Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)

Tradutora: Mrs. Mandy Black

Shipper: Lily Evans e James Potter

Gênero: Romance / Humor

Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)

Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?


Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.


QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA

| Capítulo 7 - Vitória |

- Vamos, Lily! - gritou Kate animada, abrindo as cortinas da cama da ruiva. - Hoje tem jogo de Quadribol!

Quadribol sempre era um acontecimento em Hogwarts, e quase todo mundo se divertia assistindo as partidas. Lily, entretanto, não via nenhuma graça no jogo e voava pior que um rinoceronte dentro de uma loja de cristais. Só tinha tentado uma vez subir em uma vassoura e, inexplicavelmente, acabou na enfermaria por duas semanas...

- Coloca a porcaria da cortina no lugar que tava - respondeu Lily, com a cabeça enfiada no travesseiro. - Não quero ir.

- Você está bem? - perguntou Kate, aproximando-se da cama.

- Quando alguém deseja cortar os pulsos para parar de sofrer, você está bem ou mal? - questionou a ruiva, erguendo a cabeça.

- Ehhh... bem? - Lily voltou a afundar a cabeça. - Vamos, levanta!

- Kate, eu não dormi...

- Isso não é problema meu, ninguém mandou você ficar dando passeios noturnos. Você precisa torcer para a Grifinória.

- É que eu esqueci os pompons em casa... Que pena! Fica para a próxima - e puxou as cortinas das mãos da loira, fazendo uma bolinha com elas.

Nesse momento, Elise saiu do banheiro com o cachecol vermelho e dourado no pescoço.

- A mesma coisa de sempre? - suspirou.

- Elise, se eu for nesse jogo, vou acabar cuspindo o fígado pela boca! - respondeu a ruiva embaixo de sua bolinha de cortina.

- E o que o preço do queijo no Canadá tem a ver com as emissoras de rádio? - perguntou Elise, sem entender.

- Se eu for ao jogo, não durmo. Se não durmo, não descanso e se não descanso, não me divirto. Se não me divirto, não estudo e se não estudo serei uma fracassada. Se eu for uma fracassada, ficarei traumatizada e ficarei me perguntando o que fiz com minha vida, e ficando traumatizada acabarei me entregando à bebida. E se me entregar à bebida, a cirrose atacará meu fígado e eu vou acabar cuspindo ele pela boca e...

Artemis entrou no dormitório, pronto para a grande partida Corvinal x Grifinória. Lily, que estava muito ocupada explicando como suas vísceras sairiam de seu corpo, fez um gesto de desgosto ao ser interrompida.

- Lily, vai tomar banho de uma vez se não quiser que eu mesmo vista você. Estou farto da mesma confusão de sempre. - Artemis conhecia muito bem a rotina de conseguir arrastar Lily a todos os jogos e como tinha que aturar a ruiva com o cenho franzido e os braços cruzados a manhã inteira.

- Não vou! Quero dormir! - queixou-se, se jogando tragicamente na cama.

- Lily, isso não cola mais.

- Arrrgh! - Lily se levantou chateada e avançou até o banheiro, arrastando os pés. Todos suspiraram aliviados. Ela não costumava ceder tão rápido.

Antes de chegar até o banheiro, girou e... disparou porta afora, desviando de Artemis e correu escadas abaixo para o Salão Comunal, com o cabelo bagunçado e seu pijama: uma camiseta extra-grande do Manchester United.

Pulou facilmente os últimos degraus da escada e aterrissou suavemente no chão. Levantou rapidamente e se pôs a correr para o retrato da Mulher Gorda, enquanto Artemis a seguia.

- Lily! Poupa o meu trabalho de te perseguir até o armário de vassouras do segundo andar - berrou Artemis ainda a seguindo.

- Como sabe que eu vou pra lá?

- Porque você sempre vai lá quando consegue fugir!

Então a ruiva resolveu dar a volta e correr na direção contrária. Tarde demais percebeu que o Salão Comunal só tinha uma saída. Desesperada, se aproximou da lareira e pegou o atiçador de chamas, segurando-o como um taco de beisebol.

- Alto lá, forasteiro! - ameaçou com uma voz de Velho-Oeste. - Tenho um atiçador de chamas e não tenho medo de usá-lo.

Artemis suspirou.

- Não quer ir ao jogo?

- Vejo que finalmente captou a ideia...

- Está bem... vamos te deixar dormir.

- Verdade?

- Não! - e pulou sobre a garota, jogando-a sobre o ombro como um saco de batatas.

Lily tentava se soltar, socando e cutucando Artemis com o atiçador, mas não conseguiu.

- Er... Bom dia.

Ambos viraram a cabeça para onde vinha a voz que os tinha cumprimentado. Toda a equipe de Quadribol da Grifinória estava ali, encarando-os com cara de paisagem.

- Oi - Artemis colocou Lily no chão e pegou o atiçador de suas mãos, atirando-o de volta para a lareira. - E aí? - disse com uma naturalidade incomum, como se fosse normal carregar uma ruiva histérica e fã do Manchester United, que tentava deixar sua marca com um atiçador de chamas.

- Tudo bem - murmuraram alguns dos garotos do time.

- Bem, nós já estamos indo - falou Artemis arrastando a ruiva, que ficara pálida ao ver James Potter. - Boa sorte no jogo.

- Artemis! - Elise descia correndo as escadas. - Achei uma corda para ela não escapar de novo...

- Não precisa mais, a capturei facilmente. Ela tá perdendo o jeito...

Lily estava vermelha como um pimentão, calada, enquanto os sete grifinórios restantes observavam a cena confusos.

- Priminho! - berrou Elis, com um tom especialmente agudo. - Que alegria ver você! - Sirius jogava no time, como batedor. - Quem sabe não temos sorte e um balaço acerta em sua cabeça e termina de te deixar idiota!

- Eu também te adoro, "priminha" - murmurou Sirius. - Cuidado para não cair da arquibancada e abrir a cabeça... As toras de pinho são caras...

- Vou me lembrar disso - respondeu a morena.

- Evans, tudo bem? - James tinha se aproximado da ruiva e notou sua mudança de cor.

- E o que te importa? - respondeu sem olhar ele, subindo rapidamente até seu dormitório.

James arqueou a sobrancelha. Artemis e Elise também subiram.

...

O povo ria e gritava, emocionado na arquibancada. Grifinória ganhava com folga e o banco de reservas do time dos Leões estava eufórico. Artemis e Kate gritavam e se abraçavam a todo momento, como se tivessem ganhado na loteria. Grifinória voltou a marcar. Artemis e Kate se abraçaram novamente e começaram a cantar alguma coisa identificável sobre os leões. Lily suspirou e se encostou no muro ao lado da grade de segurança. Se não fizessem tanto barulho, talvez conseguisse dormir...

Potter passou voando rasante pela arquibancada e cumprimentou os grifinórios, e todas as garotas começaram a berrar como galinhas... Estúpidas! Potter, por que esse idiota a perturbava tanto? Tudo bem, ele tinha lhe beijado, mas foi apenas um beijo e pronto. E além disso, ele nem sabia! Deu um tapa em sua própria testa. Não é como se importasse o que as pessoas pensavam ou deixavam de pensar dela, mas estava fazendo papel de boba. O que acontecia com Potter? Fosse o que fosse, precisava voltar a tratá-lo como sempre tratara: como se ele fosse uma enorme bola de pus.

- Em que você está pensando? - Elise se sentou ao seu lado, apoiando seu queixo em seus joelhos.

- Nada... É que eu estou com sono.

- Não é verdade - a ruiva abriu a boca para contestar -, mas tanto faz, vai contar pra gente quando for a hora...

Lily suspirou. A verdade é que queria contar tudo para seus amigos, e então desistia. O fato de uma das pessoas de quem menos gostava no planeta - provavelmente do universo - ter sido capaz de fazê-la perder o norte não era algo fácil de explicar. Depois de alguns segundos de silêncio, voltou a encarar Elise.

- Onde você estava até agora?

- Na enfermaria - respondeu, distraída.

- Com Remus?

- Yep.

- Não entendo porque você gosta tanto de ficar fazendo joguinhos com ele - disse Lily sorrindo, apoiando-se novamente no muro.

- É divertido. Eles são sempre tão seguros de si mesmos, tão perfeitos... Eu gosto que ele me respeite por algo que eu possa saber, e também adoro que fique tão nervoso quando me vê... Quero ser amiga dele, não mais uma de suas admiradoras. Quando me respeitar e me valorizar, eu conto toda a verdade.

- Aham. - Lily suspirou. - Acredito que eu deveria encontrar alguma forma de contar que sei de tudo. Além disso, poderia ajudá-lo...

- Já o fez. E carrega um belo pentagrama nas costas para provar isso.

As garotas riram e voltaram sua atenção para a partida.

...

A vitória da Grifinória tinha sido fácil e a festa clandestina que iria acontecer na Torre prometia... Lily havia aguentado heroicamente até o final da partida, sem reclamar muito, e inclusive participou um pouco das comemorações de seus amigos.

Agora voltava de seu treino, arrastando a bolsa esportiva. Estava muito cansada. Praticamente não tinha dormido e treinara tão duro como sempre. Entrou no Salão Comunal, disposta a escapar da agitação antes que a vissem para ir se deitar.

Wow! Os grifinórios realmente sabiam como organizar festas. Tinham arrumado algumas mesas com muitas cervejas amanteigadas, balas e diversos chocolates. Também colocaram uma faixa, na qual apareciam e desapareciam as letras "Viva a Grifinória" e um leão de aspecto feroz rugindo para uma águia bronze. Franziu o cenho. Não gostara muito daquele desenho.

- Bonito, não é mesmo? - alguém falara às suas costas. Virou-se. James Potter.

- Encantador - murmurou sarcasticamente, dando-lhe as costas de novo, com a intenção de sair dali naquele momento, cansada demais para sequer ficar perturbada pela sua presença.

- Não vai me parabenizar?

Lily voltou a virar-se com um falso sorriso nos lábios.

- Oh, divino Potter! Parabéns pela sua maravilhosa atuação de hoje! Você foi tão impressionante que estou desejando fazer sexo selvagem contigo e ter dois ou três filhos seus, mas como isso não pode acontecer, permita-me, oh divino, que me retire em meu dormitório para desmaiar por alguns instantes pela emoção de ter você dirigindo a palavra à minha humilde pessoa.

Suspirou e rapidamente sua cara de cansaço e ódio a James voltou. Pela segunda vez, virou-se e começou a caminhar.

- Sexo selvagem pode ser perigoso - Lily parou. James estava apoiando a mão em seu ombro e sussurrava em seu ouvido. - Ou você não sabia? - E deslizou seus dedos pelas costas da ruiva, justamente pelo caminho dos arranhões de Remus. Virou-se para ele e o encarou furiosa. Será que sabia? Esse idiota descobrira seu segredo? Ou estava simplesmente tentando perturbá-la? Não podia ser, não tinha como ter visto aquelas marcas. Fixou seus olhos verdes nele.

- Eu sei, Potter. E também é perigoso se meter onde não é chamado. Boa noite - murmurou, subindo as escadas para os quartos femininos.

James deu um gole em sua cerveja amanteigada, vendo Lily desaparecer. "E eu sei que você não é quem parece ser", pensou.

- O que você falou com a Lily? - Remus tinha se aproximado há pouco tempo e vira como a ruiva estava com cara de poucos amigos.

- Nada... Só conversamos sobre a faixa. Bonitos animais, as águias...

- Sim - Remus sorriu. - Bela bicada aquela que a águia vermelha lhe deu ontem. Ainda bem que ela está bem... Parece que veio nos dar um "oi".

- Sim, é uma sorte. Apesar de parecer que não gosta muito de mim - deu outro gole em sua caneca. - Parece ter muitas coisas em comum com a Evans.

- Escuta, James, não se meta com ela. É uma grande amiga minha.

- Senhor Lupin - brincou, segurando o outro pelos ombros -, acredito que deveria fazer esta recomendação àquela megera e não a mim. Além disso - disse em um tom mais sério -, como está o meu Anjo?

- Seu Anjo não quer ver você, James. Ela disse isso e agora quem diz sou eu.

- Mas...

- Não, James. Ela não é como as outras, já deveria saber...

- Entrega uma carta minha? Assim eu...

- Não acho que seria uma boa ideia...

- Por favor.

- É não, James.

- Por favor.

- Ela vai ficar chateada.

- Por favor, Moony, prometo que não te peço mais nada.

- Isso é mentira.

- Sim, é. Mas leva uma carta minha.

Remus suspirou, girando os olhos para o teto.

- Por que sempre me convence?

- Porque sou bonito e muito inteligente.

- Não, preciso da verdade.

- Há, há - riu de forma sarcástica. - Vamos beber alguma coisa.

Na mesa das bebidas, Kate tentava inutilmente abrir três garrafas de cerveja amanteigada. Não encontrara o abridor e já estava pensando na possibilidade de arrancar as tampinhas com um bom soco.

- O que está fazendo, Katherine? - James não entendia muito bem porque a loira estava batendo na garrafa com as costas da mão.

- Er... ginástica! E é Kate - respondeu, levantando a garrafa como se fosse um peso.

- Dá aqui - disse Remus, pegando as três e arrancando as tampinhas com a mão.

Kate pegou as garrafas e ficou encarando o garoto.

- Surpresa? - perguntou o lobisomem, cheio de si.

- Não - respondeu divertida, vendo Remus fazer uma cara de quem acaba de levar um corte. - Lily também faz assim.

- Que feminina - ironizou James.

Kate o olhou como se dissesse "Se você soubesse..."

- Bem, Lily é assim. Se você tivesse visto a guerra que ela fez para colocar o vestido de cisne no Halloween...

- Cisne? Não vi ninguém vestido de cisne - falou James.

- Mas é claro que... Remus, está com alguma coisa entalada na sua garganta? - Remus fazia gestos para que a loira se calasse, tentando não ser visto por James. - Ah! Não, não, claro! - exclamou, finalmente entendendo. - Você com certeza não a viu porque... Porque...

- E aí, capitão! - Sirius chegou, dando um tapa nas costas de James.

Kate ficou vermelha ao encontrar os olhos azuis do garoto, mas o cumprimentou com a cabeça, sentindo-se aliviada por não precisar inventar uma mentira para sua mancada.

- Oi, Kate - cumprimentou um pouco friamente.

- Olá, queridinhos - Monique também se aproximou deles, agarrando-se ao pescoço do namorado. - Da próxima vez, não terão tanta sorte...

- Anda, venha aqui, baby - Sirius abraçou a namorada e lhe beijou profundamente, justamente na posição adequada para Kate ver como suas línguas se moviam.

- Caham - tossiu Remus. - Arranjem um quarto!

O casal se separou e Monique sorriu de forma travessa, enquanto Sirius cravava seus olhos nos de Kate, que tentava congelar sua expressão para não demonstrar o que sentia. Parecia que seu coração tinha acabado de ser passado por uma trituradora de carne para hambúrgueres. A loira baixou o olhar.

- Bem, estou indo. Estão esperando as bebidas - disse, girando rapidamente e desaparecendo entre a multidão.

James encarava desconfiado seu melhor amigo, que agora não parecia tão alegre como minutos antes e continuava seguindo a loira com o olhar, mesmo com a namorada beijando seu pescoço.

- Monique, fica quieta - falou irritado, afastando-a.

- Mas você acabou de... - começou a garota, desconcertada. - Eu pensava que...

- Não estou a fim. Vamos sentar um pouco com os outros, ok?

Ela concordou, decepcionada.

Por que tinha feito aquilo? O que pretendia provar para Kate? Afinal de contas, ela não tinha feito nada. Ele quem tinha lhe dado aquele beijo... Queria que ela percebesse que ele nem se importava? Não podia sair por aí beijando esse tipo de garotas, eram muito chatas e tudo o mais. Porém não deixava de ser um tipo raro...

- Aleluia, Kate! Estava fabricando a cerveja, ou o quê? - perguntou Elise, pegando sua garrafa.

- Sim, bem... - respondeu sem prestar atenção, com o olhar perdido. - Vou subir, estou com sono...

- Você tá legal? - Artemis estava visivelmente preocupado.

- Sim, sim... Só um pouco cansada. Boa noite.

Artemis e Elise se encararam.

- Sirius! - disseram de uma vez, adivinhando a fonte de problemas da amiga.

Beberam suas cervejas amanteigadas e conversaram um pouco, mas decidiram sair logo em seguida. A festa era entediante sem as piadas de Kate e o mau humor de Lily.

- Venha, princesa. Deixe que seu cavaleiro andante te leve até seu castelo - brincou Artemis, levantando de sua poltrona.

- Tudo bem. Mas enquanto meu cavaleiro não chega, serve você mesmo.

- Está dizendo que roubaram seu amor de mim? - Artemis disse, dramático.

- Sim, sinto dizer isso. Foi Pettigrew. Eu o amo loucamente.

- Entendo, entendo... Com aquela personalidade, seria impossível deter a paixão. Vou superar - Artemis limpou uma falsa lágrima, enquanto envolvia os ombros da garota.

...

Era quase de manhã quando a festa terminou. Alguns adormeceram nas poltronas ou pelo chão do Salão Comunal. Peter, por exemplo, dormia encolhido em um sofá. Os outros três Marotos, entretanto, continuavam acordados, sentados ao redor da mesa envolvidos em uma conversa meio mística, provocada pelo sono e excesso de álcool. Então ouviram um barulho vindo das escadas do dormitório feminino. Alguém descia apressadamente. Era Lily, que ia praticar sua nova transformação. Tinha decidido virar uma pantera, mas estava sendo um pouco difícil, embora já estivesse bem avançada. Sem prestar muita atenção, saltou e se esquivou dos grifinórios adormecidos para chegar até a saída.

- LI-LI-TA! - Remus a chamou. - Aonde vai tão tarde?

- São seis e meia da manhã - respondeu Lily. - Não é tarde. Acho melhor você deitar e dormir um pouco, Remus. E não me chame de Lilita - e se pôs a caminhar novamente para a saída.

- Não vai beber com a gente? - perguntou James, sorrindo. - Que mal educada.

- Sim, Evans - apoiou Sirius -, você é uma mal educada.

Lily se aproximou da mesa, destampou a garrafa de whisky de fogo que estava pela metade e virou um gole enorme, de uma só vez.

- Muito obrigada pelo convite. Adeus.

Os garotos se encararam surpresos. Não estavam acostumados a ver uma garota beber daquele jeito. Bem, na verdade não estavam acostumados a ver ninguém beber daquele jeito.

- Seu namorado te largou e ficou de mau humor, não é? Eu o vi ontem, com a prima do Sirius - disse James quando a ruiva ia embora.

- Primeiro, Potter: não se meta na minha vida. Segundo: não se meta na vida dos meus amigos. Terceiro: apesar de não te dever explicações, eu não tenho namorado. E quarto: faça o favor de simplesmente me ignorar de uma vez.

- Ou você vai fazer o quê? - James desafiou.

- Está vendo este copo? - perguntou, pegando um copo da mesa.

- Sim.

A ruiva o atirou contra a parede. O vidro se quebrou em mil pedaços. Sirius e Remus a encararam assustados, mas James continuava a encarando desafiador.

- Entendeu? - sacou sua varinha. - Reparo - o copo voltou a ficar inteiro.

- Acho que vou correr o risco - respondeu James, bebendo direto da garrafa como Lily fizera. - Não quero brigar com você, Lily.

- Evans, por favor. Se você não quer brigar comigo, tenho que avisar que não está alcançando seu objetivo.

- Oh, não - James pegou sua mão e examinou seu dedo indicador. - Você se cortou com o copo.

Lily ficou paralisada ao ver como James chupava seu dedo. Notou como o sangue se acumulou em suas bochechas e retirou rapidamente a mão, antes de sair correndo dali, cheia de raiva de James e de si mesma.

- Acho que já provei esse sangue alguma vez - murmurou pensativo.

- É melhor você deixá-la em paz - resmungou Remus, um pouco chateado.

- Não posso - respondeu James. - Não dá mais, eu gosto dessa garota.

Remus se remexeu inquieto em seu assento e se levantou.

- Vou pra cama. Estou morto de cansaço.

Sirius e James eram os únicos acordados que sobraram.

- E Tracy, James? - perguntou o amigo, mais curioso que preocupado.

- Não sei - alguns segundos de silêncio se passaram até que ele voltou a falar. - Sabe de uma coisa? Eu achava que conhecia todos os tipos de mulheres e que sabia exatamente como conquistá-las. Então, em dois meses, conheço um anjo e um demônio que não querem me ver nem pintado de ouro e que são as únicas garotas que verdadeiramente me interessam.

Sirius suspirou.

- Evans é, como posso dizer... diferente. Não é o seu tipo. - Sirius pensava nele mesmo com Kate.

- Não importa que ela seja diferente. O meu tipo de garota é aquela de quem eu gosto. Estou começando a ficar de farto de sair com as garotas que "valem a pena". - James se lembrava das palavras de Tracy no final do baile de Halloween. "É o que faz valer a pena". - Preciso pensar.

Sirius se levantou.

- Eu também. Vamos subir?

- Vamos. Aliás, bela troca de salivas na frente da Kate.

- Cala a boca. Se quer saber, já me sinto babaca o bastante sem a sua ajuda. Aliás, belo jeito de descobrir se a Evans tinha namorado...

...

? nove, o Salão Principal já estava cheio de estudantes tomando café da manhã. Na mesa da Grifinória podiam ser vistas muitas caras de cansaço e olheiras. As garotas do NTCMSP usavam seus óculos de sol da última moda e suspiravam sem parar.

Kate, Elise e Artemis tinham acabado de chegar quando Lily entrou correndo, com sua pressa habitual, e se sentou com eles.

- Por que esse povo não ficou na cama? - questionou Lily ao se sentar, vendo que a maioria dos alunos de sua casa estavam acabados.

- Fácil - Elise passava manteiga em uma torrada -, querem que todo mundo saiba que passaram a noite toda em uma festa. Isso é bom para a reputação - terminou, largando a faca sob o prato.

- Com certeza aproveitariam melhor o domingo se ficassem na cama, porque essa cena chega a ser deprimente! - Artemis concordou com a ruiva. - Como foi a transfiguração, Lily?

- Até que foi boa, mas preciso aperfeiçoas as patas e o rabo. Pareço mais uma mesa de chá que uma pantera...

- Daqui a pouco você consegue. Se com quatorze anos nós conseguimos...

Nessa hora entraram os Marotos, também com cara de noite mal dormida. Kate se levantou da mesa. Não tinha falado nada a manhã inteira.

- Vou estudar - murmurou, enquanto se apressava a sair.

- Sirius? - perguntou Lily.

Artemis e Elise assentiram.

Kate cruzou as grandes portas do Salão Principal olhando para o chão, para evitar que seu olhar encontrasse o de Sirius, e continuou caminhando rápido pelos corredores.

- Kate!

Alguém a chamava de trás. Virou-se.


Fim do capítulo