HARRY POTTER E DRACO MALFOY
07- Dia seguinte.
Draco abriu os olhos e se perguntou por um segundo porque não estava na sua cama em casa... e sim de mau jeito numa poltrona... então olhou a cama e antes de ficar revoltado por não ser ele a dormir confortavelmente naquela cama percebeu quem estava estendido nela...
Nem se apercebeu que Severo Snape dormia sentado, tão duro que ainda conservava um recipente de porcelana na mão... isso não era importante...
Agora um pouco mais desperto se lembrava de tudo... da noite anterior... do estado do grifinório... ferido, muito... a beira da morte... e ele Draco Malfoy tinha feito a insanidade de ajudá-lo... mas não podia ser diferente... Não tinha estomago, para o que vira... ferir não era divertido... era nojento. E havia algo na acentuada palidez do outro, dos hematomas em toda a pele visível... que o despertava para algo tão... humanidade.
E assim que se aproximou, olhando o braço murcho como uma luva vazia, repousou o olhar na face contorcida do outro... angustiosa, brilhante de suor e murmurante.
Potter murmurava algo, agitado... movendo o rosto com se não tivesse forças... e não tinha... e foi só se aproximar mais para sentir o calor... encostou de leve a mão no peito do grifinório para sentir a pele dele morna e pegajosa, mas ao estender a mão a uma distância do rosto dele...
Sentia o calor sem precisar tocar... Potter literalmente queimava de febre...
Severo.- disse se afastando da cama, tocando o ombro do padrinho.-Severo.
O quê?- ele abriu os olhos negros em sua direção.
O Potter... não está bem...- disse olhando para o grifinório.
Severo Snape se levantou e nem precisou, como Draco, tocar a testa de Harry para perceber que o outro estava sim ardendo de febre, conjurou um pano leve que com um feitiço simples deixou frio.
Draco conhece esse feitiço?- perguntou sério.
Sim...
Então faça-o de tempo em tempo... vou chamar Nicodemos...
Não demorou para o outro bruxo voltar e com um olhar sério dizer que não estava nada bem... em seguida Snape levou Draco para outro aposento e o obrigou a dormir um pouco.
Quando acordou deu de cara, com uma criatura que achou conhecida, mesmo sendo todos praticamente iguais... sabia que fora o barulho da bandeja que trazia que o acordara, além do mais, vestido daquele jeito só podia ser o antigo elfo de seu pai... o que Potter libertara, irônico pensar nisso... O elfo deixou a bandeja na cama e o olhou por um longo tempo, Draco que estava com fome, pois pelos seus calculos já devia ter passado da hora do almoço, se apoderou do prato com a sopa grossa e com um cheiro muito convidativo, afinal, uma coisa os elfos de Hogwarts sabiam fazer... comida.
Dobby agradece...- disse o elfo meio inseguro.
Draco arqueou uma sobrancelha com a boca cheia de sopa... olhou o elfo... assim que engoliu disse com certeza mais rudemente que precisava.
Porquê?
Porque o senhor salvou Harry Potter, meu senhor.
E daí?
Dobby agradece.
Aquelas duas bolas o olhando, o estavam pondo nervoso... que droga... porque tinha que ficar olhando-o? Lembrava de Dobby... com certeza o elfo mais problemático da casa...
E o que você tem com isso elfo?- perguntou já sabendo a resposta.
Harry Potter importante pro Dobby...- disse o elfo baixinho.
Porque ele o libertou não é? Eu lembro bem de você Dobby... era o elfo de meu pai.
Isso soou estranho... meu pai... lembrava sim de ver Lúcio o chutando pela casa, e nunca se importara com aquilo... que inferno que aquele elfo não podia se mandar e deixá-lo comer em paz... que merda fizera da vida, para começar a escutar elfos? Salvar grifinórios de testa partida? MERDA! Merda.
Senhor Draco é um bom bruxo... - disse Dobby um pouco antes de sumir.
E se não estivesse tão morto de fome... Draco teria parado de comer meio que perplexo... mas estava com mais fome do que surpresa. Depois de satisfeito deixou a bandeja na mesa de cabeceira ao lado da cama e deitou-se de novo... não soube se chegou a adormecer, mas estava meio que adormecendo quando seu padrinho abriu a porta.
Está acordado... acho que agora podemos conversar.- disse um Snape que parecia ter dormido um pouco também.
Absteve-se de perguntar do outro... nem devia estar cogitando a hipótese de perguntar dele, que tinha com isso, já fizera a boa ação de sua vida...
Como está o Potter?- Mais do que preocupação, o que venceu foi a curiosidade.
Mal... mas nada de especial.- disse Snape friamente.- Nada que o mate.
Havia sim uma sombra de preocupação nos olhos negros do seu padrinho... mas sabia que ele não ia admitir, e isso não importava... porque num nível mais óbvio a face dele demonstrava que seria uma conversa séria.
Entrei em contato com Narcisa... discretamente... como eu havia dito, ela não se importa em não se envolver nisso... está partindo.
Onde ela vai?
Embora Draco, e disse que não vai voltar...
E deve ter dito que não se importava a mínima com meu sumisso.- disse por fim.
Entenda Draco, sua mãe está com medo.
Ah, com certeza... deve estar muito arrependida de não ter dedurado Lúcio.
Draco, você sabe que aqui está protegido... que vamos protegê-lo.
Que merda Severo!- disse sério sem se importar com a expressão surpresa dele.- Eu ferrei com a minha vida!
Vou lhe dizer uma coisa Draco... e não me importo nem um pouco com Potter, ou qualquer outro... mas, eu conheci muito bem seu pai... muito... você nunca se perguntou do porque esse cuidado todo de Lúcio com você? das roupas, das aulas? Do jeito que ele lhe tratava?
Draco sentiu um arrepio incômodo na espinha... sim, seu pai era rígido... mas sempre esteve por perto... até perto demais ás vezes... sempre exigindo uma postura impecável e perfeita, por vezes, Draco achava que o pai queria dele um enfeite... um troféu para mostrar.
O que está querendo insinuar?- perguntou já sabendo a resposta.
Uma resposta que não queria ouvir... Severo disse calmamente.
Porque acha que insisti tanto para que ficasse com a chave de portal Draco?
