Acordei mais cedo do que o esperado e me mantive cheia de agonia. Muitos Yokais haviam chegado as terras do Oeste e eu me coloquei no meu lugar. Princesa herdeira das Terras do Leste. Todos os anciões dos Clãs se encontravam em uma reunião para decidir coisas políticas, enquanto isso os novos herdeiros confraternizavam no jardim tipicamente niponico da mansão dos Taishou.
Houve um alvoroço e eu busquei pelo causador daquilo.
-" Hisaro". - Vi a Yokai grandiosamente trajada de um quimono vermelho chamativo se exibir com um sorriso confiante. Muitos cochichavam coisas ruins ao seu respeito e de como a raça deles era traiçoeira, maldosa e sem nenhum pudor.
- Não há muito que se fazer já que ela é a escolha do Senhor Taishou. - Ouvi um um grupo de rapazes sussurrar e eu senti minha garganta secar.
- " É por isso que ela está tão confiante... Será que... " - Fui interrompida de meu devaneio ao observar os imponentes anciões. Todos eles pareciam jovens demais para serem chamados de "anciões", mas era assim que os Dai Yokais se mantinham no topo dos mononokes, com força mental e principalmente física.
- Emi! Quero que conheça uma pessoa... - Meu pai surgiu me pegando pelo braço carinhosamente. - O General Touya, filho do honorável Kazuko, das terras do extremo Sul. - Meneei a cabeça e me surpreendi ao erguer os olhos. Os longos cabelos prateados estavam soltos e iam pouco abaixo dos ombros, olhos de um dourado quase tão intenso quanto os de Sesshoumaru. Alto, com um físico digno de sua raça e exposto devido seu Hakama sem mangas. Dei-lhe um meio sorriso e me senti acuada.
- Hime - Sama! - Ele meneou a cabeça enquanto mantinha os olhos sérios e a postura altiva. - É de fato muito parecida com sua Hahaue... - Ele me encarou e por alguns minutos senti minhas pernas falharem.
- Minha Hahaue... Você a conhe.. - Fui interrompida pelo meu pai que parecia contente.
- Sim... Ele a conheceu! Ainda muito pequeno de fato, mas Tsuki sempre foi muito boa com filhotes... - Meu pai parecia melancólico e meu olhar doce demais o fez pigarrear. - Irei das as boas vindas aos herdeiros. Com licença. - Ele meneou a cabeça e nos fizemos o mesmo.
- Ouvi falar de sua bravura... - Ele suspirou parecendo relaxado enquanto mantinha os olhos dourados aos meus.
- Bravura?! - Ri retribuindo o olhar. Estava falando das vezes em que entrava em campo de batalha sem permissão e acabava me metendo em situações embaraçosas!? Espero que não!
- A maioria das fêmeas morreria por ter um quimono valioso rasgado... Você rasgaria muitos quimonos em batalha por aquilo que acredita. - Os olhos dele se ergueram para os demais e eu me senti constrangida.
- Eu não... - Ele tomou a frente me encarando.
- Foi o que ouvi dizer. - Os lábios se curvaram num fio de sorriso. Senti minhas bochechas queimarem e me senti observada. Ergui o rosto e quão não foi minha surpresa ao constatar Sesshoumaru me fuzilando com os olhos.
Ignorei seu olhar e me voltei para Touya, conversamos bastante, ele era alguém extremamente sério, contudo sabia prender a atenção de alguém. O tempo passou de forma maçante naquele dia, mas em algum momento consegui ter a atenção desviada de mim e fugi. Me embrenhei na mata e deixei que a noite caísse sem sequer me importar de onde iria parar, por fim, estava naquela cachoeira. A cachoeira que foi cenário de dias distantes e atuais para nós dois. Suspirei alto e percebi que a lua estava em bela forma naquela noite, já havia passado muito tempo desde minha saída.
- Sesshoumaru... - Sussurrei.
- Sim?! - Sua voz ecoou de modo tranquilo. Estava tão perdida em pensamentos que sequer senti a proximidade dele. Num sobressalto o encarei tensa.
- O que está fazendo aqui?! - Usei o tom mais irritado possível.
- O que VOCÊ, faz aqui?! Afinal, estas são minhas terras...- Ele parecia inabalável. Os olhos dourados fixos num ponto qualquer da mata. Senti meu corpo tremer e um nó se instalou na minha garganta.
- Você vai mesmo se casar... - Minha voz pareceu suplicante e eu me repreendi mentalmente.
- Segui apenas o conselho de uma jovem princesa. - Seus olhos se fixaram nos meus e eu cedi.
- Uma impulsiva princesa... - Baixei a cabeça e senti os olhos arderem. Porque diabos eu tinha de ser tão imprudente?! Ele parecia calmo demais, eu imaginei que ele estaria em chamas e a fim de me degolar, mas não, era como se tivesse aceitado a idéia de voltar aos deveres reais.
- Mas realista. Você também está seguindo seus próprios conselhos Hime - Sama. - Eu percebi que ele me encarava e sua voz saia de modo cínico demais. Machucou. Machucou mais do que imaginei. Não podia ceder e parecer tão patética. Não podia.
- Por algum tempo eu imaginei que você fosse uma pessoa importante na minha infância... - Sussurrei de modo ensandecido. - Sonhei com aquele par de olhos calorosos por muito tempo... Sonhei que iria encontrá-lo e por fim... - Senti um soluço sacudir meu corpo. - ... Por fim encontrei alguém sem o menor remorso em me ferir...
- Você ia ferir a Rin... - Sua voz seca cortou meus pensamentos e eu ri.
- ... Não naquele momento... Agora. Agora está me machucando. - Eu ergui a face molhada e o fitei. Ele parecia surpreso e ao mesmo tempo envergonhado, mas isso só podia ser algo da minha cabeça. - É tolo... Mas estava sozinha, não havia ninguém para mim e De repente você estava lá... Me dando algo valioso. Maru. - Sussurrei e senti ele se aproximar de mim. - Você se lembra...?
- Eu ainda tenho sua eterna gratidão?! - Seus braços me envolveram num abraço protetor e inesperado.
- Sesshoumaru... - Sussurrei sentindo um calor envolver meu peito. Ele se lembrava de mim. O soríso cínico, vingativo, irritado... Todas aquela expressões haviam sumido e dado lugar ao personagem dos meus sonhos.
Não sei quanto tempo se passou, mas acordei com alguns raios de sol em meu rosto.
"Droga"- Fiquei em alerta levantando-me abruptamente e despertando um olhar sobre mim. - Devem estar nos procurando! Serei enforcada! - Sesshoumaru se ergueu com graça e calma.
- Você estava comigo! - Ele falou tranquilamente enquanto eu parecia prestes a um colapso.
- COM VOCÊ! Aquela infeliz vai... - Pensei no que imaginaria Hisaro ao sentir nossos cheiros misturados.
- Vamos voltar! - Ele me ignorou e deu as costas.
- Hey... Mas... - Senti minha garganta secar. E a gente? O que foi aquilo na noite passada? O que Sesshoumaru
sentia?! Fui tirada dos meus pensamentos quando percebi que ficaria pra trás.
