Capítulo VII
Bella não sabia o que incomodava mais: suas costas ou a perna ferida. Quando acordara naquela manhã, encontrava-se deitada sobre a cama improvisada de peles. Não sabia como havia parado ali, mas não pretendia perguntar a Lorde Edward, pois temia a resposta. Após ter comido uma fatia de pão dormido com queijo duro, lhes fora permitido que tivesse alguns minutos de privacidade para que pudesse aliviar suas necessidades no meio do bosque, antes que a comitiva partisse.
Sentiu-se grata por aquilo, pois necessitava trocar as faixas que usava para conter o sangramento da perna. A ferida já não sangrava mais, todavia possuía um aspecto avermelhado e um líquido viscoso saia de seu centro. Bella sabia que aquilo significava inflamação, mas não poderia fazer nada até que chegasse à Forks. Se tivesse um pouco de sorte, lá encontraria algumas de suas ervas e prepararia um cataplasma que resolveria seu problema.
Mas agora, encontrava-se cavalgando um imenso corcel negro, com Lorde Edward Cullen bem atrás de si! Bella sempre detestou montar em cavalos, e naquele momento, decidiu que odiava cavalgar mais do que tudo na vida! Tinha passado a maior parte da manhã fazendo um esforço hercúleo para não repousar as costas no peito de Lorde Edward, mas aquilo custava muito de suas parvas forças e sentia uma terrível dor nos flancos cada vez que o cavalo dava um passo à frente. Para piorar a situação, a comitiva seguia a uma velocidade bastante exacerbada uma vez que o objetivo era chegar às terras de Forks antes de o sol está a pico.
O vento frio do inverno lhe açoitava a face, mas a capa de peles que Lorde Edward lhe dera a mantinha aquecida. O orvalho congelara durante a noite, e vez ou outra o cavalo deslizava no gelo, fazendo com que seu coração disparasse como louco no peito, e sentisse uma terrível necessidade de chorar.
Por sorte, Bella não era obrigada a conversar com Lorde Edward, uma vez que este estava sempre trocando informações ou ideias com seu irmão mais novo, Sir Emmett, que cavalgava bem ao lado deles. Bella achava engraçado o fato de eles serem irmãos. Na verdade, nunca vira homens tão diferentes e tão semelhantes em toda a sua vida. Sir Emmett tinha os cabelos mais curtos, cortados na moda normanda, e eram um tom mais escuro do que os do irmão. Ele também era um pouco mais baixo do que Lorde Edward, mas isso não a surpreendeu, afinal, poucos homens deveriam ser mais altos do que o Senhor de Masen!
Outra diferença marcante entre ambos era que Emmett tinha um riso fácil, e tudo ao seu redor parecia ser motivos para piadas, das quais Bella não entendia metade. Mas por outro lado, ambos os irmãos possuíam os mesmo olhos verdes e a mesma constituição forte e viril. E o que mais chamou a atenção de Bella foi a postura e o modo de agir deles. Parecia que viviam em perfeita sincronia. Às vezes, chegava a acreditar que os dois possuíam algum vinculo mental, pois muitas frequentemente podia jurar que Sir Emmett adivinhava exatamente o que o irmão queria.
Sendo assim, seguiu em silêncio durante toda a viagem, enquanto os Cullen decidiam qual era o melhor caminho a se tomar e se deveriam manter a velocidade ou diminuir um pouco o ritmo para não cansar tanto os cavalos. Os demais homens da comitiva seguiam um pouco atrás deles, o que era um verdadeiro alívio para ela. Não gostava da presença masculina, principalmente após ter passado quatro anos enclausurada em um convento onde o único homem presente era um velho padre que surgia todos os domingos para celebrar a missa.
Assim como previram, chegaram a aldeia de Forks pouco antes de o sol estar a pico, e isto deixou Bella um pouco mais ansiosa. Em breve saberia se estaria vivendo em um pesadelo ou se simplesmente acordara para a vida real.
Lembrou-se da primeira vez em que pisara naquela aldeia e não pôde deixar de rir com a recordação. Não devia ter mais do que doze anos quando Lorde Charles Swan fora buscá-la no Bosque dos Lamentos, para levá-la de volta as terras de Forks. Mas Bella nada havia conhecido do mundo até então e ficara tão assustada com a visão da aldeia, que seu pai teve que parar mais de três vezes para poder acalma-la. O que podia dizer em seu favor? Era apenas uma menina que crescera isolada com a mãe em uma mata... A simples visão de um cavalo ou de uma vaca podia deixá-la tão assustada quanto um rato encurralado.
Para piorar a situação, a aldeia estava repleta de pessoas, que haviam se aglomerado no mercado para poder saudar a tão esperada herdeira Swan. Mas agora algo estava errado... Não importava para onde Bella olhasse, não conseguia ver ninguém nas ruas da aldeia.
-Por que tudo está tão quieto? – Indagou para si mesma enquanto via uma mulher trancando a porta de sua cabana, como se tentasse fugir do diabo.
-Isto pretendo descobri, Milady! – Respondeu Lorde Edward bem atrás de si. Bella olhou para ele e viu suspeitas naqueles olhos verdes. Todos pareciam em alerta enquanto cruzavam a aldeia, mas assim que chegaram as portas do castelo, Sir Emmett gritou para que alguém viesse recebê-los.
-Em nome de quem devo abrir os portões?! – O grito em resposta veio de uma das ameias, bem acima deles. Foi Lorde Edward quem falou daquela vez.
-Sou Edward Cullen, Barão de Masen! Vim trazer Lady Isabella Swan de volta para sua casa.
-Deixe de suas mentiras! – Gritou o homem de volta – Lady Isabella está segura no Convento das Irmãs Piedosas! Não irei abrir os portões para um bastardo mentiroso como você!
-Posso ser bastardo, mas não sou mentiroso! Se não crê em mim, coloque a cara para fora das ameias e dê uma boa olhada na garota que trago sentada em minha sela! Tenho certeza de que reconhecerá os cabelos ruivos em qualquer lugar.
Bella achava que aquilo não os levaria a nada, até que viu sobre o muro o brilho de um elmo. O homem parecia cauteloso, mas lentamente pôs a cabeça para fora das ameias e olhou para a pequena comitiva que estava nas portas do castelo. Quando seus olhos pousaram em Bella, pareceu não acreditar no que via, como se na verdade estivesse vendo um fantasma ou algo parecido.
-Como veio para aqui, Milady?! – Gritou o homem parecendo estupefato.
-Fui resgatada por Lorde Edward das mãos de malfeitores. Por favor, abra as portas do castelo e explicarei pessoalmente o que se passou!
A cabeça do homem voltou a desaparecer pelas ameias e Bella aguardou pacientemente até que pôde ouvir as traves do portão sendo removidas. Quando por fim as portas foram abertas, a comitiva adentrou no pátio externo do castelo de forma organizada e sincronizada. Lorde Edward desmontou de seu corcel com uma agilidade invejável, e logo após, segurou Bella pela cintura e a ajudou a desmontar. Mas quando ela finalmente pôs os pés no chão, sentiu a perna ferida doendo de modo descomunal, e teve que se apoiar em Lorde Edward para não cair no chão.
Ele a olhou de modo estranho, enquanto mantinha suas fortes mãos em torno de sua cintura e segurava o corpo de Bella contra o dele. Ela sentiu o coração disparar e uma estranha sensação perturbadora em seu baixo ventre enquanto se apoiava no peitoral dele para não cair de modo vergonhoso. Não estava acostumada a ser tocada por um homem e a reação de seu corpo estava deixando-a bastante confusa.
-Sente-se mal, Milady? – Indagou Lorde Edward fazendo com que ela saísse daquele estranho transe.
-Não... Apenas estou um pouco atordoada pela longa cavalgada que fizermos até aqui, mas creio que esta sensação passará rapidamente.
Por alguma razão sentiu-se mal em ter mentido para ele. Não queria que Lorde Edward pensasse que ela era uma garota fraca e que mal suportava algumas horas montada em um cavalo. Mas também não podia contá-lo sobre a ferida na perna direita. Portanto, achou que o silêncio seria a melhor opção, até que foram interrompidos por um homem idoso que carregava um elmo de ferre abaixo do braço. Era o mesmo homem que havia falado com eles antes de deixá-los entrar no castelo, e tinha algo de familiar em seus olhos azuis, mas Bella não o reconheceu totalmente.
-Milady, o que a trás aqui assim, tão repentinamente? – Indagou com pressa, tentando compreender aquela situação – Pensei que a senhora estivesse no convento...
-E estava. – Respondeu Bella na tentativa de acalmar o velho homem – Mas o convento foi atacado pelos homens do Texugo. Fui feita refém e estávamos a caminho de Volterra, quando Lorde Edward me resgatou.
-Oh, então o senhor é mesmo Lorde Edward? – Perguntou o ancião parecendo extremamente envergonhado – Perdoe-me Milorde... Não deveria tê-lo chamado de bastardo... Não sabia que era realmente o senhor...
-Não precisa se desculpar. – Disse Edward com a voz tão rígida quanto uma pedra – O senhor não disse nenhuma mentira. Agora diga-me, com quem tenho a graça de falar?
-Sou Sir Benjamin, castelão de Forks.
-E onde posso encontrar Lorde Charles? Devo falar com ele urgentemente.
O velho Sir Benjamin ficou tão pálido quanto seus cabelos brancos. Olhou para Bella como se ela fosse uma criança e por um instante, Edward sentiu a garota ficando cada vez mais rígida em seus braços. Parecia que já sabia o que estava por vir. Sir Benjamin respirou fundo antes de poder responder sem que a voz lhe falhasse.
-Lamento... Lorde Charles já não se encontra mais entre nós.
-Quando aconteceu e como? – Indagou Lady Isabella, com a voz tão sem expressão quanto seu rosto. Edward esperava que ela chorasse ou até mesmo desmaiasse, mas a garota permaneceu ao seu lado, tão imperial quanto uma Lady pode ser.
-Fará uma semana amanhã, milady. Vosso pai estava em uma caçada, na companhia de seu escudeiro. Não sabemos como ou de onde, mas uma flecha acabou o acertando no peito... Acreditamos que pode ter sido um mero acidente, afinal havia muitos homens caçando naquele dia. Pensei que milady já soubesse do ocorrido, pois Lady Heidi garantiu que havia mandado um mensageiro avisá-la.
-Aparentemente este tal mensageiro jamais chegou ao convento. E minha madrasta? Onde está agora? Gostaria de falar com ela e com Rosalie.
-Infelizmente Lady Heidi e Lady Rosalie não se encontram aqui. Faz quatro dias que ambas partiram para Volterra e de lá não regressaram desde então.
-Por que foram para Volterra? – Indagou Edward achando tudo aquilo bastante estranho.
-Bem, Lady Heidi disse que não se sentia segura aqui e por isto partiu assim que enterramos Lorde Charles.
-E onde está o tumulo de meu pai? – Questionou Lady Isabella parecendo finalmente abalada, mesmo que um pouco – Gostaria de vê-lo, para rezar por sua alma.
-Embry! – Gritou Sir Benjamin, e logo um pajem correu para junto deles, carregando uma espada de madeira com a qual treinava e tinha alguns hematomas pelo corpo – Leve Lady Isabella até as criptas. Ela deseja ver o local onde Lorde Swan está enterrado.
-Sim, Sir.
O garotinho fez uma honrosa reverencia para a dama em questão e ofereceu seu braço magro. Lady Isabella se desvencilhou dos braços de Edward, e por um momento, ele temeu que ela caísse. Mas a garota pareceu mais forte do que minutos antes, e com toda a determinação do mundo, agarrou o braço do pajem. O menino não devia ter mais que seus oito anos, mas agia como se fosse um cavaleiro já feito, e assim a guiou pelo pátio até onde a vista de Edward já não podia enxergá-los. Agora que estava sozinho com o velho castelão, havia perguntas a si fazer.
-Então, Sir, responda-me: Por que diabos Lady Heidi abandonou Forks?
-Parece que o testamento de Lorde Charles a desagradou... – Respondeu Sir Benjamin aparentando receio em falar mais do que deveria.
-E o que exatamente dizia neste testamento?
-Suponho que este tipo de informação não possa ser omitida por muito tempo... Então creio que não haverá mal em lhe responder, milorde. Acontece que a última vontade de meu senhor, era que as terras de Forks passassem para as mãos do marido de Lady Isabella, quando está se casasse.
-Quer dizer então que Lorde Charles deixou todas as suas terras para a filha única? Isto não é de se surpreender, afinal todos sabem que Lady Heidi não pôde dar herdeiros ao Senhor de Forks.
-Sim, milorde. Mas Lady Heidi ainda nutria esperanças de que Lorde Charles deixasse algo para ela ou para sua filha, uma vez que Lady Rosalie era bastante apegada ao meu senhor... Mas a única coisa que a menina ganhou foi uma relevante quantia em moedas de ouro.
-Está história não está cheirando nada bem! – Disse Edward enquanto olhava ao seu redor e constatava que havia poucos homens guardando as muralhas – Está é toda a guarnição que você possui? Onde estão todos os outros soldados?
-Lady Heidi levou boa parte de meus homens... Ela disse que precisava de uma escolta para levá-la até Volterra, e que mandaria os soldados de volta o quanto antes, mas até agora não os devolveu e estamos em estado de alerta. A maior parte de nossas forças sempre esteve guardando o porto, mas não posso ordenar que estes venham defender o castelo, pois do contrario corremos risco de sofrer uma invasão pelo mar. Os aldeãos estão escondidos em suas cabanas e temem que a qualquer momento possamos ser atacados por foras da lei ou pelos próprios escoceses. Se isto acontecer temo que não poderei proteger as terras de Forks com os poucos homens que disponho. Ordenei que fechassem o porto e que apenas navios comerciantes possam atracar, mas ainda assim...
Edward compreendia onde o velho homem queria chegar. O castelo poderia resistir por alguns meses caso alguém montasse cerco em suas muralhas, mas a aldeia estava indefessa. E de que servia um castelo sem aldeões para fornecer seus produtos? Com o inverno rigoroso, não se podia arriscar uma guerra por terras. Mas antes mesmo que Edward pudesse pensar em algo para ajudar o velho castelão, fora interrompido pela chegada de Emmett, acompanhado pelo homem que ele havia mandado cavalgar até as fronteiras dos Volturi.
-Edward – Disse seu irmão mais novo enquanto se colocava ao seu lado – Sam regressou do Sul e trás notícias nada agradáveis!
-Milorde... – Disse o homem que parecia extremamente cansado pela noite em que passara cavalgando – Fui até as fronteiras dos Volturi, como ordenado, seguindo a trilha do enforcado, e encontrei uma pequena comitiva. Usavam o estandarte de Lorde Alec, como o senhor suspeitava.
-Chegou a falar com eles? – Indagou Edward.
-Sim. Eles queriam saber o que um cavaleiro de Masen fazia cavalgando naquela hora da madrugada.
-E você disse exatamente o que combinamos, não foi?
-Sim! Respondi que o senhor havia capturado o Texugo em uma emboscada, e eu estava procurando algum fora da lei que pudesse ter fugido durante o confronto. Os homens de Lorde Alec pareceram desconfiados, mas no final fingiram não dar importância ao assunto e me deixaram partir. Cavalguei sem descanso desde então, até chegar aqui.
-Bom trabalho Sam! – Disse de forma satisfeita enquanto dava um leve tapa nas costas do homem – Descanse um pouco e prometo recompensá-lo assim que regressarmos a Masen.
Sam deu um sorriso cansado e partiu para junto dos outros homens de Edward, que estavam comoendo carne seca no meio do pátio esterno. Sir Benjamim pareceu confuso por um instante, e por fim indagou o que estava acontecendo exatamente.
-Como Lady Isabella disse, os homens do Texugo invadiram o Convento das Irmãs Piedosas e a levaram como refém.
-Pelo céus... – Disse o velho homem completamente perturbado – Eles... Eles chegaram a tocar nela?
-Não do modo como o senhor está pensando. A garota recebeu golpes e foi bastante humilhada, mas creio que o maior trauma que Lady Isabella sofreu encontra-se em sua mente. Ela presenciou uma verdadeira matança.
-Então por que a sequestraram se não almejavam violá-la?
-Depois que eu a resgatei, Lady Isabella me revelou que, na verdade, o Texugo planejava entregá-la para Lorde Alec Volturi.
-Entregá-la para Lorde Alec? – Repetiu Sir Benjamim parecendo surpreso – Como é possível? Lorde Alec pode ser jovem, mas não é tão imprudente! Se isto cair nos ouvidos do rei, Henry pode ser bastante severo em sua punição.
-Aí está a jogada, Sir. – Disse Emmett com seu costumeiro sorriso sabichão – Alec planejava atacar o Texugo na fronteira entre Masen e Volterra. Aniquilaria todo o bando de foras da lei e "resgataria" Lady Isabella. A única coisa que chegaria aos ouvidos de Henry seria o modo admirável como os homens de Alec recuperaram uma donzela indefesa que aparentemente fora arrancada de um Convento por foras da lei.
-Por tudo que há de mais sagrado... O homem está se arriscando muito com esta sandice! Não consigo compreender o motivo de Lorde Alec está tão determinado a por as mãos em Lady Isabella!
-Não consegue? – Indagou Edward olhando diretamente nos olhos azuis do ancião – Pense um pouco, Sir. Se Alec contrair matrimônio com Lady Isabella, irá ter a posse de Forks! Estas terras podem ser pequenas, mas dão passagem para o Mar do Norte, coisa que os Volturi não possui. Um porto é algo extremamente valioso, e isto poderia facilitar o comercio em Volterra.
-Céus... No que estamos nos metendo?! Aro Volturi deve está se revirando no túmulo com as atitudes de seu filho. Se for mesmo assim como diz, Lorde Alec estará disposto a fazer qualquer coisa para por as mãos em Lady Isabella!
-E aí está a grande questão, Sir. – Disse Emmett, agora tão sério e imponente quanto o irmão mais velho – Você pode proteger a garota dos Volturi?
-Se dependesse de mim, a manterei a salvo como se fosse minha própria filha! – Declarou o castelão – Conheci Isabella quando ainda era um bebe... E lamentei muito quando Lorde Charles teve que esconder a esposa e a filha no meio do bosque durante a invasão normanda. Essa menina já sofreu muito para alguém tão jovem e merecia ter um pouco de paz agora... Mas já sou velho e não possuo homens suficientes para proteger este castelo. A verdade é que se os Volturi nos atacarem, cairemos como maçãs podres.
-Isto é preocupante. – Admitiu Edward.
Se Alec conseguisse obrigar Lady Isabella a contrair matrimonio com ele, as terras de Forks passariam para as mãos dos Volturi, e aquilo não seria nada bom! Edward costumava comercializar constantemente com Lorde Charles, comprando mercadoria barata vinda de seu porto e enviando tecidos de Masen para a corte. Mas se Forks passasse para Alec, os preços iriam subir dramaticamente, e os Volturi ficariam ainda mais poderosos. Isto não o agradava em nada!
Não era segredo nenhum a inimizade que Edward nutria com os orgulhosos senhores de Volterra e era frequente que o rei Henry tivesse que interceder por um ou por outro. Os Volturi pertenciam a uma antiga família normanda que se achava superior aos demais e não aceitavam o fato do rei ter dado as terras de Masen para um misero bastardo. Se Edward baixasse a guarda se quer uma única vez, corria o risco de se ver no meio de alguma trama para perder tudo o que tinha.
Agora, aquela nova expectativa o deixava ainda mais desgostoso. Se os Volturi tomassem posse de Forks, só deus sabe o inferno que Alec faria de sua vida. Não, Edward precisava agir! Não poderia deixar Lady Isabella indefesa em um castelo, contando apenas com um velho cavaleiro e alguns homens para lhe proteger.
-Sir Benjamim, – Disse por fim, após muito pensar – Deixarei metade de meus homens em Forks, para reforçar sua guarda!
-Oh, verdade milorde? – Indagou o ancião parecendo extremamente maravilhado. Todos sabiam que quinze homens treinados por Lorde Edward valiam mais do que muitos exércitos que existiam por ai – Fico muito grato, senhor! Mas ainda assim, acha que Lady Isabella ficará segura aqui? Este inverno está sendo mais rigoroso do que o esperado e nossas provisões estão bastante precárias, sem falar que não possuímos nenhuma dama de companhia ou serva apropriada, pois Lady Heidi levou todas. Não acho que seja prudente uma dama ficar presa em um castelo cercada por homens! Sei que o senhor confia plenamente em seus soldados, mas os meus são apenas homens e não sei se poderia manter Lady Isabella protegida deles. Talvez fosse melhor mandá-la de volta para o convento...
-O convento foi assaltado, Sir. – Disse Emmett com impaciência – Eu mesmo vi o que os homens do Texugo fizeram! Se deixássemos Lady Isabella naquele lugar, Alec poderia muito bem voltar a atacar a abadia.
-Se o rei Henry estivesse aqui, mandaria a menina para a corte, onde com certeza encontrariam um bom casamento para ela e a manteriam a salva de Lorde Alec! Mas todos sabemos que Henry encontra-se na Normandia, resolvendo assuntos diplomáticos.
-E a Escócia? – Sugeriu Emmett – Lorde Charles Swan possuía um irmão escocês não é? Por que não enviamos a garota para lá?
-Não seria uma boa ideia... O tio de Lady Isabella, Bill MacSwan, é um velho aleijado e sem paciência. Seu filho herdeiro acabou de casar-se, mas parece que encontram-se em guerra com um clã vizinho, tornando as estradas bastante perigosas. Se mandarmos Lady Isabella para lá, será o mesmo que entregá-la em uma bandeja para um bando de escoceses famintos. Juro que já não sei o que fazer.
-Mas eu sei! – Respondeu Edward com toda a convicção do mundo – Levarei Lady Isabella para Masen. Lá ela ficará segura e terá damas de companhia honráveis alem de servas particulares. E o mais importante: Ficará longe das mãos imundas de Alec até que Henry regresse da Normandia e dê um destino melhor a Lady Isabella.
Ela observava seu irmão bebendo vinho próximo à fogueira e invejava a serenidade dele. Eram gêmeos e haviam compartilhado o ventre da mesma mãe, mas ainda assim, não conseguia ser tão paciente quanto ele. Por isso, a jovem dama andava de um lado para outro, parecendo extremamente ansiosa. Seus longos cabelos loiros estavam em completa desordem e a delicada túnica que usava esvoaçava com cada passo que a ela dava. A espera estava tornando-se cada vez mais penosa.
-Ficar andando de um lado ao outro não fará com que a comitiva regresse mais cedo, irmãzinha. – Disse seu irmão enquanto deva mais um gole na taça de vinho. Seus olhos cinzentos, iguais aos dela, a fitavam como se nada de mais estivesse acontecendo, o que deixava Jane ainda mais irritada.
-Não consigo ficar calma, Alec! – Exclamou sentando-se ao lado dele na mesa e bebendo um grande gole do vinho que ele tomava – Estão demorando de mais. Talvez tenha acontecido alguma coisa...
-A neve voltou a cair Jane. Isso provavelmente está os atrasando. Mas não se preocupe, a essas horas aquela maldita bruxa saxã já deve está sobre os cuidados de nossos homens, e o Texugo e seu bando completamente exterminado.
Sim... Ela tinha que confiar em seu irmão. Afinal, o plano era infalível. Contrataram um dos mais sanguinários assassinos da região para arrancar Isabella do convento onde estava escondida e trazê-la até eles. Depois, bastaria matar o Texugo e seus homens, fazendo com que todos acreditassem que Alec salvara Isabella das mãos dos malfeitores.
O rei não teria motivo para castigá-los, e ainda daria a guarda daquela desgraçada para sua tia Heidi, agora que o pai da pequena bruxa estava morto. Isso deixaria Isabella bem debaixo de seus olhos, onde seria mais fácil por um fim naquela adoradora de deuses caídos. Tudo estava ao favor deles... Bastava apenas ter paciência.
-Temos que acabar com ela Alec! – Disse Jane enquanto acariciava os negros cabelos de seu irmão e o olhava com ternura – Temos que fazer com que essa maldita bruxa retire a maldição que lançou sobre nós.
-Não se preocupe minha cara. Tudo ficará bem. Apenas confie em mim.
Jane fez que sim com a cabeça e sorrio para seu irmão. Ele a protegeria, como sempre fizera! De modo inconsciente, levou a mão ao ventre, e rezou para que daquela vez, conseguisse levar aquilo até o fim.
Coitada da Bella... Parece que ninguém quer ela hahahaha Amanhã começa a jornada para Masen. Será que ela fica lá, ou vai acabar em outro lugar? Veremos... E pretendo postar vez ou outra os pensamentos dos Volturi, só pra tentar dar pistas do verdadeiro motivo para eles quererem por as mãos em nossa protagonista :)
Eu gostaria de dedicar esse capítulo a Priscila, JOKB e a Milena! Essa estória não teria sentido sem vcs ^^
Amanhã teremos mais.
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