragem. — Veio matar a sangue-ruim? — Hermione era irônica enquanto falava. Queria ganhar tempo. Como diabos ele havia entrado em Hogwarts?

— Você é mesmo atrevida... — Rabastan falou meio louco. Mais louco do que ele costumava ser. — Eu quero que você morra devagar sangue ruim.Crucio!

Protego! — Hermione gritou protegendo-se do feitiço de Rabastan.

Crucio! — ele falou aproximando-se perigosamente da castanha, mas ela era rápida em defender-se.

— Protego! — ela conseguiu proteger-se de mais um feitiço.

Rabastan estava muito louco para ficar brincando de ping pong com a castanha. Agora ele estava perto o suficiente para tocá-la e o Protego não a defenderia contra um ataque físico. Suas mãos fecharam-se em punho e ele acertou a garota na face esquerda derrubando-a.

Hermione sentiu-se tonta e imediatamente caiu no chão sentindo a dor lancinante em seu rosto. Sentia que sua boca estava partida e ela podia sentir também o gosto de sangue jorrando em sua língua. Ela não esperava por aquilo. Rabastan riu de seu golpe e chutou a varinha de Hermione para longe.

— Crucio. — ele falou sorrindo.

Hermione sentiu como se mil facas a estivessem cortando de dentro pra fora. Era pior do que o de Bellatrix. Infinitamente pior. — Crucio, crucio, crucio! — ele falava e ria. Hermione debatia-se no chão, gritava. As lágrimas, o suor e o sangue misturando-se dolorosamente.

A tortura é uma experiência humilhante. A meta não é obter informação, mas castigar-nos e destroçar-nos tanto, transformando-nos num exemplo para os outros, que ficam aterrorizados para sempre.

Gina queria estender a varinha e ajudar a amiga, mas seu corpo doía e ela não tinha forças sequer para pronunciar um feitiço.

(...)

Tom adentrou a sala de Dumbledore com Abraxas a seu lado, mas assim que ele avistou o rosto do velho mago percebeu que algo estava errado com a castanha. Ela fez a ligação novamente. Ele podia sentir, mas nada era dito. A única coisa que ele escutava em sua mente eram os gritos insuportáveis. Tom arfou e ficou desnorteado.

— Alguma coisa aconteceu Tom? — Tom teve a vaga sensação de Dumbledore estava falanod com ele, mas ele estava muito preocupado com o que poderia estar acontecendo com Hermione para responder.

Impetuosamente ele retirou o livro branco de dentro de sua bolsa escolar. Ele não percebeu como os olhos de Dumbledore brilharam por dentro de seus óculos de meia-lua. Tom não sabia exatamente o que fazer, então a primeira ideia que lhe surgiu foi o de pronunciar o feitiço de ligação.

Abraxas, Tom e Dumbledore foram transportados para a torre de astronomia. O livro aberto canalizava muito mais fortemente a energia do feitiço ilusório. Os três estavam tendo uma visão real do que estava acontecendo verdadeiramente naquele momento no futuro. Havia uma ruiva agonizando ao chão, do outro lado do cômodo aberto e Hermione estava deitada ao chão, o rosto machucado enquanto seu corpo arqueava e ela gritava desesperadamente por todos os crucios que recebia. Tom apontou sua varinha lançando um Impedimenta para afastar o homem que torturava Hermione, mas nada aconteceu. O feitiço passou através da imagem do homem louco sem surtir o mínimo efeito.

Tom desesperava-se a medida em que os gritos da castanha aumentavam.

— Faz alguma coisa Dumbledore! POR FAVOR! — Tom gritou implorativo. O bruxo mais velho tentava entender a cena. Abraxas estava surpreso demais para fazer qualquer coisa. Ele nunca vira Tom perder a compostura, em nenhuma situação. Tom nunca imploraria NADA a Dumbledore e o próprio Dumbledore se surpreendeu com aquilo.

Tom abaixou próximo a Hermione e ela abriu os olhos para ele. Rabastan não podia vê-lo, mas ele estava ali, agachado ao lado de Hermione, com lágrimas graves nos olhos.

— Me diga o que tenho que fazer. O que posso fazer pra lhe ajudar. — ele implorou a ela. Ela apenas sorriu em meio a dor. Ele veio. Ela sabia quem ele era, mas ele veio e ele tinha lágrimas nos olhos por causa do sofrimento dela. Não. Ele não podia ser um monstro. Não ainda. Ainda havia uma alma nele. Ela podia ver. Podia sentir.

Sectum Sempra. — Rabastan gritou e uma luz em forma de cruz saiu da ponta de sua varinha indo parar diretamente no peito de Hermione. A castanha começou a sangrar imediatamente. Todo o sangue esvaindo-se rapidamente do seu corpo.

— DUMBLEDORE. POR FAVOR! — Tom implorou novamente desesperado pela cena que via.

Dumbledore ergueu sua varinha e começou a falar com uma voz imponente. Sua voz trovejava no ambiente, sendo magicamente amplificada enquanto a água, a terra, o fogo e o vento giravam em torno do corpo de Hermione. Tom sabia que era uma magia muito poderosa e ele sabia também que sempre fora sábio em temer ao velho bruxo. Ele era muito mais poderoso do que deixava transparecer.

"Aqua, terra, ignis, ventus. tempus. Unire et salvam eam faciet. Afferte futura. Libera mortem. Libera sanguine. Libera tenebris. Remittit corpus."

Uma luz branca tomou todo o ambiente deixando a todos cegos por um momento. E a única coisa que dera alívio a Tom foi perceber que os gritos de Hermione haviam cessado.