Capítulo Seis – Chance de ouro
Naquela sexta eu havia saído com Edward, nos divertimos como nunca e eu pude ver como ele era certo para mim. Eu não sabia quais eram os sentimentos que tomavam conta de mim quando eu estava com ele. Nem mesmo sabia se tais sentimentos existiam. Todavia, era algo muito bom. Algo tão bom, que eu não me importava de sentir sem mesmo saber o que era.
Estar ao lado de Edward mesmo que fosse em um restaurante cinco estrelas, ou em um parque do subúrbio de Paris, era algo tão fantástico e gostoso, que eu tinha certeza que nunca me cansaria disso.
Depois do nosso passeio no parque, eu o convidei para subir. Não porque eu estivesse me oferecendo ou coisa do tipo, mas sim porque eu não queria me desfazer de sua presença.
Ficamos conversando por um longo tempo, apreciando um bom vinho, com uma conversa cheia de beijos e amenidades. Edward é um cavalheiro, e nem mesmo estando bêbados e sozinhos, ele tentara avançar o sinal.
Agora eu estava em minha cama, deitada e olhando para o teto. Talvez ele já tivesse acordado e até mesmo saído. Essa ideia deixou-me preocupada. Levantei-me rapidamente e caminhei até a sala.
Parei de correr, quando vi que ele estava esparramado em meu sofá. Eu havia insistido para ele dormir no outro quarto, mas Edward disse que se sentia bem ali. Talvez fosse o efeito do álcool, mas eu não tive forças para carregá-lo até o quarto de visitas, então deixei que ele ficasse ali mesmo.
Eu agradeci aos céus por meu apartamento não estar tão bagunçado como o de costume. Porque, certamente ele se assustaria. Eu sei muito bem que seu apartamento é aquilo cheio de mimimi's e tudo mais, mas Edward não pareceu se importar com nada disso quando pisou no meu apartamento.
Ele não torceu a cara quando viu o lugar simples ou quando eu contei a ele sobre quem eu realmente sou. Na verdade, ele pareceu bem interessado em tudo. Sorri. Edward é bem diferente dos caras que eu estou acostumada a lidar. Não que eu tenha lidado com muitos, mas eu sabia muito bem como os homens são.
Trabalhar em uma oficina abre muito sua mente para certas coisas.
Olhei para mim e arregalei os olhos, notando que eu usava apenas uma daquelas camisas de malha gigantes, uma calcinha no estilo short e chinelos. Meus cabelos estavam bagunçados e eu sequer havia escovado os dentes!
Resolvi sair de lá antes que Edward acordasse e me visse assim, mas tudo foi por água abaixo quando eu escutei sua voz sonolenta:
- B-Bella?
- Oh, Edward! Eu... eu, desculpe-me...
Foi a última coisa que eu disse antes de sair correndo e ir até meu quarto, não sem antes tropeçar por algumas vezes no caminho. Assim que adentrei meu quarto, peguei alguma roupa menos indecente para vestir; jeans, uma regata braça e um moletom qualquer. Calcei minhas sapatilhas, corri até o banheiro, lavei meu rosto e tentei dar um jeito em meu cabelo. (Link do look)
Olhei-me no espelho e suspirei. Edward estava na sala, provavelmente pensando que eu sou uma louca. Bom, talvez eu seja, mas essa não é uma boa impressão a se passar pra seu... o que ele era meu? Um encontro? Enfim, não era uma boa impressão a se causar. Principalmente na primeira noite que ele havia dormido aqui.
Respirei fundo e saí do banheiro, caminhando em passos lentos até a sala. Edward estava sentado no sofá, e sua expressão era confusa, olhando para um ponto fixo na parede.
- Edward? – chamei.
- Er... bom dia? Será que eu posso usar o banheiro, para lavar meu rosto?
- Claro. É logo ali no corredor.
- Já volto.
Ele deu um beijo em minha testa, e saiu andando. Ele usava as calças de ontem, e a camisa gola pólo. Seu suéter estava dobrado no outro sofá, e no tapete estavam seus sapatos e suas meias, junto com o cinto. Tudo estava milimetricamente organizadinho, como se ele tivesse medo de bagunçar meu apartamento.
Sorri. Ele é tão diferente.
Sentei-me no sofá e fiquei a espera de Edward. Alguns minutos depois, ele retornou e sentou-se ao meu lado, dando-me um demorado selinho. Seu rosto estava com uma cara menos amassada, porém os cabelos continuavam completamente bagunçados.
- Acho que alguém precisa de um café bem forte, estou certa? – indaguei, alisando seus cabelos.
- Sim. Vamos a alguma Starbucks? Ou no Café de Rosalie mesmo... Você decide.
- Hm, vamos a uma Starbucks?
Eu não queria aparecer no Café de Rosalie com Edward. Eu tinha medo de sua reação. Sim, eu sabia que ela sabia sobre o que rolava entre nós dois, mas sei lá... isso era tudo tão novo. Se eu ainda não estava acostumada, o que dirá ela?
Edward assentiu, dizendo que apenas colocaria seus sapatos, e logo depois saímos de casa. Durante o caminho até o elevador, ele segurava minha mão. E quando deixamos o meu prédio, ele ainda segurava minha mão.
Eu me senti feliz com isso, então ele teve que soltá-la, para abrir a porta para mim. Agradeci e adentrei o carro. Logo Edward estava em seu devido lugar de motorista, e sua mão segurando a minha, enquanto a outra segurava o volante.
Cerca de trinta minutos depois, estávamos estacionando em frente a uma Starbucks qualquer. Eu gostava de ir à Starbucks. Era algo que me lembrava minha casa. Sei lá. Tinha um cheiro americano, e isso me fazia sentir mais próxima de minhas... raízes.
Era algo bom.
Edward e eu saímos do carro e adentramos o local, indo em seguida até uma mesa que ficava ao fundo. Alguns minutos depois, uma garçonete veio nos atender, e, ignorando-me completamente, disse:
- O que o senhor deseja?
Sua voz era rouca, e ela tinha um típico sotaque britânico. Era claro que ela não era francesa. Mas não era isso que me incomodava. Talvez fosse o fato de seus seios fartos estarem jogados em direção ao rosto de Edward, ou então o fato de que cada palavra dita por ela, era direcionada a ele e tinha um enorme duplo sentido.
Mas o que me deixou surpresa, fora o fato de Edward ignorá-la, olhando apenas para mim, enquanto respondia que iríamos querer um chocolate quente e um café puro. Frustrada e indignada, ela respirou fundo, dizendo que logo nossos pedidos chegariam.
Revirei os olhos, e a observei sair dali.
- O que foi?
- Nada – sorri. – Então, como é o trabalho na revista? Aposto que tem muitas modelos bonitas...
Ele riu, e acariciou minhas bochechas. Dando-me um selinho demorado e depois me olhou. Em seus lábios um maravilhoso sorriso torto.
- Realmente – comentou, ainda sorrindo -, há muitas modelos bonitas por lá.
Fechei a cara, e mesmo sem entender, virei o rosto. Que coisa patética é essa? Eu estou com ciúmes? É isso? Mas... por que? Respirei fundo, e escutei uma leve risada vinda de Edward.
- Mas nenhuma delas é você, ou seja, nenhuma me chama a atenção.
- Para com isso – pedi.
- Parar com o quê? Bella é verdade. Eu te juro. Eu não teria porque mentir teria?
Suspirei.
- Está certo. Desculpe-me, ok? Eu não sei o que deu em mim...
Na verdade eu sabia, mas não iria dizer assim, na cara dura. Edward sorriu, e segurou uma de minhas mãos, passando-a em seu rosto.
Senti meu coração bater mais rápido. Eu não entendia o que era aquilo, mas era bom. E eu não queria que essa sensação passasse por nada.
Depois de alguns minutos, nossos pedidos chegaram e soltamos nossas mãos para que pudéssemos comer. Passamos aquela manhã andando por Paris, e já na hora do almoço, Edward convidou-me para ir até sua casa que ele prepararia um almoço para nós dois.
- Tudo bem – concordei.
Mais uma vez, eu me vi maravilhada com seu apartamento. Era tudo tão organizadinho. Cada coisa em seu lugar. Ele deixou-me a vontade na sala, e disse que iria tomar um banho – já que ele dormiu lá em casa e não teve como para fazer isso antes de dormir – antes de começar a preparar o almoço.
Fiquei admirando a sala, vendo como ela era bem decorada.
Estava tão perdida admirando tudo ali, que assustei-me ao ouvir Edward chegando a sala e me chamando, e tropecei, caindo no chão.
- Eu estava distraída – expliquei, levantando-me.
- Claro – riu. – Vem aqui, me olhar cozinhar.
- Então você cozinha mesmo?
- Cozinho.
Ri e sentei-me numa cadeira. Edward tirou alguns ingredientes do armário e os colocou em cima da bancada. Alguns eu pude reconhecer, como o frango defumado, o palmito, o creme de leite e uma embalagem com alguns Vol-Au-Vent – que ainda não estavam recheadas.
- O que vai fazer?
- Surpresa.
Revirei os olhos e assenti. Edward pegou uma vasilha, colocando o creme de leite lá junto com mais algumas coisas – acho que eram sal e pimenta – e misturou junto a uma espécie de suco. Depois ele misturou o frango com as ervilhas e o palmito. Por fim, Edward recheou os Vol-Au-Vent com a mistura e decorou os pratos, colocando-os na mesa, e indo até uma espécie de adega e pegando um vinho branco.
- Pronto, Srta Swan. Espero que apreciei minha humilde culinária – disse-me. – Hoje teremos Vol-Au-Vent ao recheio de frango.
- Parece-me delicioso, Sr Cullen. Gostaria de apreciar essa culinária junto a minha pessoa? – Entrei em seu clima de brincadeira.
- Seria uma honra, minha cara dama.
Passamos o almoço nos deliciando com a leve culinária de Edward, entre conversas e beijos singelos. Era bom passar um tempo com ele. Ao anoitecer, ele deixou-me em minha casa e nos despedimos com um sôfrego beijo, cheio de paixão.
Adentrei meu apartamento, e fui logo tomar um banho, e repassar em minha mente os acontecimentos das últimas semanas. Menos de um mês, e minha rotina havia mudado tanto. Suspirei, deixando que a água quente da banheira relaxasse meus músculos.
Saí do banho, e fui direto para a cama.
No domingo eu acordei cedo. Eu estava animada. Pela primeira vez em meses, eu tive a inspiração para começar uma escultura nova. Passei toda a manhã trabalhando nessa. Ficaria enorme.
Na parte da tarde, eu conversei um pouco no telefone com Edward, e ele disse que passaria amanhã no café para me ver antes de ir trabalhar. Eu sorri e disse que o esperaria.
Quando anoiteceu, fui tomar um banho, e quando estava saindo do chuveiro, notei que meu celular tocava.
Era minha mãe.
- Bella, minha filha!
- Oi, mãe. Como estão as coisas por aí?
- Eu e seu pai estamos bem, na verdade muito bem. Então, o que você tem feito ultimamente? Eu não converso com você desde aquele dia! Falando nisso, como foi o encontro?
- Calma, mãe – ri. – Respira. Uma coisa de cada vez, ok? Ultimamente eu tenho trabalhado e saído com Edward. Ontem ele dormiu aqui, mas na sala, pois havíamos tomado vinho e eu não quis que ele dirigisse. Como pode ver, o encontro foi bom, já que estamos saindo ainda.
- Ai meu Deus! Que lindo, filha – cantarolou. – Ele me parece um bom rapaz. Quando formos a Paris, quero conhecê-lo!
- Finalmente! Vocês planejam vim quando?
- Estávamos olhando passagens para a páscoa. Ficaríamos aí por uma semana, o que acha?
- Eu não sei se ficarei de folga todos os dias, mas será muito bom se vocês realmente vierem! Vocês dois precisam sair de América por uns tempos. Bom, olhe direitinho sobre as datas e me fale, ok?
- Tudo bem, querida. Agora vou desligar, sei que já deve ser tarde por aí, vou ir fazer o almoço de seu pai, antes que ele chegue do trabalho. Beijos, filha! Amo você.
- Às vezes me esqueço desse fuso-horário louco. Até breve, mamãe. Amo você também. Mande um beijo para o papai.
Encerrei a ligação e dei uma olhada no relógio. Quase dez da noite. Coloquei meu celular em cima da cama, e peguei um pijama qualquer. Caí na cama e dormi quase que instantaneamente.
Segunda feira.
Dia de trabalho.
Acordei animada e fui tomar um banho. Março finalmente começando, e os primeiros indícios do fim do inverno aparecendo. Logo começaria a primavera. Sorri, e desliguei o chuveiro.
Coloquei uma roupa quentinha, afinal, ainda fazia menos de dez graus e saí do apartamento. No caminho, parei em uma cafeteria e comprei um café quente. Tome-o rapidamente e chamei um táxi, pedindo que me levasse ao Café de Rosalie.
Assim que chegamos, paguei o táxi e desci. Rosálie já se encontrava ali, e ela acabara de abrir as portas.
- Bom dia, Rosalie.
- Bom dia, Bella. Como vai?
- Bem, obrigada. E a senhora?
- O que eu disse sobre esse tal de 'senhora', hein? Chame-me de você, apenas. E eu também vou bem, obrigada.
Eu ri a ajudei a terminar de abrir o café.
- Bella, será que você poderia dar uma olhada no cardápio de tortas? Vou acrescentar as geladas esse mês. Gostaria que você organizasse para mim, pode ser?
- Claro. Onde estão os papéis com os nomes e a tabela de preços?
- Estão no balcão principal, dentro da segunda gaveta.
- Certo, vou adiantando lá então – sorri.
Rosálie assentiu, e eu fui pegar os papéis. Coloquei-os em ordem, montando o cardápio, colocando preços e em ordem alfabéticas. As outras funcionárias começaram a chegar, e eu ainda estava colocando as tortas em ordem.
- Fraisier, La ruche dorée, Royal , Sacher, Suprême e Troupique – repeti em ordem alfabética e fui colocando os preços.
Depois de tudo anotado e revisado, fui até a sala de Rosalie e entreguei para ela. A loira me agradeceu, e eu assenti, indo até o banheiro para colocar o avental e começar a atender as mesas. Os clientes já começavam a chegar.
A parte da manhã foi tranqüila, o mesmo número de clientes de sempre. Atendi o máximo número de mesas possíveis, e no almoço Edward apareceu. Como estava em meu horário de almoço, retirei o avental e fui até ele.
Cumprimentei-o com um rápido selinho, e saímos dali.
- Ontem eu falei com minha mãe – eu disse.
- Sério? Que bom, ma chérie.
- Ela disse que pretende vir me visitar por uns tempos – continuei. – E disse que quer conhecer você.
- Será um prazer conhecê-la. Quando ela vem?
- Não sei... Ela e meu pai estão olhando ainda.
- Bom, quando eles tiverem uma dada, avise-me. Ficarei feliz em conhecê-los.
Concordei e ele me beijou.
- Hm, meu carro está na oficina. Na verdade, Emmett está dando uma olhada nele e amanhã ele deve deixar o carro no Café. Eu gostaria de lhe pedir um favor.
- Diga-me.
- Quero que você pegue o carro e o leve para mim no final de seu expediente até a revista. Eu levo você em casa depois, eu prometo.
- Claro que eu levo.
- Obrigado.
Depois de mais alguns minutos, Edward levou-me de volta ao Café e nos despedimos com um rápido beijo. A parte da tarde foi mais cansativa. O movimento foi maior, logo trabalho maior. Não que eu estivesse reclamando.
A manhã seguinte foi calma, no almoço Edward não pode vir me ver, pois teve um ensaio urgente para fazer. No meio da tarde, Emmett apareceu no Café e trouxera consigo o carro de Edward.
Conversando brevemente e antes de ele ir até o escritório da noiva, deixou as chaves do carro comigo. O restante do expediente se passou de forma lenta e torturante. Eu queria ver Edward.
Não.
Eu necessitava vê-lo.
Isso era estranho demais.
Por fim, deu o meu horário de saída, e eu fui trocar de roupa. Despedi-me de todos e fui até a revista. A direção do carro de Edward era ótima, e quase não sentia o volante pesar em minhas mãos ao fazer alguma curva.
Estacionei na porta da revista, e saí do carro, encostando-me na lataria. Logo eu avistei os cabelos acobreados de Edward, e ao seu lado uma mulher loira. Fechei a cara, e logo à sensação de ciúmes voltara.
Ambos estavam rindo, e eu sabia que era apenas uma conversa amigável, porém era algo incontrolável, ter aquela sensação. Ele despediu-se dela com um rápido beijo no rosto, e veio andando em minha direção.
- Olá, ma chérie – disse, sorrindo.
Eu não respondi. Enlacei minhas mãos em seu pescoço, e o beijei da maneira mais sôfrega e cálida que eu pude.
- Estava com saudades – murmurei, separando-me dele.
- Adorei essa reação – comentou, beijando a ponta de meu nariz. – E eu estava com saudades também.
Sorri e corei.
Ter ciúmes de Edward é inevitável, porém algo ridículo.
Como o perfeito cavalheiro que é Edward abriu a porta do carro para mim, e depois foi para o bando do motorista. Fomos até meu prédio, ao som de uma melodia calma.
Ele estacionou o carro, e eu me virei para ele, dando-lhe outro beijo. Edward acariciou meu rosto e beijou minha testa, antes de eu sair do carro e adentrar o prédio.
Sexta feira.
Duas semanas se passaram de forma rápida, porém cansativa. Eu via Edward quase os dias, e às vezes saíamos à noite. Ou eu ia até a casa dele, ou ele ia até a minha. E duas vezes fomos ao cinema.
Despedi-me de Rosalie, e saí do Café. Hoje Edward não poderia vir me buscar, pois estava tendo uma reunião importante e se atrasaria. De novo. Trabalhar em lugares diferentes estava limitando muito mais o nosso pouco tempo juntos.
Não é como se fôssemos namorados e tivéssemos que ficar juntos sempre, mas nós éramos algo parecido com isso. Suspirei, balançando a cabeça. O final de tarde de Paris estava bonito e fresco. Indícios da chegada da primavera. Sorri um pouco e resolvi voltar andando mesmo.
Eu estava na metade do caminho, quando um anúncio de uma agência de modelos me chamou a atenção. Estranho eu nunca ter notado essa agência antes... Adentrei o local, e o avaliei.
A sala era toda decorada em uma arquitetura abstrata, com cores fortes e frescas. A maior parte era em vermelho, amarelo e branco. Parei em frente a uma bancada e observei uma porta branca. Mordi o lábio, sem ver ninguém ali, e no mesmo instante, uma mulher ruiva saía de lá.
- Boa noite – cumprimentei-a cordialmente.
- Boa noite, deseja algo?
- Sim, bem, eu gostaria de saber quando será o teste para as modelos e para qual revista é.
- Ah sim, espere um minuto que vou pegar o formulário.
- Ok.
- Certo, aqui está – disse-me, estendendo um papel branco. – O teste será na parte da tarde de segunda feira, e a revista que nos contratou é a Jalouse.
Jalouse? Coincidência demais.
- Obrigada.
E saí.
No resto do caminho, eu fui pensando e pensando. Eu queria ficar perto de Edward. Isso de nos vermos apenas por poucas horas, machucava-me sem eu nem mesmo saber o por quê. Eu... eu apenas tinha a necessidade de me manter próxima a ele. De poder ter uma desculpa para olhar seus olhos brilhantes e depois beijar seus lábios.
Ao passar pela portaria do prédio, cumprimentei o porteiro e fui para o elevador.
Eu tinha dois dias para tomar uma decisão se eu iria ou não ir a esse teste.
Durante todo o final de semana, eu me pus a pensar. Fiquei isolada apenas em meu apartamento, e por algumas vezes, trabalhei em minha escultura. Não conversei com Edward, o que facilitou a minha decisão.
Já no domingo à noite, eu liguei para Rosalie, indagando-a se eu poderia tirar a segunda feira de folga, prometendo que eu compensaria em um sábado qualquer. Ela concordou, mas se mostrou preocupada comigo. Eu a garanti que tudo estava bem, dizendo-lhe que eu iria resolver umas coisas para minha mãe.
E logo depois eu liguei para minha mãe, que ficou feliz com a notícia, dando-me dicas. Preocupada, indaguei-a sobre o que vestir, e como sempre, ela me ajudou, dizendo para eu usar meu tomara-que-caia florido, com alguma sandália pitanga.
- Obrigada, mamãe. Agora vou desligar, preciso estar bem relaxada para amanhã.
- Tudo bem, minha filha. Boa sorte lá, e me ligue assim que sair da agência, ok? Não importa o horário. Amo você.
- Eu ligarei. Também te amo. Beijos.
Encerrei a ligação e deitei-me, amanhã seria um dia longo.
Talvez fosse errado fazer o que eu estava fazendo, mas essa me parecia ser a minha chance de ouro. Uma chance para ficar mais tempo ao lado de Edward, de poder participar mais de seu mundo. E eu a agarraria com todas as forças.
E, com esse pensamento, entrei em meu mundo de sonhos particular.
Review = preview. :)
