Oi, gnt! desculpem a demora para este capítulo, mas estive na PRAIA! Uma maravilha! Bom, mas voltei ontem e hj já escrevi mais este capítulo, então camos postar logo para o pessoal pq amanhã pretendo escrever mais um! E vamos às reviews q hj tem duas p/ responder, q delícia!
Nando-kun - Como sempre Liz-chan só tá feliz qdo é a estrela da peça. Então sinto informar q ela vai odiar este capítulo tb, pq vai ser a história da Doll 2#, ou seja, nada de Liz u.u Bom... Ela pode ter um acesso de loucura, por causa do... Cara q compra a doll, mas isso é um detalhe... *gota Enfim, q bom q gostou do capíulo e das revelações, espero q ontinue gostando do q virá por aí. Sim, Hades é sinistro, mas esse cara é nojento! Acho q ainda enho de pensar no final dos governanes... hmm Bom, espero q goste deste capítulo tb ^^ Ah! e avisa o bobo do Lesath q a Agatha deste universo NAUM é a Agatha do universo dele! É uma outra realidade, portanto ele NAUM foi trocado ¬¬
Stella-chan - Nyah! Fiquei mto feliz q esteja lendo minha fic e gostando! Por mim pode falar palavrão, sim, só num sei se o FF vai aceitar... Ops... Será q eu deixei passar algum palavrão na fic? Bom... Acho q quem quer q vá ler jah tem idade p/ uns palavrões levinhos... *gota Infelizmente vc aidna num vai saber o nome das gêmeas pq esse capítulo é p/ outra doll, então as pecurruchas ainda num foram batizadas, mas o nando jah sabe qual é... espero q ele num te conte, s naum esraga a surpresa xD E q bom q vc achou elas fofas, essa era a intenção. Quanto ao Lesath... Bom, diga a ele o mesmo q eu mandei o nando dizer. E naum se anime, Milo, pq o Milo da minha fic tb é de outro universo, portanto NAUM é vc! u.u
Bom... Este capítulo é meio pesado, e triste para a doce personagem q será introduzida... Mas ela mostra sua real força. Espero q gostem e q ninguém me mate pelo q estiver escrito... Mas podem matar, torturar, trucidar, triturar, cauterizar, picotar e todo o resto q queiram imaginar para o comprador da Doll 2#. Então, boa leitura! E comentem, onegai! ^^v
CAPÍTULO 07:
Seis meses antes, na fortaleza Londres, uma nave aérea de carga se aproxima das barreiras metálicas e de vidro da cidade, pousando nos arredores. Um cilindro de metal cintilante é transferido para um caminhão blindado que seria dirigido por dois profissionais da segurança e escoltado por dois outros carros militares, cada um com quatro soldados dentro, os mais armados possíveis. O cilindro tinha o tamanho de uma pessoa pequena, e os homens ficaram impressionados com a existência de um metal tão bem polido, parecendo um espelho, coisa com a qual, naquele tempo, ninguém mais se importava tanto, a não ser que fosse necessário para o desenvolvimento de alguma tecnologia. Aquele metal era realmente belo, mas o que havia nele devia ser ainda mais belo, perfeito, desejado por qualquer homem na face da Terra. Na lateral estava a inscrição, em letras do tamanho de um palmo: Ao senhor Radamanthys, governante da Fortaleza Londres – LBRNY (Laboratórios de Bio Robótica de Nova York) – Doll 2#.
Os homens estavam impressionados, durante a curta viagem até a fortaleza, e mesmo depois dela, não haveria outro comentário. Eles falavam como se estivessem falando do último computador, ou do veículo mais completo de todos, ou de uma forma de dominar o mundo apenas para si. Mas na verdade estavam falando dela, daquela que, sem nem saber de nada do que acontecia consigo mesma, ainda jazia em sono induzido dentro do caixão de metal polido.
- Acha mesmo que isso é possível? Que tem uma mulher aí dentro?
- Não seja idiota! Claro que não é uma mulher de verdade, mas é igualzinha! É um bio robô. Ela tem componentes mecânicos e biológicos, é resistente às doenças do ar, não reproduz, mas seu corpo é idêntico ao natural.
- Mas isso é que importa, oras! Afinal... É uma mulher mesmo... Nossa, o senhor Radamanthys deve ter mesmo muito dinheiro.
- Pois é... O dinheiro que ele arranca de nós com os impostos!
- Quer calar a boca! Se te pegam falando isso você está morto!
- OK... Tem razão. Mas que ele deve estar ansioso deve... Nossa, o que eu não faria com um brinquedo destes em casa.
- Nem me fale! Como será que ela é? Dizem que tem a aparência de uma menina de quinze anos. O normal é fazer de vinte, mas o chefe pediu assim. É o que eu ouvi dizendo por aí.
- Quinze anos? Nossa... Hey, será que não podemos dar uma olhadinha... Só para ver como ela é?
- Você não tem bom censo mesmo, né?
- Como assim? Vai dizer que não queria uma boneca dessas pra você?
- Tanto quanto qualquer um! To com cara de veado?
- Então... Não queria pelo menos ver como ela é de perto?
- Ver... Tocar... Cheirar... Ah! Pára com isso que está me deixando zonzo! Sabe que não podemos. Ela tem um sistema de segurança que só vai abrir com a digital do senhor Radamanthys, qualquer um que tentar abrir vai acabar se ferrando e eu não to a fim de morrer por causa disso.
- Ah, pois eu bem que gostaria de arriscar... – disse o outro com sorriso dúbio.
- Ah, amigo... O que eu não daria por uma dessas, perdida por aí só esperando para eu "adotá-la".
O homem disse a última palavra num tom de grande sarcasmo, e ambos começaram a rir. Depois se sentiram bastante chateados, afinal de contas, nunca poderiam ter um "brinquedo" daqueles em casa. Passaram pela entrada da fortaleza e ainda andaram por cerca de duas horas pelas ruas lotadas de prédios por todos os lados, até chegarem ao grande prédio que era a residência do governante. Nem viram a cara do homem, quem os atendeu foi um general com roupa cheia de estrelas por matar seus semelhantes, que os mandou embora bruscamente e mandou os empregados carregarem o cilindro até o escritório do chefe. Eles obedeceram meio amedrontados.
Quando posicionaram o cilindro na vertical bem no centro do grande escritório, ficaram por alguns segundos olhando aquilo, estavam cobiçosos como cães famintos olhando para um grande prato de carne suculenta do outro lado de um vidro intransponível. Mas ao som do pigarrear de alguém à porta eles se encolheram, reverenciaram o homem alto e loiro de cabelos arrepiados e sobrancelhas grossas e saíram ainda mais amedrontados que quando receberam ordens do general. O dono dos aposentos,então, trancou a porta, fechou as cortinas, esfregou as mãos com um sorriso ansioso e malvado e acariciou o cilindro com desejo, encontrando a pequena tampa que, ao abrir com a ajuda de um canivete, revelou uma pequena tela sensível ao toque. Ele encostou ali seu polegar e uma pequena lâmpada verde se acendeu ao lado da tela, deixando a vermelha, acima desta, apagada.
Houve um som de travas se abrindo, e de vapor comprimido sendo liberado, e uma metade do cilindro se abriu como uma porta. Dentro dele estava ela, era pequena e magra, muito delicada, uma adolescente de não mais que quinze anos. Seus cabelos eram longos, lisos e negros e a pele muito branca e sedosa. Usava um vestido escuro que fazia bem sua cinturinha fina e caia solto até os joelhos, de alcinha, por baixo, uma blusinha creme de manguinhas curtas e bufantes e gola olímpica, e nos pés tinha uma botinha preta e lisa de couro com cano curto, muito delicada. Radamanthys estava estático, quase babando com a visão de sua encomenda que esperara por tanto tempo. Há oito anos que a encomendara, e desde que estava pronta ainda levara seis meses para chegar em suas mãos. Fora uma longa espera.
A doll respirou fundo, o efeito dos gases que a faziam dormir haviam passado, e ela abriu os olhos pela primeira vez em sua vida. Tudo parecia embaçado nos primeiros segundos, mas logo começou a entrar em foco. A primeira coisa que viu foi o olhar faminto de Radamanthys para ela. A menina ficou confusa, olhou a caixa em volta de si, o escritório, e para o homem novamente.
- O que... Onde... estou... Quem... É... Você...?
- Oh... Você fala muito bem para quem acabou de acordar! Você está na minha casa, eu sou Radamanthys, seu dono. Te encomendei há oito anos e você chegou,enfim!
- Dono...?
- Isso mesmo. Você é uma doll. Foi feita em laboratório como eu pedi, eu paguei por você. Portanto eu mando em você. E você tem que fazer o que eu ordenar. Vamos começar por e chamar de... Mestre. Agora... Vou te mostrar seus deveres.
- De... Veres...? Eu... Não entendo. Acabei de acordar... Por que não me lembro de nada da minha vida...?
- Eu não acredito. Me mandaram uma doll com complexo de existencialismo. Escuta. Você não tem vida, nunca teve. Foi feita no laboratório e ligada depois. Não tem nada de que se lembrar. Agora me chame de mestre e me siga.
A menina se calou, muito encabulada e assustada. Como não tinha outra escolha, seguiu o homem. Ele a levou até a janela e mostrou a cidade por uma fresta.
- Esta é Londres. Eu sou o governante e mando em tudo isso. Mas você nunca vai ver mais do que isso da cidade por que nunca vai sair desta casa. Você vai ficar nesta parte da casa onde ninguém mais entra além de mim, não vai sair nunca. Depois daquela porta ali do lado há um quarto, um banheiro e uma cozinha. O resto da casa, que é enorme, é por conta dos empregados, você nunca os verá! Aqui, você deve manter escritório, quarto, banheiro e cozinha sempre arrumados. Você nunca vai comer nada por que não precisa, vai se carregar na eletricidade uma vez por dia, vai manter tudo limpo e cozinhar para mim, vou deixar o bilhete com o que eu quero e vou trazer sempre os suprimentos. No fim do dia, quero que esteja bem vestida com umas das roupas do seu armário. Se eu quiser alguma, deixo no bilhete. Esperará com tudo limpo e comida feita, estará de banho tomado e perfumada.
A garota se encolhia cada vez mais ouvindo o que ele dizia e vendo os únicos compartimentos de mundo em que ela era permitida estar. Não entendia o que estava acontecendo ali ou do que ele estava falando e por que estaria fazendo aquilo com ela. Muito timidamente, ela começou a dizer.
- Mas... Eu não entendo... Por que não posso sair? Eu fiz alguma coisa ruim? E eu não entendo por que esta me mandando fazer essas coisas... Isso de te esperar... Eu não sei o que quer de mim... Por que eu estou sendo tratada assim...?
- Escuta menina! – ele agarrou seu braço com força, fazendo-a gemer de dor – Quantas vezes vou ter de dizer? Você não fez nada de bom nem de ruim! Você nunca fez nada! É uma doll, uma boneca, um brinquedo, uma coisa! Não é humana, eu te comprei e sou seu dono, portanto se eu quero que limpe a arte da casa que quero, você o fará! E se eu quiser que me espera vestida e perfumada para mim, você o fará! E se eu mando que nunca saia daqui, você nunca sairá! Entendeu?
- Mas eu não sou uma coisa! – disse a menina já chorando – E eu não estou entendendo! O que quer de mim?
Então ele a jogou na cama com força, ela se virou para ele, assustada, e se deparou com o homem já sem camisa e soltando o cinto das calças. Ela se apavorou e se encolheu na cabeceira.
- Não... Por favor, não me machuca... Eu arrumo tudo pra você mas não faz isso comigo...
Ele lhe deu um forte tapa no rosto, fazendo-a tombar com tudo sobre a cama, chorando ainda mais, a face branca logo ficou vermelha e inchada.
- Não entendeu ainda, sua tonta, que ISSO é exatamente pelo que te encomendei? Você é minha propriedade agora faça o que eu mando!
- NÃO! Por favor, não!
Ele a puxou para si com força, arrancando suas roupas de baixo e batendo muito nela. Ele esperara muito por aquilo, só não esperava que o pavor da menina, seu medo e seu choro, e bater nela, o fizessem se sentir ainda mais excitado. Ele tinha um sorriso sádico no rosto enquanto a puxava e batia nela, vendo a menina lutar com todas as forças, mas inutilmente, para escapar dele. Ele se sentia ainda mais forte e ainda mais macho com tudo aquilo. Não via a hora de fazer com ela aquilo que esperara tanto para fazer. Ele deu um puxão ainda mais forte, trazendo-a para debaixo de seu corpo grande e forte e apertou seu pescoço com sua mão.
- Agora chega de brincar, boneca... Eu esperei muito por isso!
A doll fechou os olhos com muita força, o rosto marcado e inchado, molhado de lágrimas se contorceu como se sentisse a dor antecipadamente, não só a física, pois a moral e emocional já estava sentindo. Foi quando escutou um som parecido com o de uma campainha, muito perto.
- Ah, mas que merda! – esbravejou o homem, dando mais um tapa na cabeça da menina e saindo de cima dela antes que pudesse experimentar o gostinho do que mais queria.
Ele a empurrou, saiu do quarto para o escritório e bateu a porta, a doll escuto o barulho da chave trancando-a. Estava com muito medo, pedindo desesperadamente que alguma coisa acontecesse para que ele não voltasse. Escutou sua conversa ao celular.
- O que é? Caramba, isso são horas? Estou ocupado!... Ah, vai pro meio do inferno, eu lá quero saber disso agora?... Se vira!... Puta que pariu, vocês são uns inúteis mesmo! Eu já vou aí dar um jeito nisso... Cala a boca! Já disse que estou indo!
Houve um breve silêncio, ele bateu a porta do escritório, chamou por alguém, esse alguém veio, mas logo começou a implorar. "Por favor, senhor, eu não fiz nada... Não faz isso comigo!" Um tiro, o som de alguma coisa caindo no chão, passos se afastando, silêncio novamente. A doll suspirou aliviada, pois o pior não tinha acontecido, mas depois começou a chorar feito doida, pois sabia que ele voltaria.
Ela chorou por cerca de dez minutos, quando percebeu que chorar não resolveria seus problemas. Aquele homem era capaz de matar um empregado só para passar a raiva de ter sido interrompido por outra pessoa que nada tinha a ver com o tal empregado, o que queria dizer que ela não poderia contar com ajuda de ninguém. Ela olhou por todos os lados, no quarto, na cozinha, no banheiro, em nenhum lugar havia janelas ou portas para fora, e a de seu quarto estava trancada. Começou a vasculhar cada pedaço de parede, teto e chão que havia por ali, o mais rápido que conseguia, tinha de sair dali o quanto antes. Então ela viu, no teto do banheiro havia um bloco que se parecia muito com o resto da construção, mas que visto de perto estava cheio de buraquinhos. Ela empurrou e puxou de todos os jeitos e para todos os lados com todas as forças até que o bloco se moveu e saiu para o lado, revelando o duo de ventilação. Subiu por ali e foi engatinhando, ela sentia de onde vinha a brisa que alimentava os interiores da casa e a seguia, até encontrar uma saída. Esta saída estava no topo da construção, de um lado e outro que olhasse só podia ver prédios e mais prédios e não tinha idéia de como sair dali. Ficou olhando de um lado e outro, era muito íngreme e sem nada para se apoiar, então não poderia descer, e não havia como passar para outros prédios, pois estavam muito longe. Mais uma vez ela ficou observando, estava ficando mais e mais escuro e o movimento lá embaixo estava diminuindo cada vez mais.
Por um lado isso era bom, pois ela poderia andar por lá às escondidas mais facilmente, mas por outro isso poderia querer dizer que estava cada vez mais perto daquele homem voltar para casa, perceber sua fuga e sair para procurá-la. Se ele a encontrasse, seu castigo, com certeza, seria terrível. Foi quando algo passou pela sua mente, ela se lembrou de quando Radamanthys lhe mandara recarregar as energias na eletricidade todos os dias, e viu os fios elétricos, bastante grossos, ligando os prédios. Se ela era recarregada com eletricidade, então não sofreria acidentes com ela. Dependurou-se num dos fios pelas mãos e pés como uma preguiça e muito devagar foi indo até o final dele, no topo de outro prédio. Dali viu que havia uma escada de emergência externa aos apartamentos, e desceu silenciosamente por ela, finalmente chegando ao chão.
Então ela correu. Por entre os becos e ruas quase vazios da fortaleza, evitando ser vista por qualquer um, ela correu a noite toda, praticamente. Quando Radamanthys chegou em casa, já de madrugada, percebeu a ausência de sua preciosa aquisição, ficou furioso, pegou uma de suas armas mais perigosas, uma bazuca que disparava um laser mais potente que bombas, e disparou contra um barracão aos fundos de sua casa, onde viviam cerca de quarenta de seus empregados, matando a todos que estivessem lá dentro. Naquele horário, estavam todos dormindo. Ele jogou tudo o que viu em seu caminho ara o chão, depois chamou o empregado que vivia dentro da casa, aquele em que tinha mais confiança, e o mandou arrumar a bagunça. Depois ligou para seus subordinados do exército e ordenou a busca acirrada à sua doll, prometendo mandar para o abate os imbecis que o tinha feito sair de casa naquela tarde, assim como qualquer um que tocasse na doll de forma que ele imaginasse que estivessem com segundas intenções.
A essas horas, a menina já estava muito longe de casa, encontrara os limites da fortaleza e seguira aquele caminho até encontrar uma das portas de entrada fortemente guardada, mas desta vez o reboliço era tanto por causa das buscas pela fortaleza por ela, que estava tudo muito menos guarnecido. Provavelmente haviam pensado que ela não conseguiria correr tanto, que estaria andando, perdida em algum lugar, e que nunca conseguiria passar por ali, as atenções dos guardas estavam todas voltadas para outro lugar. Ela aproveitou a possibilidade, ali na saída haviam muitas motos usadas para o ambiente externos, eram motos de escolta, de perseguição a fugitivos, enfim. Ela montou numa delas, observou o painel e logo entendeu o que estava diante de si. Ser uma boneca pré-programada com dados de computador parecia ter suas vantagens naquele momento, porque lhe parecia que, seja lá quais fossem as informações que haviam passado para o seu cérebro, elas estavam impregnadas de certo entendimento inconsciente do mundo e produtos humanos.
Ela deu a partida, acelerou e, em dois segundos, estava correndo pelo portão afora. Os homens se assustaram com aquilo, todos saíram correndo desesperadamente para todos os lados pegando suas motos e dando a partida para seguirem o ladrão. Pelas cabeças confusas de muitos deles, passava a idéia de se seria possível a doll ter conseguido chegar até ali e roubar uma moto daquela forma. A menina previu que seria perseguida, encontrou uma arma grande na moto, virou de frente para a porta da fortaleza, segurou a arma com as duas mãos, com muita firmeza, mirou e disparou. Ela caiu da moto com o impacto do tiro, mas quando olhou para a fortaleza, descobriu que tinha feito um belo estrago, pedaços imensos de terra havia voado para a porta, sem contar as armações de metal que explodiram, tudo isso fechou a entrada da fortaleza, causando um grande acidente com todas as motos que tentavam persegui-la. Ela se levantou ainda de queixo caído com o que tinha conseguido fazer, montou na moto e acelerou, saindo dali o mias rápido que conseguia e buscando ir o mais longe possível.
Não muito longe dali, dois soldados num jipe faziam a ronda perto da área de pouso de aeronaves. Na verdade, os dois mesmos soldados que haviam entregado o cilindro na casa de Radamanthys.
- Mas de quem foi mesmo essa idéia de emendar dois turnos de trabalho?
-Ah, qual é? É só uma noite sem dormir, e então poderemos ter o fim de semana livre. Não reclama!
- Sabe... Não tem NADA pra fazer no fim de semana!
- Como não? Podemos jogar, beber, brigar...
- Sabe que não tenho dinheiro pra isso!
- Por que gasta tudo em bonecas infláveis e filmes de sacanagem.
- Pelo menos estou interessado em ver como eram mulheres de verdade.
- Ah, é só um fim de semana de bagunça. E no final a gente pode espancar uns mendigos pra ver se eles desistem de morar na fortaleza.
- É... Espancar os mendigos eu topo. Mas afinal de contas, o que estamos fazendo aqui? Ninguém vai sair da fortaleza pra querer roubar alguma coisa...
- Da fortaleza não. Mas tem os zumbis...
- Ah, não! Você acredita nisso?
- Não em zumbis que nem daqueles filmes velhos, seu tonto! Esses caras são os que não conseguiram lugar na fortaleza e ficaram do lado de fora, eles desenvolveram umas mutações por causa das toxinas e olha só... Os filhos da mãe conseguiram sobreviver por causa dessas mutações invés de morrerem de câncer. Eles tiveram muita sorte.
- Cara... Eu juro que nunca vi uma coisa desses e só acredito vendo. Aliás... Se sobreviveram, por que não vieram brigar com o povo da fortaleza por abrigo?
- Bom... Eles sobreviveram... Mas não mantiveram exatamente o que se possa chamar de inteligência. Eles agem como os zumbis dos filmes, têm a pele grotesca, os dentes escuros, comem uns aos outros e a própria terra podre, grunhem e não chegam perto do que não reconhecem, para eles, sua casa é os cantos escuros de montanhas e cidades fantasmas. Só sabem comer e fazer sexo!
- Entre eles mesmos? – perguntou o outro enojado.
- Ah, não seja tonto de achar que isso não rola entre os caras da fortaleza.
- Bom, que seja... Mas ainda assim é... Nojento!
- Ah, eles devem estar tentando reproduzir e descarregar suas necessidades por puro desespero. Ouvi dizer que, quando ainda haviam mulheres, se encontravam uma ficavam tão doidos que destroçavam ela fazendo aquilo.
O outro deu um sorriso sem graça.
- Poxa... Só dar umas porradas pra mostrar quem manda já tava bom. Estragar o brinquedo é burrice.
- Eu não acabei de dizer que eles não têm inteligência?
E estavam nesta belíssima conversa quando ouviram um barulho de motor, atentaram para o que poderia ser, pois pensavam se seus companheiros da fortaleza estariam com algum problema. A correria para encontrar a doll fora tanta que ninguém se lembrara de chamá-los pelo rádio para ajudar, e eles ainda não sabiam de nada. Um deles pegou o binóculo e olhou, soltou um palavrão e começou a rir de orelha a orelha.
- Que foi? – perguntou o amigo.
- Você não vai acreditar, mas é uma garota!
- Ta maluco? Da aqui esse binóculo!
E quando viu os cabelos negros ao vento e o corpo delicado de menina, ficou sem palavras, o outro já ligava os motores, eufórico como nunca. Aquilo seria melhor que seu fim de semana.
- E você reclamando do turno duplo! Olha o que ganhamos!
- Será que o Radamanthys não gostou dela? Ou ela fugiu?
- Não quero nem saber. Ninguém nos disse nada. Para todos os efeitos, achamos que era um milagre e que havia uma mulher sobrevivente. Afinal, não existe lugar mais seguro, tanto para entrar como para sair, que a casa de Radamanthys.
Mas quando ia acelerar o jipe, o outro o impediu, dizendo que, se a menina havia roubado uma moto, poderia saber atirar, era melhor não arriscar que ela os visse e se sentisse acuada. Então, foram até um lugar por onde, se seguisse linha reta, ela passaria perto de um penhasco, onde prepararam uma pequena bomba entre as pedras. Quando estava se aproximando, acionaram o dispositivo e as rochas rolaram. A menina se assustou, tentou frear o mais rápido possível, mas derrapou e caiu. Quando levantou a cabeça, ainda tossindo e sem conseguir enxergar direito por causa do escuro e da poeira, procurou pela arma que estava na moto, mas logo que a poeira abaixou, duas grandes luzes a ofuscaram. Quando se acostumou, viu chegarem perto os dois soldados, sorrindo com aquele mesmo sorriso amedrontador de Radamanthys.
- Oi, gracinha, deixa eu te ajudar a levantar. – disse um deles.
- Quem diria que poderíamos, algum dia, sentir essa pele macia... – tornou o outro, pegando em seu braço.
O primeiro passou a mão pelo seu rosto descendo pelo pescoço, o segundo cheirava seus cabelos, ainda com um pouco do perfume que havia em seu cilindro junto com os soníferos. Mas aquela doll não estava mais tão acuada e indefesa como quando saiu da capsula. Ela passara uma noite inteira correndo para se safar, descobrir que era forte contra a eletricidade, que podia se dependurar, correr por horas, pilotar uma moto e atirar com uma bazuca. A doll 2# começava a perceber que, apesar de sua aparência jovem e frágil, ela era muito mais forte do que aqueles homens poderiam imaginar. Então, como que por instinto, ela lascou uma forte dentada na mão de um deles, que retirara sua forte luva para tocá-la, e enquanto ele gritava e se irritava com a dor, chutou bem no meio das pernas o segundo homem. Quando o primeiro voltou cheio de raiva para imobilizá-la e obrigá-la a ceder ao poder da força física masculina, ela foi mais rápida, tirou a pistola da cintura do companheiro que ainda se contorcia com as mãos entre as pernas e atirou várias vezes no que vinha em sua direção. Ele caiu imóvel, ela apontou para o outro.
- Ta legal, ta legal! Vai embora que eu não ponho mais a mão em você. Por favor não me mata!
E ela não teve coragem de matar. Sabia que ele era um homem horrível como os outros dois e todos os outros que a deviam estar caçando. Mas ainda assim ela não tinha a maldade deles, não podia atirar contra um homem fora de combate. Então o deixou lá, tombado no chão, chorando por sua virilidade ferida, montou na moto e continuou correndo, sem saber até onde chegaria.
Naquela manhã, a gasolina terminou, a menina correra por dez horas sem parar, o ponteiro não caíra abaixo dos cento e cinqüenta quilômetros por hora, o que queria dizer que ela andara, no mínimo, mil e quinhentos quilômetros para longe de todos. Isso, na Inglaterra, pelo menos em linha reta, seria impossível, mas levando em consideração que o canal entre o antigo reino unido e a França havia secado há décadas, a menina deveria estar, a essas horas, em algum lugar da Europa continental. Na verdade, a garota poderia ter ido além de Praga, na República Tcheca, mas também poderia ter dado voltas, se perdido, ou coisa do tipo. Não havia como saber onde estava. Mas Radamanthys, com certeza, a procuraria em todos os cantos.
Lá, no meio do nada, havia um morro cinza como todos os outros, mas o que chamava a atenção era suas construções, elas pareciam ser milenares, da época da idade média. Havia um grande muro de pedras cercando uma pequena cidade fantasma de casinhas de pedra, e lá no topo do morro havia uma grande casa de pedra, com torres pontudas e pilastras. Ela subiu até lá, já esfregando os olhos de tanto sono, mas não sem colocar na cintura a arma que tirou do soldado e nas costas a bazuca que estava na moto. A tiracolo carregava uma bolsa com munições. Estava muito cansada quando chegou à construção do topo, quase não conseguia mais terminar de subir os degraus, mas aquela construção a intrigava. Era grande e, de certa forma, mesmo que em seu estado de decomposição, bela. Viu, então, imagens de humanos com asas esculpidas em pedras, já muito desgastadas, e alguns homens com elos sobre suas cabeças. Ela ficou olhando para aquilo sem entender o que significariam, queria muito poder saber o que queriam dizer, eram sérios, esses últimos homens, mas os alados eram muito belos e tinham um olhar calmo que a deixava mais calma também. Ela não vira, nos homens que conhecera, nenhum traço de algo parecido com aqueles olhares, tano de um tipo de imagem como de outro.
Quando entrou, seu coração se apertou. Lá na frente, num lugar mais elevado, estava uma grande cruz com a imagem esculpida de um homem. Ele tinha apenas um pano cobrindo o meio de suas pernas, uma coroa de espinho na testa sangrenta, ferimentos por todo o corpo, as mãos e os pés pregados. Apesar de tudo, seu rosto desfalecido era calmo, enquanto as duas mulheres aos pés da cruz choravam, parecia que por ele. Será que fora torturado por homens maus como os que conhecera? Estaria ali para lembrar aos que moradores do destino dos que desobedeciam as leis e seus donos? A menina não sabia o que pensar, mas era uma imagem que lhe trazia sentimentos pacíficos. Talvez as informações em seus genes e aquelas inseridas em seu cérebro por computador trouxesse alguma informação codificada das lembranças da humanidade. Será que a humanidade já teria sido diferente? Será que existia algum homem bom em algum lugar da Terra? Ela não sabia. Subiu as escadas e foi a uma das torres, o sino que deveria estar suspenso lá no alto havia caído, provavelmente há muito tempo. A janela dava visão para toda a cidade e para todo o vale. Talvez tenha sido uma bela vista antigamente. Ela resolveu se refugiar por ali quando escutou o barulho de passos se aproximando.
Desceu até o lugar por onde entrara, apenas para dar de frente com um grupo de homens grotescos, de pele parecendo pútrida, mas grossa como couro, os olhos esbranquiçados, as unhas grandes e grossas, e sangue ressecado escorrendo pelo corpo e pela roupa. Ela ficou com medo, eles grunhiam e vinham em sua direção, famintos, a maioria nem sequer tinha roupas, o que fazia a visão ainda mais terrível, pois podia ver a excitação de todos eles. Ela não queria sair matando gente o tempo todo, mas sabia que se não fizesse nada acabaria virando banquete, em todos os sentidos. Então, empunhou mais uma vez a bazuca e deu um único tirou. Tudo na frente da construção veio abaixo, muitos dos mutantes acabaram mortos pelo impacto ou soterrados, ela foi até uma janela, e viu que os sobreviventes se afastavam, apavorados. Não voltariam mais, mas a menina se manteria com a arma sempre por perto. Ela ficou por ali observando o nada pela janela da torre, por cerca de uma semana, sobrevivendo normalmente, sem precisar de alimento ou água. Mas depois deste tempo, seu corpo começou a ficar mais e mais fraco, até que sua mente se apagou.
Continua...
